{"id":73410,"date":"2023-03-20T00:32:48","date_gmt":"2023-03-20T03:32:48","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=73410"},"modified":"2023-05-15T01:02:53","modified_gmt":"2023-05-15T04:02:53","slug":"entrevista-the-war-on-drugs-ja-fizemos-20-turnes-pelos-eua-essa-vai-ser-a-nossa-primeira-vez-ai-acho-que-sera-especial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/03\/20\/entrevista-the-war-on-drugs-ja-fizemos-20-turnes-pelos-eua-essa-vai-ser-a-nossa-primeira-vez-ai-acho-que-sera-especial\/","title":{"rendered":"Entrevista &#8211; The War on Drugs: &#8220;J\u00e1 fizemos 20 turn\u00eas pelos EUA! Essa vai ser a nossa primeira vez a\u00ed&#8230; Acho que ser\u00e1 especial&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSempre senti que [The War on Drugs] era o tipo de nome com o qual eu poderia gravar todos os tipos de m\u00fasica sem qualquer tipo de previsibilidade inerente ao nome\u201d, declarou Adam Granduciel ao blog Pop Headwound em 2012. Ele estava certo: embora sua banda tenha criado uma identidade marcante gra\u00e7as \u00e0s suas melodias e sua sonoridade, n\u00e3o d\u00e1 para dizer que voc\u00ea sabe o que esperar de um disco do The War on Drugs.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ok, d\u00e1 para sacar que Granduciel sempre vai se empenhar para honrar suas maiores refer\u00eancias musicais: Bob Dylan, Bruce Springsteen, Tom Petty&#8230; Mas h\u00e1 mais, como ele revela na bem-humorada e sincera entrevista que se segue.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/01\/07\/meu-disco-favorito-de-2021-the-war-on-drugs-por-pedro-hollanda\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">I Don\u2019t Live Here Anymore<\/a>\u201d consolidou e enriqueceu essa obra. Lan\u00e7ado em outubro de 2021, o \u00e1lbum n\u00e3o s\u00f3 encontrou grande resposta positiva junto aos f\u00e3s de longa data como ampliou o alcance da banda, hoje um septeto. Mais: gerou uma conex\u00e3o emocional intensa, gra\u00e7as a uma capacidade de traduzir os sentimentos nebulosos e algo densos que se instalaram na maior parte das pessoas durante a pandemia da Covid-19. Al\u00e9m da sonoridade, contribuiu muito para isso a prosa direta, mas nem por isso menos po\u00e9tica, empregada nas letras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cThe War On Drugs \u00e9 a banda mais importante dos \u00faltimos 30 anos\u201d, me disse o m\u00fasico uruguaio <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/05\/29\/conexao-latina-a-estreia-solo-de-nicolas-molina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Nicol\u00e1s Molina<\/a> em uma conversa sobre a banda. Um exagero, claro, ainda que certamente corroborada pelos f\u00e3s. Por\u00e9m, mesmo um olhar isento n\u00e3o ter\u00e1 problemas em admitir que a banda fundada por Adam Granduciel em 2005 construiu um dos corpos de obra mais belos, consistentes e longevos dos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A banda vem ao Brasil para o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/03\/01\/c6-fest-anuncia-programacao-precos-e-horarios\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">C6 Fest<\/a>, nas edi\u00e7\u00f5es carioca e paulista (respectivamente, 20 e 21 de maio). A dois meses de sua primeira turn\u00ea por um pa\u00eds sul-americano, a gravadora Warner abriu a agenda de Adam Granduciel para falar, via Zoom, com a imprensa local. Dispondo de n\u00e3o mais que 10 minutos, o Scream &amp; Yell foi conversar com o frontman sobre o processo de cria\u00e7\u00e3o que faz com que suas can\u00e7\u00f5es tenham tanto impacto emocional e art\u00edstico.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The War On Drugs - Harmonia&#039;s Dream (Live)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/99NpODT2mlc?list=PLNJi4aKCwdJijyaNG92TanUWDCrkUw27U\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Quando a assessora abre a sala do Zoom, a imagem de Adam Granduciel ainda n\u00e3o est\u00e1 vis\u00edvel. O rep\u00f3rter, ent\u00e3o, pergunta:<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Adam j\u00e1 chegou?<\/strong><br \/>\nT\u00f4 no espa\u00e7o. (Granduciel escolheu um backdrop \u201cc\u00f3smico\u201d, com o planeta Terra ao fundo, para a conversa). T\u00f4 bem aqui, acima de voc\u00ea. \u00c9 que eu \u00e0s vezes n\u00e3o gosto de ficar no mesmo lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que bom, porque em breve voc\u00eas estar\u00e3o na Am\u00e9rica do Sul\u2026.<\/strong><br \/>\nAh, meu Deus, eu sei! Estou com essa banda h\u00e1 quinze anos e a gente sempre quis tocar a\u00ed, mas nunca conseguiu, ent\u00e3o \u00e9 muito empolgante!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bem, na verdade, a turn\u00ea vai passar s\u00f3 pelo Brasil, em S\u00e3o Paulo e no Rio. Mas, n\u00e3o sei se voc\u00ea sabe, a not\u00edcia da vinda de voc\u00eas provocou furor at\u00e9 nos pa\u00edses vizinhos. Se formos acreditar nas redes sociais, tem gente da Argentina e do Uruguai que vai vir pra c\u00e1 para ver The War on Drugs.<\/strong><br \/>\nIsso \u00e9 realmente empolgante! E, sabe, durante esse tempo de exist\u00eancia da banda, as pessoas sempre falaram que os f\u00e3s de m\u00fasica na Am\u00e9rica do Sul iriam gostar do nosso som. Porque ele \u00e9 todo conduzido pelas guitarras, \u00e9 rock, essas coisas. Sempre tivemos essa sensa\u00e7\u00e3o de que t\u00ednhamos que botar o pezinho na \u00e1gua e ir at\u00e9 a\u00ed pra ver qual \u00e9. Se voc\u00ea nunca esteve em um lugar, voc\u00ea n\u00e3o pode presumir que vai chegar l\u00e1 e vai ser t\u00e3o f\u00e1cil excursionar quanto \u00e9 nos EUA. A gente j\u00e1 fez 20 turn\u00eas pelos Estados Unidos! Ent\u00e3o essa vai ser a nossa primeira vez a\u00ed, mas esperamos que na seguinte possamos ir e tocar em mais pa\u00edses. Mas estamos animados de verdade, porque todo mundo, no mundo inteiro, fala do quanto os f\u00e3s sul-americanos s\u00e3o passionais. Mesmo sendo s\u00f3 dois shows, acho que vai ser realmente especial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 que estamos falando sobre a Am\u00e9rica do Sul, vamos falar de \u201cBuenos Aires Beach\u201d (presente no \u00e1lbum de estreia da banda). Sei que \u00e9 at\u00e9 meio tolo perguntar sobre o significado de can\u00e7\u00f5es, mas eu imagino que, quando voc\u00ea a comp\u00f4s, sabia que Buenos Aires n\u00e3o tem praia. Ent\u00e3o gostaria de saber qual a imagem que voc\u00ea queria evocar.<\/strong><br \/>\nBom, na verdade, eu acho que eu n\u00e3o sabia disso quando a escrevi (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o?!<\/strong><br \/>\nN\u00e3o\u2026 Eu a escrevi h\u00e1 muito tempo, acho que h\u00e1 uns 20 anos, e acho que eu deduzi que Buenos Aires era uma bela cidade litor\u00e2nea. Mas algum tempo depois, ainda no come\u00e7o das m\u00eddias sociais, as pessoas me disseram que n\u00e3o era uma cidade com praias. Eu gostaria de poder lembrar de onde essa can\u00e7\u00e3o veio. \u00c9 uma das minhas favoritas, e ainda a tocamos ao vivo. Eu posso toc\u00e1-la sozinho ao viol\u00e3o, posso tocar com a banda tendo uma forma\u00e7\u00e3o de trio, e d\u00e1 para expandir para a forma\u00e7\u00e3o de sete m\u00fasicos. D\u00e1 para fazer em pequenos teatros e em grandes arenas. \u00c9 uma forma muito pura de can\u00e7\u00e3o, o tipo de can\u00e7\u00e3o que faz voc\u00ea desejar que pudesse escrever umas 50 como ela ao longo da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Desde essa \u00e9poca, The War on Drugs \u00e9 uma banda que vai expandindo sua base de f\u00e3s. Cada \u00e1lbum, cada turn\u00ea, parecia alargar os horizontes de voc\u00eas com o p\u00fablico. Mas \u201cI Don\u2019t Live Here Anymore\u201d parece ter levado isso a um outro n\u00edvel. A resposta das pessoas ao disco foi muito sobre ter uma conex\u00e3o emocional e \u00edntima com as can\u00e7\u00f5es. O que levou a essa conex\u00e3o, no seu entender?<\/strong><br \/>\nEu acho\u2026 (hesita) Eu trabalho duro nos discos, sabe? Quer dizer, eu tenho orgulho real das m\u00fasicas que lan\u00e7amos e das hist\u00f3rias que elas contam, espero que elas convidem as pessoas a um mundo do qual elas podem desfrutar por mais ou menos uma hora, quando elas colocam seus fones de ouvido. Simplesmente foco apenas na m\u00fasica. Quando saiu o \u201cLost In The Dream\u201d (2014) e aumentamos a banda para seis pessoas, foi porque eu meio que queria dar \u00e0s can\u00e7\u00f5es o que elas mereciam. Eu queria toc\u00e1-las da maneira que elas deveriam soar, e n\u00f3s meio que crescemos nos espa\u00e7os em que nos convidavam a tocar, e meio que continuamos crescendo\u2026 Ficamos realmente famintos enquanto banda. Eu tamb\u00e9m acho que eu queria continuar fazendo discos de um jeito que eles fossem melhores que o anterior. \u00c9 isso que eu sempre tentei fazer, de verdade \u2013 s\u00f3 focar nas coisas que me inspiram e escrever can\u00e7\u00f5es. \u00c9 aquela coisa: voc\u00ea tem que escrever para voc\u00ea mesmo. Voc\u00ea n\u00e3o pode compor para mais ningu\u00e9m. Voc\u00ea tem que simplesmente trabalhar direito e reagir \u00e0 m\u00fasica que te gera uma resposta, que voc\u00ea gosta. Voc\u00ea n\u00e3o tem que se preocupar com o que as pessoas podem vir a gostar, ou o que voc\u00ea fazia antes disso, ou ao que j\u00e1 foi popular. Voc\u00ea simplesmente comp\u00f5e a m\u00fasica que te inspira. E os f\u00e3s da m\u00fasica v\u00e3o encontr\u00e1-la. Temos muita sorte de termos encontrado um grande grupo de f\u00e3s, e os respeitamos demais. Eles nos veem no palco, tocando as can\u00e7\u00f5es, em um tipo de rela\u00e7\u00e3o que eu acho realmente \u00f3tima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando das m\u00fasicas que voc\u00ea gosta e que te inspiram: n\u00e3o \u00e9 segredo para quem acompanha a banda que suas maiores refer\u00eancias est\u00e3o nas obras de Bob Dylan, Bruce Springsteen e Tom Petty. Mas muitos cr\u00edticos da imprensa norte-americana, e mesmo de outros lugares, associaram a sonoridade desse \u00faltimo \u00e1lbum ao \u201cyacht rock\u201d (termo recente, mas j\u00e1 de uso amplo, que faz refer\u00eancia \u00e0s bandas de &#8220;adult oriented rock&#8221; (rock direcionado para adultos) e soft rock dos anos 1970 e 1980). A Rolling Stone USA at\u00e9 soltou uma manchete infame, dizendo que voc\u00eas inventaram o \u201cyacht rock\u201d indie. Ao meu ver, essa associa\u00e7\u00e3o \u00e9 descabida, mas queria saber como voc\u00ea olha para isso.<\/strong><br \/>\nEu odeio yacht rock. Nem ou\u00e7o\u2026 Quer dizer, n\u00e3o consigo nem imaginar porque algu\u00e9m escreve um lance desses, porque n\u00e3o est\u00e1 nem perto de ser verdadeiro. Eles devem ter olhado para uma foto nossa, viram algu\u00e9m tocando um saxofone ali, e pensaram: \u201cah, eles devem soar meio yacht rock\u201d. As pessoas s\u00e3o pregui\u00e7osas. N\u00e3o tenho qualquer interesse nisso. Gosto do Talk Talk, e isso rima com \u201cyacht rock\u201d, mas\u2026 (bufa) Eu nunca me preocupei demais com esse tipo de coisa, porque jornalistas t\u00eam o trabalho deles, eles escrevem o dia inteiro sobre coisas sobre as quais talvez n\u00e3o estejam interessados, t\u00eam que preencher uma cota de textos e escrevem qualquer coisa. Mas eu n\u00e3o penso nisso, eu realmente odeio yacht rock.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ouvindo o \u00e1lbum na \u00e9poca do lan\u00e7amento, eu percebi uma grande influ\u00eancia de Bruce Springsteen no que diz respeito a timbres e produ\u00e7\u00e3o. Como que diferentes \u00e9pocas da carreira dele oferecendo influ\u00eancias e refer\u00eancias para o que voc\u00eas estavam buscando. Havia, sim, algumas coisas oitentistas nesse sentido, mas talvez algo mais na linha de \u201cok, eu gosto disso, mas deixa eu fazer do meu jeito\u201d.<\/strong><br \/>\nSim, com certeza. Eu n\u00e3o entro no est\u00fadio com uma ideia clara de como eu quero que seja. Eu tenho um monte de equipamentos, coleciono uma por\u00e7\u00e3o de que eu gosto, e muitas dessas coisas foram muito usadas nos anos 1980 e um tanto nos 1990. Acho que tem uma certa pot\u00eancia sonora com a qual gosto de trabalhar, mas, no fim das contas, estou interessado mesmo \u00e9 na performance, em qual \u00e9 a performance certa da bateria, em como a pessoa que vai tocar vai afetar aquele som. Porque \u00e9 como um batimento card\u00edaco: \u00e9 pessoal. A batida pode ser a mesma, mas o jeito que cada um toca vai torn\u00e1-la diferente. Estou mais interessado em coisas assim, e em me assegurar que estou honrando o sentimento das can\u00e7\u00f5es que estou tentando produzir. Mas, inevitavelmente, por causa da quantidade de equipamentos que tenho, tem coisas que v\u00e3o soar oitentistas, porque eu posso estar usando uma LinnDrum (nota: tamb\u00e9m conhecida como LM-2, \u00e9 uma drum machine que foi fabricada entre 1982 e 1985) ou um [sintetizador] Juno, e uso muitos efeitos, chorus e tal. Isso pode mesmo te fazer lembrar de certas \u00e9pocas. O som de um teclado Korg pode evocar os anos 80, um certo timbre de bateria remeter aos 70, mas eu amo m\u00fasica de todos os tipos e de todas as eras. Sou inspirado por m\u00fasicas que soam amplas e pelas que soam intimistas, e definitivamente n\u00e3o sou anti-nostalgia. N\u00e3o me importo que algo invoque uma mem\u00f3ria em algu\u00e9m. \u201cAh, isso soa como Tears for Fears\u201d, e isso \u00e9 bacana, porque eu me lembro de ter crescido com as can\u00e7\u00f5es dos anos 80, um pop gigante, com grande produ\u00e7\u00e3o sonora. Mesmo que, em retrospecto, essas coisas soem datadas, eu simplesmente me lembro de como uma can\u00e7\u00e3o \u201ccheia\u201d te faz sentir, e eu meio que estou procurando por isso ainda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma \u00faltima pergunta: falamos h\u00e1 pouco sobre o \u00faltimo \u00e1lbum ter se conectado de uma maneira especialmente pr\u00f3xima das pessoas, e eu acredito que o disco conseguiu o raro feito de capturar o esp\u00edrito do momento, do estado de confus\u00e3o sentimental e ang\u00fastia que as pessoas estavam vivendo. Queria que voc\u00ea se debru\u00e7asse um pouco mais sobre isso, porque realmente acho que s\u00e3o raros os momentos em que um disco consegue algo do tipo.<\/strong><br \/>\nUma boa parte do disco foi gravada antes da pandemia, mas n\u00e3o tinha sido finalizada. Ao longo do ano seguinte, com o confinamento, entramos no est\u00fadio com Shawn [Everett, co-produtor], todos com m\u00e1scaras e tal, e todos paranoicos\u2026 Continuamos trabalhando, meio que tirando camadas, e n\u00e3o t\u00ednhamos uma data de lan\u00e7amento. Por que ir\u00edamos lan\u00e7\u00e1-lo se n\u00e3o poder\u00edamos sair em turn\u00ea? Ent\u00e3o eu tive um ano a mais para trabalhar nele sem maiores consequ\u00eancias. Ningu\u00e9m sabia o que estava acontecendo, ent\u00e3o eu tinha mais tempo. Se a can\u00e7\u00e3o n\u00e3o soava bem, eu voltava \u00e0 pele antiga dela, botava tudo no mudo, deixava s\u00f3 aquela coisa do piano novamente, meio uma coisa Springsteen\u2026 A\u00ed vinha um clique e eu achava outro caminho, as faixas ficaram bem diferentes do que eram inicialmente. E com a ansiedade do lockdown, a ansiedade de criar um filho pequeno e n\u00e3o ficar\u2026 Quer dizer, uma hora n\u00f3s pensamos que nunca mais sair\u00edamos em turn\u00ea novamente, porque a ideia de entrar em uma casa noturna parecia t\u00e3o maluca\u2026 Achamos que o v\u00edrus nunca mais deixaria a gente tocar ao vivo novamente. E isso, a grana, esse medo, tudo isso encontrou seu caminho na m\u00fasica, sem d\u00favida. Veio esse sentimento de inquieta\u00e7\u00e3o e de estar perdendo o controle da sua vida e das coisas que voc\u00ea quer alcan\u00e7ar, sabe? Mesmo hoje em dia, durante a turn\u00ea, quando paramos em um bar e recordamos aquele tempo, vemos que tudo era\u2026 confuso. Todos est\u00e1vamos confusos e assustados, mas encontramos uma maneira de terminar o \u00e1lbum.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The War On Drugs - Nothing To Find [Official Video]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/xWDVFLDnv74?list=PLNJi4aKCwdJhDlMQuTkbckgiCH2lgOM68\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; <em><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonardo Vinhas<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista, escritor e produtor cultural. Colabora com o Scream &amp; Yell desde 2000, onde tamb\u00e9m assina a coluna\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Conex\u00e3o Latina<\/a>. \u00c9 tamb\u00e9m colaborador eventual dos sites\u00a0<a href=\"https:\/\/musicnonstop.uol.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Music Non Stop<\/a>\u00a0(Brasil) e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.zonadeobras.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Zona de Obras<\/a>\u00a0(Espanha).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A banda vem ao Brasil para o C6 Fest, nas edi\u00e7\u00f5es carioca e paulista (respectivamente, 20 e 21 de maio) e o frontman Adam Granduciel conversa com o Scream &#038; Yell sobre influ\u00eancias, o disco \u201cI Don\u2019t Live Here Anymore\u201d e mais&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/03\/20\/entrevista-the-war-on-drugs-ja-fizemos-20-turnes-pelos-eua-essa-vai-ser-a-nossa-primeira-vez-ai-acho-que-sera-especial\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":73411,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[6587,4592],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73410"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=73410"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73410\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":73412,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73410\/revisions\/73412"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/73411"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=73410"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=73410"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=73410"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}