{"id":72313,"date":"2023-02-06T14:38:10","date_gmt":"2023-02-06T17:38:10","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=72313"},"modified":"2023-04-30T00:44:26","modified_gmt":"2023-04-30T03:44:26","slug":"entrevista-fui-ate-o-inferno-e-voltei-a-segunda-vida-pos-dispopia-de-marina-gasolina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/02\/06\/entrevista-fui-ate-o-inferno-e-voltei-a-segunda-vida-pos-dispopia-de-marina-gasolina\/","title":{"rendered":"Entrevista &#8211; A segunda vida p\u00f3s dispopia de Marina Gasolina: \u201cFui at\u00e9 o fim do mundo e voltei. Fui at\u00e9 o inferno e voltei.&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alexandre Lopes<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/monstervello\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marina Gasolina<\/a> \u00e9 o alter ego de Marina Vello, artista curitibana que j\u00e1 passou por projetos como Bisquit Pride, Laura&#8217;s Problem e o festejado (e odiado) Bonde do Rol\u00ea \u2013 com quem viajou o mundo realizando apresenta\u00e7\u00f5es intensas e estapaf\u00fardias e registrou o disco \u201cWith Lasers\u201d, disco presente <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/especial\/2007\/disconacional.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">na lista de \u201cMelhores de 2007\u201d do Scream &amp; Yell<\/a>. Depois de sair do ca\u00f3tico grupo de fake funk carioca, Vello reapareceu anos mais tarde em uma roupagem bem mais s\u00f3bria com o Madrid, um duo formado com Adriano Cintra (ex-CSS). O projeto rendeu clipes, um disco, um EP e uma apresenta\u00e7\u00e3o no finado Planeta Terra Festival, em 2012 \u2013 e deve renascer em 2023. Seu primeiro disco solo, intitulado \u201cCommando\u201d e lan\u00e7ado em 2013, trazia rock flertando com m\u00fasica eletr\u00f4nica e apontava um caminho promissor. Mas desde ent\u00e3o Marina Gasolina evaporou e sumiu dos holofotes. O que aconteceu?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, Marina come\u00e7ou a registrar sozinha em 2014 uma s\u00e9rie de demos com seu pr\u00f3prio equipamento em um est\u00fadio em Paris. Mas logo a compositora teve que sobreviver a uma longa e degradante travessia que englobava depend\u00eancia qu\u00edmica, fim de relacionamentos e uma mudan\u00e7a de volta ao Brasil \u2013 que tamb\u00e9m vivia sua distopia nacional com o golpe, o bolsonarismo e o coronav\u00edrus. Em meio a essas cat\u00e1strofes, foi necess\u00e1rio que Marina Gasolina se recolhesse para dar lugar \u00e0 Marina professora, artista visual e escritora. \u201cComo um bicho que se esconde para ir morrer, eu fui me esconder, mas da\u00ed melhorei\u201d, conta. E somente depois deste per\u00edodo de reclus\u00e3o que a Marina musicista come\u00e7ou a revisitar essas grava\u00e7\u00f5es, e o resultado saiu finalmente em novembro de 2022, sob o nome de \u201c<a href=\"https:\/\/tratore.ffm.to\/dispopia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Dispopia<\/a>\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-72314 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Capa-Marina-Gasolina-Dispopia-2022-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Capa-Marina-Gasolina-Dispopia-2022-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Capa-Marina-Gasolina-Dispopia-2022-copiar-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Capa-Marina-Gasolina-Dispopia-2022-copiar-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mixado e masterizado por Rafael Panke (ru\u00eddo por mm\/Delta Cockers), o \u00e1lbum \u00e9 identificado por sua criadora como &#8220;uma obra sobre luto, puls\u00e3o de morte, uma ode \u00e0s drogas e ao fim do mundo, ao fim de tudo&#8221;. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o desenho da capa (acima) \u00e9 o tra\u00e7ado de um Spomenik (\u201cmonumento\u201d, na l\u00edngua croata) chamado Memorial da Batalha de Sutjeska no Vale dos Her\u00f3is, constru\u00eddo em 1971 em Tjenti\u0161te, na B\u00f3snia. Spomeniks s\u00e3o marcos futuristas constru\u00eddos na antiga Iugosl\u00e1via como um tributo \u00e0s batalhas da 2\u00aa guerra mundial que ocorreram no territ\u00f3rio do antigo pa\u00eds, com o intuito de lembrar momentos de dificuldade, de vit\u00f3ria, de guerra e de paz. Sendo assim, a arte da capa traz uma s\u00e9rie de significados \u00e0 artista, como se visitar pessoalmente esses lugares e imagens na \u00e9poca fosse uma esp\u00e9cie de premoni\u00e7\u00e3o do que estaria por vir \u2013 tanto para as batalhas pessoais de Vello quanto para as do Brasil e do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<a href=\"https:\/\/tratore.ffm.to\/dispopia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Dispopia<\/a>\u201d traz uma sonoridade melanc\u00f3lica j\u00e1 presente em can\u00e7\u00f5es anteriores da artista como em \u201cI\u2019ve Been Around\u201d e \u201cBride Dress in a Frame\u201d, do Madrid, e evitando momentos mais agitados como o single \u201cLeone\u201d, mas mantendo alguns elementos eletr\u00f4nicos minimalistas influenciados pela coldwave e post punk. &#8220;Struck&#8221; foi lan\u00e7ado como primeiro aperitivo do disco, trazendo um clipe filmado por Fernando Nogari em lugares abandonados nos arredores de Petrova Gora, na Cro\u00e1cia. Em seguida, foi a vez de &#8220;Know Nothing&#8221;, com um v\u00eddeo mostrando v\u00e1rias pastas de fotos e registros de per\u00edodos diferentes da vida da compositora, e mais recentemente, \u201cParanoia Beams\u201d, misturando trechos de um projeto de filme de Vello com Nogari e imagens dos patinadores Christopher Dean e Jayne Torvill nos Jogos de inverno de Sarajevo em 1984.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Morando em S\u00e3o Paulo desde janeiro de 2022, Marina come\u00e7ou a divulgar \u201cDispopia\u201d com alguns shows pela capital paulista, Londrina (PR), Rio de Janeiro e Vit\u00f3ria (ES). Por e-mail, Marina Vello falou com o Scream Yell sobre esse retorno de Marina Gasolina, o conceito da obra e o que mais deve vir pela frente. Leia o papo abaixo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Marina Gasolina - Paranoia Beams (OFFICIAL MUSIC VIDEO)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/CgPt1EreU5o?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cCommando\u201d saiu em 2013 e \u201cDispopia\u201d saiu s\u00f3 no final de 2022. O que voc\u00ea fez nesse tempo todo entre os dois? E por que voltar com este disco?<\/strong><br \/>\nO \u201cCommando\u201d era um disco pronto desde 2011. Eu o deixei numa gaveta e n\u00e3o sabia bem o que fazer. Quando lancei, estava envolvida nas coisas do Madrid; em 2013 lan\u00e7amos tamb\u00e9m um EP, ent\u00e3o foi um lan\u00e7amento sem show, divulga\u00e7\u00e3o, foi bem t\u00edmido. Eu comecei a gravar e dar forma ao \u201cDispopia\u201d em 2014. Era para ser um filme, chamado \u201cUtopia\u201d. Esse disco era a trilha sonora e a ideia era tocar essa trilha ao vivo nas sess\u00f5es do filme. Era a hist\u00f3ria de uma pessoa que acordava num mundo em escombros completamente sozinha. Sem saber o que aconteceu ou onde estava exatamente, essa pessoa perambulava pelas ru\u00ednas fazendo perguntas sem respostas. Um di\u00e1logo interno, sobre trauma, sobre solid\u00e3o, sobre o fim do mundo. A gente filmou em 2015, na B\u00f3snia e na Cro\u00e1cia, em alguns Spomeniks abandonados. Tamb\u00e9m visitamos lugares que foram usados como centros esportivos nas Olimp\u00edadas de Inverno de Sarajevo de 1984. Tamb\u00e9m estavam completamente abandonados. Antes de filmar quando est\u00e1vamos visitando os lugares, n\u00e3o tinha nenhum taxista que queria levar a gente at\u00e9 o bobsleigh de Sarajevo (hoje bem mais tur\u00edstico), pois al\u00e9m de ladr\u00f5es, o lugar ainda tinha suspeita de minas terrestres, plantadas durante a Guerra da B\u00f3snia. A gente n\u00e3o conseguiu terminar o filme. E depois disso eu adoeci. Me internei na coca\u00edna, adoeci mais ainda junto ao golpe de 2016. S\u00f3 em 2019 consegui parar, mas melhorar mesmo, s\u00f3 isolada na pandemia. Como um bicho que se esconde para ir morrer, eu fui me esconder, mas da\u00ed melhorei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que \u00e9 \u201cDispopia\u201d, al\u00e9m do trocadilho entre \u201cdistopia\u201d e \u201cpop\u201d?<\/strong><br \/>\nNo filme \u201cUtopia\u201d, tem esse momento onde sentada embaixo de um trem num Spomenik em Jasenovac, eu me tatuava no bra\u00e7o a palavra \u201cDistopic\u201d. Mas eu errei, o \u201ct\u201d virou \u201cp\u201d e saiu \u201cdispopic\u201d. Ao longo dos anos fez cada vez mais sentido. A sonoridade do disco tem algo pop e ao mesmo tempo n\u00e3o, como uma guitarra do Kurt Cobain, levemente desafinada. \u00c9 um disco sobre o fim do mundo e o fim dos sonhos ut\u00f3picos, talvez um r\u00e9quiem \u00e0 ingenuidade. Dispopia \u00e9 um nome bem ilustrativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A maior parte de \u201cDispopia\u201d foi gravada em 2014 quando voc\u00ea morava em Paris, mas ele est\u00e1 saindo da gaveta s\u00f3 agora. Como foi o processo de grava\u00e7\u00e3o e por que demorou tanto tempo para o \u00e1lbum sair?<\/strong><br \/>\nEu tinha esse teclado branc\u00e3o, usava as baterias dele (aqueles ritmos, valsa, salsa, rock, pop), captava o teclado em casa, tratava e ia para um est\u00fadio de ensaio, onde eu plugava meus equipos e captava as guitarras, e baixos ali mesmo. As vozes, \u00e0s vezes gravava ali, \u00e0s vezes gravava em casa. Nessa \u00e9poca, n\u00e3o me achava capaz de produzir e gravar um disco. Achava que eu tava gravando demos&#8230; Engra\u00e7ado que s\u00f3 em 2021 eu percebi que compus, produzi e gravei um disco totalmente sozinha. Eu sempre colaborei com outras pessoas, e nunca achava que eu poderia me atrever a produzir nada. Sou uma sobrevivente da s\u00edndrome de impostora, eu diria. Em 2021, achei num google drive um mp3 com todas as m\u00fasicas numa sequ\u00eancia. Fui dar uma volta e escutar, sentei no meio fio e chorei. Dali mesmo enviei uma mensagem para meu amigo Rafael Panke perguntando se ele toparia mixar e masterizar o disco. A p\u00f3s produ\u00e7\u00e3o quem fez foi ele e ficou muito foda. Ent\u00e3o acho que a li\u00e7\u00e3o que fica desse disco \u00e9 que eu sou capaz de fazer coisas sozinha, mas que no fim das contas a colabora\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial nos processos criativos. Esse disco n\u00e3o teria sa\u00eddo sem o Panke. E n\u00e3o seria t\u00e3o bom. Mod\u00e9stia \u00e0 parte, esse disco \u00e9 muito bom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Apesar de ter sido gravado em 2014, na minha opini\u00e3o o disco n\u00e3o tem timbres ou produ\u00e7\u00e3o datadas. Isso foi pensado no momento de grava\u00e7\u00e3o dele ou algo foi alterado posteriormente na mixagem\/masteriza\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nNada foi pensado. Eu tinha comprado alguns pedais bem legais na \u00e9poca, e passava bastante tempo brincando com os pedais. Rolou. Na real \u00e9 tudo bem simples. Muito reverb, muito chorus, muito delay e muita sofr\u00eancia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Marina Gasolina - Struck\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/IP9MWGEKpGs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O clipe de \u201cStruck\u201d foi dirigido por Fernando Nogari e filmado em lugares abandonados nos arredores de Petrova Gora, na Cro\u00e1cia. Como foi essa experi\u00eancia e como ela se encaixa no disco?<\/strong><br \/>\nAcho que expliquei ali em cima. Mas talvez seja importante falar sobre o Fernando. A gente conversava muito e se via muito na \u00e9poca que eu tava compondo esse disco. Ele morava em Sarajevo, eu em Paris, tinha uma certa m\u00e1gica, a gente se encontrava em lugares e pa\u00edses diferentes, a gente sempre tava fazendo umas coisas absurdas juntos, sempre acontecia muita coisa doida, e ao mesmo tempo a gente era esses jovens de 30 anos meio perdidos na vida, duas peninhas levadas pelo vento. \u201cStruck\u201d, especificamente, foi filmado num monumento chamado Petrova Gora. Um monumento constru\u00eddo em homenagem a um hospital subterr\u00e2neo que existia e operou durante a segunda guerra. O monumento constru\u00eddo na era Tito era um centro cultural que foi abandonado durante as guerras de independ\u00eancia, e durante a guerra de independ\u00eancia da Cro\u00e1cia, tornou-se novamente um hospital. Achamos muito lixo hospitalar (no clipe \u00e9 vis\u00edvel, eu em cima de uma montanha) e tinha tamb\u00e9m um quarto com um monte de uniforme do ex\u00e9rcito Serbio (ex\u00e9rcito respons\u00e1vel pelos genoc\u00eddios nos balkans nos anos 90). Ironicamente o clipe s\u00f3 foi editado em 2021, e pasmem, fui eu quem editou. No meu celular. Foi legal aprender a fazer mais esse paranau\u00ea. Clipe de \u201cKnow Nothing\u201d fui eu que fiz tudo. E, o terceiro clipe lan\u00e7ado para \u201cParanoia Beams\u201d \u00e9 do Fernando parte do \u201cUtopia\u201d filme, que eu reescrevi o texto do in\u00edcio e fiz umas colagens na edi\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o ficou uma collab entre eu e o Fer.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Marina Gasolina - Know Nothing (OFFICIAL MUSIC VIDEO)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/xw-zqzux3dM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As letras e o clima de \u201cDispopia\u201d s\u00e3o bem pesados e refletem sobre muita coisa que voc\u00ea passou antes do lan\u00e7amento do \u00e1lbum. Como \u00e9 para voc\u00ea revisitar essas hist\u00f3rias e esse repert\u00f3rio ao vivo depois de tanto tempo?<\/strong><br \/>\nAs letras s\u00e3o bem biogr\u00e1ficas, algumas falam de um passado remoto e suas implica\u00e7\u00f5es no presente (presente de 2014 ou 2022, sei l\u00e1, risos) como \u201cSerial Lover\u201d. Algumas, como \u201cMiss C\u201d, eu n\u00e3o sei se foram premoni\u00e7\u00f5es ou se eu simplesmente perpetuei o que eu chamo agora de premoni\u00e7\u00e3o. Muita coisa que descrevo ali aconteceu depois, nos anos que vieram. Inclusive esse momento de solid\u00e3o extrema, fui at\u00e9 o fim do mundo e voltei. Fui at\u00e9 o inferno e voltei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para o merch nos shows, voc\u00ea est\u00e1 vendendo camisetas e blusas que voc\u00ea mesma faz com o logo da capa do disco. Existem planos de lan\u00e7ar o \u00e1lbum em m\u00eddia f\u00edsica ou a ideia \u00e9 manter apenas no formato digital?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. Mas se algum selo quiser lan\u00e7ar f\u00edsico, s\u00f3 mandar um email, que a gente conversa. Mas eu n\u00e3o tenho nada planejado! Seria lindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ao ouvir o \u201cDispopia\u201d, d\u00e1 para sacar algumas das influ\u00eancias que voc\u00ea j\u00e1 declarou antes, como post punk, coldwave, vocais que remetem um pouco a Courtney Love, Siouxsie Sioux e algo de PJ Harvey. Quais outras refer\u00eancias que na sua opini\u00e3o foram marcantes para o disco, mas que podem n\u00e3o estar t\u00e3o aparentes assim?<\/strong><br \/>\nAcho que refer\u00eancias de produ\u00e7\u00e3o, tudo que aprendi com o Daniel Hunt (que produziu meu primeiro disco \u201cCommando\u201d) e com o Adriano Cintra. Eu escuto muita m\u00fasica erudita, na \u00e9poca escutava muito Satie, Chopin, tem um quarteto de cordas chamado Balanescu que eu sou obcecada, al\u00e9m de m\u00fasica tradicional dos balkans tamb\u00e9m. Acho que al\u00e9m disso, a influ\u00eancia liter\u00e1ria deve ser mencionada; tem um certo cinismo, uma certa ironia e muito drama presente. Esses foram os \u00faltimos anos que consegui ler avidamente. Em 2013 li \u201cInfinite Jest\u201d [de David Foster Wallace, traduzido como \u201cGra\u00e7a Infinita\u201d no Brasil]. Dizem que o livro mais marcante da sua vida voc\u00ea l\u00ea antes dos 30. Li aos 29. Foi a coisa mais triste e bonita que j\u00e1 li na vida. E dif\u00edcil tamb\u00e9m. Mas a hora que entendi, que engrenei e entrei no ritmo, foi devastador. Em 2014, li muita Margaret Atwood, Sylvia Plath, Artaud, Balzac, Jonathan Franzen. Muito drama, distopia e tristeza. Isso t\u00e1 no disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para tocar as m\u00fasicas do \u201cDispopia\u201d, voc\u00ea montou um trio com o Paulo Beto e a Tatiana Meyer do Anvil FX. Como aconteceu isso? Foi dif\u00edcil adaptar os arranjos para este formato?<\/strong><br \/>\nConheci o PB l\u00e1 por 2012, pelo Daniel Hunt, e sempre admirei de longe. Ele passou por Curitiba l\u00e1 por 2018 e ficou num hotel ao lado da minha casa. Quando mudei para S\u00e3o Paulo no in\u00edcio de 2022, ele me acolheu aqui e me apresentou para seus amigos, ele tem sido um grande amigo. Moramos perto tamb\u00e9m. A ideia inicial era fazer o show com o Panke, mas percebemos que eu morando em S\u00e3o Paulo e ele em Curitiba seria meio dif\u00edcil de coordenar as agendas. Comendo um espetinho, perguntei ao Paulo se ele topava, e na hora ele topou. Conversando sobre, chegamos a conclus\u00e3o que o ideal para o show seria um trio. O nome da Tati veio na hora. O Paulo \u00e9 um bruxo e a adapta\u00e7\u00e3o dos arranjos ficou fant\u00e1stica. Obra dele. Vontade de gravar essa vers\u00e3o paralela do \u201cDispopia\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quem ouve a sua fase no Bonde do Rol\u00ea e compara com o que voc\u00ea fez no Madrid e depois nos seus discos solo pode at\u00e9 pensar que n\u00e3o \u00e9 a mesma pessoa cantando, compondo e tocando. Usar o nome Marina Gasolina \u00e9 uma forma de costurar todas essas facetas diferentes ou voc\u00ea n\u00e3o d\u00e1 muita import\u00e2ncia para isso?<\/strong><br \/>\n\u00c9. At\u00e9 porque eu detesto esse nome Marina Gasolina. Mas \u00e9 meio quem sou. Tudo isso a\u00ed e mais um pouco. Um pouco menos tamb\u00e9m. Bem menos (risos). J\u00e1 quis trocar o nome, mas \u00e9 t\u00e3o complicado e tenho pregui\u00e7a. Sempre tive banda com nome ideia fraca. E vai continuar assim. Uma vez conheci uma menina em Curitiba que virou para mim e disse \u201cnossa, achava que voc\u00ea era quatro pessoas diferentes: a Marina do bordado, a Marina professora, a Marina do Bonde e das tretas e a Marina do Madrid\u201d. Eu s\u00f3 tive o privil\u00e9gio de fazer muita coisa na vida. S\u00f3 isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em janeiro de 2022 voc\u00ea lan\u00e7ou \u201cMira\u201d pelo Madrid e \u201cVidadulta\u201d em outubro junto com o Adriano Cintra. Voc\u00eas t\u00eam planos de lan\u00e7ar mais m\u00fasicas juntos ou reativar o Madrid?<\/strong><br \/>\nSim. A gente t\u00e1 com novidades. Janeiro acho que j\u00e1 vamos lan\u00e7ar uma nova do Madrid. S\u00e3o Paulo me engoliu esse ano, esse disco, o Adri com o \u201cFogo Fera\u201d, mas a gente tem feito umas coisas sim. Umas m\u00fasicas bem bonitas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais os pr\u00f3ximos passos? O que esperar da Marina Gasolina depois de \u201cDispopia\u201d?<\/strong><br \/>\nGravando com o Adri, \u00e9 sempre um grande prazer fazer as coisas com ele. A gente n\u00e3o s\u00f3 trabalha bem juntos, a gente se gosta muito. Uma das coisas que eu mais gosto de fazer no finde \u00e9 andar loucamente por a\u00ed com o Adri. Eu, Paulo Beto e Tati Meyer estamos tramando umas coisas juntos tamb\u00e9m \ud83d\ude42 Aguardem!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Dispopia\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_kt1IIbZ90eXOquEB3MdMyUt16cql5spCw\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Madrid - Mira - #35 The Quarantine Experience\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gtVcp9w-qgo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Adriano Cintra e Marina Gasolina  &quot;Vidadulta&quot; (Lyric Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pS8ILdXlC2k?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Alexandre Lopes (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@ociocretino<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ociocretino.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.ociocretino.blogspot.com.br<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Artista curitibana que j\u00e1 passou por projetos como Bisquit Pride, Laura&#8217;s Problem, o festejado (e odiado) Bonde do Rol\u00ea e, tamb\u00e9m, Madrid, est\u00e1 de volta com seu segundo disco solo\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/02\/06\/entrevista-fui-ate-o-inferno-e-voltei-a-segunda-vida-pos-dispopia-de-marina-gasolina\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":101,"featured_media":72315,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[6558,6557],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72313"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/101"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=72313"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72313\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":72318,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72313\/revisions\/72318"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/72315"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=72313"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=72313"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=72313"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}