{"id":69335,"date":"2022-09-13T04:04:07","date_gmt":"2022-09-13T07:04:07","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=69335"},"modified":"2022-11-09T23:32:33","modified_gmt":"2022-11-10T02:32:33","slug":"entrevista-terminal-guadalupe-lanca-seu-quarto-disco-agora-e-sempre-apos-15-anos-buscando-novos-caminhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/09\/13\/entrevista-terminal-guadalupe-lanca-seu-quarto-disco-agora-e-sempre-apos-15-anos-buscando-novos-caminhos\/","title":{"rendered":"Entrevista: Terminal Guadalupe retorna ap\u00f3s 15 anos e lan\u00e7a seu quarto disco, &#8220;Agora e Sempre&#8221;,  buscando novos caminhos"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marcelo.costa.5855\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Terminal Guadalupe est\u00e1 de volta. Ok, caso voc\u00ea n\u00e3o seja leitor das \u201cantigas\u201d do Scream &amp; Yell, o que de certa forma pode entregar alguns cabelos brancos, e n\u00e3o acompanhou a incr\u00edvel cena indie brasileira dos anos 00, talvez n\u00e3o entenda o qu\u00e3o saboroso \u00e9 escrever \u201ca Terminal Guadalupe est\u00e1 de volta\u201d. Ou talvez voc\u00ea seja uma pessoa an\u00f4nima, como aquele garoto que escreveu um e-mail ao Scream &amp; Yell em 2009 lamentando \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/04\/17\/blog-do-editor-quando-uma-banda-que-voce-ama-acaba\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">quando uma banda que a gente ama acaba<\/a>\u201d para dizer que estava arrasado com o fim da Terminal Guadalupe. De qualquer forma, n\u00e3o \u00e9 para soltar roj\u00f5es mesmo, mas sim para dedicar um tempo e dar play em \u201c<a href=\"https:\/\/tratore.ffm.to\/agoraesempre\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Agora e Sempre<\/a>\u201d, registro de can\u00e7\u00f5es novas que re\u00fane 3\/4 da banda <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/01\/18\/o-futuro-do-rock-nacional\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que era o futuro do rock nacional<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Surgida em Curitiba nos primeiros anos do novo s\u00e9culo como um projeto solo do m\u00fasico Dary Jr. para a trilha de um curta-metragem, \u201c<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/rock_curitiba.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Burocracia Rom\u00e2ntica<\/a>\u201d (2003), a Terminal Guadalupe logo virou uma banda encorpada e com personalidade devido a chegada de Allan Yokohama (guitarra, viol\u00e3o, programa\u00e7\u00f5es e voz), Fabiano Ferronato (bateria) e Rubens K (baixo), forma\u00e7\u00e3o que lan\u00e7ou o excelente \u201cVc Vai Perder o Ch\u00e3o\u201d (2005) e o elogiado e obrigat\u00f3rio \u201cA Marcha dos Invis\u00edveis\u201d (2007), uma das p\u00e9rolas pop daqueles anos dif\u00edceis, um disco genial cuja resposta positiva da cr\u00edtica da \u00e9poca n\u00e3o impediu que a banda se separasse em 2009 (um dos \u00faltimos registros da TG, o EP \u201cO Tempo Vai Nos Perdoar\u201d, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/04\/29\/terminal-guadalupe-para-download\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">est\u00e1 abrigado no selo do site)<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passado mais de 10 anos, os parceiros Dary e Allan voltaram a se falar, e a pandemia acabou os aproximando (ainda que um estivesse em Curitiba e o outro em Olh\u00e3o, Portugal): \u201cEu e o Dary decidimos fazer uma dessas lives para nos divertirmos um pouco. (&#8230;) O repert\u00f3rio e as hist\u00f3rias trouxeram aquela nostalgia e dias depois est\u00e1vamos compondo material novo\u201d, revela Allan na entrevista abaixo, realizada via conversa em grupo no Whatsapp, aplicativo respons\u00e1vel pelas primeiras trocas de ideias que resultaram no quarto \u00e1lbum de in\u00e9ditas da Terminal Guadalupe, \u201cAgora e Sempre\u201d \u2013 sem contar a colet\u00e2nea \u201cGirass\u00f3is Clonados\u201d, de 2004 (in\u00e9dita em streaming), e \u201cEnsaio Ac\u00fastico 05\/12\/2003\u201d, liberado em 2021.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<a href=\"https:\/\/tratore.ffm.to\/agoraesempre\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Agora e Sempre<\/a>\u201d foi gravado com Dary em Curitiba, Allan em Portugal e o baterista Fabiano em Berlim, na Alemanha. Para o baixo foi escalado Marcelo Caldas, ex-Cabaret, que tamb\u00e9m vive em Portugal (na verdade, ele conta que se convidou para assumir a fun\u00e7\u00e3o quando viu a TG em movimenta\u00e7\u00e3o), e foi ele quem indicou o produtor Iuri Freiberger para produzir o disco. S\u00e3o 10 faixas que se distanciam do rock com ecos de Legi\u00e3o que marcaram os discos anteriores da banda: \u201cCome\u00e7amos a trocar refer\u00eancias novas entre n\u00f3s, como kraut-rock e m\u00fasica eletr\u00f4nica dos anos 1970\u201d, conta Dary. \u201cFoi um choque ouvir os rascunhos iniciais (do Allan) porque n\u00e3o tinha guitarra, algo impens\u00e1vel para uma banda que conta com um guitarrista espetacular\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cChoque\u201d talvez seja uma boa palavra para se definir a sensa\u00e7\u00e3o que causa uma primeira audi\u00e7\u00e3o do novo disco da Terminal Guadalupe, que al\u00e9m das sonoridades experimentais cont\u00e9m can\u00e7\u00f5es em portugu\u00eas, ingl\u00eas, espanhol e italiano (o disco abre cantado em espanhol, com a arrepiante \u201cAhora y Siempre\u201d e segue com uma faixa forte cantada em ingl\u00eas, \u201cBlack Song\u201d, inspirada no assassinato de George Floyd). O vocalista Dary recomenda audi\u00e7\u00f5es lentas \u2013 \u201cO choque diminui conforme novas audi\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas\u201d \u2013 e al\u00e9m de esperar que o antigo p\u00fablico da banda d\u00ea uma chance a &#8220;<a href=\"https:\/\/tratore.ffm.to\/agoraesempre\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Agora e Sempre<\/a>&#8220;, sente que \u201co \u00e1lbum pode nos apresentar para uma galera nova\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na conversa abaixo, eles contam sobre a reaproxima\u00e7\u00e3o e o ponto de partida para o novo disco (\u201cA iniciativa foi do Allan\u201d, diz Dary), analisam o processo de grava\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o no meio da pandemia (\u201cEu descobri que adoro trabalhar remotamente\u201d, conta Marcelo), refor\u00e7am o desejo por fugir do mais do mesmo (\u201cAcho que seria um saco, depois de quinze anos, voltar com a mesma proposta\u201d, avalia Fabiano), nem que para isso precisassem tirar o ouvinte de sua zona de conforto (\u201cA inten\u00e7\u00e3o desde o in\u00edcio foi provocar quem o escuta, causar algo, nem que seja estranheza\u201d, confirma Allan). Eles ainda falam de suas bandas e artistas pares favoritos na atualidade e refletem sobre o futuro da banda. Chega mais, papo bom!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Agora e Sempre\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_mCX2esch3_RlUe1ymCl9kfgcGXw__0k0M\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para come\u00e7ar o papo, voc\u00eas est\u00e3o de volta com 3\/4 da forma\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica e disco novo. Como foi esse reencontro musical do Terminal Guadalupe?<\/strong><br \/>\nDary: A iniciativa foi do Allan, no segundo m\u00eas de confinamento for\u00e7ado pela pandemia. Ele lan\u00e7ou a proposta por WhatsApp. Eu fiquei surpreso, n\u00e3o nego. Depois, preocupado. Tinha o segundo trabalho solo (Dario Julio &amp; Os Franciscanos) e a estreia da dupla com Paulo de Nadal (Esteves &amp; Nadal) pela frente. Achei que talvez n\u00e3o fosse dar conta, at\u00e9 pela expectativa que o retorno de uma banda t\u00e3o importante para mim poderia criar. Havia muito sentimento em jogo. Remexer no passado \u00e9 algo delicado, n\u00e9? A seguran\u00e7a para retomar o processo de composi\u00e7\u00e3o do repert\u00f3rio viria com o tempo, principalmente com a forma\u00e7\u00e3o que ganhava corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fabiano: Basicamente o Japa (tamb\u00e9m) chegou pra mim: &#8220;E a\u00ed topa gravar um disco novo do TG? Bem relaxado, sem press\u00e3o&#8221;. Eu estava em Berlim e estava rolando um lockdown foda, o que acabou sendo um incentivo. Al\u00e9m de n\u00e3o querer ficar de fora da brincadeira!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcelo: Eu apenas vi a movimenta\u00e7\u00e3o surgir e falei: &#8220;Porra, se precisarem de baixista na nova forma\u00e7\u00e3o, contem comigo!&#8221;. Me convidei mesmo. A amizade com eles veio dos tempos em que toquei com o Cabaret dividindo palco com o TG.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Allan: Quando come\u00e7ou a pandemia, come\u00e7ou tamb\u00e9m a onda das lives, eu e o Dary decidimos fazer uma dessas para nos divertirmos um pouco. Tocamos separadamente, eu em Olh\u00e3o (Portugal), ele em Curitiba. O repert\u00f3rio e as hist\u00f3rias trouxeram aquela nostalgia e dias depois est\u00e1vamos compondo material novo. A minha primeira ideia era regravar algumas m\u00fasicas do nosso repert\u00f3rio, mas o Dary havia guardado muitas de minhas melodias que eu registrava e arquivava em CD. Ele fez o trabalho de garimpar isso tudo e me mandar para trabalharmos. E ele j\u00e1 tinha duas m\u00fasicas praticamente prontas, &#8220;Black Song&#8221; e \u00bfQu\u00e9 Pasa, Cabr\u00f3n?.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Terminal Guadalupe - Ex\u00edlio (democlipe)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/v4xyTyADp8U?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como foi esse processo de gravar a dist\u00e2ncia, pandemia rolando? Whatsapp anunciando mensagem nova de hora em hora?<\/strong><br \/>\nAllan: Logo que as can\u00e7\u00f5es foram surgindo, comecei a fazer os arranjos, todos no computador. Muitas trocas de mensagem, muitos testes de timbres e arranjos, muitos experimentos pelas madrugadas tentando fazer a m\u00fasica soar o melhor poss\u00edvel e esperando ansiosamente pela resposta da banda. Em outros tempos, as coisas se resolveriam mais facilmente com alguns ensaios presenciais. O que rolou com a gente \u00e9 que havia o vai-e-vem de mensagens do WhatsApp e ainda mais a diferen\u00e7a de fuso hor\u00e1rio entre Portugal, Alemanha e Brasil. Tudo isso tornou o processo mais lento e a ansiedade cada vez mais presente&#8230; haha<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fabiano: Foi uma troca infinita de mensagens. Eu tentava n\u00e3o olhar durante o dia para n\u00e3o atrapalhar no trabalho. Mas a curiosidade n\u00e3o deixava \u00e0s vezes. No come\u00e7o era o Japa enviando a m\u00fasica com uma base de batera eletr\u00f4nica. A\u00ed eu gravava umas ideias na batera e adicionava na m\u00fasica. Editava algumas partes, fazendo um copy and paste bem tosco. Nunca tive intimidade com software de edi\u00e7\u00e3o, aprendi o b\u00e1sico na marra por conta do processo. Foi a maneira de poder me ouvir e testar ideias. E acabou influenciando totalmente a minha forma de arranjar e gravar &#8220;Cabr\u00f3n&#8221;, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcelo: Para mim foi a oportunidade de explorar timbres, arranjos, ideias com muito mais calma do que jamais tinha feito. Sem a press\u00e3o do contador do est\u00fadio, o permitir-se errar fica mais natural, bem como os improvisos. No final, muitas ideias de primeira execu\u00e7\u00e3o ficaram, assim como outras foram viradas do avesso. Isso sempre acompanhado por trocas de mensagens constantes, mudan\u00e7as de estrutura, reclama\u00e7\u00f5es, elogios e zoa\u00e7\u00f5es. E o mais importante: os feedbacks de todos e para todos em cada etapa do processo foram fundamentais para ter a certeza de que os passos dados estavam certos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dary: Houve um momento em que localizar os \u00e1udios tornou-se um garimpo, ainda mais porque o Allan trocou de n\u00famero duas vezes ao longo do processo. Foi quando passamos a usar o Google Drive. A\u00ed, melhorou. Eu tenho alguma dificuldade com tecnologia. Me lembro das tentativas de gravar as demos das vozes com o microfone entre as roupas penduradas para deixar o ambiente mais &#8220;seco&#8221; no quarto. Baixei programa de grava\u00e7\u00e3o e tudo. N\u00e3o deu muito certo porque havia ru\u00eddo nas conex\u00f5es dos cabos e fui incapaz de consertar isso. O aplicativo de \u00e1udio do celular foi a alternativa. Foi assim que avan\u00e7amos. O que mais senti falta foi do encontro. N\u00e3o \u00e9 a mesma coisa trabalhar em uma can\u00e7\u00e3o sem olhar os outros integrantes e receber o retorno na hora, entre observa\u00e7\u00f5es mais assertivas e piadinhas. Em compensa\u00e7\u00e3o, o foco foi maior. Isso \u00e9 indiscut\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcelo: Eu descobri que adoro trabalhar remotamente. =D<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dary: Eu n\u00e3o sei como um professor de cursinho \u00e9 capaz de dizer isso. &#x1f602;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcelo: Exatamente por isso. &#x1f605;<\/p>\n<figure id=\"attachment_69342\" aria-describedby=\"caption-attachment-69342\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-69342\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Dary-3-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Dary-3-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Dary-3-copiar-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-69342\" class=\"wp-caption-text\"><em>Dary Esteves Jr. \/ Foto de Zeca Milleo<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Agora e Sempre&#8221; me soa um dos discos mais variados de voc\u00eas, principalmente no que tange a sonoridades. Foi planejado? Como voc\u00eas pensaram o disco?<\/strong><br \/>\nAllan: N\u00e3o foi planejado. Cada m\u00fasica veio \u00e0 sua maneira. Cada uma tinha sua pr\u00f3pria sonoridade, os arranjos aconteceram de forma bem livre e espont\u00e2nea. A \u00fanica regra era n\u00e3o se fechar para as ideias que surgiam. Alguns arranjos se resolveram quase que de primeira, j\u00e1 outros sa\u00edram mesmo aos 45 do segundo tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dary: O Allan, sabidamente, n\u00e3o queria se repetir. V\u00ednhamos de um disco de rock que muito nos orgulha, &#8220;A Marcha dos Invis\u00edveis&#8221;, de 2007. O desejo era fazer algo t\u00e3o bom quanto aquele \u00e1lbum, mas que trouxesse sonoridades diferentes. Come\u00e7amos a trocar refer\u00eancias novas entre n\u00f3s (eu e Allan no primeiro momento), como kraut-rock, e m\u00fasica eletr\u00f4nica dos anos 1970. A partir da\u00ed, acho, ele se sentiu mais \u00e0 vontade de buscar os caminhos. Foi um choque ouvir os rascunhos iniciais porque n\u00e3o tinha guitarra, algo impens\u00e1vel para uma banda que conta com um guitarrista espetacular. Mesmo assim, deixei quieto e tomei a \u00fanica atitude poss\u00edvel: dar liberdade e apoio. Minha contribui\u00e7\u00e3o neste \u00e1lbum foi n\u00e3o atrapalhar \u2013 ou atrapalhar o m\u00ednimo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcelo: Acho que tem muito tamb\u00e9m dos caminhos musicais percorridos pelos integrantes nesses 15 anos. Fazer um disco como &#8220;A Marcha&#8221; nem me parecia poss\u00edvel. O mundo mudou, n\u00f3s mudamos. O Allan trouxe refer\u00eancias do pop, eu andei anos imerso no universo do post-rock instrumental, o Dary desenvolveu outras vertentes em seus projetos etc. Me parece que a diversidade vem muito dessas interven\u00e7\u00f5es que sofremos em nossas hist\u00f3rias. E, no meu caso espec\u00edfico, ser um novo integrante no processo de recria\u00e7\u00e3o de um projeto j\u00e1 existente acabou por trazer outras perspectivas para a banda tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fabiano: Acho que seria um saco, depois de quinze anos, voltar com a mesma proposta. Nesse tempo muita coisa mudou. Continuamos ouvindo coisas antigas mas tamb\u00e9m muito som novo e de diferentes estilos. O &#8220;n\u00e3o-plano&#8221; foi de usar o que estava a nossa volta, o que gost\u00e1ssemos mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o sei se \u00e9 essa quest\u00e3o de variedades, mas comentei com Dary que eu achei, numa primeira ouvida, &#8220;Agora e Sempre&#8221; um disco dif\u00edcil, e o Dary comentou comigo que \u00e9 um disco que necessita de muitas audi\u00e7\u00f5es. Queria retornar a esse tema e saber como voc\u00eas veem isso?<\/strong><br \/>\nMarcelo: N\u00e3o acho um disco dif\u00edcil, mas um &#8220;n\u00e3o-disco&#8221;, ao menos no que diz respeito ao que nos acostumamos quando falamos de um. H\u00e1 um fio condutor, h\u00e1 elementos que se conectam, h\u00e1 uma busca comum a todas as faixas. Mas isso n\u00e3o precisa resultar numa &#8220;mesmice sonora&#8221;, e acho que a surpresa \u00e9 fascinante. A meu ver, as can\u00e7\u00f5es funcionam como singles isoladamente e dialogam quando em coletivo, mas sem nunca criar essa narrativa linear t\u00e3o certinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dary: Os temas das letras s\u00e3o \u00e1ridos. Os arranjos, in\u00e9ditos na discografia da banda. Isso sugere digest\u00e3o lenta. O choque diminui conforme novas audi\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas. Concordo com a explica\u00e7\u00e3o do Marcelo, de singles que se conectam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Allan: Acho que a vontade de n\u00e3o se repetir era tanta que cada m\u00fasica acabou saindo totalmente diferente uma da outra &#8211; hahaha<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dary: Boa. &#x1f602;<\/p>\n<figure id=\"attachment_69345\" aria-describedby=\"caption-attachment-69345\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-69345 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/TG-33-1-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/TG-33-1-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/TG-33-1-copiar-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-69345\" class=\"wp-caption-text\"><em>Allan Yokohama \/ Foto de Adriano Fagundes<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma coisa que se destaca no novo \u00e1lbum s\u00e3o as l\u00ednguas: as letras s\u00e3o cantadas em portugu\u00eas, ingl\u00eas, espanhol e italiano (as duas primeiras, inclusive, abrem o disco em espanhol e ingl\u00eas). Como surgiu isso?<\/strong><br \/>\nDary: Veio naturalmente. E tinha rela\u00e7\u00e3o com o fato de integrantes da banda estarem em outro continente. O assassinato de George Floyd inspirou &#8220;Black Song&#8221;. Como sou o \u00fanico do TG de origem negra, senti que era de tocar neste assunto de forma mais direta, at\u00e9 porque as mortes de negros pela pol\u00edcia s\u00e3o muito mais frequentes no Brasil. Nasci na fronteira com a Bol\u00edvia, o que fez o espanhol ser a minha segunda l\u00edngua. Cantar em italiano, mesmo com imperfei\u00e7\u00f5es, era um sonho antigo. Ouvia muita m\u00fasica italiana na inf\u00e2ncia. S\u00f3 n\u00e3o me sentia seguro para fazer a letra, o que pedi a Franco Cava. No fim das contas, \u00e9 tudo um grande esfor\u00e7o de comunica\u00e7\u00e3o de uma banda que n\u00e3o sabe mais quem \u00e9 seu p\u00fablico, se ele existe e como chegar at\u00e9 ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 duas novidades em &#8220;Agora e Sempre&#8221;: a chegada do Marcelo Caldas (ex-Cabaret, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/04\/01\/entrevista-cabaret\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que \u00e9 uma banda que n\u00f3s todos amamos<\/a>), que trouxe consigo a m\u00e3o certeira do produtor Iuri Freiberger. Como foi a adapta\u00e7\u00e3o deles no cotidiano TG? O que eles acrescentaram ao novo disco?<\/strong><br \/>\nAllan: Se o palco n\u00e3o pode ser pouco, a produ\u00e7\u00e3o de um disco muito menos &#x1f61c;. O Iuri trouxe clareza e caminhos para encontrarmos sa\u00edda para tantas m\u00fasicas que n\u00e3o pareciam conversar entre si. Havia a busca por um conceito sonoro que foi fazer mais sentido quando ele entrou para o time. Afinidade nessas horas \u00e9 importante, assim como foi com o Marcelo, mesmo j\u00e1 o conhecendo, n\u00e3o havia trabalhado com ele ainda, mas logo na primeira troca de arranjos, influ\u00eancias e conversas, j\u00e1 soube que tudo iria fluir bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcelo: Trabalhar com o Iuri de novo era um sonho antigo meu. A experi\u00eancia com o Cabaret tinha sido muito boa, e tamb\u00e9m, mais recentemente, com a minha outra banda aqui de Portugal, The Invisible Age. Ent\u00e3o, a partir do momento que passamos a discutir nomes para produ\u00e7\u00e3o, insisti que o Iuri era o ideal para o que quer\u00edamos. E isso se provou no resultado final. Sobre o que acrescentei, acho que os outros podem dizer melhor. Mas com certeza trouxe mais beleza para a banda. &#x1f60e;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Allan: Marcelo trouxe muita classe nos arranjos do baixo, al\u00e9m de vestir a camisa da banda. Entrou pra somar mesmo e participar de todo o processo que foi esse disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dary: Tivemos uma boa conviv\u00eancia com o Cabaret, o que gerou amizades duradouras. Mantive contato com Pedro Carrilho (ex-guitarrista) e Marcelo Caldas por vis\u00f5es de mundo semelhantes. Marcelo sempre se colocou \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o e o fato de estar no mesmo pa\u00eds em que o Allan vivia encaminhou sua chegada \u00e0 banda. Fiquei feliz por ter mais um f\u00e3 de R.E.M. comigo. Coube a Marcelo indicar o Iuri, algu\u00e9m que sempre respeitei e com queria muito trabalhar. Muito antes disso tudo, Iuri sempre dava um jeitinho de bater um papo comigo quando passava por Curitiba. Ele foi baterista do Tom Bloch, que gravou um primeiro disco cl\u00e1ssico, e virou um excelente produtor. Foi como trabalhar com algu\u00e9m de quem sou f\u00e3. Marcelo e Iuri trouxeram frescor e ampliaram horizontes do TG. Isso fica evidente no resultado do \u00e1lbum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A trajet\u00f3ria do TG sempre foi marcada por can\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, uma heran\u00e7a clara do rock anos 80\/90 que sempre marcou a banda. <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2017\/08\/09\/download-as-lembrancas-sao-escolhas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Uns anos atr\u00e1s cheguei a comentar<\/a> que voc\u00eas anteciparam boa parte da crise pol\u00edtica que colocaria o pa\u00eds p\u00f3s-golpe num limbo (em &#8220;Pra\u00e7a de Alimenta\u00e7\u00e3o&#8221;, que fechava o &#8220;Marcha dos Invis\u00edveis&#8221;, de 2007) e desembocaria no obscurantismo desses dias inacredit\u00e1veis que estamos vivendo. Inevitavelmente, esse momento marcou muitas das novas can\u00e7\u00f5es, certo?<\/strong><br \/>\nDary: Como voc\u00ea diz, era inevit\u00e1vel. Pessoalmente, n\u00e3o sei fazer fic\u00e7\u00e3o. E nem tenho problema em admitir essa incapacidade. Estendo o jornalismo, minha profiss\u00e3o, para cada can\u00e7\u00e3o, seja sobre amor, d\u00favidas existenciais ou cr\u00edticas sociopol\u00edticas. Insisto que \u00e9 a grande influ\u00eancia do cineasta Ken Loach sobre tudo aquilo que fa\u00e7o: todos os dramas pessoais se conectam \u00e0 realidade e mesmo um p\u00e9 na bunda guarda rela\u00e7\u00e3o com o dia a dia. N\u00e3o sei fazer diferente. Sobre as letras anteriores, sinto que incorporei um olhar de pantaneiro, de pe\u00e3o, de amante das belezas e da hist\u00f3ria do povo brasileiro, como fica evidente em &#8220;A Flor de Drummond&#8221;, mas poderia ser &#8220;O Bernardo de Manoel de Barros&#8221; ou &#8220;O Pedro de Luiz Taques&#8221;. N\u00f3s vamos sair dessa.<\/p>\n<figure id=\"attachment_69346\" aria-describedby=\"caption-attachment-69346\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-69346 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Fabiano-BWClean8-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Fabiano-BWClean8-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Fabiano-BWClean8-copiar-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-69346\" class=\"wp-caption-text\"><em>Fabiano Ferronato \/ Foto de Greg Dobrzychi<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual a favorita de cada um de voc\u00eas do novo disco? E por qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nMarcelo: Se eu pensar no meu trabalho enquanto baixista, &#8220;Holidays In Amityville&#8221;. \u00c9, provavelmente, a melhor linha de baixo que compus ao longo da vida. Como trabalho coletivo, &#8220;Ahora y Siempre&#8221;, tanto pela for\u00e7a da mensagem quanto pela riqueza dos arranjos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Allan: &#8220;Ahora Y Siempre&#8221;, pelos mesmos motivos do senhor Caldas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dary: N\u00e3o tenho uma can\u00e7\u00e3o favorita, mas fico arrepiado toda vez que ou\u00e7o o discurso de Ulysses Guimar\u00e3es em &#8220;Ahora y Siempre&#8221;. Coroa uma m\u00fasica que elevou a banda a um novo paradigma pr\u00f3prio. &#8220;V\u00e1cuo&#8221; \u00e9 de cortar o cora\u00e7\u00e3o. O arranjo de &#8220;Black Song&#8221; tamb\u00e9m me emociona, assim como as harmonias de &#8220;Olh\u00e3o&#8221;. E &#8220;Holidays in Amityville&#8221; \u00e9 o pop perfeito. Eu realmente gosto do conjunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fabiano: Acho que preciso ficar um tempo sem ouvir as m\u00fasicas, mas ficaria entre &#8220;Black Song&#8221; e &#8220;Ahora y Siempre&#8221;. Acho que as duas tem uma energia forte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nos anos 00 havia uma cena de rock mais intensa no pa\u00eds, e voc\u00eas tinham bandas pr\u00f3ximas, pares. Onde voc\u00eas imaginam que o TG se situa hoje nesse mundo pop brasileiro de 2022? Quem s\u00e3o as bandas que voc\u00eas admiram nesse novo cen\u00e1rio?<\/strong><br \/>\nDary: Gosto muito de Outros B\u00e1rbaros (SC), Pelos (MG), Black Pantera (MG) e Flaming Carrots (PR). Tamb\u00e9m admiro cantautores como Phillip Long (SP), Perdido (RJ), Manoel Magalh\u00e3es (RJ) e F\u00e1bio Della (SC), al\u00e9m de Beto Cupertino (GO), Andre L R Mendes (BA), Giovanni Caruso (PR) e Paulo de Nadal (PR). Acompanho de perto o trabalho solo de Lucas Gon\u00e7alves (MG), mais conhecido por integrar a banda Maglore. Sou f\u00e3 dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Allan: Sempre fui muito f\u00e3 do Charme Chulo. O \u00faltimo disco deles, produzido pelo Lemoskine, est\u00e1 incr\u00edvel. Eles sempre foram uma inspira\u00e7\u00e3o para mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcelo: Tenho acompanhado pouco da m\u00fasica brasileira atual, mas acho que Charme Chulo e Carne Doce s\u00e3o bandas que me fazem feliz de dividir uma \u00e9poca com elas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dary: Charme Chulo e Mordida s\u00e3o companheiras de gera\u00e7\u00e3o em Curitiba que t\u00eam nosso respeito e admira\u00e7\u00e3o sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fabiano: Ningu\u00e9m respondeu diretamente onde a banda se situa hoje&#8230; e acho dif\u00edcil responder. Essa cena j\u00e1 era relativamente pequena, semiprofissional, tudo na ra\u00e7a, na amizade. Hoje em Curitiba parece que ainda s\u00e3o as mesmas incans\u00e1veis pessoas. Berlim, onde morei, n\u00e3o \u00e9 muito diferente. Sobre bandas novas, pra mim pelo menos, gosto e ou\u00e7o bastante o Sessa e a Ana Frango El\u00e9trico. Dos que est\u00e3o na ativa ainda, Charme Chulo, O Lend\u00e1rio Chucrobilly, Machete Bomb, No Milk Today, Macumbazilla&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcelo: De longe, tenho dificuldade de perceber alguma cena rolando. As poucas novidades que chegam aqui s\u00e3o as que apelam mais para as &#8220;brasilidades&#8221;, ent\u00e3o fico bem perdido quanto ao que est\u00e1 rolando e onde poder\u00edamos nos encaixar.<\/p>\n<figure id=\"attachment_69344\" aria-describedby=\"caption-attachment-69344\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-69344 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/TG-588-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/TG-588-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/TG-588-copiar-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-69344\" class=\"wp-caption-text\"><em>Marcelo Caldas \/ Foto de Adriano Fagundes<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00eas imaginam o futuro da banda? Dary em Curitiba, Allan e Marcelo em Portugal, o Fabiano em Frankfurt? H\u00e1 uma cobran\u00e7a de voc\u00eas mesmos sobre uma resposta \/ aceita\u00e7\u00e3o do p\u00fablico sobre o novo \u00e1lbum, ou podemos esperar que esse seja, independente de qualquer coisa, o primeiro \u00e1lbum da nova fase do TG?<\/strong><br \/>\nAllan: A minha expectativa \u00e9 a de sempre querer ouvir quem ouve o disco, para criticar ou dialogar a respeito. A inten\u00e7\u00e3o desde o in\u00edcio foi provocar quem o escuta, causar algo, nem que seja estranheza. Espero que a gente consiga provocar cada vez mais ouvidos. Acredito que seja uma nova fase. A not\u00edcia boa \u00e9 que sempre poderemos fazer m\u00fasica juntos. N\u00e3o importa a dist\u00e2ncia. A not\u00edcia ruim, talvez seja, que a gente n\u00e3o queira mais passar por tudo isso novamente, justamente por causa da dist\u00e2ncia (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcelo: Inevitavelmente, agora que estamos na mesma cidade, eu e Allan trabalharemos juntos, inclusive na divulga\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum por terras portuguesas. Gostaria que o disco representasse uma nova fase da banda, at\u00e9 por ser s\u00f3 o meu primeiro (hehehe), mas n\u00e3o tenho essa press\u00e3o na cabe\u00e7a. Se rolar, \u00f3timo. De qualquer forma, se for para acontecer, acho que tentaremos fazer o processo de outra maneira, at\u00e9 para n\u00e3o levar 2 anos de novo&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dary: \u00c9 uma nova fase, sim. Como estamos muito distantes, imagino que nos encontraremos a cada dois anos no Brasil ou na Europa, conforme as agendas comuns, para turn\u00eas curtas e grava\u00e7\u00f5es. Eu espero que o nosso antigo p\u00fablico d\u00ea uma chance a &#8220;Agora e Sempre&#8221;. Sinto que o \u00e1lbum pode nos apresentar para uma galera nova, mas admito a dificuldade disso devido \u00e0 impossibilidade de shows frequentes. Em todo caso, temos outros projetos e estaremos sempre lan\u00e7ando m\u00fasicas entre os futuros discos do TG.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Terminal Guadalupe - Ahora Y Siempre\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JtNxTndv4q4?list=PLk5zD2pXJkjKGFEkMcPFNpXmUYRJAzJol\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0Marcelo Costa\u00a0(<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Calmantes com Champagne<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cChoque\u201d talvez seja uma boa palavra para se definir a sensa\u00e7\u00e3o que causa uma primeira audi\u00e7\u00e3o do novo disco da Terminal Guadalupe, que al\u00e9m das sonoridades experimentais cont\u00e9m can\u00e7\u00f5es em portugu\u00eas, ingl\u00eas, espanhol e italiano&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/09\/13\/entrevista-terminal-guadalupe-lanca-seu-quarto-disco-agora-e-sempre-apos-15-anos-buscando-novos-caminhos\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":69340,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[424],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69335"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=69335"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69335\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":69352,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69335\/revisions\/69352"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/69340"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=69335"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=69335"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=69335"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}