{"id":710,"date":"2009-01-14T19:22:26","date_gmt":"2009-01-14T21:22:26","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=710"},"modified":"2016-09-10T10:17:46","modified_gmt":"2016-09-10T13:17:46","slug":"granada-do-la-carne","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/01\/14\/granada-do-la-carne\/","title":{"rendered":"Granada, do La Carne"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-711\" title=\"la_carne_granada\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/la_carne_granada.jpg\" alt=\"\" width=\"340\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/la_carne_granada.jpg 340w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/la_carne_granada-255x300.jpg 255w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><br \/>\n<strong>Por Leonardo Vinhas<\/strong><\/p>\n<p><em>&#8220;Desonestidade \u00e9 a especialidade<br \/>\ndo Card\u00e1pio das Promessas<br \/>\nE o Jean Charles me escreveu de Londres<br \/>\ndisse que Londres est\u00e1 uma merda&#8221;.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era uma vez uma banda chamada La Carne, que lan\u00e7ava seus discos por conta pr\u00f3pria, que tocava em qualquer lugar que os chamassem, que n\u00e3o tinha paci\u00eancia para fazer a banda \u201cacontecer\u201d, s\u00f3 queria mesmo fazer m\u00fasica. Rock? Pode ser \u2013 eles provavelmente dir\u00e3o que \u00e9 rock. Mas tem muita gente, como o dramaturgo Mario Bortolotto, que diz que eles s\u00e3o autores de uma arte maior. Vai saber.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Londres est\u00e1 mesmo uma merda, mas como costuma completar ao vivo o vocalista Linari, &#8220;e Osasco, ent\u00e3o?&#8221;. Oz, a terra natal da banda, \u00e9 territ\u00f3rio in\u00f3spito para qualquer som de guitarra que n\u00e3o lembre o Chimbinha. E S\u00e3o Paulo vai por outros caminhos que levam a esse mesmo fim. Sim, porque &#8220;independente&#8221; e &#8220;indie&#8221; n\u00e3o significam a mesma coisa h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O indie&#8221; (carregue-se na ironia a\u00ed) \u00e9 um circuito, um microuniverso com seus dogmas e c\u00e2nones, uma terra de muito ego, alguma grana e pouca subst\u00e2ncia. Virou um circuitinho t\u00e3o pateticamente fechado em si mesmo que um de seus mais famosos escrevinhadores criou um &#8220;canto&#8221; chamado &#8220;underground do underground&#8221; (\u00e9 s\u00e9rio!) para colocar bandas como o La Carne, que n\u00e3o participam das festinhas nas boates de bebida cara ou nos apartamentos onde o p\u00f3 que se acumula nos m\u00f3veis n\u00e3o \u00e9 exatamente sujeira.<\/p>\n<p><em>&#8220;Posso garantir<br \/>\nEu li no jornal:<br \/>\n&#8216;CSS \u00e9 t\u00e3o legal'&#8221;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu escrevi &#8220;bandas como o La Carne&#8221;, mas n\u00e3o h\u00e1 outras como eles. O que Jorge (guitarra), Carlos (baixo), Chic\u00e3o (bateria) e Linari fazem \u00e9 s\u00f3 deles. D\u00e1 para sacar, claro, que eles ouviram muito Nick Cave, muito New Model Army. Mas nada que eles fa\u00e7am se assemelha \u00e0s suas fontes. O La Carne \u00e9 uma daquelas cinco bandas brasileiras que t\u00eam identidade pr\u00f3pria, apesar de eu n\u00e3o me lembrar agora das outras quatro.<br \/>\n(Na\u00e7\u00e3o Zumbi! Lembrei uma! As outras tr\u00eas ta dif\u00edcil&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa identidade \u00e9 forjada em ensaios semanais, nos quais &#8220;a gente volta ao primitivo&#8221;, conforme declarou Jorge aqui no S&amp;Y, tr\u00eas anos atr\u00e1s. E esses ensaios explodem em apresenta\u00e7\u00f5es vigorosas, memor\u00e1veis, shows que s\u00e3o experi\u00eancias emocionais e f\u00edsicas extenuantes e renovadoras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse apavoro s\u00f4nico nunca tinha encontrado uma transcri\u00e7\u00e3o muito fiel em disco (o primeiro, &#8220;La Carne&#8221;, de 1997, quase conseguiu), e mesmo agora em &#8220;Granada&#8221; (2008), quarto e melhor registro dos caras, a coisa ainda n\u00e3o reflete o que a banda \u00e9 no palco. Mas veja bem: esse \u00e9 um disco que supera at\u00e9 o mesmo o disco de estr\u00e9ia da banda, aquele que j\u00e1 foi definido e defendido pelo m\u00fasico e escritor Rubens K como &#8220;o melhor disco do rock brasileiro&#8221;. Ent\u00e3o, esse Granada&#8230; Bom, \u00e9 o &#8220;Guernica&#8221; dos caras, f\u00e1cil.<\/p>\n<p><em>&#8220;Posso garantir<br \/>\nEu li no jornal:<br \/>\n&#8216;Rock no Brasil n\u00e3o presta'&#8221;.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiro disco da banda a incorporar outros instrumentos fora da trindade baixo-guitarra-bateria (h\u00e1 teclados, violino, percuss\u00e3o e sanfona), s\u00e3o 12 faixas que soam como carne crua e sangrenta jogada num ventilador industrial. A guitarra limpa e sem pedais faz mais estrago que qualquer distor\u00e7\u00e3o metida a jarro de testosterona, o baix\u00e3o (que tem \u2013 coisa rara nesses dias de assepsia sonora \u2013 som de baixo mesmo) arranca nacos do est\u00f4mago e recupera a frequ\u00eancia card\u00edaca dos lentos, obsoletos e impotentes. E n\u00e3o h\u00e1 no Brasil vocalista como Linari. Ponto. Basta escutar o cara em &#8220;Vergonha na Cara&#8221; para se certificar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 complicado escolher um destaque. Dos climas soturnos de &#8220;Decida&#8221; e da faixa-t\u00edtulo aos ribombos de &#8220;Malasuerte&#8221;, &#8220;Tratadus Pilantrae (TGP)&#8221; e a j\u00e1 citada &#8220;Vergonha na Cara&#8221;, o n\u00edvel se mant\u00e9m. Mas \u00e9 inevit\u00e1vel n\u00e3o dedicar uma aten\u00e7\u00e3o especial a &#8220;Blues dos Seus Absurdos&#8221; e \u00e0 &#8220;Londres Est\u00e1 Uma Merda&#8221;, que tem alguns de seus versos intercalados entre os par\u00e1grafos dessa resenha. S\u00e3o duas can\u00e7\u00f5es que traduzem, em l\u00edrica e instrumental, o que o La Carne \u00e9, e que falam pela banda mais que os elogios aqui descritos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma vez, conversando com o &#8220;l\u00edder&#8221; de uma banda cujo som respeito e gosto, perguntei-lhe por que ele n\u00e3o gostava do La Carne. Sua resposta: &#8220;\u00e9 uma banda que n\u00e3o me fala ao pau&#8221;. Quase completei: &#8220;\u00e9 porque voc\u00ea n\u00e3o tem um&#8221;, mas deixei a ofensa (justificada) para l\u00e1. N\u00e3o valia o estresse, mas sabe como \u00e9, tem gente que acha que pode mudar o mundo. E tem gente, como o La Carne, que s\u00f3 diz: &#8220;eu n\u00e3o quero saber quem morreu, eu s\u00f3 vim pra chorar&#8221;.<\/p>\n<p><em>&#8220;Ah, eu amo o sol e as nuvens,<br \/>\nmas me sinto mal.<br \/>\nMas posso garantir problemas&#8230;&#8221;<\/em><br \/>\n<strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Entrevista La Carne 2005, por Leonardo Vinhas (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/lacarne.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Site Oficial do La Carne: <a href=\"http:\/\/www.lacarne.com.br\/\">http:\/\/www.lacarne.com.br\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por Leonardo Vinhas &#8220;Desonestidade \u00e9 a especialidade do Card\u00e1pio das Promessas E o Jean Charles me escreveu de Londres disse que Londres est\u00e1 \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/01\/14\/granada-do-la-carne\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/710"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=710"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/710\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":781,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/710\/revisions\/781"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=710"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=710"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=710"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}