{"id":71752,"date":"2023-01-16T12:42:01","date_gmt":"2023-01-16T15:42:01","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=71752"},"modified":"2023-03-22T01:56:25","modified_gmt":"2023-03-22T04:56:25","slug":"entrevista-sidney-magal-fala-sobre-o-revisitar-de-sua-trajetoria-com-o-otimo-documentario-me-chama-que-eu-vou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/01\/16\/entrevista-sidney-magal-fala-sobre-o-revisitar-de-sua-trajetoria-com-o-otimo-documentario-me-chama-que-eu-vou\/","title":{"rendered":"Entrevista: Sidney Magal fala sobre o revisitar de sua trajet\u00f3ria com o \u00f3timo document\u00e1rio &#8220;Me Chama Que Eu Vou&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 um corte preciso na montagem de \u201cMe Chama Que Eu Vou\u201d (2023), filme dirigido por Joana Mariani, que define, logo em seus minutos iniciais, a ideia de contraste e de equil\u00edbrio entre dois indiv\u00edduos diferentes. Ambos sempre existiram na mesma presen\u00e7a f\u00edsica. Mas o dono dessa presen\u00e7a faz quest\u00e3o de salientar que eles n\u00e3o s\u00e3o a mesma pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa jun\u00e7\u00e3o, trazida pela montagem de Eduardo Gripa, entre os dois momentos distintos da vida do cantor Sidney Magal, ap\u00f3s uma fren\u00e9tica sele\u00e7\u00e3o de imagens de uma carreira fervilhante durante os anos 1970, o vemos, ainda jovem, ser arguido em uma entrevista sobre seu futuro. Na resposta, Magal brinca que a cigana ainda n\u00e3o lhe disse qual \u00e9 o seu futuro, em uma alus\u00e3o \u00e0 letra de um dos maiores sucessos de sua longeva trajet\u00f3ria art\u00edstica, a m\u00fasica \u201cSandra Rosa Madalena\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Exatamente aqui, o sorriso do jovem gal\u00e3 Magal \u00e9 substitu\u00eddo pela serenidade de um senhor que j\u00e1 alcan\u00e7ou os 70 anos de idade, algu\u00e9m chamado Sidney de Magalh\u00e3es, e que, desde meados dos anos 1990, escolheu Salvador como cidade para viver sua fase de mais calmaria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Para mim, \u00e9 importante que as pessoas saibam que por tr\u00e1s desse artista que est\u00e1 conseguindo ficar j\u00e1 quase sessenta anos em cartaz, existe um homem equilibrado. Algu\u00e9m que, exatamente, equilibrou a vida pessoal com a vida art\u00edstica de uma forma muito espont\u00e2nea e muito prazerosa&#8221;, explica Sidney Magal nesse papo por telefone com o Scream &amp; Yell. &#8220;Eu sou uma pessoa que sempre fui muito fam\u00edlia. Sou casado com uma baiana, a Magali, j\u00e1 h\u00e1 43 anos. O fato de eu ter me mudado do Rio de Janeiro para morar em Salvador foi para ter uma vida mais simples, uma vida mais natural, mais prazerosa. Tudo sempre muito em fun\u00e7\u00e3o da minha fam\u00edlia. E isso sabendo que eu posso correr o Brasil inteiro como o Magal, que \u00e9 o que as pessoas querem e esperam de mim&#8221;, complementa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na trajet\u00f3ria de Sidney Magal trazida pelo document\u00e1rio \u201cMe Chama Que Eu Vou\u201d, em cartaz nos cinemas, o espectador passa por um fen\u00f4meno midi\u00e1tico que contestou uma falsa ideia do que seria &#8220;bom gosto&#8221;. Inicialmente rejeitado por uma parcela da m\u00eddia, o cantor, que come\u00e7ou sua carreira na noite carioca cantando em churrascarias, e que, ap\u00f3s um per\u00edodo excursionando pela Europa com o sobrenome Rossi, voltou batizado como Magal, se tornou, a partir de 1976, uma febre entre f\u00e3s. Em sua maioria, como notoriamente \u00e9 sabido, mulheres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conseguindo reunir os atributos de uma beleza latina e uma voz grave e inconfund\u00edvel, Sidney Magal se tornou um \u00edcone da cultura popular, sendo abra\u00e7ado principalmente pela parcela mais simples da sociedade, mas vendo sua fama alcan\u00e7ar, tamb\u00e9m, uma pretensa e arrogante &#8220;elite&#8221; que, inicialmente, o desprezou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Na d\u00e9cada de 1970, havia uma discrimina\u00e7\u00e3o social muito grande. Todo artista que era consumido pelas pessoas mais humildes, pelo gari na rua, pela empregada dom\u00e9stica, pelo aluno de escola p\u00fablica, pela dona de casa do interior, geralmente, era discriminado pela classe social de outras pessoas. Ent\u00e3o, elas tinham que perceber que, para a m\u00fasica, n\u00e3o existe isso. Quer dizer, quem gosta do Michael Jackson, por exemplo, pode ser do mendigo que mora na rua at\u00e9 o rei da Inglaterra. M\u00fasica \u00e9 m\u00fasica. Ela te atinge ou n\u00e3o te atinge. Ela te faz bem ou n\u00e3o te faz bem. E essa mudan\u00e7a foi acontecendo devagarzinho&#8221;, relembra Magal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao falar do per\u00edodo em que ainda galgava os degraus da fama, o artista relembra dos percal\u00e7os em uma fase na qual at\u00e9 o jornalismo cultural e suas emissoras de TV e r\u00e1dio jogavam contra. &#8220;Nos anos 1970, eu sofri bastante com isso. Preconceito de imprensa, preconceito de r\u00e1dios FM, que n\u00e3o tocavam os artistas mais populares. Isso a\u00ed prejudicava o trabalho da gente. N\u00e3o deixava a gente caminhar \u00e0 vontade. Quando isso foi caindo por terra, o Brasil foi percebendo a sua popularidade, a sua forma simples de ser&#8221;, salienta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chamado de cigano de araque e de fabricado at\u00e9 o pesco\u00e7o em uma letra de Paulo Coelho e cantada por Rita Lee, as reinven\u00e7\u00f5es de Magal provaram que esse pejorativo r\u00f3tulo de &#8220;fabricado&#8221; poderia at\u00e9 ser v\u00e1lido se seu talento e marcas n\u00e3o ficassem t\u00e3o evidentes desde o come\u00e7o, como quando Magal exibe fotos art\u00edsticas suas tiradas em 1971, anos antes do estrelato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste ponto, ele comenta que houve, sim, uma prepara\u00e7\u00e3o por parte de Roberto Livi, produtor que percebeu o potencial de sua presen\u00e7a f\u00edsica, vocal e carisma em 1976, quando valorizou os aspectos latinos e sedutores de sua persona art\u00edstica e fez sua carreira explodir. No entanto, Magal frisa que era algo que j\u00e1 lhe pertencia, o que fica bem claro diante de apresenta\u00e7\u00f5es t\u00e3o magn\u00e9ticas trazidas pelo material de arquivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No aspecto de revisita da carreira de Magal, \u201cMe Chama Que Eu Vou\u201d \u00e9 um filme que leva o espectador a perceber n\u00e3o somente a riqueza daquela trajet\u00f3ria, mas com ele soube se reinventar. Essas reinven\u00e7\u00f5es aconteceram de modo espl\u00eandido no decorrer das quase seis d\u00e9cadas e testemunharam, com o passar dos seus anos, uma mudan\u00e7a de costumes no Brasil. E, ainda mais importante de ser salientado, uma atenta mudan\u00e7a do olhar para o que de potente e louv\u00e1vel havia naquilo que era esnobado por pretensiosos &#8220;intelectual\u00f3ides&#8221;. Em umas das imagens de arquivo, vemos Magal e Tom Z\u00e9 conversarem sobre essa quest\u00e3o do que poderia ser rotulado de brega, de cafona ou de cult, e como esses r\u00f3tulos, hoje, parecem se mesclar, al\u00e9m de terem seus pesos desprezados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como filme que documenta toda uma vida de separa\u00e7\u00e3o evidente entre o personagem artista e a pessoa real criadora daquela arte que cativou milh\u00f5es, n\u00famero comprovado pela venda de discos e shows lotados, \u201cMe Chama Que Eu Vou\u201d se firma como obra que n\u00e3o busca polemizar causos ou intrigas, mas, sim, desmitificar o homem Sidney de Magalh\u00e3es. Nessa miss\u00e3o, com as op\u00e7\u00f5es de ilustra\u00e7\u00f5es de mat\u00e9rias jornal\u00edsticas dando-lhe ritmo e suavizando o modo talking heads comum a docs, \u00e9 o carisma de seu personagem principal a guiar as hist\u00f3rias daquelas d\u00e9cadas que torna t\u00e3o divertidos os pouco mais de 80 minutos da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E quando Magalh\u00e3es n\u00e3o consegue conter as l\u00e1grimas ao lembrar de quando Magal recebeu um revival de carreira com uma m\u00fasica abrindo uma novela global, ali est\u00e1 aquele momento em que o filme mostra que, apesar de dois distintos indiv\u00edduos, o carisma e honestidade de ambos s\u00e3o \u00fanicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse papo com o Scream &amp; Yell, Sidney de Magalh\u00e3es aborda sua trajet\u00f3ria de quase sessenta anos como Sidney Magal e em como soube se equilibrar na fam\u00edlia e na separa\u00e7\u00e3o clara entre as duas pessoas. Confira!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Me Chama Que Eu Vou | Trailer oficial\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/CPWlXjWZKVw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Magal, logo nos primeiros minutos de filme, temos aquele \u00f3timo corte na montagem no qual vemos voc\u00ea falando, ainda nos anos 1970, sobre o futuro ainda incerto, n\u00e3o revelado pela cigana. Um corte brusco para o Magal j\u00e1 ap\u00f3s os 70 anos de idade revela que esse futuro chegou e traz algu\u00e9m mais sereno e fam\u00edlia. Esse equil\u00edbrio entre artista e homem comum, fam\u00edlia, que o filme denota foi sempre algo que voc\u00ea almejou?<\/strong><br \/>\nAh, sim. Tem esse corte, mesmo. Inclusive, o filme ganhou o Kikito de ouro em montagem, que, sem d\u00favida, foi muito preciosa. Porque a Joana (Mariani, diretora) teve muito cuidado em, tamb\u00e9m, fazer com que aparecesse para todo mundo o que eu queria mostrar. Eu queria mostrar o Magalh\u00e3es que todo mundo conhece de eu dar entrevista, de eu falar, mas n\u00e3o estava vendo junto com minhas palavras. Algo direto meu. Falando de mim mesmo e tal. Sem a interven\u00e7\u00e3o de pessoas falando, como, normalmente, tem em document\u00e1rios. Pessoas falando algo assim: &#8220;Ah, Sidney Magal foi maravilhoso nos anos 1970&#8221; E a\u00ed, lembro que disse: &#8220;N\u00e3o, Joana, eu preciso mostrar. Para mim, \u00e9 importante que as pessoas saibam que por tr\u00e1s desse artista que est\u00e1 conseguindo ficar j\u00e1 quase sessenta anos em cartaz, existe um homem equilibrado. Algu\u00e9m que, exatamente, equilibrou a vida pessoal com a vida art\u00edstica de uma forma muito espont\u00e2nea e muito prazerosa. Eu sou uma pessoa que sempre foi muito fam\u00edlia. Sou casado com uma baiana, uma conterr\u00e2nea sua, a Magali, j\u00e1 h\u00e1 43 anos. O fato de eu ter me mudado do Rio de Janeiro para morar em Salvador, foi para ter uma vida mais simples, uma vida mais natural, mais prazerosa. Tudo \u00e9 sempre muito em fun\u00e7\u00e3o da minha fam\u00edlia. E isso sabendo que eu posso correr o Brasil inteiro como o Magal, que \u00e9 o que as pessoas querem e esperam de mim. Ent\u00e3o, quanto mais distante eu tiver o Magalh\u00e3es do Magal, mais eu me sinto \u00e0 vontade. E eu acho que era isso que a gente queria passar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa separa\u00e7\u00e3o fica bem evidenciada at\u00e9 mesmo no design do t\u00edtulo do filme, com aquele neon dividindo o Magal do Magalh\u00e3es.<\/strong><br \/>\nSim. A Joana teve essa brilhante ideia de, no t\u00edtulo, colocar: &#8221; Sidney Magal &#8211; lh\u00e3es&#8221;, colocando o Lh\u00e3es naquele neon que apaga. Intimamente, \u00e9 como se fosse exatamente para as pessoas perceberem que o Magal \u00e9 um personagem que foi criado pelo Magalh\u00e3es h\u00e1 muitos anos, ainda com 17 anos de idade, quando ele come\u00e7ou a se formar com a minha viagem para a Europa, o tempo que eu passei fora, e com as boates e as churrascarias onde eu cantei quando voltei. Tudo isso foi me dando muita experi\u00eancia de palco at\u00e9 eu encontrar uma pessoa que descobrisse qual era o repert\u00f3rio certo para mim. Essa pessoa foi o Robert Livi, meu empres\u00e1rio durante cinco anos, e que \u00e9 o autor de &#8220;Sandra Rosa Madalena&#8221;. E a\u00ed foi assim: um casamento de coisas, de pessoas, que visualizaram exatamente o que acontece comigo. Para voc\u00ea ter uma ideia, eu sou uma pessoa que se voc\u00ea chegar na minha casa e perguntar pelos trof\u00e9us que ganhei ao longo da carreira, eles est\u00e3o todos trancados dentro de um arm\u00e1rio. N\u00e3o est\u00e3o expostos. E a\u00ed voc\u00ea pergunta: &#8220;Mas por que isso? Por que voc\u00ea est\u00e1 negando?&#8221; N\u00e3o estou negando. \u00c9 que eu quero me sentir completamente \u00e0 vontade para ser um ser humano normal e comum. Ent\u00e3o, eu n\u00e3o quero nada na minha casa que sugira o tempo todo que eu sou o Magal. Tanto \u00e9 que nenhum amigo meu, nenhum parente, me chama de Magal. \u00c9 Sidney, \u00e9 apelido, \u00e9 Maga. E a\u00ed eu acho que essa coisa que voc\u00ea observou antes, tem a ver com a montagem, mesmo. Tem a ver com os lances que Joana foi pegando. Coisas minhas que s\u00e3o muito sinceras. Eu quando falo de mim, gosto mais at\u00e9 do Magalh\u00e3es do que do Magal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quase uma dupla personalidade. Houve sempre essa separa\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o?<\/strong><br \/>\nSempre. Porque, al\u00e9m de tudo eu sou geminiano. As pessoas falam, mesmo, que j\u00e1 existe o que eles chamam de dupla personalidade. Mas, na verdade, n\u00e3o \u00e9 uma dupla personalidade. \u00c9 uma adapta\u00e7\u00e3o muito f\u00e1cil \u00e0s duas caras que eu apresentei para o p\u00fablico. S\u00f3 que elas est\u00e3o pr\u00f3ximas no sentimento, no \u00edntimo, nos pensamentos. Elas est\u00e3o muito pr\u00f3ximas. Agora, quando muda para o visual, para os trejeitos em cima do palco, a\u00ed&#8230; (risos) A\u00ed \u00e9 bem diferente o Magal do Magalh\u00e3es.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-71754\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/MCQEV_050-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"422\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/MCQEV_050-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/MCQEV_050-copiar-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea passou por diversas fases do comportamento da m\u00eddia, do brasileiro em si. Hoje, estamos menos caretas, mesmo? Estamos enfrentando, de fato, menos preconceitos?<\/strong><br \/>\nHoje \u00e9 muito mais prazeroso. Na d\u00e9cada de 1970, havia uma discrimina\u00e7\u00e3o social muito grande. Todo artista que era consumido pelas pessoas mais humildes, pelo gari na rua, pela empregada dom\u00e9stica, pelo aluno de escola p\u00fablica, pela dona de casa do interior, geralmente, era discriminado pela classe social de outras pessoas. Ent\u00e3o, elas tinham que perceber que, para a m\u00fasica, n\u00e3o existe isso. Quer dizer, quem gosta do Michael Jackson pode ser do mendigo que mora na rua at\u00e9 o rei da Inglaterra. M\u00fasica \u00e9 m\u00fasica. Ela te atinge ou n\u00e3o te atinge. Ela te faz bem ou n\u00e3o te faz bem. E essa mudan\u00e7a foi acontecendo devagarzinho. Nos anos 1970, eu sofri bastante com isso. Preconceito de imprensa, preconceito de r\u00e1dios FM que n\u00e3o tocavam os artistas mais populares. Ent\u00e3o, isso a\u00ed prejudicava o trabalho. N\u00e3o deixava a gente caminhar \u00e0 vontade. Quando isso foi caindo por terra, o Brasil foi percebendo a sua popularidade, a sua forma simples de ser.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E isso abrangia diversos aspectos, desde vestimenta at\u00e9 comportamento, mesmo.<\/strong><br \/>\nSim. Vestir roupas coloridas \u00e9 uma coisa que eu adoro. E roupas cheias de rosas e cheias de flores foi algo considerado, por muito tempo, como uma coisa cafona. Mas at\u00e9 Jorge Amado s\u00f3 se vestia assim. Ele se considerava um homem tropical. Ent\u00e3o, fazer espontaneamente as coisas, n\u00e3o tem nada de cafona. Voc\u00ea est\u00e1 sendo espont\u00e2neo, voc\u00ea est\u00e1 criando. E o artista muito mais. Se o Elton John, e v\u00e1rios outros artistas, o pr\u00f3prio Michael Jackson, por exemplo, fossem pensar que n\u00e3o podiam fazer loucuras em cima do palco, eles n\u00e3o seriam as figuras que s\u00e3o. Ent\u00e3o, me permiti fazer loucuras dentro do padr\u00e3o da \u00e9poca, e resolvi, tamb\u00e9m, enfrentar da maneira que desse. Era brega, era cafona, era uma bichinha, qualquer coisa, o Magal era. Hoje, mesmo, eu passei pela Paulista, na frente de uma faculdade, e lembrei de uma mat\u00e9ria que o Fant\u00e1stico fez nos anos 1970. Foi algo muito engra\u00e7ado, porque voc\u00ea v\u00ea isso muito nitidamente. Os alunos da faculdade dizem: &#8220;Ah, Sidney Magal? N\u00e3o fala esse nome perto de mim, n\u00e3o, que me d\u00e1 alergia, cara. Coisa horrorosa. Coisa rid\u00edcula&#8221;. A\u00ed, quando passava uma pessoa normal, um popular, uma pessoa que estava pegando seu \u00f4nibus na avenida, era: &#8220;Ah, Sidney Magal, aquele \u00eddolo maravilhoso que a gente tem.&#8221; Ent\u00e3o, voc\u00ea notava claramente esse tipo de preconceito que, gra\u00e7as a Deus, com a pr\u00f3pria m\u00fasica sertaneja, com o pagode, com o funk, com o rap, foi igualando tudo. O importante \u00e9 a qualidade do que voc\u00ea faz e o quanto voc\u00ea atinge o p\u00fablico. Mas eu encarei naturalmente. Foi nos anos 70, nos anos 80, nos anos 90, quando a lambada veio de novo e se popularizou muito no pa\u00eds. E a\u00ed eu fui continuando a trabalhar. Fiz novelas, fiz pe\u00e7as de teatro, e a\u00ed, com tudo isso que fui fazendo, fui demonstrando que eu era, acima de qualquer coisa, um artista. Que podiam rotular da maneira que quisessem, mas que eu seguiria em frente o meu caminho. E deu certo. Deu certo porque eu acho que a minha imagem \u00e9 muito respeitada, muito mais at\u00e9 que o pr\u00f3prio repert\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Durante os anos 1970, em plena ditadura militar, voc\u00ea tinha no\u00e7\u00e3o dessa postura transgressora?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. A gente s\u00f3 consegue ver isso muitos anos depois. E n\u00e3o tinha porque, tamb\u00e9m, eu comecei a cantar&#8230; Quer dizer, antes de fazer o primeiro sucesso, que veio s\u00f3 aos 26 anos, mas antes disso, eu cantava aos 16,17, 18 anos de idade e aquilo tudo era uma divers\u00e3o para mim. Era uma profiss\u00e3o que estava me fazendo procurar caminhos. Ent\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o presta muita aten\u00e7\u00e3o. Eu sei que me lembro de ter sido cobrado nessa quest\u00e3o do se posicionar politicamente. Tudo isso mudou muito. Eu me lembro muito de terem cobrado como \u00e9 que a minha m\u00fasica n\u00e3o falava dos problemas sociais do povo brasileiro. Por que a minha m\u00fasica n\u00e3o falava dos problemas econ\u00f4micos, dos problemas pol\u00edticos, problemas mundiais? E eu respondi isso, tem isso publicado em um jornal de S\u00e3o Paulo, se n\u00e3o me engano na Folha, na primeira p\u00e1gina de um caderno de cultura: &#8220;Eu me satisfa\u00e7o em ser o s\u00e1bado e o domingo do povo brasileiro.&#8221; Porque eu estava querendo exatamente me referir ao lazer, \u00e0 divers\u00e3o que voc\u00ea tinha que dar para o povo. E que os problemas do povo ficassem para os compositores da m\u00fasica popular brasileira que alertassem o povo dessas coisas todas. Mas eu queria t\u00e3o somente me contentar com a divers\u00e3o do povo nos s\u00e1bados e domingos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-71755\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/MCQEV_0110-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/MCQEV_0110-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/MCQEV_0110-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda assim, sua presen\u00e7a ao lado de pessoas notoriamente transgressoras, como Rog\u00e9ria, com quem voc\u00ea atuou na pe\u00e7a &#8220;Roque Santeiro&#8221;, por exemplo, al\u00e9m de se manter como um \u00eddolo popular, j\u00e1 trazia esse aspecto transgressor, de algu\u00e9m que questiona a sociedade.<\/strong><br \/>\nIsso \u00e9 impressionante porque, hoje em dia, tenho at\u00e9 um pouco de&#8230; (pausa) n\u00e3o vejo com muitos bons olhos tudo o que se faz e tudo o que se reivindica hoje pelo seguinte: tudo, para mim, leva ao radicalismo. Fico muito preocupado. Por exemplo: eu aos 17 anos j\u00e1 cantava nos cabar\u00e9s de Copacabana, no Rio de Janeiro, e muitos dos meus colegas da noite eram travestis e prostitutas, artistas da noite. E assim como eu, o Emilio Santiago, a Alcione, foram cantores da noite que cantavam com essas pessoas. Ent\u00e3o, para n\u00f3s, sempre foi muito f\u00e1cil n\u00e3o ter preconceito. Sempre foi muito f\u00e1cil se relacionar e respeitar as pessoas. A Rog\u00e9ria, para mim, sempre foi uma artista de primeir\u00edssima linha, com uma cabe\u00e7a extraordin\u00e1ria. Como a Nanny People, por exemplo, que eu considero uma das pessoas mais inteligentes do meio. Ent\u00e3o, n\u00f3s nunca colocamos o preconceito na frente em nada. E foi assim que eu levei a minha vida toda. Por isso \u00e9 que, \u00e0s vezes, eu estranho quando se faz necess\u00e1rio um radicalismo maior para a alertar \u00e0s pessoas de que isso n\u00e3o \u00e9 legal. Eu acho que j\u00e1 houve uma \u00e9poca em que a gente sabia que n\u00e3o era legal. E que os excessos \u00e9 que sempre prejudicam tudo. Tanto de um lado quanto do outro. O equil\u00edbrio \u00e9 a melhor coisa para qualquer pessoa. Levo isso para a minha carreira. O equil\u00edbrio entre o Magalh\u00e3es e o Magal me ajudou muito a sobreviver. Acho que para tudo tem quer ter equil\u00edbrio e a gente n\u00e3o pode se posicionar de forma agressiva com rela\u00e7\u00e3o a tudo, porque cada ser humano tem uma identidade, tem uma impress\u00e3o digital \u00fanica. Temos que entender isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Durante os anos 1980, voc\u00ea passou por um hiato na sua carreira que viria a ser alavancada novamente com a febre da lambada em 1990 e a abertura da novela global &#8220;Rainha da Sucata&#8221;. Ap\u00f3s aquela febre nos anos 1970, voc\u00ea encarou como esse per\u00edodo oitentista?<\/strong><br \/>\nEu sou uma pessoa realmente muito otimista. Voc\u00ea n\u00e3o me conhece muito intimamente, mas eu sou muito otimista. Eu sou uma pessoa que sabia que com a estrutura familiar que tenho, sempre tive, que eu enfrentaria todas as coisas com bom humor. Ent\u00e3o, quando pintava um disco que sa\u00eda e que ningu\u00e9m dava confian\u00e7a, quando o n\u00famero de shows ca\u00eda, quando tudo isso, de alguma forma, se transformava, eu sempre jogava isso para minha vida pessoal e dizia: &#8220;Caramba! Nada mudou! Eu continuo casado com a mulher que amo, tenho filhos maravilhosos. Eu moro em um lugar que eu adoro de paix\u00e3o.&#8221; (N.E. Magal se mudou para Salvador-BA nos anos 1990). Ent\u00e3o, eu fiz tudo da minha vida pessoal que me satisfez. Eu nunca fiquei morando em S\u00e3o Paulo um ano sequer para poder dar for\u00e7a para minha carreira. Eu sabia que S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro eram os dois lugares que davam, realmente, muita for\u00e7a para as carreiras. Tanto \u00e9 que os artistas do Nordeste, antes, sa\u00edam direto para fazer suas divulga\u00e7\u00f5es no Rio e em S\u00e3o Paulo, principalmente. Eu, apesar disso tudo, dizia: &#8220;N\u00e3o, mas o meu lado pessoal tem que estar bem. Eu preciso estar muito feliz. Preciso estar legal.&#8221; E fui deixando rolar. Voc\u00ea n\u00e3o vai acreditar, mas eu nunca fui, nesse tempo, nesse hiato, eu nunca fui procurar uma gravadora para dizer: &#8220;Olha, eu tenho aqui uma ideia de gravar tal coisa&#8230;&#8221; Nunca, nunca, nunca! Eu sempre deixava rolar porque eu via que o meu nome estava correndo em paralelo, as pessoas continuavam sabendo quem eu era. E se elas n\u00e3o tinham boas ideias com rela\u00e7\u00e3o a mim, \u00e9 porque n\u00e3o tinham que ser minhas, mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi essa ida em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 lambada?<\/strong><br \/>\nFoi um convite do(s produtores musicais) Max Pierre e Alberto Triger, que disseram: &#8220;Bicho, a lambada \u00e9 a tua cara.&#8221; Tanto \u00e9 que a primeira propaganda foi: &#8220;Magal, a cara da lambada.&#8221; E a\u00ed, por que \u00e9 a minha cara? Porque \u00e9 um g\u00eanero latino, porque \u00e9 dan\u00e7ante, porque tem a ver com os amantes latinos, as muitas m\u00fasicas que gravei e tal. Eu comprei a ideia. Gravamos um disco independente, s\u00f3 para voc\u00ea ter uma ideia da hist\u00f3ria, e com esse disco independente eles foram correr atr\u00e1s. A\u00ed levaram na Globo, com uma reuni\u00e3o de diretores na qual estava o Boni, o Mariozinho Rocha, todo mundo, e mostraram a m\u00fasica em uma sele\u00e7\u00e3o que eles iam fazer entre Sara Jane, Luiz Caldas, Beto Barbosa. Todo mundo tinha uma m\u00fasica para ser lan\u00e7ada. E a\u00ed quando eles ouviram: &#8220;Me Chama Que Eu Vou&#8221;, disseram: &#8220;Caralho, essa m\u00fasica tem um apelo muito forte. Essa m\u00fasica tem que ser a abertura da novela.&#8221; Quando o Max me falou isso por telefone, e \u00e9 a hist\u00f3ria que eu conto no document\u00e1rio, foi sensacional. Por isso \u00e9 que eu me emociono sempre. Porque eu pensei: &#8220;Caramba! Eu estou vivo. N\u00e3o sou apenas eu quem tem essa impress\u00e3o. O meu p\u00fablico ainda continua curtindo o que eu fa\u00e7o.&#8221; E a\u00ed, dali, foi uma virada de chave, mesmo. Porque aconteceram v\u00e1rias coisas incr\u00edveis. A revista Trip, aqui de S\u00e3o Paulo, fez uma mat\u00e9ria me chamando de &#8220;O Rei do Pop Brasileiro.&#8221; Quatro p\u00e1ginas e capa da revista. Imagina? E eu digo &#8220;Imagina?&#8221; porque, antes, era um p\u00fablico que tinha uma dist\u00e2ncia para a minha carreira. E a\u00ed o J\u00f4 Soares me chamou, perguntou como foi aquela reviravolta. Mas foi algo t\u00e3o espont\u00e2neo que eu n\u00e3o tinha como explicar, a n\u00e3o ser isso que eu estou te explicando agora. Foi rolando e eu vi que n\u00e3o tinha acabado. Que as coisas continuavam do meu lado e aproveitei e pronto. E a\u00ed, gra\u00e7as ao meu bom Deus, estou hoje aqui batendo um papo contigo sobre uma carreira que \u00e9 longeva, sem d\u00favida.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-71756\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/MCQEV_0140-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/MCQEV_0140-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/MCQEV_0140-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nessa entrevista dada \u00e0 Trip no come\u00e7o dos anos 2000, voc\u00ea fala sobre continuar el\u00e9trico mesmo quando chegar aos 70 anos. Essa fase chegou. E a\u00ed?<\/strong><br \/>\nOlha, a \u00fanica coisa que eu posso te dizer \u00e9 que eu fa\u00e7o uma m\u00e9dia de seis, sete shows por m\u00eas. E que, ainda hoje, a plateia vibra e delira. Por exemplo, ano passado eu fiz um show do Espanta, do Casa Bloco, um pr\u00e9 carnaval muito famoso no Rio de Janeiro. Acabou sendo recorde de bilheteria. O clube Monte L\u00edbano estava entupido. Casa cheia, n\u00e3o sei quantas mil pessoas. E, realmente, eles ficaram t\u00e3o felizes que j\u00e1 me contrataram de novo para o pr\u00e9 carnaval em fevereiro desse ano. E a\u00ed, eu digo: &#8220;Caramba! \u00c9 a energia&#8221;. \u00c9 a \u00fanica resposta que eu tenho. O repert\u00f3rio ajuda, mas a minha energia eu n\u00e3o deixei as pessoas acharem que tinha envelhecido, enfraquecido, enfim, que eu estaria murchando, vamos dizer assim, na minha carreira. E enquanto o p\u00fablico continuar vibrando com os meus trabalhos, eu te garanto que continuarei. Acabamos de fazer no navio Energia na V\u00e9ia, que tamb\u00e9m \u00e9 feito aqui por S\u00e3o Paulo, e j\u00e1 \u00e9 o terceiro ano que eu fa\u00e7o. \u00c9 uma r\u00e1dio FM famosa de S\u00e3o Paulo, a R\u00e1dio Energia. Eu me orgulho disso. Porque n\u00e3o sou roqueiro, mas estavam l\u00e1 junto comigo Frejat, Biquini Cavad\u00e3o, Ira!, Jota Quest, Roupa Nova e Sidney Magal. E o show foi uma maravilha, no navio. E navio, voc\u00ea sabe, n\u00e3o tem para onde correr. S\u00f3 se voc\u00ea se jogar no mar para se afogar (risos). Mas, de qualquer maneira, foi um show vibrante no meio de caras que&#8230; (pausa) n\u00e3o que sejam mais jovens do que eu, mas que t\u00eam um trabalho muito mais jovem, muito mais moderno do que o meu. E a\u00ed eu estava l\u00e1 e foi um sucesso igual a todos os demais. Por isso, eu acho que \u00e9 a energia, mesmo. \u00c9 uma quest\u00e3o de subir no palco e, enquanto o pessoal est\u00e1 vibrando, eu continuo. Acho que na hora em que eu subir ao palco e todo mundo come\u00e7ar a ir para o bar tomar um drinque e virar as costas, eu vou virar as minhas costas, tamb\u00e9m, saio e vou pra casa. Mas, por enquanto, isso n\u00e3o acontece ainda, n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por isso \u00e9 importante essa separa\u00e7\u00e3o do Sidney de Magalh\u00e3es para o Magal.<\/strong><br \/>\nL\u00f3gico. Porque eu preciso, agora, de um descanso, tamb\u00e9m (risos). Foi por isso que eu falei para o pessoal que escolhi a Bahia. Quando estou na Bahia, \u00e9 quando eu volto pra casa e entro em f\u00e9rias. N\u00e3o sou como a maioria das pessoas que est\u00e1 em casa e viaja para sair de f\u00e9rias. Eu, quando vou pra casa, eu entro de f\u00e9rias. \u00c9 quando estou cuidando do Magalh\u00e3es. Salvador est\u00e1 me ajudando a dar vida longa ao Magalh\u00e3es para ter sa\u00fade e o Magal continuar sendo aplaudido. Enquanto essa parceria dos dois estiver dando certo, acho que est\u00e1 tudo bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em algum momento, bate alguma apreens\u00e3o ou preocupa\u00e7\u00e3o com o futuro, com o momento em que voc\u00ea vai decidir, de fato, parar?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. Apreens\u00e3o eu n\u00e3o tenho mais, n\u00e3o. Preocupa\u00e7\u00e3o eu n\u00e3o tenho mais, n\u00e3o. Gra\u00e7as a Deus o p\u00fablico conseguiu tirar isso tudo da minha cabe\u00e7a. Eu tenho uma curiosidade de saber at\u00e9 onde vai. Mas pe\u00e7o sempre a Deus que me ilumine a ponto de poder dizer: &#8220;Olha, tamb\u00e9m n\u00e3o estou aguentando mais, caramba. Vou parar porque eu acho que o artista tamb\u00e9m tem seu limite.&#8221; Eu vi v\u00e1rios colegas meus ao longo da minha carreira irem muito al\u00e9m do limite e ficarem todos sem voz, sem for\u00e7a para cantar. Eu acho isso muito triste. Ent\u00e3o, eu pe\u00e7o muito a Deus s\u00f3 que me mantenha l\u00facido para curtir daqui pra frente. Se eu tiver que curtir mais vinte anos, eu quero curtir fora do palco. Quero curtir a minha carreira fora do palco como se fosse um telespectador. Que na verdade \u00e9 o Magalh\u00e3es telespectador. \u00c9 o cara que est\u00e1 vendo o artista dele ali, a sua hist\u00f3ria e a trajet\u00f3ria. Ent\u00e3o, eu n\u00e3o tenho essa apreens\u00e3o de: &#8220;o que vou fazer daqui pra frente?&#8221;, sabe? Estou sendo muito bem homenageado. Gra\u00e7as a Deus com eleg\u00e2ncia, com bom gosto. Foi o caso da pe\u00e7a de teatro que ficou dois meses em cartaz lotando. Agora esse document\u00e1rio dirigido pela Joana. E o filme, longa metragem, que foi rodado quase todo na Bahia, o &#8220;Meu Sangue Ferve por Voc\u00ea&#8221;, que \u00e9 a minha hist\u00f3ria de amor com a minha baiana, minha musa inspiradora, que \u00e9 a Magali. Ent\u00e3o, voc\u00ea imagina ter tudo isso, ter filho j\u00e1 com quarenta e poucos anos, e uma neta de tr\u00eas anos de idade, \u00e9 uma vida que eu n\u00e3o posso reclamar em absolutamente em nada. E nem esperar mais nada. S\u00f3 espero sa\u00fade e bem viver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 bom poder constatar esse equil\u00edbrio e no\u00e7\u00e3o de carreira.<\/strong><br \/>\nQue bom. Eu gostaria que fosse exemplo para muitos jovens, mesmo. Para as pessoas que em qualquer profiss\u00e3o, de qualquer maneira, est\u00e3o sempre atr\u00e1s de alguma coisa que satisfaz. E eu estou muito satisfeito com as coisas que fiz. \u00c9 muito importante se satisfazer sempre com coisas verdadeiras. N\u00e3o \u00e9 ficar catando qualquer coisa como se fosse um tesouro perdido, porque isso n\u00e3o existe. O tesouro s\u00f3 existe dentro de n\u00f3s quando ele nos satisfaz, realmente. E eu me satisfiz com o meu tesouro, gra\u00e7as a Deus.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-71757\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Poster_MCQEV-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1096\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Poster_MCQEV-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Poster_MCQEV-copiar-205x300.jpg 205w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde e assina o blog\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pel\u00edcula Virtual<\/a>. A foto que abre o texto \u00e9 de Juliana Torres. As demais s\u00e3o frames do document\u00e1rio.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Fen\u00f4meno pop Magal \u00e9 destrinchado a partir do olhar advindo da maturidade e do equil\u00edbrio do artista que soube distinguir e preservar-se como apenas Sidney\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/01\/16\/entrevista-sidney-magal-fala-sobre-o-revisitar-de-sua-trajetoria-com-o-otimo-documentario-me-chama-que-eu-vou\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":71753,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4,3],"tags":[6539],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71752"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71752"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71752\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":71758,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71752\/revisions\/71758"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/71753"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71752"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=71752"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=71752"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}