{"id":71866,"date":"2023-01-25T01:19:04","date_gmt":"2023-01-25T04:19:04","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=71866"},"modified":"2023-03-03T02:46:19","modified_gmt":"2023-03-03T05:46:19","slug":"entrevista-glenda-nicacio-e-ary-rosa-falam-sobre-a-homenagem-recebida-na-26a-mostra-de-cinema-de-tiradentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/01\/25\/entrevista-glenda-nicacio-e-ary-rosa-falam-sobre-a-homenagem-recebida-na-26a-mostra-de-cinema-de-tiradentes\/","title":{"rendered":"Entrevista: Glenda Nic\u00e1cio e Ary Rosa falam sobre a homenagem recebida na 26\u00aa Mostra de Cinema de Tiradentes"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na abertura da <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/01\/20\/entrevista-raquel-hallak-e-francis-vogner-falam-sobre-o-retorno-ao-formato-presencial-da-mostra-de-cinema-de-tiradentes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">26\u00aa edi\u00e7\u00e3o da Mostra de Cinema de Tiradentes<\/a>, que come\u00e7ou na \u00faltima sexta-feira, dia 20, e segue at\u00e9 o dia 28 de janeiro, a dupla de cineastas Ary Rosa e Glenda Nic\u00e1cio (mineiros de nascimento, mas filhos do Rec\u00f4ncavo baiano e da UFRB) foram \u00e0 frente da plateia que lotou o Cine Tenda, na exuberante cidade hist\u00f3rica de Minas Gerais, e trouxeram um discurso de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;\u00c9 muito bom poder pensar que vamos ser homenageados e poder, quando formos chamados l\u00e1 na frente, fazer um discurso de esperan\u00e7a, e n\u00e3o um discurso de protesto, que \u00e9 o que a gente tem feito nos \u00faltimos quatro anos cada vez que somos chamados a falar&#8221;, contou Ary, em entrevista concedida ao Scream &amp; Yell, antes de viajar para Tiradentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Surgindo para o cen\u00e1rio do audiovisual brasileiro em 2017, com o longa \u201cCaf\u00e9 com Canela\u201d, Glenda e Ary v\u00eam apresentando uma produ\u00e7\u00e3o que se consolidou em um cen\u00e1rio de escassez de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para o audiovisual. Mesmo assim, conseguiram manter um a regularidade de projetos em obras como \u201cIlha\u201d (2018), \u201cAt\u00e9 o Fim\u201d (2020), \u201cVoltei\u201d (2021) e \u201cMugunz\u00e1\u201d (2022), filme de abertura na Mostra de Tiradentes 2023.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Glenda, que nesse per\u00edodo tamb\u00e9m dirigiu o projeto solo \u201cEu N\u00e3o Ando S\u00f3\u201d (2021), afirma que a constru\u00e7\u00e3o da filmografia da dupla, atrav\u00e9s da produtora <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/roszafilmes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rosza Filmes<\/a>, reflete essa postura de se buscar criar no audiovisual mesmo com a asfixia cultural advinda do cen\u00e1rio pol\u00edtico. Mas h\u00e1 um otimismo latente com a nova conjuntura de retorno do MinC e da Ancine.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Em tempos bons e em tempos ruins, n\u00f3s existimos. E acho que a gente n\u00e3o perde isso de vista. Ent\u00e3o, acho que \u00e9 contar e saber que dentro dessa nova conjuntura de governo se tem mais espa\u00e7o e mais possibilidade de cria\u00e7\u00e3o. Mais pol\u00edticas p\u00fablicas que estejam pensando e fomentando isso. Fomentando atores e toda essa estrutura para que essas pessoas sejam acessadas enquanto p\u00fablico e enquanto produtores&#8221;, pontua Glenda.<br \/>\nNesse papo com o Scream &amp; Yell, ambos aprofundam suas impress\u00f5es acerca desse momento especial. Confira!<\/p>\n<figure id=\"attachment_71867\" aria-describedby=\"caption-attachment-71867\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-71867\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/52640646416_9f63901456_o-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/52640646416_9f63901456_o-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/52640646416_9f63901456_o-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-71867\" class=\"wp-caption-text\">20230121 &#8211; TIRADENTES &#8211; MG &#8211; 26\u00aa MOSTRA TIRADENTES &#8211; DEBATE &#8211; O CINEMA MUTIR\u00c3O DA ROSZA FILMES &#8211; PERSPECTIVAS DAS CURADORIAS &#8211; Foto Leo Fontes\/Universo Produ\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ary e Glenda, a hist\u00f3ria de voc\u00eas dentro do audiovisual possui uma liga\u00e7\u00e3o muito forte com Tiradentes, passando por visitas como espectadores, em oficinas, em apresenta\u00e7\u00e3o de filmes e, agora, como homenageados. Qual o significado de olhar para tr\u00e1s e perceber essa trajet\u00f3ria?<\/strong><br \/>\nAry \u2013 A Mostra de Tiradentes \u00e9 muito significativa pra gente. Primeiro porque Glenda e eu somos de Minas. Ent\u00e3o, j\u00e1 era uma mostra que meio que rondava o nosso imagin\u00e1rio. Em 2010, viemos para Cachoeira para fazer o curso de cinema. Em 2011, voltamos para Minas e Tiradentes foi o primeiro festival que fui. Primeira mostra grande. Fui para fazer oficinas, nessa coisa de conhecer o cen\u00e1rio. Foi l\u00e1 que eu fui conhecer a Alumbramento, a Filme de Pl\u00e1stico (nota: produtora respons\u00e1vel pelo filme \u201cMarte Um\u201d, entre outros). Um pouco mais adiante, o Adirley (Queiroz, cineasta do DF). Ent\u00e3o, foi um lugar aonde voltamos umas duas ou tr\u00eas vezes antes de fazer \u201cCaf\u00e9 com Canela\u201d, que \u00e9 o filme que vai, de alguma forma, projetar a gente. Ent\u00e3o tinha esse imagin\u00e1rio. Essa vontade de sentir Tiradentes como esse lugar onde o cinema se encontra afetivamente pra gente. Fiz v\u00e1rias oficinas l\u00e1, como a de dire\u00e7\u00e3o com Jorge Bodanzky. E a\u00ed, em 2018, fomos chamados para fazer a abertura da Mostra com \u201cCaf\u00e9 com Canela\u201d, na homenagem ao Babu Santana. De l\u00e1 pra c\u00e1, todos os anos temos marcado presen\u00e7a em Tiradentes. Em 2017, apresentamos \u201cCaf\u00e9 com Canela\u201d. Em 2019, fomos com \u201cIlha\u201d, e em 2021 a gente participou de um programa que eles t\u00eam, que \u00e9 o Cine Mundi, que \u00e9 voltado a obras que ainda est\u00e3o em finaliza\u00e7\u00e3o, com o \u201cMugunz\u00e1\u201d. E esse ano voltamos homenageados e exibindo presencialmente o \u201cMungunz\u00e1\u201d. \u201cNa R\u00e9dea Curta\u201d na pra\u00e7a <a href=\"https:\/\/mostratiradentes.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">e os outros filmes v\u00e3o ficar on line no site<\/a>. Ent\u00e3o, \u00e9 um momento bem especial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Glenda \u2013 E \u00e9 muito importante porque Tiradentes est\u00e1 muito na nossa constru\u00e7\u00e3o. Faz muito parte da nossa forma\u00e7\u00e3o. Foi a primeira mostra, o primeiro festival que participamos. Acho que foi o primeiro lugar onde tivemos entendimento de mercado. Esse susto com o mercado, com o que se espera com o conte\u00fado, com esse pensamento. Ent\u00e3o, traz tudo isso \u00e0 tona. Ao mesmo tempo \u00e9 um lugar em que a gente vem se consolidando. Sempre voltando com filme. O \u00faltimo que exibimos l\u00e1, que foi o \u201cAt\u00e9 o Fim\u201d, foi uma sess\u00e3o super bonita e que, por muito tempo, ficou sendo a nossa \u00faltima mem\u00f3ria de p\u00fablico, porque foi em janeiro de 2020, e logo depois come\u00e7ou a pandemia. Depois, ficamos um bom tempo com \u201cAt\u00e9 o Fim\u201d sendo exibido somente on line, \u00e0 dist\u00e2ncia. Ent\u00e3o, nossa \u00faltima mem\u00f3ria de p\u00fablico, at\u00e9 ent\u00e3o, antes do lan\u00e7amento do \u201cNa R\u00e9dea Curta\u201d e antes do lan\u00e7amento do \u201cMungunz\u00e1\u201d, era um p\u00fablico de Tiradentes que sempre nos abra\u00e7a de uma forma bastante calorosa. E \u00e9 um espa\u00e7o gostoso de troca, de encontros. Acho que por ser uma cidade pequena, tamb\u00e9m, se aproxima da gente esse lugar de Cachoeira, de ser uma cidade de interior, pequena, aonde a gente vai pra rua e as conversas meio que acontecem ali. Acontecem n\u00e3o necessariamente s\u00f3 no cinema. A sala de cinema \u00e9 s\u00f3 um passo para a gente encontrar com as pessoas no meio da cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sobre a homenagem, como isso reflete para voc\u00eas e para o horizonte futuro?<\/strong><br \/>\nAry \u2013 \u00c9 muito bom poder pensar que vamos ser homenageados e poder, quando formos chamados l\u00e1 na frente, fazer um discurso de esperan\u00e7a, e n\u00e3o um discurso de protesto, que \u00e9 o que a gente tem feito nos \u00faltimos quatro anos cada vez que somos chamados a falar. Ent\u00e3o, independente dos movimentos que ainda est\u00e3o por vir, hoje o discurso s\u00f3 remete \u00e0 esperan\u00e7a. E sermos homenageados neste momento, pra gente, \u00e9 algo muito bonito. Porque \u00e9 como se um peso sa\u00edsse para celebrar. Passamos por esses \u00faltimos seis anos de muita dificuldade para o audiovisual. E n\u00e3o passamos imunes a isso. De alguma forma, passamos. Conseguimos passar por esse momento. Acho que tamb\u00e9m aprendemos muito com esse momento. Sobre como a hist\u00f3ria do cinema brasileiro se repete. Como esses ciclos de farturas e de escassez v\u00e3o se repetindo durante toda a hist\u00f3ria do cinema brasileiro. E eu acho que a gente conseguiu passar por esses momentos de escassez vislumbrando um momento de fartura. Mas, a\u00ed, eu acho que, tamb\u00e9m, todos, a classe, os governos, acho que \u00e9 preciso j\u00e1 ter uma concep\u00e7\u00e3o sobre pensarmos uma fartura respons\u00e1vel para o audiovisual para que esses momentos de escassez n\u00e3o sejam t\u00e3o devastadores, como t\u00eam sido. Tem esse movimento de poder celebrar a UFRB, de poder celebrar o cinema do interior, poder celebrar novas perspectivas. Acho que a Bahia ganha um protagonismo dentro da cultura nacional pensando nessa conjuntura pol\u00edtica que, para a gente, \u00e9 muito importante. Acho que, tamb\u00e9m, \u00e9 celebrar a Bahia, celebrar o audiovisual baiano. H\u00e1 muito tempo que a gente n\u00e3o celebra. Ficamos muito gratos a Tiradentes por nos proporcionar isso. Proporcionar, nesse momento de celebra\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m sermos celebrados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Glenda \u2013 Acho que \u00e9 isso, mesmo. Essa sensa\u00e7\u00e3o de reconstru\u00e7\u00e3o. Estamos nesse esp\u00edrito. \u00c9 o que eu tenho sentido com as pessoas com quem tenho conversado. A sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 aquela de: &#8216;Vamos l\u00e1. Vamos reconstruir! Temos um grande trabalho pela frente, mas estamos aqui. Estamos aqui para di\u00e1logo&#8217;. \u00c9 bonito demais poder nesse janeiro come\u00e7ar o ano j\u00e1 com esse mote.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na filmografia de voc\u00eas, uma variedade de temas e experimenta\u00e7\u00f5es \u00e9 palp\u00e1vel. Desde dramas mais afetivos, como o de \u201cCaf\u00e9 com Canela\u201d, passando por aqueles mais en\u00e9rgicos, como \u201cIlha\u201d, at\u00e9 com\u00e9dia como \u201cNa R\u00e9dea Curta\u201d e em um aspecto mais teatral, em \u201cMugunz\u00e1\u201d. Para voc\u00eas, como se d\u00e1 esse processo de nortear as escolhas para os projetos?<\/strong><br \/>\nGlenda \u2013 Para mim e para o Ary, cinema nunca \u00e9 uma coisa certeira. Desde o \u201cCaf\u00e9 com Canela\u201d, sempre refletimos sobre qual vai ser o pr\u00f3ximo filme. E, invariavelmente, a gente tamb\u00e9m \u00e9 surpreendido. Por v\u00e1rios momentos ficamos meses combinando. \u201cCaf\u00e9 com Canela\u201d foi muito assim. Vamos fazer o \u201cCaf\u00e9\u201d e, depois, vamos fazer tal filme, tal roteiro que j\u00e1 saiu que a gente j\u00e1 est\u00e1 estudando, que a gente j\u00e1 tem uma proximidade. E a\u00ed, de repente, vem o mundo. Porque acho que \u00e9 tamb\u00e9m contar com as configura\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, as configura\u00e7\u00f5es de pa\u00eds. \u201cMugunz\u00e1\u201d \u00e9 muito um reflexo disso. O tipo de hist\u00f3ria. Como \u00e9 feito. O fato de ser feito dentro de um teatro, dentro de um \u00fanico espa\u00e7o. S\u00e3o v\u00e1rias escolhas est\u00e9ticas, narrativas, que est\u00e3o interagindo o tempo todo com o mundo. E eu acho que esse \u00e9 o nosso maior pacto. Esse pacto de fazer um cinema que esteja ancorado no aqui. Onde \u00e9 que estamos fazendo, qual o territ\u00f3rio que a gente est\u00e1 fazendo. Com quem \u00e9 que se est\u00e1 fazendo e de quais formas que se est\u00e1 fazendo, culturalmente e economicamente pensando. Ent\u00e3o, \u00e9 um pouco um retrato de tudo isso. E para al\u00e9m de todas essas quest\u00f5es, tem, tamb\u00e9m, o nosso gosto pela experimenta\u00e7\u00e3o. &#8216;Se j\u00e1 viemos por aqui, vamos buscar um caminho totalmente diferente, agora?&#8217; Porque eu acho que a gente tamb\u00e9m vai se descobrindo e vai se experimentando diretores nesse lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ary, voc\u00ea traz em sua assinatura como roteirista, tamb\u00e9m, muito dessa experimenta\u00e7\u00e3o, buscando, como visto em \u201cMugunz\u00e1\u201d, muitas fontes liter\u00e1rias para a constru\u00e7\u00e3o, tai como \u201cMedea\u201d, letra de Chico Buarque, por exemplo. A experimenta\u00e7\u00e3o da escrita nesse sentido \u00e9 um norte para seu processo de cria\u00e7\u00e3o no roteiro?<\/strong><br \/>\nAry \u2013 Acho que sim. Mas acho o processo de escrita um lugar muito objetivo do que queremos fazer. Acho que a gente tamb\u00e9m j\u00e1 vem sentindo quais esses caminhos que queremos. Eu acredito muito no roteiro como um grande parceiro da produ\u00e7\u00e3o executiva. Porque \u00e9 a partir dali que v\u00e3o sair os valores que fazem um filme ser grande, pequeno, com muitas loca\u00e7\u00f5es ou com poucas loca\u00e7\u00f5es, como muitos atores ou poucos atores, com demandas est\u00e9ticas e tudo mais. Ent\u00e3o, \u201cCaf\u00e9 com Canela\u201d, especificamente, eu acho que tem esse lugar de um roteiro que vai se trabalhando ao tempo, que vai se deixando ser qualquer coisa. Mas eu acho que de \u201cCaf\u00e9\u201d pra frente, \u00e9 sempre essa objetividade: &#8216;vamos fazer um filme? Vamos! Quanto se tem para fazer um filme?&#8217; E a\u00ed come\u00e7a a fazer essa produ\u00e7\u00e3o da escrita a partir dessas limita\u00e7\u00f5es, que a gente chama de precariedades, mas que s\u00e3o pot\u00eancias de linguagem. Entendemos que a precariedade existe como pot\u00eancia de linguagem. Ent\u00e3o, cada vez mais, meus roteiros t\u00eam sido mais generosos com a dire\u00e7\u00e3o. E isso inclui Glenda e eu no sentido de uma abertura para possibilidades que n\u00e3o engessem a estrutura f\u00edlmica e de linguagem, mas que, ao mesmo tempo, possa trazer esses elementos econ\u00f4micos que possibilitam a feitura do filme. Acho que a gente consegue fazer uma m\u00e9dia de um filme por ano porque temos roteiros que nos possibilitam chamar nossos amigos e fazer um filme como \u201cMungunz\u00e1\u201d, com oito pessoas na equipe e dois atores em uma \u00fanica loca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O ministro Silvio Almeida trouxe um discurso de posse muito forte. Penso que o cinema representa muito do que foi dito, sobre as pessoas existirem e serem importantes. E seus filmes refletem muito a import\u00e2ncia dessa representatividade.<\/strong><br \/>\nGlenda \u2013 Sim. Em tempos bons e em tempos ruins, n\u00f3s existimos. E acho que a gente n\u00e3o perde isso de vista. Ent\u00e3o, acho que \u00e9 contar e saber que dentro dessa nova conjuntura de governo, se tem mais espa\u00e7o e mais possibilidade de cria\u00e7\u00e3o. Mais pol\u00edticas p\u00fablicas que estejam pensando isso, que estejam fomentando isso, fomentando atores, fomentando toda essa estrutura para que essas pessoas sejam acessadas enquanto p\u00fablico e enquanto produtores, tamb\u00e9m. Mais especificamente, pensando na nossa Rosza Filmes, essa \u00e9 uma pauta que \u00e9 constante. Porque a nossa equipe, tamb\u00e9m, \u00e9 muito diversa. A nossa equipe tamb\u00e9m \u00e9 composta por essas pessoas. Ent\u00e3o, \u00e9 menos no sentido de &#8216;n\u00f3s vamos dar voz&#8217;, porque temos um tanto de vozes pelas quais n\u00f3s n\u00e3o podemos falar. E nem nos interessa falar. Mas nos interessa estarmos pr\u00f3ximos diante de um pensamento, diante de uma constru\u00e7\u00e3o de imagin\u00e1rio. E por isso a nossa equipe \u00e9 t\u00e3o diversa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 existem projetos confirmados para 2023?<\/strong><br \/>\nGlenda \u2013 N\u00f3s estamos vivendo esse momento. Estamos saindo do \u201cNa R\u00e9dea Curta\u201d, que est\u00e1 nesse per\u00edodo ainda de distribui\u00e7\u00e3o, e que tamb\u00e9m \u00e9 esse per\u00edodo de entender, tamb\u00e9m, o que \u00e9 o filme, o tamanho do filme, aonde ele chegou, at\u00e9 onde ele vai. Estamos, ainda, vivendo o \u201cNa R\u00e9dea Curta\u201d e nos preparando para Tiradentes. Acho que uma coisa desse per\u00edodo agora \u00e9 poder celebrar, afinal de contas, o agora. Ent\u00e3o, acho que o nosso pr\u00f3ximo passo grande \u00e9 Tiradentes. E acho que \u00e9 l\u00e1 que todo mundo se encontra e acho que a partir da\u00ed as coisas v\u00e3o acontecer, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Caf\u00e9 com Canela | O Pa\u00eds do Cinema\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8l6aubwzars?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Trailer  &quot;Na Redea Curta &quot;\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/a8NUsqA49sI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"&quot;Ilha&quot; - trailer\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MWKTTpgzBsA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"At\u00e9 o Fim - Trailer\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/btv6g9-7bGo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde e assina o blog\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pel\u00edcula Virtual<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;\u00c9 muito bom poder pensar que vamos ser homenageados e poder, quando formos chamados l\u00e1 na frente, fazer um discurso de esperan\u00e7a, e n\u00e3o um discurso de protesto, que \u00e9 o que a gente tem feito nos \u00faltimos quatro anos&#8221;, diz Ary.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/01\/25\/entrevista-glenda-nicacio-e-ary-rosa-falam-sobre-a-homenagem-recebida-na-26a-mostra-de-cinema-de-tiradentes\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":71868,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[6544],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71866"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71866"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71866\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":71870,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71866\/revisions\/71870"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/71868"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71866"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=71866"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=71866"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}