{"id":69752,"date":"2022-09-22T00:20:54","date_gmt":"2022-09-22T03:20:54","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=69752"},"modified":"2024-11-20T11:21:37","modified_gmt":"2024-11-20T14:21:37","slug":"entrevista-o-cineasta-jose-araripe-jr-fala-sobre-cordel-e-a-serie-no-pais-da-poesia-popular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/09\/22\/entrevista-o-cineasta-jose-araripe-jr-fala-sobre-cordel-e-a-serie-no-pais-da-poesia-popular\/","title":{"rendered":"Entrevista: O cineasta Jos\u00e9 Araripe Jr. fala sobre cordel e a s\u00e9rie &#8220;No Pa\u00eds da Poesia Popular&#8221;, dispon\u00edvel no CineBrasilTV"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existe uma sensa\u00e7\u00e3o de pertencimento que abra\u00e7a o espectador que assiste aos epis\u00f3dios de \u201cNo Pa\u00eds da Poesia Popular\u201d (2022), s\u00e9rie idealizada pelo poeta, escritor e compositor Br\u00e1ulio Tavares, e pelo cineasta Jos\u00e9 Araripe Jr, que assume a empreitada da dire\u00e7\u00e3o dos 13 cap\u00edtulos desta primeira temporada exibida no canal de TV por assinatura CineBrasilTV. A citada sensa\u00e7\u00e3o de pertencimento, ali\u00e1s, abra\u00e7a n\u00e3o somente aqueles que t\u00eam a sorte e o privil\u00e9gio de terem nascido no Nordeste e reconhecem o patrim\u00f4nio cultural impulsionado por sua regi\u00e3o, mas, tamb\u00e9m, a todos os brasileiros atentos \u00e0 exist\u00eancia desses tesouros que ilustram tal patrim\u00f4nio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sua constru\u00e7\u00e3o, a pesquisa de Tavares, que apresenta a s\u00e9rie, em paralelo \u00e0 dire\u00e7\u00e3o de Araripe, traz \u00e0 audi\u00eancia um aprofundamento did\u00e1tico dos diversos significados de express\u00f5es art\u00edsticas como o cordel, a xilogravura, a cantoria, o folheto, o repente, a conta\u00e7\u00e3o e, claro, a poesia. O resultado, ao final de cada epis\u00f3dio de 30 minutos, d\u00e1 ao p\u00fablico uma ideia do qu\u00e3o intensa e valorosa \u00e9 tal cultura, bem como nos abre as portas para tornar tal abra\u00e7o de pertencimento ainda mais caloroso quando nos permitimos ir al\u00e9m da s\u00e9rie, buscando conhecer mais e mais seus temas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vale frisar que o adjetivo &#8220;did\u00e1tico&#8221; utilizado aqui n\u00e3o surge de maneira a classificar como entediante ou enfadonho o modo como Araripe e Tavares optaram por construir a estrutura narrativa dos epis\u00f3dios. O diretor explica: &#8220;Antes de tudo, eu quis fazer uma obra de legado did\u00e1tico. Porque as pessoas fogem dessa coisa do did\u00e1tico. Julgam o did\u00e1tico chato. N\u00e3o! O did\u00e1tico \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o que n\u00f3s temos com a cultura. Principalmente de fazer uma viagem. Ent\u00e3o, a partir da\u00ed, a minha linguagem era um \u2018on the road\u2019. Eu tento fazer uma &#8216;conta\u00e7\u00e3o&#8217; a partir do movimento. Importante viajar. Importante mostrar que aquilo acontece em muitos lugares e em uma velocidade que eles vivem &#8220;, pontua Araripe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa estrutura \u2018on the road\u2019, 17 cidades brasileiras foram visitadas e diversas fontes entrevistadas. Pessoas da velha guarda, como o m\u00fasico Bule-Bule, al\u00e9m de nomes mais contempor\u00e2neos, como o poeta Lirinha e o cantor e compositor Lenine, s\u00e3o destaque nas entrevistas capitaneadas por Araripe. Em cada um dos 13 epis\u00f3dios dessa primeira temporada (a segunda j\u00e1 est\u00e1 confirmada), um tema diferente dentro das v\u00e1rias possibilidades do cordel, do repente, da cantoria, dentre outras abordagens dessa express\u00e3o que vai do social ao humor, passando pela fantasia, pela fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e pelo rom\u00e2ntico. Trata-se de um mergulho profundo nas v\u00e1rias nuances da poesia.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-69755\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Cartaz-No-Pais-da-Poesia-Popular-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"859\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Cartaz-No-Pais-da-Poesia-Popular-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Cartaz-No-Pais-da-Poesia-Popular-copiar-262x300.jpg 262w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na riqueza de suas fontes, a s\u00e9rie adentra no Brasil fazendo jus ao seu nome que, de modo preciso, o define como o pa\u00eds da poesia popular. A poesia que se mostra de v\u00e1rias formas, com diversos alcances e cunhos sociais, com seu vi\u00e9s cr\u00edtico e politizado, mas, acima de tudo, soberana como poesia, como frisa o diretor Jos\u00e9 Araripe Jr. &#8220;O cordel \u00e9 extremamente ligado \u00e0 cr\u00edtica social. Voc\u00ea vai encontrar em todos os g\u00eaneros que a gente apresenta uma preocupa\u00e7\u00e3o sempre muito forte de se analisar e se criticar a realidade. Ent\u00e3o, independente do lugar onde aquele cordel seja produzido, seja na capital do pa\u00eds ou em uma pequena cidade do interior da Para\u00edba, voc\u00ea vai encontrar o poeta preocupado em descrever a realidade de forma direta,&#8221; explica o diretor. Nos v\u00e1rios tipos de cordel, diversas camadas dessa interpreta\u00e7\u00e3o em seu cunho social se fazem presentes. Mas a soberania po\u00e9tica \u00e9 a prioridade dentre todas essas camadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;\u00c9 como uma pessoa que est\u00e1 antenada nas quest\u00f5es urgentes do dia a dia, mas, tamb\u00e9m, traz uma bagagem de entender que a cultura se transforma. Para essa pessoa, \u00e9 mais f\u00e1cil n\u00e3o ser radical. Mais f\u00e1cil ter mais camadas. Com essas camadas, o trabalho pode ficar mais consistente. Porque coloca-se todas as camadas. Tem a camada cr\u00edtica, tem a camada mais hist\u00f3rica. Antes de tudo, a poesia tem que ser soberana. A poesia n\u00e3o pode ser apenas um instrumento para discurso. Porque quando \u00e9 um instrumento s\u00f3 para discurso, ela perde for\u00e7a, ela se esvazia&#8221;, alerta Araripe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Poeta, escritor, tradutor e compositor, Br\u00e1ulio Tavares demonstra em sua pesquisa para No \u201cPa\u00eds da Poesia Popular\u201d um dom\u00ednio valoroso dessa cultura. Natural de Campina Grande, na Para\u00edba, ele \u00e9 o nosso guia pelas viagens tanto pelas cidades do nordeste, quanto por Rio e S\u00e3o Paulo, locais que a s\u00e9rie tamb\u00e9m visitou. Conhecendo as possibilidades e alcance da poesia pelo Brasil, a s\u00e9rie consegue construir pontes que denotam a for\u00e7a da uni\u00e3o de sua arte. Para Araripe, amigo de Br\u00e1ulio desde os anos 1970, quando ambos apresentavam Teatro de Cordel no Vila Velha (conhecido palco localizado no Centro de Salvador), \u201cNo Pa\u00eds da Poesia Popular\u201d serve como uma homenagem fraterna ao poeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Esse projeto nasce de um desejo que eu tinha, de uma admira\u00e7\u00e3o muito grande e um respeito por Br\u00e1ulio Tavares. \u00c9 uma esp\u00e9cie de homenagem que eu tento fazer a um mestre. Esse grande intelectual brasileiro. Um dos maiores artistas que existem no Brasil. Apesar dele ser um grande roteirista de filmes, de programas de TV e de ser um parceiro de grandes m\u00fasicos brasileiros, ele \u00e9, antes de tudo, um profundo conhecedor dessa cultura que ele conhece p\u00e9 no ch\u00e3o na cidade de Campina Grande, onde nasceu, um centro incr\u00edvel onde isso acontece naturalmente. Essa obra, ent\u00e3o, \u00e9 para sagrar a intelig\u00eancia desse g\u00eanio. Isso \u00e9 para entregar ao mundo a for\u00e7a e o talento desse cara. Esse mensageiro da poesia popular&#8221;, explica Araripe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A s\u00e9rie tem novos epis\u00f3dios sempre aos domingos, 22h30, no CineBrasilTV (<a href=\"https:\/\/www.cinebrasil.tv\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.cinebrasil.tv<\/a>). Reprises acontecem durante a semana. Para o Scream &amp; Yell, o cineasta Jos\u00e9 Araripe Jr. concedeu essa entrevista aprofundando o tema e o modo de constru\u00e7\u00e3o de \u201cNo Pa\u00eds da Poesia Popular\u201d. Leia abaixo!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Estreia de Setembro - No Pa\u00eds da Poesia Popular\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/XemEllewOPc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lembro-me de, h\u00e1 dois anos, conversar com Antonio N\u00f3brega sobre &#8220;Brincante&#8221;, filme de Walter Carvalho, sobre o aspecto l\u00fadico das obras oriundas da poesia e das cantorias. Ele, inclusive, \u00e9 uma das fontes entrevistas na s\u00e9rie &#8220;No Pa\u00eds da Poesia&#8221; Para voc\u00ea, como esse aspecto se relaciona com o cordel?<\/strong><br \/>\nO l\u00fadico est\u00e1 ligado principalmente a essa capacidade da oralidade. A cantoria, a literatura de cordel, a &#8220;conta\u00e7\u00e3o&#8221; de romance, tudo que tem uma base na m\u00e9trica e na rima, tudo isso tende a ser l\u00fadico. Porque \u00e9 feito para entreter. \u00c9 feito para chamar aten\u00e7\u00e3o. Exige a concentra\u00e7\u00e3o de quem est\u00e1 assistindo. E existe processos de sedu\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, essa musicalidade da oralidade termina sendo oferecida como ritmo, tamb\u00e9m. N\u00e3o somente o conte\u00fado. A forma, a maneira de narrar ou de contar, com a ajuda da pulsa\u00e7\u00e3o da rima, por assim dizer, acaba oferecendo \u00e0 leitura de um folheto uma musicalidade que n\u00e3o depende do viol\u00e3o. J\u00e1 a cantoria depende de um ritmo que est\u00e1 ligado a um g\u00eanero. Esse g\u00eanero pode ser o bai\u00e3o ou um martelo agalopado, ou outro tipo de ritmos, como o martelo alagoano, por exemplo. Ent\u00e3o, existe, sim, uma tradi\u00e7\u00e3o da oralidade. Muitos dizem que o cordel chega ao Brasil pelos portugueses e espanh\u00f3is. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 quem afirme com muito mais assertividade que se trata de uma tradi\u00e7\u00e3o vinda dos \u00e1rabes, dos judeus. Na segunda temporada da s\u00e9rie, inclusive, vamos explorar essa variedade de formas de poesia rimada que tem no mundo inteiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;No Pa\u00eds da Poesia&#8221; nasce de uma pesquisa feita pelo escritor, poeta e compositor, Br\u00e1ulio Tavares. Como foi levar o seu olhar de diretor para traduzir esse estudo de Br\u00e1ulio?<\/strong><br \/>\nEu e Br\u00e1ulio nos conhecemos h\u00e1 muitos anos. Fizemos teatro de cordel no Teatro Vila Velha (tradicional teatro localizado no centro de Salvador) no final dos anos 1970 com Jo\u00e3o Augusto Azevedo. No Teatro Vila Velha, havia um n\u00facleo forte com Bemvindo Sequeira, Harildo Deda, Sonia dos Humildes. Grandes veteranos. E n\u00f3s \u00e9ramos os jovens. E nos un\u00edamos \u00e0quilo para fazer o teatro de cordel tanto no palco como na rua. E eram todos baseados em folhetos. O folheto pode ser o de 16 p\u00e1ginas ou o de 32 p\u00e1ginas, sendo que, normalmente, o de 32 \u00e9 o romance. Tem um monte de tipo. E \u00e9 justamente o que d\u00e1 origem aos 13 epis\u00f3dios. Cada epis\u00f3dio da s\u00e9rie \u00e9 sobre um tipo de cordel. O cordel \u00e9 considerado a poesia da bancada. Aquilo que \u00e9 escrito e que o poeta tem um tempo para fazer. Diferente da cantoria, onde ela \u00e9 improvisada a partir de um mote do p\u00fablico. Agora, a poesia de cordel, apesar de ser considerada nos meios liter\u00e1rios mais da elite como uma literatura mais vulgar, ela \u00e9 extremamente r\u00edgida em suas formas e suas regras. Voc\u00ea tem as sextihas, as septilhas, os decassilabos. E \u00e9 tudo com muita matem\u00e1tica, digamos assim. Ent\u00e3o, nasce de um desejo que eu tinha, de uma admira\u00e7\u00e3o muito grande e um respeito por Br\u00e1ulio Tavares. Essa s\u00e9rie, na verdade, \u00e9 uma esp\u00e9cie de homenagem que tento fazer a um mestre. Esse grande intelectual brasileiro. Um dos maiores artistas que existem no Brasil. Nascido em Campina Grande, um artista que tem essa bagagem org\u00e2nica. Essa n\u00e3o \u00e9 a minha bagagem org\u00e2nica. Apesar de eu ser filho de cearense, n\u00e3o \u00e9 a minha bagagem. Mas \u00e9 a bagagem org\u00e2nica de Br\u00e1ulio Tavares. E ele dedica boa parte da sua vida intelectual a isso. Apesar de ser um intelectual que traduz fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, um dos maiores autores da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, algu\u00e9m premiado internacionalmente. Apesar de ele ser um grande roteirista de filmes, de programas de TV e de ser um parceiro de grandes m\u00fasicos brasileiros, de ter belas can\u00e7\u00f5es gravadas por grandes m\u00fasicos brasileiros, ele \u00e9, antes de tudo, um profundo conhecedor dessa cultura que ele conhece p\u00e9 no ch\u00e3o na cidade de Campina Grande, onde nasceu, um centro incr\u00edvel onde isso acontece naturalmente. Essa obra, ent\u00e3o, \u00e9 para sagrar a intelig\u00eancia de um g\u00eanio brasileiro. Isso \u00e9 para entregar ao mundo a for\u00e7a, a intelig\u00eancia e o talento desse cara. Esse mensageiro da poesia popular.<\/p>\n<figure id=\"attachment_69754\" aria-describedby=\"caption-attachment-69754\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-69754 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Bule-Bule-e-Araripe-Foto-Lis-Schwabacher-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"528\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Bule-Bule-e-Araripe-Foto-Lis-Schwabacher-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Bule-Bule-e-Araripe-Foto-Lis-Schwabacher-copiar-300x211.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Bule-Bule-e-Araripe-Foto-Lis-Schwabacher-copiar-120x85.jpg 120w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-69754\" class=\"wp-caption-text\"><em>Bule-Bule e Jos\u00e9 Araripe Jr. \/ Foto de Lis Schwabacher<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Percebo na estrutura do document\u00e1rio que voc\u00ea buscou n\u00e3o ceder tanto ao formato &#8220;talking heads&#8221;, trazendo inser\u00e7\u00f5es musicais e autores de cordel com seus trabalhos. Como se deras essas escolhas?<\/strong><br \/>\nAntes de tudo, eu quis fazer uma obra de legado did\u00e1tico. Porque as pessoas fogem dessa coisa do did\u00e1tico. Julgam o did\u00e1tico chato. N\u00e3o! O did\u00e1tico \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o que n\u00f3s temos com a Cultura. Principalmente de fazer uma viagem. Ent\u00e3o, a partir da\u00ed, a minha linguagem era um &#8220;on the road&#8221;, certo? Eu tento fazer uma &#8220;conta\u00e7\u00e3o&#8221; a partir do movimento. Importante viajar. Importante mostrar que aquilo acontece em muitos lugares e em uma velocidade que eles vivem. Elem vivem viajando. A vida deles, a profiss\u00e3o deles, s\u00f3 funciona se eles viajarem. \u00c9 assim desde o tempo da antiguidade, porque eles precisam levar as not\u00edcias. Eles precisam contar as hist\u00f3rias. Eles precisam ouvir e ver novas hist\u00f3rias. E isso se faz com o p\u00e9 na estrada. Ent\u00e3o, essa constru\u00e7\u00e3o do personagem que \u00e9 Br\u00e1ulio, que vai viajando por aqueles lugares com a mala, a mala do folheteiro, que \u00e9 um s\u00edmbolo do vendedor de folheto, s\u00e3o modos diferentes. O folheteiro viaja para vender o trabalho que, \u00e0s vezes, pode ser dele, mas, tamb\u00e9m, pode ser de muitos outros poetas. Uma esp\u00e9cie de livreiro. \u00c0s vezes, \u00e9 livreiro e editor, mas ele vai para vender o trabalho de muitos poetas. J\u00e1 o cantador, ele vai, normalmente com uma dupla, para vender o pr\u00f3prio trabalho. Ent\u00e3o, h\u00e1 uma diferen\u00e7a a\u00ed. Mas as estruturas, vamos dizer, dos versos, \u00e9 praticamente a mesma. \u00c9 aquilo que relativo \u00e0 m\u00e9trica e \u00e0 rima, \u00e0s silabas, tudo isso obedecendo a uma cultura muito r\u00edgida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas selecionaram uma lista grande de pessoas para participar como fontes entrevistadas. Como foi esse processo?<\/strong><br \/>\nEssa pesquisa foi um trabalho de Br\u00e1ulio. Eu acrescento durante o processo, mas esse tracking da pesquisa \u00e9 dele. Porque o que me interessava como diretor era levar o mundo de Br\u00e1ulio, esse fant\u00e1stico mundo de Br\u00e1ulio, para o espectador. E assim, o meu papel foi de tentar tirar o m\u00e1ximo dele, o m\u00e1ximo de indica\u00e7\u00f5es poss\u00edveis. Tanto os cl\u00e1ssicos, porque voc\u00ea vai encontrar poetas de 80, 90 anos, poetisas que j\u00e1 est\u00e3o pr\u00f3ximas aos 100 anos. Voc\u00ea vai encontrar jovens que est\u00e3o renovando o ambiente. E n\u00e3o s\u00f3 o ambiente do cordel, mas o ambiente da cantoria. Voc\u00ea vai encontrar artistas famosos, como Lirinha, como Lenine. Poetas que j\u00e1 faleceram, mas que de alguma forma continuam sendo trabalhados por seus filhos, como o baiano Rodolfo Coelho Cavalvante. Seu filho, Ismoca (Isaias Cavalvante), que tamb\u00e9m j\u00e1 \u00e9 um anci\u00e3o, leva aquilo adiante. Voc\u00ea vai encontrar um Bule-Bule, que \u00e9 um \u00edcone da nossa Bahia, e um cantador dos mais queridos no Brasil. N\u00e3o tem um lugar que a gente chegue que algu\u00e9m n\u00e3o pergunte: &#8220;Cad\u00ea Bule-Bule?&#8221; Quer dizer, ele acabou sendo um \u00edcone. \u00c9 um \u00edcone tanto pela qualidade quanto pela forma com a qual ele cria sua arte. Voc\u00ea vai encontrar, tamb\u00e9m, muitas mulheres importantes fazendo literatura de cordel. Voc\u00ea vai encontrar muitos jovens que transitam entre os quadrinhos, as ilustra\u00e7\u00f5es, e o cordel. Entre a xilogravura e o cordel. Porque h\u00e1 uma tradi\u00e7\u00e3o que a gente n\u00e3o esqueceu nessa s\u00e9rie que \u00e9 o encontro entre cantoria, cordel e xilogravura. \u00c9 o momento em que a xilogravura passa a se popularizar no Brasil a partir da capa do cordel. Se n\u00e3o fosse a capa do cordel, a xilogravura n\u00e3o tinha ganho no Brasil o status de arte contempor\u00e2nea que tem hoje, de arte que frequenta museus. Temos a presen\u00e7a do maior de todos, J. Borges. N\u00f3s fomos at\u00e9 Bezerros, em Pernambuco, para entrevist\u00e1-lo em seu est\u00fadio. Ele tamb\u00e9m \u00e9 cordelista. Porque tem essa coisa do Lenine, por exemplo, que s\u00f3 tem a obra que tem, hoje, e ele fala isso na entrevista, porque ele e um grupo de jovens bebiam na literatura de cordel. Ent\u00e3o, faltou muita gente importante? Faltou. Muito que a gente n\u00e3o conseguiu, na verdade. N\u00e3o tinha agenda. Um exemplo foi o Moraes Moreira, que \u00e9 um cordelista recente. Ele, nos \u00faltimos anos de sua vida, assumiu um lado cordelista. Mas n\u00e3o conseguimos marcar com ele uma entrevista.<\/p>\n<figure id=\"attachment_69753\" aria-describedby=\"caption-attachment-69753\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-69753 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Braulio-Tavares-Foto-Divulgacao-captura-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Braulio-Tavares-Foto-Divulgacao-captura-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Braulio-Tavares-Foto-Divulgacao-captura-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-69753\" class=\"wp-caption-text\"><em>Braulio Tavares \/ Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim. Na ocasi\u00e3o de sua morte, lembro-me de ter lido sobre sua experi\u00eancia nesse campo.<\/strong><br \/>\nExatamente. Moraes Moreira tinha esse lado. Enfim, n\u00f3s vamos, tamb\u00e9m, encontrar editores jovens. Um cara que a partir do cordel, montou uma editora. E eles vendem muito cordel porque h\u00e1 um decreto que foi da \u00e9poca do governo Lula que transformou a literatura de cordel em patrim\u00f4nio imaterial. E a\u00ed foi aberto, via Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, a demanda de cordel na sala de aula. Ent\u00e3o, o cara faz um livro de cordel com uma tiragem de 100 mil exemplares. Acaba vendendo muito mais do que um g\u00eanio da literatura que tenha ganhado o pr\u00eamio Jabuti, por exemplo. Inclusive, o pr\u00eamio Jabuti j\u00e1 premia cordel, tamb\u00e9m. O pr\u00f3prio Br\u00e1ulio j\u00e1 ganhou o Jabuti. Voc\u00ea vai encontrar Kl\u00e9visson Viana e Arievaldo Viana, que s\u00e3o dois irm\u00e3os do Cear\u00e1. Tamb\u00e9m s\u00e3o desenhistas de quadrinhos. Tem tamb\u00e9m o St\u00e9lio Torquato, que \u00e9 um professor que se dedica a adaptar cl\u00e1ssicos da literatura universal. Inclusive, cl\u00e1ssicos da literatura infantil. J\u00e1 existem mais de 70 t\u00edtulos com esse tipo de adapta\u00e7\u00e3o. A adapta\u00e7\u00e3o passou a ser, inclusive, uma coisa muito exigida pela pr\u00f3pria escola ou pelas editoras. Tem adapta\u00e7\u00f5es da obra de Shakespeare em cordel. Existe cordel com 18 mil estrofes. Uma obra de cordel com 18 mil estrofes! \u00c9 um mundo t\u00e3o incr\u00edvel que vamos fazer uma segunda temporada porque chegamos \u00e0 conclus\u00e3o que n\u00e3o demos conta da metade. Que n\u00e3o fomos justos com muitas pessoas importantes. E a migra\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 uma quest\u00e3o muito ligada \u00e0 nossa s\u00e9rie. Porque o cordel faz com que as pessoas migrem. N\u00f3s fomos para Rio e S\u00e3o Paulo. Poderia soar estranho: &#8220;P\u00f4, voc\u00eas foram para Rio e S\u00e3o Paulo?&#8221; Sim. Fomos para Rio e S\u00e3o Paulo. Visitamos 17 cidades brasileiras. Quer\u00edamos ter ido para mais, mas por uma quest\u00e3o de or\u00e7amento, foram 17 cidades. E voc\u00ea vai encontrar no Rio, al\u00e9m da feira de S\u00e3o Cristov\u00e3o, l\u00e1 conhecida como a Feira do Para\u00edba, e, tamb\u00e9m, como Centro Luiz Gonzaga de Tradi\u00e7\u00f5es Nordestinas. Ali \u00e9 um universo onde a cantoria e o cordel existem como unidade. Pessoas que se encontram todos os dias. No Rio, est\u00e1, tamb\u00e9m, a Academia Brasileira de Literatura de Cordel. Depois n\u00f3s fomos a S\u00e3o Paulo, onde voc\u00ea tem dezenas de personagens fazendo a literatura de cordel se tornar popular de diversas formas. A gente encontrou o Lirinha l\u00e1 em S\u00e3o Paulo, e ele faz uma conex\u00e3o muito interessante com essa coisa dos movimentos novos que come\u00e7am a surgir. N\u00e3o conseguimos captar bem, mas vamos fazer isso na segunda temporada, quando abordaremos o slam. \u00c9 um movimento de poesia cantada das mulheres. A quest\u00e3o do rap e do coco (popular ritmo musical do Norte e do Nordeste brasileiros). A quest\u00e3o do ritmo e da poesia que apesar de n\u00e3o ter as regras r\u00edgidas, mas \u00e9 muito parecida com o coco, que \u00e9 muito popular no Nordeste e tamb\u00e9m em S\u00e3o Paulo. Isso foi um universo que nessa primeira temporada n\u00e3o conseguimos captar como gostar\u00edamos, mas pretendemos abordar em uma segunda temporada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na sua opini\u00e3o, qual a import\u00e2ncia do cordel enquanto express\u00e3o de influ\u00eancia cr\u00edtica social e pol\u00edtica para o povo brasileiro?<\/strong><br \/>\nO cordel \u00e9 extremamente ligado \u00e0 cr\u00edtica social. Voc\u00ea vai encontrar em todos os g\u00eaneros que a gente apresenta uma preocupa\u00e7\u00e3o sempre muito forte de se analisar e se criticar a realidade. Ent\u00e3o, independente do lugar onde aquele cordel seja produzido, seja na capital do pa\u00eds ou em uma pequena cidade do interior da Para\u00edba, voc\u00ea vai encontrar o poeta preocupado em descrever a realidade de forma direta que \u00e9 quando ele faz o Jornal do Sert\u00e3o, como o cordel \u00e9 conhecido. Por muito tempo, as pessoas n\u00e3o tinham acesso ao jornal e o folheto vendia 40, 50 mil unidades em 3, 4 dias em uma capital como Recife. Cada folheto daquele ia para o interior levado por uma pessoa. Chegava no lugar onde as pessoas n\u00e3o sabiam ler. E algu\u00e9m lia aquilo que seria a vers\u00e3o popular de fatos como a chegada homem na lua, o tri campeonato, o assassinato de Kennedy, a morte de Getulio Vargas, ou seja, o papel do cordel como um instrumento de an\u00e1lise da realidade, da informa\u00e7\u00e3o. E da cr\u00edtica, da s\u00e1tira. No humor do cordel, voc\u00ea j\u00e1 vai encontrar o tempo inteiro a forma provocativa de jogar sal nas feridas da sociedade. Principalmente uma sociedade quase feudal, patriarcal. Uma sociedade ainda olig\u00e1rquica na maioria do sert\u00e3o. E aquilo \u00e9 um instrumento de luta. \u00c0s vezes, at\u00e9 circulando de uma que forma que deixa de circular no papel. Algu\u00e9m l\u00ea em uma reuni\u00e3o e um membro da fam\u00edlia normalmente se encarrega de decorar aquilo, que passa de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o sem existir o papel, s\u00f3 contado por pessoas que muitas vezes nem sabem ler. N\u00e3o tiveram a oportunidade de aprender. As gera\u00e7\u00f5es mais atuais, principalmente as mulheres, elas tamb\u00e9m est\u00e3o fazendo do cordel as trincheiras de suas lutas, que s\u00e3o urgentes, que resgatam o tempo em que elas nem podiam escrever cordel. N\u00f3s temos um epis\u00f3dio que fala sobre a mulher no cordel e a gente vai ficar sabendo que o primeiro cordel escrito por uma mulher no Brasil, a autora assinou como se fosse um homem. E que n\u00e3o \u00e9 incomum isso no mundo inteiro, n\u00f3s fizemos uma pesquisa e vimos que v\u00e1rios lugares na Inglaterra, na Fran\u00e7a, em v\u00e1rios lugares, muitas mulheres escreviam sob um pseud\u00f4nimo masculino, porque a sociedade e as editoras n\u00e3o vinham aquilo como algo pudesse atrair, que pudesse ser respeitado. E o feminismo est\u00e1 muito presente nesse cordel mais contempor\u00e2neo produzido pelas mulheres. Assim como tem mulheres, j\u00e1 senhoras, que fazem um mix das duas coisas. Ao mesmo tempo em que elas est\u00e3o antenadas com as lutas contempor\u00e2neas, elas, tamb\u00e9m, s\u00e3o mensageiras da cultura do cordel no sentido mais amplo. Por exemplo, o cordel de fantasia, que \u00e9 um cordel muito presente. O cordel que conta o sobrenatural, por exemplo. Aquele que conta as grandes fa\u00e7anhas dos guerreiros e personagens \u00e9picos, libertadores. \u00c9 como se fosse, digamos, uma pessoa da minha idade que est\u00e1 antenada nas quest\u00f5es urgentes do dia a dia, mas, tamb\u00e9m, traz uma bagagem de entender que a cultura se transforma. Ent\u00e3o, para a gente, \u00e9 mais f\u00e1cil n\u00e3o ser radical. Mais f\u00e1cil ter mais camadas, e com essas camadas, o nosso trabalho pode ficar mais consistente. Porque a gente bota todas as camadas. Tem a camada cr\u00edtica, tem a camada mais hist\u00f3rica. Antes de tudo, a poesia tem que ser soberana. A poesia n\u00e3o pode ser apenas um instrumento para discurso. Porque quando ela \u00e9 um instrumento s\u00f3 para discurso, ela perde for\u00e7a, ela se esvazia. Assim como o cinema, tamb\u00e9m. Isso \u00e9 uma coisa que eu penso desde a adolesc\u00eancia. Aquela coisa do panfleto. Tem muita gente hoje fazendo filme s\u00f3 com a preocupa\u00e7\u00e3o de atender \u00e0s agendas. E a\u00ed se perde a for\u00e7a que o cinema proporciona enquanto poesia, enquanto del\u00edrio, enquanto fantasia. Todos n\u00f3s somos seres ideol\u00f3gicos, politizados. Ent\u00e3o, a obra n\u00e3o precisa ser um panfleto expl\u00edcito. A obra tem que trazer nos seus personagens essas grandes quest\u00f5es sociais, esses conflitos. Tentar ver nos personagens, e n\u00e3o exatamente na obra, para que aquilo n\u00e3o pare\u00e7a que foi feito para dar conta de uma apenas coisa, de um panfleto.<\/p>\n<figure id=\"attachment_69757\" aria-describedby=\"caption-attachment-69757\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-69757 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Lenine-Foto-Divulgacao-captura-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Lenine-Foto-Divulgacao-captura-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Lenine-Foto-Divulgacao-captura-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-69757\" class=\"wp-caption-text\"><em>Lenine \/ Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde e assina o blog\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pel\u00edcula Virtual<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A s\u00e9rie conta com 13 epis\u00f3dios em sua primeira temporada. Novos epis\u00f3dios sempre aos domingos, 22h30, no CineBrasilTV (www.cinebrasil.tv). Reprises acontecem durante a semana.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/09\/22\/entrevista-o-cineasta-jose-araripe-jr-fala-sobre-cordel-e-a-serie-no-pais-da-poesia-popular\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":69756,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9,3,7496],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69752"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=69752"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69752\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":69762,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69752\/revisions\/69762"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/69756"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=69752"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=69752"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=69752"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}