{"id":68857,"date":"2022-08-26T02:39:37","date_gmt":"2022-08-26T05:39:37","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=68857"},"modified":"2022-09-19T17:24:17","modified_gmt":"2022-09-19T20:24:17","slug":"entrevista-glue-trip-fala-sobre-nada-tropical-o-seu-disco-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/08\/26\/entrevista-glue-trip-fala-sobre-nada-tropical-o-seu-disco-brasil\/","title":{"rendered":"Entrevista: Glue Trip fala sobre &#8220;Nada Tropical&#8221;, o seu disco Brasil"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Capelas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma viagem de cola entre praias do Nordeste, bebidas azuis, discos voadores e um pa\u00eds imagin\u00e1rio: este \u00e9 \u201c<a href=\"https:\/\/bfan.link\/nada-tropical\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Nada Tropical<\/a>\u201d, terceiro disco da Glue Trip. Ou como Lucas Moura, guitarrista, vocalista e l\u00edder do projeto, gosta de dizer, o disco \u201cBrasil\u201d da Glue Trip \u2013 uma ideia que circula por sua cabe\u00e7a desde 2018 e agora virou realidade. Lan\u00e7ado no final de julho, <a href=\"https:\/\/bfan.link\/nada-tropical\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o \u00e1lbum<\/a> combina hedonismo e pessimismo, entre a loucura e o desespero que \u00e0s vezes parecem moda em 2022. Mais do que uma vis\u00e3o de mundo diferente, os tempos dif\u00edceis dos \u00faltimos anos trouxeram novidades est\u00e9ticas para o grupo, acostumado a cantar mais em ingl\u00eas do que em portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEu n\u00e3o sentia vontade de cantar em portugu\u00eas, mas quando chegou esse momento de instabilidade social, senti que era hora de estar mais perto de quem ajuda a gente. Cantar em portugu\u00eas \u00e9 essencial nesse sentido de aproxima\u00e7\u00e3o\u201d, diz Moura, que segue \u00e0 frente do grupo e lidera agora uma nova forma\u00e7\u00e3o da Glue Trip. No novo trabalho, tamb\u00e9m integram a banda Pedro Lacerda (bateria), Thiago Leal (baixo) e Jo\u00e3o Boaventura (piano el\u00e9trico). \u201cQuando eu juntei eles, percebi que tinha um Azymuth na m\u00e3o\u201d, brinca o guitarrista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Moura, a Glue Trip sempre teve refer\u00eancias brasileiras (\u201co pessoal achava que era Tame Impala, mas [a refer\u00eancia] era Clube da Esquina\u201d), mas foi agora que isso ficou realmente expl\u00edcito \u2013 justamente no momento em esse Brasil estava dif\u00edcil de ser encontrado. &#8220;Na \u00e9poca da pandemia, a \u00fanica maneira da gente esquecer um pouco de tudo era quando a gente escutava disco. A gente olhava para o Brasil e n\u00e3o conseguia enxergar o que a gente buscava, ent\u00e3o a m\u00fasica foi esse escape\u201d, diz o l\u00edder da Glue Trip, em entrevista ao Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No papo a seguir, Moura fala mais sobre o trabalho produzido por Z\u00e9 Nigro \u2013 foi a primeira vez que a Glue Trip teve um produtor externo \u2013, pandemia e psicodelia em pleno 2022. O m\u00fasico destaca ainda as participa\u00e7\u00f5es especiais do disco, que tem Otto, Felipe S e YMA como convidados. Isso para n\u00e3o falar na presen\u00e7a do maestro Arthur Verocai em \u201cLazy Dayz\u201d, um dos singles do trabalho. \u201cQuando a gente foi no est\u00fadio, eu ficava arrepiado de cinco em cinco segundos, porque era o Verocai trabalhando na m\u00fasica que eu tinha criado!\u201d, lembra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao Scream &amp; Yell, o guitarrista conta ainda sobre os planos para o futuro (turn\u00ea na Europa em setembro, votar em Lula em outubro) e explica a receita de um drink azul especial, bebido por um ficcional Marcos Valle. Pronto para mais uma dose, leitor?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Glue Trip - Marcos Valle (Official Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tQ-WI46nmu0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cO \u00fanico Brasil poss\u00edvel \u00e9 o musical\u201d \u00e9 uma das frases que, de cara, mais chamam a aten\u00e7\u00e3o no disco \u201cNada Tropical\u201d. Explica essa hist\u00f3ria, Lucas.<\/strong><br \/>\nEssa frase veio quando estava conceituando o disco, eu queria j\u00e1 ter o nome. No come\u00e7o, a primeira ideia que eu tive foi \u201cTropical Melancolia\u201d, baseado naquele poema do Torquato Neto, \u201cMargin\u00e1lia II\u201d, que acabou virando m\u00fasica no disco de 1968 do Gilberto Gil. Eu comecei a viajar nessa ideia, e a\u00ed cheguei no \u201cNada Tropical\u201d. A ideia era a gente cultivar, dentro do som da Glue Trip, o som do Brasil. Era encurtar a dist\u00e2ncia entre a Glue Trip e o Brasil, de certa maneira. A gente queria mostrar para o p\u00fablico do Brasil que a gente sem sombra de d\u00favida \u00e9 brasileiro. E para a galera de fora, a gente queria mostrar as nossas refer\u00eancias, mostrar o que formou a Glue Trip. Essa frase que voc\u00ea destacou tamb\u00e9m tem cunho pol\u00edtico. N\u00e3o \u00e9 um pouco, \u00e9 bastante: a m\u00fasica foi um escape das not\u00edcias, da energia errada que estava rolando no Brasil em 2020, 2021\u2026 desde 2018, n\u00e9? Na \u00e9poca da pandemia, a \u00fanica maneira da gente esquecer um pouco de tudo era quando a gente escutava disco, quando ia lavar a lou\u00e7a e colocava um podcast, quando ouvia o Marcos Valle, o Jorge Ben. A gente olhava para o Brasil e n\u00e3o conseguia enxergar o que a gente buscava, ent\u00e3o a m\u00fasica foi esse escape. Foi uma frase que surgiu nos ensaios, eu estava falando com o Jo\u00e3o Boaventura, o tecladista, falando do nome \u201cNada Tropical\u201d, e ele veio com essa frase. \u00c9 o nosso jeito de dizer \u201cFora Bolsonaro\u201d. A gente n\u00e3o quis colocar explicitamente algo assim no disco porque achamos que ia ficar datado. Al\u00e9m disso, \u00e9 massa a experi\u00eancia da m\u00fasica de se transcender, para as pessoas terem a interpreta\u00e7\u00e3o da sua maneira, ent\u00e3o preferimos dizer as coisas desse jeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando \u00e9 que voc\u00eas come\u00e7aram a pensar no \u201cNada Tropical\u201d, na ideia de um disco novo?<\/strong><br \/>\nQuando eu acabo um disco, geralmente \u00e9 o momento que eu estou mais leve, estou flutuando, porque saiu todo o peso do processo de fazer o disco. E quando acabei o \u201cSea at Night\u201d, disco anterior da Glue Trip, em 2018, eu estava com essa ideia de fazer um disco de m\u00fasica brasileira, mas era s\u00f3 uma ideia abstrata. E ela ficou no canto. Em 2020, a gente ia fazer uma turn\u00ea de tr\u00eas meses pela Europa e pelos Estados Unidos. Ia ser um ano que a gente n\u00e3o teria tempo nenhum de pensar em disco. Mas quando veio a pandemia, rolou essa pausa brusca dos planos e acabou tendo a separa\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o anterior da Glue Trip. Cada um foi para um lado e eu fiquei em S\u00e3o Paulo. Em janeiro de 2021, quando a primeira pessoa foi vacinada no Brasil, eu tomei um gole de esperan\u00e7a, j\u00e1 comecei a pensar em poder voltar a trabalhar, senti que havia uma perspectiva. \u00c9 quando o \u201cNada Tropical\u201d come\u00e7a a ser pensado, quando a gente re\u00fane essa banda nova, juntando as caracter\u00edsticas de cada um. O baterista [Pedro Lacerda] \u00e9 muito t\u00e9cnico, muito grooveado, o Jo\u00e3o \u00e9 um pesquisador de m\u00fasica brasileira, e o Thiago [Leal, baixista] \u00e9 um cara mais experimental, gosta de brincar com efeitos\u2026 ent\u00e3o quando eu junto eles, percebo que tenho um Azymuth na m\u00e3o. E saquei que essa ia ser a banda que ia gravar o disco Brasil da Glue Trip. Fui catando as composi\u00e7\u00f5es que eu tinha, algumas dessa \u00e9poca, outras de antes ou do comecinho da pandemia, e levando para o est\u00fadio para trabalhar com eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Glue Trip sempre cantou mais em ingl\u00eas que em portugu\u00eas, mas nesse disco tem os dois. Por qu\u00ea cantar em portugu\u00eas agora?<\/strong><br \/>\nSempre perguntaram por que a Glue Trip nunca cantou em portugu\u00eas. Eu sentia que n\u00e3o era o momento, n\u00e3o sentia vontade de cantar em portugu\u00eas. Quando chegou esse momento de instabilidade social, essa coisa pol\u00edtica mais ca\u00f3tica, achei que era a hora da gente estar mais perto de quem ajuda a gente, da nossa fam\u00edlia, dos f\u00e3s brasileiros. Cantar em portugu\u00eas \u00e9 essencial nesse sentido de aproxima\u00e7\u00e3o. Tem uma dificuldade no come\u00e7o, porque querendo ou n\u00e3o \u00e9 a mesma l\u00edngua que Gilberto Gil e Caetano est\u00e3o escrevendo, v\u00e1rios letristas maravilhosos, ent\u00e3o voc\u00ea fica naquela press\u00e3o. Mas ao mesmo tempo, quando voc\u00ea pega o fio da meada, \u00e9 bem libertador, e voc\u00ea n\u00e3o quer parar mais porque \u00e9 viciante escrever m\u00fasica em portugu\u00eas. E tem v\u00e1rias m\u00fasicas mescladas em portugu\u00eas e em ingl\u00eas, tentando trazer o p\u00fablico de fora para entender como a gente canta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ao escutar o disco, h\u00e1 duas energias diferentes, que parecem n\u00e3o se juntar bem, mas funcionam. Uma \u00e9 uma vibe hedonista pra caralho, de bebida, festa, que t\u00e1 bem presente em m\u00fasicas como \u201cMarcos Valle\u201d. Outra \u00e9 mais pessimista, naquela sensa\u00e7\u00e3o de que est\u00e1 dando tudo errado e \u00e9 preciso escapar. \u00c9 por a\u00ed?<\/strong><br \/>\n\u00c9 um pouco assim. Cada m\u00fasica tem seu cantinho. \u201cMarcos Valle\u201d \u00e9 uma m\u00fasica de festa, \u00e9 hedonista, \u00e9 uma m\u00fasica de homenagem, de refer\u00eancia e rever\u00eancia \u00e0 discografia dele. E outras m\u00fasicas tem um pessimismo porque era o que a gente estava vivendo, \u201cLe Voyage\u201d \u00e9 uma m\u00fasica que eu fiz em agradecimento a estar vivo, por tudo que a gente tinha passado. \u00c9 um pessimismo, mas um pessimismo com uma a\u00e7\u00e3o, uma vontade de bater de frente, de falar com o futuro. \u00c9 olhar para o passado e querer conversar com o futuro. A nossa discografia tem um pouco disso: o primeiro disco \u00e9 lo-fi e fala de relacionamentos, j\u00e1 o segundo \u00e9 mais pesado. O \u201cNada Tropical\u201d vem para bagun\u00e7ar: tem festa, mas tem pessimismo, tem vontade de expressar o amor e tem maconha em \u201cLazy Dayz\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Olhar para o passado e para o futuro: o disco tem uma sonoridade retr\u00f4, mas muito cravada em 2022. Como \u00e9 trazer essa est\u00e9tica que remete aos anos 1970, mas que est\u00e1 localizada no presente?<\/strong><br \/>\nA Glue Trip sempre teve refer\u00eancias brasileiras, mas pelo fato da gente cantar em ingl\u00eas as pessoas \u00e0s vezes se confundiam um pouco. O pessoal ouvia nosso som e achava que era influ\u00eancia do Tame Impala, mas era Clube da Esquina. Quando a gente come\u00e7ou a pensar nesse disco, eu chamei o Z\u00e9 Nigro para produzir e falei sobre essa est\u00e9tica brasileira. Ele abriu espa\u00e7o pra gente brincar com os elementos, trazer equipamentos vintage, mexer com Fender Rhodes, com bateria Pinguim anos 1960, brincar. Esses instrumentos mais vintage t\u00eam uma cor diferente. Outra coisa que mudou agora foi ter um tecladista fixo, \u00e9 a primeira vez que a gente teve isso na Glue Trip. O Jo\u00e3o at\u00e9 toca synths ao vivo, mas o objeto dele \u00e9 o Fender Rhodes, \u00e9 o piano el\u00e9trico. E ajudou muito que o Jo\u00e3o \u00e9 pesquisador, saca de sonoridade, de groove.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com o Z\u00e9 Nigro, \u00e9 a primeira vez que voc\u00eas trabalham com um produtor de fora. Como \u00e9 estar num patamar que d\u00e1 para trazer algu\u00e9m de fora, e como foi esse processo?<\/strong><br \/>\nEu produzi os outros dois discos da Glue Trip e \u00e9 um sofrimento fazer tudo sozinho. Produzir, mixar, masterizar sozinho, \u00e9 legal at\u00e9 certo ponto. Quando eu fui fazer esse disco, quis fazer como manda a cartilha. N\u00e3o acho que tem certo ou errado, mas queria fazer um disco como os cl\u00e1ssicos foram feitos. O lance do produtor musical foi uma coisa essencial nesse processo. O Z\u00e9 foi uma pessoa maravilhosa, ele conversou com a gente, \u00e9 um cara que abra\u00e7a o artista. Ele n\u00e3o tem o pedestal do produtor, ele fica junto, troca a ideia, n\u00e3o esconde o sentimento, saca? O Z\u00e9 Nigro foi essencial para o \u201cNada Tropical\u201d. Teve m\u00fasica que ele colaborou muito, como \u201cMarcos Valle\u201d. A gente gravou no meio da pandemia, em junho de 2021, n\u00e3o est\u00e1vamos vacinados ainda. N\u00f3s grav\u00e1vamos as demos no est\u00fadio e mand\u00e1vamos para ele por email. Ele ficava alguns dias com a m\u00fasica e retornava para a gente esse arquivo, muitas vezes com elementos novos, sintetizadores, voz. \u201cMarcos Valle\u201d foi assim. E tinha m\u00fasicas que ele n\u00e3o fazia nada, como \u201cLe Voyage\u201d. Outro aprendizado que ele trouxe pra gente foi tirar os excessos, \u00e0s vezes na empolga\u00e7\u00e3o a gente cria muito e ele ajudou a deixar as coisas mais simples. Agrade\u00e7o muito ele a por ter entrado nesse projeto e eu acho que n\u00e3o teria sa\u00eddo da mesma maneira. Foi a primeira vez que a gente trabalhou com um produtor musical e \u00e9 um caminho meio sem volta. \u00c9 muito bom ter outras pessoas colaborando com sua obra artisticamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nos anos 1980, 1990, o padr\u00e3o era a banda gravar com o produtor e a\u00ed depois querer se autoproduzir. Hoje, parece que \u00e9 o contr\u00e1rio: as bandas se acostumaram a se autoproduzir e acham legal demais quando podem gravar com produtor. \u00c9 engra\u00e7ado como as coisas mudam na ind\u00fastria.<\/strong><br \/>\nAs coisas est\u00e3o sempre indo e voltando. Em 2011, o Tame Impala divulgou muito esse processo de como trabalhar na modernidade, do indie, surgiu o cara com um puta som produzindo tudo sozinho. Foi um incentivo danado para muitas pessoas fazerem isso. N\u00e3o se resume s\u00f3 a ele, claro, mas muita gente hoje trabalha sozinho, no quarto, essa coisa do bedroom pop. E isso fez a galera esquecer a colabora\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a coisa mais massa que tem na m\u00fasica. Artistas novos, ainda desconhecidos, fazem feats para juntar p\u00fablico, a colabora\u00e7\u00e3o \u00e9 um elemento muito chave na m\u00fasica moderna. E a colabora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 em participa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m na produ\u00e7\u00e3o musical, \u00e9 uma coisa muito m\u00e1gica. Antigamente era cultuado, depois passou a ser meio careta, porque a banda queria ter controle sobre a est\u00e9tica, e hoje em dia \u00e9 o contr\u00e1rio. Hoje, \u00e9 massa trazer produtor, trazer uma vis\u00e3o de fora para dentro do projeto. \u00c9 legal experimentar, experimentar de tudo um pouco ali.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-68860\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/GT_NADA_TROPICAL-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/GT_NADA_TROPICAL-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/GT_NADA_TROPICAL-copiar-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/GT_NADA_TROPICAL-copiar-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea falou do Tame Impala e em 2022 o \u201cLonerism\u201d t\u00e1 fazendo 10 anos. \u00c9 um disco que fez muita gente embarcar num som psicod\u00e9lico, entender que dava para ser psicod\u00e9lico e moderno ao mesmo tempo. Mas tamb\u00e9m \u00e9 um som f\u00e1cil de cair na repeti\u00e7\u00e3o e no clich\u00ea. Como \u00e9 para voc\u00ea ter essa refer\u00eancia psicod\u00e9lica e, ao mesmo tempo, buscar a evolu\u00e7\u00e3o do som?<\/strong><br \/>\nQuando voc\u00ea encara a psicodelia como uma coisa mais abrangente, voc\u00ea consegue se livrar um pouco desse clich\u00ea. Psicodelia vai muito al\u00e9m do phaser na guitarra e delay no vocal. A m\u00fasica brasileira dos anos 1960, 1970, sempre foi muito psicod\u00e9lica, s\u00f3 que os artistas dessa \u00e9poca estavam surfando uma onda sem saber se era psicod\u00e9lico ou n\u00e3o. E quando chega o trabalho do Tame Impala\u2026 eu gosto muito do \u201cInnerSpeaker\u201d, \u00e9 o melhor disco, sou muito apegado a ele, \u00e9 uma fase bem legal do Tame Impala. O \u201cLonerism\u201d eu gosto muito tamb\u00e9m, mas a partir do \u201cCurrents\u201d eu parei de escutar. Para o Kevin, o Tame Impala sempre deveria ser uma banda pop, ent\u00e3o ele termina chegando nesses clich\u00eas. Mas a psicodelia \u00e9 mais abrangente. Tem quem escute o \u201cNada Tropical\u201d e n\u00e3o escute a psicodelia. A psicodelia pode estar presente em letras, no timbre, no arranjo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u201cNada Tropical\u201d \u00e9 um disco cheio de participa\u00e7\u00f5es especiais, com Otto, YMA, Felipe S. Como foi chamar essa galera para cantar e colaborar com voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nEssa foi a turma que participou do \u00faltimo show da Glue Trip antes da pandemia. Foi no dia 7 de mar\u00e7o, no Cine Joia, era o \u00faltimo show antes da turn\u00ea para os EUA e Europa. A gente ia viajar no dia 15. Quando eu estava fazendo o disco, conversei com um amigo meu que queria trazer participa\u00e7\u00f5es para o \u201cNada Tropical\u201d, e ele falou que os convidados daquele show trouxeram uma mistura muito foda. Da\u00ed, foi bem natural o convite: a colabora\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas foi uma coisa livre, eu n\u00e3o cheguei para eles dizendo que tinha uma parte para eles cantarem, eu deixei os tr\u00eas entrarem junto na composi\u00e7\u00e3o, ir criando. Cada um entrou de uma maneira diferente: \u201cGergelim\u201d, que \u00e9 sobre paternidade, tem tudo a ver com o Felipe S., que \u00e9 um cara que \u00e9 pai e tamb\u00e9m \u00e9 um paiz\u00e3o com os amigos. Ele trouxe uma experi\u00eancia bonita, assim como o Otto, que tocou conga em \u201cBessa Beach\u201d. Ele tocou v\u00e1rias percuss\u00f5es, voltando pro instrumento dele, numa m\u00fasica que fala de sol, de praia. E a YMA teve uma coisa bem legal, ela sempre se transforma artisticamente, ela gosta de trazer uma est\u00e9tica, \u00e9 uma coisa meio David Bowie. Ela participou em \u201cLe Voyage\u201d, que \u00e9 inspirada num poema do Charles Baudelaire, e a\u00ed cismou em cantar em franc\u00eas, chegou no est\u00fadio com uma roupa toda de viagem, um \u00f3culos, foi muito engra\u00e7ado. Foi animal colaborar com os tr\u00eas, eu sou f\u00e3 deles pessoalmente. Felipe S. e Otto s\u00e3o caras que eu escuto desde adolescente, a YMA eu conheci quando vim pra S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Glue Trip tem, nos tr\u00eas discos, forma\u00e7\u00f5es diferentes, e o \u00fanico elemento em comum \u00e9 voc\u00ea. O quanto a Glue Trip \u00e9 uma banda e o quanto a Glue Trip \u00e9 s\u00f3 o Lucas?<\/strong><br \/>\nEu gosto de pensar por projetos. O \u201cNada Tropical\u201d \u00e9 um projeto. Acredito que a ess\u00eancia da Glue Trip est\u00e1 comigo, eu carrego esse projeto desde 2010, 2011, e a\u00ed ele foi crescendo, somando pessoas e tomando outras propor\u00e7\u00f5es. \u00c9 um projeto meu, mas eu gosto de ter as pessoas junto nesse lugar. Acho meio zoado isso de ter m\u00fasicos contratados, de ter uma coisa profissional. Ent\u00e3o, quando eu trago os meninos para a banda, eu abro tamb\u00e9m as composi\u00e7\u00f5es, as colabora\u00e7\u00f5es. Na minha cabe\u00e7a, eu sei que a Glue Trip sou eu, mas tamb\u00e9m tenho muito carinho e percep\u00e7\u00e3o das pessoas que j\u00e1 estiveram e que est\u00e3o comigo nesse projeto. Acho que a banda que a gente tem hoje tem uma energia muito boa, de palco e de est\u00fadio, acho que tem muito pano pra manga.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem uma figura que paira sobre o disco, que \u00e9 o Arthur Verocai. Como foi se aproximar dele e trabalhar junto com ele em \u201cLazy Dayz\u201d?<\/strong><br \/>\nFoi surreal. \u00c9 algo que eu nem poderia imaginar anos atr\u00e1s. A gente tinha acabado de gravar o disco e tinha escutado muito o som dele durante a grava\u00e7\u00e3o. No \u00faltimo dia, a gente estava ouvindo as m\u00fasicas, bebendo junto no est\u00fadio da YB, tomando cacha\u00e7a. Tem um tonel de cacha\u00e7a que o pessoal deixa l\u00e1 e vai repondo, uma vez por ano, parece um barril do Chaves. A gente estava bebendo cacha\u00e7a e comendo bolo, porque era anivers\u00e1rio do Pedrinho [Lacerda], escutando o disco. Quando entrou \u201cLazy Dayz\u201d, o Z\u00e9 Nigro falou: \u201cporra, essa m\u00fasica t\u00e1 muito boa, s\u00f3 t\u00e1 faltando o arranjo do Verocai\u201d. Foi de zoeira, mas aquilo ficou na minha cabe\u00e7a, e eu lembrei que tinha o contato do Verocai no Facebook. Pensei: \u201cvou entrar em contato com ele e ver o que vai dar, vai que rola, n\u00e3o tenho nada a perder\u201d. Mandei uma mensagem falando do disco, do projeto, mostrando nosso som, e quando ele respondeu eu me tremi todo. Foi super carinhoso, pediu para a gente entrar em contato com a assistente e a coisa foi tomando for\u00e7a. Um dia a gente falou por telefone sobre os arranjos, mas a gente s\u00f3 foi ouvir mesmo j\u00e1 no est\u00fadio. O Verocai n\u00e3o manda nada antes para voc\u00ea escutar, ele vai, chega no est\u00fadio e \u00e9 isso. N\u00e3o rola um spoiler, voc\u00ea tem que confiar. Quando a gente foi no est\u00fadio, eu ficava arrepiado de cinco em cinco segundos, porque era o Verocai trabalhando na m\u00fasica que eu tinha criado! Ele criou as partituras em cima do que a gente tinha, n\u00e3o estava mixado. E a orquestra dele \u00e9 superfina, muito alinhada. Senti que estava fazendo uma coisa hist\u00f3rica, muito feliz de ter um cara que eu admiro, com uma hist\u00f3ria que tem tudo a ver com a proposta do disco. Foi surreal a tarde que a gente passou com ele. Ele \u00e9 um cara muito brincalh\u00e3o, ficou falando do refr\u00e3o, que fala \u201carroz, feij\u00e3o e ganja\u201d. Eu falei: \u201cp\u00f4, Verocai, isso aqui \u00e9 tudo que a pessoa precisa na vida, n\u00e9\u201d e ele ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E agora, quais s\u00e3o os planos para os pr\u00f3ximos meses? Aonde essa viagem de cola vai levar voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nA viagem de cola agora vai ser literalmente uma viagem. Vamos fazer turn\u00ea na Europa por um m\u00eas, passando por It\u00e1lia, Su\u00ed\u00e7a, Fran\u00e7a, Reino Unido, Alemanha e B\u00e9lgica. Fazemos a turn\u00ea grande em setembro, a\u00ed voltamos em outubro pro Brasil para votar no Lula, e em seguida voltamos para a estrada. A ideia \u00e9 divulgar bastante o \u201cNada Tropical\u201d, tocar bastante, ano que vem j\u00e1 tem algumas coisas bem legais que ainda est\u00e3o sendo fechadas. Foi t\u00e3o prazeroso fazer esse disco que eu j\u00e1 penso em come\u00e7ar a trabalhar em outro no meio do ano que vem. J\u00e1 temos um single que a gente gravou, mas primeiro quero degustar bastante o \u201cNada Tropical\u201d, um disco que eu tenho muito orgulho de ter feito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como vai ser o esquema dessa turn\u00ea? Pegar avi\u00e3o, entrar numa Kombi e rodar?<\/strong><br \/>\nIsso. Ao chegar na Europa, a gente pega uma van e vai pingando de cidade em cidade, a ideia \u00e9 ter viagem de cinco horas por dia, come\u00e7ando por Mil\u00e3o, depois Su\u00ed\u00e7a, a\u00ed v\u00e1rias cidades na Fran\u00e7a, at\u00e9 chegar na Inglaterra, com Liverpool, Birmingham, Londres. A din\u00e2mica \u00e9 essa, uma van com os m\u00fasicos, instrumentos, merchandising, uma coisa bem guerrilha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vai dormir todo mundo na van?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, tem um canto para dormir em cada cidade que a gente vai. E \u00e9 legal demais que tem alguns lugares que j\u00e1 est\u00e3o com ingressos esgotados, Londres e Paris t\u00e1 sold out. Nunca viajamos pra fora da Am\u00e9rica Latina, s\u00f3 Argentina e Chile em 2019, foi uma experi\u00eancia massa descobrir que tem gente que ouve o Glue Trip fora do Brasil. E agora acho que vai ser uma turn\u00ea bem revigorante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pra fechar: qual \u00e9 a bebida azul que o Marcos Valle t\u00e1 bebendo?<\/strong><br \/>\nAcho que tem uma mistura muito poderosa ali. Tem uma mistura boa de cogumelos com cura\u00e7au, azul para dar uma cor, junto com uns docinhos. \u00c9 uma bebida bem variada, porque o Marcos Valle bebe do puro suco do Brasil, n\u00e9? Sa\u00fade!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Glue Trip - Tempo Presente (Official Audio)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/t50Y5IYJajE?list=PLTGqFUPKWh72lUswrtnwOVHrYx4biG1u5\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Um Document\u00e1rio Nada Tropical\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/HI0dhka20zE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@noacapelas<\/a>) \u00e9 jornalista. Apresenta o\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/indieeldorado\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa de Indie<\/a>, na Eldorado FM, e \u00e9 autor de \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Raios-trov%C3%B5es-hist%C3%B3ria-fen%C3%B4meno-R%C3%A1-Tim-Bum\/dp\/8532311385\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Raios e Trov\u00f5es \u2013 A hist\u00f3ria do fen\u00f4meno Castelo R\u00e1-Tim-Bum<\/a>\u201d, editado pela Summus Editorial. Colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010. A foto que abre o texto \u00e9 de Bel Gandolfo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Lucas Moura fala sobre o trabalho produzido por Z\u00e9 Nigro, pandemia e psicodelia em pleno 2022, e conta ainda sobre os planos para o futuro (turn\u00ea na Europa em setembro, votar em Lula em outubro) e explica a receita de um drink azul especial\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/08\/26\/entrevista-glue-trip-fala-sobre-nada-tropical-o-seu-disco-brasil\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":14,"featured_media":68859,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[3421],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68857"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=68857"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68857\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":68862,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68857\/revisions\/68862"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/68859"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=68857"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=68857"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=68857"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}