{"id":69705,"date":"2022-09-20T03:32:32","date_gmt":"2022-09-20T06:32:32","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=69705"},"modified":"2022-11-09T23:33:05","modified_gmt":"2022-11-10T02:33:05","slug":"entrevista-josyara-fala-sobre-adeusdara-um-disco-que-bota-a-dor-e-os-bichos-para-fora-mas-tambem-sabe-que-namorar-e-bom","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/09\/20\/entrevista-josyara-fala-sobre-adeusdara-um-disco-que-bota-a-dor-e-os-bichos-para-fora-mas-tambem-sabe-que-namorar-e-bom\/","title":{"rendered":"Entrevista: Josyara fala sobre \u201c\u00c0deusdar\u00c1&#8221;, um disco que &#8220;bota a dor e os bichos para fora, mas tamb\u00e9m sabe que namorar \u00e9 bom&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/trsobrinho\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Thiago Sobrinho<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo nos segundos iniciais de \u201c<a href=\"https:\/\/josyara.lnk.to\/AdeusdarA\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00c0deusdar\u00c1<\/a>\u201d (2022, Deck), novo \u00e1lbum de Josyara e sucessor do \u00f3timo \u201cMansa F\u00faria\u201d (2018), a baiana questiona: \u201cQuem sustentar\u00e1 o meu sentimento? Quem se importar\u00e1 com a minha dor?\u201d. A for\u00e7a pol\u00edtica dos versos de \u201cladoAlado\u201d, faixa que abre o segundo \u00e1lbum da cantora, compositora e produtora, tamb\u00e9m ganha o acr\u00e9scimo da pot\u00eancia da soteropolitana Margareth Menezes. \u201cSou muito f\u00e3 da Margareth. Acredito muito no trabalho dela. E tem o lugar da magia da voz dela na can\u00e7\u00e3o, que foi pra mim o que fez a can\u00e7\u00e3o brilhar\u201d, orgulha-se a cantora acerca da parceria com uma das principais vozes negras do Pa\u00eds e \u00edcone ofuscado da ax\u00e9 music.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a baiana Josyara, ter Maga ao seu lado simboliza ter um porto seguro. Mais do que isso: um abrigo que a juazeirense de 30 anos buscou para lan\u00e7ar ao mundo o primeiro \u00e1lbum em que assume a posi\u00e7\u00e3o de produtora musical. \u00c9 que Josy, al\u00e9m de compor e tocar viol\u00e3o, assina os arranjos e a dire\u00e7\u00e3o do trabalho. Segundo ela, esse foi um caminho que surgiu no contexto da pandemia. Durante o per\u00edodo, encontrou no computador um aliado na hora de compor. \u201cEu ca\u00ed de cabe\u00e7a. Estudei algumas coisas, fiz cursos online e comecei a meter a m\u00e3o na massa. Fui fazendo, experimentando, compondo com bases. Enfim, mexendo na m\u00fasica de uma outra maneira porque sempre tive ali a voz e viol\u00e3o\u201d, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O resultado desse mergulho s\u00e3o beats eletr\u00f4nicos acompanhados de seu viol\u00e3o, t\u00e3o marcante em \u201cMansa F\u00faria\u201d, que ganharam a companhia de elementos percussivos assinados pelo parceiro musical \u00cdcaro S\u00e1. \u201cNesse disco, a percuss\u00e3o \u00e9 muito importante. Ela fala e conta tudo. Mas assim, sinto que ela complementa\u201d, esmi\u00fa\u00e7a a artista que contou tamb\u00e9m com a ajuda dos percussionistas Jadson Xabla, Gabriel Santana, Larissa Braga, Yasmin Reis, Lorena Caroline e Alana Gabriela al\u00e9m de SekoBass, que produz e toca baixo em \u201cBilhetinho&#8221;, &#8220;Melancia&#8221; e &#8220;Essa Cobi\u00e7a&#8221;. Essas duas \u00faltimas faixas, respectivamente, ganham as guitarras de Junix11 (BaianaSystem), produtor de \u201cMansa F\u00faria\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trabalho, gravado entre Salvador, Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo, tamb\u00e9m conta com a participa\u00e7\u00e3o dos instrumentistas Vanessa Melo (arranjos de sopro e clarone), Daniela N\u00e1tali (clarinete), Gabriela Wara (obo\u00e9), Ana Karina Sebasti\u00e3o (baixo na faixa \u201cMAMA\u201d), Andr\u00e9 Vasconcellos (baixo e baixo synth) e Lucas Martins (fx synth em \u201cOuro &amp; Lama\u201d). E, em meio a toda essa alquimia, Josyara canta \u2013 e faz cr\u00edticas \u2013 sobre o momento pol\u00edtico e ambiental do Pa\u00eds e compartilha suas dores. Mas tudo isso acontece, de acordo com ela, sem esquecer os prazeres da vida e as possibilidades que ir\u00e3o se desvendar com o futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 um disco que vive o luto e chora, mas ele tamb\u00e9m fala tamb\u00e9m que o amanh\u00e3 vai vir. Ele bota a dor e os bichos para fora, mas tamb\u00e9m sabe festejar, sabe que namorar \u00e9 bom\u201d, conta a artista em entrevista ao Scream &amp; Yell em que fala sobre temas como racismo, o seu processo criativo e o lugar da mulher na produ\u00e7\u00e3o musical, al\u00e9m de compartilhar a ansiedade para se apresentar no palco do Primavera Sound. O festival acontece entre os dias 31 de outubro e 6 de novembro, em S\u00e3o Paulo. \u201cEstou animada e curiosa pra ver como vai ser. N\u00e3o s\u00f3 a receptividade do p\u00fablico, como tamb\u00e9m as coisas que eu vou assistir. Nunca vi um show internacional grande. Vai ser a primeira vez que eu vou curtir\u201d, adianta ela no bate-papo que pode lido abaixo na \u00edntegra.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Josyara - ladoAlado\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_dKhH_Xn3VM?list=PLkR60XtwFcNlr7Bvkhf_UGQdnERoNt00m\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ei Josyara, como est\u00e3o as coisas? Acabou de lan\u00e7ar o seu novo \u00e1lbum em um show no Sesc Pompeia. Como que foi e como est\u00e1 reverberando essa primeira apresenta\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nNossa Senhora! Est\u00e1 tudo muito intenso. As coisas ainda est\u00e3o, para mim, assentando e tomando corpo. O show fez com que o disco nascesse de forma real. Foi muito especial. Senti que a m\u00fasica chegou naquelas pessoas que estavam ali naquele show. E foi bem interessante perceber que, depois de tanto tempo de trabalho, o neg\u00f3cio tomando esse corpo todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como \u00e9 pra voc\u00ea ver essas novas m\u00fasicas entrando numa apresenta\u00e7\u00e3o ao vivo, dividindo espa\u00e7o com composi\u00e7\u00f5es que j\u00e1 estavam no seu repert\u00f3rio h\u00e1 algum tempo?<\/strong><br \/>\nEsse show que est\u00e1 ainda tomando essa cara, mas \u00e9 o show do disco. Cantamos todas as m\u00fasicas na ordem do \u00e1lbum. A gente trouxe tamb\u00e9m uma releitura do Chiclete com Banana. Trouxe tamb\u00e9m uma dessas refer\u00eancias que eu aponto no disco, sonoramente de po\u00e9tica. E tamb\u00e9m o que eu fiz foi trazer o &#8220;Mansa F\u00faria&#8221; em voz e viol\u00e3o. Cantei algumas m\u00fasicas nesse formato para resgatar um pouco esse in\u00edcio. Mas cantei o (novo) disco inteiro. Foram s\u00f3 duas m\u00fasicas do &#8220;Mansa F\u00faria&#8221;, mas quis trazer o formato que iniciou. O formato que fez o &#8220;Mansa F\u00faria&#8221; nascer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando do seu novo trabalho&#8230; \u00c9 o seu segundo\u2026? H\u00e1 uma diverg\u00eancia a\u00ed se \u00e9 o segundo ou o terceiro, n\u00e9?<\/strong><br \/>\nPois \u00e9. Eu falo que \u00e9 o segundo porque oficialmente, em termos de acesso e tudo, s\u00e3o dois que eu tenho. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/05\/23\/musica-estreite-reune-giovani-cidreira-e-josyara-em-excelente-disco\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tenho um projeto especial com o Giovani (Cidreira), o EP &#8220;Estreite&#8221;<\/a>. Mas o meu primeiro, primeiro mesmo, que \u00e9 o &#8220;Universo&#8221;, que volta e meia eu cito, de fato existiu. Mas ele n\u00e3o est\u00e1 nas plataformas de streaming. De fato, o &#8220;Mansa F\u00faria&#8221; eu considero o primeiro porque ele me colocou em outro lugar profissional. Tanto da parte digital de distribui\u00e7\u00e3o como tamb\u00e9m de abrir espa\u00e7os maiores. E \u00e9 isso. O &#8220;Universo&#8221; \u00e9 muito antigo, de 2011 ou 2012. O &#8220;Mansa F\u00faria&#8221; conseguiu sintetizar e arrematar o meu momento e que conta essa trajet\u00f3ria toda minha na m\u00fasica. Gosto de dizer que \u00e9 o segundo por causa disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi criar esse disco novo e de que forma ele se encaixa no trabalho que voc\u00ea vem construindo desde o in\u00edcio da sua carreira?<\/strong><br \/>\nEsse disco come\u00e7ou na quest\u00e3o do isolamento, da pandemia, sem poder fazer shows e encontrar as pessoas para inspirar e criar. Tive ali uma nova ferramenta: o computador. Eu ca\u00ed de cabe\u00e7a. Estudei algumas coisas, fiz cursos online e comecei a meter a m\u00e3o na massa. Fui fazendo, experimentando, compondo com bases. Enfim, mexendo na m\u00fasica de uma outra maneira porque sempre tive ali a voz e viol\u00e3o. Tinha, como posso dizer, tempo para poder ouvir a abertura de viol\u00f5es e fazer a abertura de vozes, sabe? Foi de um estudo musical e art\u00edstico que acabou nascendo o disco e a necessidade de lan\u00e7\u00e1-lo tamb\u00e9m. Porque n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 criar, mas tamb\u00e9m ver que era importante para mim e para minha carreira ter esse registro do que foi o momento hist\u00f3rico mundial, a pandemia, o que eu estava fazendo nesse momento. \u00c9 a jun\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias coisas: da minha criatividade que pulsou, a vontade de uma autonomia em termos de produ\u00e7\u00e3o e arranjo. Ter mais seguran\u00e7a nas coisas que eu quero. E tamb\u00e9m experimentar sonoridades. Foi um espa\u00e7o que eu pude me debru\u00e7ar e repetir e cansar e voltar e desistir. Enfim, foi muito profundo esse disco. Esse lugar de eu estar muito solit\u00e1ria, apesar de ter pessoas que colaboraram e gravaram e tudo mais. Mas assim, foi um processo inicial muito solit\u00e1rio. Eu acho que realmente foi um passo que eu dei.<\/p>\n<figure id=\"attachment_69707\" aria-describedby=\"caption-attachment-69707\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-69707 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/CAPA_Josyara_AdeusdarA-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/CAPA_Josyara_AdeusdarA-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/CAPA_Josyara_AdeusdarA-copiar-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/CAPA_Josyara_AdeusdarA-copiar-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-69707\" class=\"wp-caption-text\"><em>Capa de \u201c\u00c0deusdar\u00c1\u201d, de Josyara<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E de que maneira ele se encaixa na sua trajet\u00f3ria?<\/strong><br \/>\nAcho que ele se encaixa no que j\u00e1 \u00e9. Pelo menos assim, em compara\u00e7\u00e3o ao &#8220;Mansa F\u00faria&#8221;, essas can\u00e7\u00f5es foram existindo tamb\u00e9m em experimenta\u00e7\u00f5es, mas, claro, em voz e viol\u00e3o. Acho que o que conta na trajet\u00f3ria \u00e9 o novo. \u00c9 o meu jeito de criar, que \u00e9 muito trabalhando e colocando a m\u00e3o na massa, acho que nessa coisa de artesanato, de pegar e fazer. E tamb\u00e9m na coisa do desejo do novo: de transformar e me apegar muito \u00e0s coisas. \u00c9 uma coisa que fala muito de mim e da forma que eu crio at\u00e9 o momento, que \u00e9 meio que desapegando mesmo e querendo fazer uma coisa que eu estou acreditando ali.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E esses mergulho nas m\u00e1quinas, nos plug-in e nos synths? H\u00e1 sentimentos e mensagens que foram desbloqueadas com essa nova forma de composi\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nCom certeza. Gosto muito de timbres, afina\u00e7\u00f5es diferentes. Pensando nessa coisa do viol\u00e3o, por exemplo, quando eu mudo a afina\u00e7\u00e3o, isso j\u00e1 me inspira a compor e a criar uma linha de riff. Isso tamb\u00e9m vale para o computador e aqueles sons novos. Ao inv\u00e9s de perder muito tempo e a fluidez da inspira\u00e7\u00e3o compondo s\u00f3 no viol\u00e3o porque eu n\u00e3o estou acertando, eu fa\u00e7o um loop aqui e consigo ter mais fluidez na melodia, por exemplo. Posso trazer um novo tipo de campo, porque tenho ali a m\u00e1quina me ajudando e eu posso ali s\u00f3 cantar. Isso me ajudou a crescer nesse sentido da m\u00fasica. Ent\u00e3o com certeza, me inspirou e me ajudou a enxergar a m\u00fasica de outro jeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 um equil\u00edbrio bacana nesse seu novo \u00e1lbum entre elementos org\u00e2nicos e eletr\u00f4nicos. Como voc\u00ea o conseguiu?<\/strong><br \/>\nA coisa se deu muito pela ideia. Quando o disco, a pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o, mostrava um disco, eu comecei esse conceito, essas ideias mais fixas que se apresentam no disco, como percuss\u00e3o, por exemplo, foi encarando e fazendo escolhas. &#8220;Ah, eu quero percuss\u00e3o&#8221;. Ent\u00e3o eu chamei o \u00cdcaro S\u00e1 para poder fazer essa pr\u00e9 comigo. Ele fez a dire\u00e7\u00e3o e os arranjos tamb\u00e9m. Acho que foi nas escolhas e acreditando nelas. E, claro, com essa p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o, com outra coisa de edi\u00e7\u00e3o, foi dando essa medida. Foi fazendo essa alquimia acontecer. Mas foi isso: eu tinha um todo, propondo, inclusive, coisas de percuss\u00f5es, que a\u00ed \u00cdcaro trouxe essa parte org\u00e2nica e humana. E j\u00e1 tinha certeza que queria beat porque eu queria mostrar que eu estava fazendo beat. Foi um pouco isso. Eu poderia chamar uma baterista e tudo, mas eu falei: &#8220;N\u00e3o. \u00c9 isso que eu quero. Quero que seja meu beat e minhas programa\u00e7\u00f5es&#8221;. E foram escolhas que foram moldando com as participa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o papel do \u00cdcaro nisso tudo? O que voc\u00ea deve a ele desse \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nDevo, enfim, acho que a coisa da cara do disco. A percuss\u00e3o \u00e9 o conceito dele. Como o &#8220;Mansa F\u00faria&#8221; se fala muito do viol\u00e3o, e, de fato, foi uma escolha, nesse \u00e9 isso: a percuss\u00e3o. A percuss\u00e3o vai aparecer, ela vai soar alto. Ent\u00e3o, \u00cdcaro foi fundamental nesse sentido porque ele trouxe o estudo, a diversidade da nossa m\u00fasica, da m\u00fasica africana, das possibilidades r\u00edtmicas junto do meu viol\u00e3o e aquela programa\u00e7\u00e3o. Ele foi um grande colaborador, juntamente do Seko Bass, que co-produziu tr\u00eas faixas. S\u00e3o pessoas que estiveram junto comigo, me ouvindo muito bem e fazendo com que aquela m\u00fasica tomasse a sua propor\u00e7\u00e3o desejada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A gente pode falar que seu disco anterior \u00e9 um trabalho onde o viol\u00e3o \u00e9 protagonista e neste novo a percuss\u00e3o est\u00e1 l\u00e1 na frente?<\/strong><br \/>\n\u00c9. Acho que a percuss\u00e3o \u00e9 o elemento especial. \u00c9 o que d\u00e1, talvez, essa liga, esse equil\u00edbrio que voc\u00ea cita do eletr\u00f4nico, da coisa feita picotada. A percuss\u00e3o \u00e9 o elemento que une todas essas coisas, todos os sons. \u00c9 a unidade ali. Ent\u00e3o, acho que nesse disco a percuss\u00e3o \u00e9 muito importante. Ela fala e conta tudo. Mas assim, eu sinto que ela complementa. Tem m\u00fasica que ela soa como complemento e n\u00e3o est\u00e1 ali com arranjo todo. Sei l\u00e1, depende muito de cada m\u00fasica, de cada trajeto do disco. O diferencial dele \u00e9, eu sinto, que foi meu jeito de compor. De compor no computador. Se for para dizer \u00e9: eletr\u00f4nica e percuss\u00e3o, obviamente com meu viol\u00e3o presente ali.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea e \u00cdcaro se conhecem h\u00e1 muito tempo?<\/strong><br \/>\nConhe\u00e7o o \u00cdcaro desde os meus 14 anos. Eu nem morava em Salvador ainda. Quando fui morar, um ano depois que a gente se conheceu, a gente passou a se encontrar e a amizade foi acontecendo. A gente se conhece h\u00e1 muito tempo. J\u00e1 tocamos juntos v\u00e1rias vezes. Ele j\u00e1 esteve presente em v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es da minha vida. E foi muito bom reencontr\u00e1-lo nesse lugar mais seguro, mais profissional meu. E nos palcos tamb\u00e9m. Porque no lan\u00e7amento ele tamb\u00e9m estava presente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ter essa percuss\u00e3o no seu \u00e1lbum remete, de alguma forma, a sua ancestralidade?<\/strong><br \/>\nCom certeza. Tem esse lugar africano que existe na nossa musicalidade como um todo. Tem meu lugar \u00edntimo de buscar isso em mim, nas minhas ra\u00edzes, nas coisas que me tocam. Escuto muita m\u00fasica brasileira, afro-brasileira e baiana. E sempre me tocou os tambores, a percuss\u00e3o, a m\u00fasica do terreiro. Sempre me tocou tudo isso. Acho que essa busca minha de entender como compositora, produtora e arranjo. Essa busca faz parte disso tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nessa busca de se entender, como \u00e9 essa quest\u00e3o de se reconhecer como uma mulher negra, uma artista negra que est\u00e1 lan\u00e7ando um \u00e1lbum pela Deck e tudo o mais?<\/strong><br \/>\nEsse processo de racializa\u00e7\u00e3o, comigo, no meu processo pessoal, levou-se um tempo. Eu n\u00e3o venho de uma fam\u00edlia negra retinta. O meu pai \u00e9 negro de pele escura e eu tenho uma tia negra de pele clara. Essa coisa do colorismo, da miscigena\u00e7\u00e3o toda. Para mim, que cresci numa fam\u00edlia majoritariamente branca, tanto com tra\u00e7os quanto de cor de pele, j\u00e1 tem um tempo. As coisas que eu fui entendendo que foi racismo e n\u00e3o \u00e9 um racismo de uma pessoa retinta, mas que est\u00e1 ali velado. O meu processo foi esse. Com o tempo, comigo mesma, buscando, lendo, conversando. N\u00e3o tive, digamos, um ber\u00e7o familiar que me introjetasse: &#8220;Olha, voc\u00ea \u00e9 uma mulher negra&#8221;. Eu tive que descobrir isso. Acho que \u00e9 muito dif\u00edcil nessa estrutura que temos de Pa\u00eds, imagina, 300 anos de escraviza\u00e7\u00e3o dos povos africanos, ent\u00e3o, de fato, o distanciamento do que \u00e9 ruim, do que \u00e9 feio, que \u00e9 um corpo descart\u00e1vel, voc\u00ea v\u00ea que ele n\u00e3o \u00e9 bem visto. Pensando que eu me enxergo e reconhecendo todo esse trajeto de inf\u00e2ncia e de como eu me cobro tamb\u00e9m. Como nesse disco a autocr\u00edtica transbordou. Ela foi anormal. N\u00e3o foi na dosagem. Ent\u00e3o, por que disso tamb\u00e9m, n\u00e9? Poxa, eu fechei com a Deck. \u00c9 o meu primeiro disco que eu estou produzindo. Eu n\u00e3o quero, na gravadora, que soe ruim. Sabe, assim? Claro que todo mundo ali, o pr\u00f3prio Rafa (Ramos), que fez a dire\u00e7\u00e3o art\u00edstica, me encorajou e estava comigo. Mas isso t\u00e1 muito no nosso corpo. E encarar isso foi a maior dificuldade nesse processo: a autocr\u00edtica, a inseguran\u00e7a que est\u00e1 muito ali na raiz dos nossos corpos, infelizmente. A gente est\u00e1 ali na resist\u00eancia, na luta, tive a coragem de lan\u00e7ar o meu disco com todas as incertezas que a cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica nos coloca. Se for para dizer desse lugar, a maior dificuldade foi enfrentar esses monstros que a sociedade brasileira nos empurra enquanto mulher, negra, nordestina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E trazer Margareth Menezes nesse \u00e1lbum \u00e9 uma forma de ter um porto seguro? N\u00e3o s\u00f3 uma homenagem, mas ter uma refer\u00eancia.<\/strong><br \/>\nCom certeza. Foi uma homenagem, uma honra e tudo. A m\u00fasica fez todo o sentido ter a voz e a presen\u00e7a dela. Ter um lugar hist\u00f3rico do ax\u00e9 music, que Margareth enquanto uma grande cantora e compositora ficou ali de escanteio midiaticamente. A gente sabe muito porque: por ser uma mulher negra e cantar a cultura africana na Bahia, cantar m\u00fasicas de religi\u00f5es africanas. E foi uma jun\u00e7\u00e3o disso tudo. Sou muito f\u00e3 dela. Acredito muito no trabalho dela. E tem o lugar da magia da voz dela na can\u00e7\u00e3o, que foi pra mim o que fez a can\u00e7\u00e3o brilhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E esse contato com ela? Voc\u00eas j\u00e1 se conheciam? Voc\u00ea escreveu essa m\u00fasica pensando j\u00e1 que teria um feat ou surgiu?<\/strong><br \/>\nEssa foi a primeira m\u00fasica que comecei a mexer e a fazer beat. Quando ela tomou sentido, achei que deveria ter Margareth. Foi uma coisa assim muito que eu intui e fiquei com isso na cabe\u00e7a por muito tempo. Quando eu fiz o convite, a m\u00fasica ainda estava&#8230; j\u00e1 tinha gravado a percuss\u00e3o, mas tinha uma parte da letra incerta. Quando ela topou, eu fiz o contato ali virtual mesmo, a gente j\u00e1 tinha nos encontrado em ocasi\u00f5es e tudo, a\u00ed eu fiz o convite e ela aceitou. E quando ela aceitou, eu conclu\u00ed a m\u00fasica. Terminei e arredondei pensando nela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Queria que voc\u00ea falasse das letras. Elas mostram um certo desprendimento das coisas ruins da vida. Mas ao mesmo tempo, voc\u00ea canta se abrir ao desconhecido. Mesmo com tanta dor, voc\u00ea acha que esse \u00e9 um disco otimista?<\/strong><br \/>\nOlha, \u00e9 um disco que se for para dizer o ciclo dele, ele vive o luto, ele chora, mas ele tamb\u00e9m fala tamb\u00e9m que o amanh\u00e3 vai vir. Ele bota a dor e os bichos para fora, mas tamb\u00e9m sabe festejar, sabe que namorar \u00e9 bom. E \u00e9 isso. \u00c9 um pouco da vida. Acho que como fiz esse disco muito no processo pand\u00eamico, busquei muito isso: a import\u00e2ncia disso, de a gente viver o luto e chorar, mas que sem amor n\u00e3o tem rebeldia. Se a gente n\u00e3o for carnavalizado, a gente n\u00e3o tem for\u00e7a para enfrentar certas coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como viver no Pa\u00eds e num mundo de hoje sem amor e esperan\u00e7a?<\/strong><br \/>\nAcho que, de uma certa maneira, a gente vai encontrando nossos territ\u00f3rios, nossas fam\u00edlias, os la\u00e7os afetuosos. Eu me sinto sortuda, privilegiada, por ter uma rede de pessoas numa cidade que n\u00e3o \u00e9 minha. Ter sa\u00eddo duas vezes, na verdade, uma vez de Juazeiro e outra de Salvador. Ent\u00e3o, n\u00e3o sei pra onde vou agora, se fico aqui em S\u00e3o Paulo ou se vou voltar. Acho que o importante s\u00e3o as redes mesmo. E n\u00e3o \u00e9 um lugar de se fechar numa bolha e ver nada. Mas entender que essa bolha \u00e9 importante para a gente se resguardar e enfrentar esse dia a dia severo que a gente tem nesse Pa\u00eds de muita viol\u00eancia, de muita apreens\u00e3o das coisas e tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 quanto tempo voc\u00ea est\u00e1 fora de casa?<\/strong><br \/>\nFora de Juazeiro s\u00e3o 15 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E vivendo em S\u00e3o Paulo, principalmente durante a pandemia, quais foram os seus suportes al\u00e9m de aprender a mexer com as m\u00e1quinas e fazer esse mergulho que voc\u00ea fez?<\/strong><br \/>\nOlha, acho que foi a parceria e o amor de Marisa, que \u00e9 minha namorada, minha esposa. Acho que quando a coisa come\u00e7ou a se entender de como se proteger do que \u00e9 isso. Uma amiga querida minha \u00e9 minha vizinha, e eu tenho essa sorte de se encontrar e se falar. A rede social, que de certa maneira j\u00e1 estava inserida ali na minha vida profissional e pessoal, ficou um pouco mais intensa. Isso foi salvando. Poder trocar com as pessoas, mesmo que seja virtualmente. E estar em S\u00e3o Paulo foi muito dif\u00edcil. Claro que se eu tivesse em Salvador, na beira do mar ou do rio (seria mais f\u00e1cil). A\u00ed que a gente v\u00ea a import\u00e2ncia de estar perto da natureza. Foi dif\u00edcil, mas sobrevivemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pensa em voltar para a Bahia?<\/strong><br \/>\nSempre. Todo dia (risos). Mas s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es. \u00c9 uma coisa muito sazonal. O ver\u00e3o \u00e9 um lugar que eu consigo estar e trabalhar em Salvador e voltar. E as coisas pulsam de outra forma. \u00c9 um pouco um vai e vem. \u00c9 uma vida meio cigana. N\u00e3o me vejo a vida toda aqui nem me vejo a vida toda l\u00e1.<\/p>\n<figure id=\"attachment_69709\" aria-describedby=\"caption-attachment-69709\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-69709 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/mansafuria.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/mansafuria.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/mansafuria-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/mansafuria-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-69709\" class=\"wp-caption-text\"><em>&#8220;Mansa F\u00faria&#8221;, de Josyara<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fico admirado com esse per\u00edodo do disco em que voc\u00ea se tornou uma produtora. Li em entrevistas suas que no seu primeiro \u00e1lbum voc\u00ea n\u00e3o teve muito controle nas quest\u00f5es das escolhas. E sempre que converso com artistas mulheres, ou\u00e7o esse mesmo relato e vejo elas tomando o mesmo caminho que voc\u00ea.<\/strong><br \/>\nTem esse lugar hist\u00f3rico da m\u00fasica brasileira de sempre tirar o cr\u00e9dito da mulher. Se ela \u00e9 compositora, ela n\u00e3o assina a composi\u00e7\u00e3o. Ou ela acaba dividindo a composi\u00e7\u00e3o com o produtor ou o seu marido, que seja. Voc\u00ea v\u00ea ali as tantas compositoras que temos e quantas foram boicotadas. Voc\u00ea v\u00ea a C\u00e1tia de Fran\u00e7a, ela contou que uma vez ela teve um disco todo gravado e n\u00e3o foi lan\u00e7ado. Para mim, se eu sou uma instrumentista e uma cantora, eu s\u00f3 vou conseguir crescer no que estou fazendo, se eu tiver pr\u00e1tica de est\u00fadio, puder ter essa liberdade de cria\u00e7\u00e3o. Sinto que temos muitas produtoras e que esse machismo todo n\u00e3o permite e que acaba n\u00e3o exercitando. E voc\u00ea desconfia de voc\u00ea mesma. &#8220;Ah, ser\u00e1 que estou certa? O cara \u00e9 produtor h\u00e1 30 anos e tal e ele disse isso, mas eu quero isso&#8221;. E voc\u00ea come\u00e7a a se desvalorizar. Se desvalorizar n\u00e3o, porque desvalorizam a gente e come\u00e7amos a entrar em crises. Somos produtoras dos nossos trabalhos h\u00e1 muito tempo. De saber o que a gente quer e tudo. A gente tem, claro, parceiros. N\u00e3o andamos sozinhas. \u00c9 muito foda porque \u00e9 muito real. Ainda h\u00e1 processos que muitos caras que det\u00eam esse poder, seja por ser famoso ou muito bom no que faz, que n\u00e3o permite que aquela ideia seja acatada ou fala de um jeito que diminui, sabe? Porque assim&#8230; Acho que \u00e9 muito f\u00e1cil os caras trabalharem entre si. Acho que eles trabalham muito bem. Eles trocam e aceitam as coisas. O cara pode ser experimental pra caralho que o outro cara vai achar massa. Ou aquela nota ali subtonando, e eles v\u00e3o achar lindo. Claro, eu estou generalizando e passando por cima. Mas com a gente, o nosso corpo fica ali retra\u00eddo. Sinto que a gente est\u00e1 mudando isso. Vejo muitas mulheres assumindo as produ\u00e7\u00f5es e dire\u00e7\u00f5es. Acho que o enfrentamento muito da hist\u00f3ria mesmo de n\u00e3o ser aceit\u00e1vel isso. N\u00e3o d\u00e1 mais para ficar nessa posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse \u00e1lbum, vai ser tamb\u00e9m para voc\u00ea uma esp\u00e9cie de cart\u00e3o de visitas. Tipo: &#8220;Olha, esse \u00e1lbum eu quem produzi, gravei. Quem quiser trabalhar comigo, esse \u00e9 meu trampo&#8221;?.<\/strong><br \/>\nOlha, eu acho que sim. Tanto que insisto muito em falar que eu fui a produtora. \u00c9 muito importante. Acho que \u00e9 isso. Se, naturalmente, algu\u00e9m ouviu o disco e est\u00e1 ali escancarado que eu quem produzi e quiser trocar comigo, eu puder colaborar, acho que \u00e9 isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea se v\u00ea produzindo outros artistas?<\/strong><br \/>\nTenho o desejo de fazer essas parcerias. Tanto de composi\u00e7\u00e3o quanto de produ\u00e7\u00e3o. Fiz a coprodu\u00e7\u00e3o de uma faixa do novo disco de Anelis Assumpc\u0327a\u0303o, que vai sair neste ano. Um disco que ela traz mulheres para coproduzir com elas. O nome do disco se chama &#8220;Sal&#8221; (https:\/\/www.kickante.com.br\/financiamento-coletivo\/disco-4-de-anelis-assumpcao-sal).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como est\u00e3o os planos a partir de agora? Voc\u00ea tem shows marcados. Toca no Primavera Sound S\u00e3o Paulo. Queria saber da expectativa de estar nesse festival.<\/strong><br \/>\nTemos alguns shows fora da cidade de S\u00e3o Paulo. Tem o Festival MADA, em Natal, que acontece em outubro. A\u00ed vou fazer um voz e viol\u00e3o no Circo Voador, no Rio. Vai ser um show mais especial. Vou reunir m\u00fasicas do &#8220;Mansa F\u00faria&#8221; e vai ser mais uma mistura. E o Primavera Sound. Um palco grande. Artistas mundiais. \u00c9 interessante. Estou animada e curiosa pra ver como vai ser. N\u00e3o s\u00f3 a receptividade do p\u00fablico, como tamb\u00e9m as coisas que eu vou assistir. Nunca vi um show internacional grande. Vai ser a primeira vez que eu vou curtir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vai chamar a Margareth para uma participa\u00e7\u00e3o no seu show no Primavera Sound?<\/strong><br \/>\nPoxa&#8230; Tentaremos. Se ela puder (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E agora? O que voc\u00ea pretende fazer? Queria saber quais s\u00e3o seus pr\u00f3ximos passos e qual mensagem voc\u00ea quer transmitir com sua arte a partir de agora.<\/strong><br \/>\nAgora \u00e9 pensar muito no palco e no show. Desejo muito tocar nos festivais, circular em espa\u00e7os interessantes. Viajar para outros pa\u00edses tamb\u00e9m, sabe? Eu gosto do palco. Sou uma artista do palco. Quero circular e amadurecer esse show tocando. Esse \u00e9 meu desejo inicial. Acho que de composi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o estou pensando muito. A n\u00e3o ser que venha alguma coisa ou trabalho espec\u00edfico que me incentive fazer alguma coisa. Mas \u00e9 um pouco isso: trabalhar esse show, a circula\u00e7\u00e3o e tentar verba e parceria para fazer clipes.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Josyara - ladoAlado\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_dKhH_Xn3VM?list=OLAK5uy_mBCFOe6aF6RugoWZkif0tjALm_08OJJ5c\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Josyara - 01 Aprecia\u00e7\u00e3o (Mansa F\u00faria - 2018)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/CV3AXBP6TsE?list=PLkR60XtwFcNmdPD7UD73xwsuaEf4DI8F5\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Palma -  Josyara e Giovani Cidreira\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/XrQQ1zNYVos?list=OLAK5uy_kxG-27BPNS9-TocIfVQ_fdLUSQeBsY7h4\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"#Telefonemas - Josyara\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4BzmSXR44Vg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<div class=\"entry-content\">\n<p><em>\u2013 Thiago Sobrinho (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/trsobrinho\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fb.trsobrinho<\/a>) \u00e9 jornalista do A Tribuna em Vit\u00f3ria, Esp\u00edrito Santo.<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;\u00c9 um disco que se for para dizer o ciclo dele, ele vive o luto, ele chora, mas ele tamb\u00e9m fala tamb\u00e9m que o amanh\u00e3 vai vir. Ele bota a dor e os bichos para fora, mas tamb\u00e9m sabe festejar, sabe que namorar \u00e9 bom. E \u00e9 isso. \u00c9 um pouco da vida&#8221;, diz a baiana.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/09\/20\/entrevista-josyara-fala-sobre-adeusdara-um-disco-que-bota-a-dor-e-os-bichos-para-fora-mas-tambem-sabe-que-namorar-e-bom\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":59,"featured_media":69708,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[3591],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69705"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/59"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=69705"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69705\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":69714,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69705\/revisions\/69714"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/69708"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=69705"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=69705"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=69705"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}