{"id":68009,"date":"2022-07-27T02:58:03","date_gmt":"2022-07-27T05:58:03","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=68009"},"modified":"2022-08-16T14:13:42","modified_gmt":"2022-08-16T17:13:42","slug":"entrevista-veronica-ramalho-fala-sobre-seu-segundo-livro-tres-linguas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/07\/27\/entrevista-veronica-ramalho-fala-sobre-seu-segundo-livro-tres-linguas\/","title":{"rendered":"Entrevista: Ver\u00f4nica Ramalho fala sobre seu segundo livro, \u201cTr\u00eas L\u00ednguas\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/linktr.ee\/navionoespaco\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcela G\u00fcther<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u201c<a href=\"https:\/\/editoracorrego.com\/lancamentos-e-pre-vendas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tr\u00eas L\u00ednguas<\/a>\u201d (Editora C\u00f3rrego), segundo livro de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/treslinguas.poesia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ver\u00f4nica Ramalho<\/a>, a escritora paulista utiliza a linguagem e suas possibilidades estruturais para explorar e enfrentar o sentimento de ang\u00fastia, t\u00e3o comum diante dos desafios contempor\u00e2neos. Para isso, brinca com o absurdo e o surreal por meio de experimentos lingu\u00edsticos, como jogos de sons, palavras e significados, al\u00e9m de desafios sobre narra\u00e7\u00e3o e leitura. A autora busca, de forma incans\u00e1vel, abordar e manipular as in\u00fameras possibilidades da l\u00edngua portuguesa. A obra \u00e9 uma das vencedoras do edital ProAC de obras de poesia, promovido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de SP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Formada em Imagem e Som pela Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar), Ver\u00f4nica dirigiu curtas-metragens e trabalhou por 10 anos como cen\u00f3grafa para televis\u00e3o, teatro e cinema. Atualmente \u00e9 tradutora, escritora e ministra oficinas de escrita. Al\u00e9m de \u201c<a href=\"https:\/\/editoracorrego.com\/lancamentos-e-pre-vendas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tr\u00eas L\u00ednguas<\/a>\u201d, publicou em 2018 a obra de prosa po\u00e9tica \u201cA Mulher de Mil Olhos\u201d, tamb\u00e9m pela editora C\u00f3rrego. A escritora atualmente trabalha em um texto que n\u00e3o coube em \u201cTr\u00eas L\u00ednguas\u201d, que est\u00e1 sendo desenvolvido em outro livro, de prosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A autora lan\u00e7a em setembro, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/veronicaramalho\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em seu Youtube<\/a>, a videoaula \u201cProsa Po\u00e9tica Determinada\u201d sobre ferramentas de escrita, na qual apresentar\u00e1 sua pesquisa liter\u00e1ria que busca recursos no estilo da prosa po\u00e9tica e nos exerc\u00edcios da escrita constrangida para potencializar a experimenta\u00e7\u00e3o no texto. Na conversa abaixo, Ver\u00f4nica aprofunda o olhar sobre \u201c<a href=\"https:\/\/editoracorrego.com\/lancamentos-e-pre-vendas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tr\u00eas L\u00ednguas<\/a>\u201d, cita influ\u00eancias que v\u00e3o de Hilda Hilst ao quadro \u201cO Jardim das Del\u00edcias\u201d, de Bosch, incluindo ainda a poesia experimental portuguesa, \u201csobretudo Ana Hatherly\u201d, pontua, e comenta a divis\u00e3o do livro em tr\u00eas partes: Ant\u00edgona, Deos e Jardim. \u201cElaborei esse livro como um tr\u00edptico&#8230; tr\u00eas hist\u00f3rias independentes, por\u00e9m ligadas, embaralhadas no tempo e que igualmente revelam uma imagem ao serem fechadas\u201d, conta. Leia a entrevista na integra abaixo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-68012\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Veronica_Ramalho-tres_linguas-capa-frente-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Veronica_Ramalho-tres_linguas-capa-frente-1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Veronica_Ramalho-tres_linguas-capa-frente-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Veronica_Ramalho-tres_linguas-capa-frente-1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que trabalhar com o tema da ang\u00fastia?<\/strong><br \/>\nA ang\u00fastia \u00e9 um material que tenho \u00e0 m\u00e3o e exige que eu a manipule. Seu padr\u00e3o de manifesta\u00e7\u00e3o sensorial em alguma medida determinou minhas particularidades de escrita: a pausa, o fluxo, a descontinuidade, de forma que a tratar narrativamente \u00e9 um modo de aprofundar minha investiga\u00e7\u00e3o. Naturalmente, \u201cTr\u00eas L\u00ednguas\u201d \u00e9 sobre ang\u00fastia, e explora como subtema a rela\u00e7\u00e3o corpo-mente-ambiente que ela evoca. De uma certa forma, este livro encerra uma trilogia composta por um curta metragem e meu primeiro livro, \u201cA Mulher de Mil Olhos&#8221;, de 2018. Nos tr\u00eas, h\u00e1 um percurso angustiante de observa\u00e7\u00e3o de si e da paisagem que reverbera no corpo das personagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que motivou a escrita do livro? Como foi o processo de escrita?<\/strong><br \/>\n\u00c9 comum que as hist\u00f3rias me apare\u00e7am como imagens ou frases prontas. A primeira hist\u00f3ria do livro foi tamb\u00e9m a primeira a surgir. Eu estava em uma plateia, esperando um show come\u00e7ar e pensei a frase \u201cco\u00e7o a orelha com a l\u00edngua\u201d, a repeti algumas vezes para n\u00e3o esquecer e a deixei ecoar. Pouco tempo depois, sonhei com um jardim com arbustos-l\u00edngua bem vermelhas que se moviam como dan\u00e7arinas presas pela raiz \u2013 raiz de arbusto, presa ao ch\u00e3o e raiz de l\u00edngua, com as pontas apontando para cima. Trabalhar essas imagens \u00e9 um segundo processo em que entra minha intencionalidade. Primeiro deixei as imagens se proliferarem sozinhas o m\u00e1ximo que pude at\u00e9 ter algum material que indicasse um desenvolvimento e ent\u00e3o trabalhei um pouco com escrita autom\u00e1tica. Esses primeiros materiais determinaram o assunto, a base da composi\u00e7\u00e3o. A partir da\u00ed, comecei a trabalhar com listas de palavras que queria usar, relacionadas ao que j\u00e1 tinha. Anotei alguns termos e ampliei o cat\u00e1logo com o apoio de dicion\u00e1rios variados, em busca de semelhan\u00e7as, sonoridades, contrastes, enfim, pe\u00e7as de jogos com as quais formei frases e fragmentos. Com alguns trechos escritos, revi o quadro \u201cO Jardim das Del\u00edcias\u201d (1503\/1515), de Bosch, que determinou a estrutura do livro em tr\u00edptico (eu sempre gosto de tr\u00edpticos e tenho profunda admira\u00e7\u00e3o pela divis\u00e3o em tr\u00eas do livro \u201cTu n\u00e3o te moves de ti\u201d da Hilst). Ent\u00e3o, estavam definidas as narrativas \u201cDeos\u201d que co\u00e7a a orelha com a l\u00edngua e \u201cJardim\u201d com as l\u00ednguas arbustivas. Entre elas, a estrutura me solicitava uma hist\u00f3ria sobre caos e este livro se chamaria J\u00fapiter. Paralelamente ao desenvolvimento deste livro, minhas leituras e estudos me conduziam a uma busca por aumentar lacunas na escrita e a necessidade de uma hist\u00f3ria sobre caos me encorajou a empreender um texto que n\u00e3o usasse conectores. A isso se juntou uma imagem antiga de uma mulher lambendo a rampa de acesso a um viaduto e a hist\u00f3ria tomou forma quando esbarrou no nome Ant\u00edgona. Curiosamente, \u201cJardim\u201d cresceu tanto que n\u00e3o cabia mais nesse projeto, sua evolu\u00e7\u00e3o o colocou no campo da prosa e decidi desmembr\u00e1-lo: mantive o jardim de l\u00ednguas junto a \u201cDeos\u201d e \u201cAnt\u00edgona\u201d neste livro \u201cTr\u00eas L\u00ednguas\u201d. O texto que n\u00e3o cabia no projeto est\u00e1 sendo desenvolvido em outro livro, de prosa, esse sim chamado J\u00fapiter, por enquanto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais s\u00e3o as suas principais influ\u00eancias liter\u00e1rias?<\/strong><br \/>\nSou influenciada pela prosa de Hilda Hilst, de quem a cita\u00e7\u00e3o \u201cos sentimentos vastos n\u00e3o t\u00eam boca\u201d abre o livro, e por Samuel Beckett, cuja mec\u00e2nica reverbera nas opera\u00e7\u00f5es da linguagem. Devo \u00e0 poesia experimental portuguesa, sobretudo \u00e0 Ana Hatherly, a liberdade para caminhar \u00e0 borda da separa\u00e7\u00e3o entre prosa e poesia. Hatherly tem um poema muito especial em que o texto \u00e9 repetido omitindo palavras. Isso despertou a pesquisa para o que se tornou \u201cAnt\u00edgona\u201d [t\u00edtulo da segunda parte de \u201cTr\u00eas L\u00ednguas\u201d]. O uso da repeti\u00e7\u00e3o em sua obra tamb\u00e9m me deu seguran\u00e7a para marcar os ciclos presentes nesse livro. Outra grande refer\u00eancia, e essa muito anterior, basilar, foi Marcel Duchamp e algumas premissas Dad\u00e1. Em comum, todos esses nomes guardam um pensamento matem\u00e1tico ou estrutura num\u00e9rica levados ao extremo da abstra\u00e7\u00e3o como ferramenta criativa. Tamb\u00e9m destaco Hieronymus Bosch, Haroldo de Campos, Georges Perec, Veronica Stigger, Paul Ricoeur, Roberto Piva, Raul Fiker, Herberto Helder e E. M. de Melo e Castro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que livros influenciaram diretamente a obra?<\/strong><br \/>\n\u201cTu n\u00e3o te moves de ti\u201d, da Hilda Hilst; \u201cO inomin\u00e1vel\u201d, de Samuel Beckett; o quadro \u201cO Jardim das Del\u00edcias\u201d, de Hieronymus Bosch; \u201cUm calculador de improbabilidades\u201d, da Ana Hatherly (especificamente o tr\u00edptico \u201cNoite canto-te noite\u201d, \u201cCanto-te\u201d e \u201cNoite Noite\u201d, diretamente encorajador para a narrativa \u201cAnt\u00edgona\u201d); e \u201cA m\u00e1quina do mundo repensada\u201d, de Haroldo de Campos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cTr\u00eas L\u00ednguas\u201d \u00e9 divido em tr\u00eas partes: Ant\u00edgona, Deos e Jardim. Como voc\u00ea define essas narrativas?<\/strong><br \/>\nNas tr\u00eas partes os poemas constroem narrativas distintas, com t\u00edtulos pr\u00f3prios. A primeira, intitulada \u201cDeos\u201d, apresenta um ser disforme, que est\u00e1 sozinho em um espa\u00e7o vasto e vazio. A criatura vivencia a ang\u00fastia pela aus\u00eancia em meio \u00e0 vastid\u00e3o, pois n\u00e3o h\u00e1 destino para onde ir ou permanecer. A segunda parte, \u201cAnt\u00edgona\u201d, \u00e9 uma adapta\u00e7\u00e3o livre e atualizada da obra de S\u00f3focles. No entanto, ao inv\u00e9s de uma hero\u00edna que enfrenta diretamente leis e tradi\u00e7\u00f5es, nessa jornada h\u00e1 um corpo que encontra, como companhia e obst\u00e1culo, a paisagem urbana. Ant\u00edgona n\u00e3o possui irm\u00e3o ou miss\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio, a sua ang\u00fastia \u00e9 uma busca sem alvo e o t\u00edtulo da trag\u00e9dia grega evoca o chamado de responsabilidade. No caso, perante a vida na cidade contempor\u00e2nea de caos e doen\u00e7a, para finalizar um processo, cumprir um rito. J\u00e1 a divis\u00e3o final, \u201cJardim\u201d, retoma a realidade sensorial e &#8220;lingo-lingu\u00edstica&#8221; tra\u00e7ada na primeira parte. Duas pessoas habitam um jardim absurdo com l\u00ednguas arbustivas. H\u00e1 alguns caminhos para sair do jardim, mas todos eles fazem retornar a ele, transformando esse espa\u00e7o a c\u00e9u aberto em um local de confinamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que delimita essa separa\u00e7\u00e3o? Como foi o processo de cria\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nElaborei esse livro como um tr\u00edptico, porque gosto de hist\u00f3rias curtas e densas, mas o tema do livro exigia mais texto e mais tempo para se desenvolver. Ent\u00e3o, j\u00e1 influenciada pelo \u201cTu n\u00e3o te moves de ti\u201d da Hilst, escolhi fazer tr\u00eas hist\u00f3rias: o come\u00e7o, o caos e outro come\u00e7o e em algum momento me reencontrei com o \u201cJardim das Del\u00edcias\u201d, de Bosch, um tr\u00edptico de fato, uma obra composta por um painel principal e dois laterais, menores, articulados, que se dobram sobre o maior, como uma caixa \u2014 uma janela? \u2014 e revelam outra imagem pintada \u00e0s costas desses pain\u00e9is. Nessa obra, jardim e caos chamaram meu nome: era esse livro, com tr\u00eas hist\u00f3rias independentes, por\u00e9m ligadas, embaralhadas no tempo e que igualmente revelam uma imagem ao serem fechadas, a capa do livro. Abre-se o livro e \u201cDeos\u201d, a primeira narrativa a ser escrita e que norteia o projeto, apresenta o tema, como no painel principal e maior da obra. A personagem se transforma no mundo, percebe-se no vazio \u2014 uma \u00fanica criatura em um espa\u00e7o sem imagens, sem ch\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 nada, ou s\u00f3 h\u00e1 o nada e sua ang\u00fastia existencial pinga e forma o que se pode formar. Mediados por ep\u00edgrafes para guiar a leitura, somos arremessados em \u201cAnt\u00edgona\u201d com o contraste do excesso. No primeiro poema a l\u00edngua toca\/narra cada detalhe de uma escada, a escada que faz a personagem descer ao mundo, alcan\u00e7\u00e1-lo. Seguimos, de novo, uma busca: se \u201cDeos\u201d procurava por alguma coisa, \u201cAnt\u00edgona\u201d procura entre coisas. Essa busca \u00e9 a ang\u00fastia, um anseio por algo que n\u00e3o se v\u00ea. Na outra ponta, \u201cJardim\u201d \u00e9 um ponto de chegada: \u201cL\u00ednguas erguidas arfam, tremem secas a agonia da espera\u201d. Chegamos, mas a busca se mant\u00e9m. S\u00e3o duas vozes intercaladas, uma delas, Nenhures, permanece junto \u00e0s l\u00ednguas, que s\u00e3o as grandes plantas do jardim, e outra voz, Algures, tenta sair do jardim em tentativas sucessivas, ou seja, novas buscas que se estendem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea escreve desde quando? Como come\u00e7ou a escrever?<br \/>\nAos 8 anos pedi e ganhei uma m\u00e1quina de escrever, uma Olivetti Lettera 82 verde que ainda guardo. Comecei copiando os livrinhos que gostava, era mais uma coisa de escrever mesmo, a maioria das crian\u00e7as querem contar hist\u00f3rias, eu gostava de ver o texto surgir. Nunca parei de escrever, era necessidade e h\u00e1bito. Adulta, escrevi alguns roteiros e come\u00e7os de textos at\u00e9 encontrar o caminho da \u201cMulher de mil olhos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea afirma que enxerga a literatura como experi\u00eancia. Poderia explicar um pouco?<\/strong><br \/>\nInvisto em uma linha de comunica\u00e7\u00e3o que explora os recursos textuais para deslocar a imagina\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria narrada para os efeitos do texto em si. Para mim, a estrutura do texto \u00e9 a parte mais importante da escrita. Subverter a l\u00edngua \u00e9 um desafio, um jeito de superar o risco, de tensionar as estruturas. H\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o interessante entre a leitura e os sentidos. Ler \u00e9 ver uma palavra seguida por outra e h\u00e1 uma expectativa na sequ\u00eancia delas, quebrar esse encadeamento esperado aprofunda a rela\u00e7\u00e3o com o texto, cria desajustes que uso como clima para a narrativa que essas palavras geram. Soma-se a isso a rela\u00e7\u00e3o da fala e da palavra, da poesia e do recitar, quero dizer, a palavra ainda que escrita representa sons e construo o texto para que eles se sobressaiam. Temos uma rela\u00e7\u00e3o com as coisas muito baseada no tato, e os sons s\u00e3o textura no texto; ao ler em voz alta, as constru\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas podem ser sentidas na boca como tato.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-68013\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Veronica_Ramalho-tres_linguas-capa-frente-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1037\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Veronica_Ramalho-tres_linguas-capa-frente-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Veronica_Ramalho-tres_linguas-capa-frente-copiar-217x300.jpg 217w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/linktr.ee\/navionoespaco\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcela G\u00fcther<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista, produtora de conte\u00fado, assessora de imprensa e mediadora do Leia Mulheres.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ver\u00f4nica aprofunda o olhar sobre \u201cTr\u00eas L\u00ednguas\u201d, cita influ\u00eancias que v\u00e3o de Hilda Hilst ao quadro \u201cO Jardim das Del\u00edcias\u201d, de Bosch, incluindo ainda a poesia experimental portuguesa, \u201csobretudo Ana Hatherly\u201d,\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/07\/27\/entrevista-veronica-ramalho-fala-sobre-seu-segundo-livro-tres-linguas\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":107,"featured_media":68011,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9],"tags":[5947],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68009"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/107"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=68009"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68009\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":68021,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68009\/revisions\/68021"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/68011"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=68009"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=68009"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=68009"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}