{"id":73481,"date":"2023-03-27T00:18:04","date_gmt":"2023-03-27T03:18:04","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=73481"},"modified":"2023-05-16T02:15:45","modified_gmt":"2023-05-16T05:15:45","slug":"entrevista-sara-nao-tem-nome-lanca-a-situacao-debochado-album-politico-que-trata-de-questoes-dolorosas-e-complexas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/03\/27\/entrevista-sara-nao-tem-nome-lanca-a-situacao-debochado-album-politico-que-trata-de-questoes-dolorosas-e-complexas\/","title":{"rendered":"Entrevista: Sara N\u00e3o Tem Nome lan\u00e7a &#8220;A Situa\u00e7\u00e3o&#8221;, debochado \u00e1lbum pol\u00edtico que trata de &#8220;quest\u00f5es dolorosas e complexas&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fruto de uma gera\u00e7\u00e3o que soube transformar o seu fazer art\u00edstico num ato de resist\u00eancia cultural, Sara N\u00e3o Tem Nome debutou com um \u00e1lbum elogiado, \u201c\u00d4mega III\u201d (2015), deixando em evid\u00eancia marcas que at\u00e9 hoje definem o seu trabalho ao unir letras agridoces (por vezes ir\u00f4nicas) sobre o cotidiano com melodias indie carregadas de experimentalismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De l\u00e1 pra c\u00e1, Sara lan\u00e7ou singles como \u201cGeografia\u201d (2016), \u201cAgora\u201d (2020) e \u201cExausta\u201d (2021). Em outubro do ano passado saiu o single \u201cCidad\u00e3o de Bens\u201d que serviu como pr\u00e9via para o seu segundo disco. Lan\u00e7ado em janeiro, \u201c<a href=\"https:\/\/ditto.fm\/a-situacao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A Situa\u00e7\u00e3o<\/a>\u201d (2023) exibe maturidade sonora ao trazer mais camadas ao seu universo particular. O bom uso de cordas e metais em faixas como \u201cPare\u201d, \u201cPonto Final\u201d e \u201cDej\u00e0 V\u00fa\u201d s\u00e3o bons exemplos de como a sua inquietude musical alcan\u00e7aram bons resultados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ambicioso em sua tem\u00e1tica, \u201c<a href=\"https:\/\/ditto.fm\/a-situacao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A Situa\u00e7\u00e3o<\/a>\u201d busca retratar o Brasil contempor\u00e2neo, dominado pelo conservadorismo, pelo medo, ang\u00fastia, mas que, ainda sim, busca nas artes inspira\u00e7\u00e3o para seguir em frente e em luta constante. Na entrevista abaixo, Sara fala sobre suas origens musicais, o processo de constru\u00e7\u00e3o do novo \u00e1lbum, ambi\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, o papel da arte na sociedade, o apoio do selo Natura Musical, o mercado fonogr\u00e1fico na atualidade, as primeiras apresenta\u00e7\u00f5es da nova turn\u00ea, planos futuros e mais!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"A Situa\u00e7\u00e3o\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_n01Vaoaxh5H6F0pgJkTLjKGKTU9EqQoDU\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma pergunta que tenho h\u00e1bito de fazer diz respeito ao per\u00edodo de forma\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Nesse sentido, como se deu o in\u00edcio da sua rela\u00e7\u00e3o com o universo da m\u00fasica (ou das artes em si)?<\/strong><br \/>\nDesde crian\u00e7a sempre me interessei por arte. Quando tinha uns cinco ou seis anos j\u00e1 inventava m\u00fasicas. Tenho gravada em uma fita K7 uma dessas m\u00fasicas e quero coloc\u00e1-la em um futuro \u00e1lbum. Meu pai sempre gostou de desenhar e me dava revistas para colorir e me deu um tecladinho de brinquedo. Eu gostava de ver seus cadernos de desenho e escut\u00e1-lo tocando viol\u00e3o. Aos 11 anos, participei de um concurso de poesia e recebi uma men\u00e7\u00e3o honrosa. Por volta dos 14 anos, comecei a tocar viol\u00e3o e fazer minhas pr\u00f3prias m\u00fasicas, escrever o que eu sentia e dar vida \u00e0s melodias que tocavam na minha cabe\u00e7a. Nessa mesma \u00e9poca eu j\u00e1 fazia fotografias, v\u00eddeos e autorretratos com um celular velho. Eu sinto que foi a arte que me escolheu e n\u00e3o eu que a escolhi. Criar \u00e9 algo natural na minha vida, faz parte do meu modo de existir e de me relacionar com o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cerca de sete anos separam &#8220;A Situa\u00e7\u00e3o&#8221; de &#8220;\u00d4mega III&#8221;, seu primeiro \u00e1lbum de est\u00fadio. Num exerc\u00edcio inevit\u00e1vel de compara\u00e7\u00e3o, seu disco mais recente soa como um caminho natural de evolu\u00e7\u00e3o sonora no qual voc\u00ea segue apostando em letras agridoces \/ c\u00f4micas alinhadas a uma sonoridade diversificada, rica em camadas e instrumenta\u00e7\u00f5es. Dito isso, como foi o processo de composi\u00e7\u00e3o e grava\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum? E ainda: se a arte \u00e9 (ou pode ser) especular ao seu tempo quais as inten\u00e7\u00f5es voc\u00ea alimentou com &#8220;A Situa\u00e7\u00e3o&#8221;?<\/strong><br \/>\nO processo de cria\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o, grava\u00e7\u00e3o e finaliza\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum durou v\u00e1rios anos. Em 2016, depois do golpe contra a ex-presidente Dilma, fiz a m\u00fasica &#8220;D\u00e8j\u00e1 vu&#8221;, que iniciou o processo de constru\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum. Em 2019, fui aprovada no edital da Natura Musical para produzir e lan\u00e7ar o \u00e1lbum &#8220;A Situa\u00e7\u00e3o&#8221;. Com a pandemia, acabei fazendo novas m\u00fasicas e resgatando algumas outras antigas que come\u00e7aram a fazer sentido no contexto atual. Devido ao distanciamento social e outras dificuldades decorrentes desse per\u00edodo, o processo de produ\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum foi se alongando. O \u00e1lbum foi gravado em diversos lugares, em Belo Horizonte, gravamos na minha casa \u2013 Quarto Intergal\u00e1ctico, nos est\u00fadios Frango no Bafo, U-ninho e Cais. Em S\u00e3o Paulo, gravamos na Garagita, Fauhaus, Sugar Kane \u00c1udio e Anti est\u00fadio. Aprendi muito durante esse processo e pude contar com profissionais incr\u00edveis, como a Alejandra Luciani, que assinou a mixagem e a masteriza\u00e7\u00e3o e participou de v\u00e1rias grava\u00e7\u00f5es como engenheira de \u00e1udio. Meus amigos de longa data, Desir\u00e9e Marantes e Victor Galv\u00e3o que fizeram a assist\u00eancia de produ\u00e7\u00e3o musical. Meu amigo e irm\u00e3o de considera\u00e7\u00e3o, Randolpho Lamonier, que assinou a capa do \u00e1lbum e canta na faixa &#8220;Parque Industrial&#8221;. Meu companheiro, Pedro Veneroso, tamb\u00e9m foi uma pessoa essencial nesse processo, atuando em v\u00e1rias frentes do projeto, como a produ\u00e7\u00e3o executiva e o desenvolvimento do site. Conseguimos finalizar o \u00e1lbum em 2022 e lan\u00e7amos no in\u00edcio de 2023. No decorrer desses anos, fui percebendo o \u00e1lbum como uma esp\u00e9cie de filme, dividido por cap\u00edtulos que narram os acontecimentos marcantes na sociedade brasileira e no mundo, como por exemplo, a pandemia, a ascens\u00e3o de regimes autorit\u00e1rios, o retorno do Brasil ao mapa da fome, a perda de direitos trabalhistas, crimes ambientais, entre outras quest\u00f5es que considero serem de extrema import\u00e2ncia e urg\u00eancia. Meu maior interesse com esse trabalho \u00e9 trazer reflex\u00f5es sobre tudo que me atravessou durante esse per\u00edodo de muita ang\u00fastia, tens\u00e3o, desalento, medo, raiva e outras emo\u00e7\u00f5es densas e dif\u00edceis de lidar. Em v\u00e1rias m\u00fasicas, utilizo do deboche, da ironia e do sarcasmo, como uma forma de falar de assuntos espinhosos e pol\u00eamicos, trazendo humor \u00e1cido e por vezes absurdo, para tratar de quest\u00f5es dolorosas e complexas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falar sobre pol\u00edtica, ali\u00e1s, \u00e9 uma marca do seu trabalho desde a sua g\u00eanese. S\u00f3 que voc\u00ea o faz de uma maneira que \u00e9, por vezes, carregada de ironia. Nesse sentido, como se deu a sua aproxima\u00e7\u00e3o \/ interesse por essa tem\u00e1tica? Qual a import\u00e2ncia de fazer do seu trabalho um instrumento de reflex\u00e3o e\/ou mobiliza\u00e7\u00e3o social?<\/strong><br \/>\nPenso que a arte \u00e9 uma importante ferramenta para mudan\u00e7as sociais. V\u00e1rias obras que tive acesso ao decorrer da minha vida \u2013 m\u00fasicas, filmes, pe\u00e7as de teatro, exposi\u00e7\u00f5es, foram essenciais para minha forma\u00e7\u00e3o. A minha m\u00fasica expressa muito do eu sinto e percebo do mundo, sendo uma forma de compartilhar com os outros tudo o que me atravessa. Acredito que ela se comunica atrav\u00e9s da minha sensibilidade para perceber e expressar coisas estranhas, bizarras, inc\u00f4modas e outros assuntos que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o simples de serem retratados nas m\u00fasicas em geral. Gosto de jogar luz ao que n\u00e3o est\u00e1 sendo visto ou falado. Como v\u00e1rios artistas me influenciaram com suas obras, a pensar em outras possibilidades de exist\u00eancia no mundo, me vejo no lugar de tamb\u00e9m influenciar as pessoas com o que crio, com o que acho relevante de ser dito e mostrado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;A Situa\u00e7\u00e3o&#8221; \u00e9 um trabalho que teve a chancela e o apoio da Natura, que h\u00e1 bastante tempo tem patrocinado diversas iniciativas culturais. Como se deu essa aproxima\u00e7\u00e3o e qual a contrapartida oferecida pela marca?<\/strong><br \/>\nQuando enviei a proposta de grava\u00e7\u00e3o e lan\u00e7amento de \u201cA Situa\u00e7\u00e3o\u201d n\u00e3o tinha muita esperan\u00e7a que ele fosse aprovado. Por ser um trabalho muito pol\u00edtico, pensei que talvez fosse um problema. Fiquei muito contente quando recebi o resultado de que tinha sido aprovado. A equipe da Natura Musical me apoiou durante todo o processo, principalmente a Raquel Ferraz, que foi super compreensiva e atenciosa, me orientando e ajudando a entender os procedimentos e demandas que eu tive que seguir. Como eu nunca tinha aprovado um projeto deste tipo, tive que aprender muita coisa. Foi um processo importante para profissionalizar meu trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea faz parte de uma gera\u00e7\u00e3o cuja rela\u00e7\u00e3o com m\u00fasica foi mediada pela MTV. Nos \u00faltimos anos vivemos tempos revolucion\u00e1rios, para o bem e\/ou para mal, no que diz respeito a como p\u00fablico estabelece conex\u00f5es musicais com os artistas via streaming. Como voc\u00ea v\u00ea a atualidade com tantas mudan\u00e7as promovidas pelo mercado fonogr\u00e1fico?<\/strong><br \/>\nCostumo brincar com alguns amigos da minha gera\u00e7\u00e3o, dizendo que somos &#8220;\u00f3rf\u00e3os da MTV\u201d. Cresci vendo videoclipes e ouvindo m\u00fasicas que me formaram, que influenciaram muito minha forma de pensar e agir. Quando era adolescente, sonhava em tocar na MTV, ter um clipe meu passando na programa\u00e7\u00e3o. Infelizmente, muita coisa mudou nos \u00faltimos tempos e n\u00e3o foi do jeito que eu gostaria. Sinto que \u00e9 muito dif\u00edcil fazer m\u00fasica independente no Brasil, principalmente se o trabalho for ousado, com muita experimenta\u00e7\u00e3o est\u00e9tica. O que vemos e temos mais acesso s\u00e3o f\u00f3rmulas sendo repetidas at\u00e9 o cansa\u00e7o e obras que causam pouco questionamento, com pouca autenticidade. Muitos artistas acabam virando um produto, tendo que seguir uma tend\u00eancia para fazerem parte do mercado. Acaba que muitas vezes \u00e9 mais sobre n\u00fameros do que sobre arte. Fico pensando em como criar sem ser t\u00e3o influenciada por todas essas demandas, seguindo o que acredito e n\u00e3o o que o mercado dita. Percebo que essas quest\u00f5es acabam virando assunto no meu trabalho. Acabo trazendo essas reflex\u00f5es de forma ir\u00f4nica e sarc\u00e1stica, pensando como podemos romper com essa l\u00f3gica, n\u00e3o ficando ref\u00e9ns do funcionamento desse mercado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco \u00e9 cheio de participa\u00e7\u00f5es reunindo um time diversificado de artistas como Bernardo Bauer, Luiza Rozza, Tant\u00e3o e Randolpho Lamonier. Como se deu a sele\u00e7\u00e3o de convidados e quais contribui\u00e7\u00f5es os mesmos trouxeram para o resultado final?<\/strong><br \/>\nTodos os artistas que convidei para participar do \u00e1lbum, s\u00e3o pessoas que admiro muito e que de alguma forma me influenciaram e me sensibilizam. O Randolpho Lamonier \u00e9 um dos meus melhores amigos, o considero como irm\u00e3o. Somos muito pr\u00f3ximos e estamos sempre participando e acompanhando os processos um do outro. Foi uma alegria poder cantar junto com ele a m\u00fasica \u201cParque Industrial\u201d, pois ela fala sobre uma realidade que atravessa a nossa hist\u00f3ria de vida. Para al\u00e9m da participa\u00e7\u00e3o cantando, ele tamb\u00e9m desenvolveu os visualizers e a arte gr\u00e1fica do \u00e1lbum junto do Victor Galv\u00e3o, outro parceiro que tem colaborado em v\u00e1rios projetos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia que conheci o Bernardo Bauer, nos identificamos logo de cara e fizemos uma m\u00fasica. Fiquei muito contente com o convite que ele me fez <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/08\/08\/entrevista-bernardo-bauer\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">para cantar na faixa \u201cCoragem\u201d do seu \u00e1lbum \u201cP\u00e1ssaro-c\u00e3o\u201d<\/a>. Gosto muito do trabalho dele, me toca profundamente. Nos \u00faltimos anos, compomos algumas m\u00fasicas junto de outros amigos e logo vamos lan\u00e7ar. Nossa forma de criar tem uma sintonia muito bonita. Convidei ele para cantar \u201cVazio\u201d por sentir que a m\u00fasica est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 sua hist\u00f3ria de vida e as tem\u00e1ticas que ele retrata em suas m\u00fasicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conheci a Luiza Rozza durante a pandemia. Fiquei encantada quando assisti uma session dela cantando e tocando kalimba. Descobri que ela \u00e9 de Belo Horizonte e logo come\u00e7amos a conversar e combinar de fazer algo juntas. De l\u00e1 pra c\u00e1, come\u00e7amos v\u00e1rias parcerias, ela gravou no meu \u00e1lbum, tocou no show de lan\u00e7amento, lan\u00e7amos duas m\u00fasicas dela pelo meu selo Gr\u00e3o Pixel e estamos planejando v\u00e1rias parcerias futuras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conheci <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/12\/06\/tres-discos-tantao-e-os-fita-saskia-e-ana-frango-eletrico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o trabalho do Tant\u00e3o<\/a> atrav\u00e9s dos meus amigos Anne e Gabraz. Eles fizeram dois filmes sobre a vida e a obra do Tant\u00e3o, o \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/07\/03\/tres-documentarios-som-sol-surf-saquarema-onde-esta-voce-joao-gilberto-e-eu-sou-o-rio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Eu Sou o Rio<\/a>\u201d e \u201cDi\u00e1rios de Uma Paisagem\u201d. Achei incr\u00edvel conhecer as m\u00fasicas, pinturas e performances que o Tant\u00e3o cria. Vi um show dele na Aut\u00eantica e pirei. O show era t\u00e3o pesado que a casa de show n\u00e3o aguentou, a energia ficou caindo e n\u00e3o conseguiram terminar o show. Me lembro que teve uma hora que o Tant\u00e3o estava cantando: \u201cL\u00facifer, pai de todos\u201d e a luz caiu. Foi bem sinistra aquela situa\u00e7\u00e3o. Eu fiquei at\u00f4nita, achando aquele um dos shows mais doidos que eu j\u00e1 vi. Fiquei pensando em um dia convid\u00e1-lo para fazer algo juntos. Quando estava desenvolvendo a vers\u00e3o de \u201cAgora\u201d para o \u00e1lbum, me veio a voz do Tant\u00e3o na m\u00fasica. Pensei que o contraste entre minha voz doce e de certa forma fr\u00e1gil com a voz densa e grave do Tant\u00e3o, trariam uma din\u00e2mica muito interessante para a m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Recentemente voc\u00ea deu in\u00edcio a turn\u00ea do novo disco em BH, numa apresenta\u00e7\u00e3o que foi bastante elogiada (assista no fim da entrevista). Como voc\u00ea encara as performances ao vivo? Como se d\u00e1 o processo de transi\u00e7\u00e3o de levar para os palcos o que foi idealizado em est\u00fadio?<\/strong><br \/>\nFiquei muito contente com o show de lan\u00e7amento que fizemos em Belo Horizonte. Foi uma plateia cheia de pessoas queridas, que acompanham meu trabalho desde o come\u00e7o. Gosto muito do momento do show, \u00e9 uma experi\u00eancia muito intensa, s\u00e3o muitas emo\u00e7\u00f5es ao mesmo tempo. Dividir esse momento com tantas pessoas, \u00e9 algo muito poderoso. Foi muito forte quando sai do palco e v\u00e1rias pessoas me relataram que se emocionaram muito com o show, com as m\u00fasicas, as proje\u00e7\u00f5es, os arranjos. Para mim, essa troca \u00e9 muito importante para continuar criando, para continuar lutando para produzir arte, o que muitas vezes \u00e9 algo muito dif\u00edcil dentro do contexto que vivemos. Nesse show de lan\u00e7amento, conseguimos levar grande parte do \u00e1lbum de est\u00fadio para o palco, pois contamos com sete artistas no palco, t\u00e9cnicos de som, ilumina\u00e7\u00e3o, proje\u00e7\u00e3o, etc. Tenho pensado em como viabilizar outros formatos de apresenta\u00e7\u00e3o sem perder a for\u00e7a das m\u00fasicas, adaptando a experi\u00eancia do \u00e1lbum para outros locais com estruturas menores e para apresenta\u00e7\u00f5es em espa\u00e7os mais intimistas. Penso que \u00e9 um exerc\u00edcio de adapta\u00e7\u00e3o da obra para cada contexto, para cada situa\u00e7\u00e3o. Me interessa muito entender os desdobramentos que um trabalho pode ter, sendo apresentado de forma mais complexa ou mais simples. Acho que \u00e9 um processo muito rico entender como fazer a mensagem chegar da melhor maneira poss\u00edvel em lugares diferentes, com suas possibilidades e demandas espec\u00edficas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por fim, com um disco novo debaixo dos bra\u00e7os quais s\u00e3o os planos futuros<\/strong><br \/>\nTenho v\u00e1rios planos para o \u00e1lbum. Estamos com o trabalho de divulga\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum para que chegue em novos ouvidos. Em mar\u00e7o vou tocar em Bel\u00e9m e em Macap\u00e1. Vamos lan\u00e7ar tamb\u00e9m uma session em que estou tocando \u201cN\u00f3s\u201d em uma paisagem linda de uma viagem que fiz para Portugal. Em abril vamos lan\u00e7ar um faixa a faixa, contando detalhes sobre o processo de cria\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o das m\u00fasicas. Vamos lan\u00e7ar visualizers das m\u00fasicas e um site com v\u00e1rios materiais e di\u00e1rios do processo de grava\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Sara N\u00e3o Tem Nome - A situa\u00e7\u00e3o [show de lan\u00e7amento]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JrrYiSLpnog?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a>\u00a0 escreve no Scream &amp; Yell desde 2014. A foto que abre o texto \u00e9 de Randolpho Lamonier e Victor Galv\u00e3o\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Sara fala sobre suas origens musicais, o processo de constru\u00e7\u00e3o do novo \u00e1lbum, ambi\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, o papel da arte na sociedade, o apoio do selo Natura Musical, o mercado fonogr\u00e1fico na atualidade&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/03\/27\/entrevista-sara-nao-tem-nome-lanca-a-situacao-debochado-album-politico-que-trata-de-questoes-dolorosas-e-complexas\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":73484,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[985],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73481"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=73481"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73481\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":73485,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73481\/revisions\/73485"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/73484"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=73481"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=73481"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=73481"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}