{"id":71767,"date":"2023-01-18T02:43:17","date_gmt":"2023-01-18T05:43:17","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=71767"},"modified":"2023-02-27T23:52:01","modified_gmt":"2023-02-28T02:52:01","slug":"entrevista-celso-sim-homenageia-o-samba-e-a-divina-elizeth-cardoso-em-disco-com-joao-camarero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/01\/18\/entrevista-celso-sim-homenageia-o-samba-e-a-divina-elizeth-cardoso-em-disco-com-joao-camarero\/","title":{"rendered":"Entrevista: Celso Sim homenageia o samba e a Divina Elizeth Cardoso em disco com Jo\u00e3o Camarero"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Celso Sim e Jo\u00e3o Camarero constru\u00edram carreiras distintas, mas foram as afinidades musicais e a admira\u00e7\u00e3o e devo\u00e7\u00e3o pelo samba que os fizeram unir for\u00e7as que resultaram no disco \u201cDivina D\u00e1diva-D\u00edvida\u201d (2022), lan\u00e7ado em 02 de dezembro, data em que se celebra o Dia Nacional do Samba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDivina D\u00e1diva-D\u00edvida\u201d homenageia a cantora Elizeth Cardoso e, tamb\u00e9m, dialoga profundamente com o Brasil contempor\u00e2neo. \u201cDivina \u00e9 o codinome de Elizeth. D\u00e1diva-D\u00edvida \u00e9 o Brasil. Divina D\u00e1diva-D\u00edvida \u00e9 a Elizeth Brasil Cardoso: o Brasil profundo sem fundo, a divina d\u00e1diva da esperan\u00e7a que \u00e9, tamb\u00e9m, d\u00edvida. A d\u00e1diva-d\u00edvida como heran\u00e7a&#8221;, explica Celso Sim. O \u00e1lbum aposta num formato intimista, voz e viol\u00e3o, e \u00e9 composto por 16 faixas, entre elas can\u00e7\u00f5es e textos que v\u00e3o de Noel Rosa a Davi Kopenawa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste bate papo, Celso fala sobre o in\u00edcio de sua rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica e com o samba, como se deu a sua aproxima\u00e7\u00e3o com o violonista Jo\u00e3o Camareiro, o processo de grava\u00e7\u00e3o e sele\u00e7\u00e3o do repert\u00f3rio presente no disco, o di\u00e1logo com o trabalho de autores como Oswald de Andrade, Grace Pass\u00f4 e David Kopenawa, o samba na contemporaneidade, planos futuros e muito mais.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Divina D\u00e1diva D\u00edvida\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_nyjNOCVHbQHkwJyzxp6k-FoYtgixkstEk\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Antes de falar sobre o projeto em si gostaria que voc\u00ea falasse de sua rela\u00e7\u00e3o com o universo da m\u00fasica. Em que momento voc\u00ea percebeu que isso se tornaria algo para toda vida?<\/strong><br \/>\nO universo da m\u00fasica foi percebido, primeiro inconscientemente, como um campo magn\u00e9tico\/el\u00e9trico que imantava o espa\u00e7o e o tempo da exist\u00eancia como uma perspectiva de sonho l\u00facido na minha inf\u00e2ncia. Quando fui morar em Viena\/\u00c1ustria, em 1990, com Jorge Mautner (tr\u00eas meses ap\u00f3s chegarmos iniciamos uma pequena temporada no Graumann Theater, cantando m\u00fasicas de Dorival Caymmi e do Mautner) compreendi que a m\u00fasica seria uma travessia sem fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como se deu o encontro entre voc\u00ea e Jo\u00e3o Camarero? Quais as afinidades foram cruciais para que voc\u00eas decidissem dar prosseguimento com o projeto?<\/strong><br \/>\nNosso encontro se deu durante a pandemia, numa janela de esperan\u00e7a proporcionada por Fernanda Diamant, uma amiga em comum. As afinidades eletivas foram e s\u00e3o o cancioneiro da eterna guarda, tamb\u00e9m chamada de velha guarda. A m\u00fasica popular brasileira, o samba, os choros, as valsas e Villa Lobos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco promove uma bela homenagem ao samba, tendo o trabalho de Elizeth Cardoso como ponto central. Por que Elizeth?<\/strong><br \/>\nJo\u00e3o Camarero lan\u00e7ou a senha, Elizeth Cardoso, por causa das nossas afinidades eletivas, das alegrias das influ\u00eancias. Nesse som e sentido, escapar dos sambas seria for\u00e7oso demais, sendo a Divina Elizeth uma das mais brilhantes int\u00e9rpretes do g\u00eanero samba. A cria\u00e7\u00e3o do repert\u00f3rio se deu a partir da can\u00e7\u00e3o \u201cSerra da Boa Esperan\u00e7a\u201d, contraditoriamente uma can\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 um samba, mas foi essa esperan\u00e7a de um Brasil mais bonito que nos levou \u00e0s outras m\u00fasicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O repert\u00f3rio traz \u00e0 tona cl\u00e1ssicos atemporais como &#8220;Luz Negra&#8221;, &#8220;Chega de Saudade&#8221; e &#8220;Ch\u00e3o de Estrelas&#8221;, entre tantos outros. Como se deu a sele\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nA dramaturgia deste \u00e1lbum teve in\u00edcio na constata\u00e7\u00e3o que a can\u00e7\u00e3o, \u201cSerra da Boa Esperan\u00e7a\u201d, \u00e9 uma declara\u00e7\u00e3o de amor ao territ\u00f3rio, a uma topografia e \u00e0s gentes e culturas que o habitam. O \u00e1lbum cont\u00e9m 12 faixas de can\u00e7\u00f5es e 4 faixas de poemas, textos, tamb\u00e9m musicados, comentados pelo viol\u00e3o generoso de Jo\u00e3o. Al\u00e9m dessas 12 can\u00e7\u00f5es, pesquisamos e ensaiamos outras tamb\u00e9m cantadas pela Divina Elizeth, mas a liberdade \u00e9 a consci\u00eancia do limite e nosso limite era gravarmos apenas 12. A partir de um momento, de um n\u00facleo de can\u00e7\u00f5es, s\u00e3o elas que decidem quem pode e deve ficar no repert\u00f3rio, e eu e Jo\u00e3o nos tornamos apenas o meio de express\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Divina D\u00e1diva D\u00edvida&#8221; \u00e9 um trabalho conceitual que muito diz sobre o Brasil atual. Qual o conceito impresso do disco e quais s\u00e3o as inten\u00e7\u00f5es que voc\u00eas alimentam para com o p\u00fablico?<\/strong><br \/>\nEsse trabalho \u00e9 uma homenagem antropof\u00e1gica \u00e0 nobreza e singularidade de uma cantora mestra, mulher negra, art\u00edstica e existencialmente \u00e0 frente de seu tempo. O conceito, se h\u00e1, \u00e9 uma declara\u00e7\u00e3o de amor ao Brasil, \u00e0 complexidade cultural e est\u00e9tica desse pa\u00eds fadado a uma grandeza que parece n\u00e3o caber no presente, mas que insistimos que caiba, que se fa\u00e7a presente no agora, na hora mais ag\u00f4nica e na mais faceira, toda hora \u00e9 hora de sermos divinos. Que o p\u00fablico possa receber esse Ax\u00e9 como uma vitamina de ressurrei\u00e7\u00e3o para levantarmos o c\u00e9u e o sustentarmos, sabendo que tudo \u00e9 &#8220;perigoso, divino, maravilhoso, \u00e9 preciso estar atento e forte, n\u00e3o temos tempo de temer a morte&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas lan\u00e7aram o disco na data em que se comemora o Dia Nacional do Samba. Como se deu a aproxima\u00e7\u00e3o de voc\u00eas com o samba e como voc\u00eas o veem na atualidade?<\/strong><br \/>\nO samba atravessou e atravessa nossas mem\u00f3rias que s\u00e3o mem\u00f3rias coletivas, da minha fam\u00edlia e, provavelmente, da fam\u00edlia de Jo\u00e3o tamb\u00e9m. A admira\u00e7\u00e3o pela obra de Elizeth Cardoso \u00e9 uma travessia pelo samba, ou melhor, pelos sambas. O samba \u00e9 como a \u00e1gua, dela voc\u00ea bebe, voc\u00ea se banha, voc\u00ea cozinha, nada, navega, transpira, dan\u00e7a, paquera, trepa e ressuscita. O samba \u00e9, os outros s\u00e3o. O samba est\u00e1 vivo na voz, na obra e no corpo de Clementina de Jesus a Ludmilla, de Jo\u00e3o da Baiana a Mano Brown, De Pixinguinha a Guinga, de Villa Lobos a Elza Soares, de Dorival Caymmi a Criolo, de Garrincha e Pel\u00e9 a Fabiana Cozza, de Dona Ivone Lara a Rodrigo Campos. Uai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As faixas do disco s\u00e3o entrecortadas por introdu\u00e7\u00f5es que citam textos de Oswald de Andrade, Grace Pass\u00f4 e David Kopenawa que, por mais tenham sido escritos em tempos distintos, abordam as agruras do Brasil contempor\u00e2neo. Para tanto, qual a import\u00e2ncia de trazer \u00e0 tona os trabalhos desses autores?<\/strong><br \/>\nDavi, Oswald e Grace s\u00e3o urg\u00eancias atemporais do Brasil profundo e contempor\u00e2neo, do amor=humor, da d\u00e1diva-d\u00edvida, de futuros que n\u00e3o cessam. Ele(a)s est\u00e3o presentes como coment\u00e1rios que s\u00e3o pontes de linguagens de arte para embaralhar sentidos e fronteiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais s\u00e3o os planos futuros? Pretendem excursionar com o projeto?<\/strong><br \/>\nPlanos de volumes de um Brasil mais generoso com a arte e a cultura, para a coexist\u00eancia do artesanal e do industrial, da delicadeza e da massa, do sublime e da pancada, de muitos horizontes no porvir. Pretendemos excursionar pelo Brasil e pelo planeta, \u00e9 o m\u00ednimo para tanta fome.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-71768\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Divina-Dadiva-Divida-2-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1479\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Divina-Dadiva-Divida-2-1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Divina-Dadiva-Divida-2-1-152x300.jpg 152w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Bruno Lisboa<\/a>\u00a0 escreve no Scream &amp; Yell desde 2014. A foto que abre o texto \u00e9 de Pablo Saborido<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O \u00e1lbum aposta num formato intimista, voz e viol\u00e3o, e \u00e9 composto por 16 faixas, entre elas can\u00e7\u00f5es e textos que v\u00e3o de Noel Rosa a Davi Kopenawa.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/01\/18\/entrevista-celso-sim-homenageia-o-samba-e-a-divina-elizeth-cardoso-em-disco-com-joao-camarero\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":71769,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[6540,6541],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71767"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71767"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71767\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":71773,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71767\/revisions\/71773"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/71769"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71767"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=71767"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=71767"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}