{"id":71109,"date":"2022-11-30T01:12:52","date_gmt":"2022-11-30T04:12:52","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=71109"},"modified":"2023-02-16T01:58:24","modified_gmt":"2023-02-16T04:58:24","slug":"entrevista-antonia-morais-celebra-a-obra-do-pai-orlando-em-impar-60-reposicionando-as-cancoes-entre-o-rock-e-a-eletronica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/11\/30\/entrevista-antonia-morais-celebra-a-obra-do-pai-orlando-em-impar-60-reposicionando-as-cancoes-entre-o-rock-e-a-eletronica\/","title":{"rendered":"Entrevista: Antonia Morais celebra a obra do pai, Orlando, em \u201c\u00cdMPAR 60\u201d, reposicionando as can\u00e7\u00f5es entre o rock e a eletr\u00f4nica"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na m\u00fasica \u201cBoy\u201d, Willow conta para a m\u00e3e sobre um garoto que ela conheceu e est\u00e1 se envolvendo. Em determinado verso ela diz: \u201cHe thinks I&#8217;m boring \/ &#8216;Cause I come from a cluster of super bright stars \/ And probably to him it feels scary to reach that far \/ But down on Earth there&#8217;s so much pain \/ But way up here we explore galaxies\u201d. [\u201cEle pensa que eu sou chata \/ por que eu venho de um cluster de estrelas super brilhantes \/ e provavelmente para ele \u00e9 assustador alcan\u00e7ar algo assim t\u00e3o distante \/ mas l\u00e1 em baixo na Terra h\u00e1 tanta dor \/ e aqui em cima n\u00f3s exploramos gal\u00e1xias\u201d]. Willow \u00e9 filha de Will e Jada Pinkett Smith e essa m\u00fasica veio \u00e0 mente na hora de pensar sobre como come\u00e7ar a explicar quem \u00e9 Antonia Morais. Para o p\u00fablico geral ela \u00e9 essa figura que tamb\u00e9m vem de um cluster de estrelas: Gloria Pires, Orlando Morais, Cleo, Ana Morais. Mas se engana quem l\u00ea Antonia a partir dessas credenciais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antonia \u00e9 uma artista curiosa, inventiva e atenta ao seu tempo, por isso mesmo seu novo disco traz uma lufada de jovialidade para a obra do pai, Orlando Morais. <a href=\"https:\/\/links.altafonte.com\/impar60_antoniamorais\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201c\u00cdMPAR 60\u201d<\/a> surgiu como forma de celebra\u00e7\u00e3o da obra de Orlando e se tornou um processo de experimenta\u00e7\u00e3o sonora para Antonia. O pr\u00f3prio Orlando faz quest\u00e3o de repetidas vezes ressaltar a for\u00e7a com que Antonia abra\u00e7ou essas can\u00e7\u00f5es, tornando-as dela de uma forma muito autoral. Com produ\u00e7\u00e3o de Antonia e Arthur Kunz, <a href=\"https:\/\/links.altafonte.com\/impar60_antoniamorais\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201c\u00cdMPAR 60\u201d<\/a> pega can\u00e7\u00f5es de MPB e as reposiciona entre o rock e a m\u00fasica eletr\u00f4nica, em universos sonoros que Antonia j\u00e1 vinha explorando em seus trabalhos anteriores, o interessante \u201cLUZIA 20.20\u201d (2020) e a estreia com \u201cMilagros\u201d (2015).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um processo que durou cerca de um ano, Antonia foi criando, ao lado de Kunz, as sonoridades que constroem novos ambientes para as can\u00e7\u00f5es do pai e, com isso, consegue levar o repert\u00f3rio de Orlando para outros universos e, consequentemente, novos p\u00fablicos. Para al\u00e9m disso, \u00e9 interessante observar as escolhas n\u00e3o-\u00f3bvias de Antonia. Ela \u00e9 uma figura p\u00fablica importante, circula em meios recheados de artistas e criadores, por\u00e9m foge dos feats por interesse, das trocas por views e n\u00fameros e se joga em conex\u00f5es que fazem mais sentido para ela. Isso j\u00e1 era visto em seus projetos ao lado do produtor Zopelar, se consolida agora na parceria com Kunz e se expande no palco, onde ela \u00e9 acompanhada por Kunz, Pipo Pegoraro na guitarra e a excelente Joana Cid no baixo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antonia tem essa intelig\u00eancia de se conectar com pessoas que enxergam a m\u00fasica da mesma forma que ela e isso se sobressai em suas produ\u00e7\u00f5es, que soam sinceras, entregues e, por isso mesmo, cativantes. Em papo via zoom com o Scream &amp; Yell, Antonia falou sobre a sua rela\u00e7\u00e3o com o pai e com a Covid-19, que levou Orlando para a UTI, bem como esmi\u00fa\u00e7a a produ\u00e7\u00e3o de \u201c\u00cdMPAR 60\u201d, falando sobre sua parceria com Artur Kunz, suas inspira\u00e7\u00f5es e seus projetos futuros. Confira o papo na \u00edntegra abaixo:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Poderoso Chef\u00e3o - Antonia Morais\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rIXhpl62c_s?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pra come\u00e7ar, imagino que voc\u00ea j\u00e1 esteja cansada de falar sobre isso, mas acho que como \u00e9 um disco com a obra do seu pai, acho que \u00e9 importante entender qual foi a sua rela\u00e7\u00e3o durante a vida com essa quest\u00e3o dos seus pais, que s\u00e3o duas figuras culturamente muito importantes e acredito que em algum momento voc\u00ea deve ter pensado sobre isso tamb\u00e9m.<\/strong><br \/>\n\u00c9, sim e n\u00e3o. Sinto que foi mais uma imposi\u00e7\u00e3o externa de pensar sobre isso, as pessoas me obrigam mais a pensar sobre isso do que realmente penso. N\u00e3o sou uma pessoa que fico pensando nisso o tempo todo, n\u00e3o passa pela minha cabe\u00e7a, e s\u00f3 passa pela minha cabe\u00e7a quando me lembram [risos] \u201cah, voc\u00ea \u00e9 filha da Gloria\u201d, \u201cvoc\u00ea \u00e9 filha do Orlando\u201d, ai eu lembro e falo \u201cah \u00e9!\u201d. Al\u00e9m de ter essa rela\u00e7\u00e3o com os meus pais, tem essa quest\u00e3o da minha rela\u00e7\u00e3o com a obra do meu pai que, por exemplo, sempre foi muito \u00edntima. Depois que eu entendi o que eu queria ser, o caminho que eu queria seguir como artista, a\u00ed eu comecei a v\u00ea-lo e entender a dimens\u00e3o que ele tinha como artista, mas at\u00e9 ent\u00e3o eram m\u00fasicas do meu pai que coincidentemente eu amava e me identificava com elas. Ent\u00e3o a minha rela\u00e7\u00e3o com isso \u00e9 bem dessa forma, \u00e9 uma coisa que n\u00e3o passa pela minha cabe\u00e7a, n\u00e3o fico pensando nisso, n\u00e3o me defino dessa forma, isso n\u00e3o vem nas minhas defini\u00e7\u00f5es como ser humano, como artista, s\u00f3 que a sociedade me obriga a pensar nisso o tempo todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Entendo, mas a\u00ed voc\u00ea teve algum momento espec\u00edfico em que decidiu \u201cessa \u00e9 a hora de cantar e me debru\u00e7ar sobre a obra do meu pai\u201d ou era algum desejo que j\u00e1 vinha h\u00e1 bastante tempo?<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 vinha h\u00e1 bastante tempo. Eu e o meu pai sempre falamos sobre isso, tipo \u201cnossa, imagina o dia que voc\u00ea fizer um \u00e1lbum com essas m\u00fasicas\u201d, porque \u00e9 o que ele fala, ele deixou muito claro, \u201cessas m\u00fasicas s\u00e3o mais suas do que minhas\u201d, porque eu participei da cria\u00e7\u00e3o delas. N\u00e3o de todas as fases, obviamente, porque meu pai j\u00e1 fazia \u00e1lbuns antes de eu nascer, mas \u00e9 que quando eu nasci, a partir da\u00ed, eu comecei a participar disso, porque o nosso est\u00fadio era em casa, ent\u00e3o muitos dos \u00e1lbuns ele fez em casa, naquele est\u00fadio. E eu participava, eu sempre gostei de acompanh\u00e1-lo e ele compartilhava comigo as composi\u00e7\u00f5es que ele tinha escrito, ele escrevia uma coisa e falava \u201colha o que eu acabei de escrever\u201d, a\u00ed lia uma m\u00fasica, uma poesia que ele tinha escrito, depois ele musicava e ele me mostrava tamb\u00e9m, depois aquilo ia pro est\u00fadio, come\u00e7a a ser produzido, a\u00ed o m\u00fasico entra&#8230; ent\u00e3o eu participava de todas as etapas daquelas m\u00fasicas sendo feitas. Ent\u00e3o eu realmente criei um n\u00edvel de intimidade com a obra dele muito profunda. E esse desejo sempre existiu em mim, pois eu sempre, de verdade, me identifiquei muito com as m\u00fasicas do meu pai, muito com a forma que ele pensa, muito com a forma que ele v\u00ea o mundo, muito com a musicalidade dele, \u00e9 quase que eu e ele temos uma coisa assim de proje\u00e7\u00e3o muito grande. Ent\u00e3o eu sabia que esse momento ia chegar, eu s\u00f3 n\u00e3o sabia quando ia chegar, mas eu sabia que ia chegar. E as coisas da minha vida, elas acontecem de uma forma muito org\u00e2nica, um pouco sem explica\u00e7\u00e3o, \u00e9 tudo muito pautado pela intui\u00e7\u00e3o, tudo muito pautado pelo momento certo das coisas acontecerem, ent\u00e3o chegou um momento em que eu falei \u201ccara, agora \u00e9 hora, eu j\u00e1 estou indo para o meu terceiro \u00e1lbum, estou com essa necessidade, estou afim, me reconectei com a obra do meu pai de uma maneira muito forte, estou afim de fazer esse \u00e1lbum pra ele e ele vai fazer 60 anos, quero dar um presente para ele que seja muito simb\u00f3lico\u201d, sabe? Como a gente nunca conversou sobre isso, achei que seria perfeito. Juntei o \u00fatil com o agrad\u00e1vel de uma forma muito pr\u00e1tica, e pensei \u201ccara, eu acho que ele ia surtar se ele visse um \u00e1lbum em que eu canto as m\u00fasicas dele, eu interpretando as m\u00fasicas dele, m\u00fasicas que eu vou escolher&#8230;\u201d \u2013 o que foi muito dif\u00edcil \u2013 \u201ce dar uma roupagem completamente maluca\u201d, porque o meu pai sempre falou isso pra mim: \u201ceu acho a forma que voc\u00ea faz m\u00fasica t\u00e3o foda, eu gostaria de ter feito um \u00e1lbum assim, como voc\u00ea faz, com essa liberdade, com essa liberdade de fazer o que voc\u00ea quer, pois voc\u00ea faz o que voc\u00ea quer\u201d. Ent\u00e3o eu pensei \u201ccomo \u00e9 que eu vou pegar essas can\u00e7\u00f5es e vou surpreend\u00ea-lo? Como \u00e9 que eu vou dar essa roupagem que ele tanto gostaria de ter feito? Eu acho que seria muito interessante se ele visse as m\u00fasicas dele nessa forma que ele fala, de uma forma muito ousada ou muito diferente\u201d, ent\u00e3o foi um pensamento assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Antes de a gente falar sobre as m\u00fasicas em si, no meio desse processo, seu pai tamb\u00e9m ficou doente \u2013 Orlando teve covid e passou dez dias internado. Como foi passar por esse momento? Voc\u00ea fala um pouco sobre isso no minidocument\u00e1rio que acompanha o disco, mas gostaria de entender como foi pra voc\u00ea esse momento?<\/strong><br \/>\nHoje falo com bastante praticidade sobre o tema, mas foi desesperador, porque eu de verdade&#8230; a gente estava conversando sobre isso agora, inclusive, antes de eu come\u00e7ar a entrevista com voc\u00ea. A gente estava jogando um jogo chamado \u201cPuxa Conversa\u201d, eu, meus irm\u00e3os e meus pais. A\u00ed eles puxaram uma carta \u201cqual foi o momento da sua vida em que voc\u00ea mais sentiu medo?\u201d, e todo mundo \u201c\u00e9poca em que meu pai pegou covid\u201d, \u201c\u00e9poca em que meu pai pegou covid\u201d. Como foi uma coisa muito reservada, acho que ningu\u00e9m participou exatamente como a gente. A gente n\u00e3o podia estar no hospital com ele, mas a gente tinha acesso a imagens dele muito dr\u00e1sticas, meu pai teve nove pneumonias, ele n\u00e3o podia ser entubado, ent\u00e3o chegou um momento que era tipo assim \u201ccara, o que a gente vai fazer?\u201d, porque ele estava com 85% do pulm\u00e3o tomado, e o pr\u00f3ximo passo seria&#8230; ele assinou uma autoriza\u00e7\u00e3o de fazer um procedimento&#8230; enfim, foi loucura gente. Foi loucura! Mas eu sou uma pessoa que n\u00e3o foge da batalha, eu n\u00e3o fujo da luta, eu enfrento as coisas, ent\u00e3o quando vi que isso estava acontecendo com a gente e que n\u00e3o tinha o que fazer, me vi naquela situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m que eu estava fazendo o \u00e1lbum pra ele, que era algo que a gente sempre esperou, que a gente sempre visualizou esse momento, e pensei \u201ccara, tem alguma coisa por tr\u00e1s disso, tem alguma coisa que nesse momento eu n\u00e3o estou compreendendo, mas que eu vou compreender\u201d. E entendi que aquele \u00e1lbum ele era um dever, sabe? Ele era um dever. E usei todo esse desespero, essa tristeza, esse medo, esse pavor de perder meu pai naquele momento, ao inv\u00e9s de fugir disso, em vez de fingir que isso n\u00e3o estava acontecendo, e coloquei isso na sonoridade do \u00e1lbum, de uma forma minha, ent\u00e3o acho que esse \u00e1lbum \u00e9 o que ele \u00e9, a sonoridade \u00e9 o que \u00e9 por conta de tudo que a gente passou. \u00c9 como um relato. Falando bem friamente sobre isso, acho que trouxe um drama e um medo e um desespero necess\u00e1rios, que s\u00e3o muito presentes, e eu quis colocar isso no \u00e1lbum, ao inv\u00e9s de \u201cai vamos fingir que n\u00e3o tem nada acontecendo e vamos fazer um \u00e1lbum assim\u201d. N\u00e3o, eu n\u00e3o quis. Falei \u201cn\u00e3o, vamos pegar isso, botar isso, (pois) eu t\u00f4 com medo, t\u00f4 morrendo de medo de perder meu pai\u201d, eu fiquei desesperada, desesperada! E eu acho que \u00e9 isso, sabe? A arte ela est\u00e1 a\u00ed pra \u00edsso, ela est\u00e1 a\u00ed para ser um relato aut\u00eantico do que voc\u00ea est\u00e1 vivendo, n\u00e3o para ser o que voc\u00ea gostaria de viver \u2013 na minha concep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E eu acredito que isso tudo reverbera nessas batidas que h\u00e1 no disco, que \u00e9 um trabalho seu junto com o Arthur Kunz. Como se deu esse processo de parceria entre voc\u00eas na produ\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nFoi um processo muito bacana. Durou um ano, porque at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo antes de lan\u00e7ar eu estava l\u00e1 \u201cmexe nisso, tira isso, n\u00e3o seio que\u201d. A gente estava mexendo ainda. Mas o Arthur foi um produtor muito foda, ele emprestou tamb\u00e9m o drama da vida pessoal dele, e eu n\u00e3o quero adentrar a quest\u00f5es pessoais dele, porque acho que isso cabe a ele falar, mas ele tamb\u00e9m estava vivendo um drama muito forte e isso tamb\u00e9m carregou o \u00e1lbum de alguma forma. Al\u00e9m da vis\u00e3o dele, al\u00e9m da forma que ele faz as coisas, sabe? Ent\u00e3o ele ao mesmo tempo se disponibilizou muito a me escutar, a entender o que eu queria, a entender quais eram as minhas prioridades, quais eram as minhas vontades, pra onde eu queria ir, o que eu queria comunicar como filha, como artista atrav\u00e9s desse \u00e1lbum. Foi um processo muito intenso, ele ia semanalmente l\u00e1 em casa, a gente montou um home studio, ele levava o laptop, as coisas dele, e toda semana, durante um ano, ele estava l\u00e1, a gente ficava horas trabalhando nas m\u00fasicas, experimentando, ele montava os monstros, criava os arranjos, a\u00ed eu falava o que eu gostava, o que eu n\u00e3o gostava, o que fazia sentido, e a gente foi mixando junto. E fomos chegando em resultados que faziam muito sentido pra mim, era um \u00e1lbum que eu j\u00e1 visualizava, que eu j\u00e1 tinha mais ou menos o esqueleto na cabe\u00e7a, eu j\u00e1 sabia o sentimento que eu queria que guiasse, por isso tamb\u00e9m que eu chamei o Arthur para produzir, porque eu acho que ele tem esse dado, ele imprime na m\u00fasica dele a identidade que eu gostaria que esse \u00e1lbum tivesse, ent\u00e3o ele foi muito necess\u00e1rio nesse processo todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Durante esse processo o seu pai tamb\u00e9m chegou a participar ou voc\u00ea s\u00f3 mostrou o resultado final?<\/strong><br \/>\nEle n\u00e3o participou pessoalmente do processo, mas eu ia mandando algumas coisas, porque na verdade esse \u00e1lbum era para ser uma surpresa, eu queria lan\u00e7ar no dia do anivers\u00e1rio dele de 60 anos e era para ser uma surpresa, do tipo assim do nada ele ia ouvir tudo num Spotify, em qualquer lugar e levar um puta susto, essa era a minha ideia, mas a\u00ed o que aconteceu? Ele foi internado com Covid e eu pensei \u201ccara, assim&#8230;\u201d \u2013 soa frio eu falar isso agora assim, mas quando a gente est\u00e1 com uma pessoa que a gente ama \u00e0 beira da morte, a gente pensa em tudo e eu pensei \u201cele esperou tanto por isso\u201d, porque eu sei que esse \u00e1lbum n\u00e3o \u00e9 um sonho s\u00f3 meu, era um sonho dele tamb\u00e9m ver isso acontecer, eu pensei \u201ccara, ele n\u00e3o pode morrer sem saber que eu estou fazendo isso\u201d, porque a gente falou disso a vida inteira, isso n\u00e3o pode acontecer, ent\u00e3o n\u00e3o posso correr esse risco, vai ser uma frustra\u00e7\u00e3o do tamanho do mundo, que eu n\u00e3o sei se eu vou um dia conseguir curar isso. Ent\u00e3o, eu queria que ele soubesse que eu estava fazendo isso aqui para ele, e a gente n\u00e3o sabia mesmo o que iria acontecer. Ent\u00e3o enquanto ele estava no hospital, eu mandei umas m\u00fasicas para ele, que ele n\u00e3o chegou a escutar, porque ele n\u00e3o tinha acesso ao celular enquanto ele estava internado, mas depois ele escutou e a\u00ed eu comecei a contar pra ele, aos poucos, o que estava acontecendo \u201colha, pai, eu estou fazendo a sua obra, eu resolvi contar, seria surpresa, mas depois desse susto, eu prefiro contar e quero que voc\u00ea fique muito confort\u00e1vel com isso, quero que voc\u00ea ame, ent\u00e3o \u00e9 isso, vou te mandando\u201d. Ele ficou muito emocionado, s\u00f3 que meu pai \u00e9 zero careta, ele sempre me deu essa liberdade, desde que ele ficou sabendo ele me incentivou a pirar mesmo, \u201cAntonia, faz o que voc\u00ea quiser, vai pra onde voc\u00ea quiser com essas m\u00fasicas\u201d, ele sempre falou \u201cessas m\u00fasicas s\u00e3o mais suas do que minhas, ent\u00e3o pode pirar, se expressar do seu jeito, vai fundo\u201d, e ele amava tudo que eu mandava. Algumas coisas ele estranhava, \u201cnossa voc\u00ea tirou a harmonia? Nossa, mas essa nota aqui t\u00e1&#8230;\u201d, a\u00ed o que tinha de errado \u00e0s vezes a\u00ed a gente corrigia, porque as harmonias dele s\u00e3o muito complexas. Mesmo que a gente tenha tirado muitas das harmonias, tenha deixado um \u00e1lbum mais seco, mais vazio, algumas notas ali eram importantes, ent\u00e3o ele ia falando \u201c\u00f3, essa nota aqui \u00e9 assim\u201d. Mas o que ele achava estranho, a gente deixava estranho, pois o que ele acha estranho \u00e9 porque \u00e9 bom, ele acha bom, ent\u00e3o foi mais ou menos feito assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como foi esse processo de escolher as m\u00fasicas que entraram no disco? Acredito que tenha sido bem dif\u00edcil.<\/strong><br \/>\nEssa pra mim foi uma das partes mais dif\u00edceis, pois \u00e9 aquilo que eu te disse: o meu pai tem uma discografia gigante e eu amo tudo; praticamente todas as m\u00fasicas eu me vejo cantando, ent\u00e3o deixei de botar muita m\u00fasica que eu queria, deixei de botar \u201cLagoa humana\u201d, deixei de botar \u201cA montanha e a chuva\u201d, v\u00e1rias cl\u00e1ssicas, \u201cSonora\u201d que eu amo \u2013 que inclusive eu acho que quero at\u00e9 colocar no show, porque \u201cSonora\u201d \u00e9 muito foda \u2013, \u201cCurvas e retas\u201d, \u201cTV, r\u00e1dio e jornal\u201d, \u201cFutebol\u201d, tem milh\u00f5es que eu falava assim \u201ceu quero botar tudo\u201d, eu queria fazer um \u00e1lbum de 21 m\u00fasicas, eu brinco at\u00e9 hoje que eu queria fazer dois volumes, um \u00e1lbum de dois volumes, a\u00ed o Arthur falou \u201ccara, se voc\u00ea quer fazer em um ano, n\u00e3o vai dar tempo, porque a gente tem que realmente adentrar esse universo e destrinchar ele e espremer tudo que a gente tem dali\u201d, e realmente \u00e9 um processo de fermenta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 uma parada que voc\u00ea consegue fazer assim correndo, ainda mais 21 m\u00fasicas. Se a gente escolheu 11 m\u00fasicas, mesmo assim a gente fez cheio de coisas ali que eu gostaria que tivesse ficado melhor, voc\u00ea imagina 21.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-71111\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Impar-60-capa-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Impar-60-capa-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Impar-60-capa-copiar-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Impar-60-capa-copiar-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas acho que essas can\u00e7\u00f5es escolhidas tamb\u00e9m s\u00e3o interessantes para apresentar a obra dele para muitas pessoas que talvez n\u00e3o a conhe\u00e7am, porque eu achei, no final das contas, uma sele\u00e7\u00e3o muito moderna, de can\u00e7\u00f5es que falam muito com a gente desse tempo, desse 2022.<\/strong><br \/>\nAi que legal que voc\u00ea achou isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 que tem muitas coisas que eu n\u00e3o conhecia, pois como voc\u00ea falou, muitas coisas cl\u00e1ssicas ficaram de fora e t\u00eam coisas que s\u00e3o mais escondidas, ent\u00e3o eu fui ouvindo e voltando para as coisas originais, eu acho que esse tamb\u00e9m \u00e9 um caminho legal de se fazer.<\/strong><br \/>\nAs m\u00fasicas do meu pai s\u00e3o muito atemporais, muito atuais, elas conversam muito com os dias de hoje e por isso que eu acho que ele \u00e9 um cara muito moderno, um compositor muito moderno. \u00c9 interessante tamb\u00e9m porque durante o processo o \u00e1lbum vai criando vida pr\u00f3pria, ele vai fazendo as suas pr\u00f3prias escolhas, ent\u00e3o, por exemplo, \u201cAgora\u201d era uma m\u00fasica que n\u00e3o ia entrar, e o Arthur foi a pessoa que bateu e falou \u201cn\u00e3o, vamos botar \u2018Agora\u2019, vai dar um neg\u00f3cio foda no \u00e1lbum\u201d, entrou por causa dele, \u201cLibera\u201d tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nossa, \u201cLibera\u201d ficou muito boa nessa vers\u00e3o.<\/strong><br \/>\n\u201cLibera\u201d foi uma insist\u00eancia do Arthur de entrar, \u201cLibera\u201d e \u201cAgora\u201d foram insist\u00eancias dele. A gente foi entendendo o que fazia sentido naquilo que a gente estava criando, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dentro desse processo de produ\u00e7\u00e3o as faixas ficam com esse car\u00e1ter bem diferente da produ\u00e7\u00e3o do seu pai, elas conversam mais com a m\u00fasica eletr\u00f4nica. Eu queria entender um pouco quais s\u00e3o as suas inspira\u00e7\u00f5es, as suas refer\u00eancias, pois esse j\u00e1 \u00e9 um di\u00e1logo que voc\u00ea sempre fez na sua carreira, de diferentes formas com a m\u00fasica eletr\u00f4nica, \u00e0s vezes de forma mais aprofundada, \u00e0s vezes de forma mais indireta.<\/strong><br \/>\n\u00c9, eu gosto muito. Eu acho que hoje os g\u00eaneros se misturam muito, \u00e9 dif\u00edcil de definir assim, mas eu tenho refer\u00eancias que eu escuto a vida inteira, como Air, que tem essa coisa louca da m\u00fasica se transformar, tem uma vibe e de repente a m\u00fasica muda pra outra vibe. Sempre gostei de Aphex Twin, que faz uma m\u00fasica bem eletr\u00f4nica. Crystal Castles, acho que teve muito Radiohead nessas inspira\u00e7\u00f5es. Tem tamb\u00e9m muito rock dos anos 90, a\u00ed Strokes, um pouco de Nirvana, \u00e9 uma mistura t\u00e3o doida. Sem contar nas pessoas da m\u00fasica brasileira que eu escuto&#8230; Na verdade, o que \u00e9 muito engra\u00e7ado, eu n\u00e3o penso em refer\u00eancias para cada \u00e1lbum, essas refer\u00eancias elas meio que se misturam, elas sempre est\u00e3o ali, em alguma coisa, seja em um sentimento, seja em uma vontade, em um \u00edmpeto, em uma sonoridade. Eu gosto de muita coisa, eu escuto muita coisa, muita m\u00fasica brasileira, muita coisa europeia, eu acho que esse \u00e1lbum tem uma frieza alem\u00e3. Molchat Doma, por exemplo, \u00e9 um grupo bielorusso e a\u00ed eles t\u00eam um som, um rock meio oitentista, meio frio, que eu me identifico muito com esse som, eu vejo muito eles, mas eu n\u00e3o pensei neles em nenhum momento, s\u00f3 que eu os escuto pra caramba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Era algo que j\u00e1 estava l\u00e1, n\u00e3o \u00e9?<\/strong><br \/>\nSim, s\u00e3o coisas que muitas vezes s\u00e3o subjetivas. As inspira\u00e7\u00f5es, as refer\u00eancias \u00e0s vezes s\u00e3o muito subjetivas, \u00e0s vezes voc\u00ea est\u00e1 ali absorvendo elas e voc\u00ea coloca no seu trabalho sem perceber, sem sentir, depois aquilo voc\u00ea fala \u201ctem isso aqui, tem um pouco disso tamb\u00e9m\u201d, \u00e9 uma mistura doida assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m disso, seu trabalho tamb\u00e9m \u00e9 muito visual. Acho que como voc\u00ea \u00e9 atriz, al\u00e9m de ser cantora, acredito que isso tamb\u00e9m se conecta, tanto que voc\u00ea lan\u00e7ou os v\u00eddeos do disco e tal. Como \u00e9 pra voc\u00ea essa parte da produ\u00e7\u00e3o visual?<\/strong><br \/>\nEu gosto muito. O meu pai fala que eu sou \u201cuma cineasta da m\u00fasica\u201d, ele fala que as minhas m\u00fasicas s\u00e3o muito visuais, que a gente v\u00ea imagens quando escuta as minhas m\u00fasicas e eu acho isso muito interessante, porque eu tenho essa coisa com o cinema, com a imagem, com a est\u00e9tica, muito forte, muito forte. E eu acho que uma coisa complementa a outra, ent\u00e3o, por exemplo, quando eu estou fazendo uma m\u00fasica, o clipe dessa m\u00fasica ou a imagem dessa m\u00fasica, ela j\u00e1 vem imediatamente na minha cabe\u00e7a. Ent\u00e3o eu escrevo para o diretor ou para a pessoa que ir\u00e1 me ajudar a fazer aquilo e j\u00e1 falo \u201ceu quero isso aqui assim, isso aqui assado, eu acho que tem que ser essa cor, eu acho que tem que ser esse fundo, essa roupa, essa posi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sei o que, n\u00e3o sei o que l\u00e1\u201d, ent\u00e3o eu vou dando todas as orienta\u00e7\u00f5es que eu quero, que eu sinto e vou criando junto com a pessoa ou com a equipe que eu t\u00f4. \u00c9 muito uma coisa puxa a outra. Acho que sempre vem a m\u00fasica e depois a imagem. A partir da m\u00fasica eu consigo criar uma imagem, consigo criar um clipe, um filme, e assim vai acontecendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesses processos todos, entre ser cantora, ser atriz, voc\u00ea tem trabalhado mais nesse momento como cantora, por isso quero saber do seu lado mais atriz, voc\u00ea tem explorado tamb\u00e9m?<\/strong><br \/>\nO meu lado atriz est\u00e1 de ladinho agora, assim como o de cantora tamb\u00e9m j\u00e1 ficou um tempo. Eu lancei um \u00e1lbum em 2015, a\u00ed fui fazer v\u00e1rios trabalhos como atriz e eu n\u00e3o consigo muito fazer as coisas em paralelo, eu tenho muita dificuldade, porque sou muito inteira em tudo que eu fa\u00e7o, eu n\u00e3o consigo me doar pela metade, entendeu? Ou eu vou de corpo inteiro ou eu n\u00e3o ponho a pontinha do p\u00e9. Ent\u00e3o n\u00e3o sei fazer um malabarismo com essas duas coisas, n\u00e3o sei. Nesse momento eu venho de dois lan\u00e7amentos, o \u201cLuzia 20.20\u201d, e em seguida, n\u00e3o deu nem tempo de eu respirar, eu fui pra \u201c\u00cdMPAR 60\u201d, ent\u00e3o \u00e9 isso, depois que voc\u00ea lan\u00e7a um \u00e1lbum, voc\u00ea tem que trabalhar ele, voc\u00ea tem que focar nele. E eu deixo muito a vida me levar tamb\u00e9m, sabe, por enquanto \u00e9 isso que est\u00e1 me seduzindo mais. Essas duas profiss\u00f5es que batalhem pra ver qual vai me seduzir mais.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"A Rota do Indiv\u00edduo - Antonia Morais\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NfogpHb5wKk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"\u00cdMPAR - lyric v\u00eddeo\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZXetH9XottM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"\u00cdMPAR 60 (Mini Doc)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/CypdJYasDLk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Renan Guerra<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista<\/em>\u00a0e<em>\u00a0escreve para o Scream &amp; Yell desde 2014. Faz parte do\u00a0<a href=\"http:\/\/vamosfalarsobremusica.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Podcast Vamos Falar Sobre M\u00fasica<\/a>\u00a0e colabora com o\u00a0<a href=\"https:\/\/monkeybuzz.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Monkeybuzz<\/a>\u00a0e a\u00a0<a href=\"https:\/\/revistabalaclava.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Revista Balaclava.<\/a>\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Antonia \u00e9 uma artista curiosa, inventiva e atenta ao seu tempo, por isso mesmo seu novo disco traz uma lufada de jovialidade para a obra do pai, Orlando Morais.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/11\/30\/entrevista-antonia-morais-celebra-a-obra-do-pai-orlando-em-impar-60-reposicionando-as-cancoes-entre-o-rock-e-a-eletronica\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":3,"featured_media":71110,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1277],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71109"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71109"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71109\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":71113,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71109\/revisions\/71113"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/71110"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71109"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=71109"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=71109"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}