{"id":71817,"date":"2023-01-23T02:59:09","date_gmt":"2023-01-23T05:59:09","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=71817"},"modified":"2023-03-03T02:46:07","modified_gmt":"2023-03-03T05:46:07","slug":"entrevista-o-cineasta-calebe-lopes-fala-sobre-a-influencia-giallo-no-curta-claudio-exibido-na-26a-mostra-de-cinema-de-tiradentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/01\/23\/entrevista-o-cineasta-calebe-lopes-fala-sobre-a-influencia-giallo-no-curta-claudio-exibido-na-26a-mostra-de-cinema-de-tiradentes\/","title":{"rendered":"Entrevista: O cineasta Calebe Lopes fala sobre a influ\u00eancia giallo no curta &#8220;Claudio&#8221;, exibido na Mostra de Cinema de Tiradentes"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma visita f\u00edlmica \u00e0 It\u00e1lia, vemos Sam Dalmas caminhar absorto em pensamentos na noite de Roma em \u201cO P\u00e1ssaro das Plumas de Cristal\u201d (1970), um dos cl\u00e1ssicos da filmografia de Dario Argento, oper\u00e1rio\/cineasta italiano e um dos principais nomes do giallo, g\u00eanero cinematogr\u00e1fico europeu com foco em tramas soturnas, envolvendo, muitas vezes, crimes sanguinolentos e, em v\u00e1rias pel\u00edculas, hist\u00f3rias de terror. No lugar errado, na hora errada, o escritor Dalmas, vivido por Tony Musante, testemunha um crime do qual acaba por se tornar suspeito pela pol\u00edcia local.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Corta para a noite de uma Salvador sombria, e Claudio, personagem de Marcus Curvelo (quase um s\u00f3sia de Tony Musante), caminha absorto em pensamentos semelhantes aos de Sam no Centro soteropolitano. Antes, uma figura misteriosa surge e passa a persegui-lo com uma navalha em punho. Vestida de noiva, com m\u00e1scara e luvas negras, ela define, com sua presen\u00e7a que beira o horripilante, a ambienta\u00e7\u00e3o do terror e do suspense que remete, em solo nordestino, ao adorado g\u00eanero &#8220;amarelo&#8221; das obras criadas por nomes de italianos como o pr\u00f3prio Argento e por Mario Bava. Trabalhos esses que, tamb\u00e9m, em sua atmosferas refletem-se em longas dirigidos por de Brian De Palma, Walter Hill e Martin Scorsese durante a prol\u00edfica d\u00e9cada de 1970.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cClaudio\u201d, o giallo baiano de Calebe Lopes, \u00e9 um filme\/clipe que ilustra, dentro da est\u00e9tica do g\u00eanero cinematogr\u00e1fico italiano, o EP lan\u00e7ado pela cantora Nana Lacrima, cujo trabalho nas tr\u00eas faixas que comp\u00f5em o lan\u00e7amento (&#8220;Tema di Claudio&#8221;,&#8221; Claudio, Tu&#8221; e &#8220;Nuda in Mezzo Alla Citt\u00e1&#8221;), casa de modo exato com a densa ambienta\u00e7\u00e3o cujo cinema setentista foi inspira\u00e7\u00e3o para Calebe na cria\u00e7\u00e3o de suas imagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Eu queria fazer um filme tipo Brian De Palma, mesclando influ\u00eancias hitchcockianas, de Dario Argento e de Mario Bava. E a\u00ed surgiu essa oportunidade com o trabalho de Nana, que j\u00e1 veio pronto. Ela j\u00e1 tinha composto as m\u00fasicas do EP como m\u00fasicas de giallo, influenciadas por trilhas de Enio Morricone e por Goblin, que \u00e9 a banda que fez as m\u00fasicas de v\u00e1rios filmes de Dario Argento. Essa proposta veio e eu abracei&#8221;, relembra Calebe, ao comentar a aproxima\u00e7\u00e3o com o projeto e suas influ\u00eancias na cria\u00e7\u00e3o. &#8220;Me pareceu uma oportunidade, inicialmente, de fazer um clipe com essa est\u00e9tica, mas, ao mesmo tempo, eu comecei a tentar enxergar que poderia ser uma coisa a mais. N\u00e3o sei se seria um filme, mas seria uma coisa maior. Teria um escopo maior, uma dura\u00e7\u00e3o maior, j\u00e1 que ela queria fazer um clipe para o EP inteiro, com as tr\u00eas m\u00fasicas&#8221;, complementa. O resultado final acabou sendo o de um curta metragem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Explorar os aspectos urbanos da capital baiana dentro dessa est\u00e9tica do cinema giallo, mas que, tamb\u00e9m, reflete muito do que foi feito em obras da chamada Nova Hollywood, movimento que revolucionou o audiovisual estadunidense entre 1969 e 1980, era um desafio que ainda n\u00e3o havia sido enfrentado pelo diretor. &#8220;Eu tenho me interessado muito por tentar retratar melhor Salvador nos filmes. Porque sempre foi uma coisa muito nula nos curtas que eu fazia. Eram curtas que pareciam que se passavam em qualquer lugar. N\u00e3o tinham uma identidade muito fixa de onde \u00e9 que se passavam. E eu, tamb\u00e9m, comecei a me interessar mais por paisagens noturnas, que \u00e9 uma coisa que remete a outro tipo de cinema do qual eu gosto muito, que \u00e9 o da Nova Hollywood. Aquela fase dos anos 1970 no cinema americano, thriller policial, muito noturno, muito sujo&#8221;, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Unir aquelas imagens \u00e0 proposta trazida pela m\u00fasica de Nana Lacrima foi um ponto cuja soma precisa coincidiu bastante com as influ\u00eancias da cantora e do diretor. &#8220;O EP sempre foi pensado como se fosse uma \u00fanica m\u00fasica em tr\u00eas partes, mas ele vem separado em tr\u00eas m\u00fasicas. \u00c9 muito cinematogr\u00e1fico. A primeira tem muito som dieg\u00e9tico, tem muito folley, tem som de passos, de grito, da noite. Ouvindo aquilo, fui come\u00e7ando a imaginar coisas a partir do que esse som me trazia, me provocava&#8221;, pontua Calebe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sintonia entre a compositora e o cineasta ficou evidente quando a influ\u00eancia da obra de Argento surgiu como um ponto em comum. &#8220;Lembro que passei pra ela \u2018O P\u00e1ssaro das Plumas de Cristal\u2019, que tem muitos planos em ruas vazias. E ela tinha pensado a mesma coisa. Hav\u00edamos pensado exatamente os mesmos planos do mesmo filme&#8221;, recorda-se Calebe. &#8220;E eu queria que a noite fosse meio esverdeada como \u2018Taxi Driver\u2019 (1976), como \u2018Ca\u00e7ador de Morte\u2019 (1978), de Walter Hill. Um dos planos iniciais em \u2018Claudio\u2019, que \u00e9 quando a noiva aparece pela primeira vez, \u00e9 um zoom muito longo, saindo de um pr\u00e9dio. A c\u00e2mera a encontra no meio da rua e vai dando um zoom. Aquilo ali \u00e9 inspirado por \u2018A Conversa\u00e7\u00e3o\u2019 (1974), do Coppola. S\u00e3o filmes que n\u00e3o t\u00eam exatamente a ver com giallo, mas est\u00e3o nessa mesma est\u00e9tica da noite suja&#8221;, esclarece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tema da Mostra Tiradentes desse ano, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/01\/20\/entrevista-raquel-hallak-e-francis-vogner-falam-sobre-o-retorno-ao-formato-presencial-da-mostra-de-cinema-de-tiradentes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cinema Mutir\u00e3o<\/a> \u00e9 uma caracter\u00edstica com a qual a filmografia de Calebe Lopes tem familiaridade. &#8220;Quando a gente pensa o cinema brasileiro dos \u00faltimos anos, principalmente de curta metragem, depois de tantos golpes contra a Cultura e contra o pr\u00f3prio cinema e contra os financiamentos, a gente sabe que durante os \u00faltimos anos tiveram que se organizar v\u00e1rios tipos de cinema de mutir\u00e3o pra continuar se fazendo filmes&#8221;, pontua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No artif\u00edcio de cria\u00e7\u00e3o do cinema como arte coletiva, essa ideia de mutir\u00e3o pode ser vista como uma das defini\u00e7\u00f5es para o processo de execu\u00e7\u00e3o desse trabalho. Calebe explica: &#8220;Essa ideia de coletividade \u00e9 que faz o cinema. E \u2018Claudio\u2019 \u00e9 isso. T\u00ednhamos um or\u00e7amento pequeno. E, por conta disso, uma equipe pequena na qual n\u00e3o havia fun\u00e7\u00f5es engessadas. Todo mundo meio que participava. A pr\u00f3pria Nana produz o filme. E ela foi atr\u00e1s, colocando a m\u00e3o na massa em muita coisa. Ela tem uma participa\u00e7\u00e3o criativa e pr\u00e1tica do set muito grande&#8221;, salienta o diretor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Calebe finaliza explicando como \u00e9 importante ter um primeiro filme dirigido por ele <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/01\/20\/entrevista-raquel-hallak-e-francis-vogner-falam-sobre-o-retorno-ao-formato-presencial-da-mostra-de-cinema-de-tiradentes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">selecionado para a Mostra de Tiradentes<\/a>. E vai al\u00e9m, pontuando a import\u00e2ncia disso no mesmo ano que o cinema baiano \u00e9 homenageado pela presen\u00e7a de Glenda Nic\u00e1cio e Ary Rosa. &#8220;Anteriormente, a (produtora) Olho de Vidro j\u00e1 tinha participado de Tiradentes com \u2018Onze Minutos\u2019, que Hilda (Lopes) dirigiu e eu montei. Mas com um filme dirigido por mim, \u00e9 a primeira vez. \u00c9 massa estar nessa leva. \u00c9 massa estar no mesmo ano em que Ary e Glenda est\u00e3o sendo homenageados. Eu acho que \u00e9 um momento importante do cinema baiano. E, ao mesmo tempo, \u00e9 interessante ver que o cinema experimental tem espa\u00e7o&#8221;, comemora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste papo com o Scream &amp; Yell, o jovem realizador aborda o processo de cria\u00e7\u00e3o de &#8220;Claudio&#8221;, al\u00e9m de aprofundar a influ\u00eancia do giallo e do cinema setentista da Nova Hollywood em sua carreira. Confira!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Nana Lacrima - &quot;Claudio&quot;  \u2022 EP\/Filme\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/IP3w86ndCIE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Calebe, h\u00e1 uma percept\u00edvel influ\u00eancia do giallo n\u00e3o somente em seu mais recente trabalho, &#8220;Claudio&#8221;, como em diversos outros curtas metragens dirigidos por voc\u00ea. Filmando desde a adolesc\u00eancia, como a marca desse cinema chegou a voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nO giallo est\u00e1 muito atrelado \u00e0 minha pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o com o cinema de g\u00eanero. Como sempre gosto de falar, fui uma crian\u00e7a evang\u00e9lica. Eu n\u00e3o podia assistir a filmes de terror, filme policial, filmes com viol\u00eancia. Ent\u00e3o, durante boa parte da minha vida, este tipo de filme, e at\u00e9 mesmo literatura, era algo muito proibido para mim. Mas foi ali no final da inf\u00e2ncia, aos dez anos mais ou menos, que conheci Arthur Conan Doyle, Edgard Allan Poe e Agatha Christie. E comecei a ler muito. Minha adolesc\u00eancia inteira, passei lendo Poe e Agatha Christie. E Poe tem tudo a ver com o cinema giallo. S\u00f3 que eu n\u00e3o fazia ideia de que isso existia. A partir dessa literatura que comecei a ter contato com o cinema de g\u00eanero, porque fui atr\u00e1s de filmes que eram adapta\u00e7\u00f5es de Edgar Allan Poe e de Agatha Christie. Comecei a ver alguns cl\u00e1ssicos e isso, automaticamente, j\u00e1 me puxou para o cinema noir. Quando eu estava pesquisando filmes dessa \u00e9poca, dos anos 1940 e 1950, ali no final, j\u00e1 em 1960, surge \u2018Psicose\u2019, que foi um filme que me marcou muito, pois me levou a querer ver mais coisas de Alfred Hitchcock. Talvez ele seja a principal refer\u00eancia para o cinema giallo. Porque est\u00e1 tudo ali. Desde a puls\u00e3o de morte, \u00e0 pr\u00f3pria sensualidade, o erotismo, a sexualidade muito forte. Todo o tratamento psicanal\u00edtico das tramas, tamb\u00e9m. Hitchcock \u00e9, talvez, a base para o que vem a ser o cinema giallo. E a\u00ed, de Hitchcock. fui conhecer Mario Bava, Dario Argento e, posteriormente, Brian De Palma, que \u00e9 um cineasta que bebeu muito de giallo e de Hitchcock. Ent\u00e3o, fui notando que as coisas iam se retroalimentando. Conforme o tempo foi passado, sempre foi um tipo de cinema que me interessou por causa desses elementos. Esse tratamento gr\u00e1fico e estilizado da viol\u00eancia sempre me interessou. Por gosto mesmo, eu nunca curti viol\u00eancia gr\u00e1fica realista no cinema. Quando comecei a fazer os filmes, fui descobrindo que essa artificialidade do cinema me interessava. O cinema enquanto farsa. Enquanto algo brega. Enquanto mentira, mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quanto mais falso e farsesco, melhor, ent\u00e3o.<\/strong><br \/>\nIsso. N\u00e3o me interessavam filmes naturalistas, realistas, dos quais comecei a me distanciar. Nos curtas que dirigia, ficava cada vez mais me aproximando dos filmes que trabalhavam essa artificialidade. O cinema dos anos 1960 e 1970, em especial o cinema giallo italiano, tem uma caracter\u00edstica que me marcou muito e que chamou muito a minha aten\u00e7\u00e3o: o sangue, nesse cinema, \u00e9 tinta guache. \u00c9 um sangue vermelho vivo que n\u00e3o parece de maneira nenhuma com o sangue do corpo humano. Era um sangue que s\u00f3 existia no cinema. E a\u00ed eu entendi que isso tinha tudo a ver com o tipo de filme que eu queria fazer. Que era justamente isso, de negar um tratamento realista por acreditar que o cinema pode tudo. O cinema pode ir aonde a vida n\u00e3o pode ir. E a\u00ed passei alguns anos querendo fazer alguma coisa giallo, mas nunca vi uma ideia que me atra\u00edsse. Nunca surgia alguma coisa muito boa que me movesse a isso. De uns tempos pra c\u00e1, essa vontade se aprofundou justamente por mergulhar na filmografia de Brian De Palma. Vendo De Palma, d\u00e1 pra voc\u00ea compreender melhor Htchcock, d\u00e1 pra voc\u00ea compreender melhor o giallo. Ele sintetiza tudo muito bem. E ele tem um interesse muito particular pela imagem. \u00c9 quase que um cineasta experimental. Porque ele est\u00e1 muito mais interessado com a imagem, com a mis-en- sc\u00e8ne, do que com o roteiro ou qualquer outra preocupa\u00e7\u00e3o que, geralmente, temos quando fazemos um filme. Inicialmente era isso. Eu queria fazer um filme tipo Brian De Palma, que fosse mesclando essas influ\u00eancias hitchcockianas, de Dario Argento e de Mario Bava. Eram os cineastas que eu mais gostava. E a\u00ed surgiu essa oportunidade com o trabalho de Nana, que j\u00e1 veio pronto. Ela j\u00e1 tinha composto as m\u00fasicas do EP como m\u00fasicas de giallo, influenciadas por trilhas de Enio Morricone e por Goblin, que \u00e9 a banda que fez as m\u00fasicas de v\u00e1rios filmes de Dario Argento. Essa proposta veio e eu abracei. Me pareceu uma oportunidade, inicialmente, de fazer um clipe com essa est\u00e9tica, mas, ao mesmo tempo, eu comecei a tentar enxergar que poderia ser uma coisa a mais. N\u00e3o sei se seria um filme, mas seria uma coisa maior. Teria um escopo maior, uma dura\u00e7\u00e3o maior, j\u00e1 que ela queria fazer um clipe para o EP inteiro, com as tr\u00eas m\u00fasicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Enxergar em Salvador, na sua arquitetura e nos aspectos da cidade, as possibilidades de cria\u00e7\u00e3o de uma atmosfera giallo, foi dif\u00edcil? Como foi ter essa percep\u00e7\u00e3o da capital baiana como um local com essas caracter\u00edsticas para o curta\/clipe que ilustra o EP lan\u00e7ando por Nana Lacrima?<\/strong><br \/>\nVendo os filmes do giallo, comecei a tentar linkar a arquitetura deles com coisas daqui de Salvador, que \u00e9 uma coisa minha j\u00e1 h\u00e1 um tempo. Costumo assistir a filmes europeus e perceber na arquitetura de pa\u00edses como It\u00e1lia e Portugal coisas muito parecidas com o Centro aqui de Salvador, com o Pelourinho, com o Carmo. Eu sempre tenho impress\u00f5es assim quando estou vendo algum filme desse tipo. De que tem ruas muito parecidas, de que poderia ser uma rua de Salvador aquela rua da It\u00e1lia. Inicialmente, Nana queria gravar na It\u00e1lia. Ap\u00f3s conversarmos, veio a ideia de ser aqui em Salvador porque ela j\u00e1 estava vindo para c\u00e1. Eu levei essa ideia de aproveitarmos o Centro por causa dessa percep\u00e7\u00e3o pregressa de que tinha a ver, de que essa regi\u00e3o de Salvador dialogava com essa paisagem da It\u00e1lia dos anos 1960. E paralelo a isso, tem as minhas pr\u00f3prias vontades e desejos enquanto cineasta. Tenho me interessado muito por tentar retratar melhor Salvador nos filmes. Porque sempre foi uma coisa muito nula nos curtas que eu fazia. Eram curtas que pareciam que se passavam em qualquer lugar. N\u00e3o tinham uma identidade muito fixa de onde \u00e9 que se passavam. E eu, tamb\u00e9m, comecei a me interessar mais por paisagens noturnas, que \u00e9 uma coisa que remete a outro tipo de cinema do qual eu gosto muito, que \u00e9 o da Nova Hollywood. Aquela fase dos anos 1970 no cinema americano, thriller policial americano, muito noturno, muito sujo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-71820\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/claudio2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/claudio2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/claudio2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A partir da influ\u00eancia visual de quais outros filmes desse per\u00edodo essa jun\u00e7\u00e3o de ideias entre voc\u00ea e Nana evoluiu?<\/strong><br \/>\nEu e Nana passamos um longo per\u00edodo trocando refer\u00eancias e conversando ideias antes de gravar. Lembro que passei pra \u201cO P\u00e1ssaro das Plumas de Cristal\u201d, que tem muitos planos em ruas vazias. E ela tinha pensado a mesma coisa. Lembro que ela falou que hav\u00edamos pensado exatamente os mesmos planos do mesmo filme. E tem uma proximidade. Mas, ao mesmo tempo, vieram refer\u00eancias tamb\u00e9m desse cinema americano dos anos 1970. Lembro que eu queria que a noite fosse meio esverdeada como \u201cTaxi Driver\u201d, como \u201cCa\u00e7ador de Morte\u201d, de Walter Hill. Um dos planos iniciais em \u201cClaudio\u201d, que \u00e9 o plano no qual aparece pela primeira vez a noiva, \u00e9 um zoom muito longo, saindo de um pr\u00e9dio. A c\u00e2mera a encontra no meio da rua e vai dando um zoom. Aquilo ali \u00e9 inspirado por \u201cA Conversa\u00e7\u00e3o\u201d, do Coppola. S\u00e3o filmes que n\u00e3o t\u00eam exatamente a ver com giallo, mas est\u00e3o nessa mesma est\u00e9tica da noite suja. E o cen\u00e1rio do Centro de Salvador proporciona isso at\u00e9 mais do que eu imaginava. Porque a gente foi discutindo loca\u00e7\u00f5es e pesquisando imagens, e tudo mais, mas a gente n\u00e3o teve uma visita de loca\u00e7\u00e3o pr\u00e9via. Klaus (Hastenreiter, produtor) passou por alguns lugares de carro, anotou, pensou algumas possibilidades, mas eu n\u00e3o tinha ido. E esse filme\/clipe, em especial, tinha essa particularidade de que a gente ia decupar na hora. Ent\u00e3o, isso \u00e9 diferente de todas as outras coisas que fiz em outros filmes. Tem tempo que eu n\u00e3o decupava as coisas assim na hora. Assim, o processo de gravar o filme era, tamb\u00e9m, de ir encontrando as loca\u00e7\u00f5es conforme a gente gravava e descobrindo formas de film\u00e1-las com base no que previamente quer\u00edamos. Por exemplo, a gente queria fazer esse plano influenciado por \u201cA Conversa\u00e7\u00e3o\u201d saindo do terra\u00e7o do Cine Glauber. Isso j\u00e1 estava pr\u00e9-definido. Usar a escadaria ali da Barroquinha, tamb\u00e9m, era algo j\u00e1 pr\u00e9-definido. Mas teve loca\u00e7\u00f5es que a gente descobriu na hora, porque, tamb\u00e9m, tem o fator chuva que teve no dia em que est\u00e1vamos gravando. Ent\u00e3o, atrapalhou a loca\u00e7\u00e3o que a gente tinha pensado. Enfim, teve muita coisa de improviso. Muita coisa de intuitivo, tamb\u00e9m, nessa escolha de loca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mesmo trazendo uma Salvador soturna e noturna, h\u00e1 imagens ensolaradas, tamb\u00e9m.<\/strong><br \/>\nSim. A ideia de filmar durante o dia era, tamb\u00e9m, para contrastar. Porque eu queria que o filme fosse muito noturno, mas, ao mesmo tempo, a gente tinha essas ideias de trabalhar um flashback. Ent\u00e3o, esse flashback tinha que ser o mais distante poss\u00edvel das imagens que a gente estava fazendo, que seriam as imagens da narrativa principal, por assim dizer. Ent\u00e3o, s\u00e3o imagens digitais que gravamos com c\u00e2mera cybershot muito antiga, de qualidade muito vagabunda. E todas as imagens de dia, ensolaradas, uma outra Salvador. Muito distante daquela que hav\u00edamos filmado \u00e0 noite. Mas, enfim, \u00e9 isso. Acho que tentei encontrar essas semelhan\u00e7as de arquitetura, porque Salvador acaba sendo, como a It\u00e1lia, tamb\u00e9m muito barroca na sua arquitetura. E ao mesmo tempo tentar encontrar semelhan\u00e7as com o tipo de filme que quer\u00edamos fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi a aproxima\u00e7\u00e3o entre voc\u00ea e Nana? As m\u00fasicas do EP foram compostas antes do filme? A ideia sempre foi um curta metragem unindo as imagens das tr\u00eas m\u00fasicas?<\/strong><br \/>\nEla j\u00e1 tinha as m\u00fasicas prontas. O EP sempre foi pensado como se fosse uma \u00fanica m\u00fasica em tr\u00eas partes, mas ele vem separado em tr\u00eas m\u00fasicas. Ela me mandou um arquivo com as tr\u00eas para eu ouvir diretamente. E \u00e9 muito cinematogr\u00e1fico. A primeira m\u00fasica tem muito som dieg\u00e9tico, muito folley, tem som de passos, de grito, da noite, sabe? Ouvindo aquilo, fui come\u00e7ando a imaginar coisas a partir do que esses sons me traziam, me provocavam. N\u00e3o teve essa ideia, por exemplo, de traduzir exatamente o que as m\u00fasicas est\u00e3o falando. Por isso que era uma coisa que eu queria, inicialmente, que n\u00e3o tivesse legendas, por exemplo. Porque eu queria que fossem as imagens que trouxessem e que a m\u00fasica fosse um complemento para essas imagens, sabe? Ent\u00e3o, a constru\u00e7\u00e3o emocional viria de um outro lugar. N\u00e3o viria do sentido do que est\u00e1 sendo dito. Ainda assim, tem semelhan\u00e7as e pontos em comum entre as letras das m\u00fasicas e o que a gente filmou. E a\u00ed come\u00e7ou a vir ideias e conversas com Nana sobre ideias que ela gostava, que ela n\u00e3o gostava, e acabou que eu fui rascunhando um roteiro que era, na verdade, um guia de imagens que poder\u00edamos fazer e da hist\u00f3ria que a gente estava contando. Se eu n\u00e3o me engano, eram duas p\u00e1ginas s\u00f3 com ideias de persegui\u00e7\u00e3o, de flashback, quem eram esses personagens, de como seria a cena do carro, coisas assim. Foi um roteiro bem livre. E foi uma experi\u00eancia interessante. Isso de fazer um filme em que a parte do \u00e1udio j\u00e1 vem pronta. Eu n\u00e3o pensei o \u00e1udio do filme. Ent\u00e3o, ele j\u00e1 vem pronto e a\u00ed voc\u00ea tem essa tarefa de construir em cima.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-71821\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/claudio3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/claudio3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/claudio3-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E dirigir Marcus Curvelo, algu\u00e9m cujo trabalho como diretor e ator j\u00e1 \u00e9 t\u00e3o not\u00f3rio. Como foi essa aproxima\u00e7\u00e3o entre voc\u00eas para essa parceria?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s gravamos o filme\/clipe em mar\u00e7o de 2022. Em dezembro de 2021, eu tinha viajado para um festival no Rio Grande do Sul para representar a (produtora) Olho de Vidro em um filme que Klaus tinha dirigido. E Marcus tamb\u00e9m estava com um filme selecionado. Acabamos indo no mesmo voo e passamos muito tempo conversando l\u00e1. E foi se formando uma bela amizade e come\u00e7amos a pensar em algo para fazermos juntos. Mas ainda n\u00e3o sab\u00edamos o que seria. Quando eu estava, tempos depois, construindo o roteiro com Nana, tinha todo um background dos personagens que acabou n\u00e3o entrando no filme em si. Mas, na minha cabe\u00e7a, esse cara que a noiva persegue, era um cineasta frustrado. Eu pensava que ele seria uma esp\u00e9cie de esquerdo-macho (risos). E a\u00ed come\u00e7amos a brincar com isso, de pensar esse cineasta frustrado que est\u00e1 sendo perseguido e tudo mais. E lembrei de Curvelo. Pensei: &#8220;Caramba, Curvelo \u00e9 perfeito porque ele tem essa energia, inclusive dos atores de giallo&#8221;. A gente estava falando agora sobre \u201cO P\u00e1ssaro das Plumas de Cristal\u201d, do Argento. Eu acho que o protagonista desse filme lembra muito o Marcus Curvelo. At\u00e9 fisicamente. O cabelo cacheado, e tudo mais. E ele tem essa cara de cara errado na hora errada, no lugar errado. E, pra mim, tinha tudo a ver. Porque giallo \u00e9 isso, tamb\u00e9m. Geralmente, quem vai resolver o mist\u00e9rio \u00e9 uma pessoa que n\u00e3o tem nada a ver com aquilo e que acaba sendo inclu\u00edda ali. Nunca \u00e9 a pol\u00edcia que resolve. \u00c9 a pessoa que n\u00e3o tinha nada a ver com a hist\u00f3ria e que est\u00e1 inclusa ali. E a\u00ed, pra mim, ele tinha cara disso. Falei com Nana, e ela me disse que j\u00e1 o conhecia, e que j\u00e1 tinha trabalhado com ele anteriormente. E ela achou incr\u00edvel a ideia. Em seguida, fui falar com o pessoal da Olho de Vidro, todo mundo gostou, tamb\u00e9m. Acabamos fazendo o convite. Marcus topou imediatamente e foi muito bom. Porque ele \u00e9 um cineasta de filmes majoritariamente de com\u00e9dia. E em &#8220;Claudio&#8221;, ele faz um neg\u00f3cio sanguinolento, esquisito e com um suspense. E n\u00e3o tem di\u00e1logos. Ent\u00e3o, era uma coisa muito de fisicalidade, mesmo. E ele levou super a s\u00e9rio, fez super bem. E o tempo todo estava Curvelo caindo, correndo, sangrando, se acabando todo (risos). E ele topou tudo muito bem. E n\u00e3o tinha problema em ir refazendo. Estava sempre bem interessado em fazer o melhor e ir repetindo. Foi uma experi\u00eancia muito massa. Eu espero fazer mais filmes com ele. Foi muito bom e surpreendente para mim o quanto que ele combinou com a proposta que a gente tinha. No final, acabei brincando com ele dizendo que, agora, era eu quem tinha que atuar em alguma coisa dele.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-71822\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/claudio4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/claudio4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/claudio4-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesse ano, o tema da Mostra de Cinema de Tiradentes \u00e9 &#8220;Cinema Mutir\u00e3o&#8221;, algo que reflete muito o tipo de cinema que voc\u00ea j\u00e1 vem fazendo h\u00e1 dez anos em Salvador. Ter esse trabalho selecionado para a Mostra se torna algo ainda mais simb\u00f3lico.<\/strong><br \/>\nEsse tema da Mostra Tiradentes desse ano \u00e9 muito interessante. Porque quando a gente pensa o cinema brasileiro dos \u00faltimos anos, principalmente de curta metragem, depois de tantos golpes contra a Cultura e contra o pr\u00f3prio cinema e aos financiamentos da Cultura, a gente sabe que durante os \u00faltimos anos tiveram que se organizar v\u00e1rios tipos de cinema de mutir\u00e3o pra continuar se fazendo filmes. O pr\u00f3ximo filme que a Olho de Vidro vai lan\u00e7ar, que j\u00e1 est\u00e1 gravado, ele foi escrito durante a pandemia considerando que seria uma equipe min\u00fascula, feito sem dinheiro, s\u00f3 com dois personagens, sabe? Tipo, filme de guerrilha, mesmo. E eu acho que, nos \u00faltimos anos, da quarentena pra c\u00e1, cresceu ainda mais o n\u00famero de filmes de guerrilha, filmes caseiros, filmes feitos com amigos. Ent\u00e3o, eu acho interessante esse conceito vir agora. Essa ideia de coletividade que faz o cinema. E \u201cClaudio\u201d \u00e9 isso. Porque t\u00ednhamos um or\u00e7amento pequeno. E, por conta disso, a gente tamb\u00e9m tinha uma equipe pequena. E uma equipe tamb\u00e9m na qual n\u00e3o havia fun\u00e7\u00f5es engessadas. Todo mundo meio que participava. A pr\u00f3pria Nana produz o filme. E ela foi atr\u00e1s, colocando a m\u00e3o na massa em muita coisa. Ela tem uma participa\u00e7\u00e3o criativa e pr\u00e1tica, mesmo, do set, muito grande. Lembrei agora que essa foi at\u00e9 uma quest\u00e3o comigo. Porque quando ela veio me chamar pra fazer o clipe e a gente estava tendo ideias, eu estava muito receoso porque nunca havia trabalhado com ela. Eu n\u00e3o sabia como era. E a\u00ed eu fui explicar que a equipe teria que ser pequena, e as condi\u00e7\u00f5es para a gente trabalhar e tudo mais. E ela disse: &#8220;N\u00e3o, fique tranquilo que j\u00e1 estou muito acostumada com a guerrilha.&#8221; E na pr\u00e1tica foi isso. Ela j\u00e1 estava muito acostumada com guerrilha e correu tudo bem. E, ao mesmo tempo, eu achei interessante que sejam filmes experimentais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A mostra Panorama, de Tiradentes, traz trabalhos assim, nesse perfil experimental, de fato.<\/strong><br \/>\nIsso. O pr\u00f3prio &#8220;Claudio&#8221; eu acho interessante inscrev\u00ea-lo como filme experimental porque a tentativa foi justamente essa de borrar os limites entre o que seria v\u00eddeo clipe e curta metragem, mas, tamb\u00e9m, experimentar at\u00e9 onde poder\u00edamos ir em termos est\u00e9ticos. Eu gosto de falar que ele \u00e9 um filme que nasce muito na montagem, tamb\u00e9m. A estrutura dele toda vem muito da montagem. \u00c9 como eu falei: \u00e9 um filme que foi decupado na hora. Ele n\u00e3o tinha um roteiro espec\u00edfico e muito detalhado. N\u00e3o tinha storyboard. Ele n\u00e3o tinha nada. Ele nasceu na montagem. Ent\u00e3o, eu e Nana fomos descobrindo muita coisa durante o per\u00edodo de montagem. Eu montava, mandava pra ela, a gente discutia. Eu montava, mandava pra Olho de Vidro, a gente discutia todo mundo. Foi um processo longo. Ent\u00e3o, o filme entra nesse car\u00e1ter experimental justamente por causa disso. Ele foi um filme descoberto na montagem, sabe? E a\u00ed \u00e9 sempre massa, tamb\u00e9m, a gente ver essa sele\u00e7\u00e3o pra Tiradentes. Primeiro porque \u00e9 sempre uma presen\u00e7a muito boa em um dos grandes festivais do pa\u00eds. Sempre foi uma vontade muito grande minha de participar. \u00c9 a primeira vez que eu estou participando com um filme dirigido por mim. Anteriormente, a Olho de Vidro j\u00e1 tinha participado com \u201cOnze Minutos\u201d, que Hilda dirigiu e eu montei. Mas com um filme dirigido por mim, \u00e9 a primeira vez. E \u00e9 massa estar nessa leva. \u00c9 massa estar no mesmo ano em que Ary e Glenda est\u00e3o sendo homenageados. Eu acho que \u00e9 um momento importante do cinema baiano. E, ao mesmo tempo, \u00e9 interessante ver que o cinema experimental tem espa\u00e7o, sabe? Que atualmente, por mais que eu seja um cineasta de filmes de fic\u00e7\u00e3o, e \u00e9 uma coisa que eu quero fazer sempre, eu me sinto uma pessoa que tem experimentado cada vez mais, sabe? Cada vez mais assim. Eu n\u00e3o sei at\u00e9 onde eu vou, mas nas coisas que tenho feito e nas que ainda vou fazer, eu tenho sentido essa necessidade de ir esticando a corda da linguagem pra ver at\u00e9 onde eu consigo ir. Ent\u00e3o, \u00e9 massa estar nesse lugar \u2013 e nessa mostra especificamente \u2013 esse ano.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-71823\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/claudio5.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"318\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/claudio5.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/claudio5-300x127.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde e assina o blog\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pel\u00edcula Virtual<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Mostra de Cinema de Tiradentes traz &#8220;Claudio&#8221;, thriller de Calebe Lopes, que ilustra, sob a influ\u00eancia do g\u00eanero italiano de suspense e mist\u00e9rio, a m\u00fasica de Nana Lacrima. Assista!\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/01\/23\/entrevista-o-cineasta-calebe-lopes-fala-sobre-a-influencia-giallo-no-curta-claudio-exibido-na-26a-mostra-de-cinema-de-tiradentes\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":71819,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4,3],"tags":[6544],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71817"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71817"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71817\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":71826,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71817\/revisions\/71826"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/71819"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71817"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=71817"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=71817"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}