{"id":73344,"date":"2023-03-16T00:01:00","date_gmt":"2023-03-16T03:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=73344"},"modified":"2023-05-10T14:23:56","modified_gmt":"2023-05-10T17:23:56","slug":"entrevista-andre-barcinski-fala-sobre-a-reedicao-luxuosa-do-livro-barulho-em-seu-aniversario-de-30-anos-critica-musical-e-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/03\/16\/entrevista-andre-barcinski-fala-sobre-a-reedicao-luxuosa-do-livro-barulho-em-seu-aniversario-de-30-anos-critica-musical-e-mais\/","title":{"rendered":"Entrevista: Andr\u00e9 Barcinski fala sobre a reedi\u00e7\u00e3o luxuosa do livro &#8220;Barulho&#8221;, de jornalismo e cr\u00edtica musical, e mais"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1992, o jornalista e escritor Andr\u00e9 Barcinski lan\u00e7ou seu primeiro livro, \u201c<a href=\"https:\/\/apoia.se\/barulho30anos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Barulho &#8211; Uma Viagem pelo Underground do Rock Americano<\/a>\u201d, pela editora Paulic\u00e9ia. Em uma \u00e9poca sem internet, em que as informa\u00e7\u00f5es corriam de forma mais lenta e condicionada ao produto f\u00edsico, a obra extrapolou seu papel de retratar a movimenta\u00e7\u00e3o de um dos per\u00edodos mais criativos e comercialmente peculiares da m\u00fasica popular barulhenta. \u201cBarulh0o\u201d virou o primeiro ponto de contato para um conjunto cultural que envolvia sonoridade, est\u00e9tica e ideologia que se provaram, no m\u00ednimo, influentes ao longo dos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vencedor do Pr\u00eamio Jabuti na categoria Reportagem, \u201cBarulho\u201d trazia entrevistas e fotos exclusivas com bandas que se tornariam estrelas mundiais, como Nirvana e Red Hot Chili Peppers, mas tamb\u00e9m papos marcantes com veteranos (Jello Biafra, Joey Ramone e o casal Lux Interior e Poison Ivy, do Cramps), nomes que se tornariam emblem\u00e1ticos de seus respectivos g\u00eaneros (Mudhoney, Ministry), e at\u00e9 umas bandinhas mequetrefes que n\u00e3o deram em muita coisa (Lunachicks, Sheer Terror), entre outras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O grande m\u00e9rito do livro, por\u00e9m, era transportar o leitor para aquela movimenta\u00e7\u00e3o toda. Cidades como S\u00e3o Francisco, Nova Iorque ou Seattle se tornavam mais palp\u00e1veis e reconhec\u00edveis. O texto sobre Jello Biafra, por exemplo, abria com a descri\u00e7\u00e3o de um show numa biboca alternativa com v\u00e1rias bandas menores e pouco conhecidas, que contaria com uma participa\u00e7\u00e3o dos ex-Dead Kennedys. Barcinski aproveitava esse fato para levar o leitor para dentro daquele ambiente, entendendo que aquela \u201ccena\u201d nada tinha de glamurosa. Isso, por\u00e9m, n\u00e3o a impedia de ser efervescente e interessante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fora de cat\u00e1logo h\u00e1 anos, o livro est\u00e1 ganhando uma edi\u00e7\u00e3o comemorativa de 30 anos, viabilizada via campanha de financiamento coletivo. Com novo projeto gr\u00e1fico (o original remetia aos fanzines) e em acabamento bem mais luxuoso, a nova vers\u00e3o ganhou uma segunda parte, intitulada \u201cMais Barulho\u201d, com fotos in\u00e9ditas e textos-legendas, abarcando bandas que n\u00e3o foram contempladas na edi\u00e7\u00e3o original, como Alice in Chains, Body Count, The Damned, Fishbone, Flaming Lips, Moby, e at\u00e9 alguns brasileiros, como Legi\u00e3o Urbana e Raul Seixas. Al\u00e9m disso, h\u00e1 um novo pref\u00e1cio, assinado por Marcelo D2, que se une ao original, escrito na \u00e9poca pelo jornalista Andr\u00e9 Forastieri.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente trabalhando em um projeto biogr\u00e1fico sobre Nelson Ned, que se desdobra em document\u00e1rio e livro (a ser lan\u00e7ado pela Companhia das Letras) e em um outro projeto que n\u00e3o pode ser revelado ainda (al\u00e9m de anunciar a produtora MAR, sociedade com o produtor Leandro Carbonato, da Powerline Shows Music &amp; Books, <a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\/status\/1630236359356194817\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que est\u00e1 trazendo o Brian Jonestown Massacre para o Brasil<\/a>), Barcinski concedeu uma entrevista ao longo de mais de uma hora para o Scream &amp; Yell. A conversa se embrenhou por mem\u00f3rias do livro, seu legado, algumas reavalia\u00e7\u00f5es e o papel da cr\u00edtica musical.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/apoia.se\/barulho30anos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>https:\/\/apoia.se\/barulho30anos<\/strong><\/a><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"LAN\u00c7AMENTO BARULHO - 30 ANOS\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Vj3e-Bjst18?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cBarulho\u201d foi lan\u00e7ado h\u00e1 30 anos. Para al\u00e9m do valor como documento hist\u00f3rico, o que mais voc\u00ea destacaria como um ponto de interesse para o leitor atual?<\/strong><br \/>\nRelendo o livro, o que me chamou a aten\u00e7\u00e3o foi a quantidade incr\u00edvel de grandes bandas e grandes discos saindo quase simultaneamente. E n\u00e3o s\u00f3 de bandas novas, isso \u00e9 que era incr\u00edvel nessa \u00e9poca., Por exemplo, tem umas fotos que n\u00e3o estavam na edi\u00e7\u00e3o original e que eu inclu\u00ed nessa, que s\u00e3o da turn\u00ea de volta do The Damned. Foi a primeira turn\u00ea em 15 anos com a forma\u00e7\u00e3o original, rolou na mesma semana que estava saindo o \u201cNevermind\u201d, o Cramps saindo com uma turn\u00ea nova, o Red Hot Chili Peppers com o \u201cBloodSugarSexMagik\u201d, \u00e9 um per\u00edodo incr\u00edvel de lan\u00e7amentos! Os 24 meses entre 1991 e 1992 s\u00e3o um absurdo, com muito disco legal! Quem est\u00e1 lendo pela primeira vez talvez se espante com a riqueza musical daquele per\u00edodo, falando de rock mais alternativo. Mas, cara, tinha de tudo! O KMFDM estava bombando, Ministry bombando, a coisa eletr\u00f4nica super forte. N\u00e3o tinha ainda as bandas do britpop, mas j\u00e1 tinha um movimento muito grande vindo da Europa, muita coisa legal saindo junto. Tinha <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/11\/20\/os-30-anos-de-loveless-do-my-bloody-valentine\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o My Bloody Valentine com o \u201cLoveless\u201d<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/04\/06\/1991-the-year-creation-records-broke\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cBandwagonesque\u201d do Teenage Fanclub\u2026<\/a> E o mercado indie n\u00e3o estava t\u00e3o segmentado ainda, quem ia ver o Prong tamb\u00e9m ia ver o Teenage Fanclub. Tocavam de tudo no 120 Minutes, que era o programa mais alternativo da MTV. Isso era muito importante tamb\u00e9m, porque a MTV americana nessa \u00e9poca estava a todo vapor, a MTV Brasil tinha come\u00e7ado ali por 1990 (nota: de fato, ela foi ao ar em 20 de outubro desse ano) e pegou essa explos\u00e3o do grunge, o aumento da popularidade do Chili Peppers, isso sem falar que o Metallica lan\u00e7ou o \u00e1lbum preto na mesma \u00e9poca, o R.E.M. lan\u00e7ou o \u201cOut of Time\u201d. Era tanta coisa boa que alguns discos sensacionais ficaram meio obscurecidos, que talvez tivessem recebido mais aten\u00e7\u00e3o se tivessem sa\u00eddo em outra \u00e9poca. \u00c9 o caso do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/07\/05\/entrevista-steve-turne-mudhoney-fala-sobre-os-30-anos-de-every-good-boy-deserves-fudge\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cEvery Good Boy Deserves Fudge\u201d, do Mudhoney<\/a>, que \u00e9 um grande disco, mas imagina se tivesse sa\u00eddo dois anos antes? Teria tido uma movimenta\u00e7\u00e3o muito maior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea citou a movimenta\u00e7\u00e3o inglesa naquele per\u00edodo. Em 1992, o [jornalista] Fernando Naporano organizou uma compila\u00e7\u00e3o chamada \u201cAnother Kind of Noise\u201d, com v\u00e1rias bandas de shoegaze e outros estilos, que jamais tinham aparecido no Brasil. Passou pela sua cabe\u00e7a tentar fazer algum projeto fonogr\u00e1fico que acompanhasse o \u201cBarulho\u201d na \u00e9poca, para tentar lan\u00e7ar as bandas, ou foi algo que voc\u00ea nem cogitou?<\/strong><br \/>\nNem cogitei porque logo depois do livro sair eu me mudei para os Estados Unidos. O \u201cBarulho\u201d sai em julho de 1992 e em agosto ou setembro me mudo para Los Angeles, fiquei uns oito, nove anos direto nos Estados Unidos. Consegui um emprego de correspondente do Jornal do Brasil, inicialmente, e a\u00ed j\u00e1 fui pra outra coisa, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/07\/04\/rodrigo-salem-um-jornalista-em-la\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que era cobrir cinema<\/a>, fiz muita entrevista de lan\u00e7amento de filmes e tal. Claro, vi muitos shows ainda, mas tamb\u00e9m <a href=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/comoseportarnacadeia.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">calhou de ter sa\u00eddo a revista General<\/a>, e eu tomei meio que um ultimato da dire\u00e7\u00e3o da Bizz, dizendo que ou eu escrevia para a Bizz, ou para a General. P\u00f4. os caras da General s\u00e3o os meus amigos, n\u00e9? Ca\u00ed fora, falei \u201cfoda-se\u201d, mandei a Bizz pro caralho, e demorei anos pra voltar a escrever pra ela. As circunst\u00e2ncias profissionais me impediram de fazer qualquer coisa relativa ao \u201cBarulho\u201d. Agora, o engra\u00e7ado \u00e9 que eu n\u00e3o percebi o sucesso do \u201cBarulho\u201d. Por sucesso, eu quero dizer, sei l\u00e1, 17 mil c\u00f3pias, sabe? Mas enfim, eu n\u00e3o percebi. Como eu estava morando fora, numa \u00e9poca sem internet, s\u00f3 vim a saber da repercuss\u00e3o do livro depois. Recebi muitos depoimentos a posteriori, sobre como aquela tinha sido a primeira vez que muitas pessoas do interior tiveram o primeiro contato com esse tipo de som. E s\u00f3 fiquei sabendo em cima da hora que o livro tinha ganhado o Jabuti de melhor reportagem, n\u00e3o consegui nem vir pro Brasil. Meu pai foi receber o pr\u00eamio por mim. Se fosse hoje em dia, teria uma resposta muito mais imediata dos leitores. Mas demorou um tempo pra eu entender que esse livro teve um significado para as pessoas. E n\u00e3o estou falando por causa da qualidade do livro, mas sim que eu acho que ele pegou um momento certo, capturou o esp\u00edrito de uma \u00e9poca e foi lan\u00e7ado no Brasil em um per\u00edodo em que havia muito pouca informa\u00e7\u00e3o sobre esse tipo de som. Talvez por isso ele tenha se tornado um livro t\u00e3o querido, por tanta gente, mas eu n\u00e3o percebia isso. \u00c9 dif\u00edcil explicar hoje como a dist\u00e2ncia e a falta de comunica\u00e7\u00e3o fazem a gente perder totalmente o contato, n\u00e9? Posso te dar um exemplo: eu perdi o rock brasileiro dos anos 90 inteiramente (porque estava vivendo em Los Angeles), eu n\u00e3o sabia o que era o Chico Science, por exemplo, entendeu? \u00c9 bizarro assim, eu nunca tinha ouvido falar de Raimundos, n\u00e3o era uma coisa que fazia parte do meu universo. N\u00e3o tinha essa integra\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica que desse acesso a essas informa\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o eu fiquei meio no v\u00e1cuo. Parece estranho, mas \u00e9 verdade.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-73351 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/barulho5.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"533\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/barulho5.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/barulho5-300x213.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/barulho5-120x85.jpg 120w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Realmente, nessa \u00e9poca, se voc\u00ea n\u00e3o tivesse o disco em m\u00e3os, n\u00e3o tinha como ouvir aquele artista.<\/strong><br \/>\nExatamente. Durante a viagem pra fazer o \u201cBarulho\u201d, eu devo ter comprado uma meia d\u00fazia de c\u00f3pias do \u201cNevermind\u201d, porque a cada lugar que eu parava para entrevistar algu\u00e9m, eu dava um disco para a pessoa. Eu me lembro de dar o disco pro Anthony Kiedis, do Chili Peppers, que \u2013 olha que engra\u00e7ado \u2013 naquele mesmo ano fez uma turn\u00ea com o Nirvana, mas at\u00e9 ent\u00e3o, n\u00e3o tinha ouvido o disco. E apresentei o disco pro Joey Ramone, deixei uma c\u00f3pia com o Jello Biafra, todo mundo com quem eu falava estava ligado que o Nirvana tinha lan\u00e7ado um disco, assim, especial. A gente n\u00e3o sabia que ia se tornar esse fen\u00f4meno que foi. Qualquer pessoa que falar que \u201cah, eu sabia que ia ser um sucesso assim que eu ouvi\u201d \u00e9 mentira! E \u00e9 mentira mesmo, porque n\u00e3o foi um grande lan\u00e7amento do ponto de vista comercial. Voc\u00ea n\u00e3o ia em todas as lojas e tinha an\u00fancio do Nirvana. A Geffen tinha contratado o Nirvana torcendo pro Nirvana vender mais ou menos a mesma coisa que o Sonic Youth, que era a banda indie que tinha sa\u00eddo de pequenas gravadoras pra ir pra Geffen. Era a refer\u00eancia. Quando o disco come\u00e7a a estourar \u00e9 que a BMG come\u00e7a a botar grana na divulga\u00e7\u00e3o. Se voc\u00ea pegar o chart de vendas do Nevermind, vai ver que foi boca a boca, n\u00e3o era com o \u201cUse Your Illusion\u201d (nota: os dois \u00e1lbuns duplos que o Guns\u2019 N\u2019 Roses lan\u00e7ou em 1991), que tinha an\u00fancio em tudo quanto \u00e9 lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o pr\u00f3prio texto sobre o Nirvana deixa isso muito claro: voc\u00ea tinha acertado a entrevista previamente, e quando voc\u00ea chega pra falar com eles depois do show, a banda j\u00e1 est\u00e1 num outro patamar.<\/strong><br \/>\n\u00c9 engra\u00e7ado, porque eles est\u00e3o em outro patamar, mas eles n\u00e3o se ligam ainda disso, porque a produ\u00e7\u00e3o do show \u00e9 uma zona do cacete. Aquilo ali n\u00e3o era a produ\u00e7\u00e3o de show de banda que estava em primeiro lugar na parada ou que ia chegar ao primeiro lugar. Porra, eles me deixam ficar na frente do palco o show inteiro, filmando. Isso n\u00e3o existe! Imagina se hoje uma grande banda vai fazer um DVD \u2013 bom, isso ningu\u00e9m faz mais, n\u00e9? \u2013 ou alguma coisa pra streaming e vai deixar os jornalistas andando na frente do palco. N\u00e3o aconteceria nunca! Mas ali, ningu\u00e9m me tirou. Eu fiquei l\u00e1 at\u00e9 o final, eu apare\u00e7o direto no DVD do \u201cLive at Paramount\u201d (do Nirvana, lan\u00e7ado apenas em 2011), \u00e9 rid\u00edculo assim, eu e um outro cinegrafista aparecemos na frente do palco durante o show inteiro. A lota\u00e7\u00e3o era 10% do que eles poderiam ter feito naquela \u00e9poca, com uma estrutura super prec\u00e1ria. Olha as fotos do show: tem um monte de gente andando atr\u00e1s do palco, amigos vendo o show.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Nirvana - Jesus Doesn&#039;t Want Me For A Sunbeam (Live At The Paramount, Seattle \/ 1991)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RTDIzedHTiY?list=PL9tY0BWXOZFtGyQoKM2YB_9VHifFmQfI7\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u201cBarulho\u201d \u00e9 focado em bandas que haviam surgido naquele momento ou tinham uma pequena trajet\u00f3ria de respeito. Mas tem tr\u00eas medalh\u00f5es: Joey Ramone, Jello Biafra e os Cramps. Eu imagino que tem uma quest\u00e3o geogr\u00e1fica que pesou na escolha desses tr\u00eas nomes, mas como o livro se prop\u00f5e uma certa genealogia do barulho daquele per\u00edodo, deve ter tido gente que voc\u00ea tentou entrevistar e n\u00e3o conseguiu, n\u00e3o?<\/strong><br \/>\nTentei sim, mas vamos retroceder s\u00f3 para entender como eram marcadas as entrevistas em 1991. Telefonar era um absurdo! Voc\u00ea n\u00e3o telefonava pra ningu\u00e9m no exterior porque uma liga\u00e7\u00e3o de cinco minutos custava um absurdo. Ent\u00e3o voc\u00ea mandava um fax pra gravadoras solicitando a entrevista. Eu queria fazer a Touch and Go em Chicago, queria entrevistar o Jesus Lizard. Nunca recebi resposta da gravadora. At\u00e9 tentei quando cheguei em Chicago, porque muitas das entrevistas foram concedidas de \u00faltima hora mesmo. Me lembro que tentei o John Lydon (Sex Pistols \/ PIL), at\u00e9 escrevo sobre isso no livro. Ele estava fazendo uma turn\u00ea por l\u00e1, mas exigiu comer em um restaurante com ostras e tal, caro pra cacete, e acabei cancelando a entrevista. Eu teria que dar uma pensada em quem tentei e n\u00e3o consegui\u2026 \u00d3, uma que eu n\u00e3o tentei, mas me ofereceram foi o Pearl Jam. E eu recusei, olha que absurdo (risos). Eles n\u00e3o tinham lan\u00e7ado o \u201cTen\u201d, e eu s\u00f3 conhecia o Mother Love Bone. Nunca tinha ouvido Pearl Jam. Estava pra Seattle com o interesse \u00fanico de fazer o Mudhoney, bem mais do que o Nirvana. Eu gostava mais do Mudhoney nessa \u00e9poca. A\u00ed a gravadora, acho que era a Epic, me avisou que ia ter um show de uma banda nova, o Pearl Jam, em S\u00e3o Francisco. E no dia eu estava com o ingresso pra ver o Alice Donut, que \u00e9 uma banda pequena, que ia tocar em um buraco\u2026 Recusei entrevista com o Pearl Jam, pra voc\u00ea ver meu tino comercial (risos) Se eu tivesse aceitado, certamente o Pearl Jam teria um cap\u00edtulo inteiro no livro. Mas no calor do momento \u00e9 imposs\u00edvel voc\u00ea definir o que vai fazer sucesso e o que n\u00e3o vai. \u00c9 imposs\u00edvel definir at\u00e9 se voc\u00ea gosta de um disco ou n\u00e3o na primeira audi\u00e7\u00e3o, n\u00e9? Na minha entrevista com o Steve Albini, por exemplo, ele me mostrou <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/07\/05\/alguns-filmes-do-7%C2%BA-in-editbrasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">um disco do Slint, o \u201cSpiderland\u201d<\/a>, que achei meio chato (nota: e se tornaria um cl\u00e1ssico). Eu n\u00e3o falei isso pra ele, mas escrevi no texto. E hoje o Slint \u00e9 uma das minhas bandas prediletas! Essa coisa de achar que voc\u00ea nunca vai mudar de opini\u00e3o, ou acreditar que a sua primeira audi\u00e7\u00e3o no calor do momento \u00e9 o que vai definir seu gosto pela vida inteira\u2026 n\u00e3o rola. Mas pra responder a sua pergunta: n\u00e3o lembro se tentei (o selo) SST, Black Flag\u2026 N\u00e3o lembro, cara. O que posso te dizer \u00e9 que muita coisa foi conseguida de \u00faltima hora, e muita coisa foi marcada por\u00e9m cancelada na \u00faltima hora. E tinha tanto show que eu tinha que escolher\u2026 Era assim: o Cramps ia fazer um show surpresa em S\u00e3o Francisco, mas no mesmo dia, tinha, sei l\u00e1, o L7 tocando n\u00e3o sei onde, outra banda tocando em outro lugar, ent\u00e3o eu tinha que escolher. Passei seis ou sete semanas l\u00e1, e vi shows todos os dias. \u00c0s vezes, eram bandas que n\u00e3o combinavam com o que eu estava fazendo ali, ent\u00e3o n\u00e3o tinha por que escrever sobre elas. Na verdade, o livro mesmo n\u00e3o existia ainda, a minha ideia era ir pros Estados Unidos fazer uma s\u00e9rie de entrevistas e mat\u00e9rias, e public\u00e1-las na Bizz (nota: o que realmente aconteceu). S\u00f3 virou livro quando eu voltei para casa e peguei esse material todo e falei, \u201cp\u00f4, tem muita coisa legal, de repente d\u00e1 para juntar tudo num livro\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-73352\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/barulho6.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/barulho6.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/barulho6-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea tocou em algo que eu ia perguntar depois, mas vou aproveitar o gancho e me antecipar. Voc\u00ea disse que n\u00e3o gostou do Slint, e tamb\u00e9m escreve no livro que n\u00e3o gostou do Jesus Lizard, diz que ambas as bandas parecem \u201cum Arrigo Barnab\u00e9 hardcore\u201d.<\/strong><br \/>\n(ri) \u00c9, achei uma coisa quebrada, meio louca. Em 1991 era dif\u00edcil entender aquele neg\u00f3cio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acho essa mudan\u00e7a de opini\u00e3o natural, e a pergunta nem \u00e9 sobre essas bandas. A pergunta \u00e9 sobre a sua gera\u00e7\u00e3o, que tinha uma acidez de texto muito sobressalente, que meio que definiu o tom do jornalismo musical daquela \u00e9poca. Lembro, por exemplo, de uma mat\u00e9ria sobre relan\u00e7amentos de \u00e1lbuns da Clara Nunes que voc\u00ea aproveita aquele texto para alfinetar o Eddie Vedder (ri). Eu mesmo era adolescente nessa \u00e9poca, leitor da Bizz, e vejo que isso foi formativo, para o bem e para o mal, para muita gente da minha idade. Voc\u00ea acha que isso \u00e9 natural, ou identifica algum efeito nocivo dessa postura cr\u00edtica? Claro, n\u00e3o precisa responder por uma gera\u00e7\u00e3o toda, mas pelo menos do seu caso.<\/strong><br \/>\nOlha, eu n\u00e3o posso falar por uma gera\u00e7\u00e3o porque eu n\u00e3o vejo essa uni\u00e3o de jornalistas. Tipo assim, eu nunca trabalhei na Bizz, nunca frequentei a sede. Escrevi muito pouco para eles, acho que j\u00e1 foi em 1993 que rolou esse ultimato pra eu parar de escrever pra General e que eu falei foda-se. Em 1992 eu mudo para os Estados Unidos e fico a d\u00e9cada de 1990 inteira l\u00e1, ent\u00e3o eu n\u00e3o tive nenhum contato com outros jornalistas. Se eu vi o Minho K (Celso Pucci) uma vez na minha vida foi muito. De verdade, n\u00e3o \u00e9 exagero. S\u00f3 fui ter mais contato com essa galera depois que eu volto pro Brasil, l\u00e1 por 1999, 2000. Ent\u00e3o n\u00e3o posso falar pela reda\u00e7\u00e3o da Bizz. Mas posso falar por mim. Sempre gostei muito de ler, e por falar ingl\u00eas desde pequeno (nota: Andr\u00e9 nasceu em Nova Iorque), tive uma puta sorte, porque eu conseguia ler os seman\u00e1rios ingleses, e muitos livros. Lia muita coisa do Lester Bangs, do Greil Marcus, do Ian MacDonald. N\u00e3o estou me comparando a esses caras, de jeito nenhum, t\u00e1? Naquela \u00e9poca, a gente n\u00e3o tinha muito a no\u00e7\u00e3o de como o que voc\u00ea escreveu vai ser percebido por outras pessoas. Isso \u00e9 uma das piores coisas que pode acontecer a quem escreve sobre m\u00fasica ou sobre cinema, porque acaba tornando o seu texto med\u00edocre, mediano. Pode parecer uma coisa personalista, um pouco egoc\u00eantrica? Sim, mas eu n\u00e3o obrigava ningu\u00e9m a ler as coisas que eu escrevia. E outra coisa que voc\u00ea tem que ver, Leonardo, \u00e9 que o outro lado eu acho muito pior. O lado da imprensa do qual eu sempre fui contra, essa imprensa de brothers dos caras, especialmente a imprensa carioca dos anos 1980. Voc\u00ea via jornalista na lista de agradecimentos do disco, o brother de banda fazendo mat\u00e9ria sobre a pr\u00f3pria banda! Depois que eu fiz um livro sobre o Sepultura (\u201cSepultura: Toda a Hist\u00f3ria\u201d, em coautoria com Silvio Gomes), nunca mais escrevi sobre eles. Os caras s\u00e3o meus amigos, vou escrever sobre meus amigos? Depois que eu virei amigo do [Jo\u00e3o] Gordo, eu n\u00e3o escrevi mais sobre o Ratos. Fiz at\u00e9 um livro sobre o Gordo (\u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/04\/18\/tres-livros-clemente-joao-gordo-e-rita-lee\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Viva la Vida Tosca<\/a>\u201d), mas voc\u00ea n\u00e3o vai me ver fazendo mat\u00e9ria sobre ele e sobre meus amigos. Eu n\u00e3o fa\u00e7o release, entendeu? Fiz alguns at\u00e9 o come\u00e7o dos anos 1990, dos quais me arrependi amargamente, porque comecei a pensar: \u201cporra, se estou fazendo release, estou trabalhando para a gravadora, e a\u00ed como \u00e9 que eu vou falar mal de um disco dessa gravadora?\u201d Era um momento em que algumas pessoas, e eu posso me incluir, tentavam fazer uma coisa diferente do que estava rolando. Eu trabalhava no Jornal do Brasil no final dos anos 1980 e via aquela coisa incestuosa de cr\u00edtico no camarim dando abra\u00e7o em um m\u00fasico sobre o qual ele vai escrever depois. Isso me deixava puto! E um cara de 22, 23 anos \u00e0s vezes n\u00e3o tem o discernimento para medir as consequ\u00eancias, n\u00e9? Ent\u00e3o se voc\u00ea me perguntar se tem coisas que eu mudaria, claro que tem! Tem textos que s\u00e3o extremamente agressivos, que eu acho que eu passei totalmente do ponto, mas o que eu posso fazer se j\u00e1 est\u00e1 escrito? As coisas que a gente faz, certas ou erradas, ficam de alguma maneira eternizadas. Voc\u00ea meio que tem que viver com isso. Ao mesmo tempo, eu sempre gostei mais de fazer reportagens do que cr\u00edtica, e eu vejo o \u201cBarulho\u201d muito mais como uma reportagem do que como uma coisa de cr\u00edtico. O meu barato sempre foi a reportagem, nunca cheguei em lugar nenhum e falei \u201ceu quero ser cr\u00edtico de m\u00fasica\u201d. Eu n\u00e3o sou m\u00fasico, eu n\u00e3o tenho conhecimento te\u00f3rico de m\u00fasica. As pessoas come\u00e7aram a me pedir os textos, eu comecei a fazer, e as pessoas come\u00e7aram a gostar. Acho que essa pecha ficou por alguns casos isolados, como o da Marina [Lima], que ficou sem falar com a BIZZ durante anos por causa de um texto que eu fiz sobre um show dela. E tem o c\u00e9lebre caso dos Tit\u00e3s (nota: <a href=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-LOIE2obJn7g\/XxcwmbcHpRI\/AAAAAAAAkps\/0ik78RDd9OwqeRNPUukTeKGkozAiIzAtQCLcBGAsYHQ\/s1600\/28.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">uma resenha \u00e1cida de \u201cTitanomaquia\u201d<\/a>, escrita como um di\u00e1logo ficcional entre os integrantes da banda). Eu estava morando em Los Angeles quando fiz aquele texto, n\u00e3o soube nem da repercuss\u00e3o. Voc\u00ea pode achar que \u00e9 mentira, mas eu n\u00e3o tinha contato di\u00e1rio com a reda\u00e7\u00e3o da Bizz, ent\u00e3o n\u00e3o sabia de nada. Depois que eu fui saber que chegaram um monte de cartas dos f\u00e3s, que Tit\u00e3s queimaram a revista num show (nota: na verdade, eles rasgaram um exemplar da revista no palco e pediram ao p\u00fablico, que havia recebido as revistas gratuitamente numa a\u00e7\u00e3o de marketing, que rasgassem tamb\u00e9m). Agora, o que \u00e9 melhor: isso ou o cara que vai l\u00e1 no camarim para dar um abra\u00e7o na banda e depois faz um texto elogioso? Porra, qual o problema de voc\u00ea n\u00e3o gostar do disco de uma pessoa? Sabe, se algu\u00e9m falar assim, \u201colha, teu livro \u00e9 uma merda\u201d, beleza, eu n\u00e3o vou ficar puto. Se falar \u201cvoc\u00ea \u00e9 um mau car\u00e1ter\u201d, a\u00ed eu vou ficar puto. Uma coisa \u00e9 uma opini\u00e3o sobre o seu trabalho, sobre a sua qualidade como escritor ou como m\u00fasico, outra coisa \u00e9 uma avalia\u00e7\u00e3o do seu car\u00e1ter. J\u00e1 tive um monte de gente que falou mal de coisas que eu fiz sobre trabalho, e que s\u00e3o meus amigos. O Thiago Ney fez uma cr\u00edtica na Folha uma vez sobre um festival que eu produzi e falou mal do som, falou mal das bandas. Voc\u00ea acha que eu vou deixar de falar com o Thiago Ney por causa disso? A gente \u00e9 amigo at\u00e9 hoje. \u00c9 uma coisa t\u00e3o infantil isso de ficar melindrado. Sabe, os Tit\u00e3s est\u00e3o a\u00ed lotando o Allianz Parque, e os caras v\u00e3o ficar putos com cr\u00edtica de rock? Isso \u00e9 porque estavam acostumados a um monte de amigos indo nos shows e falando \u201cnossa, voc\u00eas s\u00e3o foda\u201d. E vamos falar a verdade: eu n\u00e3o ou\u00e7o o \u201cTitanomaquia\u201d desde aquela \u00e9poca, mas que era pat\u00e9tico uma banda com 15 anos de estrada <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/02\/24\/entrevista-jack-endino-fala-sobre-novo-disco-solo-e-relembra-trabalhos-com-nirvana-bruce-dickinson-e-titas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pegar um produtor de grunge em 1994 ou 95<\/a> (nota: na verdade, 1993, quando o Tit\u00e3s tinha 11 anos de carreira) para fazer um disco com aquela pegada, isso era. P\u00f4, fala s\u00e9rio! Os caras n\u00e3o precisavam disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bem, n\u00e3o faz muito tempo, <a href=\"https:\/\/revistamovinup.com\/artigosespeciais\/2018\/a-critica-musical-brasileira-e-uma-agradavel-confraternizacao-entre-amigos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">um artigo da revista Movin Up apontava a cr\u00edtica brasileira como uma grande a\u00e7\u00e3o entre amigos<\/a>. E a prova de que o autor, Mauricio Angelo, estava certo \u00e9 que muita gente ficou puta com esse texto (risos).<\/strong><br \/>\nEssa coisa demonstra uma profunda imaturidade da cena como um todo. As pessoas ficam melindradas, porque o Brasil \u00e9 esse pa\u00eds da coisa cordial, bacaninha, da patota. Jornalista que quer fazer parte da cena, cara? Pelamor! Todo mundo \u00e9 adulto. Quem est\u00e1 na chuva \u00e9 para se molhar, n\u00e9? Eu vou escrever sobre bandas e n\u00e3o vou querer ter rea\u00e7\u00e3o? Agora, o que posso garantir \u00e9 que n\u00e3o era uma coisa de falar mal sempre para gerar rea\u00e7\u00e3o ou ter aten\u00e7\u00e3o. At\u00e9 porque, vou te falar, as mat\u00e9rias que s\u00e3o mais legais, que voc\u00ea tem a melhor rea\u00e7\u00e3o, s\u00e3o trabalhos em que voc\u00ea descobre alguma coisa que o p\u00fablico n\u00e3o sabe, ou quando voc\u00ea mostra um disco pela primeira vez, entendeu. Eu fiz [a s\u00e9rie] \u201cA hist\u00f3ria secreta do pop brasileiro\u201d (dispon\u00edvel nos canais da Claro TV. Prime Video e Looke), tem um epis\u00f3dio dos Carbonos, que foi a maior repercuss\u00e3o que eu j\u00e1 tive, um monte de gente falando \u201cp\u00f4, n\u00e3o conhecia a banda, que foda\u201d. Foi legal pra caramba.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Trailer - Hist\u00f3ria Secreta do Pop Brasileiro (Kuarup Produtora)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/aqrFvO3BYJA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As bandas retratadas no \u201cBarulho\u201d, em sua maioria, tinham um discurso contra as grandes gravadoras, algo que era bem frequente naquela \u00e9poca. Parte dos textos do per\u00edodo tamb\u00e9m ecoava isso. Por\u00e9m, j\u00e1 h\u00e1 um bom tempo \u2013 aparentemente, desde o per\u00edodo em que voc\u00ea estava trabalhando no \u201cPav\u00f5es Misteriosos\u201d \u2013 voc\u00ea coloca as grandes gravadoras como essenciais para que alguns grandes discos estivessem sendo realizados. Voc\u00ea diria, ent\u00e3o, que aquele combate travado naquele per\u00edodo foi uma luta equivocada, ou fazia sentido no contexto da \u00e9poca?<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o concordo com a premissa da pergunta. Acho que \u00e9 o contr\u00e1rio: o Nirvana s\u00f3 fez o sucesso que fez porque estava na Geffen, porque teve um clipe na MTV. Existiam bandas t\u00e3o talentosas quanto o Nirvana que n\u00e3o sa\u00edram das pequenas gravadoras. Por que o Nirvana faz um puta sucesso? Porque ele consegue, digamos, n\u00e3o ofender os puristas do underground e ao mesmo tempo atrair a menina de 14 anos que acha o Kurt Cobain lindo \u2013 com todo o respeito \u00e0s meninas de 14 anos que acham o Cobain lindo. O segredo do disco foi esse. O clipe era muito bem-feito, a m\u00fasica, apesar de ser abrasiva, tinha uma coisa meio polida por causa da produ\u00e7\u00e3o do Butch Vig. Qualquer pessoa podia ouvir o \u201cNevermind\u201d. Teve vers\u00e3o em forr\u00f3 de \u201cCome As You Are\u201d, o Samb\u00f4 gravou \u201cSmells Like Teen Spirit\u201d em samba.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-73348\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/barulho2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"561\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/barulho2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/barulho2-300x224.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas o discurso existia. O pr\u00f3prio Cobain apareceu na capa da Rolling Stone com a camiseta \u201cCorporate Magazines Still Suck\u201d, muitas bandas falavam mal do Sonic Youth por terem assinado com a Geffen, o slogan da SST era \u201ccorporate rock still sucks\u201d, tinha uma banda acusando a outra de \u201cse vender\u201d.<\/strong><br \/>\nTudo jogo de cena, porque o Nirvana s\u00f3 assinou com a Geffen porque o Sonic Youth tinha assinado. E depois que eles assinam, as grandes gravadoras v\u00e3o atr\u00e1s das bandas menores, e quase todas foram contratadas por grandes gravadores. Bicho, Flaming Lips foi contratado pela Warner, e nos anos 1980, o show deles era todo mundo pelado, tomando \u00e1cido, botando fogo no palco. O Butthole Surfers foi contratado pela Atlantic. O Butthole Surfers!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que ainda p\u00f4s o John Paul Jones para produzir (risos \u2013 no caso, o \u00e1lbum \u201cIndependent Worm Saloon\u201d, de 1993).<\/strong><br \/>\n<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/02\/25\/para-entender-butthole-surfers\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Era perigoso ir no show do Butthole Surfers<\/a>. Era pancadaria o show inteiro, o Gibby [Haynes, vocalista] batia com garrafa de cerveja na cabe\u00e7a das pessoas\u2026 Se eles assinavam com o Atlantic, ent\u00e3o acabou esse muro a\u00ed entre entre alternativo e mainstream. P\u00f4, o Melvins foi contratado pela Atlantic e produzido supostamente pelo pr\u00f3prio Cobain no [\u00e1lbum] \u201cHoudini\u201d (nota: o \u201csupostamente\u201d \u00e9 porque os Melvins declararam que, apesar de receber cr\u00e9dito de coprodutor, Cobain estava demasiadamente drogado e fora de si para produzir qualquer coisa, tendo sido demitido no meio da produ\u00e7\u00e3o). Todo mundo foi contratado. Algumas pessoas n\u00e3o toparam. O Steve Albini n\u00e3o topou, mas produziu um monte de disco para grandes gravadoras: produziu Nirvana, Breeders, Pixies (nota: no caso desses dois \u00faltimos, foram discos produzidos para o selo 4AD, parte do Beggars Group). Eu acho que os \u00fanicos assim que realmente falaram \u201cn\u00e3o, a gente n\u00e3o vai\u201d foi aquela turma da [pequena gravadora] Dischord, do Ian MacKaye. Meat Puppets, Circle Jerks\u2026 Todo mundo foi contratado. Eu acho a coisa do Nirvana muito jogo de cena. Eles estavam realmente desconfort\u00e1veis com aquela situa\u00e7\u00e3o de ter que ir em evento corporativo. Eu estava no MTV Video Music Awards em que rolou aquela briga com o Axl Rose [em 1992], e estava claro que eles eram os peixes fora d&#8217;\u00e1gua, mas voc\u00ea acha que eles n\u00e3o estavam gostando de fazer esse papel? Se o cara n\u00e3o est\u00e1 gostando, ele n\u00e3o vai. As pessoas que trabalham com o Steve Albini dizem que se toca o telefone e a pessoa se identifica como algu\u00e9m de uma grande gravadora, ele bate o telefone na cara da pessoa na hora. N\u00e3o quer nem falar, pra n\u00e3o ser tentado pelo que ele vai ouvir, entendeu? Ent\u00e3o acho que era meio jogo de cena. Acho n\u00e3o: tenho certeza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea falou do Steve Albini, e eu lembro que o texto dele n\u00e3o saiu na edi\u00e7\u00e3o original do \u201cBarulho\u201d, mas sim na Bizz. Mas a maior parte do material novo do livro \u00e9 foto, e n\u00e3o texto. Voc\u00ea tinha fitas de entrevistas n\u00e3o publicadas, chegou a tentar resgatar algum material?<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o sei nem se eu tenho mais as fitas originais das entrevistas. Mas acho que todas as entrevistas que eu fiz naquela \u00e9poca foram usadas no livro. E algumas coisas ficaram muito datadas. Eu entrevistei, por exemplo, o Jim Nash, da Wax Trax, que \u00e9 uma gravadora que eu nem sei se existe. Usei a segunda parte para colocar fotos legais que eu tenho desde 88, algumas raras. como o Iggy Pop no Canec\u00e3o em 1988, o Buddy Guy no Canec\u00e3o em 1989, uma foto muito importante do reencontro do Paulo Coelho com o Raul Seixas depois de 13 anos sem se verem, e que \u00e9 a \u00faltima foto dos dois juntos\u2026 Mas n\u00e3o tenho grandes mat\u00e9rias que n\u00e3o sa\u00edam. Eu poderia, por exemplo, ter colocado a mat\u00e9ria sobre o GG Allin, mas n\u00e3o coloquei, eu fiz um texto sobre quem ele era e tem quatro ou seis p\u00e1ginas de fotos dele. Mas n\u00e3o tem muito texto novo, n\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-73350 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/barulho4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"599\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/barulho4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/barulho4-300x240.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na \u00e9poca do lan\u00e7amento do livro, o Jello Biafra veio para o Brasil. Numa entrevista que ele deu para o Scream &amp; Yell, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/11\/24\/entrevista-jello-biafra-ex-vocal-do-dead-kennedys-fala-sobre-lembrancas-do-brasil-tretas-e-postura-punk\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ele conta a hist\u00f3ria da seguinte forma<\/a>:<\/strong><br \/>\n<em>\u201cHavia um escritor que fez um livro, um jornalista na verdade (Jello refere-se a Andr\u00e9 Barcinski). Ele tinha vindo para os Estados Unidos e entrevistou um monte de pessoas diferentes do rock e escreveu sobre isso. Era uma publica\u00e7\u00e3o sobre a viagem e fotos que ele fez (a vinda de Jello teve a ver com divulga\u00e7\u00e3o do livro \u201cBarulho \u2013 Uma viagem pelo underground do rock americano\u201d) entrevistando o pessoal. E ele me convidou para passar uns dias no Brasil, chamou o Al Jourgensen tamb\u00e9m. Tipo: umas f\u00e9rias gratuitas se ajudasse na divulga\u00e7\u00e3o da obra. O Al n\u00e3o quis fazer. Mas, enfim\u2026 Chegando no Brasil descobri que estava sendo anunciado show meu, e ningu\u00e9m havia me comunicado ou pedido para eu tocar. N\u00e3o fiquei muito feliz, mas pensei que seria pior se me negasse a fazer. Ent\u00e3o, fui em frente e foi bem divertido tocar, fazer novas amizades com os caras do Sepultura e do Ratos de Por\u00e3o&#8230; (e com o Renato Russo, que era um rockstar a\u00ed. Eu sabia que a Legi\u00e3o Urbana era uma banda grande, mas n\u00e3o imaginava que era tanto)&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bem, eu queria ouvir o seu lado dessa hist\u00f3ria.<\/strong><br \/>\n(risos) Vamos l\u00e1, vamos pensar. 1992, t\u00e1? O Ministry era uma banda gigante, tinha lan\u00e7ado \u201cPsalm 69\u201d, era uma banda com clipe na MTV, e Paul Barker (ent\u00e3o baixista da banda) veio ao Brasil e n\u00e3o tocou no show. Quer dizer, ningu\u00e9m foi obrigado a tocar no show. O que estava anunciado era: show dos Ratos de Por\u00e3o e Sepultura, com lan\u00e7amento do meu livro, e quem comprasse o livro entrava de gra\u00e7a. N\u00e3o tinha nem ingresso. E o Jello adorou tocar! Esse papo de que ele foi for\u00e7ado a tocar\u2026 O cara \u00e9 for\u00e7ado a tocar e depois pega um \u00f4nibus, vai para S\u00e3o Paulo para tocar tamb\u00e9m com essas bandas? Isso faz algum sentido? Na boa, Leonardo, ele foi t\u00e3o \u201cfor\u00e7ado a tocar\u201d que cantou junto com o Mano Negra nos arcos da Lapa, entendeu? \u00c9 o punk falando, sabe? Eu n\u00e3o vou ficar chateado porque eu amo o Jello, ele \u00e9 um cara foda, e achei super legal ele vir, mas dizer que ele foi for\u00e7ado a tocar\u2026 porra. V\u00ea o v\u00eddeo, cara! Ele t\u00e1 pirando de tocar, feliza\u00e7o. Ele nunca tinha tocado no Brasil.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"la mano negra e jello biafra i fought the law &amp; too drunk to fuck ao vivi no brasil\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ba9wl0rSNVQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o foi um show pra ganhar dinheiro. Posso estar viajando, mas nem sei se teve cobran\u00e7a de ingresso nesse dia, realmente acho que o ingresso era o pr\u00f3prio livro. A minha combina\u00e7\u00e3o com o Circo Voador foi algo na linha de \u201cdeixa a gente fazer a festa que a gente se vira com o resto\u201d. O pessoal do Sepultura e do Ratos foi de \u00f4nibus pro Rio, numa boa, voltou de \u00f4nibus pra S\u00e3o Paulo, o Jello voltou com eles, passou uns dias na casa do Igor e do Max em S\u00e3o Paulo, teve um monte de festa. Ele conheceu um monte de gente cara. Faz o menor sentido, entendeu? Se ele fosse para passar f\u00e9rias, ele teria ficado no Rio e n\u00e3o teria ido para S\u00e3o Paulo para tocar no Aeroanta, n\u00e9? S\u00f3 fiquei chateado porque ficou parecendo que foi uma coisa do tipo: \u201ctrouxemos o Jello Biafra para um show\u201d, como se eu estivesse promovendo um show. A editora Paulic\u00e9ia gastou muito dinheiro a fundo perdido, trouxe o Paul Barker, que n\u00e3o fez nada, s\u00f3 fez entrevista de lan\u00e7amento, n\u00e3o tocou nenhum dia, n\u00e3o apareceu em lugar nenhum. O Al [Jourgensen, l\u00edder do Ministry] deveria ter vindo, mas ele cancelou em cima da hora, estava numa cl\u00ednica numa rehab de metadona e n\u00e3o p\u00f4de vir. Eu li essa declara\u00e7\u00e3o do Jello na \u00e9poca, e depois achei engra\u00e7ado, acho que \u00e9 conveniente para ele falar esse tipo de coisa, mas \u00e9 \u00f3bvio que ele n\u00e3o foi explorado por um produtor inescrupuloso (risos). S\u00f3 para acabar: foi nessa turn\u00ea que o Sepultura combinou com o Jello de participar do CD \u201cAlternative 100\u201d (nota: na verdade, \u201cVirus 100\u201d), que foi o cent\u00e9simo lan\u00e7amento da Alternative Tentacles e era um tributo aos Dead Kennedys (nota: do qual tamb\u00e9m participam Faith No More, L7, Mojo Nixon e v\u00e1rios outros). O Sepultura era uma banda grande, e eles gravam \u201cDrug Me\u201d para esse disco. Quer dizer, eles ficaram t\u00e3o amigos, foi um neg\u00f3cio t\u00e3o legal, que eles fizeram essa vers\u00e3o (nota: posteriormente, Jello participaria do \u00e1lbum \u201cChaos A.D.\u201d, do Sepultura).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"RDP + SEPULTURA + JELLO BIAFRA LIVE IN SAO PAULO - BRAZIL 1992\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_IKuW3Mi60E?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonardo Vinhas<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista, escritor e produtor cultural. Colabora com o Scream &amp; Yell desde 2000, onde tamb\u00e9m assina a coluna\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/conexao_latina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Conex\u00e3o Latina<\/a>. \u00c9 tamb\u00e9m colaborador eventual dos sites\u00a0<a href=\"https:\/\/musicnonstop.uol.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Music Non Stop<\/a>\u00a0(Brasil) e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.zonadeobras.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Zona de Obras<\/a>\u00a0(Espanha).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Fora de cat\u00e1logo h\u00e1 anos, &#8220;Barulho&#8221; est\u00e1 ganhando uma edi\u00e7\u00e3o comemorativa de 30 anos, viabilizada via campanha de financiamento coletivo, com novo projeto gr\u00e1fico e acabamento luxuoso&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/03\/16\/entrevista-andre-barcinski-fala-sobre-a-reedicao-luxuosa-do-livro-barulho-em-seu-aniversario-de-30-anos-critica-musical-e-mais\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":73349,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1866],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73344"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=73344"}],"version-history":[{"count":16,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73344\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":73384,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73344\/revisions\/73384"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/73349"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=73344"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=73344"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=73344"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}