{"id":68167,"date":"2022-08-01T00:01:00","date_gmt":"2022-08-01T03:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=68167"},"modified":"2022-09-22T00:23:17","modified_gmt":"2022-09-22T03:23:17","slug":"dolores-fantasma-df2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/08\/01\/dolores-fantasma-df2\/","title":{"rendered":"Entrevista: Dolores Fantasma e o pop desafiador de &#8220;DF2&#8221;, o segundo disco"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a>\u00a0<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dolores Fantasma \u00e9 Olavo Rocha e Pedro Canales. \u00c9 uma banda que, por ora, s\u00f3 existe em est\u00fadio. \u00c9 uma banda que, desde o primeiro momento, desafia o ouvinte com can\u00e7\u00f5es pop. E \u00e9 uma banda que pouca gente conhece e poucos ir\u00e3o conhecer, mas n\u00e3o \u00e9 isso que ir\u00e1 par\u00e1-los.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Olavo e Pedro s\u00e3o pai e filho, e s\u00e3o tamb\u00e9m integrantes do Gianoukas Papoulas, uma banda que alguns chamariam de power pop, outros de indie, e outros at\u00e9 de rock. Rock decididamente se aplica ao Lestics, outra banda de Olavo, mas jamais rock naquele sentido caricato que, tristemente, parece estar se tornando a percep\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria do g\u00eanero \u2013 por culpa do pr\u00f3prio g\u00eanero, diga-se.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Dolores Fantasma nasceu como um projeto de est\u00fadio que, em seu primeiro lan\u00e7amento, \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/04\/02\/esse-voce-precisa-ouvir-voto-de-silencio-horror-vacui-dolores-fantasma\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Voto de Sil\u00eancio\/Horror Vacui<\/a>\u201d, abra\u00e7ou diversos convidados, pin\u00e7ados entre o universo de m\u00fasicos admirados por Olavo Rocha. Thomas Pappon (Fellini, 3 Hombres, The Gilbertos, Volunt\u00e1rios da P\u00e1tria, Smack e talvez alguma outra que eu esqueci), Loop B (um dos precursores da m\u00fasica eletr\u00f4nica autoral no Brasil), Rubinho Troll (Sexo Expl\u00edcito) e Ivan Santos (OAEOZ, Hotel Avenida, IMOF, SAM&amp;C), al\u00e9m dos parceiros de longa data (e igualmente admirados) Umberto Serpieri, Marcelo Patu (ambos do Lestics) e Luiz Miranda (Gianoukas Papoulas).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 esse segundo, \u201cDF2\u201d (<a href=\"https:\/\/doloresfantasma.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bandcamp<\/a> \/ <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/1wGQKpFXAzhhM1kslCsbTL\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Spotify<\/a>), \u00e9 apenas Olavo nas vozes e Pedro tocando todos os instrumentos. Salvo pela participa\u00e7\u00e3o do baterista Felipe Rezende em tr\u00eas faixas, \u00e9 tudo concentrado nos dois. E mais: s\u00e3o 13 faixas em 14 minutos. Mas n\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 o disco punk rock hardcore do duo. Ao contr\u00e1rio, \u00e9 ainda mais delicado e agridoce que o \u00e1lbum anterior. \u00c9, como j\u00e1 se escreveu no primeiro par\u00e1grafo, pop. Pop breve, direto, por vezes contundente, e at\u00e9 bem-humorado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 o pop mainstream. Se o primeiro trazia melodias envolventes para emoldurar um disco entristecido e denso, esse segundo \u00e9 solar, ainda que de maneiras tortas. E claro, a presen\u00e7a do sol n\u00e3o quer dizer que as sombras desaparecem. Est\u00e3o apenas melhor dosadas com outros tons de azul e verde. E passando t\u00e3o r\u00e1pido como uma nuvem de chuva em seus breves 14 minutos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa brevidade instiga a ouvir e reouvir o disco, mas tamb\u00e9m ati\u00e7a a curiosidade de quem pensa na m\u00fasica para al\u00e9m do que soa nos ouvidos. O que levou a buscar essa s\u00edntese? \u00c9 esse o ponto de partida para a conversa que o Scream &amp; Yell teve, via e-mail, com a banda.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Album - Df2\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_kRKGIvTjxIouNMPUfXgfvYAY5P9wadFCg\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o se chega a 13 can\u00e7\u00f5es em 14 minutos sem um esfor\u00e7o consciente, acompanhado de muito trabalho para depurar as composi\u00e7\u00f5es ao essencial. Por que essa busca t\u00e3o consciente e laboriosa pela brevidade? O release adianta um pouco a resposta, mas gostaria que voc\u00ea falasse um pouco mais sobre.<\/strong><br \/>\nOlavo: Da minha parte, eu costumo dizer que o tempo \u00e9 a minha Moby Dick. Se for reparar, \u00e9 um tema recorrente nas minhas letras. E \u00e0 medida que eu vou ficando mais velho, essa persegui\u00e7\u00e3o tragic\u00f4mica (a gente j\u00e1 sabe quem vai pegar quem) me intriga ainda mais. O jeito como a gente \u201caproveita\u201d ou \u201cdesperdi\u00e7a\u201d o nosso tempo, a disson\u00e2ncia entre a velocidade do mundo e a velocidade da vida, a exig\u00eancia cada vez maior por respostas r\u00e1pidas e breves \u2013 eu acho que essas coisas merecem alguma reflex\u00e3o. O conceito do disco come\u00e7ou por a\u00ed, mas a ideia n\u00e3o era abordar essas quest\u00f5es nas letras. A gente queria esmiu\u00e7ar o tema na pr\u00f3pria estrutura das can\u00e7\u00f5es. Um primeiro impulso podia at\u00e9 nos levar a andar na contram\u00e3o, fazendo m\u00fasicas super longas, abusando dos sil\u00eancios etc. Mas a gente preferiu abra\u00e7ar a l\u00f3gica TikTok antes de subvert\u00ea-la, fazendo um disco s\u00f3 de can\u00e7\u00f5es muito curtinhas. Porque no fim das contas, a subvers\u00e3o seria inevit\u00e1vel. Ela fica por conta do tipo de m\u00fasica que a gente faz mesmo, que n\u00e3o se encaixa nos padr\u00f5es mais populares do momento, apesar de ser pop.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Me chama muito a aten\u00e7\u00e3o quando voc\u00ea canta que, &#8220;se tudo acontece ao mesmo tempo \/ nada sobra pra depois&#8221;. Parece uma s\u00edntese desses tempos de urg\u00eancia consumista e consumidora. Como resistir a essa simultaneidade esgotadora?<\/strong><br \/>\nOlavo: Meus lugares de resist\u00eancia s\u00e3o as pessoas que eu amo e a m\u00fasica. S\u00e3o os espa\u00e7os onde eu respiro, onde o tempo pode acertar o passo, por assim dizer. Mas com muita frequ\u00eancia eu me sinto completamente esgotado. Acho que \u00e9 um fen\u00f4meno muito amplo, uma esp\u00e9cie de fatalismo coletivo, uma sensa\u00e7\u00e3o disseminada de inevitabilidade do desastre. Como se a gente estivesse em rota de colis\u00e3o e acelerando cada vez mais. Tor\u00e7o pra que isso passe, espero realmente que passe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Queria aproveitar e perguntar que tipo de ouvinte voc\u00ea se tornou. Voc\u00ea sempre foi uma pessoa que ouvia muita m\u00fasica, com apre\u00e7o aos \u00e1lbuns e \u00e0 audi\u00e7\u00e3o atenta, dedicada. Em meio a tanta dispers\u00e3o, voc\u00ea ainda ouve m\u00fasica da mesma forma?<\/strong><br \/>\nOlavo: Sim, eu ainda tenho o costume de ouvir discos inteiros. Quase todo dia eu fa\u00e7o um percurso longo pra ir e voltar do trabalho, a\u00ed eu aproveito pra ouvir CDs (quando estou de carro) ou descobrir coisas novas no streaming (quando pego o trem). Nessas eu j\u00e1 desenterrei uns CDs muito legais que eu tinha h\u00e1 anos e mal tinha ouvido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ouvindo o \u00e1lbum pronto, voc\u00ea n\u00e3o tem nenhuma sensa\u00e7\u00e3o de algum potencial n\u00e3o-aproveitado? Pergunto isso porque v\u00e1rias das composi\u00e7\u00f5es sugerem possibilidades que poderiam ter sido exploradas, estendidas.<\/strong><br \/>\nOlavo: Sendo bem honesto, acho que n\u00e3o. N\u00e3o tenho a sensa\u00e7\u00e3o de que qualquer daquelas m\u00fasicas tenha sido mutilada ou deixada incompleta. Falo isso pensando no resultado do disco, no modo como as m\u00fasicas se sucedem e funcionam naquele contexto. Mas espera, que eu vou completar essa resposta aproveitando a pr\u00f3xima pergunta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedro: Tamb\u00e9m acho que n\u00e3o, haha. At\u00e9 porque no processo a gente se aproximou das composi\u00e7\u00f5es de uma forma diferente \u2013 os nossos recursos e ferramentas familiares, que costumam ser eficientes em formas mais tradicionais, n\u00e3o necessariamente funcionam pras mini-can\u00e7\u00f5es. Isso significa que tivemos que apostar em outras ideias, e explorar novos caminhos pra conseguir resultados interessantes e coesos dentro dessa est\u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sendo um duo e t\u00e3o dedicado ao trabalho no est\u00fadio, existe espa\u00e7o para Dolores Fantasma nos palcos?<\/strong><br \/>\nOlavo: Apesar de n\u00e3o ser muito simples de fazer acontecer, a gente adoraria tocar ao vivo. Inclusive pra experimentar umas vers\u00f5es estendidas das m\u00fasicas do DF2, trabalhar com improviso, dar umas despirocadas, reler as m\u00fasicas do primeiro disco&#8230; Enfim, seria (ou ser\u00e1) muito divertido. A gente at\u00e9 j\u00e1 planejou como fazer isso, mas por ora n\u00e3o vai rolar. O Pedro t\u00e1 viajando, e vai ficar fora um tempo. Quando ele voltar, pode ser que a Dolores afinal suba ao palco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedro: Como na minha resposta anterior, acho que \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de entendermos como adaptar o nosso modus operandi pra um novo contexto. Fazer concess\u00f5es, entender o que funciona e o que n\u00e3o funciona ao vivo, e tentar explorar ao m\u00e1ximo o potencial das composi\u00e7\u00f5es nesse formato (que nos abre um mont\u00e3o de possibilidades!)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Dolores Fantasma nasceu como um projeto paralelo e familiar (no sentido de ser algo centrado em voc\u00ea e no Pedro). Hoje, com o aparente hiato dos Lestics e dos Gianoukas, ele se tornou o principal?<\/strong><br \/>\nOlavo: Apesar de rolar um trancet\u00ea de m\u00fasicos entre as tr\u00eas bandas, eu acho que cada uma delas tem uma pegada bem diferente. O Lestics n\u00e3o \u00e9 a mais antiga, mas \u00e9 a mais prol\u00edfica e a que se mant\u00e9m em atividade mais constante: a gente j\u00e1 lan\u00e7ou v\u00e1rios singles, oito discos, e o nono \u00e1lbum est\u00e1 em processo de gesta\u00e7\u00e3o. Os Gianoukas Papoulas s\u00e3o o meu ber\u00e7o, a minha origem, uma banda que produziu relativamente pouco mas tem muuuita hist\u00f3ria, e que a qualquer momento pode tirar algum novo projeto da cartola. J\u00e1 a Dolores Fantasma a gente come\u00e7ou chamando de projeto, mas agora eu chamo de banda mesmo \u2013 com dois discos, j\u00e1 d\u00e1 pra lan\u00e7ar essa cartada. No <em>que<\/em> depender de mim, a gente ainda faz um monte de discos e shows.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-68623\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/dolores2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/dolores2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/dolores2-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/dolores2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) \u00e9 produtor e assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/03\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Dolores Fantasma \u00e9 Olavo Rocha e Pedro Canales. \u00c9 uma banda que, por ora, s\u00f3 existe em est\u00fadio. \u00c9 uma banda que, desde o primeiro momento, desafia o ouvinte. 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