{"id":68561,"date":"2022-08-15T13:48:11","date_gmt":"2022-08-15T16:48:11","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=68561"},"modified":"2022-10-10T23:42:27","modified_gmt":"2022-10-11T02:42:27","slug":"entrevista-moons-lanca-seu-quarto-album-best-kept-secret-um-disco-leve-nas-melodias-e-melancolico-nas-letras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/08\/15\/entrevista-moons-lanca-seu-quarto-album-best-kept-secret-um-disco-leve-nas-melodias-e-melancolico-nas-letras\/","title":{"rendered":"Entrevista: Moons lan\u00e7a seu quarto \u00e1lbum, &#8220;Best Kept Secret&#8221;, um disco mais leve nas melodias e melanc\u00f3lico nas letras"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Idealizado com projeto individual de Andr\u00e9 Travassos (ex C\u00e2mera e Invis\u00edvel) em 2016, o Moons vem, no decorrer dos anos, se consolidado como um sexteto formado Jennifer Souza (voz, guitarra e percuss\u00e3o), Pedro Hamdam (bateria e percuss\u00e3o), Bernardo Bauer (voz e baixo), Digo Leite (guitarra), Felipe D\u2019 Angelo (voz, piano, guitarra bar\u00edtona e sintetizadores) al\u00e9m do pr\u00f3prio Andr\u00e9 (viol\u00e3o, guitarra e voz).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/moons\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Com quatro discos lan\u00e7ados<\/a>, o mais recente \u00e9 o belo e introspectivo \u201c<a href=\"https:\/\/ditto.fm\/best_kept_secret\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Best Kept Secret<\/a>\u201d, que saiu em junho via Balaclava Records em parceria com a Diskunion, do Jap\u00e3o. Produzido pela banda ao lado de Leonardo Marques, o \u00e1lbum foi gravado no est\u00fadio Ilha do Corvo. Diferente do trabalho anterior (\u201cDreaming Fully Awake\u201d, 2019), no qual as can\u00e7\u00f5es foram gravadas ao vivo, aqui cada instrumento foi registrado de forma separada, o que rendeu uma sonoridade ainda mais n\u00edtida e rica em detalhes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Musicalmente, \u201c<a href=\"https:\/\/ditto.fm\/best_kept_secret\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Best Kept Secret<\/a>\u201d tem a nobre miss\u00e3o de oferecer conforto para o ouvinte, uma necessidade fundamental em tempos tempestuosos como os nossos. Em entrevista concedida por e-mail, Andr\u00e9 fala sobre as inten\u00e7\u00f5es art\u00edsticas para com o novo disco, seu processo de pr\u00e9 \/ p\u00f3s produ\u00e7\u00e3o, o retorno aos palcos, a import\u00e2ncia de se posicionar politicamente, a parceria com a Balaclava, paternidade e muito mais. Leia abaixo!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Best Kept Secret\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_l4-2zIYJ8fA3RvY0L1cWdNPGCqOqU48lI\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Best Kept Secret&#8221; \u00e9 um disco belo, introspectivo que, para mim, funcionou como rem\u00e9dio \/ ant\u00edtese aos nossos tempos nos quais a turbul\u00eancia \u00e9 alta por demais. Quais foram as inten\u00e7\u00f5es que voc\u00eas buscaram construir a partir desse disco?<\/strong><br \/>\nDepois de dois anos conturbados em meio a uma pandemia sem precedentes e sob a tutela do pior governo que o Brasil teve em sua hist\u00f3ria recente, a gente precisava de um respiro. A gente quis fazer um disco leve, que servisse como uma v\u00e1lvula de escape pra toda essa loucura. Mas, ao mesmo tempo, os temas das letras do disco n\u00e3o conseguem fugir do que vivemos nesse per\u00edodo. Ent\u00e3o, de certa forma temos a leveza nas melodias, mas um certa melancolia em algumas letras. Tudo fluiu muito naturalmente, n\u00e3o foi algo premeditado. Foi a m\u00fasica que surgiu do nosso encontro depois de quase dois anos sem tocar e compor juntos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outro ponto de aten\u00e7\u00e3o positivo do novo disco diz respeito a produ\u00e7\u00e3o cuidadosa do L\u00e9o Marques. A nitidez com que se ouve cada instrumento, mesmo em seu formato digital, \u00e9 incr\u00edvel! Nesse sentido como se deu a transi\u00e7\u00e3o do material bruto e a &#8220;regulagem&#8221; na mesa de produ\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nDiferentemente do nosso disco anterior (\u201cDreaming Fully Awake\u201d), que foi gravado todo ao vivo, com os seis integrantes tocando na mesma sala, dessa vez a gente gravou as bases juntos (bateria, baixo e viol\u00f5es), mas tudo separadinho. Isso nos trouxe mais possibilidades de experimentar timbres e inserir outros elementos como o vibrafone, as cordas e os sopros. Isso de certa forma facilita o processo de p\u00f3s produ\u00e7\u00e3o, pois voc\u00ea tem todos os elementos gravados em canais separados sem sobras nos microfones como costuma ocorrer em grava\u00e7\u00f5es ao vivo com todos os elementos na mesma sala.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando agora sobre o processo de composi\u00e7\u00e3o do novo \u00e1lbum, quais foram as diferen\u00e7as substanciais que conduziram o que ouvimos em &#8220;Best Kept Secret&#8221;? Produzir um novo material num per\u00edodo pand\u00eamico interferiu de que maneira?<\/strong><br \/>\nO primeiro fator foi que nunca hav\u00edamos ficado tanto tempo sem nos encontrar pra tocar. Ent\u00e3o, durante esse per\u00edodo em casa acumulamos muitos sentimentos que serviram de combust\u00edvel e inspira\u00e7\u00e3o para essas m\u00fasicas. Al\u00e9m disso, a gente queria fazer um disco um pouco mais minimalista que os anteriores, explorando elementos que nunca hav\u00edamos utilizado como o vibrafone, o viol\u00e3o de nylon e tamb\u00e9m contar com a participa\u00e7\u00e3o de outros m\u00fasicos, que acabam por levar as m\u00fasicas para outras paisagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Desde o lan\u00e7amento do disco voc\u00ea tem feito uma s\u00e9rie de apresenta\u00e7\u00f5es em BH e em casas diversas, indo desde as mais tradicionais, passando por teatros e shows ao ar livre (como no Midnight Ro\u00e7a) e em festivais (como o Balaclava). Como tem sido a experi\u00eancia de retorno aos palcos? Em que lugar a banda se sente mais \u00e0 vontade?<\/strong><br \/>\nTem sido maravilhoso voltar aos palcos. Compor, arranjar, gravar \u00e9 muito gostoso mas \u00e9 no palco que tudo faz sentido. Ali as m\u00fasicas tomam uma outra propor\u00e7\u00e3o. Hoje, com quatro discos, podemos dizer que nos sentimos confort\u00e1veis em qualquer situa\u00e7\u00e3o. Dos shows mais intimistas em teatros at\u00e9 shows em festivais. Isso porque temos a possibilidade de mudar o repert\u00f3rio de acordo com a ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda falando sobre shows, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/07\/07\/ao-vivo-moons-lanca-quarto-disco-em-show-emocionante-em-bh\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a apresenta\u00e7\u00e3o realizada no SESIMINAS<\/a>, em BH, foi marcada pelo posicionamento pol\u00edtico em oposi\u00e7\u00e3o ao bolsonarismo e ao fato de que o Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses que mais mata ativistas no mundo. Qual a import\u00e2ncia de levantar bandeiras e deixar demarcado artisticamente de que lado a banda est\u00e1?<\/strong><br \/>\nO que nos motiva \u00e9 principalmente o desejo de vivermos em um pa\u00eds mais justo e de acreditar que o Brasil tem esse potencial. Ent\u00e3o utilizamos o espa\u00e7o que ocupamos para levantar bandeiras e causas que julgamos importantes. Tudo feito com muita verdade e responsabilidade, sem querer navegar em uma onda progressista. Temos esse canal aberto com o nosso p\u00fablico que, por sua vez, \u00e9 bastante sens\u00edvel. Isso nos d\u00e1 ainda mais confian\u00e7a para podermos assumir qual lado da hist\u00f3ria queremos estar.<\/p>\n<figure style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/moons@alexandrebiciati-7-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\"><em>Foto de Alexandre Biciati.\u00a0<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Best Kept Secret&#8221; \u00e9 mais um rebento que tem a chancela do selo Balaclava Records. Como se deu a aproxima\u00e7\u00e3o de voc\u00eas e qual a import\u00e2ncia de ter um selo independente atuando de forma conjunta a trajet\u00f3ria do grupo?<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 havia uma proximidade com a Balaclava pelo fato do C\u00e2mera, minha antiga banda, ter feito parte do casting do selo por muito anos. Quando a gente partiu pro segundo disco e vimos que a gente queria de fato investir na banda fomos atr\u00e1s de um selo que sab\u00edamos que dialogava com o nosso trabalho e que poderia abrir mais portas pra gente. No Brasil n\u00e3o tinha melhor op\u00e7\u00e3o que a Balaclava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outro ponto interessante da musicalidade da banda \u00e9 que, acredito eu, exista uma gama variada de refer\u00eancias que cada um dos seis integrantes tem, mas que quando reunidas geram p\u00e9rolas como &#8220;Let&#8217;s Do It All Again&#8221;. Nesse sentido, quais foram sons ou artistas que voc\u00eas tiveram em mente quando estavam em busca da sonoridade presente no disco?<\/strong><br \/>\nNos \u00faltimos anos a gente aproximou nosso trabalho e fomos beber na fonte de artistas como Sade, Simply Red, Fleetwood Mac, Everything But the Girl, Air, etc. Em comum entre eles (e o que nos fascina) h\u00e1 o apre\u00e7o por arranjos leves e simples mas classudos e m\u00fasicas t\u00e3o \u00edntimas quanto dan\u00e7antes. A gente reconhece um pouco disso no nosso trabalho tamb\u00e9m. Al\u00e9m de serem bandas que temos um rela\u00e7\u00e3o afetiva enorme, pois estava sempre no som do carro e de festas dos nossos pais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Trazendo \u00e0 tona outra faixa que se destaca \u00e9 a bel\u00edssima &#8220;Childlike Wisdom&#8221;. Ela promove uma ode a paternidade de forma sens\u00edvel e comovente que, confesso, bateu forte por aqui. Num mundo ainda marcado pela cultura machista, no qual muitos homens tornam-se figuras ausentes na vida de suas crias, como tem sido o exerc\u00edcio da paternidade para voc\u00eas? Quais s\u00e3o as preocupa\u00e7\u00f5es, anseios e alegrias nesse exerc\u00edcio?<\/strong><br \/>\nA paternidade tem sido um constante aprendizado. E como falamos na m\u00fasica a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 que temos aprendido muito mais do que de fato ensinado. Primeiro, h\u00e1 de alguma forma um reencontro com a nossa propria hist\u00f3ria. A inoc\u00eancia e a sabedoria que vamos perdendo com o passar dos anos e que praticamente se esvai com a chegada da vida adulta. O meu maior desejo enquanto pai \u00e9 que minha filha desfrute da sua inf\u00e2ncia e que na medida do poss\u00edvel preserve ao m\u00e1ximo a crian\u00e7a pura, doce e sens\u00edvel que ela \u00e9. Enquanto isso, me esfor\u00e7o pra pavimentar o caminho mais acolhedor possivel pra ela e tornar o mundo um lugar melhor, onde a diversidade \u00e9 respeitada e celebrada. \u00c9 um caminho longo, mas sinto que com o seu nascimento esse \u00e9 o meu prop\u00f3sito na vida<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por fim, com o aquecimento do mercado de shows quais s\u00e3o os planos futuros da banda? Como pretendem conciliar as atividades solo que cada um de voc\u00ea tem?<\/strong><br \/>\nO desejo enorme de circular o m\u00e1ximo poss\u00edvel e colocar no palco a hist\u00f3ria que estamos escrevendo ao longo de seis anos e quatro discos. Desde que o Moons se estabeleceu com essa forma\u00e7\u00e3o temos conseguido conciliar as agendas de todo mundo para que cada um se dedique a projetos que s\u00e3o importantes. Tem rolado bonito e acaba servindo de combust\u00edvel pro nosso trabalho tamb\u00e9m j\u00e1 que somos muito f\u00e3s do trabalho individual de cada um.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-68566\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/1-vertical-Moons-por-Lucca-Mezzacappa_baixa-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1125\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/1-vertical-Moons-por-Lucca-Mezzacappa_baixa-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/1-vertical-Moons-por-Lucca-Mezzacappa_baixa-copiar-200x300.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Bruno Lisboa<\/a>\u00a0 escreve no Scream &amp; Yell desde 2014. A foto que abre e fecha o texto s\u00e3o de Lucca Mezzacappa<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;A gente quis fazer um disco leve, que servisse como uma v\u00e1lvula de escape pra toda essa loucura. Mas, ao mesmo tempo, os temas das letras do disco n\u00e3o conseguem fugir do que vivemos nesse per\u00edodo&#8221;, diz Andr\u00e9 Travassos\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/08\/15\/entrevista-moons-lanca-seu-quarto-album-best-kept-secret-um-disco-leve-nas-melodias-e-melancolico-nas-letras\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":68565,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1538],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68561"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=68561"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68561\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":68568,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68561\/revisions\/68568"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/68565"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=68561"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=68561"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=68561"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}