{"id":70062,"date":"2022-10-10T21:17:35","date_gmt":"2022-10-11T00:17:35","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=70062"},"modified":"2022-11-17T00:54:08","modified_gmt":"2022-11-17T03:54:08","slug":"entrevista-fabiano-passos-e-joao-bittencourt-falam-sobre-o-livro-paternagem-punk-ensaios-sobre-criacao-em-tres-acordes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/10\/10\/entrevista-fabiano-passos-e-joao-bittencourt-falam-sobre-o-livro-paternagem-punk-ensaios-sobre-criacao-em-tres-acordes\/","title":{"rendered":"Entrevista: Jo\u00e3o Bittencourt e Fabiano Passos falam do livro \u201cPaternagem Punk: Ensaios sobre cria\u00e7\u00e3o em tr\u00eas acordes\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEnquanto a paternidade compreende uma rela\u00e7\u00e3o constru\u00edda entre um homem e uma crian\u00e7a pelo fato do primeiro ter &#8216;cedido&#8217; seus espermatozoides e\/ou ter registrado em cart\u00f3rio a sua filia\u00e7\u00e3o paterna, a paternagem \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o de afeto e responsabilidade constru\u00edda entre um pai e uma crian\u00e7a a partir de um processo. Ou seja, paternagem \u00e9 um exerc\u00edcio, n\u00e3o uma condi\u00e7\u00e3o dada. Sob essa perspectiva, um indiv\u00edduo pode ser pai (biol\u00f3gico) e n\u00e3o exercer a paternagem. Do mesmo modo, uma pessoa pode estar engajada em uma cria\u00e7\u00e3o ativa e n\u00e3o ser o progenitor&#8221;,\u00a0explica Jo\u00e3o Bittencourt, um dos organizadores (ao lado de Fabiano Passos) do livro \u201c<a href=\"https:\/\/paternagempunk.lojaintegrada.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Paternagem Punk: Ensaios sobre cria\u00e7\u00e3o em tr\u00eas acordes<\/a>\u201d (2022), que relata experi\u00eancias de paternagem de pais com envolvimento na cena hardcore \/ punk nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com pref\u00e1cio escrito por Ruy Fernando (No Violence), o livro tem 17 textos feitos por pais ligados a cultura punk, entre eles, Rodrigo Lima (Dead Fish), Shamil Carlos (Horace Green), Sandro (Ex-Mukeka Di Rato) e Rodrigo Rosa (Parental Advisory). A publica\u00e7\u00e3o \u00e9 uma colabora\u00e7\u00e3o de tr\u00eas editoras independentes \u2013 Revelia Livros, Edi\u00e7\u00f5es Anal\u00f3gicas e Estopim \u2013 e foi concretizada no melhor esquema \u201cfa\u00e7a voc\u00ea mesmo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os textos que comp\u00f5em \u201cPaternagem Punk\u201d abordam uma gama variada de temas de cunho universal que v\u00e3o desde cr\u00edticas pontuais ao consumismo, da chegada do beb\u00ea a &#8220;entrada no mundo adulto&#8221;, educa\u00e7\u00e3o emancipat\u00f3ria, cr\u00edtica da cria\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria, o pai trabalhador e seus dilemas, cr\u00edtica da masculinidade t\u00f3xica, paternidade solo, aprendizado dos limites e da liberdade, medo de ser pai, conflitos geracionais entre outros. Na entrevista abaixo, Fabiano Passos e Jo\u00e3o Bittencourt falam sobre o processo de cria\u00e7\u00e3o da obra, inspira\u00e7\u00f5es, a distin\u00e7\u00e3o entre paternidade e paternagem, conflitos geracionais, o exerc\u00edcio transformador da paternagem, a inser\u00e7\u00e3o dos filhos na cultura punk, a recep\u00e7\u00e3o do livro em esferas para al\u00e9m do punk, projetos futuros e muito mais. Leia abaixo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-70065\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/paternagem1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/paternagem1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/paternagem1-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/paternagem1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Primeiramente gostaria de parabenizar a iniciativa de trazer um tema t\u00e3o importante \u00e0 tona! Mas de imediato eu gostaria de saber mais sobre a g\u00eanese do projeto: como se deu o processo de sele\u00e7\u00e3o dos convidados e dos textos publicados?<\/strong><br \/>\nFabiano: Assim como a ideia do livro, a sele\u00e7\u00e3o dos convidados e temas dos textos surgiram de forma bem natural durante um bate-papo no Whatsapp no grupo Paternagem Punk. Na \u00e9poca que a ideia da publica\u00e7\u00e3o surgiu, o grupo tinha uns 30 pais punks participando e todos os presentes foram convidados a escrever, uns 15 deles se comprometeram a participar, sendo que somente um dos autores do livro foi convidado e n\u00e3o fazia parte do grupo at\u00e9 ent\u00e3o. Deixamos tamb\u00e9m a tem\u00e1tica e o formato do texto para livre escolha de cada autor, cada um escreveu sobre o tema com o qual tinha mais afinidade e da forma na qual se sentia mais \u00e0 vontade. Acredito que, por isso, a diversidade dos temas abordados no livro surgiu de forma natural tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No mercado editorial brasileiro existem parcos exemplos de livros sobre paternidade que tenham a m\u00fasica (em especial o punk) como ponto de refer\u00eancia. Me lembro aqui somente de &#8220;Papai punk&#8221; do Jim Lindberg (vocalista do Pennywise). Nesse sentido, quais foram as inspira\u00e7\u00f5es (liter\u00e1rias ou n\u00e3o) que nortearam a obra?<\/strong><br \/>\nJo\u00e3o: Realmente, al\u00e9m do livro do Jim Lindberg, o nosso \u00e9 o \u00fanico a tratar especificamente da rela\u00e7\u00e3o entre paternidade e punk. \u00c9 dif\u00edcil falar de inspira\u00e7\u00f5es porque o livro \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o coletiva. Posso afirmar que, para mim, as maiores inspira\u00e7\u00f5es vieram do document\u00e1rio \u201cThe Other F* World\u201d (2011), que retrata o cotidiano de alguns pais punks bastante conhecidos no cen\u00e1rio internacional como o pr\u00f3prio Jim (Pennywise), Fat Mike (Nofx), Flea (Fear\/ RHCP), Mark Hoppus (Blink), Lars Frederiksen (Rancid) entre outros. Uma outra fonte de inspira\u00e7\u00e3o veio do livro \u201cTranny: Confesssions of Punk Rock&#8217;s Most Infamous Anarchist Sellout\u201d, escrito por Laura Jane Grace (Against Me). Apesar de n\u00e3o tratar especificamente da rela\u00e7\u00e3o entre pais e filhos, fiquei muito sensibilizado e comovido com o processo de transi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero narrado por Laura e como isso impactou a rela\u00e7\u00e3o dela com sua filha. Alguns livros mais acad\u00eamicos tamb\u00e9m me ajudaram a refletir sobre a produ\u00e7\u00e3o da masculinidade e a rela\u00e7\u00e3o desta com as din\u00e2micas de cuidado e cria\u00e7\u00e3o: \u201cMasculinities\u201d (R. Connel), \u201cO mito da masculinidade\u201d (S\u00f3crates Nolasco) e \u201cBeyond Patriarchy\u201d (M. Kaufman) s\u00e3o alguns desses t\u00edtulos. Por\u00e9m, refor\u00e7o que essas foram as minhas inspira\u00e7\u00f5es particulares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um dos eixos centrais do livro \u00e9 fazer um paralelo entre o que \u00e9 paternidade e paternagem. Como \u00e9 um tema desconhecido de muitos gostaria que voc\u00eas abordassem quais s\u00e3o as caracter\u00edsticas de cada um.<\/strong><br \/>\nJo\u00e3o: Essa foi uma quest\u00e3o que o Fabiano trouxe para o coletivo, uma vez que o grupo se chamava anteriormente paternidade punk. Ele destacou a import\u00e2ncia de pensarmos a rela\u00e7\u00e3o entre pais e filhos(as) como um v\u00ednculo muito mais abrangente, que n\u00e3o se limita \u00e0s dimens\u00f5es jur\u00eddica e\/ou biol\u00f3gica. Enquanto a paternidade compreende uma rela\u00e7\u00e3o constru\u00edda entre um homem e uma crian\u00e7a pelo fato do primeiro ter &#8220;cedido&#8221; seus espermatozoides e\/ou ter registrado em cart\u00f3rio a sua filia\u00e7\u00e3o paterna, a paternagem \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o de afeto e responsabilidade constru\u00edda entre um pai e uma crian\u00e7a a partir de um processo. Ou seja, paternagem \u00e9 um exerc\u00edcio, n\u00e3o uma condi\u00e7\u00e3o dada. Sob essa perspectiva, um indiv\u00edduo pode ser pai (biol\u00f3gico) e n\u00e3o exercer a paternagem. Do mesmo modo, uma pessoa pode estar engajada em uma cria\u00e7\u00e3o ativa e n\u00e3o ser o progenitor.<\/p>\n<figure id=\"attachment_70066\" aria-describedby=\"caption-attachment-70066\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-70066 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/paternagem2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/paternagem2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/paternagem2-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/paternagem2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-70066\" class=\"wp-caption-text\"><em>Jo\u00e3o Bittencourt \u00e9 um dos organizadores do livro<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outro ponto interessante da obra \u00e9 a linguagem simples de cada texto que trata de temas complexos a partir de situa\u00e7\u00f5es individuais, mas que conseguem soar de maneira universal e tocante. Como foi o processo de cria\u00e7\u00e3o dos textos de voc\u00eas em especial? Voc\u00eas pensaram nesses pontos de forma intencional ou isso ocorreu de maneira natural?<\/strong><br \/>\nFabiano: Somos pais e somos punks, ent\u00e3o por mais que esse livro tenha um vi\u00e9s muito importante para n\u00f3s, que \u00e9 o do pensamento punk, alguns temas gerais da paternidade ir\u00e3o tocar outros pais e m\u00e3es que n\u00e3o necessariamente estejam envolvidos nessa cena. Meu texto em particular tem um formato bem confessional e eu nunca tinha escrito algo no estilo, ent\u00e3o fui escrevendo-o \u00e0 medida que as ideias e os par\u00e1grafos iam surgindo, e depois fui arrumando de uma forma que aquilo fizesse sentido. Meu texto \u00e9 um relato de sentimentos que me acometem constantemente desde o momento em que soube que me tornaria pai e esses temas tamb\u00e9m j\u00e1 estiveram presentes em muitas conversas na minha terapia. O interessante \u00e9 que somente esses dias, relendo o meu texto depois do livro impresso, percebi que eu quis escrever um texto sobre amadurecimento no meu processo de ser pai e escrevi tamb\u00e9m um texto sobre o amadurecimento no meu processo de ser filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o: Os temas foram sugeridos pelos papais autores, n\u00e3o houve interfer\u00eancia minha e do Fabiano. A nossa \u00fanica exig\u00eancia \u00e9 que fosse escolhida uma can\u00e7\u00e3o que traduzisse um pouco o sentimento despejado no texto. Cada um falou de suas experi\u00eancias particulares, daquilo que lhe afetava de forma mais intensa. Como as experi\u00eancias individuais s\u00e3o tamb\u00e9m coletivas, pois somos seres sociais que compartilhamos um mesmo repert\u00f3rio simb\u00f3lico, a identifica\u00e7\u00e3o com as hist\u00f3rias \u00e9 inevit\u00e1vel. Certamente nossa rela\u00e7\u00e3o com o punk tamb\u00e9m influenciou de maneira significativa o processo de escrita dos artigos, temas como autoridade\/autoritarismo, educa\u00e7\u00e3o libert\u00e1ria e a cr\u00edtica das diferentes formas de opress\u00e3o tiveram um lugar de destaque na colet\u00e2nea. O meu texto especificamente trata do tema da autoridade, ou melhor, da maneira como muitos pais lidam com essa quest\u00e3o. Me interessei pelo tema devido ao lugar que a discuss\u00e3o ocupa no punk e n\u00e3o porque tive uma inf\u00e2ncia\/juventude repleta de cobran\u00e7as e regras inegoci\u00e1veis. Para ser bem sincero, nunca precisei confrontar a autoridade de meu pai ou da minha m\u00e3e de uma forma mais contundente porque havia uma rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a m\u00fatua, por exemplo, tive passe livre para pintar cabelo, usar piercing e fazer tatuagem, atitudes vistas como disruptoras e que intensificam conflitos entre pais e filhos(as). N\u00e3o significa dizer que eles gostavam ou achavam bonito, mas, que eles entendiam que isso n\u00e3o mudaria o fato de eu ser um filho carinhoso e consciente de minhas obriga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O conflito geracional relacionado a cria\u00e7\u00e3o \u00e9 outro tema que permeia grande parte dos textos que comp\u00f5em a colet\u00e2nea. Para voc\u00eas quem foram as pessoas ou elementos centrais que fizeram com que voc\u00eas vissem o exerc\u00edcio da paternidade de forma diferente?<\/strong><br \/>\nFabiano: O meu pai sempre foi do estilo provedor no sentido financeiro, presente fisicamente, mas um pouco afastado emocionalmente. Ent\u00e3o, por mais que eu n\u00e3o tivesse diretamente um modelo de paternidade que fosse considerado ruim pela maioria das pessoas, para mim aquilo nunca foi suficiente. Eu sempre fui um cara mais sentimental, que sentia falta de conversar sobre sentimentos com o pai, de ter mais apoio emocional em alguns momentos, por isso eu sempre pensei em fazer diferente quando fosse pai. Infelizmente durante a minha vida, ao meu redor durante um bom tempo, eu tive mais exemplos de pai que eu n\u00e3o queria ser, do que do que eu gostaria de ser.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o: Como j\u00e1 expus anteriormente, no meu caso, n\u00e3o houve situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas no contexto familiar que influenciaram diretamente as minhas percep\u00e7\u00f5es sobre paternidade, digo, no sentido de me inspirar a querer fazer diferente. Meu pai foi um excelente modelo para mim, ele nunca levantou a m\u00e3o para um filho ou utilizou um discurso agressivo com intuito de intimidar e amedrontar. Sempre foi muito carinhoso, mesmo sendo um homem de poucas palavras. Acredito que essa vontade de querer fazer diferente foi muito mais influenciada pela minha rela\u00e7\u00e3o com o punk, pelo aprendizado com amigas mulheres e pelo contato com uma literatura pol\u00edtica, especialmente, sobre g\u00eanero e feminismo. Afinal de contas, como \u00e9 poss\u00edvel se dizer punk em um sentido pol\u00edtico e deixar para sua companheira ou companheiro o peso das responsabilidades dom\u00e9sticas e da cria\u00e7\u00e3o de um filho?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para aqueles que encaram a paternagem de forma plena \u00e9 comum ouvir que a vida foi transformada de maneira imensur\u00e1vel. Para voc\u00eas o qu\u00e3o impactante tem sido ver a cria\u00e7\u00e3o sob esse vi\u00e9s? E por que voc\u00eas acham que, apesar de tantas mudan\u00e7as e avan\u00e7os, a paternidade ainda \u00e9 encarada de forma tradicional e retr\u00f3gada?<\/strong><br \/>\nJo\u00e3o: Realmente \u00e9 algo transformador. \u00c9 at\u00e9 dif\u00edcil de explicar por que \u00e9 uma mistura de sentimentos diversos, que vai do amor exagerado ao sofrimento de n\u00e3o estar agindo da forma adequada, sendo o pai que essa pessoinha merece. Eu tenho aprendido muito todos os dias, sobre empatia, sobre respeito, sobre paci\u00eancia, sobre cuidado\u2026\u00e9 uma escola para toda a vida. Acredito que a defesa de uma paternidade conservadora em nossos dias, apesar de mudan\u00e7as significativas nas percep\u00e7\u00f5es sobre os pap\u00e9is de g\u00eanero, compreende um movimento de manuten\u00e7\u00e3o do status quo masculino. Homens aprendem desde cedo que devem ser cuidados, especialmente por mulheres, entendem que estas devem servi-los, sejam m\u00e3es, av\u00f3s, esposas ou amigas. Defender esse modelo conservador \u00e9 uma indica\u00e7\u00e3o de que eles percebem a autonomia feminina como uma amea\u00e7a \u00e0 monopoliza\u00e7\u00e3o de seus privil\u00e9gios.<\/p>\n<figure id=\"attachment_70067\" aria-describedby=\"caption-attachment-70067\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-70067 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/paternagem3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/paternagem3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/paternagem3-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/paternagem3-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-70067\" class=\"wp-caption-text\"><em>Fabiano Passos tamb\u00e9m ajudou a organizar o livro<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O punk \u00e9 algo que nos define e \u00e9 natural pensar que transmitiremos nossos ideais para nossas crias. Nesse sentido, como tem sido a inser\u00e7\u00e3o da molecada nessa cultura?<\/strong><br \/>\nFabiano: Por aqui a inser\u00e7\u00e3o ainda t\u00e1 acontecendo de forma lenta, F\u00e1bio gosta de ouvir minha banda e j\u00e1 foi em alguns shows antes da pandemia e agora com a retomada dos eventos j\u00e1 consegui levar em um show meu. Quero que as coisas ocorram de forma natural com ele, por isso apresento as coisas para ele e vou tentando identificar o que mais agrada ele. Atualmente ele tem mostrado uma maior afei\u00e7\u00e3o por hip hop do que por rock em geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o: \u00c9 tudo muito tranquilo. Nunca forcei nada em rela\u00e7\u00e3o a gostos e prefer\u00eancias, mas claro, ou\u00e7o m\u00fasica punk a todo instante e vivo com camisetas de bandas, ent\u00e3o, acabo influenciando diretamente. Ela j\u00e1 sabe reconhecer os logotipos, e gosta de algumas, especialmente Ramones. Ela tamb\u00e9m \u00e9 muito cr\u00edtica e contestadora, questiona padr\u00f5es e odeia o Bolsonaro (risos). Estou bem orgulhoso!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tenho acompanhado <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/paternagempunk\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">as postagens no Instagram do livro<\/a> e acho interessante o fato de que ele tenha chegado para um p\u00fablico maior que, por muitas vezes, n\u00e3o tem uma rela\u00e7\u00e3o direta com o punk. Isso era algo que voc\u00eas esperavam? Como tem sido o feedback que voc\u00eas t\u00eam recebido?<\/strong><br \/>\nJo\u00e3o: Penso que o feedback sobre o livro est\u00e1 sendo melhor do que esper\u00e1vamos, especialmente por &#8220;furar a bolha&#8221;. A boa aceita\u00e7\u00e3o, a meu ver, possui rela\u00e7\u00e3o com o fato de falarmos sobre experi\u00eancias e situa\u00e7\u00f5es que qualquer pessoa que \u00e9 pai ou m\u00e3e j\u00e1 vivenciou ou est\u00e1 vivenciando. \u00c9 muito gratificante ver pessoas de diferentes partes do pa\u00eds marcando os autores no Instagram, dizendo que se identificaram profundamente com os textos, que se emocionaram. Isso mostra que de alguma forma conseguimos acessar esses indiv\u00edduos, e principalmente, afet\u00e1-los com nossas reflex\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A primeira edi\u00e7\u00e3o esgotou de forma r\u00e1pida antes mesmo de uma divulga\u00e7\u00e3o plena do livro <a href=\"https:\/\/paternagempunk.lojaintegrada.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">e voc\u00eas j\u00e1 est\u00e3o vendendo a segunda impress\u00e3o<\/a>. Nesse sentido quais s\u00e3o os planos futuros? Um volume 2 est\u00e1 nos planos?<\/strong><br \/>\nFabiano: N\u00e3o Somos Amazon, a gente sempre fala isso entre n\u00f3s, somos tr\u00eas editoras novas e pequenas (Anal\u00f3gica, Estopim e Revelia), tocadas por tr\u00eas pais com outros compromissos financeiros, de trabalho e familiares, por isso estamos fazendo pequenas tiragens do livro \u00e0 medida que ele vai sendo vendido. Em setembro come\u00e7amos a divulga\u00e7\u00e3o efetiva do livro com os eventos de lan\u00e7amento em algumas cidades e envio do livro para divulga\u00e7\u00e3o em locais, m\u00eddias e perfis espec\u00edficos e a resposta tem sido muito positiva. A gente j\u00e1 t\u00e1 pensando em um segundo volume, mas n\u00e3o sei dizer ainda para quando isso ser\u00e1 poss\u00edvel, pois acho que ainda temos muitos lugares para chegar com o primeiro livro, mas, j\u00e1 pode ir pensando no tema do seu texto viu Bruno?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por fim, num mundo onde a paternagem se torne, assim espero, algo comum qual ser\u00e1 o legado a ser deixado para gera\u00e7\u00f5es futuras?<\/strong><br \/>\nFabiano: Acho que o principal legado seria o de transformar a paternagem em um tema recorrente de forma leve nas rodas de conversa de todos os homens, sejam eles punks ou n\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-70068\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/paternagem4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/paternagem4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/paternagem4-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/paternagem4-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a>\u00a0 escreve no Scream &amp; Yell desde 2014.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Os textos que comp\u00f5em \u201cPaternagem Punk\u201d abordam temas de cunho universal que v\u00e3o desde cr\u00edticas pontuais ao consumismo, da chegada do beb\u00ea a &#8220;entrada no mundo adulto&#8221;, educa\u00e7\u00e3o emancipat\u00f3ria, cr\u00edtica da cria\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/10\/10\/entrevista-fabiano-passos-e-joao-bittencourt-falam-sobre-o-livro-paternagem-punk-ensaios-sobre-criacao-em-tres-acordes\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":70064,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9,3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70062"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=70062"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70062\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":70074,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70062\/revisions\/70074"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/70064"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=70062"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=70062"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=70062"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}