{"id":69792,"date":"2022-09-23T03:30:31","date_gmt":"2022-09-23T06:30:31","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=69792"},"modified":"2022-11-09T23:32:55","modified_gmt":"2022-11-10T02:32:55","slug":"entrevista-alain-johannes-eleven-fala-sobre-carreira-solo-e-relembra-parcerias-com-chris-cornell-mark-lanegan-e-qotsa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/09\/23\/entrevista-alain-johannes-eleven-fala-sobre-carreira-solo-e-relembra-parcerias-com-chris-cornell-mark-lanegan-e-qotsa\/","title":{"rendered":"Entrevista: Alain Johannes (Eleven) fala sobre carreira solo e relembra parcerias com Chris Cornell, Mark Lanegan e QOTSA"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos m\u00fasicos mais vers\u00e1teis e talentosos das \u00faltimas d\u00e9cadas, <a href=\"http:\/\/www.alainjohannes.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alain Johannes<\/a> tem suas digitais para sempre marcadas na hist\u00f3ria do rock alternativo mundial. O m\u00fasico, que nasceu no Chile e viveu em diferentes partes do mundo at\u00e9 fixar resid\u00eancia nos EUA no in\u00edcio dos 1980, possui um extenso curr\u00edculo que inclui trabalhos e parcerias com nomes como Chris Cornell (Soundgarden), Mark Lanegan (Screaming Trees), Queens of the Stone Age, PJ Harvey, Them Crooked Vultures e What Is This, sua primeira banda que contava com Flea, Jack Irons e Hillel Slovak, trio que depois formou o Red Hot Chilli Peppers ao lado de Anthony Kiedis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se essa lista n\u00e3o fosse o bastante, o multi-instrumentista e vocalista tamb\u00e9m esteve \u00e0 frente da cultuada banda Eleven, onde tocava guitarra e dividia os vocais com a tecladista Natasha Shneider, sua companheira de m\u00fasica e vida por tr\u00eas d\u00e9cadas. Apesar de n\u00e3o ter alcan\u00e7ado o p\u00fablico merecido, o grupo lan\u00e7ou alguns dos discos mais interessantes dos anos 1990 e 2000 e fez turn\u00eas com nomes como Pearl Jam e Soundgarden, que inclusive chegou a pagar do pr\u00f3prio bolso para ter o Eleven como banda de abertura em uma tour na Europa, como revelado por Alain no papo a seguir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista, feita por telefone no \u00faltimo m\u00eas de junho, Alain fala sobre o processo de composi\u00e7\u00e3o e as influ\u00eancias de Nick Drake em seu mais recente \u00e1lbum solo, \u201c<a href=\"https:\/\/alainjohannes.bandcamp.com\/album\/hum\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Hum<\/a>\u201d (2020, Ipecac Records), sua recente parceria com Mike Patton (Faith No More), a rela\u00e7\u00e3o com o pa\u00eds natal, Chile, comenta sobre a hist\u00f3ria e o legado do Eleven ao lado de Natasha, relembra sua longa parceria e amizade com Chris Cornell e Mark Lanegan, destaca do que mais gostou em suas viagens ao Brasil e revela a hist\u00f3ria de um inusitado encontro com Ney Matogrosso no M\u00e9xico nos anos 1970. Confira!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Alain Johannes - Endless Eyes\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/K98iJL_p2PY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 cerca de dois anos, voc\u00ea lan\u00e7ou o seu terceiro disco full-length, \u201cHum\u201d (2020), que \u00e9 um \u00e1lbum muito bonito e contemplativo.<\/strong><br \/>\nObrigado. Foi a primeira coisa que fiz depois que consegui sobreviver ap\u00f3s ficar doente por tr\u00eas meses. Basicamente o disco todo foi criado em 12 dias. Eu tinha dois trechos: a guitarra meio fado, portuguesa, com os acordes da faixa \u201cMermaid\u2019s Scream\u201d, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/alainjohannes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que at\u00e9 postei no Instagram na \u00e9poca<\/a>, mas ainda n\u00e3o era uma m\u00fasica. E depois eu escrevi a melodia e a letra. Essa foi a primeira m\u00fasica que eu gravei. A segunda m\u00fasica \u00e9 a faixa-t\u00edtulo, \u201cHum\u201d: eu j\u00e1 tinha aquele lance meio no estilo de tocar do Nick Drake h\u00e1 uns cinco meses, que tamb\u00e9m tinha publicado no Instagram. Eu uso meu Instagram como meu caderno de anota\u00e7\u00f5es, sempre que tenho uma ideia, vou l\u00e1 e gravo muito rapidamente. Todas as outras m\u00fasicas foram escritas e gravadas em sequ\u00eancia ao longo de 12 dias. Foi quando eu finalizei o disco e fui para o Chile para tocar&#8230;Ou melhor, para supostamente tocar no Lollapalooza (de 2020), com a minha banda, n\u00f3s \u00edamos tocar o \u201cEuphoria Morning\u201d na \u00edntegra (nota: disco de Chris Cornell de 1999 em que Alain participou como compositor, m\u00fasico e produtor). Isso foi em mar\u00e7o de 2020 e ent\u00e3o todo mundo precisou ficar trancado por algum tempo, como voc\u00ea se lembra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea afirmou que o \u201cHum\u201d provavelmente \u00e9 o disco mais pessoal que j\u00e1 gravou. Pensa que isso deve ao fato de voc\u00ea ter ficado na cama doente por tr\u00eas meses?<\/strong><br \/>\nSim, eu acho que ter ficado doente&#8230; E tamb\u00e9m foi um per\u00edodo em que perdi muitas pessoas: a Natasha, depois a minha m\u00e3e, o meu pai, o meu tio Peter, e o Chris Cornell \u2013 eu participei do show em tributo ao Chris, no Forum, em Los Angeles. E tamb\u00e9m o document\u00e1rio em que me seguiram por a\u00ed (nota: Alain se refere ao filme \u201cPlano Inacabado \u2013 O Caminho de Alain Johannes\u201d, sobre ele, lan\u00e7ado em 2016, trailer abaixo). Eu nunca tinha realmente pensado, apenas vivia a minha vida. E me cansei de ver tantas pessoas queridas morrendo. Agendei uma tour solo, foi a primeira vez que fiz isso. Toquei por dois meses na Europa e ent\u00e3o fui para N\u00e1poles para produzir o The Devils (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/03\/30\/entrevista-o-terceiro-disco-do-blasfemo-the-devils-com-alain-johannes-e-mark-lanegan\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">grupo de rock cru blasfemo italiano<\/a>). E foi quando eu voltei da It\u00e1lia que eu fiquei doente. Sei que foi aquela primeira leva da COVID-19, que era bastante intensa. Eles n\u00e3o sabiam o que era nos Estados Unidos, ficavam apenas me dando antibi\u00f3ticos. Acho que isso foi em novembro ou dezembro de 2019 e havia conversas sobre esse v\u00edrus \u2013 agora eles sabem que algumas pessoas pegaram antes, mas na \u00e9poca eles n\u00e3o sabiam como fazer o diagn\u00f3stico ainda. Eles fizeram alguns raios-X e disseram que n\u00e3o parecia com bronquite ou pneumonia, mas talvez fosse alguma doen\u00e7a autoimune, algo nos meus pulm\u00f5es, ent\u00e3o me deram esteroides. Houve noites em que n\u00e3o achei que&#8230; ficava indo para a emerg\u00eancia e recebendo tratamento; eu n\u00e3o precisei ser hospitalizado, mas foi muito ruim, tive febre alta, n\u00e3o conseguia respirar. E voc\u00ea fica na cama apenas esperando que v\u00e1 melhorar e conseguir levantar, ent\u00e3o voc\u00ea meio que acaba refletindo muito sobre a vida. H\u00e1 algumas m\u00fasicas ainda comigo falando com a Natasha e o Chris, como \u201cMermaid&#8217;s Scream\u201d. O conceito do disco \u201cHum\u201d \u00e9 de voc\u00ea ouvir esse&#8230; n\u00e3o \u00e9 exatamente um som, \u00e9 mais um sentimento que h\u00e1 na vida, na natureza, que \u00e9 meio que uma conex\u00e3o com a origem de tudo. Como a maneira como a m\u00fasica pode ser \u2013 para mim, a m\u00fasica est\u00e1 sempre acontecendo e voc\u00ea precisa se ligar a ela e ent\u00e3o ela vem atrav\u00e9s de voc\u00ea, como um interruptor el\u00e9trico. Os \u00e1lbuns \u201cSpark\u201d (2010) e \u201cFragments &amp; Wholes, Vol. 1\u201d (2014) eram mais sobre celebrar e lamentar a vida que poderia ter sido, e sentir falta da sua alma g\u00eamea e etc. \u00c9 por isso que acho que para mim foi&#8230; eu meio que usei (o disco) para me fazer voltar \u00e0 vida. O que acabou n\u00e3o dando muito certo, porque logo depois fiquei preso em um pequeno c\u00f4modo por seis meses em Santiago, sem poder voltar para casa. Isso aconteceu imediatamente depois de terminar esse disco. Foi algo como \u201cSim, eu sobrevivi! Aqui vou eu! Bom, talvez n\u00e3o imediatamente, quem sabe em alguns meses\u201d (risos). Foi bem engra\u00e7ado.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"O Plano Inacabado \/\/ O Caminho de Alain Johannes \/\/\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/K_HhkiDAJW4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu queria saber um pouco sobre o t\u00edtulo do disco, \u201cHum\u201d. Como falei, achei o \u00e1lbum muito bonito e contemplativo, e as m\u00fasicas sempre me acalmam e me fazem pensar na vida quase que automaticamente. \u201cHum\u201d \u00e9 uma palavra que pode ter diferentes significado em ingl\u00eas, como \u201cmurm\u00fario\u201d, \u201ccantarolar\u201d, \u201csussurro\u201d e \u201czumbido\u201d. H\u00e1 algum significado espec\u00edfico que voc\u00ea tenha pensado quando decidiu pelo t\u00edtulo? Ou \u00e9 essa variedade de significados e sons que falam mais com voc\u00ea e com o disco?<\/strong><br \/>\nAcho que \u00e9 algo muito espec\u00edfico sobre algo n\u00e3o espec\u00edfico. No sentido de que a palavra \u201chum\u201d, a maneira como eu a usava, mesmo antes, na poesia ao longo dos anos, desde que era crian\u00e7a: eu usava a palavra \u201chumming\u201d no sentido de \u201cit\u00b4s humming with life\u201d, de que h\u00e1 um esp\u00edrito dentro. \u00c9 quase como quando voc\u00ea fica perto de uma corrente el\u00e9trica e escuta um barulho que \u00e9 algo como \u201czzzzz\u201d, como um zumbido, quase como um cantarolar. \u00c9 como quando voc\u00ea vai para a natureza e escuta sons da natureza, mas debaixo de todas as coisas vivas, h\u00e1 esse humm, \u00e9 como me refiro a isso. Mas tamb\u00e9m a palavra (\u2018hum\u201d) \u00e9 t\u00e3o bonita porque as pessoas cantarolam quando est\u00e3o felizes, elas meio que cantarolam inconscientemente a melodia de uma m\u00fasica. N\u00e3o sei, \u00e9 uma ideia bonita. Muito especificamente para o disco, para mim significa o sentido da parte milagrosa da vida, a parte m\u00e1gica da vida. \u00c9 esse cantarolar que est\u00e1 sempre l\u00e1 se voc\u00ea ouvir com aten\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 como se voc\u00ea pudesse realmente escutar, \u00e9 mais como se voc\u00ea pudesse sentir, uma vibra\u00e7\u00e3o, como quando voc\u00ea cantarola algo e vibra no seu peito e na sua garganta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea mencionou o Nick Drake h\u00e1 pouco. Algumas m\u00fasicas do \u00e1lbum, como a faixa-t\u00edtulo e \u201cSomeone\u201d, me lembram muito uma esp\u00e9cie de vers\u00e3o mais psicod\u00e9lica do Nick Drake. Isso era algo espec\u00edfico que voc\u00ea estava buscando alcan\u00e7ar no disco?<\/strong><br \/>\nH\u00e1 uma conex\u00e3o com as afina\u00e7\u00f5es alternativas, como Bert Jansch, John Fahey e Nick Drake, em que voc\u00ea pega a guitarra e a afina como no folk ingl\u00eas, escoc\u00eas, celta, com uma afina\u00e7\u00e3o DAGDAD (R\u00e9, L\u00e1, Sol, R\u00e9, L\u00e1, R\u00e9). O Jimmy Page tamb\u00e9m usava esse tipo de afina\u00e7\u00e3o. Isso tem a ver tamb\u00e9m com o meu amor pela m\u00fasica indiana. Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 realmente tocando modulando como no jazz, por exemplo. H\u00e1 um centro tonal que est\u00e1 sempre l\u00e1. \u00c9 como nas minhas influ\u00eancias indianas cl\u00e1ssicas, n\u00e3o s\u00f3 do que escuto, mas tamb\u00e9m nas minhas pequenas jams ou algo assim, em que estou tocando como um drone (no sentido de um som repetitivo). E isso meio que se liga com o \u201chum\u201d, com o \u201com\u201d da medita\u00e7\u00e3o. Tenho uma conex\u00e3o com os discos do Nick Drake, assim como com o Bert Jansch e essas coisas. Realmente adoro esse estilo de viol\u00e3o do folk porque est\u00e1 muito conectado com o que imagino que seriam ragas e m\u00fasicas cl\u00e1ssicas indianas meditativas. Sobre a afina\u00e7\u00e3o: em faixas como \u201cHum\u201d e tamb\u00e9m \u201cHallowed Bones\u201d (nesse momento Alain cantarola o in\u00edcio da m\u00fasica), eu uso a afina\u00e7\u00e3o DAGDAD. E ambas possuem um centro: elas se movem, mas possuem um centro em um tipo de tonalidade. Acho que quando escuto o Nick Drake, isso faz parte daquele mundo. O mesmo com Bert Jansch, n\u00e3o sei se voc\u00ea o conhece, mas a vale a pena procurar. O Jimmy Page pegou muita coisa emprestada dele, de uma m\u00fasica chamada \u201cBlack Waterside\u201d (nesse momento Alain come\u00e7a a cantar as primeiras estrofes da m\u00fasica), em que ele usa essa afina\u00e7\u00e3o DAGDAD. \u00c9 poss\u00edvel perceber que essa m\u00fasica tem algumas similaridades com muita coisa do mundo do Nick Drake \u2013 \u00e9 um lado diferente, mas para mim tem essa conex\u00e3o que te leva a um determinado lugar.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Alain Johannes &quot;Hum&quot; (Official Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/n_9ua-IjRzk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen title=\"Alain Johannes \"Hum\" (Official Video)\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ali\u00e1s, o \u201cHum\u201d foi lan\u00e7ado pela Ipecac Records, gravadora do Mike Patton. E voc\u00ea tamb\u00e9m lan\u00e7ou recentemente uma m\u00fasica em parceria com ele, chamada \u201cLuna a Sol\u201d. Sempre pensei que as vozes de voc\u00eas dois ficariam muito bem juntas, porque pensava que tinham tons similares em alguns momentos. Por isso, queria saber se voc\u00eas j\u00e1 se conheciam?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s dever\u00edamos nos conhecer, mas ainda n\u00e3o nos conhec\u00edamos. Obviamente, eu era um grande f\u00e3 dele desde os anos 1980 e 1990. N\u00f3s finalmente nos conhecemos em 2009 ou 2010 na casa do Josh (Homme). Quando eu gravei o o \u00e1lbum \u201cSpark\u201d (em 2010), ia lan\u00e7\u00e1-lo por conta pr\u00f3pria, mas o Josh falou \u201cN\u00e3o, espera a\u00ed. Deixa eu te ajudar\u201d e ent\u00e3o conseguiu a Ipecac na \u00e9poca. Sobre o Mike&#8230; acho que ele conhecia o Eleven, ou mesmo o What is This? antes disso, minha primeira banda. Ele me chamou para fazer uma colabora\u00e7\u00e3o, para um cover incr\u00edvel que n\u00f3s fizemos, n\u00e3o sei se voc\u00ea j\u00e1 ouviu, vou te mandar o link (nesse momento Alain come\u00e7a a cantar a m\u00fasica \u201cHow Sad, How Lovely\u201d, da cantora Connie Converse, que gravou com Patton). Essa foi a primeira vez que colaboramos. Ent\u00e3o nos falamos ao telefone, ele me falou sobre o amor dele pelo Chile. E eu n\u00e3o ia ao Chile havia 46 anos. Eu nasci l\u00e1, mas com um ano meu av\u00f4 me levou para Zurique, depois fui para o Panam\u00e1, depois para o M\u00e9xico e ent\u00e3o me mudei para os Estados Unidos quando tinha 12 anos. Ent\u00e3o eu n\u00e3o ia h\u00e1 bastante tempo. E eu sabia que tinha um pai de verdade, com quem eu n\u00e3o tinha contato. E ent\u00e3o eu o conheci, e tamb\u00e9m meus dois irm\u00e3os, meus primos, e comecei a ir muito mais para o Chile.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o Mike foi ao Festival de la Vi\u00f1a (de Vin\u00e3 del Mar, no Chile) e causou uma grande como\u00e7\u00e3o, as pessoas realmente se conectaram com ele, queriam que ele fosse um chileno mesmo (risos). Eu sempre pensei nas similaridades (entre as nossas vozes), especialmente no meu come\u00e7o de carreira, com influ\u00eancias do Stevie Wonder, como no primeiro disco do Eleven, quando eu tinha uma voz com um tom mais alto. E eu pensei: \u201cCaramba, n\u00f3s soamos bem parecidos!\u201d. Mas o Mike \u00e9 obviamente um g\u00eanio vocal e eu sou um compositor que toca guitarra e tamb\u00e9m canta. Ele (Mike) foi muito gentil em concordar em fazer essa parceria (em \u201cLuna a Sol\u201d). Eu nunca tinha escrito uma m\u00fasica com letras em espanhol, ent\u00e3o levou um tempo para a letra fluir naturalmente, porque eu n\u00e3o queria escrever em ingl\u00eas e traduzir para espanhol. Queria que ela soasse natural em espanhol \u2013 e tamb\u00e9m que soasse natural dentro da minha vis\u00e3o, da minha vis\u00e3o po\u00e9tica e l\u00edrica ou que quer que seja isso. Ent\u00e3o h\u00e1 muitos s\u00edmbolos, s\u00edmbolos mitol\u00f3gicos, eu suponho. Ent\u00e3o foi muito legal, espero que a gente possa fazer mais coisas juntos no futuro. Adoro o Mike e adoro a Ipecac, o Greg Werckman, que \u00e9 o presidente, e o Marc Schapiro, que meio que cuida das coisas do dia a dia. \u00c9 como uma fam\u00edlia e eu confio neles para lan\u00e7ar o disco. Nos dias de hoje, tem que ser com algu\u00e9m que seja um amigo ou eu vou fazer por conta pr\u00f3pria. Porque n\u00e3o importa, de qualquer maneira, n\u00e3o vou mais colocar discos para streaming, n\u00e3o faz nenhum sentido. <a href=\"https:\/\/alainjohannes.bandcamp.com\/album\/hum\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vou fazer via Bandcamp<\/a> ou algo similar que te d\u00ea alguma habilidade de continuar fazendo isso, em termos financeiros. N\u00e3o \u00e9 algo como voc\u00ea tem 700 mil streamings e voc\u00ea e a gravadora recebem 2 mil d\u00f3lares. Se voc\u00ea \u00e9 grande a ponto de saber que ter\u00e1 100 milh\u00f5es de streamings por m\u00eas, ent\u00e3o sim, pode ser uma maneira de sobreviver. Mas para a maioria dos m\u00fasicos&#8230; Quer dizer, h\u00e1 tanta m\u00fasica que eu conhe\u00e7o e compro pelo Bandcamp, seja avantgarde, eletr\u00f4nico, jazz, etc. Ent\u00e3o abro meu app do Bandcamp e tenho l\u00e1 minhas centenas de discos, voc\u00ea pode apoiar os artistas, \u00e9 muito legal.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Alain Johannes Trio - Luna A Sol (feat. Mike Patton) - Official Video\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/63loetE7DU8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em 2011, voc\u00ea tocou com o Chris Cornell no Brasil, em um festival chamado SWU. N\u00e3o pude ir ao show, mas vi pela TV e foi uma apresenta\u00e7\u00e3o muito bonita, ali\u00e1s. H\u00e1 um momento no show em que o Chris te apresenta para o p\u00fablico e ent\u00e3o voc\u00ea toca uma m\u00fasica do seu disco solo anterior e \u00e9 poss\u00edvel ver no v\u00eddeo que ele est\u00e1 realmente curtindo enquanto voc\u00ea toca. Por isso, queria saber como era a sua rela\u00e7\u00e3o com o Chris?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s t\u00ednhamos uma amizade incr\u00edvel desde 1991. \u00c9 engra\u00e7ado porque o Kim (Thayl, guitarrista do Soundgarden) costumava tocar a minha primeira banda What is This?, ele era DJ na faculdade. E ele mostrou a banda para todo mundo no Soundgarden e eles realmente gostaram do nosso som. Falando no What is This?, a pessoa que apresentou eu e a Natasha foi o nosso empres\u00e1rio da \u00e9poca do ensino m\u00e9dio, Erin Jacobs \u2013 e eu realmente gostava dele, ele era \u00f3timo. Mas n\u00f3s acabamos tendo de buscar outro empres\u00e1rio na \u00e9poca e ele ficou chateado com a gente, do tipo: \u201cAh \u00e9, vou mostrar para eles\u201d e acabou indo trabalhar na \u00e1rea de A&amp;R (Artistas e Repert\u00f3rio, respons\u00e1vel pela pesquisa de talentos e desenvolvimento art\u00edstico) da A&amp;M Records. Ent\u00e3o ele nos apresentou. Por volta de 1987, 1988, eu e a Natasha est\u00e1vamos na casa dele e ele falou: \u201cPreciso mostrar uma banda para voc\u00eas, est\u00e3o tentando fechar um contrato com eles na A&amp;M, eles se chamam Soundgarden, voc\u00eas precisam escutar o vocalista deles\u201d. Ent\u00e3o ele colocou umas m\u00fasicas pra gente ouvir e eu fiquei meio como: \u201cQue porra \u00e9 essa? Como isso \u00e9 poss\u00edvel?\u201d. Foi muito legal porque quando finalmente nos conhecemos est\u00e1vamos em turn\u00ea e eles estavam tocando o nosso disco e n\u00f3s est\u00e1vamos ouvindo o disco deles em nossas vans e \u00f4nibus. Por isso, j\u00e1 sab\u00edamos que \u00e9ramos f\u00e3s deles e eles nos convidaram para abrir aquela turn\u00ea. A Natasha tocou em uma faixa do \u201cSuperunknown\u201d (1994) e n\u00f3s abrimos para eles e depois de novo na turn\u00ea do \u201cDown on the Upside\u201d (1996) \u2013 fizemos muitos shows juntos. Foi apenas uma amizade incr\u00edvel. Obviamente, eu tocava com o Matt (Cameron, baterista do Soundgarden, Temple of the Dog e Pearl Jam) e com o Ben (Shepperd, baixista do Soundgarden) em Seattle antes disso. Mesmo antes de conhecermos o Josh, era como uma fam\u00edlia estendida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea falou h\u00e1 pouco sobre os planos que tinha de tocar o \u201cEuphoria Morning\u201d (1999) na \u00edntegra. Por isso, queria saber como foi a experi\u00eancia de escrever e gravar esse disco com o Chris e a Natasha? Porque quando o \u00e1lbum foi lan\u00e7ado, eu me lembro de ouvir e gostar, especialmente dos singles, mas confesso que s\u00f3 fui compreend\u00ea-lo melhor depois de alguns anos, quando passei a prestar mais aten\u00e7\u00e3o na complexidade do disco e em m\u00fasicas como \u201cSteel Rain\u201d, \u201cFollow my Way\u201d e \u201cPillow of your Bones\u201d. \u00c9 um disco bastante bonito e complexo.<\/strong><br \/>\nO lance \u00e9 que esse disco dura por muito tempo, dura para sempre, ele realmente se desenvolve. Na \u00e9poca, o Chris queria fazer um disco que n\u00e3o soasse como o Soundgarden. O Soundgarden \u00e9 uma banda incr\u00edvel, mas ele queria explorar algumas coisas diferentes. Ele veio depois de o Soundgarden terminar e ficou conosco. Primeiro de tudo, ele nos conseguiu um contrato com a A&amp;M Records. Ent\u00e3o o presidente da gravadora nos ofereceu um contrato de grava\u00e7\u00e3o de 200 mil d\u00f3lares, que hoje em dia seria algo insano, mas naquela \u00e9poca era padr\u00e3o ou abaixo do padr\u00e3o, era algo como \u201cAhh, \u00e9 bom\u201d. E ent\u00e3o eu e a Natasha fomos loucos o suficiente para pedir a ele (presidente da gravadora) o valor todo para usar para comprar equipamento para o est\u00fadio. Basicamente pegar 200 mil d\u00f3lares e ir at\u00e9 uma loja de instrumentos para microfones e tudo mais, montar o nosso pr\u00f3prio est\u00fadio. Algo como \u201cEsquece essa ideia de contratar um engenheiro de som e um produtor\u201d (risos). E ele, o Al Cafaro, que era presidente da gravadora na \u00e9poca, era um cantor de \u00f3pera nas horas vagas, era um \u00f3timo cantor, uma pessoa muito musical, achou totalmente hil\u00e1rio que n\u00f3s tivemos tido a coragem de fazer esse pedido. Porque eles nunca fariam isso, eles preferiam alugar algo do que comprar para voc\u00ea, mesmo que isso significasse gastar mais dinheiro, essa era apenas a maneira como as gravadoras operavam. Mas ele (Al Cafaro) disse \u201csim\u201d e ent\u00e3o de repente, gra\u00e7as ao Chris, n\u00f3s temos um est\u00fadio. N\u00f3s j\u00e1 t\u00ednhamos gravado o \u201cAvantgardedog\u201d (disco do Eleven lan\u00e7ado em 2000) por conta pr\u00f3pria, fizemos o disco inteiro literalmente \u2013 mas ele s\u00f3 foi lan\u00e7ado depois (do \u201cEuphoria Morning\u201d) porque a A&amp;M pediu para esperarmos at\u00e9 depois do disco com o Chris, mas ent\u00e3o a A&amp;M obviamente desapareceu e n\u00f3s acabamos na Interscope, que n\u00e3o fez nada para divulgar o \u00e1lbum. Mas enfim, j\u00e1 t\u00ednhamos experi\u00eancia (no est\u00fadio), t\u00ednhamos feito algumas grava\u00e7\u00f5es por conta pr\u00f3pria ao longo dos anos. Ent\u00e3o agora n\u00f3s t\u00ednhamos um est\u00fadio inteiro. Quer dizer, n\u00e3o era um est\u00fadio inteiro, era o 11AD, onde fizemos alguns discos com o Mark Lanegan (&#8220;Bubblegum&#8221;, 2004; &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/21\/cds-lanegan-weller-e-ranaldo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Blues Funeral<\/a>&#8220;, 2012; &#8220;Imitations&#8221;, 2013; &#8220;Phantom Radio&#8221;, 2014; &#8220;Gargoyle&#8221;, 2017; &#8220;Straight Songs Of Sorrow&#8221;, 2020), No Doubt (\u201cRock Steady\u201d, 2001), Queens of the Stone Age (&#8220;First It Giveth EP&#8221;, 2003 e &#8220;Stone Age Complication EP&#8221;, 2004), Eleven (&#8220;Avantgardedog&#8221;, 2000 e &#8220;Howling Book&#8221;, 2003), entre outras coisas (Beth Orton, Brody Dalle, Desert Sessions, Duke Garwood, Jack Irons, Live, Soulsavers e The Black Box Revelation). Ent\u00e3o o Chris veio para trabalharmos e a Natasha o ajudou a rearranjar \u201cFlutter Girl\u201d, eu escrevi a parte musical de \u201cMission\u201d e \u201cFollow my Way\u201d, ela escreveu \u201cPillow of Your Bones\u201d \u2013 ele escreveu a melodia e as letras para essas can\u00e7\u00f5es. Ela o ajudou com os arranjos de \u201cSteel Rain\u201d. N\u00f3s trabalhamos sem parar por dois meses para finalizarmos as m\u00fasicas. E ele (Chris) deveria ser produzido pelo Daniel Lanois, que fez o \u201cJoshua Tree\u201d (1987) com o U2 e muitas outras coisas (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2018\/04\/06\/dylan-com-cafe-dia-39-time-out-of-mind\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">como Bob Dylan<\/a>). Ent\u00e3o est\u00e1vamos deixando as m\u00fasicas prontas e fizemos algumas grava\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas, que n\u00e3o consigo mais encontrar. Mas enfim, as m\u00fasicas estavam prontas, o Chris falou: \u201cEu vou trabalhar com o Daniel e ent\u00e3o voc\u00eas podem vir e tocar no disco\u201d e n\u00f3s dissemos \u201cOk, \u00f3timo\u201d. Ent\u00e3o ele (Chris) recebeu um telefonema do empres\u00e1rio do Daniel dizendo que o Daniel estava tendo um surto ou algo parecido e que estava cancelando todos os seus projetos. A\u00ed o Chris estava l\u00e1 sentado, pensando: \u201cQue merda eu vou fazer agora?\u201d. E a Natasha falou: \u201cComo assim? N\u00f3s temos um est\u00fadio e voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 aqui, vamos apenas come\u00e7ar a gravar n\u00f3s mesmos amanh\u00e3. E n\u00e3o conte pra ningu\u00e9m\u201d (risos). Ent\u00e3o ele falou: \u201c\u00c9 isso, vamos gravar. Foda-se todo mundo, vamos fazer o disco n\u00f3s mesmos\u201d (risos). E tivemos um incr\u00edvel per\u00edodo de sete meses em que fizemos muitas experimenta\u00e7\u00f5es, porque quem se importa, n\u00e3o h\u00e1 um or\u00e7amento, n\u00e3o \u00e9 preciso se preocupar com a quantidade de dias de grava\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o ele ia para casa em Seattle por algumas semanas, depois voltava pra c\u00e1 e em alguns dias apenas assist\u00edamos TV o dia todo e come\u00e7\u00e1vamos a gravar 1h da manh\u00e3. E em outros dias n\u00f3s fic\u00e1vamos 30 horas gravando direto sem parar. Foi assim que as coisas aconteceram. E ent\u00e3o de repente convidamos o Josh Freese para vir tocar, o Victor Indrizzo, o Matt Cameron, o Jason Faulkner, o Bill Rieflin, eu gravei baixo, guitarra, o Chris gravou guitarras tamb\u00e9m, e ent\u00e3o depois de sete meses n\u00f3s t\u00ednhamos o disco. N\u00f3s mostramos o \u00e1lbum para A&amp;M e foi um grande sucesso art\u00edstico, eles ficaram muito felizes. Me lembro que cerca de um ano depois do disco ser lan\u00e7ado as pessoas disseram: \u201cBem, voc\u00ea sabe, o disco s\u00f3 vendeu 750 mil c\u00f3pias. Me desculpe, mas foi meio que um fracasso\u201d (risos). E eu pensava: \u201cAh \u00e9, s\u00e9rio? 750 mil c\u00f3pias do disco solo do vocalista de uma banda famosa. Voc\u00ea n\u00e3o acha isso bom? Eu acho isso incr\u00edvel pra caralho\u201d. Especialmente um disco que \u00e9 t\u00e3o musical. N\u00f3s sa\u00edmos em turn\u00ea e ficamos esperando para poder lan\u00e7ar o \u201cAvantgardedog\u201d (do Eleven), que s\u00f3 saiu em 2000, mas o disco foi gravado em 1997. Em 1997 foi quando o Chris veio ficar conosco e conseguimos o est\u00fadio. Entre 1997 e 1998 foi quando finalizamos o \u201cAvantgardedog\u201d e depois fizemos o \u201cEuphoria Morning\u201d entre 1998 e 1999. N\u00f3s j\u00e1 t\u00ednhamos feito as faixas \u201cSunshower\u201d e \u201cAve Maria\u201d (com o Chris) antes de termos o est\u00fadio, porque t\u00ednhamos um pequeno gravador de 8 canais. Ent\u00e3o em \u201cSunshower\u201d foi eu, a Natasha e o Greg como banda do Chris, fizemos tudo em um dia basicamente. E em \u201cAve Maria\u201d foi logo que assinamos com a A&amp;M, mas antes de entrarmos no est\u00fadio, o Al Cafaro estava fazendo um novo volume da compila\u00e7\u00e3o de Natal \u201cA Very Special Christmas\u201d e n\u00f3s escolhemos a bonita e doce \u201cAve Maria\u201d com todos os teclados bregas (risos). Ficou bem anos 1990, eu escuto hoje em dia e penso \u201cOh, Meu Deus\u201d (risos). Mas enfim, n\u00f3s fizemos e foi divertido.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Chris Cornell - &quot;Can&#039;t Change Me&quot; [Letterman 11\/15\/99]\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rTae7KgcVOI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen title=\"Chris Cornell - \"Can't Change Me\" [Letterman 11\/15\/99]\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando sobre o Eleven, como voc\u00ea v\u00ea o legado da banda hoje em dia? Voc\u00ea tem algo favorito entre tudo que fez com a banda, seja um disco, uma m\u00fasica ou um show?<\/strong><br \/>\nTudo que fiz com a banda realmente \u00e9 um legado para mim. Meu disco favorito \u00e9 o \u201cHowling Book\u201d (2003), quando o Jack (Irons, baterista) voltou \u2013 ele tocou com o Pearl Jam por um tempo. E ent\u00e3o o \u201cAvantgardedog\u201d seria o disco n\u00famero 2 porque foi um per\u00edodo em que o Greg Upchurch nos salvou quando o Jack saiu da banda. O \u201cThunk\u201d \u00e9 especial porque o Matt Cameron se juntou a n\u00f3s para tocar em quatro m\u00fasicas. Quer dizer, apenas poder estar&#8230; O Eleven obviamente \u00e9 a minha coisa favorita, porque era o meu lance com a Natasha, era n\u00f3s criando juntos. O \u201cEuphoria Morning\u201d seria o n\u00famero 2. E depois o nosso per\u00edodo com o Queens of the Stone Age, a minha rela\u00e7\u00e3o com o Josh (Homme) \u2013 o Desert Sessions 7, 8, 9 e 10 e fazer parte do \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2002\/10\/10\/tres-cds-qotsa-the-vines-e-jon-spencer\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Songs for the Deaf<\/a>\u201d (2002), do \u201cLullabies to Paralyze\u201d (2005), e depois tamb\u00e9m o \u201cEra Vulgaris\u201d (2007), em que eu principalmente toquei e mixei. Mas quando a Natasha ficou doente, eu deixei de fazer parte da banda. O Josh \u00e9 muito esperto e ficou preocupado comigo, porque ele n\u00e3o achou que eu fosse conseguir sobreviver com a morte da Natasha. Ent\u00e3o ele me fez ficar muito ocupado imediatamente. Primeiro com o Arctic Monkeys (\u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/01\/12\/como-o-arctic-monkeys-salvou-o-rock\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Humbug<\/a>\u201d, 2009), fazendo capta\u00e7\u00e3o e grava\u00e7\u00e3o com eles. E depois com o Them Crooked Vultures. Isso foi o Josh cuidando do seu amigo para garantir que ele n\u00e3o se matasse (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea falou sobre o Queens of the Stone Stage. Voc\u00eas tocaram no \u201cSongs for the Deaf\u201d, mas acho que estiveram mais presentes no \u201cLullabies to Paralyze\u201d \u2013 voc\u00ea e a Natasha.<\/strong><br \/>\nSim, estivemos mais presentes no \u201cLullabies\u201d, mas tamb\u00e9m toquei em algumas faixas do \u201cSongs for the Deaf\u201d \u2013 e a Natasha tocou teclado e tamb\u00e9m fez a voz da apresentadora mexicana na faixa-t\u00edtulo. Ent\u00e3o n\u00f3s tamb\u00e9m estivemos bastante presentes no \u201cSongs for the Deaf\u201d, mas \u00e9 obviamente o Nick (Olivieri, baixista e vocalista), o Dave (Grohl, baterista), o Josh (Homme, guitarrista e vocalista) e o Lanegan (vocalista em algumas faixas). Mas n\u00f3s est\u00e1vamos l\u00e1 sempre. E, \u00e9 claro, eu escrevi \u201cHanging Tree\u201d para o Desert Sessions, e tamb\u00e9m toquei na vers\u00e3o que entrou no disco (\u201cSongs for the Deaf\u201d). Mas \u00e9, o \u201cLullabies\u201d foi realmente a primeira vez, porque o Nick tinha acabado de sair da banda. E n\u00f3s j\u00e1 \u00e9ramos amigos, acho que o Josh pensou que seria melhor ter algu\u00e9m pr\u00f3ximo. Mas n\u00e3o foi f\u00e1cil, porque eu nunca tinha tocado baixo em um palco antes, eu tocava baixo em casa. N\u00f3s tivemos apenas dois ensaios e sa\u00edmos para tocar com o Queens of the Stone Age. O primeiro show foi no Stubb\u00b4s BBQ, em Austin, no Texas, e o Nick estava no avi\u00e3o a caminho do show e eu perguntei: \u201cQue merda voc\u00ea est\u00e1 fazendo?\u201d (risos). E ele disse: \u201cEu quero ir ver o show\u201d! E eu falei: \u201cPuta merda, n\u00e3o. Voc\u00ea vai me deixar muito nervoso\u201d. E ele respondeu \u201cAh n\u00e3o, pelo menos foi voc\u00ea\u201d. Isso foi muito louco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9, o \u201cLullabies\u201d \u00e9 um disco incr\u00edvel. Acho que para mim \u00e9 o \u00faltimo disco realmente incr\u00edvel da banda.<\/strong><br \/>\nObrigado. Eu amo esse disco e a turn\u00ea que fizemos. Acho que o Queens of the Stone Age comigo, a Natasha, o Josh, o Troy (Van Leewuen, guitarrista) e o Joey (Castillo, baterista), aquele per\u00edodo, os shows de 2005, como o Montreux, Pinkpop e Pukkelpop, com alguns tempos loucos e shows intensos e loucos, s\u00e3o algumas das minhas mem\u00f3rias mais incr\u00edveis sobre o poder de uma banda.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Queens of The Stone Age - Over The Years and Through The Woods\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-NL9Oqupjyg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltando um pouco ao Eleven. Voc\u00ea acha que a banda teve o reconhecimento que deveria? Sempre penso que mais gente deveria saber sobre a banda.<\/strong><br \/>\nO problema \u00e9 que o reconhecimento veio dos nossos colegas, como o Soundgarden, Pearl Jam, e o Queens of the Stone Age, mas n\u00f3s realmente tivemos a pior sorte. Quer dizer, acho que a pior sorte \u00e9 nunca assinar um contrato, mas algumas vezes conseguir um contrato pode ser a pior sorte, quando voc\u00ea tem de lidar com a frustra\u00e7\u00e3o de fazer um disco e ver ele ser lan\u00e7ado sem nenhuma divulga\u00e7\u00e3o. Por exemplo, todos os discos do Eleven se esgotaram rapidamente quando foram lan\u00e7ados, mas eles nunca fizeram mais c\u00f3pias depois. N\u00e3o sei a raz\u00e3o para isso, foram gravadoras diferentes com hist\u00f3rias diferentes. A Morgan Creek nunca foi uma gravadora s\u00e9ria, eles s\u00f3 queriam um lugar para lan\u00e7ar trilha-sonoras, n\u00e3o fizeram nenhuma divulga\u00e7\u00e3o. A Hollywood Records estragou tudo com \u201cReach Out\u201d (single de 1993), a m\u00fasica poderia ter sido enorme, n\u00f3s est\u00e1vamos em r\u00e1dios de metal, no Beavis and Butthead, eles n\u00e3o fizeram nenhuma divulga\u00e7\u00e3o, nenhum impulso. E mesmo n\u00f3s tendo apoiadores muito fortes na gravadora, nunca chegou ao presidente ou algo assim. A A&amp;M teria sido um grande impulso para n\u00f3s, tirando o fato de eles terem desaparecido j\u00e1 que foram comprados pela Universal. E tristemente o Al Cafaro e o David Edery, essas pessoas incr\u00edveis que estavam nos apoiando, tiveram de ir para casa e ent\u00e3o a A&amp;M acabou. E tivemos de esperar cerca de um ano at\u00e9 a Interscope decidir que realmente n\u00e3o iam fazer nada. \u00c9 por isso que com o \u201cHowling Book\u201d (2003) n\u00f3s decidimos fazer tudo por conta pr\u00f3pria. Se n\u00f3s tiv\u00e9ssemos tido a oportunidade de ir para a estrada&#8230; Ali\u00e1s, voc\u00ea n\u00e3o vai acreditar nisso. N\u00f3s abrimos para o Soundgarden, ficamos cerca de dois anos e meio abrindo turn\u00eas diferentes, entrando e saindo, com Jeff Buckley, TAD, Moby, est\u00e1vamos abrindo esses shows incr\u00edveis. Mas de repente n\u00e3o temos mais uma gravadora, n\u00f3s t\u00ednhamos deixado a Hollywood Records e n\u00e3o t\u00ednhamos nenhum dinheiro. Ent\u00e3o o Chris liga e diz: \u201cOk, n\u00f3s vamos fazer uma turn\u00ea na Europa\u201d. E eu disse \u201cMe desculpa, cara, mas n\u00f3s n\u00e3o podemos ir porque n\u00e3o temos dinheiro, gravadora nem nada\u201d. E ele disse: \u201cOh, Ok. J\u00e1 te ligo\u201d. A\u00ed uns 30 minutos depois ele liga de novo e diz: \u201cOk, n\u00f3s vamos fazer uma turn\u00ea\u201d (risos). E perguntei \u201cComo assim, o que aconteceu?\u201d, e ele respondeu \u201cTodo mundo na banda est\u00e1 dando 15 mil d\u00f3lares, ent\u00e3o voc\u00eas t\u00eam 60 mil d\u00f3lares para sair em turn\u00ea conosco. Voc\u00eas podem usar a nossa equipe, nosso \u00f4nibus de turn\u00ea\u201d. Foi incr\u00edvel. Ent\u00e3o imagina isso, o Soundgarden pagou para o Eleven abrir os shows deles (risos). Isso \u00e9 algo que n\u00e3o acontece nunca.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"ELEVEN - Reach Out\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/X4xgT-JziVw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso \u00e9 realmente incr\u00edvel (risos).<\/strong><br \/>\nAh! Antes que eu esque\u00e7a. Quando eu toquei com o Chris no Brasil em 2011 no SWU, o que aconteceu foi o seguinte: n\u00f3s est\u00e1vamos a caminho do festival, e naquele dia teve uma tempestade enorme, ent\u00e3o o festival estava atrasado. N\u00f3s chegamos l\u00e1, e o Peter Gabriel tem uma orquestra gigante, com umas 100 pessoas, o Lynryd Skynryd tamb\u00e9m ia tocar e tudo mais. Ent\u00e3o n\u00f3s chegamos l\u00e1 e o tour manager do Peter Gabriel e o produtor do festival, o chefe, est\u00e3o nos esperando e eles dizem: \u201cChris, n\u00f3s precisamos te pedir um favor. N\u00f3s estamos realmente atrasados e gostar\u00edamos de saber se \u00e9 poss\u00edvel voc\u00ea tocar menos. Voc\u00ea deveria tocar 1 hora, mas voc\u00ea pode tocar 45 minutos?\u201d E o Chris respondeu \u201cVoc\u00ea quer que eu toque por 45 minutos?\u201d (risos). E o Chris olha para mim com um olhar meio estranho e d\u00e1 um sorriso e diz: \u201cTudo bem, eu toco 45 minutos\u201d. E ent\u00e3o eles falaram: \u201cMuito obrigado, voc\u00ea realmente nos ajudou\u201d. E ele falou \u201cSem problemas\u201d. Ent\u00e3o o Chris cortou um pouco o setlist e ent\u00e3o n\u00f3s terminamos a pen\u00faltima m\u00fasica \u2013 n\u00f3s tocamos duas ou tr\u00eas m\u00fasicas juntos e ent\u00e3o ele tocaria a \u00faltima m\u00fasica sozinho. Ent\u00e3o termino a minha \u00faltima m\u00fasica com ele, s\u00f3 falta mais uma para encerrar o set, j\u00e1 ia me preparar para guardar o meu viol\u00e3o cigar box. E ent\u00e3o ele olha para mim no meio da m\u00fasica como se falasse: \u201cN\u00e3o, n\u00e3o guarde o viol\u00e3o\u201d. J\u00e1 fazia 45 minutos que o Chris estava tocando e ele anuncia no microfone: \u201cO meu amigo Alain adoraria tocar uma m\u00fasica dele para voc\u00eas\u201d (risos). Ent\u00e3o ele se senta ao meu lado enquanto toco e todo mundo na lateral do palco est\u00e1 indo \u00e0 loucura, do tipo: \u201cAh n\u00e3o, que merda est\u00e1 acontecendo?\u201d. E o Chris est\u00e1 l\u00e1 sentado, sorrindo, olhando para todo mundo, me pedindo para tocar por 15 minutos. No final, toquei apenas uma m\u00fasica, mas depois disso j\u00e1 tinha sido engra\u00e7ado o bastante, sabe? (risos) Depois de terminar a m\u00fasica, eu falei: \u201cOk, acho que isso j\u00e1 \u00e9 o bastante\u201d, e ele concordou. Mas o Chris era assim, sempre muito divertido e com \u00f3timo senso de humor.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Chris Cornell &amp; Alain Johannes \u25cf Live At SWU 2011 \u2605\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0WlaQpaYxdo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m do Chris, voc\u00ea tamb\u00e9m tocou muito com outro grande vocalista da regi\u00e3o de Seattle, o <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2022\/02\/22\/mark-lanegan-1964-2022\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mark Lanegan<\/a>. Voc\u00eas trabalharam juntos em muitas coisas, incluindo o incr\u00edvel \u201cBlues Funeral\u201d (2012). O Mark j\u00e1 disse que a vida dele na m\u00fasica realmente come\u00e7ou quando ele te conheceu, que voc\u00ea \u00e9 o cara mais talentoso que ele conheceu e que voc\u00ea foi o primeiro a transformar a vis\u00e3o dele em realidade. Como era a rela\u00e7\u00e3o entre voc\u00eas, musical e pessoalmente? O que pensa que fazia com que voc\u00eas se conectassem de maneira t\u00e3o f\u00e1cil e forte?<\/strong><br \/>\nAh, cara, \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil. Tenho sentido muita falta dele, n\u00f3s dever\u00edamos come\u00e7ar a gravar juntos de novo em julho (nota: a entrevista foi feita em junho). Nos falamos uma semana antes de ele falecer. Me lembro da primeira vez&#8230; eu obviamente era f\u00e3 do Mark <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/02\/05\/entrevista-gary-lee-conner\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">por causa do Screaming Trees<\/a>, mas n\u00f3s s\u00f3 nos conhecemos na \u00e9poca do Desert Sessions 7 e 8 (2001), em que ele canta \u201cHanging Tree\u201d. Depois disso, acho que foi em 2002 ou 2003, ele me ligou porque ele queria fazer um cover do The Kinks. Ent\u00e3o ele veio at\u00e9 mim \u2013 eu j\u00e1 tinha o est\u00fadio e tudo mais \u2013 e em tr\u00eas horas n\u00f3s t\u00ednhamos feito essa incr\u00edvel e estranha vers\u00e3o hillbilly de \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=k8O6c45kRaI\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Nothing in This World Can Stop me Worryin\u2019 Bout That Girl<\/a>\u201d. Ent\u00e3o n\u00f3s j\u00e1 sab\u00edamos que t\u00ednhamos essa incr\u00edvel facilidade de comunica\u00e7\u00e3o. Ele estava fazendo o \u201cBubblegum\u201d (2004) e estava trabalhando com o (Chris) Goss. Ent\u00e3o ele me pediu para tocar um lead na m\u00fasica \u201cMetamphetamine Blues\u201d, o que eu fiz, e ele disse: \u201cEu quero fazer mais algumas m\u00fasicas para esse disco. Posso ir at\u00e9 a\u00ed?\u201d. E come\u00e7amos com \u201cMorning Glory Wine\u201d, depois \u201cDriving Death Valley Blues\u201d, \u201cHead\u201d e era apenas eu e ele. Eu tocava todos os instrumentos, fazia a capta\u00e7\u00e3o da grava\u00e7\u00e3o e mixava as m\u00fasicas. Ent\u00e3o n\u00f3s j\u00e1 sab\u00edamos que t\u00ednhamos essa incr\u00edvel facilidade de comunica\u00e7\u00e3o. Era como se ele nem precisasse explicar muito, ele podia apenas me olhar de uma certa maneira \u2013 ou apenas dizer uma palavra ou tocar um pouco de algo que tivesse escrito. E era muito f\u00e1cil para eu me conectar com o que ele queria, sabe? E foi isso que deu in\u00edcio a tudo no \u2018Blues Funeral\u2019. Na faixa \u2018Gravedigger\u2019s Song\u2019, por exemplo, sou apenas eu e ele.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Alain Johannes - Solo with Them Crooked Vultures (Intro by Mark Lanegan RIP)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/aig8--NoXds?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea mencionou antes que tem visitado mais o Chile, seu pa\u00eds natal, nos \u00faltimos tempos. Hoje o pa\u00eds \u00e9 visto, pelo menos por uma parte das pessoas aqui no Brasil e em outros locais da Am\u00e9rica do Sul, imagino, como um farol de esperan\u00e7a talvez.<\/strong><br \/>\nSim, acho que agora com o Boric, t\u00e3o jovem, espero que as coisas comecem a melhorar de forma geral. \u00c9 interessante, eu realmente me identifico e entendo muito sobre esse sentimento quando estou l\u00e1 (no Chile). Me sinto em um lugar hist\u00f3rico, com o qual tenho ra\u00edzes, o ar \u2013 bem, n\u00e3o a fuma\u00e7a (risos), porque Santiago pode ser bem pesada. \u00c9 uma daquelas coisas: me sinto em casa, me sinto feliz quando estou l\u00e1. Mas tamb\u00e9m me sinto feliz na Europa, sempre tento tirar o melhor de onde eu estiver, porque a minha fam\u00edlia viajava pra caralho \u2013 acho que morei em 12 pa\u00edses antes dos 14 anos (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas isso foi por causa do Pinochet ou foi antes da ditadura no Chile?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, isso foi em 1962 (nota: o golpe militar do Chile aconteceu em 1973). Minha av\u00f3 me levou para Zurique quando eu tinha um ano de idade, em 1963. E ent\u00e3o depois a minha m\u00e3e e todo mundo foi na metade dos anos 1960, quando eu j\u00e1 estava l\u00e1. Tamb\u00e9m vivemos no Panam\u00e1 por um ano, porque a minha m\u00e3e tinha um trabalho em uma telenovela (nota: Alain fala essa palavra em espanhol), sabe (risos)? Apenas os latino-americanos podem fazer isso, nada se compara com o levantar da sobrancelha e aquelas m\u00fasicas (nesse momento, Alain cantarola uma m\u00fasica de suspense exagerada). E ent\u00e3o o alien\u00edgena chega e ele \u00e9 o pai, ou algo assim (risos). Ent\u00e3o ficamos no M\u00e9xico entre 1968 e 1974 e me lembro que o sentimento dos anos 1960 e in\u00edcio dos 1970 era muito claro porque a minha m\u00e3e tinha todos esses amigos bo\u00eamios e um toca-discos com \u00e1lbuns do Black Sabbath, Zeppelin, \u201cTommy\u201d (1969) (do The Who), e \u201cJesus Christ Superstar\u201d (1970). Ali\u00e1s, sabe o que \u00e9 muito engra\u00e7ado? N\u00e3o sei se voc\u00ea os conhece. Mas o meu padrasto era um produtor e ele levou um grupo de Carnaval para l\u00e1. E sabe quem mais ele levou e que ficaram conosco? O Secos &amp; Molhados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ah, s\u00e9rio? O Ney Matagrosso? Isso \u00e9 demais.<\/strong><br \/>\nSim (nesse momento Alain come\u00e7a a cantar o refr\u00e3o de \u201cO Vira\u201d, do Secos &amp; Molhados). Eu me sentei com ele na sala de estar e ele come\u00e7ou a cantar e me mostrou como cantar a porra do refr\u00e3o de \u201cO Patr\u00e3o Nosso de Cada Dia\u201d (risos). Eles tocaram no Siempre Domingo, o programa do Raul Velasco. E l\u00e1 foi ele com pouca roupa e a maquiagem do Kiss antes do Kiss. Ele estava deixando todo mundo louco, assustando todo mundo, porque isso foi por volta de 1972, 1973 (nota: a turn\u00ea da banda no M\u00e9xico aconteceu em 1974). Ainda tenho o disco deles, com as cabe\u00e7as na mesa do banquete, tenho a c\u00f3pia que ele me deu. O meu padrasto, que na \u00e9poca achava que era o meu pai e depois descobri que eu tinha um outro pai, ele costumava levar artistas para o M\u00e9xico \u2013 ele tamb\u00e9m era empres\u00e1rio de um cantor argentino da \u00e9poca chamado Palito Ortega. Por isso, me diverti muito no M\u00e9xico. Mas decidi que queria ser um guitarrista de rock, e achava que n\u00e3o devia ficar no M\u00e9xico para isso. Ent\u00e3o a minha tia Frankie, a esposa do meu tio Peter era inglesa e estava vivendo em Laurel Canyon (em Los Angeles). Ent\u00e3o n\u00f3s meio que nos convidamos para passar o ver\u00e3o e eu apenas acabei ficando (risos).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Programa Siempre en Domingos\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/psrVLo8EN6I?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 veio ao Brasil v\u00e1rias vezes, seja com o Chris Cornell, com a sua carreira solo (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/09\/26\/qotsa-em-sao-paulo-impecavel\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">abrindo para o Queens of the Stone Age<\/a>) e com <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/11\/17\/pj-harvey-em-sao-paulo-e-o-velorio-do-mundo-como-forma-de-arte\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a PJ Harvey (no Popload Festival 2017)<\/a>, por exemplo. Por isso, gostaria de saber quais as suas lembran\u00e7as das suas viagens ao pa\u00eds e tamb\u00e9m se houve algo em especial que chamou a sua aten\u00e7\u00e3o \u2013 um lugar, uma comida, uma cidade?<\/strong><br \/>\nAhh, tudo, tudo. Quer dizer, eu cresci com \u00f3timos m\u00fasicos e, obviamente, voc\u00eas tinham (Tom) Jobim e Egberto Gismonti. Sempre me identifiquei com eles, especialmente com o lado blues mais obscuro. As coisas super festivas e alegres&#8230; de qualquer cultura, eu posso escutar, mas n\u00e3o \u00e9 a minha parte favorita. Gosto das coisas obscuras e sofridas (risos). A Bossa Nova e tudo aquilo. E obviamente a comida tamb\u00e9m. N\u00f3s fomos para Porto Alegre, fomos a \u00f3timos restaurantes e sempre que com\u00edamos era algo bonito. Nunca fui ao Rio de Janeiro, apenas para S\u00e3o Paulo e Porto Alegre. Quer dizer, acho que tamb\u00e9m fomos para o lado brasileiro das Cataratas do Igua\u00e7u e \u00e9 realmente muito, muito bonito, \u00e9 muito legal. Adoraria poder passar mais tempo a\u00ed. Gostaria de fazer uma turn\u00ea, mas \u00e9 muito caro. Penso que me divertiria muito fazendo uma turn\u00ea por toda a Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sempre gosto de fazer essa pergunta: por favor me diga tr\u00eas discos que mudaram a sua vida e porque eles fizeram isso.<\/strong><br \/>\nHmm, diria que o primeiro disco que me lembro de mudar a minha vida \u00e9 o \u201cWhite Album\u201d (1968), dos Beatles. Antes disso, eu tinha singles dos Beatles. Comprei o disco assim que saiu, acho que foi em 1967 ou 1968. Mas h\u00e1 algo nesse disco que imediatamente me expandiu de muitas formas diferentes \u2013 isso aconteceu com muitas pessoas, \u00e9 claro. Lembro de pedir para a minha m\u00e3e comprar os singles dos Beatles \u00e0 medida que eles eram lan\u00e7ados \u2013 eu tinha 7 ou 8 anos de idade e j\u00e1 tocava guitarra desde os 4 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro seria o \u201cPhysical Grafitti\u201d (1975), do Led Zeppelin, que representa o som de uma banda, a qu\u00edmica entre todos no Led Zeppelin \u2013 e nesse disco em especial, porque ele soa muito vivo quando voc\u00ea escuta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E para terminar diria algo n\u00e3o esperado, o Fred Frith, com um \u00e1lbum chamado \u201cGravity\u201d (1980). Ele \u00e9 um g\u00eanio de improvisa\u00e7\u00e3o avantgarde e o \u201cGravity\u201d tem muita coisa folk, do leste europeu, em termos de instrumenta\u00e7\u00e3o e composi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea mencionou o \u201cPhysical Grafitti\u201d. Como foi para voc\u00ea sair em turn\u00ea com o John Paul Jones e o Them Crooked Vultures?<\/strong><br \/>\n\u00c9 algo t\u00e3o surreal. Voc\u00ea precisa meio que tentar se controlar. Porque voc\u00ea n\u00e3o pode sair em turn\u00ea estando em uma banda, no palco com o John Paul Jones, e desmaiar todas as noites (risos). N\u00e3o d\u00e1 certo. O que adoro nele \u00e9 que ele \u00e9 um cara muito doce e humilde, mas \u00e9 um tremendo g\u00eanio. E ele adora tocar \u2013 e eu tamb\u00e9m. Ent\u00e3o depois dos shows n\u00f3s fic\u00e1vamos horas fazendo jams no \u00f4nibus, com bandolim e cigar box. Ou ele me falava: \u201cAlain, h\u00e1 uma exposi\u00e7\u00e3o de instrumentos antigos em Boston\u201d e eu dizia \u201cOk\u201d e l\u00e1 \u00edamos n\u00f3s. Ou \u201cAlain, n\u00f3s vamos para a casa do B\u00e9la Flack para uma jam de bluegrass. Vamos l\u00e1!\u201d e eu respondia: \u201cOk, legal, vamos!\u201d. A turn\u00ea inteira foi assim, foi incr\u00edvel.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"THEM CROOKED VULTURES | ROYAL ALBERT HALL\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/f2bVntCUZUw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Olhando para tudo que voc\u00ea fez em sua carreira de mais de 30 anos, do que voc\u00ea tem mais orgulho?<\/strong><br \/>\nAcho que, para al\u00e9m de qualquer coisa em particular, o que tenho mais orgulho \u00e9 de ter conseguido manter minha integridade art\u00edstica e criado conex\u00f5es com m\u00fasicos e artistas incr\u00edveis. E ter podido ajudar no caminho deles e, desta forma, enriquecer a minha vida e o meu caminho, enquanto criador ou ao ajudar essas pessoas a criar. \u00c9 isso que amo sobre a parte de trabalhar com produ\u00e7\u00e3o, grava\u00e7\u00e3o e arranjos e tudo isso, em fazer parte dos discos de outras pessoas: com a minha experi\u00eancia, poder ajud\u00e1-las a alcan\u00e7ar as suas vis\u00f5es, como com o Mark. Isso \u00e9 muito satisfat\u00f3rio para mim. \u00c9 apenas uma vida na m\u00fasica. Eu n\u00e3o gosto de ficar nos holofotes, isso meio que me tira de mim mesmo. Prefiro ficar no processo, me sentir parte de uma fam\u00edlia ou de um contexto de outra pessoa ou de uma equipe. N\u00e3o sei realmente muito sobre todo o estresse da estrutura do ego. S\u00f3 quero ficar no processo e n\u00e3o sentir que cheguei em algum lugar ou que sou alguma coisa. Prefiro n\u00e3o pensar e apenas tentar ser criativo todos os dias \u2013 ou poder estar l\u00e1 para ajudar outra pessoa a ser criativa. N\u00e3o sei, essa \u00e9 uma resposta bastante confusa (risos).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Alain Johannes (Full Live Performance on 2 Meter Sessions)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/x_XIgt3v7fw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Alain Johannes &quot;Here In The Silence&quot; (Official Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/S_cAH5AfdhM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen title=\"Alain Johannes \"Here In The Silence\" (Official Video)\"><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Alain Johannes &quot;If Morning Comes&quot; (Official Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DGoTklW3w20?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen title=\"Alain Johannes \"If Morning Comes\" (Official Video)\"><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"PLANS MAKE GODS LAUGH (A Drift About Alain Johannes)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/93Vkx-dn05c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Unfinished Plan - Alain Johannes Documental\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zc-_u2UmFF4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a>\u00a0\u00e9 autor dos livros \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Somos-Tempestade-Conversas-Sobre-Alternativo\/dp\/8562885339\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00f3s Somos a Tempestade \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo dos EUA<\/a>\u201d e \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Somos-Tempestade-Conversas-Sobre-Alternativo\/dp\/8562885649\/ref=pd_lpo_14_t_0\/145-6204651-9007215?_encoding=UTF8&amp;pd_rd_i=8562885649&amp;pd_rd_r=0e02080e-01a3-422c-9e95-933a79ef9d17&amp;pd_rd_w=qJ5vJ&amp;pd_rd_wg=0obt1&amp;pf_rd_p=6102dabe-0e19-4db6-8e11-875a53ad30be&amp;pf_rd_r=K14PYCR8ZPPETTCCKYMH&amp;psc=1&amp;refRID=K14PYCR8ZPPETTCCKYMH\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00f3s Somos a Tempestade, Vol 2 \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo pelo Mundo<\/a>\u201d, ambos pela Edi\u00e7\u00f5es Ideal. Tamb\u00e9m colabora coma a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vice.com\/pt_br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Vice Brasil<\/a>, o\u00a0<a href=\"https:\/\/cvltnation.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">CVLT Nation<\/a>\u00a0e a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.loudmagazine.net\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Loud!<\/a><\/em>\u00a0<em>A foto que abre o texto \u00e9 de Mikl\u00f3s Pint\u00e9r<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"M\u00fasico nascido no Chile conta sobre o processo de composi\u00e7\u00e3o do seu disco mais recente, \u201cHum\u201d (2020), relembra as passagens pelo Brasil e revela um encontro inusitado com Ney Matogrosso nos anos 1970.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/09\/23\/entrevista-alain-johannes-eleven-fala-sobre-carreira-solo-e-relembra-parcerias-com-chris-cornell-mark-lanegan-e-qotsa\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":88,"featured_media":69798,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[6322,6324,6323,344,414,66],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69792"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/88"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=69792"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69792\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":69811,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69792\/revisions\/69811"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/69798"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=69792"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=69792"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=69792"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}