{"id":70948,"date":"2022-11-21T01:30:49","date_gmt":"2022-11-21T04:30:49","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=70948"},"modified":"2023-02-13T23:23:54","modified_gmt":"2023-02-14T02:23:54","slug":"entrevista-clutch","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/11\/21\/entrevista-clutch\/","title":{"rendered":"Entrevista: Fruto da cena metal alternativo que ganhou visibilidade a partir dos anos 1990, o Clutch fala sobre seu novo disco"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Clutch \u00e9 daquelas bandas cientes de que o palco \u00e9 onde quem faz m\u00fasica mostra servi\u00e7o e atesta o potencial que tem. Versos da faixa-t\u00edtulo do d\u00e9cimo \u00e1lbum dos caras, chamado \u201cEarth Rocker\u201d (2013), indicam isso: \u201cif you&#8217;re gonna do it, do it live on stage, or don&#8217;t do it at all \/ if you&#8217;re gonna do it, you better take it to the stage, or don&#8217;t do it at all (em tradu\u00e7\u00e3o livre: se voc\u00ea vai fazer isso, fa\u00e7a ao vivo no palco, ou nem fa\u00e7a \/ se voc\u00ea vai fazer isso, \u00e9 melhor levar ao palco, ou nem fa\u00e7a). E o baterista Jean-Paul Gaster confirma que tocar em frente ao p\u00fablico \u00e9 mesmo algo fundamental para ele e os colegas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEsse \u00e9 o trabalho principal de uma banda. A ideia de se reunir e tocar m\u00fasica \u00e9 para que a gente possa se apresentar juntos, como um grupo. Para mim, essa \u00e9 a parte mais importante. Claro, h\u00e1 conjuntos que t\u00eam m\u00fasicos que s\u00e3o mais de est\u00fadio, e isso \u00e9 v\u00e1lido tamb\u00e9m. Mas n\u00f3s confiamos em nossa capacidade de colocar os sons que escrevemos no palco\u201d, observa o estadunidense em entrevista via zoom para o Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do cuidado com as performances ao vivo, o Clutch tamb\u00e9m sabe tirar bons resultados em est\u00fadio. Um exemplo \u00e9 o \u00e1lbum mais recente, \u201cSunrise on Slaughter Beach\u201d, lan\u00e7ado este ano pela gravadora da pr\u00f3pria banda, a Weathermaker Music. O d\u00e9cimo terceiro registro de est\u00fadio traz a indefect\u00edvel assinatura sonora do Clutch \u2014 uma mistura entre o peso herdado do rock, a intensidade do blues, o groove do funk e at\u00e9 a ousadia do jazz \u2014 sem soar repetitivo. O trabalho acrescenta ainda elementos novos \u00e0s composi\u00e7\u00f5es, como vocais femininos e teremim. Outra novidade \u00e9 a dura\u00e7\u00e3o, menor que a de costume para o quarteto: s\u00e3o nove temas em 33 minutos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFomos para o est\u00fadio e experimentamos bem mais. Muitos dos sons que gravamos, eu n\u00e3o sabia como iria abord\u00e1-los. Geralmente tenho anota\u00e7\u00f5es de como tocar, mas dessa vez apenas experimentei para ver o que acontecia. Creio que o disco se tornou uma entidade em si por isso\u201d, confessa Jean-Paul.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fruto da cena do metal alternativo que ganhou visibilidade a partir dos anos 1990, o Clutch surgiu em Maryland (perto da capital Washington D.C, nos EUA) no ano de 1991. Desde o in\u00edcio das atividades, a forma\u00e7\u00e3o segue a mesma. Completam o time, ao lado de Jean-Paul, Dan Maines (baixo), Tim Sult (guitarra) e Neil Fallon (voz). Na entrevista a seguir, Jean-Paul avalia as nuances na sonoridade da banda durante suas mais de tr\u00eas d\u00e9cadas, comenta a import\u00e2ncia do punk na m\u00fasica e na postura do grupo, elenca influ\u00eancias na bateria, puxa da mem\u00f3ria lembran\u00e7as musicais e explica quest\u00f5es referentes ao \u00e1lbum \u201cSunrise on Slaughter Beach\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Clutch - Slaughter Beach\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dxa9xqe4UNA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vejo bastante entrevistas do Clutch suas. Pode-se dizer que voc\u00ea \u00e9 uma esp\u00e9cie de porta-voz da banda?<\/strong><br \/>\nEu diria que sou apenas um dos integrantes. Tentamos dividir os pedidos de entrevistas entre todos os membros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sendo diretamente envolvido, como percebe a evolu\u00e7\u00e3o \u2014 ou melhor, as mudan\u00e7as \u2014 no som do Clutch desde o debut \u201cTransnational Speedway League\u201d (1993) at\u00e9 o recente \u201cSunrise on Slaughter Beach\u201d (2022)?<\/strong><br \/>\nTem sido uma grande jornada, posso te dizer isso. Fizemos v\u00e1rios \u00e1lbuns entre esses que voc\u00ea mencionou. Acho que o mais importante \u00e9 que tocamos muitos shows e que, especialmente no in\u00edcio, cada disco que lan\u00e7amos mostrava nosso crescimento na abordagem com os instrumentos. Fomos ficando melhores no que fizemos e meio que estabelecemos um estilo, embora eu pense que cada trabalho foi um passo pr\u00f3prio em nosso desenvolvimento. Eu poderia falar por horas das diferen\u00e7as em nossos discos, mas, enfim, resumo como sendo uma longa jornada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea mencionou shows. H\u00e1 um trecho na faixa \u2018Earth Rocker\u2019 que diz: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=p5JQh40jdQ4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">If you&#8217;re gonna do it do it live on stage, or don&#8217;t do it at all<\/a>\u2019 (em tradu\u00e7\u00e3o livre: se voc\u00ea vai fazer, fa\u00e7a no palco, ou nem fa\u00e7a). O Clutch \u00e9 uma banda que preza pelo que \u00e9 mostrado ao vivo?<\/strong><br \/>\nCom certeza, somos uma banda muito do palco. Come\u00e7amos a tocar com a inten\u00e7\u00e3o de fazer apresenta\u00e7\u00f5es legais e bons \u00e1lbuns. Era isso que quer\u00edamos. O lance do ao vivo apareceu naturalmente e, durante nossa carreira, era algo com o que sempre pod\u00edamos contar. Por que muitas vezes, como nos anos 1990, tivemos problemas com gravadoras, pois essas empresas queriam ditar quando e onde n\u00f3s dever\u00edamos gravar. Era complicado, mas sempre soubemos que poder\u00edamos entrar numa van e sair a tocar para 100 ou 150 pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pensa que \u00e9 ao vivo que uma banda mostra seu potencial?<\/strong><br \/>\nSim! Esse \u00e9 o trabalho principal de uma banda. A ideia de se reunir e tocar m\u00fasica \u00e9 para que a gente possa se apresentar juntos, como um grupo. Para mim, essa \u00e9 a parte mais importante. Claro, h\u00e1 conjuntos que t\u00eam m\u00fasicos que s\u00e3o mais de est\u00fadio, e isso v\u00e1lido tamb\u00e9m. Mas n\u00f3s confiamos em nossa capacidade de colocar os sons que escrevemos no palco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Agora, falemos sobre refer\u00eancias musicais: que nomes citaria como influ\u00eancias no come\u00e7o da carreira e quais se tornaram inspira\u00e7\u00e3o ao longo do tempo?<\/strong><br \/>\nComo baterista, no come\u00e7o, provavelmente o baterista mais importante para mim foi o Bill Ward (Black Sabbath). Consegui perceber no jeito dele tocar um elemento do jazz que eu j\u00e1 havia escutado, mas, quando garoto, n\u00e3o tinha feito a conex\u00e3o. Eu n\u00e3o pensaria que o baterista do Black Sabbath conhecia Gene Krupa. Voc\u00ea logo realiza que essas liga\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais pr\u00f3ximas do que parecem. Lembro-me de curtir bastante Gene Krupa, muito em raz\u00e3o do meu pai. E depois escutar Bill tocando com o Sabbath e pensar: \u201cespera, h\u00e1 similaridades aqui!\u201d E essa fa\u00edsca me fez ter interesse a fundo n\u00e3o apenas em bateristas que vieram depois que Bill Ward, mas, mais importante, nos que apareceram antes dele. Ent\u00e3o, comecei a prestar aten\u00e7\u00e3o em m\u00fasicos como Elvin Jones, Buddy Rich e Max Roach. Voc\u00ea come\u00e7a a entender que bateria n\u00e3o \u00e9 apenas sobre um g\u00eanero musical, ela \u00e9 um instrumento em si. E quanto mais voc\u00ea sabe sobre esse instrumento, melhor voc\u00ea se expressa. H\u00e1 outro baterista que foi importante para mim, e eu acabo n\u00e3o falando muito sobre ele, \u00e9 Brendan Canty, do Fugazi. Ele teve grande impacto, principalmente no meu jeito de tocar ao vivo. Fomos sortudos o suficiente para estar pelas redondezas de Washington D.C e v\u00ea-los um bocado de vezes. Sempre uma banda maravilhosa ao vivo! O que eu mais curtia \u00e9 que parecia haver um senso de improvisa\u00e7\u00e3o no que eles faziam. N\u00e3o \u00e9 dizer que eles eram uma banda de jazz, mas sempre havia algo que poderia sair diferente. Por causa disso comecei a conectar os pontos com outros tipos de m\u00fasica que permitiam improvisa\u00e7\u00e3o. Brendan tinha uma abordagem muito musical, n\u00e3o era s\u00f3 um cara que tocava a batida. Me inspirou bastante no come\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Curte hardcore, certo? Li em alguma entrevista que voc\u00ea \u00e9 f\u00e3 de bandas como Bad Brains.<\/strong><br \/>\nSim, teve muito a ver com nossa educa\u00e7\u00e3o musical. Nomes como Bad Brains, Cro-Mags e algo do metal tamb\u00e9m. Lembro-me de ser f\u00e3 do Morbid Angel e do Sepultura (uma grande influ\u00eancia no Clutch). Pegamos tudo isso \u2014 al\u00e9m de Jimi Hendrix, Miles Davis e Allman Brothers \u2014, misturamos e criamos m\u00fasicas das quais gostamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Interessante voc\u00ea falar sobre o Sepultura. A primeira vez que fiquei sabendo sobre o Clutch foi ao ver o Iggor usando uma camiseta de voc\u00eas. A\u00ed, fui atr\u00e1s para saber mais sobre a banda.<\/strong><br \/>\n(OBS: na verdade, durante a tradu\u00e7\u00e3o desta conversa, o entrevistador lembrou que a situa\u00e7\u00e3o foi um pouco diferente: a primeira vez que ele ouviu falar sobre Clutch foi sim com Iggor Cavalera. Mas quando o baterista <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Gv83nzbj1tg&amp;t=212s\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">escolheu um som dos caras para rodar no F\u00faria Metal<\/a>, da finada da MTV.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea falou sobre seu pai. Ele tamb\u00e9m era m\u00fasico?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. Ele era um grande apreciador de m\u00fasica apenas. E n\u00e3o s\u00f3 de big bands, ele gostava de v\u00e1rios estilos, como blues e bluegrass. Tenho uma lembran\u00e7a espec\u00edfica de inf\u00e2ncia: minha fam\u00edlia n\u00e3o costumava assistir a seriados na TV, meu pai n\u00e3o curtia. Em vez disso, olh\u00e1vamos muito canais p\u00fablicos que tinham programa\u00e7\u00e3o educativa. E, algumas vezes, eles passavam shows com transmiss\u00e3o simult\u00e2nea. Isso significa que tamb\u00e9m era poss\u00edvel sintonizar, via emissora de r\u00e1dio do canal de TV, no aparelho de som. E a\u00ed dava para ver as apresenta\u00e7\u00f5es em est\u00e9reo. Meu pai amava isso! Ele tinha autofalantes instalados no teto. Acho que ele gostava de ver essas performances ao vivo com som de qualidade. Recordo de uma pontual do Buddy Rich. Como nunca tinha o visto, aquilo me marcou, ainda mais em som est\u00e9reo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Assim como o som do Clutch mudou, a ind\u00fastria da m\u00fasica tamb\u00e9m. E, acredito, essa deva ser uma das raz\u00f5es pela qual resolveram fundar uma gravadora: Weathermaker Music. Como tem sido lan\u00e7ar seu pr\u00f3prio material desde o \u00e1lbum \u201cStrange Cousins from the West\u201d (2009)? Quais pr\u00f3s e contras de gerenciar a pr\u00f3pria gravadora?<\/strong><br \/>\nAs vantagens s\u00e3o f\u00e1cies: lan\u00e7ar m\u00fasica quando queremos e gravar onde achamos mais adequado. Sem falar que n\u00e3o precisamos fazer reuni\u00f5es com executivos dizendo que n\u00e3o gostaram da nossa m\u00fasica nova. Somos bem mais livres e apreciamos isso. A parte ruim \u00e9 que ainda existe frustra\u00e7\u00e3o. Agora, somos donos de uma gravadora e temos de lidar com os mesmos desafios de qualquer outro empres\u00e1rio. Tipo: fazer vinis \u00e9 bem dif\u00edcil. Coordenar o lan\u00e7amento de um \u00e1lbum tamb\u00e9m pode ser desafiador. Por sorte, temos uma equipe competente que nos cerca e n\u00e3o precisamos fazer tudo n\u00f3s mesmos diariamente. Mas nos envolvemos bastante nas tarefas. Se algo d\u00e1 errado, \u00e9 culpa desse cara! (Jean Paul aponta para si).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nTodos da banda, na real. Come\u00e7a como um grande acordo de liberdade, mas \u00e9 tamb\u00e9m uma grande responsabilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Meio Homem-Aranha: \u201cCom grandes poderes v\u00eam grandes responsabilidades&#8221;.<\/strong><br \/>\n(risos) Assim mesmo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 ouviram de pessoas das gravadoras que n\u00e3o haviam gostado de sua m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nSim! No come\u00e7o, com certeza. Na verdade, tivemos muito disso (risos). Lembro que, na \u00e9poca do \u201cElephant Riders\u201d (1998) aconteceu. Foi porque montamos est\u00fadio em uma casa de fazenda que viv\u00edamos \u00e0 \u00e9poca e gravamos o disco todo l\u00e1. Mandamos o material para a gravadora e disseram: \u201cn\u00e3o\u201d. Naquela altura, cheios de frustra\u00e7\u00e3o, fomos para Nova York bem a contragosto. Tivemos a oportunidade de trabalhar com duas pessoas bem experientes. Uma delas era Jack Douglas, que produziu alguns materiais do Aerosmith, como \u201cToys in the Attic\u201d (1975). Ele tamb\u00e9m trabalhou com John Lennon e muitos outros artistas lend\u00e1rios dos anos 1970. Jack tinha muita bagagem, e acho que ele n\u00e3o sabia muito sobre o Clutch. E, para ser honesto, nem n\u00f3s conhec\u00edamos muito dele. \u00c9ramos de gera\u00e7\u00f5es diferentes. Mas rolou de ele fazer com que torn\u00e1ssemos as composi\u00e7\u00f5es melhores. Simplificamos os arranjos e estivemos com ele por muito tempo antes de entrar em est\u00fadio. Foi uma bela experi\u00eancia! A segunda coisa bacana que tivemos de fazer foi trabalhar com o Jason Corsaro, outro profissional muito gabaritado. Ele ajudou a moldar aquele que, percebo hoje, considero um dos melhores \u2014 se n\u00e3o o melhor \u2014 som dos discos do Clutch.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais foram os acontecimentos fundamentais que fizeram com que o Clutch se tornasse uma banda profissional? Ou essa era a inten\u00e7\u00e3o desde que o grupo se formou?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o era nosso objetivo ser uma banda profissional. A ideia era s\u00f3 fazer shows e \u00e1lbuns legais. Para n\u00f3s, uma banda profissional, como voc\u00ea diz, eram aquelas que tocavam no r\u00e1dio. Caras com cabelos compridos, roupas bobas e cal\u00e7as apertadas. A gente n\u00e3o curtia isso, ach\u00e1vamos brega. Est\u00e1vamos felizes em ser uma banda underground. Se consegu\u00edssemos abrir um show do Cro-Mags algum dia, estaria \u00f3timo. Falando por mim, eu tinha ambi\u00e7\u00f5es de me tornar um baterista, embora n\u00e3o tivesse certeza de qual caminho trilharia. Desde cedo me dei conta de que era com a bateria que eu me acertava. Eu conseguia fazer outras coisas, mas n\u00e3o muito bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mais uma vez voc\u00ea citou o Cro-Mags. Falando novamente sobre punk\/hardcore: como o estilo influenciou voc\u00eas? N\u00e3o s\u00f3 musicalmente, mas na maneira de se portar como artistas.<\/strong><br \/>\nA mentalidade \u201cfa\u00e7a voc\u00ea mesmo\u201d sempre nos acompanhou. L\u00e1 no in\u00edcio, n\u00f3s mesmos faz\u00edamos nossos flyers, marc\u00e1vamos shows e cri\u00e1vamos as camisetas. Sempre nos envolvemos. Houve interesse de uma grande gravadora no come\u00e7o, e acabamos assinando com eles logo que nos tornamos uma banda. Mas esse senso de fazer as coisas por n\u00f3s nunca abandonou a gente. \u00c9 parte daquilo que somos. Inevitavelmente, ao assinarmos com uma gravadora, ela nos daria um adiantamento para gravar o disco e nos largaria. Foi a\u00ed que o lema \u201cfa\u00e7a voc\u00ea mesmo\u201d ganhou for\u00e7a. Far\u00edamos o que era preciso fazer por n\u00f3s. Percebemos que n\u00e3o dava para depender de ningu\u00e9m. Ningu\u00e9m vai batalhar duro pela sua banda tanto quanto voc\u00ea. Creio que \u00e9 algo interessante para m\u00fasicos jovens de hoje em dia. S\u00f3 porque voc\u00ea despertou interesse de uma gravadora, apareceu em algum playlist do Spotify ou tocou no r\u00e1dio, n\u00e3o \u00e9 o fim da jornada. \u00c9 onde o trabalho come\u00e7a, na verdade. Voc\u00ea tem de se envolver e ficar atento aos neg\u00f3cios mais do que nunca. Pessoas de fora est\u00e3o, mais do que nunca, querendo tirar dinheiro de voc\u00ea. \u00c9 necess\u00e1rio ficar esperto se voc\u00ea deseja fazer da m\u00fasica seu emprego.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falemos sobre o disco novo: \u201cSunrise on Slaughter Beach\u201d. De onde veio esse nome?<\/strong><br \/>\nSlaughter Beach \u00e9 uma praia perto de onde moramos, no estado de Delaware. \u00c9 um lugar bem bonito, j\u00e1 estive de f\u00e9rias l\u00e1 algumas vezes. Assim como Neil (vocalista). Acho que foi por a\u00ed a inspira\u00e7\u00e3o. Algo como o Neil dando uma caminhada na areia em Slaughter Beach. Interessante \u00e9 que, por mais belo que seja o local, o nome soa bem brutal. H\u00e1 algumas hist\u00f3rias locais de o por qu\u00ea isso ocorre. Neil \u00e9 muito bom em criar essas frases carregadas de sentido, que as pessoas podem interpretar de maneira diferente. Se voc\u00ea falar para 10 pessoas \u201cSlaughter Beach\u201d, pode ser que cada uma delas d\u00ea interpreta\u00e7\u00f5es diferentes. E isso legal!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u00e1lbum tem a identidade do Clutch, mas adiciona elementos incomuns na discografia, como vozes femininas e teremim. Como rolaram essas ideias?<\/strong><br \/>\nCome\u00e7amos a escrever no in\u00edcio da pandemia, t\u00e3o logo nos demos conta de que n\u00e3o iriam rolar shows nos meses seguintes. O que fizemos no primeiro ano de trabalho praticamente n\u00e3o entrou no disco. Foi meio que uma tentativa de mantermos o processo criativo e as coisas fluindo enquanto o mundo ia se ajustando. Acho que s\u00f3 compilamos material que realmente foi para o \u00e1lbum depois de percebermos uma luz no fim do t\u00fanel, quando entendemos que logo as turn\u00eas poderiam voltar. Isso nos incentivou a focarmos mais nas composi\u00e7\u00f5es. Foi no segundo ano do trabalho que os temas acabaram por se tornar um \u00e1lbum. O desafio desse disco foi que n\u00e3o pudemos tocar os sons ao vivo. Tradicionalmente, criamos algumas m\u00fasicas e as apresentamos em turn\u00ea. Colocando esses sons no repert\u00f3rio, independentemente do qu\u00e3o bem acabados est\u00e3o, nos d\u00e1 no\u00e7\u00e3o de como a m\u00fasica vai sair ao vivo. Quando voc\u00ea pratica na sala de ensaio, n\u00e3o h\u00e1 intera\u00e7\u00e3o com a plateia. Ent\u00e3o, eu fico tentando adivinhar se est\u00e1 bom ou n\u00e3o. Em resumo, tento fazer m\u00fasica que move as pessoas. Quando d\u00e1 para ver a galera e perceber o que acontece quando entra a bateria, o baixo, o refr\u00e3o, voc\u00ea pensa: \u201cok, vai funcionar\u201d. Ou ao contr\u00e1rio, tipo \u201cisso n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o bacana, temos de mexer em algo\u201d. O palco para n\u00f3s \u00e9 como um laborat\u00f3rio, e n\u00e3o tivemos isso para esse trabalho mais recente. Foi um desafio nesse sentido. Mas, definitivamente, isso tamb\u00e9m fez do disco o que ele \u00e9. Fomos para o est\u00fadio e experimentamos bem mais. Muitos dos sons que gravamos, eu n\u00e3o sabia como iria abord\u00e1-los. Geralmente tenho anota\u00e7\u00f5es de como tocar, mas dessa vez apenas experimentei para ver o que acontecia. Creio que o disco se tornou uma entidade em si por isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sobre as vozes e o teremim, especificamente: lembra como pensaram em usar esses recursos?<\/strong><br \/>\nSim! Tudo rolou naturalmente. Nosso produtor Tom Dalgety, que \u00e9 \u00f3timo na mesa de som, estava envolvido conosco quando est\u00e1vamos gravando. E ele gosta de tentar elementos novos em nosso som, coisas que n\u00e3o usamos at\u00e9 ent\u00e3o. Tem um tempo j\u00e1 que o Neil pensa em trabalhar com vocais femininos. Calhou que um amigo pr\u00f3ximo chamado Nate Bergman, que tem uma banda chamada Lionize e tamb\u00e9m \u00e9 artista solo, tinha contato de algumas cantoras com quem trabalhou. Ent\u00e3o, Neil falou com ele e conseguimos as vozes femininas. J\u00e1 o teremim estava no est\u00fadio, que \u00e9 de propriedade J. Robbins, um cara que j\u00e1 trabalhou com o Clutch em \u00e1lbuns anteriores. O J sabe bem como usar um teremim e, em uma tarde, nos surpreendeu vindo tocar o instrumento. Claro, Tom viu e adorou. Ficamos ali por uma hora e meia vendo J tocar e gravar, e foi absolutamente incr\u00edvel. Ao vivo, quem faz a parte do teremim agora \u00e9 o Neil. \u00c9 divertido!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Clutch faz algo que acho sensacional: usar express\u00f5es e refer\u00eancias do universo rockeiro e do metal nas letras. A faixa que abre o trabalho mais recente, chamada \u2018Red Alert (Boss Metal Zone)\u2019 \u00e9 um exemplo, j\u00e1 que brinca com o nome de um pedal de efeitos. Lembra como essas metarrefer\u00eancias ao estilo passaram a pipocar nas letras do Clutch?<\/strong><br \/>\nPosso falar pontualmente sobre \u2018Red Alert (Boss Metal Zone). Em algum momento durante o isolamento, e n\u00f3s todos vamos lembrar, havia muitas teorias da conspira\u00e7\u00e3o sobre o motivo pelo qual voc\u00ea talvez n\u00e3o devesse se vacinar. E uma delas era de que a inje\u00e7\u00e3o teria uma esp\u00e9cie de chip de computador ou algo assim, que poderia monitorar voc\u00ea e sua fam\u00edlia. E algu\u00e9m postou a imagem do circuito desse tal suposto chip. Ent\u00e3o, um engenheiro rastreou isso e descobriu que era mesmo um circuito que existe. S\u00f3 que do Metal Zone, da Boss. Ent\u00e3o pensamos que seria maneiro o conceito de injetar um pedal desses no seu corpo. O Neil (vocal) \u00e9 extremamente talentoso em pegar ideias aparentemente sem rela\u00e7\u00e3o e costur\u00e1-las em uma esp\u00e9cie de universo alternativo. E isso \u00e9 muito legal! Eu fico constantemente surpreso sobre as coisas que ele canta e como as canta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acho isso muito interessante. No disco \u201cEarth Rocker\u201d h\u00e1 alguns bons exemplos dessas cita\u00e7\u00f5es ao mundo do rock. A faixa \u2018The Face\u2019, por exemplo, \u00e9 espetacular. Eu escuto e fico imaginando os baixos Jazz Master e as guitarras Les Paul voando e caindo no mar.<\/strong><br \/>\nConcordo, tamb\u00e9m adoro isso! A imagem que se cria no decorrer de algumas poucas linhas assim \u00e9 incr\u00edvel.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Clutch - The Face (with lyrics)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vPN1EY4MIK8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Poderia dizer quais suas faixas preferidas no \u201cSunrise on Slaughter Beach\u201d?<\/strong><br \/>\nClaro! Uma das que eu especialmente gosto de tocar \u00e9 \u2018Mountain of Bones\u2019. \u00c9 um som interessante porque, para mim, \u00e9 um desafio. Essa m\u00fasica surgiu de uma ideia em que trabalhamos por meses. Tom (Dalgety) tem parte grande nisso. At\u00e9 entrarmos no est\u00fadio, eu estava frustrado, n\u00e3o tinha bem certeza de como abordar essa composi\u00e7\u00e3o. No fim das contas, acabei fazendo uma batida que achei bem legal. E agora, quando tocamos essa m\u00fasica ao vivo, \u00e9 uma das minhas favoritas. Acho que tem a ver com o arranjo, que n\u00e3o \u00e9 muito ortodoxo para n\u00f3s. E o groove tamb\u00e9m \u00e9 algo que n\u00e3o tenho feito muito, uma pegada mid-tempo \/ up-tempo rock. Um lance meio de fundo que eu penso que n\u00e3o sou t\u00e3o bom em fazer. Mas acabou saindo superbacana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tamb\u00e9m gosto desse som! Mas, confesso, minha faixa favorita do \u00e1lbum novo \u00e9 \u2018Skeletons on Mars\u2019. Uma das raz\u00f5es \u00e9 o jeito que voc\u00ea toca: uma batida que me lembra as do hardcore, por\u00e9m mais, digamos, contida. Poderia explicar qual a ideia dessa levada?<\/strong><br \/>\nNessa batida, colocamos a caixa em cada quarta (unidade de tempo do compasso quatern\u00e1rio). H\u00e1 algumas situa\u00e7\u00f5es em que voc\u00ea pode escutar esse beat e pensar que \u00e9 hardcore. E \u00e9, na verdade, pois muitas bandas do estilo adotaram tal batida. Mas ela apareceu com grupos da Motown (cl\u00e1ssica gravadora de soul e outros ritmos que lan\u00e7ou in\u00fameros artistas negros) durante os anos 1960. \u00c0 \u00e9poca, soava um tanto diferente pela maneira como se costumavam gravar a bateria, usada mais ao fundo. Mas a batida \u00e9 basicamente a mesma. Tamb\u00e9m \u00e9 um beat popular na m\u00fasica funk de New Orleans, em que se manipula esse backbeat e o coloca em espa\u00e7os que normalmente n\u00e3o funcionariam. \u00c9 algo que pega refer\u00eancia de estilos antigos. A gente usa isso com novos elementos e funciona. Bateristas de hardcore t\u00eam usado isso h\u00e1 um bom tempo, mas \u00e9 legal que \u00e9 algo que tem um rico passado para al\u00e9m do hc.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"CLUTCH - LIVE FROM HAMMERJACKS\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ssX6p6EgNOU?start=1553&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vamos a algumas curiosidades! Em um v\u00eddeo ao vivo recente, no Hammerjacks, aparecem algumas pessoas coladas na grade, curtindo. S\u00e3o parentes dos integrantes?<\/strong><br \/>\nMinha m\u00e3e estava l\u00e1 (risos), mas ao lado do palco. Ela n\u00e3o ficaria na barricada. Esse lance de terem fam\u00edlias nos assistindo tem rolado com frequ\u00eancia. Pessoas que iam nos ver antigamente, h\u00e1 uns 20 anos, casaram e algumas t\u00eam filhos. E eles acabam trazendo as crian\u00e7as \u00e0s nossas apresenta\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 incomum ver tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es de uma fam\u00edlia. Tipo v\u00f3, filho e neto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Houve uma ocasi\u00e3o em que Dan ficou sem o pr\u00f3prio baixo e quem emprestou um instrumento a ele foi o Lemmy (Mot\u00f6rhead). Como foi isso?<\/strong><br \/>\nFoi sensacional (risos)! A gente viajou de avi\u00e3o para a Alemanha, onde tocar\u00edamos no Wacken Open Air. Naquele momento, j\u00e1 hav\u00edamos feito algumas turn\u00eas com o Mot\u00f6rhead, \u00e9ramos pr\u00f3ximos deles. Posso dizer, sem cerim\u00f4nia, que as duas giras que participamos com eles foram, possivelmente, as melhores da minha vida. Nesses 30 anos como m\u00fasico, poder ver os caras ao vivo toda a noite foi muito inspirador. Enfim, conhec\u00edamos a banda e \u00e9ramos parceiros da equipe deles. Quando aterrissamos na Alemanha, o Dan estava sem baixo. Foi perdido em algum lugar na alf\u00e2ndega, acho. Deu acaso que o Dan usa Rickenbacker, e o Lemmy tamb\u00e9m tocava com um. Ent\u00e3o, Lemmy acabou deixando Dan usar o dele. Foi aquele em que est\u00e1 escrito \u201cborn to lose\u201d. Incr\u00edvel!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Posso imaginar o Lemmy, com aquela voz grave: \u201chey, use o meu baixo\u201d.<\/strong><br \/>\nE foi isso mesmo! Sensacional!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Clutch mant\u00e9m a mesma forma\u00e7\u00e3o desde o in\u00edcio. Sei que n\u00e3o existe f\u00f3rmula para isso, mas o que pode ajudar?<\/strong><br \/>\nBom, n\u00e3o nos levamos t\u00e3o a s\u00e9rio. Curtimos fazer muitas piadas. Mas, talvez uma das principais raz\u00f5es, \u00e9 que quando come\u00e7amos a banda n\u00e3o havia inten\u00e7\u00e3o de termos uma carreira. Como eu j\u00e1 comentei, quer\u00edamos apenas tocar e fazer m\u00fasica. Por causa disso, acabamos ficando juntos, porque sempre focamos na m\u00fasica. Sabemos que se a coisa ficar dif\u00edcil, o que precisamos \u00e9 sair e tocar, pois ser\u00e1 o suficiente para termos a grana do aluguel e para algumas cervejas. Ou seja: dependemos da m\u00fasica. Em raz\u00e3o disso, temos uma rela\u00e7\u00e3o especial. Cada um aprecia o que o outro faz na banda faz. Gostamos do que constru\u00edmos juntos e nos respeitamos. Todos nos damos bem. \u00c9 at\u00e9 meio tedioso no fim das contas. Em algumas situa\u00e7\u00f5es, depois dos shows, n\u00e3o precisamos nem dizer nada um ao outro. Convivemos tanto que fica cada um fazendo algo diferente. Somos agradecidos por esta parceria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00e3o amigos para al\u00e9m da banda?<\/strong><br \/>\nSim, com certeza. Nos encontramos no galp\u00e3o onde ensaiamos, tocamos, bebemos um pouco, brincamos e fazemos piadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para fechar: ainda acredita que o Willie Nelson s\u00f3 fuma maconha matadora?<\/strong><br \/>\nSim! N\u00e3o sei agora, mas antes era s\u00f3 da boa, mais pura verdade. Fomos para o Texas h\u00e1 muitos anos, \u00e9poca em que era dif\u00edcil conseguir erva de qualidade. Talvez fosse poss\u00edvel na Calif\u00f3rnia ou em Michigan. Fora isso, pouco prov\u00e1vel. Est\u00e1vamos acostumados com uma que cham\u00e1vamos \u201cbrown frown\u201d (carranca marrom, em tradu\u00e7\u00e3o livre), um beque meio marrom. Medonho! Lembro que est\u00e1vamos em Austin e um amigo nosso conhecia a pessoa que fornecia para o Willie Nelson. Pensamos: \u201cvamos experimentar essa merda, ent\u00e3o!\u201d Foi uma das mais fortes que usei na vida. Fiquei detonado.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Willie Nelson\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bBAE006qkoo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Homero Pivotto Jr.<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista, vocalista da\u00a0<a href=\"https:\/\/diokane.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Diokane<\/a>\u00a0e respons\u00e1vel pelo videocast\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCY71eKJzuBUXpyDV2IFeP8Q\/videos?view_as=subscriber\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O Ben Para Todo Mal<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Fruto da cena do metal alternativo que ganhou visibilidade a partir dos anos 1990, o Clutch surgiu em Maryland (perto da capital Washington D.C, nos EUA) no ano de 1991. 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