{"id":7009,"date":"2011-01-19T22:28:52","date_gmt":"2011-01-20T00:28:52","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=7009"},"modified":"2025-03-05T23:10:15","modified_gmt":"2025-03-06T02:10:15","slug":"cd-hardcore-will-never-die-mogwai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/01\/19\/cd-hardcore-will-never-die-mogwai\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: &#8220;Hardcore Will Never Die&#8221;, do Mogwai,"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-7010\" title=\"mogwai_hardcore\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/mogwai_hardcore.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/faleirofaleiro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno Faleiro<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O bom humor e a melancolia sempre estiveram presentes nos trabalhos do Mogwai. Normalmente, a primeira faceta est\u00e1 ligada aos irreverentes t\u00edtulos dos discos e can\u00e7\u00f5es, como em \u201cHappy Songs for Happy People\u201d, \u201cEx-Cowboy\u201d e \u201cMogwai Fear Satan\u201d, enquanto a segunda \u00e9 percebida pela densidade e sutileza utilizadas nas composi\u00e7\u00f5es do apote\u00f3tico p\u00f3s-rock do grupo escoc\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, em \u201cHardcore Will Never Die But You Will\u201d, estas concep\u00e7\u00f5es s\u00e3o parcialmente invertidas. Enquanto o genial t\u00edtulo invoca a nostalgia e o desalento de toda uma gera\u00e7\u00e3o, o som \u00e9, curiosamente, a mais ensolarada produ\u00e7\u00e3o do Mogwai nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mudan\u00e7a na sonoridade do grupo j\u00e1 era esperada quando Paul Savage foi anunciado como produtor respons\u00e1vel pelo projeto. Ao lado de Andy Miller, Savage foi um dos produtores do aclamado \u201cYoung Team\u2019, de 1997, o primeiro disco cheio composto pelo Mogwai (\u201cTen Rapid\u201d, do mesmo ano, \u00e9 uma compila\u00e7\u00e3o dos singles lan\u00e7ados anteriormente pelo grupo), que ganhou reedi\u00e7\u00e3o dupla caprichada em 2008 e turn\u00ea comemorativa com o \u00e1lbum sendo tocando na integra no mesmo ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, para a surpresa de todos, apesar do carinho da banda e do produtor por \u201cYoung Team\u201d, \u201cHardcore Will Never Die But You Will\u201d n\u00e3o representa uma volta \u00e0 sonoridade dos prim\u00f3rdios e sim um novo direcionamento de timbres, din\u00e2micas e paisagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos m\u00e9todos mais eficazes para a assimila\u00e7\u00e3o de uma m\u00fasica instrumental \u00e9 relacionar os sons com lugares e climas. Nesta viagem, \u201cHardcore Will Never Die But You Will\u201d passa por rotas de atmosferas g\u00e9lidas e subterr\u00e2neas (\u201cLetters to the Metro\u201d), e tamb\u00e9m por quentes estradas (\u201cSan Pedro\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro destino \u00e9 \u201cWhite Noise\u201d, com grande abertura em clima \u00e9pico que atinge seu cl\u00edmax nos minutos finais. Na sequ\u00eancia sruge \u201cMexican Gran Prix\u201d, a primeira faixa destoante da obra. Al\u00e9m da pegada mais objetiva, a can\u00e7\u00e3o possui melodia vocal e conta com vozes rob\u00f3ticas intermitentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toda tentativa de fuga da zona de conforto est\u00e1 sujeita ao erro. E foi o que aconteceu quando o Mogwai passeou pelo uso de vocais. Assim como \u201cMexican Gran Prix\u201d, \u201cGeorge Square Tratchter Death Party \u201ctamb\u00e9m aposta nessa f\u00f3rmula e destoa da qualidade do resto do material.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em contraponto, quando os escoceses se destinam ao retorno do uso de distor\u00e7\u00f5es saturadas, o resultado \u00e9 inquestion\u00e1vel. Um dos momentos mais belos do disco \u00e9 a introdu\u00e7\u00e3o de \u201cRano Pano\u201d (que ganhou um clipe divertido). Gradativamente surgem tr\u00eas guitarras sujas se sobrepondo at\u00e9 a entrada do baixo, tamb\u00e9m distorcido, e, por fim, uma bateria comportada, at\u00e9 que os instrumentos isolados se transformem em uma massa sonora compacta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ali\u00e1s, a simples e eficiente bateria tamb\u00e9m \u00e9 um tra\u00e7o marcante do novo \u00e1lbum do Mogwai. O baterista Martin Bulloch sofre h\u00e1 anos de um problema card\u00edaco, que j\u00e1 ocasionou cancelamentos de turn\u00eas inteiras do grupo. Desde ent\u00e3o, Bulloch se direcionou para um estilo com levadas mais contidas e menos r\u00e1pidas, o que, felizmente, funciona perfeitamente no novo disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encerrando o primeiro grande \u00e1lbum de 2011, o Mogwai evoca a id\u00e9ia explicitada no primeiro par\u00e1grafo. O bem humorado t\u00edtulo \u201cYou\u2019re Lionel Richie\u201d (uma resposta a \u201cI\u2019m Jim Morison, I\u00b4m Dead\u201d?) \u00e9 contraposto pelo clima cinzento e andamento arrastado da mais longa m\u00fasica do disco, com mais de 8 minutos. No destino final, quando o olhar se volta ao caminho percorrido, mesmo com os pequenos percal\u00e7os, o saldo da viagem \u00e9 amplamente positivo, a ponto de instigar o regresso a determinadas paisagens.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mogwai - Rano Pano\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WN3iuBYzBiY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*******<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bruno Faleiro (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/faleirofaleiro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@faleirofaleiro<\/a>) \u00e9 jornalista, edita a Revista do Cruzeiro e assina o <a href=\"http:\/\/www.faleirolandia.wordpress.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Faleirolandia.<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*******<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m<\/strong><br \/>\n&#8211; Perdido em Firenze e o inferno do Mogwai na It\u00e1lia, 2009, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2009\/07\/20\/perdido-em-firenze-e-o-inferno-do-mogwai\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; 500 Toques: As sinfonias de guitarra de \u201cYoung Team &#8211; Special Edition\u201d, por Mac (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/06\/25\/500-toques-elton-john-amy-winehouse-e-mogwai\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Mogwai em S\u00e3o Paulo em 2002, duas noites de barulho e risos, por Marcelo Finateli (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musica\/mogwaibrasil.html\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;Rock Action&#8221;, do Mogwai, \u00e9 o som de dem\u00f4nios sendo mo\u00eddos, por Diego Fernandes (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musica\/mogwai.html\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Bruno Faleiro\nBom humor e melancolia sempre estiveram nos trabalhos do Mogwai. 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