{"id":6991,"date":"2011-01-19T17:02:08","date_gmt":"2011-01-19T19:02:08","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=6991"},"modified":"2021-08-17T01:17:04","modified_gmt":"2021-08-17T04:17:04","slug":"entrevista-juliana-r","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/01\/19\/entrevista-juliana-r\/","title":{"rendered":"Entrevista: Juliana R"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-6992\" title=\"juliana1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/juliana1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Tiago Agostini<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fala tranq\u00fcila denota claramente que Juliana R \u00e9 uma mo\u00e7a t\u00edmida do interior. Assim como boa parte dos moradores de S\u00e3o Paulo, veio para a maior metr\u00f3pole da Am\u00e9rica Latina realizar um sonho. No caso dela, seguir carreira musical. Queria ter uma banda, mas n\u00e3o achou quem compartilhasse as mesmas id\u00e9ias e estivesse disposto a embarcar na aventura. A sa\u00edda foi gravar as composi\u00e7\u00f5es, que no in\u00edcio tinha vergonha de cantar, sozinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juliana tamb\u00e9m \u00e9 espelho de uma gera\u00e7\u00e3o cada vez mais numerosa: os artistas caseiros. Mesmo sem saber direito como funciona a ind\u00fastria musical, comp\u00f4s suas m\u00fasicas, gravou alguns rascunhos, conseguiu um produtor, colocou as can\u00e7\u00f5es no MySpace e s\u00f3 ent\u00e3o descolou uma banda. Tudo aos poucos, na contram\u00e3o da correria da metr\u00f3pole. N\u00e3o parece \u00e0 toa que, depois de quase cinco anos fora de Sorocaba, ela tenha trocado o Centro por uma rua cheia de \u00e1rvores, com ch\u00e3o de paralelep\u00edpedo e quase sem carros em Pinheiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final do ano passado, Juliana terminou o primeiro cap\u00edtulo de sua hist\u00f3ria, lan\u00e7ando um disco hom\u00f4nimo pela YB. Mas a mo\u00e7a do interior n\u00e3o para nele e j\u00e1 come\u00e7a a pensar em um novo trabalho. Para falar sobre carreira, a banda Wry, botecos sujos e dias em que o mundo desaba l\u00e1 fora, a cantora recebeu o Scream &amp; Yell em uma tarde chuvosa de dezembro, no amplo apartamento no t\u00e9rreo que divide em Pinheiros.<\/p>\n<p align=\"center\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"605\" height=\"400\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/4gByQHPuvTQ?fs=1&amp;hl=pt_BR\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"605\" height=\"400\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/4gByQHPuvTQ?fs=1&amp;hl=pt_BR\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">Desde quando voc\u00ea est\u00e1 em S\u00e3o Paulo?<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vai fazer cinco anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foi dif\u00edcil a adapta\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sempre quis me mudar pra c\u00e1 porque o ritmo daqui tem mais a ver comigo do que Sorocaba. \u00c9 dif\u00edcil porque voc\u00ea tem que recome\u00e7ar sua vida, fazer novos amigos, conhecer os lugares. Mas isso \u00e9 legal. Voc\u00ea quebra a cara at\u00e9 as coisas se acertarem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Demorou muito para se adaptar?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o tenho muito do que reclamar. Fiz v\u00e1rios amigos legais aqui, mas no in\u00edcio foi meio dif\u00edcil, ficava muito sozinha, n\u00e3o conhecia as pessoas. Teve uma \u00e9poca que foi uma merda, porque tive que mudar de casa umas tr\u00eas vezes seguidas. Minhas coisas estavam todas espalhadas. Agora, n\u00e3o sei se me acostumei ou se como passei por isso consegui me acostumar, estou mais tranq\u00fcila com esse movimento. Estou h\u00e1 tr\u00eas meses em Pinheiros e gostando. \u00c0s vezes sinto falta do Centro, porque \u00e9 muito inspirador, mas ent\u00e3o vou pra l\u00e1, dou uma volta e volto. Aqui \u00e9 mais tranq\u00fcilo: d\u00e1 pra andar na rua. Eu tinha certo medo de andar na rua no meu apartamento anterior (Juliana morava ao lado da biblioteca M\u00e1rio de Andrade), apesar de que o Centro \u00e9 perigoso, mas n\u00e3o tanto. N\u00e3o sei se \u00e9 respeito com as pessoas que moram l\u00e1 ou se \u00e9 s\u00f3 uma ilus\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 pior que qualquer outro lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea falou que o Centro \u00e9 mais inspirador. Voc\u00ea acha que o caos te inspira mais?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 que tem mais coisa acontecendo ao mesmo tempo. Na verdade eu morava no alto, ent\u00e3o tinha uma vista linda do Centr\u00e3o, e a cada dia acontecia uma coisa esquisita na rua. Aqui \u00e9 mais tranq\u00fcilo. N\u00e3o \u00e9 que seja mais inspirador. \u00c9 s\u00f3 outro tipo de cotidiano. Mas eu tamb\u00e9m estava cansada de agita\u00e7\u00e3o, queria um lugar mais calmo. Aqui tem mais a ver. Ningu\u00e9m mexe comigo, n\u00e3o tem ningu\u00e9m fumando crack na porta do pr\u00e9dio. O Centro \u00e9 muito bonito, os pr\u00e9dios, tudo, ent\u00e3o \u00e0s vezes sinto falta. At\u00e9 porque sou caipira de Sorocaba, ent\u00e3o pra mim \u00e9 tudo lindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acha que o Centro, as coisas que aconteciam, refletiram no seu disco?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Totalmente. Meu disco tem muito a ver com quando me mudei para S\u00e3o Paulo, com a quest\u00e3o de se adaptar. O disco ficou pronto um ano antes de ser lan\u00e7ado, e as letras s\u00e3o ainda mais antigas. \u00c9 de um per\u00edodo da minha vida que j\u00e1 est\u00e1 distante. At\u00e9 \u00e9 esquisito lan\u00e7ar o disco agora porque n\u00e3o estou naquilo, mas tem a ver com quando me mudei, e as pessoas que fui conhecendo, as coisas pelas quais passei. Porque at\u00e9 ent\u00e3o eu n\u00e3o cantava, n\u00e3o sabia direito o que ia fazer. Estava na faculdade&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea veio pra S\u00e3o Paulo para fazer faculdade?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sempre quis vir pra S\u00e3o Paulo por causa da m\u00fasica. S\u00f3 que nesses anos todos tiveram muitas mudan\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o ao mercado fonogr\u00e1fico, e eu nunca soube direito como ele funcionava \u2013 at\u00e9 agora n\u00e3o sei. Vim pra c\u00e1 fazer uma faculdade e paralelamente ir levando a carreira musical. Queria fazer cinema, mas n\u00e3o passei, ent\u00e3o passei em fotografia e fiz um ano no Senac. E eu sempre quis ter banda, mas vi que era dif\u00edcil encontrar gente que tivesse uma certeza do que queria fazer com a minha idade, 19 na \u00e9poca, e pessoas com a mesma ideia que a minha. Larguei a faculdade e resolvi fazer sozinha mesmo. Foi meu pai que me incentivou a gravar minhas m\u00fasicas. Eu j\u00e1 as tinha em forma de rascunho. Um dia estava limpando minha casa e encontrei o disco do Mamma Cadela, ouvi e achei que tinha muito a ver com o que eu queria fazer em termos de sonoridade. As m\u00fasicas me pareciam muito cinematogr\u00e1ficas. Olhei o encarte e vi que o produtor era o F\u00e1bio Pinc. Me enrolei muito pra mandar e-mail pra ele, porque pensava: \u201cEu nem conhe\u00e7o o cara\u201d. Vi que n\u00e3o tinha nada a perder, mandei pra ele os rascunhos de m\u00fasica, falando que tinha gostado do disco, e a gente marcou de se encontrar, conversou e gravou as quatro m\u00fasicas que coloquei no MySpace. Com isso atra\u00ed pessoas que estavam a fim de tocar. Eu mostrava o trabalho: \u201c\u00c9 isso aqui, quem est\u00e1 a fim de ir comigo nessa?\u201d. Por isso acabou sendo uma carreira solo. Foi o pontap\u00e9 inicial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco est\u00e1 pronto h\u00e1 um ano, mas quanto tempo voc\u00ea passou fazendo ele?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gravei as quatro primeiras m\u00fasicas e um tempo depois encontrei o Fabio e ele me convidou pra fazer um disco com dez. O que eu queria, na real, era fazer um disco sem essas quatro m\u00fasicas iniciais, uma coisa que levaria muito mais tempo, mas mudei de ideia e vi que seria legal registrar elas em um disco. Como componho h\u00e1 muito tempo, tinha muita coisa guardada, (ent\u00e3o) resgatei um monte de coisa. Ficou quase uma colet\u00e2nea de coisas que eu j\u00e1 vinha fazendo. N\u00e3o sei dizer quanto tempo demorou, mas tem m\u00fasicas que escrevi pro disco, como \u201cViagem\u201d e \u201cDry These Tears\u201d. Gravamos em 2009 com algumas pausas, porque o F\u00e1bio tamb\u00e9m gravava outras coisas, n\u00e3o foi direto. Demorou a sair porque ficou pronto em setembro de 2009 e eu teria pouco tempo pra lan\u00e7ar at\u00e9 o fim do ano. Ent\u00e3o veio natal, ano novo, carnaval, a Copa e atrasou tudo. At\u00e9 que foi bom, porque deu pra fazer com calma e o encarte deu errado duas vezes. Eu estava descobrindo como gravar e distribuir um disco, ent\u00e3o tamb\u00e9m me enrolei.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/arielmartini\/sets\/72157621843355711\/with\/4174651455\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-6993 aligncenter\" title=\"juliana_ariel_martini\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/juliana_ariel_martini.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"402\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/juliana_ariel_martini.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/juliana_ariel_martini-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea abre o disco com uma m\u00fasica torta, e logo depois vem um reggae mais pra cima, voc\u00ea vai intercalando os climas. Foi pensado?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi. Eu chamei o F\u00e1bio por isso, gosto muito desse tipo de coisa, um som visual. Como era o primeiro disco, n\u00e3o queria levar ele para um lado s\u00f3, resolvi misturar cada m\u00fasica e depois ter algo que as unissem, que foi a sonoridade. Tem a ver com o fato de que eu n\u00e3o ou\u00e7o apenas um estilo, gosto de explorar para n\u00e3o ficar muito fechada. Quando voc\u00ea ouve muito uma coisa, acaba compondo s\u00f3 aquilo. O legal da m\u00fasica \u00e9 ir descobrindo novidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea j\u00e1 tem material pra um segundo disco?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 estou pensando nele, s\u00f3 que o problema \u00e9 que at\u00e9 levantar uma grana pra grav\u00e1-lo, demora. Estou meio s\u00f3 escrevendo, (mas) j\u00e1 visualizo como vai ser. N\u00e3o vou mais escrever em ingl\u00eas, s\u00f3 em portugu\u00eas, mas eu queria gravar logo, porque j\u00e1 faz tempo que registrei o primeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">O que voc\u00ea acha que aprendeu com o processo de grava\u00e7\u00e3o pra melhorar pro segundo?<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea acaba aprendendo a como se relacionar com as pessoas. Quando voc\u00ea vai gravar um disco voc\u00ea tem que saber conversar, dizer pro baterista qual tipo de levada quer. \u00c9 muito dif\u00edcil voc\u00ea visualizar uma coisa que voc\u00ea quer ouvir e passar isso para os m\u00fasicos. E tamb\u00e9m entendi toda a parte burocr\u00e1tica de Ecad, de edi\u00e7\u00e3o das m\u00fasicas. Eu estava muito t\u00edmida com esse disco, muito insegura. Agora tenho um pouco mais de certeza das coisas que quero fazer, de onde minhas m\u00fasicas v\u00eam e pra onde podem ir. O primeiro foi meio que um tiro no escuro, n\u00e3o sabia o que ia dar, e \u00e9 legal ver as m\u00fasicas se transformando. Tem coisas que n\u00e3o correspondem ao que voc\u00ea queria, e \u00e0s vezes elas ficam melhores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Tat\u00e1 Aeroplano diz que quando comp\u00f5e uma m\u00fasica tem que lan\u00e7ar para se livrar dela. Voc\u00ea sente isso tamb\u00e9m?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acho que quando voc\u00ea grava voc\u00ea n\u00e3o se livra, s\u00f3 amarra ainda mais a m\u00fasica a voc\u00ea. Porque voc\u00ea tem que ficar cantando ela agora. \u00c9 bom porque quando voc\u00ea est\u00e1 compondo n\u00e3o tem uma dist\u00e2ncia daquilo e n\u00e3o sabe analisar se \u00e9 legal pra voc\u00ea ou n\u00e3o. Ao mostrar para outra pessoa, \u00e9 algu\u00e9m que est\u00e1 ouvindo pela primeira vez. Quando componho, mostro pra algumas pessoas que me conhecem. Todas as letras que escrevo deixo guardadas por um tempo e depois pego, porque ai quase esque\u00e7o o que escrevi e revejo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pra quem voc\u00ea mostra?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para amigos pr\u00f3ximos que me conhecem h\u00e1 muito tempo e que me sinto mais \u00e0 vontade. Teve uma \u00e9poca que eu mostrava pra estranhos na internet, mas hoje \u00e9 geralmente com gente pr\u00f3xima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sendo de Sorocaba, voc\u00ea tem alguma rela\u00e7\u00e3o com o pessoal do Wry e aquela cena indie dos anos 90?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cresci vendo eles ao vivo. N\u00e3o fosse por eles n\u00e3o estava tocando hoje. Quando eu tinha 12 anos vi um show do Wry e fiquei muito impressionada. Era uma banda muito diferente de tudo que eu conhecia. Em casa meu pai ouvia rock dos anos 80, Legi\u00e3o, essas coisas. Eles cantavam em ingl\u00eas! Lembro que fiquei confusa se eles eram de Sorocaba ou n\u00e3o.  Pesquisando descobri o Lado B, da MTV, que tinha um monte de banda parecida com o Wry e que eram diferentes do que eu conhecia. Ent\u00e3o pedi uma guitarra pro meu pai e ele n\u00e3o queria me dar, porque \u201cvoc\u00ea vai desistir, \u00e9 pesada, vai doer sua m\u00e3o\u201d. At\u00e9 que ganhei e montei umas bandas. Vi todo mundo tocar, achava aquilo lindo. Tinha um boteco fuleiro que eu sempre ia, embaixo da ponte. Eu queria fazer parte disso, de uma coisa que eu achava legal. Isso me empolgava, vi que era poss\u00edvel, tinha espa\u00e7o, n\u00e3o precisava ter uma gravadora ou estar na TV pra poder ter uma banda, lan\u00e7ar minha m\u00fasica. E tinha gente que ia querer ouvir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">E hoje que as gravadoras cada vez mais somem. Como voc\u00ea lida com o mercado?<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Prefiro n\u00e3o ter uma opini\u00e3o formada sobre. N\u00e3o sei muito bem pra onde a m\u00fasica vai, e mercado nem \u00e9 algo em que fico pensando muito. Acho que naturalmente as coisas v\u00e3o acabar se encaixando. N\u00f3s, independentes, estamos indo pra um caminho legal. Enxergo isso de uma forma coletiva. Vai dar certo. J\u00e1 est\u00e1 dando! Tem gente ouvindo m\u00fasica, mais que nos (anos) 90, tem p\u00fablico, tem lugar pra tocar. Claro que algumas coisas ainda precisam ser acertadas, mas isso rola aos poucos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea acabou de lan\u00e7ar o disco. Como est\u00e1 a divulga\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final do ano foi dif\u00edcil de marcar shows, ent\u00e3o quero dar um g\u00e1s em 2011. Estou sem produtora, ent\u00e3o preciso de algu\u00e9m pra me ajudar. Coloquei meu disco na Livraria Cultura, e por enquanto estou levando assim, devagar. Tenho uma assessoria legal da YB. Ah, tem o show do projeto cantando o Paul McCartney (no Sesc Consola\u00e7\u00e3o, em S\u00e3o Paulo, 20 de janeiro. Infos <a href=\"http:\/\/www.myspace.com\/events\/View\/9186095\/Juliana-R-canta-Paul-McCartney\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea foi ao show do Paul?<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><object classid=\"clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000\" width=\"605\" height=\"400\" codebase=\"http:\/\/download.macromedia.com\/pub\/shockwave\/cabs\/flash\/swflash.cab#version=6,0,40,0\"><param name=\"src\" value=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/50AgIx-JY3o?fs=1&amp;hl=pt_BR\" \/><embed type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"605\" height=\"400\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/50AgIx-JY3o?fs=1&amp;hl=pt_BR\"><\/embed><\/object><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o, mas fui no Lou Reed. Gostei muito, sabia que ia ser o \u201cMetal Machine Music\u201d, mas foi muito legal. Parece uma pe\u00e7a de teatro, toda amarrada. E foi legal que ele tocou \u201cI\u2019ll Be Your Mirror\u201d. Eu vi a Lulina subindo no palco&#8230; ela disse que pegou na m\u00e3o dele.<br \/>\nFalando em Lulina, o Brasil \u00e9 conhecido por ser um pa\u00eds de cantoras, mas seu som acaba n\u00e3o se encaixando no estere\u00f3tipo. Com quem voc\u00ea acha que se encaixa?<br \/>\nDif\u00edcil isso. Eu gosto muito da PJ Harvey&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">Eu acho que tem muitos ecos dela no \u00e1lbum.<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea acha mesmo? Que bom. \u00c9 porque eu n\u00e3o sei se tem a ver, adoraria que tivesse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">A pessoa n\u00e3o ouve e fala PJ de cara, mas tem algo ali.<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gosto muito (tamb\u00e9m) da Cat Power, mas sou apaixonada pela PJ Harvey. Tem a Juana Molina, que \u00e9 uma cantora argentina que eu acho muito legal. Mas que eu me encaixe&#8230; J\u00e1 me compararam \u00e0 Kate Nash, mas nunca a ouvi. \u00c9 parecido?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E do Brasil me identifico muito com a Laura Wrona, que n\u00e3o \u00e9 muito conhecida. Ela \u00e9 minha vizinha, tem ideias legais e a ver com o que eu gostaria de fazer. Gosto muito da Karina Buhr, da Tulipa, da Lulina, mas \u00e9 engra\u00e7ado porque nunca me vi como cantora. Comecei a compor antes de cantar, queria cantar para mostrar minhas coisas, e fui aprendendo. Nunca me vi muito como cantora, nem como compositora, apesar de escrever (m\u00fasicas). Demorei pra dar conta disso. Porque sempre acabam comparando, e tem bastante cantora no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Logo que voc\u00ea surgiu te colocaram na cena folk de S\u00e3o Paulo. Voc\u00ea acha que existe essa cena folk?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nunca existiu (risos). Mas acho engra\u00e7ado. De in\u00edcio fiquei um pouco incomodada, porque pensava: \u201cOnde est\u00e1 o folk aqui?\u201d. Tudo bem, \u201cSince I\u2019ve Met You\u201d \u00e9 um folk, at\u00e9 engra\u00e7adinho, mas acho que tem a ver com a Mallu Magalh\u00e3es. Ela apareceu e se agarraram nisso, junto com o Vanguart. Mas nem eles se dizem folk. O folk j\u00e1 passou, hoje s\u00e3o resqu\u00edcios. \u00c9 s\u00f3 uma coisa de influ\u00eancia. N\u00e3o acho que exista nenhum movimento, n\u00e3o tem nada hoje como a Bossa Nova, a Tropic\u00e1lia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 que em todos esses movimentos algu\u00e9m limitava os par\u00e2metros: a Tropic\u00e1lia teve um disco, o Mangue Beat um manifesto, por exemplo. Na cena atual tem muita gente que faz muita coisa parecida, mas n\u00e3o tem ningu\u00e9m que organize isso.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se a gente parar pra analisar vai encontrar muitas coisas similares, mas acho que n\u00e3o precisa essa coisa de movimento. Eu iria achar esquisito se algu\u00e9m chegasse um dia, reunisse a galera e falasse que a gente era alguma coisa e que ia escrever um manifesto. Tem que ser algo com o tempo. Talvez daqui a cinco anos algu\u00e9m olhe pra tr\u00e1s e consiga organizar melhor do que n\u00f3s que estamos cantando hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O m\u00fasico Giancarlo Rufatto, em um texto antigo, dizia que suas m\u00fasicas s\u00e3o \u201cpara ter\u00e7as, quintas e domingos, dias em que s\u00f3 can\u00e7\u00f5es nos salvam de um mundo que desaba l\u00e1 fora\u201d. De que dia voc\u00ea acha que suas m\u00fasicas s\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depende da m\u00fasica, mas acho que de domingo. Voc\u00ea teve aquela noite de s\u00e1bado estranha, bebeu muito, no dia seguinte acorda e ouve o disco. Acho que tamb\u00e9m \u00e9 um disco de tr\u00e2nsito. Pode ser um monte de coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.myspace.com\/juliana.r\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>http:\/\/www.myspace.com\/juliana.r<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/arielmartini\/sets\/72157621843355711\/with\/4174651455\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6994 aligncenter\" title=\"juliana_ariel_martini2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/juliana_ariel_martini2.jpg\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p>*******<\/p>\n<p>&#8211; Tiago Agostini \u00e9 jornalista e assina o blog <a href=\"http:\/\/baladadolouco.wordpress.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A Balada do Louco.<\/a><br \/>\n&#8211; Ariel Martini \u00e9 fot\u00f3grafo e voc\u00ea pode ver mais fotos no <a href=\"http:\/\/arielmartini.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/arielmartini.com\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Tiago Agostini\nJuliana \u00e9 espelho de uma gera\u00e7\u00e3o cada vez mais numerosa: a dos artistas caseiros. 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