{"id":68915,"date":"2022-08-29T02:57:16","date_gmt":"2022-08-29T05:57:16","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=68915"},"modified":"2022-10-26T23:23:35","modified_gmt":"2022-10-27T02:23:35","slug":"entrevista-maglore-lanca-v-olhando-para-o-passado-e-teago-oliveira-diz-que-a-banda-vive-sua-melhor-fase","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/08\/29\/entrevista-maglore-lanca-v-olhando-para-o-passado-e-teago-oliveira-diz-que-a-banda-vive-sua-melhor-fase\/","title":{"rendered":"Entrevista: Maglore lan\u00e7a &#8220;V&#8221; olhando para o passado e Teago Oliveira lista influ\u00eancias de Luiz Melodia, Jorge Ben, Lennon e Wilco"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a>\u00a0<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u201c<a href=\"https:\/\/onerpm.link\/V\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">V<\/a>\u201d, seu novo disco, a Maglore olha assumidamente para o passado \u2013 n\u00e3o o da banda, mas uma \u00e9poca bem mais anterior, o final da d\u00e9cada de 1960 e, principalmente, \u00e0 primeira metade dos 1970. S\u00f3 que o resultado n\u00e3o \u00e9 um \u00e1lbum cheio de nostalgia pelo que n\u00e3o foi vivido: \u00e9 muito mais um olhar de resgatar o legado de um per\u00edodo que se parece bastante com o hoje, para assim tentar encontrar caminhos para fazer diferente no presente e no futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa inten\u00e7\u00e3o transparece tanto em letra como em m\u00fasica. Em \u201c<a href=\"https:\/\/onerpm.link\/V\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">V<\/a>\u201d, o quarteto baiano deixa de lado a \u201cma\u00e7aroca\u201d de guitarras (palavras de seu frontman, Teago Oliveira) e n\u00e3o apenas d\u00e1 um descanso para a pedaleira como tamb\u00e9m recheia as can\u00e7\u00f5es com arranjos de metais e cordas, trazendo refer\u00eancias de samba rock, soul music brasileira, Motown, Beatles, Love e afins. S\u00f3 que tudo isso dentro da proposta est\u00e9tica da banda, uma personalidade que se consolidou lindamente no \u00e1lbum \u201cIII\u201d (2015) e se expandiu e se fortaleceu em seu sucessor, \u201cTodas as Bandeiras\u201d (2017).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, esse quinto \u00e1lbum deixa mais evidente a riqueza mel\u00f3dica da Maglore. D\u00e1 para perceber mais facilmente que, por mais que os timbres das guitarras fossem um componente forte da identidade da banda, eles eram apenas uma embalagem bonita para algo que j\u00e1 era precioso. Mesmo com arranjos e harmonias mais plurais, as faixas de \u201cV\u201d deixam entrever mais facilmente as can\u00e7\u00f5es em sua ess\u00eancia, e o resultado \u00e9 um prazer para os ouvidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 precipitado dizer que \u201c<a href=\"https:\/\/onerpm.link\/V\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">V<\/a>\u201d \u00e9 o melhor \u00e1lbum do grupo, j\u00e1 que a perspectiva do tempo \u00e9 necess\u00e1ria para esse tipo de avalia\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 tentador faz\u00ea-lo, porque, ouvido na sequ\u00eancia, o disco tem um efeito de \u201celeva\u00e7\u00e3o\u201d. Ao resgatar sentimentos e ideias que ficaram soterrados sob camada de \u00f3dio e ansiedade em nosso dia a dia, a Maglore entrega o que s\u00f3 a melhor m\u00fasica pop consegue entregar: a sensa\u00e7\u00e3o de que, por mais dif\u00edceis que as coisas estejam, ainda \u00e9 poss\u00edvel encontrar e vivenciar beleza e alegria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista realizada por videochamada uma semana ap\u00f3s o lan\u00e7amento do \u00e1lbum, Teago Oliveira explicou ao Scream &amp; Yell como foram a g\u00eanese e o feitio de \u201c<a href=\"https:\/\/onerpm.link\/V\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">V<\/a>\u201d, e tamb\u00e9m falou sobre como a banda \u2013 completada pelo baterista Felipe Dieder, pelo guitarrista e tecladista Lelo Brand\u00e3o e pelo baixista e vocalista Lucas Gon\u00e7alves \u2013 <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/03\/24\/ao-vivo-maglore-fez-bela-festa-no-bixiga-para-encerrar-turne-e-mirar-o-futuro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">est\u00e1 melhor nos palcos<\/a> quando comparada ao per\u00edodo anterior \u00e0 pandemia, sobre a poss\u00edvel extin\u00e7\u00e3o do formato banda e sobre grandes discos que foram inspira\u00e7\u00e3o para o momento atual do quarteto.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Maglore - A Vida \u00c9 Uma Aventura (Visualizer)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3c1GM2aY188?list=PLFurbdaQZ9k5HhQOihkCixfwNvRbKFky3\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Durante o processo de grava\u00e7\u00e3o do disco, voc\u00ea chegou a declarar que n\u00e3o queria mais reproduzir a sonoridade do palco no disco, e sim passar a explorar mais os arranjos e as possibilidades do est\u00fadio. Ouvindo o resultado final agora, fica claro que foi exatamente isso que voc\u00eas entregaram. Como voc\u00ea avalia essa experi\u00eancia toda?<\/strong><br \/>\nComo extremamente necess\u00e1ria. Assim, para a sa\u00fade mesmo da banda, sabe? Eu acho que o que mais move a Maglore em termos de se manter saud\u00e1vel \u00e9 o desafio, tipo \u201cputz, ser\u00e1 que ele vai lan\u00e7ar um disco melhor do que o outro? Ser\u00e1 que a gente consegue fazer algo que a gente ainda n\u00e3o fez, mantendo a estrutura de can\u00e7\u00e3o, as caracter\u00edsticas das composi\u00e7\u00f5es?\u201d O \u201cVamos pra Rua\u201d (2013) at\u00e9 se assemelha mais com esse \u00faltimo, mas o \u201cIII\u201d e o \u201cTodas as Bandeiras\u201d foram dois discos que vieram com aquela coisa super da guitarra, aquela preocupa\u00e7\u00e3o de soar \u201cao viva\u00e7o\u201d, como na grava\u00e7\u00e3o. E chegou a hora que a gente falou: \u201cbicho, e a\u00ed? Vamos ter que fazer a mesma coisa para soar igual ao vivo na grava\u00e7\u00e3o?\u201d. Experimentamos e falamos que n\u00e3o, que dessa vez far\u00edamos diferente. A inten\u00e7\u00e3o foi tentar fazer com que a m\u00fasica vencesse, e n\u00e3o que a gente vencesse a m\u00fasica. Mas na real, nem tiramos guitarras. Na verdade, eu desliguei dois pedais: o reverb e o vibrato. Sei que tinha uma identidade de guitarra nos dois discos anteriores, mas eu sinceramente acho os arranjos do \u201cV\u201d muito mais ricos. Foi um disco onde a gente se permitiu muito mais deixar Luquinhas mais solto como guitarrista. Toquei teclado em algumas m\u00fasicas, Luquinhas e eu dividimos viol\u00e3o\u2026 <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/11\/24\/especial-the-beatles-get-back-peter-jackson-fala-sobre-o-mergulho-nas-imagens-ineditas-das-sessoes-do-let-it-be\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Voc\u00ea viu no [document\u00e1rio da Disney+] \u201cGet Back\u201d<\/a>, tem um dos caras [Beatles] no baixo, o Paul no piano etc? Acho que esse \u00e9 o tipo de coisa que vale a pena fazer dentro de um est\u00fadio, que a gente sabe que a gente n\u00e3o vai fazer fora dali. Dessa vez a gente foi em prol da m\u00fasica mesmo, se permitiu falar assim: \u201colha, \u00e9 uma orquestra e uns sopros, \u00e9 Frank Sinatra com Jorge Ben e foda-se\u201d, entendeu? A m\u00fasica t\u00e1 pedindo isso, ent\u00e3o \u00e9 isso que vamos fazer. E acho tamb\u00e9m que pode ficar at\u00e9 mais interessante deixar a coisa diferente ao vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O show no Cine Joia, que virou o DVD \u201cMaglore Ao Vivo\u201d, foi feito com uma forma\u00e7\u00e3o expandida, com metais e percuss\u00e3o. Essa e outras experi\u00eancias em que voc\u00eas agregaram outros m\u00fasicos colaboraram para a sonoridade do \u201cV\u201d? Ou o processo foi mais deliberado mesmo?<\/strong><br \/>\nUma das coisas nas quais a banda teve sorte foi que ela nunca se perdeu no pr\u00f3prio caminho. Todo disco a gente est\u00e1 fazendo algo diferente, agora a gente amadureceu a ponto de poder ficar numa velocidade de cruzeiro em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 est\u00e9tica \u2013 at\u00e9 porque, se n\u00e3o for assim, o pr\u00f3ximo disco vai ser o que, techno? O fato de \u201cTodas as Bandeiras\u201d <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/10\/18\/entrevista-maglore-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ter tido tanta ma\u00e7aroca de guitarra foi um neg\u00f3cio inimagin\u00e1vel<\/a>, tinha guitarra de 12 cordas com fuzz! Era uma ma\u00e7aroca que em alguns momentos parecia um som de trompete, trombone. A\u00ed a gente come\u00e7ou a colocar metais no show, para refor\u00e7ar essa sonoridade. Mas a gente foi mudando um pouco a nossa forma de enxergar aquilo tudo: j\u00e1 fomos um trio, j\u00e1 gravamos um disco s\u00f3 com uma guitarra sem overdub nenhum, e a\u00ed ficamos vendo a possibilidade de ser big band (risos). A gente vai envelhecendo e vai curtindo as coisas velhas mesmo, \u201cThe Long and Winding Road\u201d, sabe? E por que a gente n\u00e3o pode fazer isso hein? Se tiver que ser uma vez s\u00f3 na vida, que seja logo. A gente queria encher de arranjo de cordas, ter um trio de violinos. N\u00e3o conseguimos ter esse trio, mas a gente chamou o Thiago Mello, um violinista muito bom de BH, e ele falou para a gente n\u00e3o se preocupar, que era s\u00f3 eu cantar o que eu queria de violino e ele ia gravando na hora, abrindo os canais, assim na loucura total mas fluindo. Todo mundo ia se ajudando e fomos fazendo uma orquestra de um homem s\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mesmo que alguns shows pontuais venham a ter m\u00fasicos convidados, imagino que o grosso da turn\u00ea vai ser feito s\u00f3 com voc\u00eas quatro no palco mesmo. Eu n\u00e3o consigo imaginar o Maglore levando bases pr\u00e9-gravadas e soltando pistas no show (risos)&#8230;<\/strong><br \/>\nPorra, n\u00e3o vai rolar! (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que bom! (mais risos) Mas acho que vale perguntar como t\u00e1 sendo o trabalho de adequar essas can\u00e7\u00f5es para o formato quarteto mesmo.<\/strong><br \/>\nVai ficar naked mesmo. Quando a gente gravou, deixamos as can\u00e7\u00f5es sem nada [de arranjos adicionais] por um tempo. Grav\u00e1vamos os quatro, e s\u00f3 quando a gente estava satisfeito com aquilo e via que poderia ficar sem os apetrechos \u2013 sem os metais e sem as cordas \u2013 s\u00f3 a\u00ed que a gente adicionava. A gente s\u00f3 colocou quando dava para n\u00e3o colocar, tipo assim. Mas na nossa cabe\u00e7a t\u00e1 tudo rolando j\u00e1. A gente tem a manha de fazer os arranjos de metais que eram originalmente arranjos de guitarra com fuzz, ent\u00e3o de certa forma a gente descobriu um caminho para fazer a onda. \u00c9 \u00f3bvio que n\u00e3o tem toda aquela coisa cheia [do disco], mas eu me dou por muito satisfeito com esse caminho, que \u00e9 mais cru. At\u00e9 temos show marcado em que seria poss\u00edvel levar mais m\u00fasicos, mas a gente acha que n\u00e3o deve, porque entendemos que a galera tem que ter um pouco dessas duas experi\u00eancias tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-68916\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/magloreV1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/magloreV1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/magloreV1-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/magloreV1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea falou isso e eu lembrei de uma entrevista que fizemos com a banda norte-americana Lambchop. Na \u00e9poca, eram 14 m\u00fasicos na forma\u00e7\u00e3o, e eles haviam gravado um disco, \u201cNixon\u201d (2000), em que ainda eram complementados por cordas e metais adicionais. Foi o maior sucesso deles, mas segundo o [trompetista] Jonathan Marx contou na entrevista, a turn\u00ea foi complicada, porque os shows eram feitos com apenas sete m\u00fasicos, e o p\u00fablico, principalmente o europeu, se frustrava porque isso deixava os arranjos bem diferentes. Ent\u00e3o \u00e9 muito legal te ouvir dizer que o p\u00fablico precisa se acostumar tamb\u00e9m. Ali\u00e1s, em suas entrevistas, voc\u00eas sempre deixam claro que n\u00e3o est\u00e3o dispostos a serem ref\u00e9ns do seu pr\u00f3prio p\u00fablico.<\/strong><br \/>\nAh, n\u00e3o, a gente n\u00e3o pode! At\u00e9 porque o nosso p\u00fablico n\u00e3o quer isso, entendeu? A rela\u00e7\u00e3o tem que ser muito verdadeira. Voc\u00ea sabe que o Paralamas faz muito show s\u00f3 em power trio de vez em quando, ou s\u00f3 eles e [o tecladista] Jo\u00e3o Fera, sem os metais. Eu j\u00e1 vi show dos dois tipos e sinceramente eu n\u00e3o sei dizer qual \u00e9 o melhor (risos). Tem um estado de execu\u00e7\u00e3o, um estado de arranjo, que voc\u00ea cria para se adequar. Tem ensaios em que eu toco mesclando dois tipos de arranjo, meio que tocando duas coisas ao mesmo tempo na guitarra, para ficar muito mais pr\u00f3ximo da sonoridade do disco. Ent\u00e3o, de certa forma, \u00e9 bem parecido. Por mais que voc\u00ea tenha mais harm\u00f4nicos de cordas e os metais atacando, nas guitarras a gente consegue compensar. Leo comprou um harmoniserzinho, e o os harm\u00f4nicos vem mais de um canto, eu toco um arranjo no meio do caminho entre uma guitarra e um violino\u2026 Acaba criando uma sonoridade \u00fanica no ao vivo. Eu at\u00e9 tenho planos de tentar fazer uma esp\u00e9cie de grava\u00e7\u00e3o desse disco sem todo esse neg\u00f3cio de cordas e metais, pode ser interessante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outra coisa que est\u00e1 bem diferente nesse disco \u00e9 o registro da sua voz. Me parece que voc\u00ea a tratou mais como um instrumento e menos como um ve\u00edculo para as letras, ao ponto de explorar alguns registros e algumas tonalidades que nunca havia explorado antes.<\/strong><br \/>\nEnt\u00e3o, esse t\u00f3pico me preocupa. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 banda, arranjo ao vivo, se \u00e9 com metais ou sem metais, eu n\u00e3o tenho preocupa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o. Mas a voz, sim. Eu tinha alguns calos nas cordas vocais, desses que vem por volume de estrada mesmo, por passar a vida inteira fumando e bebendo e gritando no show, e depois n\u00e3o desaquecer, aquela falta de disciplina toda. E t\u00f4 ficando velho&#8230; Mas passei dois anos sem cantar e minha voz limpou toda, ficou zerada. Tive uma dificuldade enorme de afinar a voz para a grava\u00e7\u00e3o. Tem um v\u00eddeo de \u201cRev\u00e9s de Tudo\u201d no YouTube e o pessoal t\u00e1 me perguntando por que que eu t\u00f4 cantando meio abaixado. E rapaz, era s\u00f3 mandinga para ver se afinava mesmo (risos). Eu n\u00e3o fumo mais, mas voltam os shows e com eles a dificuldade de cantar de novo, os calos v\u00e3o aparecendo no mesmo lugar\u2026 \u201cEles\u201d \u00e9 uma m\u00fasica que arrega\u00e7a a minha voz de um jeito que eu fico at\u00e9 preocupado. N\u00e3o sei quanto tempo eu vou aguentar manter ela no tom (risos), porque ela come\u00e7a num registro super grave e depois ela vai para um lugar l\u00e1 \u201cem cim\u00e3o\u201d, e eu vou ter que encontrar essa solu\u00e7\u00e3o a longo prazo (risos). Porque \u00e0 medida que eu for envelhecendo, algumas m\u00fasicas da Maglore v\u00e3o se transformando em outra coisa, a gente vai ter que mudar mesmo, e \u00e9 uma mudan\u00e7a que pode ser meio chocante pro p\u00fablico. Por enquanto,ainda t\u00e1 funcionando. Ainda consigo gritar tudo no tom certinho (risos). Mas daqui a uns cinco anos algumas coisas v\u00e3o ter que mudar, porque fiz coisas que passam da zona de conforto, m\u00fasicas de tom muito alto\u2026 Minha voz falando j\u00e1 \u00e9 alta, ent\u00e3o na hora em que eu canto, ela vai l\u00e1 na casa do cacete (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu imagino que a quest\u00e3o de contato com o p\u00fablico tamb\u00e9m seja algo preocupante. Afinal, depois de estar fora do palco por tanto tempo, vivendo esses dois anos desgra\u00e7ados, tem muita coisa que pode estar desbalanceada. J\u00e1 vi a Maglore ao vivo v\u00e1rias vezes, e logo que o \u201cIII\u201d tinha sa\u00eddo, voc\u00ea em especial tinha uma grande timidez no palco. Isso foi suavizando, mas sempre dava para ver um desconforto. S\u00f3 que a\u00ed vem o \u201cTodas as Bandeiras\u201d e voc\u00ea fica \u201con fire\u201d no palco (risos).<\/strong><br \/>\n(risos) Surreal essa pergunta! A gente melhorou, velho! Sei que parece muito arrogante falar isso pra voc\u00ea, mas desde que a gente voltou, eu n\u00e3o sei o que aconteceu na banda, porque a gente voltou melhor (risos). Espero n\u00e3o morder minha l\u00edngua, mas todos os shows que a gente fez desde dezembro at\u00e9 agora foram incr\u00edveis. A gente t\u00e1 na fase da vida onde n\u00e3o fica mais preocupado com a execu\u00e7\u00e3o. sabe? Tipo, a gente sabe que algumas coisas v\u00e3o escapar do controle. A Maglore \u00e9 uma banda que n\u00e3o tem nada eletr\u00f4nico, \u00e9 tudo muito real, e a gente n\u00e3o se preocupa tanto com essa coisa de errar. Naquela fase do \u201cIII\u201d, eu tinha muito desconforto, sim, porque tive que virar o guitarrista principal da banda, assumir um monte de arranjo, inventar um monte de arranjo de novo para um monte de m\u00fasica. Eu tinha que preencher aquele espa\u00e7o&#8230; e eu nunca tinha tido power trio. Na \u00e9poca, Rodrigo [Damati, baixista na \u00e9poca] e Dieder j\u00e1 tinham tido banda juntos, seguravam muito bem esse formato, mas para mim era um neg\u00f3cio meio desconfort\u00e1vel. Eu tenho dificuldade de me concentrar, sou um cara meio desatento com as coisas. Me concentrar em cantar as m\u00fasicas, fazer os solos, e ao mesmo tempo fazer a base, e fazer com que tudo ficasse bem era um desafio, e eu passava boa parte do show tenso. Depois eu fui entendendo que se eu levasse aquela tens\u00e3o ali para o palco n\u00e3o era bom. Melhor errar e n\u00e3o ficar tenso do que ficar tenso e acertar tudo. Tinha muito show em que eu acertava tudo, mas sa\u00eda dali com aquela energia tensa. N\u00e3o tinha aquela coisa de \u201cuh, foi massa, caralho\u201d. \u201cTodas as Bandeiras\u201d foi a volta de L\u00e9o e Luquinhas, e pelo amor de Deus, eu me sinto uma crian\u00e7a numa bicicleta de rodinha com os caras! Eu posso largar a guitarra e ser outra coisa ali no palco, me dedicar mais ao canto. E agora, depois de mais de um ano sem uma gig, a gente se re\u00fane pra fazer a pr\u00e9 do disco novo e v\u00ea que tinha feito alguma coisa especial. Nessas horas falo sem medo de julgamento, n\u00e3o \u00e9 que seja melhor do que outros artistas nem nada. Eu t\u00f4 falando pra gente mesmo: a gente sentiu que a gente fez algo especial pra gente, que t\u00ednhamos virado m\u00fasicos diferentes. E quando a gente terminou a pr\u00e9, foi mais um ano at\u00e9 que a gente fosse gravar. Ent\u00e3o a gente amadureceu s\u00f3 ouvindo aquilo ali, n\u00e9? A gente nem ensaiou para gravar, foi o \u00fanico disco em que isso rolou. Quando come\u00e7aram os shows em dezembro, a gente pensou que ia tomar uma co\u00e7a do palco, que \u00edamos apanhar dos instrumentos, mas n\u00e3o. De alguma forma que eu n\u00e3o sei explicar, a gente ficou melhor. A banda hoje \u00e9 bem melhor do que antes da pandemia. Eu acho que deve ter mexido em algum lugar meio existencial, um lance de \u201c\u00f4, eu t\u00f4 aqui, t\u00f4 vivo\u201d, sabe? Porque, tipo assim, a gente se perguntava: ser\u00e1 que a banda vai resistir? Ser\u00e1 que a gente vai sobreviver a isso? Porque muita banda acabou. Banda \u2013 de rock, de MPB \u2013 \u00e9 um dinossauro, um bicho em extin\u00e7\u00e3o na m\u00fasica hoje.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-68917\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/magloreV2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/magloreV2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/magloreV2-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/magloreV2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De fato. E que moleque vai querer montar uma banda, seja do g\u00eanero que for, hoje? O mainstream \u00e9 quase todo com artistas solo. E pior: banda \u00e9 um lance muito caro. Os instrumentos s\u00e3o caros, voc\u00ea tem que ter um lugar para ensaiar que ou vai ser uma casa muito grande ou ent\u00e3o vai pagar hora de est\u00fadio. Ter uma banda se tornou algo quase que exclusivo para a classe m\u00e9dia alta.<\/strong><br \/>\nHoje em dia, para voc\u00ea montar uma banda, tem que ter dinheiro, velho. O problema \u00e9 que a gente foi sobrevivendo sendo uma banda n\u00e9? (risos) E a gente n\u00e3o tem dinheiro. (risos) Nossas fam\u00edlias, pelo menos, n\u00e3o t\u00eam. Meu pai \u00e9 professor de matem\u00e1tica, e minha m\u00e3e \u00e9 assistente social. Quando a gente montou a Maglore, tinha a galera que falava muito que papai tava pagando a banda e tal. Sinto muito, mas rico e classe m\u00e9dia alta \u00e9 uma coisa que a gente n\u00e3o \u00e9, nunca foi. O tempo foi passando, e nesses \u00faltimos anos ficou \u00f3bvio que \u00e9 imposs\u00edvel voc\u00ea n\u00e3o refletir que, pra viver de banda hoje no Brasil, tem que ser meio maluco mesmo. Olhando para onde t\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o de pa\u00eds mesmo, e do mercado\u2026 Se um moleque que tem uma banda vier falar comigo, eu n\u00e3o consigo dormir com a consci\u00eancia tranquila se eu der um conselho pra ele viver do sonho, da banda. A primeira coisa que eu vou falar para ele \u00e9 pra ter um plano B na m\u00e3o. Porque t\u00e1 cada vez mais dif\u00edcil. Esse modelo de m\u00fasica est\u00e1 sumindo hoje em dia, e \u00e9 natural que suma, porque voc\u00ea tem muito mais poder sonoro num PA quando o show \u00e9 eletr\u00f4nico, quando voc\u00ea dispara uns sons ali. A coisa t\u00e1 muito focada no indiv\u00edduo, e menos no coletivo. O indiv\u00edduo \u00e9 a coisa mais viral. Um grupo n\u00e3o \u00e9 mais viral, n\u00e3o chega mais tanto. Mas \u00e9 natural a m\u00fasica dar essas guinadas, velho. N\u00e3o falo isso no sentido de recalque, n\u00e3o. \u00c9 que a gente gosta de fazer disco. Mas assim: todo mundo virou para a gente e falou para n\u00e3o lan\u00e7ar um disco inteiro, que era pra lan\u00e7ar single, que um disco de 47 minutos \u00e9 muito grande e ningu\u00e9m escuta mais isso. Lan\u00e7amos quatro singles e n\u00e3o funcionou legal, cara. Isoladamente, eles n\u00e3o estavam chamando aten\u00e7\u00e3o. Mas veio o disco e bateu meio milh\u00e3o de plays no Spotify em uma semana. Sabe, o p\u00fablico tava querendo ouvir. A gente construiu esse p\u00fablico, a galera foi envelhecendo com a gente. Teve gente que tava saindo da faculdade l\u00e1 por 2014, 2015, tava conhecendo a namorada no show da Maglore, e hoje esse casal aparece e pede pra levar o filhinho com um protetor de ouvido no show, t\u00e1 entendendo? A onda da banda \u00e9 assim, sabe, e eu acho que \u00e9 isso que faz a onda ficar bonita. Digo com toda humildade do mundo que hoje eu toco mais para essas pessoas do que pra as multid\u00f5es que de vez em quando a Maglore toca. N\u00e3o \u00e9 querendo ser arrogante, mas eu acho que eu dou mais valor a quem viajou 800 km para ver um show nosso, saca? Tem uma hora na vida em que voc\u00ea vai entendendo o que realmente \u00e9 palp\u00e1vel para voc\u00ea se sentir realizado. E pra mim, essas coisas foram me pegando mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltando ao \u201cV\u201d: enquanto no \u201cTodas as Bandeiras\u201d as letras olhavam para o futuro, e quase todas iam na linha de \u201ceu sei que a merda est\u00e1 vindo, mas n\u00f3s vamos lutar e vamos fazer diferente\u201d, nesse parece que a coisa \u00e9 \u201cas respostas est\u00e3o no passado\u201d. E n\u00e3o necessariamente afirmando que o passado era melhor, mas que as respostas est\u00e3o l\u00e1.<\/strong><br \/>\nA gente teve uma certa discuss\u00e3o sobre isso na banda. Discuss\u00e3o boa, n\u00e3o foi de briga. E a gente refletiu que o \u201cTodas as Bandeiras\u201d era recheado de refer\u00eancias modernas, ao mesmo tempo que remetiam \u00e0quela coisa dos anos 80, com chorus, rock Brasil, s\u00f3 que com guitarra mais modernosa e tal. E a\u00ed dessa vez a gente olhou e falou assim, \u201cvamos desligar tudo\u201d. Por que qual \u00e9 a real das m\u00fasicas pra esse disco? A gente vai ficar apontando ali para essas refer\u00eancias de novo e tal, ou vai ver se a gente consegue fazer uma m\u00fasica popza\u00e7a com tudo desligado? Ser\u00e1 que a gente consegue soar bem s\u00f3 com viol\u00e3o, bateria, piano? Porque \u00e9 muito f\u00e1cil de ficar pegas quando desliga tudo, deixando tudo menos arrojado, menos indie. Agora era a hora da gente ver se as m\u00fasicas da gente v\u00e3o ficar pegas ou n\u00e3o se v\u00e3o ficar batidas, se v\u00e3o ser mais do mesmo etc e tal. E na parte do discurso, o \u201cTodas as Bandeiras\u201d \u00e9 um disco que tem um frescor jovem, de desencanto, dessa coisa do desespero, das rela\u00e7\u00f5es se quebrando e o mundo mudando e se acabando. Os jovens hoje s\u00e3o mais inteligentes do que os da minha gera\u00e7\u00e3o, eu acho eles mais inteligentes, mas eles n\u00e3o conhecem as coisas antigas. Eles n\u00e3o conhecem o passado, e \u00e0s vezes n\u00e3o conhecem parte da hist\u00f3ria. Ent\u00e3o para mim foi muito importante nesse disco encontrar uma forma de eu tentar dizer para um monte de gente que talvez n\u00e3o conhe\u00e7a o passado que vale a pena conhecer. \u201cMaio, 1968\u201d, sabe como Luquinhas fez essa m\u00fasica? Ele pegou um jornal da \u00e9poca e fez. E ficou sensacional! Ele fez para a m\u00e3e dele e foi assim: pegou um jornal e leu todas as not\u00edcias que estavam naquele jornal no dia 1 de maio de 1968. Olha que porra que era o mundo ali, olha o que estava acontecendo! Por que est\u00e1 acontecendo tanta coisa igual hoje? Essas gera\u00e7\u00f5es que v\u00eam depois da gente, \u00e9 mais f\u00e1cil eles nos ouvirem do que ouvirem as coisas do passado. Ent\u00e3o a gente est\u00e1 trazendo isso para eles, \u00e9 um servi\u00e7o que eu acho que a gente tem que fazer, j\u00e1 que a gente gosta tanto de Beatles, de coisas t\u00e3o batidas, t\u00e3o \u00f3bvias, como Pink Floyd, rock cl\u00e1ssico etc. E a\u00ed a gente decide: vamos fazer agora, mas vamos fazer de verdade. Eu me sinto muito confiante desse jeito, porque eu acredito demais nas m\u00fasicas, e eu acho que a banda chegou a um lugar onde ela se permite fazer isso, de falar \u201cvamos fazer, e se ficar brega, se ficar bizarro, a gente n\u00e3o lan\u00e7a. Se ficar essa coisa pl\u00e1stica, pop, sabe que n\u00e3o tem nada para dizer, n\u00e3o vamos lan\u00e7ar\u201d. E se ficasse ruim, \u00e9 porque elas s\u00e3o ruins mesmo. Mas se n\u00e3o ficassem ruins, era pra lan\u00e7ar e quem sabe trazer essas coisas do passado pra galera ir atr\u00e1s e sacar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E supondo que esse intento tenha se cumprido, que algu\u00e9m mais jovem tenha ouvido, achado do cacete e decidido ir atr\u00e1s disso, quais seriam os discos que voc\u00ea recomendaria para ele fu\u00e7ar?<\/strong><br \/>\nPensando assim nas refer\u00eancias desse disco, eu diria j\u00e1 de cara que em \u201cA Vida \u00c9 uma Aventura\u201d, a primeira m\u00fasica do disco, eu queria fazer como naquela vers\u00e3o de \u201cA Voz do Morro\u201d (Z\u00e9 Keti) feita pelo Luiz Melodia no [disco] \u201cMico de Circo\u201d (1978). \u00c9 bem essa vibe. A l\u00edrica do disco \u00e9 toda mais individual, mas tem \u201cA T\u00e1bua de Esmeraldas\u201d (de Jorge Ben, 1974), que \u00e9 sempre um grande disco. E o \u201cMind Games\u201d (de John Lennon, 1973). Tem uma coisa de Wilco nesse disco, de deixar os instrumentos mais crus, que \u00e9 bem do \u201cSky Blue Sky\u201d (2007). \u00c9 \u00f3bvio que aqui estou dando exemplos de coisas que influenciaram a gente, n\u00e3o estou dizendo que a gente \u00e9 t\u00e3o competente quanto eles (risos). S\u00e3o coisas que moveram a gente. O \u201cSky Blue Sky\u201d n\u00e3o \u00e9 velho, eu sei\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/04\/26\/sky-blue-sky-um-disco-setentao-para-2007\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tem 15 anos, j\u00e1<\/a>. Pra algumas gera\u00e7\u00f5es, \u00e9 velho sim. (risos) E esse \u00faltimo, \u201cCruel Country\u201d, tamb\u00e9m tem essa crueza nos instrumentos. Talvez at\u00e9 mais.<\/strong><br \/>\nPois \u00e9! Tanto que quando a gente ouviu, a gente ficou: (faz cara de espanto) \u201cnossa!\u201d. O som \u00e9 muito diferente do nosso, mas o caminho utilizado \u00e9 de ir mais na raiz. Eles v\u00e3o a lugares de artistas de refer\u00eancia que eu n\u00e3o conhecia, ou seja, eles est\u00e3o fazendo comigo o que estou fazendo com a galera (risos). Eles s\u00e3o de outra gera\u00e7\u00e3o, mas o \u201cCruel Country\u201d \u00e9 um disca\u00e7o! \u00d3bvio, ele tem menos vigor do que um \u201cSky Blue Sky\u201d, mas tem o seu lugar, os caras tem outra fase da vida, e \u00e9 incr\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ser\u00e1 que esse n\u00e3o \u00e9 um zeitgeist? Afinal, tem muitas bandas que est\u00e3o nesse momento de depurar o som, de voltar ali no essencial, no b\u00e1sico dos instrumentos. Voc\u00eas fazendo isso, o Wilco, o \u00faltimo dos Strokes\u2026 At\u00e9 esse \u00faltimo do Midnight Oil, \u201cResist\u201d, que saiu nesse ano e \u00e9 ali, no basic\u00e3o. Talvez seja um movimento, consciente at\u00e9, de voltar e depurar o som por estar vendo mesmo que a sonoridade atual tem tanto artif\u00edcio.<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o sabia disso. O \u201cCruel Country\u201d saiu agora, enquanto o disco da Maglore est\u00e1 pronto h\u00e1 um ano (risos). Mas agora que voc\u00ea est\u00e1 falando, me parece que seja uma coisa que meio que pegou as bandas, que elas est\u00e3o come\u00e7ando a pensar dessa forma. E tem que ser, n\u00e9? Porque se a gente n\u00e3o faz isso, vai fazer o que? Vai ficar eletr\u00f4nico tamb\u00e9m, fazer o mesmo som que est\u00e1 rolando em todo lugar? P\u00f4, n\u00e3o sou bom nisso, at\u00e9 gostaria de fazer, mas n\u00e3o sou bom. O m\u00e1ximo de caminho que a gente vai \u00e9 um Radiohead, que j\u00e1 uma frita\u00e7\u00e3o, uma coisa muito louca, e eu adoro, \u00e9 super moderno e tal etc. E assim, a gente faz m\u00fasica pop, mas a\u00ed quando voc\u00ea para pensar, Maglore n\u00e3o \u00e9 pop hoje. N\u00e3o \u00e9 pop, velho, esse som j\u00e1 foi pop. Mas hoje \u00e9 alternativo, porque hoje em dia o pop \u00e9 outra coisa, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa \u00e9 uma discuss\u00e3o mais acad\u00eamica, n\u00e9? Talvez a Maglore seja pop enquanto formato de can\u00e7\u00e3o, estrutura de composi\u00e7\u00e3o, dura\u00e7\u00e3o, essas coisas. Mas n\u00e3o \u00e9 pop no sentido mercadol\u00f3gico.<\/strong><br \/>\nN\u00e3o \u00e9 popular. \u00c9 tipo can\u00e7\u00e3o pop sem ser popular, n\u00e9? Estamos num limbo, ent\u00e3o fodeu, mas seguimos fazendo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Maglore - Me Deixa Legal (Ao Vivo)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_u6okRLFrLs?list=PLFurbdaQZ9k78bh1Kgt7a55WdvpQ9Ilwa\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) \u00e9 produtor e assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/03\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u00c9 precipitado dizer que \u201cV\u201d \u00e9 o melhor \u00e1lbum do grupo, mas \u00e9 tentador faz\u00ea-lo, porque, ouvido na sequ\u00eancia, o disco tem um efeito de \u201celeva\u00e7\u00e3o\u201d.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/08\/29\/entrevista-maglore-lanca-v-olhando-para-o-passado-e-teago-oliveira-diz-que-a-banda-vive-sua-melhor-fase\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":68918,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[4803,188],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68915"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=68915"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68915\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":68927,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68915\/revisions\/68927"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/68918"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=68915"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=68915"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=68915"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}