{"id":68936,"date":"2022-08-30T03:15:45","date_gmt":"2022-08-30T06:15:45","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=68936"},"modified":"2022-09-24T00:05:49","modified_gmt":"2022-09-24T03:05:49","slug":"direitos-humanos-no-banquete-dos-mendigos-o-show-que-reivindicou-liberdade-em-plena-ditadura-medici","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/08\/30\/direitos-humanos-no-banquete-dos-mendigos-o-show-que-reivindicou-liberdade-em-plena-ditadura-medici\/","title":{"rendered":"Especial &#8211; Direitos Humanos no Banquete dos Mendigos: o show que reivindicou liberdade em plena ditadura M\u00e9dici"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0reportagem especial por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/lara.faria.397\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lara Faria<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde sua adolesc\u00eancia, o mineiro <a href=\"https:\/\/www.galeriamovimento.com.br\/xicochaves\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Xico Chaves<\/a> sempre esteve diretamente ligado \u00e0 luta secundarista em Bras\u00edlia. Em 1969, aos 21 anos de idade, j\u00e1 tinha sido Presidente do Diret\u00f3rio de Artes da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), Presidente da Federa\u00e7\u00e3o de Estudantes da UnB, Vice Presidente Nacional de Estudantes de Arquitetura e, naturalmente, alvo de persegui\u00e7\u00f5es do regime militar. Pelo papel que assumia como l\u00edder estudantil, e pelo contexto cada vez mais problem\u00e1tico para aqueles que se posicionavam politicamente a favor da liberdade de express\u00e3o em plena ditadura, Xico percebeu que a \u00fanica maneira de fugir da sua iminente pris\u00e3o era sair do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o artista pl\u00e1stico, \u201cnessa \u00e9poca o movimento estudantil foi todo desmantelado e eu acabei indo para o Chile, onde fiquei um ano. Quando estava para sair do Brasil, achei necess\u00e1rio levar pelo menos um disco nacional significativo para l\u00e1. Eu j\u00e1 tinha ouvido bastante Gil, Caetano, Gal e queria levar algo novo. A\u00ed fiquei entre \u2018O Rel\u00f3gio Parou\u2019, do Jorge Mautner e o disco \u2018Lets Play That\u2019, do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/jards-macale\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jards Macal\u00e9<\/a>. Eu j\u00e1 tinha visto o Macal\u00e9 tocando num festival do Amazonas e achei interessante aquele barbudo de \u00f3culos falando uns poemas que tinham muito a ver com o que eu escrevia, ent\u00e3o levei o LP dele\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_68937\" aria-describedby=\"caption-attachment-68937\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-68937 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/xicochaves.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/xicochaves.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/xicochaves-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-68937\" class=\"wp-caption-text\"><em>Xico Chaves \/ Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o Brasil Visual<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Coincidentemente, alguns anos depois seu caminho se cruzaria com o de Jards e resultaria em um dos maiores momentos da m\u00fasica popular no enfrentamento do regime civil-militar que comandava o pa\u00eds. Mas antes de conhecer Xico, Jards passava por momentos igualmente conturbados. S\u00f3 que, ao inv\u00e9s de persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, sofria com o desenvolvimento de sua carreira em ritmo muito mais lento do que seu esp\u00edrito jovem e incans\u00e1vel de artista gostaria. Em 1972, Xico decide retornar ao Brasil e vai ao Rio de Janeiro. Mas, diferente do que imaginava ao embarcar no avi\u00e3o saindo de Santiago, dessa vez n\u00e3o seria recebido por seus antigos amigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuando voltei para c\u00e1 n\u00e3o achei mais ningu\u00e9m. Uns tinham sido presos, outros tinham sido mortos, outros estavam desaparecidos, e outros haviam se mudado para longe. Foi a\u00ed que lembrei de <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ana_Miranda\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ana Miranda<\/a>, uma escritora que era como uma irm\u00e3 para mim dos tempos de Bras\u00edlia, e acabei ficando na casa dela. L\u00e1 era uma esp\u00e9cie de territ\u00f3rio livre. Chegava gente de todo canto, viol\u00f5es tocavam a noite inteira, composi\u00e7\u00f5es eram pensadas sem parar\u2026 logo vi que estava em casa. E foi no meio desse borbulho criativo que conheci Macal\u00e9 pessoalmente. Um dia eu estava na cozinha conversando sobre a vida e tinha um cara tocando viol\u00e3o dentro do arm\u00e1rio da cozinha. De repente todo mundo saiu da casa, entrou num carro e falaram \u2018vem Xico, vamos para a Poligram ver o disco novo do Macal\u00e9\u2019. Eu achava que n\u00e3o conhecia ele pessoalmente, a\u00ed dentro desse carro a Ana Miranda olhou para tr\u00e1s e falou \u2018Macal\u00e9, e a\u00ed, qual rua a gente entra?\u2019 e a\u00ed eu vi que estava do lado dele o tempo todo. Era ele que estava tocando viol\u00e3o dentro do arm\u00e1rio e com ele que eu estava conversando h\u00e1 tantos dias sobre m\u00fasica, arte e tantas outras quest\u00f5es. Mas como Jards tinha tirado a barba, eu n\u00e3o reconheci. A partir da\u00ed come\u00e7amos uma linda hist\u00f3ria de cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica e amizade\u201d, conta o poeta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 que ap\u00f3s gravar o disco \u201cAprender a Nadar\u201d, a Polygram (novo nome da Philips na \u00e9poca, depois de Phonogram) j\u00e1 adiava h\u00e1 meses o seu lan\u00e7amento. N\u00e3o bastasse o atraso (o disco s\u00f3 sairia em 1974), em 1973 Macal\u00e9 ainda acumulava embates, e consequentemente inimizades, com os executivos da gravadora por quest\u00f5es de direitos autorais. Mas Jards decidiu se movimentar diante da situa\u00e7\u00e3o sem deixar de lado seu estilo ir\u00f4nico de ser.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo ele, naquela \u00e9poca se faziam muitos shows beneficientes em nome de entidades, ONGs ou qualquer causa que estava precisando levantar fundos para ser socorrida. \u201cComo eu tinha discutido com a gravadora e j\u00e1 estava de saco cheio de todo aquele mecanismo comercial dos empres\u00e1rios, achei que quem precisava ser socorrido naquele momento era eu. A\u00ed eu decidi fazer de sacanagem um show em autobenef\u00edcio, porque se \u00e9 para estar ferrado melhor estar ferrado rindo, n\u00e9? Dei a ideia para o Xico e ele topou me ajudar, j\u00e1 que manjava bem de produ\u00e7\u00e3o de shows independentes na \u00e9poca\u201d, conta Jards.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, o que era para ser um evento singelo de ess\u00eancia c\u00f4mica acabou se transformando em algo muito mais significativo, oficial e perigoso do que Jards imaginava, quando colocou como meta apenas conseguir pagar suas contas. Ao pedir um espa\u00e7o para realizar o evento no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM), Macal\u00e9 recebeu uma proposta irrecus\u00e1vel e que deu propor\u00e7\u00f5es completamente novas ao show.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Helo\u00edsa Aleixo Lustosa, diretora do MAM na \u00e9poca, \u201cnaquele ano n\u00f3s est\u00e1vamos planejando no museu, dentre v\u00e1rios outros eventos que envolviam artes visuais, literatura, cinema e m\u00fasica, uma comemora\u00e7\u00e3o do anivers\u00e1rio de 25 anos da carta de Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos, em nome da ONU. Ent\u00e3o quando o Macal\u00e9 pediu um espa\u00e7o para realizar o show, logo vi que poder\u00edamos juntar as duas propostas e fazer uma coisa s\u00f3.\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_68939\" aria-describedby=\"caption-attachment-68939\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-68939\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/direitoshumanos.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"523\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/direitoshumanos.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/direitoshumanos-300x209.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/direitoshumanos-120x85.jpg 120w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-68939\" class=\"wp-caption-text\"><em>Foto: Divulga\u00e7\u00e3o \/ ONU<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir desse momento, Jards come\u00e7a a contatar seus amigos. Afinal, apesar do show a princ\u00edpio ter sido pensado para benefici\u00e1-lo em um momento de pouco trabalho e retorno financeiro quase inexistente, seu desejo era abrir o palco para o maior n\u00famero de m\u00fasicos poss\u00edvel. E, com o aval para tocar no MAM, e a responsabilidade de realizar um evento em nome da ONU, Jards e Xico n\u00e3o conseguiriam fazer tudo sozinhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO Macal\u00e9 era amigo de todo mundo. Ele \u00e9 um dos maiores articuladores que existem na m\u00fasica brasileira, ainda mais naquele per\u00edodo. Era um talento impressionante que ele tinha de agregar personalidades interessantes. O cara chamou Gal, Gil, Chico, Gonzaguinha, Dominguinhos, Raul Seixas, Luiz Melodia\u2026 foi uma loucura. Ele falava: \u2018Sigam-me os bons.\u2019(risos)\u201d, afirma Xico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas como celebrar um documento que toca diretamente em temas como tortura e liberdade de express\u00e3o em um dos momentos mais delicados do regime militar? E ainda: como promover um show envolvendo esses temas sem que os m\u00fasicos e organizadores fossem acusados de armar um protesto pol\u00edtico dentro de uma entidade conceituada como o MAM?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para uma empreitada t\u00e3o desafiadora quanto in\u00e9dita, Jards juntou esse grupo de artistas e montou uma usina de trabalho em sua casa. A partir do momento que definiram o repert\u00f3rio, todo o show foi submetido \u00e0 censura, que vetou quase 70% do espet\u00e1culo que seria apresentado em 13 de dezembro de 1973, quase 50 anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Jards, \u201cn\u00e3o me surpreendeu a censura, mas a gente ignorou boa parte dela. Pagamos para ver e o que n\u00e3o tinha como cantar a letra n\u00f3s apenas toc\u00e1vamos. Mas era algo muito forte para o momento. A gente escolheu alguns artigos da Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos para ler e eles iam totalmente de encontro com o que os militares queriam e faziam na \u00e9poca. \u00c9 muito louco que a princ\u00edpio eu queria fazer uma piada com as gravadoras e com todo um sistema comercial com o qual eu n\u00e3o concordava, mas acabou se transformando em uma piada tamb\u00e9m contra a ditadura militar, e piada das graves\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-68940\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/jardsonu.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/jardsonu.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/jardsonu-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/jardsonu-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No fim, as consequ\u00eancias, que poderiam ter sido nefastas tanto para a vida profissional quanto pessoal de m\u00fasicos que estavam ali n\u00e3o atrav\u00e9s de contratos de gravadoras ou empres\u00e1rios, acabaram sendo minimizadas por conta do peso de um \u00f3rg\u00e3o como a ONU frente ao poder dos militares. Mas n\u00e3o \u00e9 como se a tens\u00e3o n\u00e3o pairasse no ar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA gente estava esperando que aparecessem umas 600 pessoas e chegou no final do show j\u00e1 tinha umas 3000. Na hora que descemos para ir embora, est\u00e1vamos cercados pela pol\u00edcia e tivemos que sair escoltados por um corredor estreito cheio de policiais em volta. S\u00f3 n\u00e3o baixaram o cacete na gente porque ia ser o equivalente a baixar o cacete na ONU. Imagina s\u00f3 bater em todo mundo em um evento da ONU. N\u00e3o ia ter como, mas foi perigoso\u201d, relembra Jards.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da escolta no final do show, era esperado que tivessem pessoas infiltradas, como era de praxe na \u00e9poca para eventos do tipo. E a presen\u00e7a desses vigilantes dificultava significativamente o registro do show em imagem. Afinal, o regime militar permitia que aquilo ocorresse para n\u00e3o entrar em conflito com a ONU, mas seria arriscado demais para o \u2018estabelecimento da ordem\u2019 ter que lidar com a ampla divulga\u00e7\u00e3o das ideias propagadas no espet\u00e1culo. N\u00e3o \u00e0 toa, o show n\u00e3o teve sequer uma linha publicada nos jornais da \u00e9poca. Mas, por outro lado, os artistas conseguiram driblar a censura de maneira inteligent\u00edssima e registr\u00e1-lo em um v\u00eddeo que n\u00e3o ficou bom o suficiente como registro em imagem, mas que era suficiente para transformar o show em \u00e1lbum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme conta Xico, \u201cTivemos a sorte que uma das bandas levou um equipamento de grava\u00e7\u00e3o, sen\u00e3o a gente nem tinha registrado nada. Teve uma hora que uns policiais questionaram a c\u00e2mera, mas o pessoal da parte t\u00e9cnica conseguiu convenc\u00ea-los que era algum aparelho de ilumina\u00e7\u00e3o do show. Depois disso, para tirar a fita do MAM foi uma epopeia. Pouca gente sabe como ela saiu de l\u00e1, e o menino que estava com a fita teve que sumir por um tempo\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_68941\" aria-describedby=\"caption-attachment-68941\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-68941 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/banquete1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"749\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/banquete1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/banquete1-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/banquete1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-68941\" class=\"wp-caption-text\"><em>Capa original do \u00e1lbum &#8220;O Banquete dos Mendigos&#8221;, de 1979<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a poeira baixar, em 1974, Jards e Xico recuperaram as grava\u00e7\u00f5es e decidiram achar uma gravadora para lan\u00e7ar o show em disco. Batendo de porta em porta, recebem in\u00fameras recusas at\u00e9 que o jovem compositor Vitor Martins, um dos respons\u00e1veis pela gravadora RCA-Victor, resolve aceitar a batata quente. A dupla edita as quatro horas de show transformando-o em um disco duplo, mas o objetivo ali n\u00e3o era lucrar com o \u201cBanquete dos Mendigos\u201d, e sim impedir que o momento ca\u00edsse no esquecimento.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-68946\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/banquete3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"563\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/banquete3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/banquete3-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO disco foi censurado durante uns 6 anos at\u00e9 conseguirmos a libera\u00e7\u00e3o (em 1979). No fim eu n\u00e3o ganhei um puto, ainda perdi porque tivemos que pagar produ\u00e7\u00e3o, todo o pessoal da parte t\u00e9cnica\u2026 aquela coisa. Mas que bom que foi assim. Foi um espet\u00e1culo realmente incr\u00edvel. O momento exigia aquilo\u201d, diz Jards.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-68947\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/banquete4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"563\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/banquete4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/banquete4-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vers\u00e3o original do \u00e1lbum \u201cO Banquete dos Mendigos\u201d, que saiu em vinil duplo em 1979, trazia 21 faixas no primeiro disco e 14 no segundo. A capa, de Rubens Gerchman, trazia uma reprodu\u00e7\u00e3o do quadro \u201cA \u00daltima Ceia\u201d, de Leonardo da Vinci. Somente em 2015, a grava\u00e7\u00e3o do show foi lan\u00e7ada na \u00edntegra, numa caixa de tr\u00eas CDs e, posteriormente, em tr\u00eas vinis, com o t\u00edtulo \u201cDireitos Humanos no Banquete dos Mendigos\u201d e 44 faixas (\u00e9 essa vers\u00e3o final <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/70ecbUaKhPKDI6t6gSja3H\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que est\u00e1 dispon\u00edvel em streaming<\/a> em todas as plataformas).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-68948\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/banquete5.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"563\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/banquete5.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/banquete5-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No repert\u00f3rio, muitos cl\u00e1ssicos. Quase todos os artistas cantaram tr\u00eas can\u00e7\u00f5es. H\u00e1 Paulinho da Viola cantando \u201cDan\u00e7a da Solid\u00e3o\u201d, Jorge Mautner interpretando \u201cMaracatu At\u00f4mico\u201d, Luiz Melodia numa dobradinha matadora (\u201cVale Quanto Pesa\u201d e \u201cP\u00e9rola Negra\u201d), Raul Seixas cantando \u201cOuro de Tolo\u201d, \u201cMosca na Sopa\u201d e \u201cCachorro Urubu\u201d (do verso &#8220;Todo jornal que eu leio \/ Me diz que a gente j\u00e1 era \/ Que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais primavera \/ Oh, baby, a gente ainda nem come\u00e7ou&#8221;), Chico Buarque interpretando \u201cBom Conselho\u201d e \u201cJorge Maravilha\u201d, hino de \u201cJulinho da Adelaide\u201d, passando por Milton (\u201cNada Ser\u00e1 Como Antes\u201d), o pr\u00f3prio Jards (\u201cAnjo Exterminador\u201d), Dominguinhos (\u201cLamento Sertanejo\u201d) e Gal (\u201cDa Maior Import\u00e2ncia\u201d) num registro absolutamente hist\u00f3rico.<\/p>\n<figure id=\"attachment_68942\" aria-describedby=\"caption-attachment-68942\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-68942 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/banquete2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"394\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/banquete2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/banquete2-300x158.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-68942\" class=\"wp-caption-text\"><em>Uma das artes da capa da reedi\u00e7\u00e3o de &#8220;Direitos Humanos no Banquete dos Mendigos&#8221;, 2015<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, no final das contas o que era para ser uma grande ironia ao estilo de Jards acabou se transformando no primeiro show de grande dimens\u00e3o que bateu de frente com a ditadura militar e em um grande s\u00edmbolo de resist\u00eancia criativa de uma juventude que n\u00e3o aguentava mais a repress\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"V.A. - O Banquete dos Mendigos (1974) \u00c1lbum Completo - Full Album\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MHOKaI3VoME?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Direitos Humanos No Banquete Dos Mendigos\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_kfTLjM7DLILs35b18JDAGolsY-jKPaVys\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8211; <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/lara.faria.397\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lara Faria<\/a> \u00e9 jornalista formada pela Faculdade C\u00e1sper L\u00edbero e integra o time de comunica\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/www.omegaenergia.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Omega Energia Renov\u00e1vel<\/a>.\u00a0Apaixonada por comunica\u00e7\u00e3o e cultura brasileira. A reportagem &#8220;Direitos Humanos no Banquete dos Mendigos: o show que reivindicou liberdade em plena ditadura M\u00e9dici&#8221; <a href=\"https:\/\/osditosmalditos.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/osditosmalditos.com.br\/<\/a>integrou seu projeto de conclus\u00e3o de curso, o site &#8220;Os Ditos Malditos&#8221;. A foto que abre o texto \u00e9 da ONU News \/ Daniela Gross.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O que era para ser uma grande ironia ao estilo de Jards acabou se transformando no primeiro show de grande dimens\u00e3o que bateu de frente com a ditadura militar e em um grande s\u00edmbolo de resist\u00eancia&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/08\/30\/direitos-humanos-no-banquete-dos-mendigos-o-show-que-reivindicou-liberdade-em-plena-ditadura-medici\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":116,"featured_media":68943,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[412],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68936"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/116"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=68936"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68936\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":68953,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68936\/revisions\/68953"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/68943"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=68936"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=68936"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=68936"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}