{"id":68267,"date":"2022-08-03T02:24:17","date_gmt":"2022-08-03T05:24:17","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=68267"},"modified":"2022-09-07T01:05:31","modified_gmt":"2022-09-07T04:05:31","slug":"entrevista-o-guitarrista-filippe-dias-fala-de-seu-segundo-disco-dias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/08\/03\/entrevista-o-guitarrista-filippe-dias-fala-de-seu-segundo-disco-dias\/","title":{"rendered":"Entrevista: O guitarrista Filippe Dias fala de seu segundo disco, &#8220;DIAS&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/paulo.pontes.376\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Paulo Pontes<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.filippedias.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Filippe Dias<\/a> transita entre o vintage, com sonoridade dos anos 60 e 70, e o moderno, incorporando diferentes influ\u00eancias para se guiar por ambientes que at\u00e9 ent\u00e3o ele n\u00e3o havia explorado. Em \u201c<a href=\"https:\/\/ditto.fm\/dias-filippe-dias\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">DIAS<\/a>\u201d (2022), seu segundo disco, ele nos mostra o quanto \u00e9 plural na execu\u00e7\u00e3o dos instrumentos e na constru\u00e7\u00e3o das composi\u00e7\u00f5es. O ponto de partida \u00e9 o blues, mas, diferente de seu lan\u00e7amento anterior, \u201cBorderliner\u201d (2016), neste novo trabalho o guitarrista segue uma linha mais conceitual e diversificada, tanto nas composi\u00e7\u00f5es quanto na musicalidade, que resgata refer\u00eancias que passam pelo rock, blues, neo-soul, R&amp;B, folk e MPB. Tudo isso ao longo de 11 faixas autorais em que tais nuances sonoras s\u00e3o inseridas para dar liga ao desenvolvimento narrativo do disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O principal objetivo de Filippe Dias \u00e9 que, ao escutar \u201c<a href=\"https:\/\/ditto.fm\/dias-filippe-dias\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">DIAS<\/a>\u201d, o ouvinte tenha a sensa\u00e7\u00e3o de percurso, saindo do ponto inicial at\u00e9 a chegada para o recome\u00e7o de outra hist\u00f3ria que de alguma forma pode terminar. Conforme as faixas v\u00e3o passando, fica cada vez mais percept\u00edvel que se trata de est\u00e1gios distintos de uma mesma hist\u00f3ria. \u201cHoje olho com distanciamento e vejo que a concep\u00e7\u00e3o desse disco foi um processo muito natural pra mim, embora trabalhoso e intrincado\u201d, analisa o m\u00fasico. \u201cDIAS\u201d foi produzido, gravado e mixado pelo conceituado Amleto Barboni \u2014 que tamb\u00e9m assina os arranjos orquestrais \u2014, no Mosh Studios, em S\u00e3o Paulo, e masterizado por Brian Lucey (Doyle Bramhall II, The Black Keys, e Arctic Monkeys), em Los Angeles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNada mais adequado, em um disco que fala do tempo, que o tempo vivido de maneira t\u00e3o intensa, durante essa espera que foi o per\u00edodo da pandemia, se traduzisse em arte\u201d, diz Filippe, praticamente resumindo um disco que come\u00e7ou a ser gravado dois meses antes da pandemia (um dia antes do lockdown, o guitarrista estava em est\u00fadio) e necessitou de uma pausa for\u00e7ada devido a todas as recomenda\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias e cuidados pand\u00eamicos (\u201cQuando tive Covid, eu s\u00f3 conseguia pensar no disco. \u00c0s vezes me via pensando \u2018n\u00e3o posso morrer, tenho um disco pra finalizar\u2019\u201d, relembra). Realmente, o tempo deu todo o direcionamento necess\u00e1rio para que Filippe estruturasse as bases do que se tornou <a href=\"https:\/\/ditto.fm\/dias-filippe-dias\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o \u00e1lbum<\/a>. Leia abaixo a entrevista completa (que inclusive traz um \u201cspoiler\u201d sobre o pr\u00f3ximo disco do m\u00fasico):<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"DIAS\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_nP4-Xz0DE4eSxbRaKJIP9wsJ-NpqlPXSw\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Filippe, diferentemente do seu disco de estreia, \u201cBorderliner\u201d (2016), \u201cDIAS\u201d (2022) tem uma pegada mais conceitual, com conex\u00f5es entre cada can\u00e7\u00e3o. Como surgiu essa proposta para o \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nEssa proposta come\u00e7ou como algo inconsciente. Quando comecei a compor para o disco, vi que, sem perceber, estava fazendo m\u00fasicas que estavam dentro de um mesmo universo tem\u00e1tico, que estavam meio que falando da mesma hist\u00f3ria. Ao mesmo tempo, comecei a experimentar com a ideia de revisitar determinados temas mel\u00f3dicos em diferentes m\u00fasicas, e vi que n\u00e3o s\u00f3 funcionava como tornou o processo muito mais interessante e significativo. A partir da\u00ed, comecei a, conscientemente, fazer as m\u00fasicas dentro de uma mesma narrativa de forma que houvesse uma continuidade, e que o tempo permeasse essa narrativa como conceito. Isso me estimulou bastante porque trouxe a perspectiva de desenvolver uma experi\u00eancia musical muito mais rica. Embora tenha sido de antem\u00e3o um processo desafiador, foi algo que fez bastante sentido pra mim no aspecto criativo, pois muitos dos meus \u00e1lbuns favoritos s\u00e3o conceituais. Um em especial, \u201cSmile\u201d, dos Beach Boys, foi uma inspira\u00e7\u00e3o bastante determinante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O am\u00e1lgama sonoro do disco \u00e9 muito forte, com refer\u00eancias que v\u00e3o do rock \u00e0 MPB, passando por R&amp;B, blues e folk\u2026 Essa riqueza de estilos foi proposital para conectar com cada letra e suas nuances?<\/strong><br \/>\nFoi proposital na medida em que eu quis que cada influ\u00eancia minha se fizesse presente de forma a enriquecer a experi\u00eancia toda. O blues \u00e9 a base do disco todo, como \u00e9 a base da minha identidade musical, mas quando come\u00e7o a compor uma m\u00fasica ela acaba incorporando muito de outras influ\u00eancias, e o blues acaba virando mais a alma do trabalho do que o g\u00eanero da coisa em si. Acabou que eu tamb\u00e9m trouxe essa am\u00e1lgama para o conceito, para mostrar como a passagem do tempo influenciou no pr\u00f3prio processo do disco. Ele come\u00e7a mais bluesy e vai se transformando, o que acaba sendo tamb\u00e9m um retrato da minha transforma\u00e7\u00e3o como artista. O disco aponta para um futuro menos bluesy e mais plural musicalmente, mas sem jamais deixar o blues de lado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O quanto das letras de \u201cDIAS\u201d est\u00e1 diretamente ligado \u00e0s suas experi\u00eancias pessoais?<\/strong><br \/>\nEu diria que 99%. Eu escrevi de forma que todo mundo se identificasse com o que eu estou cantando ali; rupturas, encontros, reencontros e a passagem do tempo dentro disso tudo s\u00e3o coisas universais, todo mundo passa por isso. A intensidade das coisas que eu vivi nos \u00faltimos anos relacionadas a essas quest\u00f5es fatalmente refletiu muito na minha produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Tendo isso em vista, posso dizer que fazer um disco conceitual se tornou algo quase inevit\u00e1vel. Hoje olho com distanciamento e vejo que a concep\u00e7\u00e3o desse disco foi um processo muito natural pra mim, embora trabalhoso e intrincado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Existe uma rela\u00e7\u00e3o entre o disco e a fotografia, no sentido conceitual de servir como um retrato de um momento, de um tempo. Essa forma de arte tamb\u00e9m \u00e9 uma de suas paix\u00f5es?<\/strong><br \/>\nSim, \u00e9 uma grande paix\u00e3o. O cinema em particular \u00e9 algo muito presente na minha vida, algo com que tenho uma liga\u00e7\u00e3o muito forte. Considero que tanto a carga emocional do cinema como as trilhas sonoras foram influ\u00eancias muito fortes nesse trabalho, particularmente na parte orquestral do disco.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-68268\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/dias1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"592\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/dias1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/dias1-300x237.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco foi masterizado por Brian Lucey, que j\u00e1 trabalhou, entre outros, em dois discos que voc\u00ea j\u00e1 comentou gostar muito: Brothers, do The Black Keys, e Rich Man, do Doyle Bramhall II. Fale um pouco sobre como foi realizar esse trabalho com ele.<\/strong><br \/>\nEntrei em contato com o Brian ainda em 2019, pois ele masterizou estes \u00e1lbuns que voc\u00ea mencionou que s\u00e3o dois dos meus favoritos e uma grande influ\u00eancia em \u201cDIAS\u201d. Estava buscando esse padr\u00e3o de som para a master e ele prontamente se mostrou dispon\u00edvel. Tive a oportunidade de explicar as nuances sonoras que eu queria para cada m\u00fasica; ao mesmo tempo, dei a ele liberdade para que colocasse seu pr\u00f3prio tempero na masteriza\u00e7\u00e3o, queria que ele tivesse essa liberdade art\u00edstica. O resultado n\u00e3o poderia ter sido melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As grava\u00e7\u00f5es iniciaram dois meses antes do in\u00edcio da pandemia (inclusive, um dia antes do lockdown voc\u00ea chegou a realizar grava\u00e7\u00f5es em est\u00fadio). Entretanto, as composi\u00e7\u00f5es come\u00e7aram h\u00e1 cerca de 5 anos. Nesse meio tempo, voc\u00eas ficaram 1 ano e 10 meses fora do est\u00fadio, devido \u00e0 situa\u00e7\u00e3o causada pela covid-19. O que mudou de l\u00e1 para c\u00e1 em um disco que, at\u00e9 ent\u00e3o, estava praticamente pronto na sua cabe\u00e7a?<\/strong><br \/>\nFoi uma \u00e9poca muito turbulenta, emocionalmente intensa, e muitas coisas que inspiraram a hist\u00f3ria do disco mudaram; houve rupturas e tive que ressignificar algumas coisas na minha vida, ent\u00e3o eu quis que o final do disco mudasse tamb\u00e9m pra refletir essas mudan\u00e7as e para traduzir em m\u00fasica toda essa intensidade que se fez presente nesse per\u00edodo. Nada mais adequado, em um disco que fala do tempo, que o tempo vivido de maneira t\u00e3o intensa durante essa espera que foi o per\u00edodo da pandemia se traduzisse em arte. Foi o que fiz. Da\u00ed surgiu a ideia do final orquestral e a conex\u00e3o entre as tr\u00eas \u00faltimas m\u00fasicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea diria que o \u201csil\u00eancio\u201d, esse per\u00edodo de isolamento, foi primordial para que o som pudesse transcender a din\u00e2mica que voc\u00ea havia desenhado anteriormente?<\/strong><br \/>\nSem d\u00favida. Tive muito tempo sozinho em casa na companhia apenas das minhas ideias musicais. Foi um per\u00edodo de contempla\u00e7\u00e3o da minha m\u00fasica que me permitiu muitos entendimentos e amadurecimentos dentro da m\u00fasica. Tudo que era grande nesse disco eu quis que ficasse maior.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-68269\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/dias2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/dias2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/dias2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em algum momento voc\u00ea chegou a pensar que \u201cDIAS\u201d n\u00e3o seria finalizado da maneira como voc\u00ea desejava?<\/strong><br \/>\nTive esse medo sim, principalmente no come\u00e7o da pandemia, ali nos primeiros 4 meses, em que tudo estava t\u00e3o incerto. Ao mesmo tempo, eu estava disposto a falir pra que o disco nascesse do jeito que eu queria. Era impens\u00e1vel pra mim que n\u00e3o ficasse do jeito que eu imaginei. \u00c9 um trabalho muito pessoal. E teve tamb\u00e9m o medo de ficar doente e n\u00e3o completar o trabalho. Quando tive Covid, eu s\u00f3 conseguia pensar no disco. \u00c0s vezes me via pensando &#8220;n\u00e3o posso morrer, tenho um disco pra finalizar.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As duas \u00faltimas m\u00fasicas do \u00e1lbum, \u201cSingularidade\u201d e \u201cBarquinho\u201d, ambas cantadas em portugu\u00eas, apesar de se conectarem com o restante do disco, seguem uma proposta sonora diferente. A escolha por encerrar \u201cDias\u201d com elas pode ser encarada como uma sugest\u00e3o para futuras composi\u00e7\u00f5es e direcionamento musical?<\/strong><br \/>\nPode sim. \u00c9 um desejo meu trazer algo de mais experimental e brasileiro em termos de composi\u00e7\u00e3o para o pr\u00f3ximo trabalho e fundamentalmente em portugu\u00eas, mas mantendo a sonoridade gringa. Estou deixando para tr\u00e1s essa coisa de compor em ingl\u00eas e achei adequado o disco fechar em portugu\u00eas como parte dessa transforma\u00e7\u00e3o. O pr\u00f3ximo disco j\u00e1 tem nome: \u201cDias Depois&#8221;, e ser\u00e1 uma continuidade de &#8220;Dias&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O final de \u201cDIAS\u201d tem um ar \u00e9pico, potencializado por um lindo arranjo orquestral escrito pelo Amleto Barboni, que tamb\u00e9m produziu, gravou e mixou o \u00e1lbum. Como foi essa troca para ele poder traduzir as emo\u00e7\u00f5es e os sentimentos que voc\u00ea queria transmitir no encerramento do disco?<\/strong><br \/>\nO Amleto foi um grande parceiro nesse trabalho porque ele acreditou em absolutamente tudo que eu quis fazer nesse disco. Nenhuma ideia que eu tive foi ousada demais pra ele. Acho que o Amleto \u00e9 a \u00fanica pessoa que conhe\u00e7o que tem o mesmo amor e respeito pela m\u00fasica que eu, e por isso que foi t\u00e3o maravilhoso trabalharmos juntos, fora o fato de ser um m\u00fasico genial e ter um ouvido absurdo para timbres. Nosso tempo junto no est\u00fadio \u00e9 algo que vou levar pra sempre. Quando eu trouxe a ideia da orquestra os olhos dele brilharam, porque ele \u00e9 um baita arranjador e compartilha de muitas das influ\u00eancias que eu queria trazer, como Ennio Morricone, Brahms. Ent\u00e3o eu expliquei pra ele que eu queria que soasse de uma determinada maneira, e que a orquestra revisitasse determinados temas musicais que j\u00e1 tinham aparecido em m\u00fasicas anteriores, temas que eu especifiquei pra ele. Ele ficou 2 ou 3 meses fazendo um primeiro arranjo. Quando escutei, falei que n\u00e3o era bem aquilo, que o que eu imaginava na minha cabe\u00e7a era outra coisa. Expliquei melhor o que eu imaginava \u2013 como sou autodidata, n\u00e3o sei falar linguagem de m\u00fasico, s\u00f3 sei falar de emo\u00e7\u00f5es e sentimentos, ent\u00e3o falei o que queria sentir. Expliquei cada emo\u00e7\u00e3o e a hist\u00f3ria que eu queria que a orquestra contasse, e passei algumas refer\u00eancias, e ele trouxe as dele tamb\u00e9m. Quando ele me mandou o segundo arranjo, eu escutei e chorei, e eu sabia que era aquilo, porque parecia que ele tinha entrado na minha cabe\u00e7a e escutado o que estava tocando l\u00e1. Estava perfeito. Foi emocionante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ap\u00f3s 5 anos, desde o in\u00edcio das composi\u00e7\u00f5es at\u00e9 agora, com \u201cDIAS\u201d no mercado, qual \u00e9 o balan\u00e7o que voc\u00ea faz? Quais sentimentos voc\u00ea tem agora com a recep\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\n\u201cDIAS\u201d excedeu todas as minhas expectativas enquanto obra musical. Nasceu muito maior do que eu tinha concebido l\u00e1 atr\u00e1s. Ent\u00e3o, artisticamente, me traz um orgulho muito grande. Acho que n\u00e3o dava pra ter ficado melhor, e acho que \u00e9 um \u00e1lbum que vai ficar, sabe? Vai marcar quem escutar. A recep\u00e7\u00e3o tem sido \u00f3tima, muita gente chegando at\u00e9 mim e falando o que eu queria escutar: que \u00e9 um som que nem parece que foi feito no Brasil, e que choraram escutando o disco. O desafio agora \u00e9 fazer chegar em mais e mais pessoas. Ser independente n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, e o artista hoje vive uma disputa muito grande pela aten\u00e7\u00e3o das pessoas, que \u00e9 cada vez mais desviada para as coisas mais banais. \u00c9 triste que o banal roube o espa\u00e7o da arte, mas a realidade que a gente vive \u00e9 isso, e a gente tem que encontrar novos caminhos. Ainda assim, acho que a arte feita com amor sempre vai encontrar o caminho para o cora\u00e7\u00e3o das pessoas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Filippe Dias - DIAS ANTES: A produ\u00e7\u00e3o do disco DIAS\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Db84GxF70Ck?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Paulo Pontes \u00e9 colaborador do\u00a0<a href=\"http:\/\/whiplash.net\/autores\/paulopontes.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Whiplash,\u00a0<\/a>assina a\u00a0<a href=\"http:\/\/lounge.obviousmag.org\/kontratak_kultural\/autor\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Kontratak Kultural<\/a>\u00a0e escreve de rock, hard rock e metal no Scream &amp; Yell. \u00c9 autor do livro \u201c<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/photo.php?fbid=2123311197759382&amp;set=a.356284934462026&amp;type=3&amp;theater\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A Arte de Narrar Vidas: hist\u00f3rias al\u00e9m dos biografados<\/a>\u201c. A foto que abre o texto \u00e9 de Filipe Nevares.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Filippe transita entre o vintage, com sonoridade dos anos 60 e 70, e o moderno, incorporando diferentes influ\u00eancias. 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