{"id":704,"date":"2009-01-14T18:59:08","date_gmt":"2009-01-14T20:59:08","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=704"},"modified":"2020-11-18T01:57:01","modified_gmt":"2020-11-18T04:57:01","slug":"esse-voce-precisa-ver-a-noite","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/01\/14\/esse-voce-precisa-ver-a-noite\/","title":{"rendered":"Esse voc\u00ea precisa ver: &#8220;A Noite&#8221; (1961), de Michelangelo Antonioni"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-705\" title=\"a_noite_cartaz\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/a_noite_cartaz.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"501\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/a_noite_cartaz.jpg 350w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/a_noite_cartaz-209x300.jpg 209w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><br \/>\n<strong>Por Nuno Manna<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das principais caracter\u00edsticas do cinema moderno \u00e9 a maneira como ele convoca o espectador. Para se assistir um filme de Michelangelo Antonioni, um de seus mestres, n\u00e3o h\u00e1 como permanecer passivo, deixar que o diretor simplesmente conte sua hist\u00f3ria e manipule sentimentos (os nossos). Talvez seja essa demanda que afaste grande parte do p\u00fablico, que prefere sentar confortavelmente para entretenimento instant\u00e2neo e de f\u00e1cil digest\u00e3o. Mas se entregar a uma rara experi\u00eancia como &#8220;A Noite&#8221; (La Notte, 1961), de Antonioni, \u00e9 profundamente compensador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Junto de &#8220;A Aventura&#8221; (L\u2019avventura, 1960) e &#8220;O Eclipse&#8221; (L\u2019eclisse, 1962), &#8220;A Noite&#8221; faz parte do que se convencionou chamar de trilogia da incomunicabilidade. Mas procurar esse tema no filme \u00e9 permanecer em sua superf\u00edcie. Se os personagens est\u00e3o distanciados uns dos outros, \u00e9 porque existe um descompasso deles com eles mesmos. \u00c9 nas brechas, no n\u00e3o dito, nas ambig\u00fcidades que est\u00e1 a origem desse descompasso. Cabe, portanto, ao espectador n\u00e3o simplesmente assistir ao filme, mas apreender o que est\u00e1 inscrito em suas imagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sentada na grama, Lidia (Jeanne Moreau) l\u00ea uma carta a Giovanni (Marcello Mastroianni). Na medida em que ela prossegue a leitura, Antonioni decupa cuidadosamente seu corpo. Em seu rosto de perfil, vemos o peso das palavras que se acumulam nos l\u00e1bios. Notamos ent\u00e3o o peito que se contrai quando as coisas s\u00e3o ditas, e que se infla novamente para que outras o sejam. Vistas de frente, as sobrancelhas de Lidia v\u00e3o sendo tensionadas, acumulando linhas em sua fronte. Suas m\u00e3os seguram a carta inquietas. No final do processo, quando as palavras cessaram, nos deparamos com a face de Lidia marcada, com os l\u00e1bios ca\u00eddos, e os olhos fundos margeados por olheiras. De dentro brota uma l\u00e1grima, que ajuda a compor o produto de uma experi\u00eancia dilaceradora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acompanhamos nessa cena a experi\u00eancia da leitura da carta se inscrevendo em Lidia. Seu corpo torna-se \u00edndice daquilo que ela viveu. \u00c9 assim que Antonioni filma seus personagens, montando a c\u00e2mera sobre os seus corpos, sempre com um esfor\u00e7o de atingir seus esp\u00edritos pelos corpos, e n\u00e3o por interm\u00e9dio deles. Em &#8220;A Noite&#8221;, a carta lida por Lidia, que traria uma declara\u00e7\u00e3o de amor, faz aflorar sentimentos dolorosos na leitora. N\u00f3s, espectadores, s\u00f3 temos acesso a esses sentimentos no momento em que aprendemos a ler o corpo em suas posturas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 nesse sentido que os corpos que habitam &#8220;A Noite&#8221; s\u00e3o sintom\u00e1ticos. Eles carregam em si o que resta das experi\u00eancias passadas. Depois que tudo passou, permanece o corpo com todo o peso acumulado. Antonioni enquadra com cuidado esses corpos, seja cercando-os por inteiro em \u00e2ngulos estrat\u00e9gicos, seja procurando-os nos rostos, nas costas nuas de Lidia e Valentina (a maravilhosa Monica Vitti), nos pesco\u00e7os, bra\u00e7os, m\u00e3os. Assim, o diretor apreende o tempo no corpo de seus personagens, tempo que os mina por dentro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lidia est\u00e1 sempre procurando algo em que possa amparar-se, uma parede, um poste, como se tivesse perdido o que lhe conferia sustenta\u00e7\u00e3o. \u201cVoc\u00ea n\u00e3o sabe o que \u00e9 sentir nos ombros todos os anos e n\u00e3o entend\u00ea-los mais\u201d, ela diz. \u201cEssa noite s\u00f3 queria morrer, juro. Ao menos acabaria com essa ang\u00fastia e come\u00e7aria algo novo\u201d. Buscando um m\u00ednimo de al\u00edvio, Lidia tenta n\u00e3o ficar relembrando o passado. Mas o peso desse passado \u00e9 ainda algo que ela arrasta por onde v\u00e1, que a oprime, tenciona seus m\u00fasculos, mortifica seus movimentos. Algumas vezes ela respira aliviada, exp\u00f5e jovialmente seu vestido novo, sorri simp\u00e1tica para Giovanni, se entrega a uma conversa calorosa com Roberto no carro, com posturas acentuadas por Antonioni com sombra e sil\u00eancio. Mas a leveza, o sorriso e a descontra\u00e7\u00e3o nunca t\u00eam for\u00e7a para se manter por muito tempo. Logo murcham.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Giovanni tamb\u00e9m est\u00e1 acometido pela fadiga. Vaga pelo apartamento vazio, e pelo escrit\u00f3rio cheio de livros acumulados na estante. Em seguida deita perturbado em um div\u00e3. Quando atende o telefone, ele se joga deitado, frouxo. Os corpos como o de Lidia e Giovanni est\u00e3o cansados demais para amparar um ao outro. No elevador, no corredor do hospital, no carro, o corpo de um n\u00e3o chama o de outro. Eles est\u00e3o fechados, amarrados por uma for\u00e7a que vem de dentro. Dentro do carro, um pequeno movimento de Lidia, que olha para Giovanni, parece ser a fa\u00edsca que iniciar\u00e1 um contato. Mas ela acaba desistindo, como se n\u00e3o houvesse est\u00edmulo suficiente. Quando Giovanni tenta tomar Lidia no gramado, o contato \u00e9 obl\u00edquo e doloroso. Um corpo sobre o outro aperta as feridas deixadas pela hist\u00f3ria dos dois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma conversa com Valentina, Lidia pergunta \u00e0 jovem quantos anos ela tem. Valentina ent\u00e3o conta-lhe mais que sua idade. Fala de uma vida de experi\u00eancias que deixaram nela suas impress\u00f5es: \u201cVinte e dois, e muitos, muitos meses\u201d. Quando liga uma fita que traz uma grava\u00e7\u00e3o sua, ela se espalha pela cama, entregue, enquanto ouve ela mesma: \u201cQuantas palavras n\u00e3o queria ouvir, mas n\u00e3o posso evitar. Mas \u00e9 preciso suportar, como as ondas do mar suportam quando voc\u00ea deita para boiar.\u201d Bastou um toque de Valentina para que a fita se recolhesse, e que todas as palavras nela fossem apagadas. Em seguida, estaria virgem novamente. O rosto amargo de Valentina revela sua incapacidade de fazer o mesmo. Uma vez pronunciadas, palavras deixam nela marcas eternas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre o passado desses personagens pouco saberemos, mesmo quando o filme chega ao final. Incapaz de escrever, Giovanni diz que passa por uma crise, relacionada a uma coisa secreta que diz respeito a toda sua vida. Mas quando sua f\u00e3 pede que conte uma hist\u00f3ria que aconteceu com ele, Giovanni responde: \u201cNem queira saber\u201d. A Noite j\u00e1 come\u00e7a com um relacionamento em decad\u00eancia, uma vida dando seus \u00faltimos pulsos no hospital, uma carreira em crise, uma mulher c\u00ednica e desiludida. Por mais que existam vest\u00edgios espalhados na narrativa, como a carta lida por Lidia, as hist\u00f3rias dessas pessoas se recolher\u00e3o sempre ao fora de campo do filme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que os personagens se inclinassem a falar sobre si mesmos, a auto-an\u00e1lise \u00e9 insuficiente, se n\u00e3o enganadora. Entorpecidos pelos sentimentos, os personagens se perdem quando tentam traduzir suas ang\u00fastias. Por isso \u00e9 t\u00e3o importante que o espectador tamb\u00e9m n\u00e3o se prenda a formula\u00e7\u00f5es. Se Antonioni estende um plano para que o corpo tenha tempo para se performar pacientemente, ainda que muitas vezes n\u00e3o resultem em a\u00e7\u00f5es, \u00e9 para que possamos enxergar o que h\u00e1 no esp\u00edrito desses homens doentes e confusos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ang\u00fastia causada pelo descompasso faz com que eles errem pelo mundo, pela cidade, pela festa, por relacionamentos, em busca de expedientes que os libertem. O corpo passeia sem se fixar nas paisagens, nas pessoas-paisagens, pessoas sem peso, que andam ligeiras, fluentes, formam rapidamente aglomerados e com a mesma facilidade os dissolvem. No sub\u00farbio, sem motivo aparente, uma roda se forma, e uma briga come\u00e7a, proporcionando ao corpo dos que brigam uma experi\u00eancia intensa, e ao corpo dos que assistem uma experi\u00eancia pitoresca. Helic\u00f3pteros, jatos, e foguetes s\u00e3o pontos de fuga, que fascinam, atraem os corpos para a vastid\u00e3o, procurando liberta\u00e7\u00e3o. No banho, o corpo nu tenta chamar a aten\u00e7\u00e3o, pedindo que seja acalentado. Um show de dan\u00e7a sensual vem para ati\u00e7ar os vouyers, ainda que desperte um erotismo com o qual eles n\u00e3o sabem lidar bem. Na festa, adultos se comportam como crian\u00e7as, caem deitados neur\u00f3ticos no trampolim da piscina, correm pela chuva e se jogam na piscina. No hospital, uma mulher \u00e9 tomada pelo desejo. Mas em pouco tempo ela \u00e9 reprimida pela moral que a ata de volta na cama.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez a festa seja uma s\u00edntese de uma vida. Talvez a persegui\u00e7\u00e3o de Giovanni por Valentina, em bel\u00edssimos bailes dos corpos dentro do opressor enquadramento de Antonioni, seja uma s\u00edntese de como Giovanni tirou o vigor do corpo de Lidia, ao depositar nela seu peso. No final da festa, Valentina recosta-se na parede esgotada. Com o p\u00e9, alcan\u00e7a o interruptor e apaga a luz. Seu corpo vira uma silhueta, completamente tomado pela escurid\u00e3o, como se, enquanto o dia se anuncia na janela, a noite continuasse em Valentina. L\u00e1 fora, vemos pessoas deitadas, vacilantes, devastadas. Os \u00fanicos inteiros na experi\u00eancia s\u00e3o os m\u00fasicos, que continuam tocando intocados \u2013 talvez porque n\u00e3o constituem personagens, mas o corpo da m\u00fasica colocado em cena. Talvez seja Tommaso, personagem do qual pouco sabemos, que mais tenha sofrido pelo desgaste de uma vida. Conhecemos Tommaso em decl\u00ednio agudo, j\u00e1 completamente entregue ao sofrimento do corpo. Deitado na cama do hospital, tornou-se ref\u00e9m do cansa\u00e7o. Ainda assim, quando falha a morfina, Tommaso pergunta ao m\u00e9dico: \u201cO que tenho que fazer? O que tenho que fazer?\u201d. Percebemos em sua fala o quanto o cansa\u00e7o cont\u00e9m, sim, o antes, o peso do tempo. Mas al\u00e9m disso, quando tudo j\u00e1 foi dito e vivido, cont\u00e9m tamb\u00e9m o depois, o \u201cE agora?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na conversa com Giovanni, Lidia diz o que evitara dizer at\u00e9 ent\u00e3o: \u201cSe sinto vontade de morrer, \u00e9 porque n\u00e3o te amo mais. Estou desesperada por isso.\u201d E acrescenta: \u201cQueria ser velha para ter lhe dedicado toda minha vida.\u201d Se ela se engana ou n\u00e3o sobre seu sentimento, n\u00e3o importa. O que \u00e9 claro \u00e9 o desgaste da rela\u00e7\u00e3o que lhe tira o vigor. E mesmo que sua cabe\u00e7a se conforme com o fim desse amor, Lidia n\u00e3o consegue se livrar dessa doen\u00e7a que lhe tomou conta. O que fazer com ela, como viver com isso \u00e9 o que lhe atormenta. Se fosse velha, em fim de vida, evitaria a tortura de ter que lidar com um depois. Antonioni insiste em escrever \u201cFINE\u201d e encerrar a pel\u00edcula, mas o destino de Lidia, Giovanni e Valentina \u00e9 de uma lat\u00eancia obscura, uma pot\u00eancia que continuar\u00e1 atormentando como o fantasma do futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso o final do filme \u00e9 t\u00e3o perturbador. Aprendemos a ler os corpos dos personagens e descobrimos suas c\u00f3leras. Acompanhamos uma jornada desgastante. Entregamos nossos pr\u00f3prios corpos a uma experi\u00eancia intensa, dedicando afetos por empatia ou desprezo. E quando &#8220;A Noite&#8221; termina, nosso corpo permanece, e precisamos encarar o que vem com as marcas que foram em n\u00f3s deixadas. \u00c9 ent\u00e3o que a frase de Valentina reverbera: \u201cVoc\u00eas acabaram comigo esta noite\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Trailer: A Noite, de Michelangelo Antonioni\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WXwt2r8wj-w?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Esse voc\u00ea precisa ver: outros filmes (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/prec_ver.html\" target=\"_self\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Nuno Manna assina o blog <a href=\"http:\/\/reset.motime.com\/\">Reset<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Junto de &#8220;A Aventura&#8221; (L\u2019avventura, 1960) e &#8220;O Eclipse&#8221; (L\u2019eclisse, 1962), &#8220;A Noite&#8221; faz parte do que se convencionou chamar de trilogia da incomunicabilidade. Mas procurar esse tema no filme \u00e9 permanecer em sua superf\u00edcie.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/01\/14\/esse-voce-precisa-ver-a-noite\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":57401,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[4853,4751],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/704"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=704"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/704\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58609,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/704\/revisions\/58609"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57401"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=704"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=704"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=704"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}