{"id":71375,"date":"2022-12-16T15:53:34","date_gmt":"2022-12-16T18:53:34","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=71375"},"modified":"2023-01-23T01:16:52","modified_gmt":"2023-01-23T04:16:52","slug":"entrevista-nestor-mendes-jr-fala-sobre-seu-novo-livro-bahea-minha-paixao-primeiro-campeao-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/12\/16\/entrevista-nestor-mendes-jr-fala-sobre-seu-novo-livro-bahea-minha-paixao-primeiro-campeao-do-brasil\/","title":{"rendered":"Entrevista: Nestor Mendes Jr. fala sobre seu novo livro, &#8220;Bah\u00eaa, Minha Paix\u00e3o &#8211; Primeiro Campe\u00e3o do Brasil&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0entrevista por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para torcedores de um time de futebol, pessoas que t\u00eam um grau de admira\u00e7\u00e3o por uma equipe esportiva pela qual se sintam representados dentro das quatro linhas de um gramado, h\u00e1 sempre quest\u00f5es afetivas que ultrapassam qualquer senso de pragmatismo. Muitas vezes, tais quest\u00f5es est\u00e3o relacionadas a ra\u00edzes e a la\u00e7os familiares; a per\u00edodos representativos de uma vida; a aspectos emocionais nost\u00e1lgicos ou, simplesmente (em um n\u00edvel mais avan\u00e7ado), aquele time \u00e9 a raz\u00e3o atrav\u00e9s da qual tais pessoas se relacionam socialmente. Em um n\u00edvel ainda mais profundo e idiossincr\u00e1tico: aquele time \u00e9, simplesmente, a raz\u00e3o pela qual aquelas pessoas vivem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O jornalista a escrever esse texto tinha sete anos de idade quando, em fevereiro de 1989, estava com seu pai, Antonio, em uma Fonte Nova abarrotada naquele Bahia x Fluminense com mais de 110 mil pessoas a lotar o est\u00e1dio. Apesar da lembran\u00e7a daquele dia estar nublada pelos assustados olhos infantis, a j\u00e1 adolescente d\u00e9cada seguinte traz \u00e0 atual mem\u00f3ria quarentona nomes como Lima Sergipano, U\u00e9slei, Bebeto Campo, Clebson, Jean e outros a marcar os anos 1990 e a construir uma raiz ligada ao citado la\u00e7o familiar afetivo oriundo do velho Barret\u00e3o, que, infelizmente, partiu de modo precoce ainda em 2011, n\u00e3o vendo, em 2012, seu time voltar a conquistar um t\u00edtulo baiano ap\u00f3s jejum de quase uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/nestormendesjr\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Nestor Mendes Jr.<\/a>, em seus escritos a revistar a trajet\u00f3ria do Esporte Clube Bahia, consegue captar os detalhes de todos esses sentimentos acima. No seu novo livro, \u201c<a href=\"https:\/\/www.casadotricolor.com.br\/categoria\/3239762\/literatura_tricolor\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bah\u00eaa, Minha Paix\u00e3o &#8211; Primeiro Campe\u00e3o do Brasil<\/a>\u201d (2022), ele esmi\u00fa\u00e7a n\u00e3o somente o aspecto de pesquisa hist\u00f3rica e profissional dos 90 anos do seu time, mas, tamb\u00e9m, esse ponto emocional atrelado ao esquadr\u00e3o, ao seu hino, ao seu uniforme, sua apaixonada torcida e ao est\u00e1dio da Fonte Nova. &#8220;Ao longo do tempo, voc\u00ea tem ciclos. Tem um ciclo no qual o Bahia est\u00e1 bem, tem outro em que outro clube n\u00e3o est\u00e1. E o que \u00e9 que voc\u00ea leva? Por exemplo, voc\u00ea foi menino com sete anos para a Fonte Nova. Aquilo \u00e9 um alumbramento para sua vis\u00e3o. A primeira vez em que eu entrei no est\u00e1dio, em um BA-VI, aquilo n\u00e3o existe para o olhar de um menino&#8221;, afirma Nestor, que tem registrada na mem\u00f3ria a primeira vez que pisou no templo baiano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Eu lembro que fiquei maluco com aquilo. Como \u00e9 que voc\u00ea tem uma torcida gritando daquele jeito? Aquela coisa colorida? Uma parte azul, vermelha e branca. A outra parte vermelha e preta. Aquele frenesi. Aquilo \u00e9 uma coisa que n\u00e3o sai da cabe\u00e7a. S\u00e3o elementos que voc\u00ea vai incorporando e que, hoje, qualquer crian\u00e7a percebe&#8221;, pontua o autor, que, acertadamente, representou em seu novo livro essa longevidade do clube atrav\u00e9s de fotos de uma jovem e nova gera\u00e7\u00e3o de torcedores mirins.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com \u201cBah\u00eaa, Minha Paix\u00e3o &#8211; Primeiro Campe\u00e3o do Brasil\u201d, Mendes Jr. p\u00f4de corrigir algo que, desde 2001, quando lan\u00e7ou seu primeiro livro sobre o esquadr\u00e3o, o incomodava. &#8220;Uma das coisas era essa quest\u00e3o do almanaque indo de 1931 at\u00e9 2021. Noventa anos. Eu considerava que uma incapacidade do primeiro livro de 2001 era n\u00e3o atender a todas as temporadas. \u00c9 um livro muito sint\u00e9tico. Por exemplo, \u00e0s vezes, no livro de 2001, tem tr\u00eas temporadas que est\u00e3o l\u00e1, juntas, em um par\u00e1grafo as resumindo. \u00c9 muito pouco. E n\u00e3o detalhava sobre os acontecimentos hist\u00f3ricos no Brasil e no mundo. Ent\u00e3o, o novo livro corrige essa falha do de 2001. Ele detalha as temporadas. Hoje, elas est\u00e3o muito mais aprofundadas&#8221;, explica o autor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cBah\u00eaa, Minha Paix\u00e3o &#8211; Primeiro Campe\u00e3o do Brasil\u201d \u00e9 o terceiro livro no qual Nestor aprofunda sua pesquisa sobre o seu time do cora\u00e7\u00e3o. No segundo, \u201cNunca Mais! 25 Anos de Luta pela Liberdade no Esporte Clube Bahia\u201d, lan\u00e7ado em 2014, ele apresentou um comp\u00eandio de toda a luta da torcida do Bahia contra os ditadores que se apossaram do time desde sua funda\u00e7\u00e3o em 1931. Luta essa que democratizou o clube. &#8220;A tirania e a ditadura s\u00e3o as coisas mais burras que existes politicamente falando tanto para um clube de futebol quanto para um pa\u00eds, quanto para uma empresa. Para qualquer coisa. A ditadura \u00e9 um neg\u00f3cio nocivo n\u00e3o somente do ponto de vista da liberdade social, mas da liberdade econ\u00f4mica, tamb\u00e9m&#8221;, crava Nestor, que traz no novo livro a fase de trevas pela qual passou o time.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Para voc\u00ea ter uma ideia, esse Bahia que era o Bahia dos Maracaj\u00e1s e dos Guimar\u00e3es, que a gente chama de Bahia das trevas, voc\u00ea tinha, no m\u00e1ximo, 200 s\u00f3cios pagantes. Teve elei\u00e7\u00e3o com pouco mais de 150 s\u00f3cios com a mensalidade em dia. Hoje, o Bahia tem 45 mil s\u00f3cios com o clube caindo para a segunda divis\u00e3o ano passado, sem uma grande vitrine. Imagina uma mensalidade de R$50 para uma quantidade de 45 mil a 50 mil s\u00f3cios? Imagine quanto se perdeu de dinheiro durante esse per\u00edodo das chamadas trevas? Por uma quest\u00e3o de vaidade pessoal. Isso era uma completa idiotice&#8221;, opina. Al\u00e9m do tratado escrito por Nestor, o novo livro traz textos escritos por nomes como Evaristo de Macedo, o t\u00e9cnico do bi-campeonato de 1988, sendo essa a primeira vez em que o veterano professor se debru\u00e7a em um artigo autoral sobre a conquista hist\u00f3rica; do ex-diretor da CBF, Virg\u00edlio El\u00edsio, que foi o mais jovem presidente do Conselho Deliberativo do Bahia, bem como do Dr. Ruy Botelho, m\u00e9dico e expert em camisas tricolores, e do m\u00fasico e escritor Manno G\u00f3es, al\u00e9m de v\u00e1rios outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para um time que chega aos 90 anos, o novo livro \u00e9 um marco que representa um novo horizonte. &#8220;A partir de 2023, o Bahia est\u00e1 sob nova dire\u00e7\u00e3o. Estar\u00e1 sob o comando do City Group, que \u00e9 um grupo que tem expertise. Os caras n\u00e3o v\u00e3o meter a cara em uma hist\u00f3ria dessa para brincar&#8221;, afirma Nestor sobre a nova fase e finaliza de modo direto: &#8220;Para o apaixonado pelo Bahia, o presidente \u00e9 muito secund\u00e1rio. A gente quer ver \u00e9 t\u00edtulo. A gente quer ver \u00e9 gol. Quer ver o Bahia disputando campeonatos. Essa \u00e9 a verdade. Essa \u00e9 a paix\u00e3o do torcedor e que n\u00e3o vai acabar nunca&#8221;. Mais do que nunca, \u00e9 isso. BBMP!!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa entrevista ao Scream &amp; Yell, Nestor aprofunda como se deu sua pesquisa para chegar a \u201cBah\u00eaa, Minha Paix\u00e3o &#8211; Primeiro Campe\u00e3o do Brasil\u201d, al\u00e9m de relembrar momentos que definem o indefin\u00edvel amor pelo Esporte Clube Bahia. Confira!<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-71382\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/bahea2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"633\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/bahea2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/bahea2-300x253.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse \u00e9 seu terceiro livro sobre o Bahia, sendo que este comemora os 90 anos do tricolor. Ap\u00f3s 20 anos do primeiro, \u201cEsporte Clube da Felicidade\u201d, lan\u00e7ado em 2001, como foi o processo de revisitar essa hist\u00f3ria acrescendo mais vinte anos a ela?<\/strong><br \/>\nQuando voc\u00ea come\u00e7a alguma coisa, \u00e9 preciso um ponto de partida. Como uma caminhada. Tem que chegar ao primeiro passo. No primeiro livro, era meio que uma caminhada que voc\u00ea n\u00e3o sabia onde ia dar. Porque eu tinha algumas refer\u00eancias da d\u00e9cada de 1940. Aroldo Maia escreve um livro que abrange at\u00e9 1940, primeira parte (N.E. Livro lan\u00e7ado em 1969 sob o t\u00edtulo &#8220;A Verdadeira Hist\u00f3ria do Esporte Clube Bahia&#8221;, em dois volumes). Depois, Newton Calmon e Carlos Casaes, que s\u00e3o jornalistas, eles escrevem um outro chamado &#8220;Bahia de Todos os T\u00edtulos&#8221;, que vai at\u00e9 o come\u00e7o dos anos 1970. Ent\u00e3o, eu tinha mais ou menos isso como refer\u00eancia. Mas, livro, quando voc\u00ea come\u00e7a a escrever, \u00e9 uma coisa meio sem fim. Voc\u00ea n\u00e3o sabe onde vai dar. O primeiro livro de 2001, ele foi refer\u00eancia para esse novo porque ele calca a pesquisa hist\u00f3rica (N.E. \u201cBahia Esporte Clube da Felicidade &#8211; 70 Anos de Gl\u00f3ria\u201d, lan\u00e7ado por Nestor Mendes h\u00e1 21 anos). S\u00e3o mais de 200 depoimentos de jogadores que, hoje, n\u00e3o est\u00e3o mais vivos. Pessoas que nos deixaram nesses 20 anos. Esse livro me ajudou muito a dar esse norte, esse caminho, essa dire\u00e7\u00e3o. Agora, esse novo livro tem uma capacidade de absorver o de 2001, de amplificar, de filtrar e de melhorar. Eu sou o autor, sou suspeit\u00edssimo para falar, mas acho que \u00e9 um livro dez vezes melhor que o de 2001. Muito pelo apuramento, pelo refinamento da pesquisa, por poder acrescentar coisas que n\u00e3o tinham antes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea citou no release a inclus\u00e3o de um aprofundamento em fases que estavam ausentes no livro de 2001. Quais foram essas fases?<\/strong><br \/>\nA temporadas de 1957 e 1960 eram tratadas de uma forma meio \u2018en passant\u2019. A quest\u00e3o das excurs\u00f5es do Bahia, por exemplo. Eu achava que faltava alguma coisa. O ex-senador Antonio Carlos Magalh\u00e3es Jr., que foi uma pessoa que me deu uma esp\u00e9cie de norte no in\u00edcio do primeiro livro, de 2001, tem uma mem\u00f3ria prodigiosa sobre o Bahia. Ele me cobrava dizendo que faltava mais detalhes sobre aquelas excurs\u00f5es. E a\u00ed voc\u00ea tem coisas que mesmo a torcida mais velha passava batida. Ficava uma coisa assim&#8230; (pausa) Porra, o Bahia ganhou do Bayern, da Alemanha. Um amistoso, certo, mas ganhou dentro da Alemanha. O Bahia jogou contra o Chelsea. Foi pioneiro na R\u00fassia, que na \u00e9poca era URSS. S\u00e3o coisas que o novo livro incorporou e encorpou ao de 2001. Quando comecei a escrever, pensei: &#8220;Rapaz, eu n\u00e3o vou somente ampliar os 20 anos.&#8221; A ideia era pegar os 20 anos que faltavam, complementar e pronto. Estava pronto o livro. Mas pensei: &#8220;N\u00e3o, vou reescrever esse livro do in\u00edcio ao fim.&#8221; Comecei em fevereiro de 2021 e terminei, praticamente, em novembro desse ano, quando ainda tinha coisas de \u00faltima hora para acertar. E livro tem uma coisa interessante. Qualquer obra liter\u00e1ria, para finalizar, voc\u00ea tem que simplesmente que parar. Se voc\u00ea n\u00e3o parar, voc\u00ea n\u00e3o termina nunca. Precisa colocar um ponto final. E ai voc\u00ea tem logo depois do livro conclu\u00eddo, o Bahia sobe de novo para a primeira divis\u00e3o e vira SAF (N.E. Sociedade An\u00f4nima de Futebol). Vira um clube multinacional dominado, hoje, por \u00e1rabes, norte-americanos e chineses. O Bahia n\u00e3o \u00e9 mais somente baiano. E isso acontece rapidamente. Ent\u00e3o, \u00e9 muito din\u00e2mica a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-71381\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Ano-de-1932-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"777\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Ano-de-1932-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Ano-de-1932-copiar-290x300.jpg 290w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ao ter acesso ao livro, al\u00e9m da diagrama\u00e7\u00e3o detalhada com diversos aspectos hist\u00f3ricos tanto do tricolor como em um contexto geral do Brasil e do mundo, chama aten\u00e7\u00e3o a estrutura de almanaque, temporada ap\u00f3s temporada.<\/strong><br \/>\nSim. Uma das coisas era essa quest\u00e3o do almanaque indo de 1931 at\u00e9 2021. 90 anos. Uma falha, uma incapacidade do primeiro livro de 2001 era n\u00e3o atender a todas as temporadas. \u00c9 um livro muito sint\u00e9tico. Por exemplo, \u00e0s vezes, no livro de 2001, tem tr\u00eas temporadas que est\u00e3o l\u00e1, juntas. Somente divididas com uma barra ou em um par\u00e1grafo resumindo tr\u00eas temporadas, por exemplo. \u00c9 muito pouco. N\u00e3o se detalhava os acontecimentos. Sobre o que permeava cada um. Os acontecimentos hist\u00f3ricos no Brasil e no mundo. Ent\u00e3o, esse livro corrige essa falha do de 2001. Ele detalha as temporadas. Hoje, elas est\u00e3o muito mais aprofundadas. Claro que voc\u00ea pode at\u00e9 descobrir que falta alguma coisa. Mas os detalhes est\u00e3o extraordinariamente melhores nesse livro do que no outro. Consegui equilibrar bem entre informa\u00e7\u00e3o com o contexto hist\u00f3rico tanto nacional quanto internacional. E com o contexto local que, \u00e0s vezes, influencia muito na hist\u00f3ria. Por exemplo, em 2020, chega a Covid e isso muda o calend\u00e1rio esportivo. Voltamos a ter uma coisa que n\u00e3o tinha, algo bem antigo, que era uma temporada come\u00e7ar em um ano e ser conclu\u00edda no outro. \u00c9 uma din\u00e2mica interessante. Esse cap\u00edtulo dois, que \u00e9 o ano a ano, de 1932 a 2021, ele est\u00e1 bem detalhado e rico.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Adroaldo Ribeiro   Hino do Bahia\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UM-IWvse7zI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim. \u00c9 uma estrutura enciclop\u00e9dica que me agrada muito em rela\u00e7\u00e3o a pesquisa da hist\u00f3ria.<\/strong><br \/>\nA hist\u00f3ria \u00e9 sempre contada por algu\u00e9m atrav\u00e9s de uma vis\u00e3o e de um ponto de vista. Mas voc\u00ea tem fatos e esses fatos voc\u00ea checa. Alguns n\u00e3o s\u00e3o poss\u00edveis de checar por conta de que as pessoas que os estavam vivendo j\u00e1 faleceram. Ou ent\u00e3o n\u00e3o deixaram depoimentos. Ou mesmo elas que tenham vivido o momento, podem ter uma vis\u00e3o, uma leitura diferente de outras. A hist\u00f3ria se equilibra um pouco nessa conjun\u00e7\u00e3o entre os fatos e entre a vis\u00e3o de quem escreve, tamb\u00e9m. Eu acho muito legal isso. Voc\u00ea ter essa coisa registrada realmente do que aconteceu. O Bahia foi campe\u00e3o, o Bahia perdeu. Aconteceu isso, acontece aquilo. Agora, isso n\u00e3o tira esse elemento da magia do futebol e da pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Ela \u00e9 riqu\u00edssima nesse vai n\u00e3o vai, coisas que podiam acontecer e n\u00e3o aconteciam. \u00c9 muito interessante. Acho que funciona como uma enciclop\u00e9dia do Bahia. Voc\u00ea tem outros livros semelhantes no mundo do futebol que s\u00e3o mais ou menos isso. S\u00e3o resumos dos jogos, como foi a temporada do time durante aquele ano. Esse livro contempla tudo isso. Contempla uma parte dessa coisa do almanaque, da enciclop\u00e9dia. E contempla outra parte que \u00e9 a hist\u00f3rica, mesmo. De voc\u00ea ter v\u00e1rias pessoas que contribu\u00edram com essa hist\u00f3ria. Eles contando, eles estando presentes no livro. Sejam torcedores, sejam jogadores, sejam treinadores, sejam m\u00fasicos ou outros artistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea cita os artistas e a rela\u00e7\u00e3o deles com o time do Bahia. Isso me faz pensar no hino e como ele se popularizou.<\/strong><br \/>\nSim. E a gera\u00e7\u00e3o do trio el\u00e9trico ajudou muito a disseminar o hino do Bahia. Ele deixa de ser uma m\u00fasica, um hino de clube, para ser uma m\u00fasica popular. Um Hino do Bahia. Para isso, tem uma contribui\u00e7\u00e3o fant\u00e1stica de tr\u00eas grandes figuras. Adroaldo Ribeiro Costa, que \u00e9 o autor que comp\u00f5e esse hino na d\u00e9cada de 1940. Depois ele \u00e9 popularizado na d\u00e9cada de 1950. \u00c9 quando vem o segundo elemento, que \u00e9 uma dupla, e depois \u00e9 um trio, que \u00e9 o trio el\u00e9trico de Dod\u00f4 e Osmar. \u00c9 justamente quando acontece o primeiro t\u00edtulo brasileiro em 1959. E o terceiro elemento nessa populariza\u00e7\u00e3o \u00e9 Moraes Moreira, j\u00e1 no trio eletrizado nos anos 1970, quando acontece o jubileu de prata do trio el\u00e9trico Dod\u00f4 e Osmar e ele canta o hino do Bahia no carnaval. At\u00e9 ent\u00e3o, as m\u00fasicas de um modo geral do carnaval eram s\u00f3 no instrumental. <a href=\"https:\/\/twitter.com\/ecbahia\/status\/1249852014667993089\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">E Moraes Moreira passa a cantar o Hino do Bahia<\/a>. Ent\u00e3o, tem essa contribui\u00e7\u00e3o assim que \u00e9 fant\u00e1stica \u00e0 hist\u00f3ria. E depois voc\u00ea tem Luiz Caldas, tem Caetano e Gil, que gravaram no disco &#8220;Barra 69&#8221;, um disco ao vivo que traz show hist\u00f3rico de despedida deles antes do ex\u00edlio em Londres. <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/playlist?list=OLAK5uy_myWmIoB3VWMrCQ4vt5GFjSQFWMiLRCem8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">E que \u00e9 um show pol\u00edtico<\/a>. E que eles usam essa m\u00fasica como uma carga pol\u00edtica e sentimental muito grande. O que marca a Bahia para eles quando escolhem essa m\u00fasica? \u00c9 o hino do time do Bahia. Algo fant\u00e1stico que incorpora o hino \u00e0 MPB e \u00e0 m\u00fasica baiana. O hino do Bahia passa a ser tocado em bailes de carnaval por torcedores de todos os times. Ningu\u00e9m ficava dizendo: &#8220;N\u00e3o toca porque sou Vit\u00f3ria&#8221;. N\u00e3o. Todo mundo l\u00e1 na hora da batalha, do baile de carnaval, todo mundo corria atr\u00e1s do hino. Ent\u00e3o, talvez no futebol brasileiro n\u00e3o tenha um hino com essa for\u00e7a e m\u00fasica popular. N\u00e3o tem. Cid Teixeira (N.E. professor e historiador baiano falecido em 2021) me disse em entrevista durante um depoimento para o livro de 2001, que s\u00f3 tinha uma m\u00fasica com for\u00e7a igual a do Hino do Bahia que era o Hino ao Senhor do Bomfim. Que n\u00e3o existia outra. Era uma coisa in\u00e9dita. Voc\u00ea pegar um hino de clube e transformar em uma m\u00fasica popular. E virou. E o Hino do Bomfim tamb\u00e9m foi gravado por Caetano e tamb\u00e9m toca no Carnaval, ali nos encontros dos trios que aconteciam nas manh\u00e3s da pra\u00e7a Castro Alves. Essa mistura do que \u00e9 art\u00edstico, do que \u00e9 cultural e do que \u00e9 futebol\u00edstico, o Bahia consegue incorporar, consegue amalgamar muito bem ao longo da sua hist\u00f3ria. Ent\u00e3o, voltando ao que voc\u00ea falava, tem essa parte almanaquista, enciclopedista, mas tamb\u00e9m tem essa parte dessa hist\u00f3ria de quantas contribui\u00e7\u00f5es deram para que o Bahia chegasse a essa posi\u00e7\u00e3o de um clube popular com a for\u00e7a de uma torcida que \u00e9 descomunal. Uma torcida que est\u00e1 no n\u00edvel dos grandes clubes populares do mundo. E Morares Moreira comp\u00f4s outra can\u00e7\u00e3o que \u00e9 tida como um dos hinos do Bahia, a &#8220;Campe\u00e3o dos Camp\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Novos Baianos - Campe\u00e3o dos Campe\u00f5es\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_HyR4MYItgo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lembro, tamb\u00e9m, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/alvaro.assmar\/videos\/10204212347905251\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">de uma vers\u00e3o que o guitarrista \u00c1lvaro Assmar<\/a>.\u00a0 E al\u00e9m dessas que falamos, h\u00e1 diversas outras vers\u00f5es com outros artistas aqui da Bahia.<\/strong><br \/>\nSim. \u00c1lvaro que apresentava o Educadora Blues. \u00c9 algo muito rico. A mistura que a m\u00fasica feita na Bahia tem de incorporar. Voc\u00ea tem a coisa tradicional do samba de roda, do Rec\u00f4ncavo, e incorpora com essa coisa do Tropicalismo. A Tropic\u00e1lia traz a guitarra, que \u00e9 justamente a proposta de Gil e de Caetano de incorporar esses elementos da Jovem Guarda. N\u00e3o havia um duelo, na verdade. Era uma incorpora\u00e7\u00e3o de ritmos. A Jovem Guarda muito mais pautada no rock, mas a Tropic\u00e1lia incorpora o que \u00e9 tradicional com o que \u00e9 internacional, com o que \u00e9 pop. Ent\u00e3o, o Hino do Bahia e tamb\u00e9m o time faz isso. Ao longo de sua hist\u00f3ria, ele se reinventa incorporando essas coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse aspecto de revisita hist\u00f3rica que o &#8220;Bah\u00eaa, Minha Paix\u00e3o &#8211; Primeiro Campe\u00e3o do Brasil&#8221; traz n\u00e3o somente no cap\u00edtulo de almanaque ano a ano, mas nos outros onde voc\u00ea traz a trajet\u00f3ria do clube nos d\u00e1 uma ideia precisa do que foram esses noventa anos.<\/strong><br \/>\nO Bahia tem ao longo desses 90 anos essa coisa muito ousada. Ele \u00e9 o primeiro clube campe\u00e3o brasileiro em 1959 e talvez se defrontando com o melhor time de todos os tempos que \u00e9 o Santos. N\u00e3o \u00e9 pouca coisa. \u00c9 a mesma coisa de voc\u00ea, tempos atr\u00e1s, enfrentar o Barcelona, de Messi, ou o Real Madrid, de Cristiano Ronaldo. E, assim mesmo, esses times ainda ficam um pouco atr\u00e1s do que era o Santos de Pel\u00e9, Pepe, Dorval que enfrentou o Bahia. Ent\u00e3o, \u00e9 muito emblem\u00e1tica essa ousadia tricolor. De ter incorporado essa coisa do tradicional, mas ao mesmo tempo sempre procurar ser diferente, ser ousado, incorporar elementos novos. Voc\u00ea tem, por exemplo, a torcida LGBTQIA+ sendo representada em tempos mais recentes. Voc\u00ea tem a quest\u00e3o social. O Bahia nasce, a\u00ed j\u00e1 indo um pouco mais para a hist\u00f3ria, o Bahia nasce, basicamente, da uni\u00e3o de jogadores da Associa\u00e7\u00e3o Atl\u00e9tica da Bahia e do Clube Bahiano de T\u00eanis. Esses clubes disputavam o campeonato baiano. E, em 1929, eles decidem n\u00e3o mais disputar. Decidem acabar com sua divis\u00e3o profissional, com seus clubes que disputavam o campeonato profissional. E esses jogadores ficam ao l\u00e9u. E o que acontece? Eles come\u00e7am e disputar jogos amadores e acaba nascendo a ideia de criar um clube. \u00c9 quando nasce a hist\u00f3ria do Bahia no final da d\u00e9cada de 1930, in\u00edcio de 1931. E por que a hist\u00f3ria tem a ver com isso? Porque esses clubes eram muito tradicionais. Em &#8220;Tradi\u00e7\u00e3o&#8221;, Gilberto Gil fala que &#8220;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=1Xhymj52tB4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">preto n\u00e3o entrava no (clube) Bahiano (de T\u00eanis) nem pela porta da cozinha<\/a>&#8220;.\u00a0 Ent\u00e3o, o que eles enxergam, esses clubes? &#8220;N\u00e3o temos mais como segurar. Os pretos est\u00e3o jogando futebol no Ypiranga, est\u00e3o no Botafogo, est\u00e3o nos clubes da cidade. N\u00e3o d\u00e1 para impedir.&#8221; Voc\u00ea tem um jogador negro do Ypiranga, o Pop\u00f3, que \u00e9 um m\u00e1gico. Pop\u00f3 foi campe\u00e3o baiano e teve o p\u00e9 banhado com champanhe. Mas para eles admitirem, o (clube) Bahiano (de T\u00eanis) e a Associa\u00e7\u00e3o Atl\u00e9tica admitirem que precisavam incorporar o preto, a\u00ed era uma coisa complicada, uma vez que eles n\u00e3o admitiam pretos nem entrando na porta da cozinha. Ent\u00e3o, eles pensaram: &#8220;vou cair fora do futebol, porque n\u00e3o tinha mais como segurar.&#8221; O Bahia nasce dessas mudan\u00e7as. Em 1931, ainda sopravam os ventos da Revolu\u00e7\u00e3o de 1930, de Get\u00falio Vargas. Get\u00falio, a partir de 1930, come\u00e7a a mudar a pauta do Brasil, que era um pa\u00eds agr\u00e1rio e passa a ser um pa\u00eds urbano. Deixa de ser o pa\u00eds da produ\u00e7\u00e3o s\u00f3 agr\u00edcola e passa \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m, industrial, que \u00e9 o que vem a acontecer j\u00e1 no per\u00edodo da Segunda Guerra. Enquanto na Europa, essa industrializa\u00e7\u00e3o come\u00e7a no in\u00edcio do s\u00e9culo, no Brasil ela s\u00f3 come\u00e7a a partir da d\u00e9cada de 1930. E o Bahia tem esse papel de ser ao mesmo tempo a tradi\u00e7\u00e3o e ser a revolu\u00e7\u00e3o. E agora, em 2022, volta a fazer isso. Se torna um time a entrar em um grupo de multinacionais poderosas dentro do futebol, no caso o City Group. Ent\u00e3o, \u00e9 mais uma vanguarda do Bahia. Esse modelo de tradi\u00e7\u00e3o e vanguarda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse \u00e9 o seu terceiro livro sobre o time. O segundo&#8221;Nunca Mais! 25 Anos de luta pela liberdade no Esporte Clube Bahia&#8221; aborda de modo aprofundado as m\u00e1fias que passaram pelo time. Desde Paulo Maracaj\u00e1, presidente do Bahia durante os anos 1980 e na primeira metade dos anos 1990, passando pela m\u00e1fia de Marcelo Guimar\u00e3es e fam\u00edlia, voc\u00ea testemunhou diversas mudan\u00e7as no time. Tem aquela hist\u00f3ria de que Maracaj\u00e1 pediu sua cabe\u00e7a no jornal onde voc\u00ea trabalhava a n\u00e3o ser que voc\u00ea escrevesse um artigo ben\u00e9fico a ele. Voc\u00ea se recusou. Enfim, o Esporte Clube Bahia conseguiu escapar desses ditadores. Como foi esse processo para voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nEssa hist\u00f3ria \u00e9 interessant\u00edssima. A tirania e a ditadura s\u00e3o as coisas mais burras que existes politicamente falando tanto para um clube de futebol quanto para um pa\u00eds, quanto para uma empresa. Para qualquer coisa. A ditadura \u00e9 um neg\u00f3cio nocivo n\u00e3o somente do ponto de vista da liberdade social, mas da liberdade econ\u00f4mica, tamb\u00e9m. Para voc\u00ea ter uma ideia, esse Bahia que era o Bahia dos Maracaj\u00e1s e dos Guimar\u00e3es, que a gente chama de Bahia das trevas, voc\u00ea tinha, no m\u00e1ximo, estourando, 200 s\u00f3cios pagantes. No m\u00e1ximo 200. Teve elei\u00e7\u00e3o com pouco mais de 150 s\u00f3cios com a mensalidade em dia. \u00c9 um neg\u00f3cio burro. Hoje, o Bahia tem 45 mil s\u00f3cios e sem muito esfor\u00e7o. Com o clube caindo para a segunda divis\u00e3o (N.E. Fato aconteceu em 2021, com o Bahia voltando a disputar a primeira divis\u00e3o em 2023), sem uma grande vitrine, n\u00f3s temos 45 mil s\u00f3cios. Imagina uma renda dessa, com uma mensalidade de R$50 para uma quantidade de 45 mil a 50 mi s\u00f3cios? Imagine quanto se perdeu de dinheiro durante esse per\u00edodo das chamadas trevas? Por uma quest\u00e3o de vaidade pessoal. &#8220;Ah, eu quero manter isso sob meu dom\u00ednio, sob a minha batuta.&#8221; Isso era uma completa idiotice. Isso vale para o clube e vale para a pol\u00edtica de um modo geral. A ditadura \u00e9 anacr\u00f4nica. Ela tolhe n\u00e3o s\u00f3 a liberdade, mas o crescimento. Ela tolhe o progresso. Tolhe o desenvolvimento de tudo. Tolhe o desenvolvimento das pessoas. Quanto preju\u00edzo causou a ditadura no Brasil? Quantos talentos, quanto coisa que a gente podia ter avan\u00e7ado e n\u00e3o avan\u00e7ou. Ent\u00e3o, eu acho que quando voc\u00ea faz um balan\u00e7o do que o Bahia, nesses dois per\u00edodos, perdeu, \u00e9 muita coisa. Ficamos para tr\u00e1s. Ao ponto de ser campe\u00e3o brasileiro de 1988 e, no ano seguinte, lutar contra o rebaixamento. De n\u00e3o terem se aproveitado disso. De n\u00e3o ter se viabilizado como um grande l\u00edder sul-americano. Eu acho que 2013, que foi o marco da redemocratiza\u00e7\u00e3o, quando uma assembleia geral derruba tudo isso e passa a estabelecer elei\u00e7\u00f5es diretas, \u00e9 um marco n\u00e3o s\u00f3 de liberta\u00e7\u00e3o, mas de mudan\u00e7a de um patamar econ\u00f4mico. E que acabou desaguando, agora, na SAF. Se n\u00e3o tivesse isso, o Bahia, com certeza, n\u00e3o poderia ser cobi\u00e7ado por um grupo como o City. E que voc\u00ea pode discutir isso ou aquilo, mas, realmente, \u00e9 um dos players do futebol mundial. Indiscut\u00edvel. Eles t\u00eam ressalvas? T\u00eam. Todo mundo tem. Mas n\u00e3o pode deixar de discutir. E o Bahia s\u00f3 chegou a esse patamar porque conseguiu se livrar dessa vis\u00e3o tacanha de que o Bahia tinha dono. O Esporte Clube Bahia n\u00e3o tem dono. O Bahia \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o da torcida da Bahia.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-71379\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/1959-Primeiro-titulo-Brasileiro-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"785\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/1959-Primeiro-titulo-Brasileiro-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/1959-Primeiro-titulo-Brasileiro-copiar-287x300.jpg 287w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ap\u00f3s quase 10 anos desde a democratiza\u00e7\u00e3o do Esporte Clube Bahia em 2013, com o mandato de transi\u00e7\u00e3o de Fernando Schmidt, passando por Marcelo Sant&#8217;Ana e chegando ao atual presidente Guilherme Bellitani, voc\u00ea consegue criar uma reflex\u00e3o sobre um balan\u00e7o desse per\u00edodo at\u00e9 que possamos dizer que h\u00e1 um equil\u00edbrio no Bahia?<\/strong><br \/>\nEu acho que \u00e9 muito cedo ainda porque \u00e9 uma experi\u00eancia muito recente. Desde 2013, voc\u00ea tem nove anos, mais ou menos. N\u00e3o chegamos nem a 10 anos de hist\u00f3ria. Ent\u00e3o, \u00e9 muito cedo. Tinha um modelo no Bahia que vinha praticamente desde a funda\u00e7\u00e3o do time, que era o Bahia ser dominado por cardeais. Ele nunca teve uma democratiza\u00e7\u00e3o. Tinha uma hist\u00f3ria de Paulo Maracaj\u00e1, que conto no livro, que ele dizia que o risco era o an\u00e3o do Baby Beef ser o presidente. Era um porteiro que tinha no restaurante. Ele chegou a dizer isso. E era uma grande bobagem. Qualquer pessoa pode ser presidente. Ele pode ocupar o cargo durante um per\u00edodo e se n\u00e3o for bem, ele sai. Seja por mecanismos institucionais, como o impeachment, ou pelo fim do mandato dele. Mas de uma certa forma, ele contribui. O que voc\u00ea n\u00e3o pode ter s\u00e3o pessoas que se consideram iluminadas. Ter gente escolhida de Deus que est\u00e1 ali porque s\u00f3 aquela pessoa pode ser presidente. N\u00e3o existe isso. Isso \u00e9 uma grande bobagem. Ent\u00e3o, o Bahia perdeu muito com esse modelo de ser dominado por cardeais, de ser dominado por um modelo no qual achavam que s\u00f3 os deles que resolviam. E eu acho que, a partir de 2013, com (Fernando) Schmidt, que faz um mandato de transi\u00e7\u00e3o, uma esp\u00e9cie de tamp\u00e3o, voc\u00ea tem depois dois presidentes que s\u00e3o mais ou menos do mesmo grupo pol\u00edtico, mas que n\u00e3o d\u00e3o ainda uma ideia de altern\u00e2ncia de poder. De voc\u00ea, realmente, viver a democracia. E n\u00e3o tem ainda muito tempo para que tenhamos experimentado isso. Acho que Bellitani acaba se elegendo porque tem uma for\u00e7a, tem um nome. Ele vem como ex-secret\u00e1rio da prefeitura, da gest\u00e3o de ACM Neto. Acaba ganhando essa ideia de que \u00e9 um nome preparado para modernizar o Bahia. N\u00e3o vai dar tempo, talvez, de saber se a gente conseguiria chegar realmente nessa altern\u00e2ncia de poder e nessa coisa da democracia, com gente enxergando de um jeito e outro enxergando de outro. Porque a SAF limita muito o poder da institui\u00e7\u00e3o Esporte Clube Bahia. O Clube passa a ter 10% do controle. Vai ter elei\u00e7\u00e3o e a\u00ed voc\u00ea tem esse presidente ocupando uma cadeira em um conselho de seis pessoas da SAF. Assim, o peso do presidente acaba sendo muito menor. O Bahia vai ter que se reinventar. Porque o futebol passa a ser controlado pela SAF, pelo City Group.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso, para voc\u00ea, \u00e9 um ponto negativo ou positivo?<\/strong><br \/>\nDo ponto de vista de testar a democracia do Bahia, \u00e9 negativo. Porque voc\u00ea n\u00e3o tem mais o peso que tinha antes. Era um presidente que determinava tudo o que acontecia no clube. Agora, n\u00e3o. O presidente tem uma voz entre seis em um conselho gestor. \u00c9 muito pouco. Ele vai ser sempre vencido. Sempre! Claro que voc\u00ea vai ter pontos de vista que s\u00e3o, \u00e0s vezes, at\u00e9 de unanimidade. Ele vai ter uma proposta que os outros cinco v\u00e3o avaliar como sendo coerente, como sendo a melhor proposta. Disso eu n\u00e3o tenho d\u00favida. Agora, na decis\u00e3o do que fazer, quem vai decidir mesmo \u00e9 o City Group. \u00c9 quem vai contratar, \u00e9 quem vai tra\u00e7ar a estrat\u00e9gia daquele ano. Os parceiros comerciais, essa coisa toda. Ent\u00e3o, eu acho que para essa nova democracia do Bahia, \u00e9 uma perda. Mas, ao mesmo tempo, para o Bahia, \u00e9 um ganho enorme do ponto de vista de que passa a ter mais dinheiro, mais recursos e mais capacidade de fazer. Isso \u00e9 indubit\u00e1vel. Voc\u00ea tem um futebol cada vez mais profissional. Aquela coisa dos dois times, um com camisa, outro sem camisa, a bola em um terren\u00e3o, j\u00e1 acabou. N\u00e3o tem mais. Ent\u00e3o, eu acho que o Bahia est\u00e1 em um caminho do ponto de vista econ\u00f4mico, financeiro, muito bom. Agora, vamos ver como vai ficar do ponto de vista futebol\u00edstico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ao final de 2021, o Bahia acabou caindo para a segunda divis\u00e3o do Brasileir\u00e3o. No meu ponto de vista, conseguiu subir esse ano porque o n\u00edvel dos times na segunda divis\u00e3o era muito baixo. Houve m\u00e9ritos, sim, mas isso ajudou. Nessa nova fase, voc\u00ea acredita em melhores resultados para a temporada 2023?<\/strong><br \/>\nPrimeiro a gente vai ter que ver o arriar da mala que \u00e9 a nova gest\u00e3o do City Group, que agora \u00e9 quem comanda, \u00e9 quem define estrat\u00e9gia, \u00e9 quem define o que vai ser. Ser\u00e3o eles. botaram a cara a\u00ed e agora n\u00e3o v\u00e3o ficar entregando a terceiros ou \u00e0 atual gest\u00e3o de Bellitani o comando disso. S\u00e3o eles que v\u00e3o decidir. Porque s\u00e3o eles que v\u00e3o estar a par em rela\u00e7\u00e3o ao mercado, em rela\u00e7\u00e3o aos acionistas, aos investidores que comandam os tr\u00eas grupos. Um grupo majorit\u00e1rio \u00e9 \u00e1rabe, o segundo \u00e9 um grupo norte-americano, e o terceiro \u00e9 um grupo chin\u00eas, com mais ou menos 10%. O norte-americano tem 15% e o resto \u00e9 \u00e1rabe. Ent\u00e3o, essa divis\u00e3o, essa presta\u00e7\u00e3o de contas vai ser feita a esse pessoal. A mudan\u00e7a passa a ser essa a partir de 2023. Claro que com algumas ressalvas, porque ainda tem o processo de transi\u00e7\u00e3o, tem o processo de ajuste. Mas, a partir de 2023, o Bahia est\u00e1 sob nova dire\u00e7\u00e3o. O Bahia estar\u00e1 sob o comando do City Group, que \u00e9 um grupo que tem expertise. Que tem o Manchester City na Liga Inglesa, e que tem mais 11 clubes espalhados pelo mundo. Essa responsabilidade passa a ser deles. E os caras n\u00e3o v\u00e3o meter a cara em uma hist\u00f3ria dessa para brincar. Eu acho que \u00e9 muita exposi\u00e7\u00e3o. Essa hist\u00f3ria tem alguns meses de negocia\u00e7\u00e3o e eles sabem onde est\u00e3o pisando. Sabem o que v\u00e3o fazer. O Soriano (N.E. Ferran Soriano, CEO do City Group), na apresenta\u00e7\u00e3o que fez ao conselho, trouxe algo muito bom. N\u00e3o tem que mexer em marca, n\u00e3o tem que mexer em nome, n\u00e3o tem que mexer em torcida, n\u00e3o tem que mexer em hino. Porque \u00e9 nisso que est\u00e1 a for\u00e7a do clube. Isso \u00e9 a for\u00e7a do Bahia. Nunca existiu essa hist\u00f3ria de ter que mudar isso. Estamos entrando no Bahia por causa disso. Ele disse que teve conversas com outros clubes que n\u00e3o tinham a for\u00e7a que o Bahia tem. Voc\u00ea tirando os clubes do eixo sul-sudeste, o outro clube que voc\u00ea tem na bala da agulha \u00e9 o Esporte Clube Bahia. N\u00e3o tem outro no Brasil. Com torcida, com marca, com t\u00edtulos, com hist\u00f3ria, n\u00e3o existe. Voc\u00ea tem clubes bem arrumados? Sim. Tem clubes com potencial? Tem. Mas sem nada disso. Sem hist\u00f3ria, sem t\u00edtulos, sem marca, sem torcida, sem popularidade. Estamos falando de um estado de 14 milh\u00f5es de pessoas. Quantos pa\u00edses europeus existem nessa popula\u00e7\u00e3o? Ent\u00e3o, esse futebol que \u00e9 feito hoje, que \u00e9 baseado no consumo, no consumidor, o torcedor \u00e9 o consumidor. \u00c9 o potencial consumidor. O Bahia \u00e9 uma verdadeira vitrine para isso. Nos tr\u00eas \u00faltimos jogos na Fonte Nova, na s\u00e9rie B, teve um p\u00fablico m\u00e9dio de 48 mil pessoas. Potencial tem. Voc\u00ea falou de Bahia x Fluminense na Fonte Nova no campeonato de 1988, tinha 120 mil pessoas no est\u00e1dio. E isso voc\u00ea est\u00e1 falando de mais de 30 anos atr\u00e1s. Imagine que essa popula\u00e7\u00e3o cresceu. Essa paix\u00e3o pelo futebol cresceu. Voc\u00ea v\u00ea os valores que se movimentam hoje com um jogador de futebol. S\u00e3o valores milion\u00e1rios. O valor agregado do futebol aumentou muito. E o Bahia vai surfar nessa mar\u00e9 alta.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-71380\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/1988-Segundo-titulo-brasileiro-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"736\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/1988-Segundo-titulo-brasileiro-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/1988-Segundo-titulo-brasileiro-copiar-300x294.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falamos sobre diversos momentos da hist\u00f3ria do time que ocupam um lugar especial na mem\u00f3ria, seja por nostalgia, seja por uma romantiza\u00e7\u00e3o pessoal. Sobre esse aspecto do futebol, voc\u00ea acha que dentro dessa nova realidade, que movimenta tanto dinheiro, tantas marcas e empresas, transmiss\u00f5es via streaming em lives que suplantam TVs e r\u00e1dios tradicionais, voc\u00ea acha que ainda existe espa\u00e7o para essa romantiza\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nEssa coisa da romantiza\u00e7\u00e3o vs. profissionaliza\u00e7\u00e3o vs. esse novo paradigma do futebol, envolve n\u00e3o s\u00f3 a coisa financeira, mas a tecnol\u00f3gica, como isso que voc\u00ea falou sobre o streaming ter o poder de aglutinar um p\u00fablico que ningu\u00e9m imaginava que teria h\u00e1 algum tempo. Ent\u00e3o, voc\u00ea tem essas duas coisas, que \u00e9 a econ\u00f4mica e esse futebol saudoso da velha chuteira de couro ficou para tr\u00e1s. E essa coisa do velho radinho de pilha no ombro, tamb\u00e9m. Mas a paix\u00e3o pelo futebol nunca vai morrer. A paix\u00e3o \u00e9 imorr\u00edvel. Ela n\u00e3o vai acabar nunca porque \u00e9 ela que faz com que as pessoas sejam fascinadas seja pelo Bahia, seja pelo Flamengo, pelo Barcelona, pelo Manchester City. Essa paix\u00e3o nunca vai deixar de existir. Para voc\u00ea ter uma ideia, mesmo com essa coisa do futebol que a gente chama de rom\u00e2ntico e futebol que a gente chama de moderno, que \u00e9 o futebol dos n\u00fameros, voc\u00ea tem elementos para ainda o romantismo barrar esse avan\u00e7o. Na Holanda, o Manchester Group tentou comprar o NAC Breda e os torcedores alucinados foram para cima e n\u00e3o deixaram. Eles barraram. Impediram a compra, mesmo com todo esse dinheiro do Manchester Group, com toda bala que eles tinham para poder levantar um clube de 1912, um clube tradicional, com uma torcida apaixonada, mas os caras foram l\u00e1 e barraram. &#8220;N\u00e3o queremos que o clube seja vendido. Queremos o velho clube como era aqui.&#8221; E isso eu estou falando de hoje. Eles n\u00e3o conseguiram. Eles conseguiram com o Girona, na Espanha. Conseguiram com o pr\u00f3prio Manchester. Mas com o NAC Breda, da Holanda, n\u00e3o conseguiram. Foram barrados. Ent\u00e3o, o futebol ainda continua. Apesar dessa grande circula\u00e7\u00e3o de riqueza que tem no esporte, de muito dinheiro. S\u00e3o petrod\u00f3lares. E o Bahia, agora, est\u00e1 nesse meio. \u00c9 muito dinheiro. \u00c9 muita grana. Agora est\u00e3o levando o Cristiano Ronaldo por uma f\u00e1bula. Eles s\u00e3o apaixonados por Futebol e ao mesmo tempo t\u00eam muito dinheiro. Dia desses me mandaram uma brincadeira com o hino do Bahia tocando em uma mesquita, em ala\u00fade, j\u00e1 incorporado \u00e0s coisas \u00e1rabes. A\u00ed eu brinquei dizendo que quem teve Alfredo Saad como presidente do clube, pode ter o Mohamed, presidente dono da compara\u00e7\u00e3o que domina o City Group como presidente, entendeu? Para o torcedor do Bahia, n\u00e3o muda muito. Para o apaixonado pelo Bahia, o presidente \u00e9 muito secund\u00e1rio. A gente quer ver \u00e9 t\u00edtulo. A gente quer ver \u00e9 gol. A gente quer ver a bola entrando. Quer ver o Bahia disputando campeonatos. Essa \u00e9 a verdade. Essa \u00e9 a paix\u00e3o do torcedor e que n\u00e3o vai acabar nunca. Tem uma hist\u00f3ria que diz que voc\u00ea muda de emprego, muda de profiss\u00e3o, muda de mulher, mas n\u00e3o muda de time. Uma vez que voc\u00ea se apaixonou, j\u00e1 era.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o \u00e0 toa, creio, voc\u00ea incluiu diversas fotos da nova gera\u00e7\u00e3o de torcedores dentro do livro.<\/strong><br \/>\nSim. S\u00e3o os ciclos. Ao longo do tempo, voc\u00ea tem ciclos. Tem um ciclo no qual o Bahia est\u00e1 bem, tem outro em que outro clube n\u00e3o est\u00e1. E o que \u00e9 que voc\u00ea leva? Por exemplo, voc\u00ea foi menino com sete anos para a Fonte Nova. Aquilo \u00e9 um alumbramento para sua vis\u00e3o. A primeira vez em que eu entrei no est\u00e1dio, em um BA-VI, aquilo n\u00e3o existe para o olhar de um menino. Eu lembro que fiquei maluco com aquilo. Como \u00e9 que voc\u00ea tem uma torcida gritando daquele jeito? Aquela coisa colorida? Uma parte azul, vermelha e branca. A outra parte vermelha e preta. Aquele frenesi. Aquilo \u00e9 uma coisa que n\u00e3o sai da cabe\u00e7a. S\u00e3o elementos que voc\u00ea vai incorporando e que, hoje, qualquer crian\u00e7a percebe. Eu estava observando um moleque em um dos \u00faltimos jogos do Bahia na Fonte Nova, quando o time ainda n\u00e3o havia conseguido subir para a primeira divis\u00e3o. Tinha um menino de, no m\u00e1ximo, sete anos perto de mim. Quando o Bahia perdia o gol, ele batia na cadeira: &#8220;Puta que pariu!!&#8221; Eu olhava assim. E o pai do lado, junto com duas irm\u00e3s. Elas pegavam no cabelo, tensa. N\u00e3o xingava. Ainda com essas coisas do machismo estrutural. Mas ele batia na cadeira, xingava quando perdia o gol. Ai voc\u00ea olha e pensa: &#8220;Porra, sou eu! Encarnado nesse moleque&#8221;. Ent\u00e3o, esse livro de 2022 tem muita refer\u00eancia \u00e0 molecada, \u00e0s crian\u00e7as que j\u00e1 torcem para o Bahia. Porque a ideia, justamente, \u00e9 que voc\u00ea tenha em 2122 essa galera olhando como eles eram e como ser\u00e1 a torcida do s\u00e9culo XXII.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"1997 - Campeonato Brasileiro de 1997 - Bahia 1 X 2 Corinthians-SP\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/CoV7EbwNqo0?start=30&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Gol de Lima Sergipano contra o Corinthians em 1997<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Gol de Raudinei: Bahia 1x1 Vit\u00f3ria (11\/08\/1994)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4puWEv0YB0M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Gol de Raudinei contra o Vit\u00f3ria em 1994<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As minhas principais lembran\u00e7as do Bahia s\u00e3o daquele jogo na final do Brasileir\u00e3o de 1988, que aconteceu em fevereiro de 1989. Lembro, tamb\u00e9m, do gol de Raudinei que trouxe o t\u00edtulo baiano em 1994. Lembro de um gol de Lima Sergipano contra o Corinthians em 1997.<\/strong><br \/>\nTem um jogo em 1979, o jogo do heptacampeonato baiano. Foi em uma sexta-feira \u00e0 noite. Eu fazia cursinho pr\u00e9-vestibular no Garcia (N.E. Bairro de Salvador relativamente pr\u00f3ximo \u00e0 Fonte Nova), encontrei uns amigos e fomos para o est\u00e1dio. Naquele jogo, o Vit\u00f3ria estava bem no campeonato e jogava por um empate. Era o favorito. Lembro da Fonte Nova lotada. Teve o gol de Fito. N\u00e3o foi nem uma paulada daquelas indefens\u00e1veis. Ele bateu, Gelson segura, mas a bola escapa da m\u00e3o dele e entra. E o Bahia se torna heptacampe\u00e3o. Aquela noite foi inesquec\u00edvel. Invadimos o gramado, aquela coisa toda. Foi um momento realmente marcante porque entre esses amigos, estava o Homero, que era filho de Boquinha, que havia sido zagueiro do Vit\u00f3ria. E Homero era um torcedor doente pelo Vit\u00f3ria. Rapaz, ele deu um piti naquela noite por conta desse gol de Fito (risos)<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bahia 1x0 Vit\u00f3ria  Bahia hepta campe\u00e3o baiano 1979\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MQslR5CgPLM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Gol de Fito contra o Vit\u00f3ria em 1979<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um outro momento, tirando o t\u00edtulo de 1988, \u00e9 Bahia x Fast, ainda pela s\u00e9rie C. Aquele jogo louco em que as pessoas estavam alucinadas. Eu, pr\u00f3prio, sou muito&#8230; (pausa). Eu gosto de ir para o est\u00e1dio para assistir ao futebol. Eu gosto de me concentrar na partida. N\u00e3o sou muito de ir para o bar, de ficar jogando domin\u00f3, de n\u00e3o ficar vendo o jogo. Tenho alguns amigos assim. Eu, n\u00e3o. Eu gosto de ficar sentado concentrado no jogo. Nem para ir ao banheiro eu saio. E esse Bahia x Fast foi um jogo el\u00e9trico. Existia um clima na torcida. Parecia que a torcida estava ensandecida. Parecia que estava louca, que tinha cheirado a noite toda. Voc\u00ea sentia que as pessoas estavam alucinadas com aquilo. O Bahia precisava ganhar para se manter entre os oito que iam disputar a segunda fase da S\u00e9rie C. Um neg\u00f3cio maluco. E parecia um clima que at\u00e9 mesmo antes do est\u00e1dio, na rua, voc\u00ea sentia uma sensa\u00e7\u00e3o de que o Bahia estava disputando uma final em T\u00f3quio contra o Real Madrid. Era uma coisa desse tipo. Foi um momento muito doido. Eu fiquei estupefato. Entrei no clima. Eu ficava olhando e pensando nisso. Era algo geral. Antes, durante e depois do jogo. (N.E. O Bahia acabou vencendo com um gol marcado por Charles aos 50 minutos do segundo tempo). Era uma euforia que voc\u00ea n\u00e3o entendia que porra estava acontecendo. Era algo assim. A torcida do Bahia tem esse poder.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bahia 1x0 Fast AM (07\/10\/2007) - Brasileiro S\u00e9rie C de 2007 (O milagre do Bahia)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bAE1zaHTnwY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Gol de Charles contra o Fast, em 2007<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um outro momento a\u00ed j\u00e1 \u00e9 voltando \u00e0 primeira vez que fui a Fonte Nova. Eu tinha a mesma idade que voc\u00ea tinha, 7 ou 8 anos. E quando eu vi a torcida do Bahia ao vivo pela primeira vez&#8230; Eu j\u00e1 tinha visto em fotos. Voc\u00ea via muito pouco em televis\u00e3o porque n\u00e3o tinham muitas imagens. Voc\u00ea assistia a No Campo do 4 (N.E. Telejornal esportivo da local TV Aratu) quando passavam os destaques da rodada. Mas era uma c\u00e2mera que registrava tanto o campo quanto registrava a torcida. N\u00e3o t\u00ednhamos como tem hoje. Voc\u00ea tem mais de 20 c\u00e2meras fazendo o registro de um jogo. E n\u00e3o tinha isso naquela \u00e9poca. Quando eu vi a torcida, quando eu vi aquela massa louca. Vi Loirinho puxando o coro na Fonte Nova (N.E. Loirinho do Bahia, com sua cabeleira dourada nas arquibancadas, era um not\u00f3rio torcedor s\u00edmbolo do time). Eu o vi perto de mim, porque a gente sentava mais ou menos onde hoje ficam as cabines de TV. Do outro lado, onde bate o sol, onde ficava a torcida Bamor. Eu ficava ali. Olhava para aqueles alambrados, para o fosso que tinha. Era uma coisa, assim, impressionante. Eu, ainda menino, fiquei doido com aquilo. Se voc\u00ea me perguntar do jogo, o que eu vi do jogo, eu n\u00e3o lembro. Eu me lembro da torcida. Eu ficava em um encantamento. E era um susto ao mesmo tempo. Era uma coisa doida. Tinha charanga, buzinas. Ent\u00e3o, s\u00e3o tr\u00eas momentos que eu acho marcantes nessa hist\u00f3ria de 90 anos do clube e, tamb\u00e9m, da minha hist\u00f3ria de 60 anos com o Bahia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_71681\" aria-describedby=\"caption-attachment-71681\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-71681\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Nestor-Mendes.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"707\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Nestor-Mendes.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Nestor-Mendes-300x283.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-71681\" class=\"wp-caption-text\"><em>Evaristo de Macedo, t\u00e9cnico do Bahia em 1988, e Nestor Mendes Jr.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea acredita ser poss\u00edvel, diante do que \u00e9 o futebol hoje, que o Bahia consiga novamente alcan\u00e7ar um feito como aquele de 1988?<\/strong><br \/>\nSim. Futebol tem umas equa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o desvend\u00e1veis. Que voc\u00ea n\u00e3o vai acabar esse mist\u00e9rio nunca. \u00c9 voc\u00ea, por exemplo, ter um time como aquele de 1988, o de Evaristo de Macedo, e se perguntar: qual era grande nome daquele time? N\u00e3o tinha. Era um conjunto muito bem formado, muito bem feito, e deu em campe\u00e3o brasileiro. Pode acontecer? Pode. \u00c9 dif\u00edcil? \u00c9. Isso em qualquer campeonato. O Napoli, para poder vencer os grandes de Mil\u00e3o, ele tem que rebolar. Os pequenos na Liga Inglesa, para poder ganhar um campeonato contra os poderosos, \u00e9 muito dif\u00edcil. Na Espanha, voc\u00ea v\u00ea dom\u00ednio do Real Madrid e do Barcelona. O Atl\u00e9tico de Madrid, de vez em quando, vai l\u00e1 e fura esse bloqueio. \u00c9 poss\u00edvel? Sim. Voc\u00ea tem hoje modelos que est\u00e3o replicados no mundo com um futebol eficiente e d\u00e3o certo. A Copa do Mundo agora \u00e9 uma prova disso. Voc\u00ea tem sele\u00e7\u00f5es que n\u00e3o t\u00eam tradi\u00e7\u00e3o, mas t\u00eam um bom conjunto e avan\u00e7aram para as oitavas e para as quartas (at\u00e9 na semifinal). As outras, que s\u00e3o tradicionais, ficaram para tr\u00e1s. Ent\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel. Volta \u00e0quela hist\u00f3ria que conversamos entre o romantismo e o profissionalismo. Uma coisa n\u00e3o vai inviabilizar a outra nunca. N\u00e3o vai invalidar nunca. Voc\u00ea tem essas vari\u00e1veis do futebol que s\u00e3o terr\u00edveis. Ent\u00e3o, acho que \u00e9 poss\u00edvel, sim. Voc\u00ea olha pelo pr\u00f3prio desempenho do Manchester City na Liga Inglesa antes de ser adquirido pelo grupo \u00e1rabe e, hoje, a diferen\u00e7a \u00e9 enorme do que eles conquistaram. A\u00ed voc\u00ea vai dizer: &#8220;Entrou dinheiro.&#8221; Claro! Entrou dinheiro, voc\u00ea qualifica mais o grupo, mas dinheiro n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico determinante. Se fosse, o campeonato brasileiro teria um ganhador s\u00f3 ou dois. E h\u00e1 sempre uma altern\u00e2ncia. Entre Flamengo e Palmeiras, que s\u00e3o clubes com maior poder econ\u00f4mico, teve o Atl\u00e9tico Mineiro no meio. Teve poder econ\u00f4mico? Teve, tamb\u00e9m. Mas o Atl\u00e9tico Mineiro \u00e9 um clube fora da bolha Rio-SP. Ent\u00e3o, acho que pode acontecer, sim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sempre penso que h\u00e1, tamb\u00e9m, o fator da conjuntura do momento, de uma energia em rela\u00e7\u00e3o a isso. Penso em times como o S\u00e3o Caetano no final dos anos 1990. Do Athletico Paranaense, tamb\u00e9m. No pr\u00f3prio Vit\u00f3ria de 1993 e de 2010, que chegou \u00e0 final do Brasileir\u00e3o e da Copa do Brasil, respectivamente.<\/strong><br \/>\nAcontece, sim. O Bahia poderia ter perdido o t\u00edtulo em 1988. Na final que aconteceu em 1989, ele ganha aqui na Fonte Nova e empata l\u00e1 no Beira-Rio. E podia ter perdido o jogo l\u00e1. Essas coisas. Voc\u00ea tem o futebol naquele momento que foi a conjun\u00e7\u00e3o astral foi decisiva, mas tamb\u00e9m tem o momento em que \u00e9 o futebol que prevalece. Voc\u00ea tem v\u00e1rios embates entre clubes. Por exemplo, Napoli contra a Juventus, contra a Internacionale. Eles t\u00eam momentos em que voc\u00ea v\u00ea que existe uma diferen\u00e7a gritante entre plantel, entre grana, entre investimento. Mas voc\u00ea v\u00ea, tamb\u00e9m, um futebol combativo. No campeonato brasileiro voc\u00ea tem alguns clubes que t\u00eam esse patamar financeiro muito alto, muito definido, mas voc\u00ea tem, tamb\u00e9m, times que t\u00eam uma competitividade muito grande. \u00c0s vezes, n\u00e3o t\u00eam o dinheiro que eles t\u00eam, mas t\u00eam a competitividade. S\u00e3o times que sempre brigam l\u00e1 em cima. Est\u00e3o sempre brigando, incomodando. Voc\u00ea falou do Athletico Paranaense. Nos anos 1970, quando o Athletico Paranaense jogava com o Bahia, era um time de segunda linha. N\u00e3o estava entre os advers\u00e1rios grandes do Bahia. Esses advers\u00e1rios eram o Flamengo, o Corinthians, o Palmeiras, o Santos. O Athletico, n\u00e3o. Hoje, o patamar deles \u00e9 de primeira linha. Brigando por t\u00edtulo, brigando l\u00e1 em cima nos campeonatos, brigando com competitividade, um time arrumado. O que eles fizeram? Arrumaram a casa, plantaram uma divis\u00e3o de base fort\u00edssima. Se voc\u00ea tentar lembrar do time do Athletico que disputou o campeonato brasileiro em 2022, dificilmente vai se lembrar de um nome, como voc\u00ea lembra de outros nome em times como Palmeiras ou Flamengo. Voc\u00ea diz na hora. Mas do Athletico Paranaense, n\u00e3o. Mas eles est\u00e3o competitivos. Eles se organizaram para serem competitivos. Fortaleza \u00e9 outro time assim. Embora seja bem recente a experi\u00eancia, mas j\u00e1 s\u00e3o dois anos em uma sequ\u00eancia muito boa. O treinador era disputado por Corinthians e por Atl\u00e9tico. Os clubes pagando a peso de ouro. Mas ele preferiu ficar no projeto do Fortaleza. Isso indica o que? Indica que voc\u00ea tem alguma coisa muito arrumada. Muito bem planejada e bem pensada. \u00c9 dif\u00edcil? \u00c9. Futebol est\u00e1 muito ligado a essa coisa: &#8220;quem tem mais dinheiro, vai ter mais resultado.&#8221; Mas isso n\u00e3o \u00e9 uma l\u00f3gica definida.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Final do campeonato brasileiro de 1988 Bahia x Internacional\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mcxZQlzPoyo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Final de 1988, Bahia x Internacional<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde e assina o blog\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pel\u00edcula Virtual<\/a>. Na foto do abre, Nestor posa ao lado do jornalista JP no lan;amento do livro.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cBah\u00eaa, Minha Paix\u00e3o &#8211; Primeiro Campe\u00e3o do Brasil\u201d \u00e9 o terceiro livro no qual Nestor aprofunda sua pesquisa sobre o seu time do cora\u00e7\u00e3o, e aqui ele aprofunda como se deu sua pesquisa.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/12\/16\/entrevista-nestor-mendes-jr-fala-sobre-seu-novo-livro-bahea-minha-paixao-primeiro-campeao-do-brasil\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":71498,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71375"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71375"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71375\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":71683,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71375\/revisions\/71683"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/71498"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71375"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=71375"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=71375"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}