{"id":71449,"date":"2022-12-20T23:22:24","date_gmt":"2022-12-21T02:22:24","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=71449"},"modified":"2023-01-20T01:49:19","modified_gmt":"2023-01-20T04:49:19","slug":"ao-vivo-em-domingo-historico-slipknot-faz-a-festa-ao-lado-de-outros-11-convidados-de-peso-no-knotfest-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/12\/20\/ao-vivo-em-domingo-historico-slipknot-faz-a-festa-ao-lado-de-outros-11-convidados-de-peso-no-knotfest-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Ao vivo: Em domingo hist\u00f3rico, Slipknot faz a festa ao lado de outros 11 convidados de peso no Knotfest S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/paulo.pontes.376\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Paulo Pontes<\/a><br \/>\nfotos por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/fernandoyokota\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fernando Yokota<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos mais importantes festivais da chamada m\u00fasica pesada no mundo, o Knotfest enfim estreou na cidade de S\u00e3o Paulo, ap\u00f3s ter sido adiado por conta do agravamento da pandemia de Covid-19 (anteriormente ele seria realizado no dia 19 de dezembro de 2021). Criado em 2012 (a primeira edi\u00e7\u00e3o aconteceu em 17 de agosto, em Council Bluffs, Iowa) pela banda norte-americana Slipknot, o festival j\u00e1 passou por pa\u00edses como Estados Unidos, M\u00e9xico, Jap\u00e3o, Col\u00f4mbia, Argentina e&#8230; Fran\u00e7a. Quando a organiza\u00e7\u00e3o alterou a data do Knotfest Brasil, nem imaginava que as sele\u00e7\u00f5es de futebol destes dois \u00faltimos pa\u00edses iam ser protagonistas de uma grande final de Copa do Mundo no mesmo dia em que o festival rolaria na capital paulista. Bom, isso \u00e9 papo pra daqui a pouco.<\/p>\n<figure id=\"attachment_71455\" aria-describedby=\"caption-attachment-71455\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-71455\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/black-pantera.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/black-pantera.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/black-pantera-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-71455\" class=\"wp-caption-text\"><em>Black Pantera \/ Foto de Fernando Yokota<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sexta-feira, 16, quando anunciaram que o Black Pantera seria a banda de abertura do Knotfest, substituindo a banda norte-americana Motionless in White, fiquei feliz, pois seria uma excelente oportunidade de ver pela primeira um show do trio que, merecidamente, tem conquistado cada vez mais o seu espa\u00e7o. Mas n\u00e3o deu! Devido a problemas log\u00edsticos, cheguei ao samb\u00f3dromo do Anhembi j\u00e1 na \u00faltima m\u00fasica (mas muita elogiou os mineiros). Por volta de 11h35, hor\u00e1rio que coloquei os p\u00e9s no Distrito Anhembi em busca do port\u00e3o de imprensa do Samb\u00f3dromo, a concentra\u00e7\u00e3o de headbangers do lado de fora era gigantesca, com uma fila quilom\u00e9trica, sob sol e calor intensos. Ali do lado de fora, era poss\u00edvel ouvir os \u00faltimos acordes do Black Pantera. Quando entrei, o show j\u00e1 havia acabado. Ok, haver\u00e3o outras oportunidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vale destacar que, apesar do deslocamento e de tentar atravessar o mais r\u00e1pido poss\u00edvel toda aquela multid\u00e3o, o credenciamento e a entrada pelo port\u00e3o da imprensa (26), ocorreu tranquilamente. Entretanto, segundo alguns relatos, o p\u00fablico geral n\u00e3o teve a mesma sorte. Demora na confer\u00eancia de ingressos e atraso na abertura dos port\u00f5es foram algumas das reclama\u00e7\u00f5es de quem chegou cedo. J\u00e1 que n\u00e3o deu pra assistir ao show do Black Pantera, o jeito foi correr para o palco Carnival Stage (o Knotfest contou com dois palcos: Carnival Stage e Knotstage) pra pegar o show do Jimmy &amp; Rats + Oit\u00e3o. Tanto a banda do ex-vocalista do Matanza quanto a do jurado do Masterchef entregam shows vibrantes ao som de muito irish punk e hardcore, respectivamente. Jimmy London interagiu menos com a plateia que Henrique Foga\u00e7a, que falou um pouco mais com o p\u00fablico para introduzir as can\u00e7\u00f5es (e ainda pediu um coro de \u201cOit\u00e3o, Oit\u00e3o\u201d, prontamente atendido).<\/p>\n<figure id=\"attachment_71462\" aria-describedby=\"caption-attachment-71462\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-71462 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/jimmy-and-the-rats.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/jimmy-and-the-rats.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/jimmy-and-the-rats-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-71462\" class=\"wp-caption-text\"><em>Jimmy &amp; Rats \/ Foto de Fernando Yokota<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por dividirem um dos hor\u00e1rios do festival, ambas as bandas fizeram shows curtos (cerca de 20 minutos cada). Do lado de Jimmy &amp; Rats, destaques para \u201cO temido Lobo do Mar\u201d e \u201cTempo Ruim\u201d, esta \u00faltima originalmente gravada pelo Matanza. J\u00e1 pelo lado do Oit\u00e3o, \u201cTiro na R\u00f3tula\u201d, faixa que encerrou o show, foi a respons\u00e1vel pelo maior n\u00famero de mosh pits, ainda que com um p\u00fablico \u201cmodesto\u201d \u2014 diferente do sol que batia ali. Enquanto o Oit\u00e3o estava no palco, parte dos presentes j\u00e1 se concentravam em frente a um tel\u00e3o sabiamente instalado pela organiza\u00e7\u00e3o um pouco mais pr\u00f3ximo ao Knotstage, para presenciar um dos eventos mais aguardados dos \u00faltimos quatro anos: a final da Copa do Mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Argentina e Fran\u00e7a protagonizaram um grande jogo de futebol, naquela que talvez tenha sido a melhor final de Copa que eu, particularmente, presenciei \u2014 ainda que em partes. Assim que o show dos paulistanos da Oit\u00e3o acabou, fiz o mesmo, Messi j\u00e1 havia marcado o primeiro e estava 1&#215;0 para a Argentina. Quem me conhece sabe que sempre torci muito pela sele\u00e7\u00e3o albiceleste (alguns chamam isso de \u201cdesvio de car\u00e1ter\u201d), ent\u00e3o, foi incr\u00edvel ver \u00c1ngel Di Mar\u00eda marcar o segundo e direcionar o jogo para uma boa vit\u00f3ria ainda no tempo normal; ledo engano. No intervalo da partida, fui rumo ao Carnival Stage aguardar um dos cinco shows presentes na lista dos que eu gostaria de ver em 2022: Trivium. Enquanto isso, os tel\u00f5es do palco transmitiam simultaneamente o Project46 quebrando tudo l\u00e1 no Knotstage. Mesmo que \u00e0 dist\u00e2ncia, deu pra acompanhar o final da apresenta\u00e7\u00e3o da banda paulista, que literalmente colocou a galera pra bater cabe\u00e7a. Na pen\u00faltima m\u00fasica do setlist, o vocalista Caio MacBeserra desceu ao pit para dividir o microfone com a galera em \u201cFoda-se (Se Depender de N\u00f3s)\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_71465\" aria-describedby=\"caption-attachment-71465\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-71465\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Project-46.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Project-46.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Project-46-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-71465\" class=\"wp-caption-text\"><em>Project46\u00a0 \/ Foto de Fernando Yokota<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Poucos minutos depois, eis que o Trivium sobe ao palco liderado pelo excelente vocalista e guitarrista Matt Heafy, vestindo uma jaqueta que \u201cescondia\u201d o que j\u00e1 dava para perceber ser a camisa da sele\u00e7\u00e3o brasileira. Sem d\u00favidas, a banda norte-americana fez uma das melhores apresenta\u00e7\u00f5es do evento. Em alguns momentos Matt tentou se comunicar em portugu\u00eas com a plateia, com frases como \u201ccanta comigo\u201d, \u201ce a\u00ed, S\u00e3o Paulo\u201d, \u201cfoda pra caralho\u201d, entre outras. A abertura do show ficou por conta da faixa que d\u00e1 t\u00edtulo ao mais recente disco do grupo, &#8220;In The Court Of The Dragon\u201d (2021). O set, ainda que curto (oito m\u00fasicas), deu espa\u00e7o para faixas de seis dos dez discos de est\u00fadio do quarteto. Em determinado momento, Matt provocou a plateia comparando os shows da banda na Argentina e no Brasil. Enquanto isso, no Catar, a Fran\u00e7a empatava o jogo com dois gols de Mbapp\u00e9, deixando a final com tons ainda mais dram\u00e1ticos. A concentra\u00e7\u00e3o do p\u00fablico para ver o Trivium era imensa, todo mundo cantando, pulando, abrindo rodas e respondendo com muita energia. \u00c9 inacredit\u00e1vel que essa tenha sido apenas a segunda vinda da banda para o Brasil (a primeira ocorreu l\u00e1 em 2012). Que voltem muito mais vezes.<\/p>\n<figure id=\"attachment_71463\" aria-describedby=\"caption-attachment-71463\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-71463\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Trivium.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Trivium.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Trivium-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-71463\" class=\"wp-caption-text\"><em>Trivium \/ Foto de Fernando Yokota<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Knotstage, o Vended, banda que tem em sua forma\u00e7\u00e3o filhos de dois dos integrantes do Slipknot (o vocalista Griffin Taylor e o baterista Simon Crahan s\u00e3o filhos de Corey Taylor e Shawn Crahan, respectivamente), j\u00e1 se preparava para fazer seu show, mas no meio do caminho tinha o tel\u00e3o da Copa, agora com muito mais gente acompanhando a disputa Messi X Mbapp\u00e9. Fiquei por l\u00e1. A grande maioria dos headbangers presentes no Samb\u00f3dromo do Anhembi (pelo menos os que acompanhavam o jogo) estavam torcendo pela sele\u00e7\u00e3o de Lionel e por Lionel. Isso era percept\u00edvel nas rea\u00e7\u00f5es de cada lance. No final do tempo regular: 2X2. E o n\u00famero de pessoas s\u00f3 aumentava, inclusive na arquibancada em frente ao tel\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_71464\" aria-describedby=\"caption-attachment-71464\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-71464\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Vended.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Vended.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Vended-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-71464\" class=\"wp-caption-text\"><em>Vended \/ Foto de Fernando Yokota<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na prorroga\u00e7\u00e3o, vieram os gritos pelo gol de Messi, que ainda teve drama e demora na confirma\u00e7\u00e3o. Pouco tempo depois, algumas pessoas (timidamente) comemoraram o gol de Mbapp\u00e9. Hora dos p\u00eanaltis. No Carnival Stage, o Sepultura j\u00e1 estava pronto para fazer seu show. Mas era final de Copa do Mundo. Como diria o Capit\u00e3o Nascimento: \u201cNingu\u00e9m vai subir\u201d. Pelo menos n\u00e3o at\u00e9 o apito final. Quando as cobran\u00e7as de p\u00eanaltis estavam para come\u00e7ar, o show do Vended j\u00e1 havia acabado. Com isso, os segundos antes de cada cobran\u00e7a devem ter sido os momentos mais \u201csilenciosos\u201d do Knotfest. O sil\u00eancio foi quebrado a cada gol, na defesa de Emiliano Mart\u00ednez e deu espa\u00e7o a uma explos\u00e3o de gritos quando Gonzalo Montiel fez o gol que deu o tricampeonato para a Argentina. Foi uma festa, com direito a cantos de \u201cEi, Mbapp\u00e9, vai tomar no cu!\u201d. Antes da Copa, o franc\u00eas deu declara\u00e7\u00f5es no m\u00ednimo pol\u00eamicas sobre o futebol da Am\u00e9rica do Sul. Naquela que provavelmente foi sua \u00faltima Copa, Messi levou o t\u00edtulo de melhor jogador e deu para o torcedor argentino um tricampeonato aguardado por 36 anos. Dia hist\u00f3rico no Samb\u00f3dromo do Anhembi. Dia hist\u00f3rico na Argentina. Dia ainda mais hist\u00f3rico para um jogador que vai ficar pra hist\u00f3ria. Voltemos ao metal.<\/p>\n<figure id=\"attachment_71459\" aria-describedby=\"caption-attachment-71459\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-71459\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Sepultura.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Sepultura.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Sepultura-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-71459\" class=\"wp-caption-text\"><em>Sepultura \/ Foto de Fernando Yokota<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Sepultura, como \u00e9 de praxe, fez um showza\u00e7o. Logo na abertura a banda quebrou tudo com \u201cIsolation\u201d, faixa do disco \u201cQuadra\u201d (2020). Depois das duas que vieram na sequ\u00eancia, \u201cRefuse\/Resist\u201d e \u201cMeans to an End\u201d, Andreas Kisser se dirigiu ao p\u00fablico para agradecer e dizer que tinha amigos que estavam no backstage para algumas jams que rolariam durante o show. O primeiro a subir no palco foi Scott Ian (Anthrax e Mr. Bungle) para tocar \u201cCut-Throat\u201d ao lado do quarteto brasileiro. Ainda teve Matt Heafy (Trivium) em \u201cSlave New World\u201d e Phil Anselmo (Pantera) em \u201cArise\u201d. Este \u00faltimo pouco colaborou com a execu\u00e7\u00e3o da faixa, apenas gritando no refr\u00e3o. Valeu s\u00f3 pela presen\u00e7a. \u201cRatamahatta\u201d e \u201cRoots Bloody Roots\u201d fecharam mais um puta show no Knotfest.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Resolvi trocar o show do Mr. Bungle, que ia rolar no Knotstage, por uma visita ao Knotfest Museum, local que contou com grandes filas durante quase todo o festival. Como a imprensa entrava sem pegar fila, resolvi arriscar. Logo na porta, uma \u201cguia\u201d \u2014 provavelmente norte-americana \u2014, me perguntou em ingl\u00eas se eu gostava de \u201cPsychosocial\u201d, faixa presente no \u00e1lbum \u201cAll Hope Is Gone\u201d, quarto de est\u00fadio do Slipknot. Ap\u00f3s minha resposta positiva, ela, gentilmente, disse que iria colocar a m\u00fasica para rodar enquanto eu (e outras pessoas) visitava o museu. No interior do espa\u00e7o, uma s\u00e9rie de itens ligados \u00e0 banda, como m\u00e1scaras e macac\u00f5es utilizados nas primeiras turn\u00eas, instrumentos, premia\u00e7\u00f5es \u2014 inclusive um Grammy \u2014, contrabaixo do falecido Paul Gray, um par de baquetas e um t\u00eanis de Joey Jordison, entre outros. Al\u00e9m disso, era poss\u00edvel tocar guitarras signatures dos integrantes e tirar uma foto em um acionador de explosivo, diretamente ligado ao clipe de \u201cThe Devil And I\u201d. Valeu a visita, mas, segundo alguns relatos, me custou um grande show do Mr. Bungle com Mike Patton e companhia. Enfim, a vida \u00e9 feita de escolhas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_71458\" aria-describedby=\"caption-attachment-71458\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-71458\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Pantera-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Pantera-1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Pantera-1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-71458\" class=\"wp-caption-text\"><em>Pantera \/ Foto de Fernando Yokota<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tempo para uma \u00e1gua e uma barrinha de cereal na sala de imprensa (muito bem localizada, por sinal, ponto positivo para a organiza\u00e7\u00e3o) e hora de conferir o chamado Tributo ao Pantera, liderado por Phil Anselmo. Anteriormente, o show tamb\u00e9m teria o baixista Rex Brown, mas ele precisou se afastar pois testou positivo para Covid-19. Em seu lugar foi convidado Derek Engemann. Completaram o time o baterista Charlie Benante (Anthrax) e o ic\u00f4nico guitarrista Zakk Wylde. N\u00e3o poderia ser diferente, at\u00e9 porque Zakk sempre foi cogitado para, em uma eventual reuni\u00e3o da banda, assumir a fun\u00e7\u00e3o que era de Dimebag Darrell. Tinha tudo para ser um grande ca\u00e7a-n\u00edquel, mas, contrariando algumas previs\u00f5es, foi um show bem honesto, em que cada m\u00fasica foi executada primorosamente pelo quarteto. A banda priorizou os discos \u201cVulgar Display of Power\u201d (1992) e \u201cFar Beyond Driven\u201d (1994), mas tamb\u00e9m trouxe cl\u00e1ssicos de outros discos, como \u201cCowboys From Hell\u201d (1990) e \u201cReinventing the Steel\u201d (2000). Rolou at\u00e9 um momento de homenagem a Dimebag e Vinnie Paul, com imagens nos tel\u00f5es ao som de \u201cCemetery Gates\u201d. No final, o tributo ao Pantera reuniu, provavelmente, o segundo maior p\u00fablico do Knotfest, ficando atr\u00e1s apenas do Slipknot.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pouco antes do in\u00edcio do show, um cara parou do meu lado e mandou: &#8220;Daqui n\u00e3o t\u00e1 ruim n\u00e3o, v\u00e9io! Vai ter que me aguentar do seu lado&#8221;, se referindo \u00e0 vista do palco. A camiseta era do \u201cCowboys From Hell\u201d. O bon\u00e9 tamb\u00e9m era do Pantera. E ele cantou cada frase, \u201csolou\u201d junto com Zakk e curtiu um grande show de metal. Hora de dar uma corrida at\u00e9 o Knotstage para prestigiar o Bring Me The Horizon. Fora o Slipknot, com certeza esse foi o show que contou com o p\u00fablico mais diverso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 faixa et\u00e1ria, com a preval\u00eancia de muitos jovens e adolescentes. O carism\u00e1tico vocalista Oliver Sykes se comunicou praticamente o show todo em portugu\u00eas, ainda que com alguns erros aqui e ali. Foi bem legal ver essa intera\u00e7\u00e3o. Vale lembrar que ele \u00e9 casado com a brasileira Alissa Salls e, atualmente, mora em Taubat\u00e9.<\/p>\n<figure id=\"attachment_71456\" aria-describedby=\"caption-attachment-71456\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-71456\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/bring-me-the-horizon-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/bring-me-the-horizon-1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/bring-me-the-horizon-1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-71456\" class=\"wp-caption-text\"><em>Bring Me The Horizon \/ Foto de Fernando Yokota<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Oli j\u00e1 iniciou o show perguntando ao p\u00fablico: &#8220;Est\u00e3o prontos para uma festa?&#8221;. A resposta foi extremamente positiva. No palco, relativamente simples, muitas luzes e v\u00e1rios efeitos visuais deram um tom colorido aos tel\u00f5es. Em v\u00e1rios momentos da apresenta\u00e7\u00e3o, Oliver fez um pedido para os f\u00e3s: &#8220;Eu preciso de um mosh pit &#8216;mais grande &#8216;, S\u00e3o Paulo!&#8221;. As faixas de destaque foram \u201cMantra\u201d, &#8220;That &#8216;s Spirit\u201d, \u201cParasite Eve\u201d (puta refr\u00e3o marcante) e \u201cSleepwalking\u201d (a mais pedida pelos f\u00e3s). Pouco antes do Bring Me The Horizon encerrar seu show, atravessei novamente todo o samb\u00f3dromo para chegar no Carnival Stage a tempo de pegar o in\u00edcio da apresenta\u00e7\u00e3o do Judas Priest. Aos 71 anos, \u00e9 impressionante a aula de t\u00e9cnica vocal que Rob Halford d\u00e1 no palco. Dos falsetes ao gutural, o cara mostra que ainda \u00e9 um verdadeiro \u201cMetal God\u201d. O setlist foi matador, indo de \u201cElectric Eye\u201d at\u00e9 \u201cLiving After Midnight\u201d, passando por cl\u00e1ssicos absolutos: \u201cYou\u2019ve Got Another Thing Comin\u2019\u201d, \u201cTurbo Lover\u201d, \u201cPainkiller\u201d e \u201cBreaking the Law\u201d, s\u00f3 para citar alguns. Foda!<\/p>\n<figure id=\"attachment_71461\" aria-describedby=\"caption-attachment-71461\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-71461\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/judas-priest1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"859\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/judas-priest1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/judas-priest1-262x300.jpg 262w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-71461\" class=\"wp-caption-text\"><em>Judas Priest \/ Foto de Fernando Yokota<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s mais de 10 horas, chegava o momento dos donos da festa darem as caras (ou seria as m\u00e1scaras?) no Knotstage. As grava\u00e7\u00f5es de \u201cFor Those About to Rock\u201d (AC\/DC) e \u201cGet Behind Me Satan and Push\u201d (Billie Jo Spears) serviram como prel\u00fadio para que Corey Taylor (voz), Mick Thomson (guitarra), Jim Root (guitarra), Sid Wilson (DJ), Alessandro Venturella (baixo), Shawn \u201cClown\u201d Crahan (percuss\u00e3o), Craig Jones (pickups), Jay Weinberg (bateria) e Michael Pfaff (percuss\u00e3o) subissem ao palco. Era hora de Slipknot. A destrui\u00e7\u00e3o sonora come\u00e7ou com \u201cDisasterpiece\u201d, seguiu com \u201cWait and Bleed\u201d e abriu espa\u00e7o para uma das mais recentes, \u201cAll Out Life\u201d (2018). Mas antes desta, Corey se dirigiu ao p\u00fablico para demonstrar sua felicidade em estar de volta a S\u00e3o Paulo e perguntar como todos estavam se sentindo. O set seguiu com \u201cSulfur\u201d, \u201cBefore I Forget\u201d e chegou na \u00fanica m\u00fasica do novo e excelente \u00e1lbum (The End, So far, de 2022), \u201cThe Dying Song (Time to Sing)\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00e1 pela metade do show, Corey chamou todos de fam\u00edlia e disse que essa fam\u00edlia tinha um c\u00f3digo. Na sequ\u00eancia, mandou \u201cIf you\u2019re 555, then I\u2019m\u2026\u201d, o p\u00fablico, em un\u00edssono, completou: \u201c666\u201d. Era a deixa para \u201cThe Heretic Anthem\u201d (uma das preferidas deste redator). \u00c9 fant\u00e1stica a forma como o vocalista tem o p\u00fablico nas m\u00e3os e, ao mesmo tempo, consegue dividir muito bem os holofotes com os outros integrantes do grupo que sempre d\u00e3o um show de performance. As m\u00e1scaras ajudam, claro, mas cada um sabe exatamente o que fazer para atrair os olhares da plateia. \u201cSpit It Out\u201d, l\u00e1 do \u00e1lbum de estreia, foi a \u00faltima antes do bis e contou com o j\u00e1 cl\u00e1ssico momento em que Corey manda todos se abaixarem para pular apenas quando ele disser \u201cjump the fuck up\u201d. Sempre funciona perfeitamente bem. Ap\u00f3s uma breve pausa, os nove voltam ao palco para mais duas pedradas: \u201cPeople = Shit\u201d e \u201cSurfacing\u201d. Fogos de artif\u00edcios s\u00e3o lan\u00e7ados acima do Knotstage e todos saem do samb\u00f3dromo ao som de \u201c\u2018Til We Die\u201d com a certeza de terem experienciado um show impec\u00e1vel, em um festival que tem tudo para voltar em outras edi\u00e7\u00f5es para o Brasil. Que n\u00e3o esperem quatro anos para isso. Enfim, domingo hist\u00f3rico!<\/p>\n<figure id=\"attachment_71457\" aria-describedby=\"caption-attachment-71457\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-71457\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Sipknot.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"902\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Sipknot.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Sipknot-249x300.jpg 249w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-71457\" class=\"wp-caption-text\"><em>Slipknot \/ Foto de Fernando Yokota<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><em>\u2013 Paulo Pontes \u00e9 colaborador do\u00a0<a href=\"http:\/\/whiplash.net\/autores\/paulopontes.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Whiplash,\u00a0<\/a>assina a\u00a0<a href=\"http:\/\/lounge.obviousmag.org\/kontratak_kultural\/autor\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Kontratak Kultural<\/a>\u00a0e escreve de rock, hard rock e metal no Scream &amp; Yell. \u00c9 autor do livro \u201c<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/photo.php?fbid=2123311197759382&amp;set=a.356284934462026&amp;type=3&amp;theater\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A Arte de Narrar Vidas: hist\u00f3rias al\u00e9m dos biografados<\/a>\u201c.<\/em><br \/>\n<em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/fernandoyokotafotografia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fernando Yokota<\/a>\u00a0\u00e9 fot\u00f3grafo de shows e de rua. Conhe\u00e7a seu trabalho:\u00a0<a href=\"http:\/\/fernandoyokota.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/fernandoyokota.com.br\/<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um dos mais importantes festivais da chamada m\u00fasica pesada no mundo, o Knotfest enfim estreou na cidade de S\u00e3o Paulo com muitos grandes shows e&#8230; uma final de Copa do Mundo\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/12\/20\/ao-vivo-em-domingo-historico-slipknot-faz-a-festa-ao-lado-de-outros-11-convidados-de-peso-no-knotfest-sao-paulo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":65,"featured_media":71468,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[5078,4116,6521,6516,6517,3464,6519,974,6522,6518,6520],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71449"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/65"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71449"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71449\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":71469,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71449\/revisions\/71469"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/71468"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71449"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=71449"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=71449"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}