{"id":71103,"date":"2022-11-30T00:24:53","date_gmt":"2022-11-30T03:24:53","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=71103"},"modified":"2023-01-11T17:18:56","modified_gmt":"2023-01-11T20:18:56","slug":"series-wandinha-resgata-o-humor-tragicomico-e-deliciosamente-bizarro-da-familia-addams","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/11\/30\/series-wandinha-resgata-o-humor-tragicomico-e-deliciosamente-bizarro-da-familia-addams\/","title":{"rendered":"S\u00e9ries: Dispon\u00edvel no Netflix, &#8220;Wandinha&#8221;, de Tim Burton, resgata humor tragic\u00f4mico e deliciosamente bizarro da Fam\u00edlia Addams"},"content":{"rendered":"<h2><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-71104 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/wandinha1.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"741\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/wandinha1.jpg 500w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/wandinha1-202x300.jpg 202w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se a frase \u201cOs Addams v\u00eam a\u00ed&#8230;\u201d lhe inspira a cantar no ritmo de uma famosa vinheta de abertura cuja letra dizia, em sua vers\u00e3o nacional, para &#8220;n\u00e3o ter medo, pois tudo \u00e9 um brinquedo&#8221;, parab\u00e9ns! Voc\u00ea est\u00e1 ficando vel&#8230;, quer dizer, voc\u00ea tem bagagem de cultura pop. H\u00e1 quase sessenta anos, o estalar dos dedos a marcar o compasso da can\u00e7\u00e3o, juntamente ao seu tom encantador de com\u00e9dia, tornou uma afetuosa fam\u00edlia um dos mais queridos personagens em um programa de TV. No cinema, n\u00e3o foi diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo com seus aspectos g\u00f3ticos de dire\u00e7\u00e3o de arte, em cen\u00e1rios dominados por tons escuros e cores como cinza, roxo e preto atuando de modo preponderante; um humor pautado no absurdo e no tragic\u00f4mico; figuras p\u00e1lidas caminhando por uma linha t\u00eanue entre a com\u00e9dia e a psicopatia. Suas apar\u00eancias s\u00e3o bizarras, mas flertam com uma beleza \u00edmpar dentro daquele universo bisonho que homenageia v\u00e1rios aspectos do cinema de horror cl\u00e1ssico, notoriamente o da Universal Studios que, na primeira metade do s\u00e9culo XX, deu vida a monstros conhecidos da literatura fant\u00e1stica como Dr\u00e1cula, A M\u00famia e Frankenstein.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todas as caracter\u00edsticas descritas acima poderiam ser aplicadas a um filme dirigido pelo cineasta Tim Burton, como, por exemplo, \u201cBeetlejuice\u201d (1988). De fato, seria ele a dirigir, se o magn\u00e9tico sucesso de \u201cBatman\u201d (1989) n\u00e3o o tivesse atra\u00eddo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, foi Barry Sonnenfeld, not\u00f3rio diretor de fotografia respons\u00e1vel pelas lentes de filmes como \u201cGosto de Sangue\u201d (1984), \u201cArizona Nunca Mais!\u201d (1987), ambos dos Irm\u00e3os Coen, e \u201cLouca Obsess\u00e3o\u201d (1990), de Rob Reiner, que, em sua estreia como cineasta, articulou de maneira perfeita esse equil\u00edbrio entre o c\u00f4mico, o tr\u00e1gico, o macabro e o chocante ao adaptar para o cinema os ador\u00e1veis personagens criados pelo cartunista Charles Addams, cujas hil\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es os tornaria um fen\u00f4meno cultural quando o produtor e roteirista David Levy as adaptou para a televis\u00e3o em um seriado com 64 epis\u00f3dios exibidos pelo canal de televis\u00e3o estadunidense ABC entre 1964 e 1966.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com \u201cA Fam\u00edlia Adams\u201d (1991), Sonnenfeld captou precisamente o tom do seriado sessentista, trazendo atua\u00e7\u00f5es j\u00e1 cl\u00e1ssicas de nomes como Raul Julia, Anjelica Huston e um irreconhec\u00edvel Christopher Lloyd. A sensa\u00e7\u00e3o de que todos eles se divertiam horrores (trocadilho intencional) era evidente. O retorno para uma continua\u00e7\u00e3o de sucesso n\u00e3o tardaria a acontecer em 1993, com todo elenco voltando. Para o p\u00fablico, rever figuras como o cabeludo Primo It, Trope\u00e7o (o mordomo da mans\u00e3o na cl\u00e1ssica refer\u00eancia ao monstro de Frankenstein) e Coisa (no Brasil, carinhosamente conhecida como M\u00e3ozinha) era delicioso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas uma das personagens que mais chamou a aten\u00e7\u00e3o da audi\u00eancia h\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas era uma p\u00e1lida garotinha de personalidade decidida e ironia e sarcasmo sagazes. Na pele de Wednesday (no Brasil, Wandinha), Christina Ricci, \u00e0 \u00e9poca da grava\u00e7\u00e3o com apenas dez anos de idade, trazia para si muito do brilho que a com\u00e9dia destacava. Trinta anos depois, os holofotes s\u00e3o da mesma personagem que ela imortalizou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dessa vez, coube ao citado Tim Burton trazer suas apropriadas marcas soturnas \u00e0 hist\u00f3ria desenvolvida pela dupla Alfred Gough e Miles Millar, conhecida por aprofundar na televis\u00e3o a hist\u00f3ria de Clark Kent antes dele se tornar o Superman no sucesso de vinte anos atr\u00e1s, \u201cSmallville\u201d (2001). Em \u201cWandinha\u201d (2022), s\u00e9rie em oito epis\u00f3dios da Netflix, a jovem Jenna Ortega assume o protagonismo na pele de Wednesday, a rebelde colocada em um reformat\u00f3rio voltado para alunos problem\u00e1ticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seus pais, aqui vividos por Catherine Zeta-Jone e Luiz Guzm\u00e1n (que recriam de modo honesto a qu\u00edmica perfeita de Raul e Anjelica), enxergam o local como \u00faltimo ref\u00fagio para seu rebento conseguir socializar. Ortega, ali\u00e1s, \u00e9 de uma perspic\u00e1cia not\u00e1vel em sua caracteriza\u00e7\u00e3o. A come\u00e7ar pelo modo como consegue transmitir ao p\u00fablico a jovialidade de uma adolescente de 14 anos ou menos (a atriz nasceu em 2002) e em como seu carisma blas\u00e9 constr\u00f3i de modo eficiente seu personagem de forma a n\u00e3o replicar a cria\u00e7\u00e3o nos mesmos maneirismos de Ricci, mas firmar-se como sua pr\u00f3pria. Obviamente, o olhar de indiferen\u00e7a e o tom ir\u00f4nico e repleto de observa\u00e7\u00f5es sagazes, marcas da personagem em todas as suas encarna\u00e7\u00f5es (de novo, trocadilho intencional) se fazem presentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas \u00e9 nas marcas de Tim Burton que reside a beleza pl\u00e1stica de \u201cWandinha\u201d &#8211; auxiliado aqui pelo parceiro de d\u00e9cadas, o compositor Danny Elfman, que cria uma atmosfera envolvente. Claro, est\u00e3o ali alguns dramas fr\u00e1geis e adolescentes, como a quest\u00e3o da adapta\u00e7\u00e3o e a necessidade de aceita\u00e7\u00e3o social. Mas \u00e9 na cr\u00edtica a essa mesma necessidade, caracter\u00edstica que transparece em sua protagonista, bem como na an\u00e1lise da mesma sobre a depend\u00eancia de sua gera\u00e7\u00e3o para com redes sociais, que o texto de \u201cWandinha\u201d se destaca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00d3bvio que abrir o epis\u00f3dio-piloto com um ataque de piranhas assassinas a um grupo de adolescentes abusadores que cometeram o fatal erro de fazer bullying com o querido irm\u00e3o de Wednesday, ajuda a estabelecer o tom da s\u00e9rie. Um deles, inclusive, perde um test\u00edculo e a garota comemora o fato de que o rapaz n\u00e3o trar\u00e1 descendentes ao planeta. E quando a jovem toca \u201cPaint it, Black\u201d, dos Stones, no seu violoncelo, bom, este \u00e9 o exato momento em que percebemos estar diante de algo que Tim Burton deve ter salivado ao ler e imaginar as possibilidades do que poderia trazer ao, por vezes, entediante streaming.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Wandinha | Trailer oficial | Netflix\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jC1UClvq9i8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Wandinha | Abertura Oficial | Netflix Brasil\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2r2h8o4YQ0w?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Wandinha Addams | Da mente de Tim Burton | Netflix\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ncKbGhs9ffs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Wandinha | Conhe\u00e7a a Escola Nunca Mais | Netflix\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zRxDF5U1eP0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde e assina o blog\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pel\u00edcula Virtual<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u00c9 nas marcas de Tim Burton que reside a beleza pl\u00e1stica de \u201cWandinha\u201d &#8211; auxiliado aqui pelo parceiro de d\u00e9cadas, o compositor Danny Elfman, que cria uma atmosfera envolvente.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/11\/30\/series-wandinha-resgata-o-humor-tragicomico-e-deliciosamente-bizarro-da-familia-addams\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":71105,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7497],"tags":[154,6444],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71103"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71103"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71103\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":71108,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71103\/revisions\/71108"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/71105"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71103"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=71103"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=71103"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}