{"id":67994,"date":"2022-07-26T02:03:17","date_gmt":"2022-07-26T05:03:17","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=67994"},"modified":"2022-08-19T12:13:34","modified_gmt":"2022-08-19T15:13:34","slug":"entrevista-aline-clea-e-anderson-soares-falam-sobre-as-oficinas-cine-arts-e-sobre-a-itaparica-film-commission","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/07\/26\/entrevista-aline-clea-e-anderson-soares-falam-sobre-as-oficinas-cine-arts-e-sobre-a-itaparica-film-commission\/","title":{"rendered":"Entrevista: Aline Cl\u00e9a e Anderson Soares falam sobre as Oficinas Cine Arts e sobre a Itaparica Film Commission"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 frente da produtora Cine Arts, respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o de diversos filmes nos formatos de curtas e longas metragens, al\u00e9m de s\u00e9ries de TV, a produtora Aline Cl\u00e9a e o diretor Anderson Soares seguem alimentando paix\u00f5es pelo audiovisual feito na Bahia. Al\u00e9m do foco na cria\u00e7\u00e3o em produtos cinematogr\u00e1ficos e para o entretenimento dom\u00e9stico, Aline e Anderson est\u00e3o \u00e0 frente da Cine Arts Oficinas de Cinema, TV e WEB, que, come\u00e7ando novas turmas neste segundo semestre, trar\u00e1 de forma gratuita aulas destinadas \u00e0s pessoas interessadas na forma\u00e7\u00e3o n\u00f3s diversos setores do audiovisual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.cinearts.com.br\/oficinas-de-cinema#localoficinas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">As oficinas j\u00e1 com inscri\u00e7\u00f5es abertas<\/a> s\u00e3o as de Roteiro; Realiza\u00e7\u00e3o Audiovisual; Produ\u00e7\u00e3o Audiovisual; Interpreta\u00e7\u00e3o para TV e Cinema; Dire\u00e7\u00e3o de Fotografia e Capta\u00e7\u00e3o de Som; Dire\u00e7\u00e3o de Arte; Produ\u00e7\u00e3o de Impacto e Marketing; Montagem e Finaliza\u00e7\u00e3o; Acessibilidade Audiovisual e Anima\u00e7\u00e3o 2D e 3D. Os encontros v\u00e3o acontecer de modo presencial e on line. Aline, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/04\/05\/entrevista-a-produtora-aline-clea-fala-sobre-o-v-encontro-baiano-de-animacao-animai-2021\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que j\u00e1 havia conversado com o Scream &amp; Yell em 2021<\/a> por ocasi\u00e3o da 5\u00aa edi\u00e7\u00e3o do ANIMA\u00cd &#8211; Encontro Baiano de Anima\u00e7\u00e3o, evento tamb\u00e9m produzido pela Cine Arts, traz aqui, junto a Anderson, um apanhado de todas as atividades que a nova leva de oficinas cinematogr\u00e1ficas vai trazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A principal novidade fica por conta da parceria entre a produtora Cine Arts e a prefeitura de Itaparica, regi\u00e3o localizada na Ba\u00eda de Todos os Santos. O \u00f3rg\u00e3o local promover\u00e1 a cria\u00e7\u00e3o da Itaparica Film Commission. &#8220;Chegou at\u00e9 a prefeitura de Itaparica nossa proposta de cria\u00e7\u00e3o dos cursos. Foi a partir disso que o \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico criou a Itaparica Film Commission em parceria com a Cine Arts. A ideia \u00e9 que a produtora entre com a sua experi\u00eancia em formar profissionais para o mercado e Itaparica traga toda a infraestrutura necess\u00e1ria e a parte da log\u00edstica para que os estudantes tenham todo o apoio&#8221;, explica Aline.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vivendo na Ilha de Itaparica desde 2020, quando buscaram por um local mais afastado da grande metr\u00f3pole por conta da pandemia, Aline e Anderson trazem no projeto muito do afeto que criaram pela regi\u00e3o. O diretor explica: &#8220;Ser\u00e1 um espa\u00e7o fixo na ilha de Itaparica focado em atrair filmes da Bahia, do Brasil, do Nordeste e do mundo. Essa ideia de ter a ilha de Itaparica como um espa\u00e7o para se produzir filmes \u00e9 algo muito promissor e nos apetece muito&#8221;, pontua Anderson. Nessa entrevista com o Scream &amp; Yell, eles aprofundam a iniciativa!<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-67995\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cinearts1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cinearts1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cinearts1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como surgiu o Projeto Cine Arts Oficinas de Cinema na Ilha de Itaparica?<\/strong><br \/>\nAline Cl\u00e9a \u2013 Durante a pandemia, fomos morar na Ilha de Itaparica para tentar ter mais qualidade de vida diante do isolamento social. Isso foi poss\u00edvel porque est\u00e1vamos trabalhando e estudando de forma remota. Foi a\u00ed que come\u00e7amos a conhecer a realidade dos munic\u00edpios de Itaparica e de Vera Cruz. Principalmente agora que ser\u00e1 constru\u00edda a ponte que vai ligar Salvador a Itaparica. Pensamos: &#8220;Estamos em um lugar que n\u00e3o tem sala de cinema, n\u00e3o tem teatro e que, nos pr\u00f3ximos cinco anos, ter\u00e1 um desenvolvimento social e econ\u00f4mico que talvez ainda n\u00e3o possamos mensurar&#8221;. Foi a\u00ed que pensamos em trazer o Projeto Cine Arts Oficinas de Cinema para a Ilha e come\u00e7amos a capta\u00e7\u00e3o de recursos. O principal objetivo \u00e9 oferecer dez oficinas profissionalizantes e gratuitas \u00e0s comunidades dos munic\u00edpios de Itaparica, Vera Cruz e Salinas da Margarida, podendo alcan\u00e7ar, tamb\u00e9m, outros munic\u00edpios vizinhos. \u00c9 um p\u00fablico que dificilmente teria uma oportunidade de ter acesso a conhecimentos t\u00e3o espec\u00edficos da cadeia produtiva do mercado audiovisual. Tudo isso em um formato que pretende atuar com uma metodologia que une teoria e pr\u00e1tica, visando o preenchimento de trabalhadores do audiovisual e cobrindo toa a cadeia. Isso vai desde a produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o at\u00e9 a comercializa\u00e7\u00e3o de produtos audiovisuais voltados para TV, Cinema e Web.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E na trajet\u00f3ria da produtora Cine Arts, esse formato de oficinas j\u00e1 vem de longa data, correto?<\/strong><br \/>\nAnderson Soares \u2013 Sim. A Cine Arts Oficinas de Cinema come\u00e7ou em 2002 como pesquisa para a \u00e1rea audiovisual, em particular a cinematogr\u00e1fica. Ela surgiu de uma necessidade para criar filmes, trazer discursos, contar hist\u00f3rias. Mas montar uma equipe de cinema naquela \u00e9poca, no come\u00e7o dos anos 2000, era bem dif\u00edcil. Os colegas tinham cach\u00eas altos. Era dif\u00edcil particularmente para se montar um projeto mais autoral. E como todo mundo na \u00e1rea, naquele momento n\u00e3o t\u00ednhamos recursos para fazer investimentos em projetos, tudo era muito mais dif\u00edcil de se concretizar, encontramos na forma\u00e7\u00e3o uma solu\u00e7\u00e3o: formar essa m\u00e3o de obra que se tornaram em muitos momentos nossos parceiros, criando uma rede inicial de realizadores para investir de forma justa nas hist\u00f3rias que ir\u00edamos contar. Mas, claro, com o intuito, tamb\u00e9m, de criar esse mercado. Inicialmente foi tudo muito dif\u00edcil at\u00e9 encontrarmos o caminho certo, come\u00e7amos nas escolas p\u00fablicas, trabalhando com jovens. Tamb\u00e9m fomos para algumas escolas particulares, quando come\u00e7amos a desenvolver isso. Mas logo percebemos que n\u00e3o \u00e9 exatamente o perfil. Porque, como desenvolvemos uma forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica profissionalizante, precisamos de um p\u00fablico que est\u00e1 al\u00e7ando voos mais altos visando mesmo o mercado de trabalho. Foi a\u00ed que decidimos formatar o projeto de outra forma e se iniciou todo o processo como Cine Escola. Mas, alguns anos depois, resolvemos fazer o Cine Arts, e foi quando veio essa parceria com a Universidade do Estado da Bahia (UNEB), que \u00e9 quando ela entra como um projeto de pesquisa e extens\u00e3o. N\u00f3s nos associamos a alguns professores e a alguns grupos de pesquisa e come\u00e7amos a desenvolver isso. Mas somente alguns anos depois, em 2008, que a Cine Arts Oficina de Cinema teve, realmente, sua primeira edi\u00e7\u00e3o. Foi poss\u00edvel devido a um edital da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult), com o qual fomos contemplados. Esse processo deu in\u00edcio entre uma coopera\u00e7\u00e3o interdepartamental com a UNEB e a PROEX fazendo tanto a pesquisa como extens\u00e3o, bem como dando a chancela do projeto. Nesse primeiro formato, n\u00f3s t\u00ednhamos sete oficinas e benefici\u00e1vamos por volta de 300 pessoas. As oficinas tinham mais alunos e cada uma funcionava uma vez por semana. Desse processo, n\u00f3s fizemos 16 curtas metragens porque t\u00ednhamos 4 unidades. De l\u00e1 saiu um piloto de s\u00e9rie que depois se tornou o &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/06\/06\/entrevista-guilherme-silva-protagonista-da-serie-pequeno-gigante\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pequeno Gigante<\/a>&#8220;. Depois fizemos mais seis vers\u00f5es. Na verdade, mais seis vers\u00f5es que, junto com essa, chegamos a sete edi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-67997\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cinearts3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cinearts3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cinearts3-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cinearts3-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E nesse formato atual, como se dar\u00e1 a divis\u00e3o referente \u00e0s oficinas e temas?<\/strong><br \/>\nAline \u2013 A princ\u00edpio, ser\u00e3o nove oficinas com 240 vagas: Roteiro; Interpreta\u00e7\u00e3o para TV e Cinema; Realiza\u00e7\u00e3o Audiovisual; Produ\u00e7\u00e3o Audiovisual; Dire\u00e7\u00e3o de Arte; Dire\u00e7\u00e3o de Fotografia e Capta\u00e7\u00e3o de Som; Produ\u00e7\u00e3o de Impacto e Redes; Acessibilidade Audiovisual al\u00e9m de Montagem e Finaliza\u00e7\u00e3o. Como verificamos que o nosso p\u00fablico tamb\u00e9m \u00e9 um p\u00fablico jovem e conectado, conseguimos incluir mais uma Oficina: Anima\u00e7\u00e3o 2D e 3D, oferecendo mais vinte vagas totalizando 240 vagas oferecidas ao p\u00fablico. Acredito que com esta iniciativa teremos uma base estruturante para forma\u00e7\u00e3o de postos de trabalho e renda nos munic\u00edpios envolvidos, acompanhando o desenvolvimento das comunidades locais com a constru\u00e7\u00e3o da ponte Salvador \u2013 Itaparica. A ideia \u00e9 que o p\u00fablico possa estar preparado para atender demandas de produ\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias, como tamb\u00e9m absorver produ\u00e7\u00f5es vindas de fora da cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A partir dessa proposta de criar as turmas de forma\u00e7\u00e3o em audiovisual entre os moradores de Itaparica e adjac\u00eancias, como a ideia do p\u00f3lo cinematogr\u00e1fico, a Itaparica Film Commission de desenvolveu?<\/strong><br \/>\nAline \u2013 Chegou at\u00e9 a prefeitura de Itaparica nossa proposta de cria\u00e7\u00e3o dos cursos. Foi a partir disso que o \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico criou a Itaparica Film Commission em parceria com a Cine Arts. A ideia \u00e9 que a produtora entre com a sua experi\u00eancia em formar profissionais para o mercado e Itaparica traga toda a infraestrutura necess\u00e1ria e a parte da log\u00edstica para que os estudantes tenham todo o apoio. Eles estar\u00e3o presentes nas aulas te\u00f3ricas, mas tamb\u00e9m nas atividades pr\u00e1ticas. Nessas atividades, traremos a produ\u00e7\u00e3o de doze curtas-metragens como trabalhos de aprendizagem e de conclus\u00e3o das oficinas. Para isso, teremos o apoio do Sebrae por meio de qualifica\u00e7\u00e3o e consultoria para empreendedorismo e gest\u00e3o de carreira. Tamb\u00e9m teremos o apoio do SATED (Sindicato dos Artistas e T\u00e9cnicos da Bahia) para conduzir os formandos a tirar seus registros profissionais. Al\u00e9m disso, contamos com o Instituto Vale do Rio Doce como patroc\u00ednio do projeto por meio da Lei de incentivo \u00e0 Cultura Federal, tornando poss\u00edvel mantermos um corpo de profissionais qualificados e um parque tecnol\u00f3gico de equipamentos de filmagem top de linha \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da aprendizagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Anderson \u2013 Isso. A Itaparica Filmes \u00e9 um convite da prefeitura de Itaparica para que a produtora Cine Arts possa administrar esse projeto. Aqui eu j\u00e1 vou usar um termo que eles preferem, o Itaparica Filmes. Porque com &#8220;Film Commission&#8221;, a comunidade art\u00edstica local tem uma rejei\u00e7\u00e3o de qualquer nome que seja em ingl\u00eas. E como a prefeitura de Itaparica j\u00e1 sabe dessa rejei\u00e7\u00e3o ao estrangeirismo, a essa ideia de trazer palavras em ingl\u00eas para o nosso cotidiano, eles a chamam de Itaparica Filmes. Ser\u00e1 um espa\u00e7o fixo na ilha de Itaparica focado em atrair filmes da Bahia, do Brasil, do Nordeste e do mundo. Essa ideia de ter a ilha de Itaparica como um espa\u00e7o para se produzir filmes \u00e9 algo muito promissor e nos apetece muito. A ilha tem condi\u00e7\u00f5es muito significativas para a produ\u00e7\u00e3o audiovisual. Primeiro, \u00e9 uma cidade pacata. Ela tem duas entradas, algo que, digamos assim, traz mais seguran\u00e7a a uma produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica, por propiciar maiores condi\u00e7\u00f5es de controle de entrada e sa\u00edda da cidade. Os locais praianos t\u00eam imagens fant\u00e1sticas. A pr\u00f3pria Bahia de Todos os Santos. Voc\u00ea tem casas e espa\u00e7o coloniais. Casas urbanas, lugares mais perif\u00e9ricos, al\u00e9m de matas e tudo mais. Ou seja, s\u00e3o v\u00e1rias formas de espa\u00e7os que podem produzir diferentes filmes. O clima \u00e9 muito agrad\u00e1vel. Um lugar muito fresco, com chuvas espor\u00e1dicas. H\u00e1 per\u00edodos de estiagem, principalmente no ver\u00e3o. Assim, entendemos que Itaparica fornece condi\u00e7\u00f5es para se produzir filmes que s\u00e3o muito boas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-67998\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cinearts4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cinearts4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cinearts4-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cinearts4-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Anderson citou a Universidade do Estado da Bahia (UNEB) como parceira da Cine Arts desde o come\u00e7o, na d\u00e9cada de 2000. Com esse novo passo, essa parceria continua?<\/strong><br \/>\nAline \u2013 Sim. Trata-se de um projeto de extens\u00e3o da UNEB, em uma parceria que une poder p\u00fablico e privado na execu\u00e7\u00e3o de um projeto cultural e social que trar\u00e1 signific\u00e2ncia e fortalecimento da cadeia audiovisual local, criando o que talvez seja o primeiro polo audiovisual da Bahia. A Itaparica Film Commission e o Projeto Cine Arts Oficinas de Cinema se tornam um n\u00facleo inicial de uma ind\u00fastria local que, com certeza, logo ser\u00e1 ampliado com produ\u00e7\u00f5es locais e produ\u00e7\u00f5es de fora. Ser\u00e1 a &#8220;Nova Paul\u00ednia do Nordeste&#8221;. Itaparica, por outro lado, \u00e9 uma cidade hist\u00f3rica, linda, cheia de riquezas naturais, paisagens incr\u00edveis e com uma estrutura de hotelaria, restaurantes e, agora, m\u00e3o de obra qualificada. At\u00e9 por sua localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, trata-se de uma cidade silenciosa que re\u00fane todas as qualifica\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para se produzir audiovisual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com o foco na forma\u00e7\u00e3o de novos profissionais, como ser\u00e1 essa estrutura das oficinas em rela\u00e7\u00e3o a execu\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica dos conhecimentos aprendidos pelos alunos?<\/strong><br \/>\nAnderson \u2013 Quando falamos de formar pessoas interessadas em trabalhar com cinema, percebemos que muitas vezes n\u00e3o h\u00e1 para essas pessoas oportunidades de avan\u00e7ar produzindo, de entender como \u00e9 que acontece esse mundo atr\u00e1s das c\u00e2meras. Como \u00e9 que se faz para construir um filme. E no nosso processo ele n\u00e3o s\u00f3 vai aprender as t\u00e9cnicas relacionadas \u00e0 \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o dele, como, tamb\u00e9m, vai aprender sobre as est\u00e9ticas do cinema, a hist\u00f3ria do cinema, a trajet\u00f3ria. Esse aluno(a) vai produzir, tamb\u00e9m. Porque todo o conte\u00fado \u00e9 pr\u00e1tico\/te\u00f3rico e te\u00f3rico\/pr\u00e1tico. Ele exercita as teorias. Exercita todas as est\u00e9ticas que eles v\u00e3o estudando e j\u00e1 v\u00e3o exercitando. Isso faz com voc\u00ea fixe melhor isso e j\u00e1 te d\u00e1, tamb\u00e9m, um portf\u00f3lio para quando terminar o curso. Esse aluno j\u00e1 poder\u00e1 pensar nessa carreira. Isso \u00e9 uma coisa na qual sempre pensamos. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 formar pessoas, entreg\u00e1-las soltas, mas, sim, fomentar e desenvolver um plano de carreira. Desenvolver um projeto para que ele inicie uma carreira na \u00e1rea audiovisual, na \u00e1rea de cinema ou de TV. Claro que cada um vai escolher o seu processo. Um ponto que acho realmente importante no projeto Cine Arts, e a\u00ed n\u00e3o somente para Salvador, mas para o Nordeste e, consequentemente, para o Brasil, \u00e9 fomentar nas pessoas o desejo de se tornar artistas ou t\u00e9cnicos do Cinema. Nesse processo, voc\u00ea forma tanto pessoas que s\u00e3o artistas, como roteirista, diretores, diretor de arte, quanto t\u00e9cnicos, que s\u00e3o aqueles ligados a cargos como dire\u00e7\u00e3o de fotografia, c\u00e2mera, captador de \u00e1udio. Voc\u00ea tamb\u00e9m tem a\u00ed a produ\u00e7\u00e3o e, hoje, acessibilidade, com a qual j\u00e1 contamos desde a terceira edi\u00e7\u00e3o. Acessibilidade porque todo conte\u00fado audiovisual precisa ser acess\u00edvel. \u00c9 uma norma t\u00e9cnica da ag\u00eancia reguladora, a ANCINE. Com isso, j\u00e1 formamos essas pessoas para serem esses t\u00e9cnicos de acessibilidade do conte\u00fado audiovisual para pessoas que tenham defici\u00eancias auditivas e visuais.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-67999\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cinearts5.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cinearts5.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cinearts5-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cinearts5-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E a estrutura das oficinas? Voc\u00ea citou um total de dez. Como se dar\u00e1 essa divis\u00e3o?<\/strong><br \/>\nAnderson \u2013 Exato. Nessa vers\u00e3o, vamos oferecer dez oficinas. A pessoa que ingressar vai participar de uma oficina durante todo o per\u00edodo do curso e vai sair especialista naquela \u00e1rea. Por exemplo, temos a Oficina de Roteiro. Nela, voc\u00ea pega a ideia e a transforma em um storyline. Depois, em uma sinopse. Em seguida, um argumento. Depois, cria-se uma escaleta. \u00c9 quando vira um roteiro. E ele j\u00e1 vai fazendo isso em cada unidade. Na primeira, ele vai fazer isso utilizando os filmes dos primeiros tempos. Nesse momento, fazemos quatro grupos e cada grupo vai atuar em quatro \u00e1reas. Na divis\u00e3o, eles v\u00e3o fazer um roteiro sobre o cinema mudo americano, no caso, inspirado nesse cinema. Outro inspirado no cinema do Expressionismo Alem\u00e3o. Outro na Montagem Sovi\u00e9tica. E o outro no Surrealismo. Na segunda unidade, n\u00f3s vamos para as vanguardas. \u00c9 quando pegamos o Cinema Noir, o Cinema do Neorealismo italiano, o Cinema Novo Brasileiro e a Chanchada. Na \u00faltima unidade, e nessa vers\u00e3o s\u00f3 ser\u00e3o tr\u00eas unidades, eles j\u00e1 v\u00e3o trabalhar os g\u00eaneros: com\u00e9dia, terror, suspense e drama. E a partir disso, eles ter\u00e3o feito doze roteiros dentro dessa unidade. Aqui, tamb\u00e9m, ser\u00e1 subsequente para cada uma das oficinas. Na de realiza\u00e7\u00e3o, ele vai aprender a dirigir filme, ser assistente, continu\u00edsta, ou seja, vai aprender a como transformar aquele roteiro em filme. E nessa forma\u00e7\u00e3o, ele vai ter esse conhecimento de como liderar uma equipe, de como construir uma hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E as subdivis\u00f5es entre os campos profissionais de atua\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nAnderson \u2013 S\u00e3o v\u00e1rias subdivis\u00f5es nas oficinas. Temos a Produ\u00e7\u00e3o, que \u00e9 quem vai conseguir os meios para que o filme aconte\u00e7a. E a\u00ed o aluno vai ter aprender a fazer projeto, captar recursos, como as autoriza\u00e7\u00f5es, os contratos, as libera\u00e7\u00f5es de imagens, e toda essa parte legal de como um filme pode ser, depois de pronto, exibido nos cinemas e nas TVs. H\u00e1, tamb\u00e9m, a Dire\u00e7\u00e3o de Arte, que \u00e9 a parte art\u00edstica da hist\u00f3ria, que \u00e9 quem vai dar \u00e0s imagens, o figurino, maquiagem. \u00c9 quem cria a arte dentro do filme. Vamos focar, tamb\u00e9m, na Fotografia e no Som, que, nessa vers\u00e3o, est\u00e1 em uma oficina somente, a Oficina T\u00e9cnica de Dire\u00e7\u00e3o de Fotografia e Som. E ela vai ensinar tanto a dire\u00e7\u00e3o de fotografia, o uso de c\u00e2meras, o uso de luz, capta\u00e7\u00e3o de som, grava\u00e7\u00e3o&#8230; ou seja, toda essa parte t\u00e9cnica de luz, som, maquin\u00e1rio e demais assess\u00f3rios que possam transformar o filme. Vamos ter, tamb\u00e9m, oficinas de interpreta\u00e7\u00e3o, que vai ser exatamente a parte do ator. Esse ator que est\u00e1 em cena, que d\u00e1 o rosto, que d\u00e1 a vida, ele tamb\u00e9m segue todas as est\u00e9ticas. N\u00f3s temos oficina de montagem, que fecha esse ciclo. Nele, os alunos v\u00e3o aprender a montar esse filme. Depois vem a acessibilidade, que vai tornar todo esse conte\u00fado acess\u00edvel com audiodescri\u00e7\u00e3o, libras e legendas para as pessoas que s\u00e3o deficientes auditivas e sabem ler. A\u00ed voc\u00ea vai ter a oficina de produ\u00e7\u00e3o de impacto, que \u00e9 essa ideia: n\u00e3o basta s\u00f3 fazer o filme. Voc\u00ea tem de tornar as pessoas interessadas em assistir a esse filme. E a produ\u00e7\u00e3o de impacto e marketing e redes sociais vai servir exatamente para pegar os filmes produzidos e convidar as pessoas a assistirem.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-68000\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cinearts6.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cinearts6.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cinearts6-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cinearts6-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E esse produto final ser\u00e1 exibido em cinemas em alguma mostra espec\u00edfica?<\/strong><br \/>\nAnderson \u2013 Durante a trajet\u00f3ria dessa vers\u00e3o do projeto, a cada unidade nas quais os alunos forem produzindo esses filmes, n\u00f3s faremos uma exibi\u00e7\u00e3o em pra\u00e7a p\u00fablica dos trabalhos. Acontecer\u00e1 nas localidades de Salinas das Margaridas, Itaparica e Vera Cruz. Ou seja, \u00e9 um dia no qual faremos a exibi\u00e7\u00e3o com projetor e tudo mais, chamamos os alunos, convidamos as pessoas e vamos assistir ao resultado do trabalho. Costumamos sempre fazer o lan\u00e7amento dos filmes realizados no projeto ou em uma sala de cinema, ou em uma pra\u00e7a p\u00fablica, esta atividade para os estudantes, tamb\u00e9m \u00e9 uma atividade pedag\u00f3gica, ele produz o filme, divulga, e exibe para o p\u00fablico, vendo a rea\u00e7\u00e3o das pessoas ao assistirem seus filmes, e isso \u00e9 sempre muito emocionante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Observar essa possibilidade de constru\u00e7\u00e3o de um novo polo de cinema na Bahia \u00e9 algo muito simb\u00f3lico para esse momento social e pol\u00edtico pelo qual o Brasil passa. Voc\u00eas t\u00eam essa percep\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m?<\/strong><br \/>\nAline \u2013 Sim. Eu sinto que \u00e9 uma oportunidade \u00fanica em criarmos uma cidade de cinema na Bahia, que abrigue as produ\u00e7\u00f5es locais e as produ\u00e7\u00f5es de fora. Precisamos qualificar as pessoas, para que estejam preparadas quando as oportunidades chegarem. A Ilha n\u00e3o ser\u00e1 a mesma com a constru\u00e7\u00e3o da ponte, ao menos vamos empreender para que as pessoas estejam com estas qualifica\u00e7\u00f5es profissionais e possam, estar fortalecidos num futuro pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Anderson \u2013 Verdade. \u00c9 um momento em que se prop\u00f5e mudan\u00e7as pol\u00edticas, mudan\u00e7as sociais, uma necessidade de um olhar mais profundo sobre a produ\u00e7\u00e3o cultural e particularmente a produ\u00e7\u00e3o audiovisual. Um momento no qual os governantes olhem mais para a Cultura. Enxerguem mais o fazer art\u00edstico, o fazer cultural, e a produ\u00e7\u00e3o de filmes como elemento simb\u00f3lico e expressivo do seu povo, das suas culturas, e dos legados e hist\u00f3ricos constru\u00eddos. Quando isso acontece, voc\u00ea come\u00e7a a ter, tamb\u00e9m, as pessoas, a popula\u00e7\u00e3o como um todo interessada nisso. E quanto \u00e0s pessoas, o Brasil j\u00e1 \u00e9 um grande consumidor de filmes, de s\u00e9ries. N\u00e3o \u00e0 toa, aqui tem tantas op\u00e7\u00f5es de VOD (V\u00eddeo sob demanda). Isso \u00e9 porque n\u00f3s somos um povo que \u00e9 um grande consumidor de conte\u00fados audiovisuais, de videogames, de anima\u00e7\u00f5es, de s\u00e9ries e tudo mais. Mas precisamos, agora, produzir conte\u00fados que falem do povo brasileiro. Conte\u00fados feitos pelo povo brasileiro. Assim, poderemos, tamb\u00e9m, conhecer as nossas hist\u00f3rias. E a\u00ed eu acho que a iniciativa da Itaparica Filmes, e nessa jun\u00e7\u00e3o com a Cine Art, vai fomentar um momento bem promissor para essa constru\u00e7\u00e3o audiovisual perene.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-68001\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cinearts7.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cinearts7.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cinearts7-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cinearts7-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De fato, essa ideia do poder do audiovisual como algo fomentador economicamente precisa urgentemente voltar a ser notada.<\/strong><br \/>\nAnderson \u2013 Sim. N\u00e3o somente isso. Essa for\u00e7a, esse poder do audiovisual, a for\u00e7a em contar nossas hist\u00f3rias, em mostrar o momento hist\u00f3rico em que n\u00f3s vivemos. Quando filmamos ruas, pessoas, trajes. Tanto em document\u00e1rios, quanto em fic\u00e7\u00f5es, quanto em anima\u00e7\u00f5es. Como retratamos esse tempo. Isso \u00e9 um material muito expressivo para futuras gera\u00e7\u00f5es saberem como n\u00f3s vivemos nesse momento. Para al\u00e9m disso, n\u00f3s temos, tamb\u00e9m, o elemento simb\u00f3lico da Cultura Art\u00edstica. \u00c9 a vis\u00e3o do artista, vis\u00e3o deste momento art\u00edstico. Como estamos sentindo as rela\u00e7\u00f5es humanas. E expressar isso em filmes \u00e9 muito importante. S\u00e3o autorias, s\u00e3o materiais que v\u00e3o ficar para um legado. Um legado para sempre. Todas as vers\u00f5es, como a gente sempre faz um processo de forma\u00e7\u00e3o te\u00f3rico\/pr\u00e1tico, todas as vers\u00f5es resultam, e n\u00e3o s\u00f3 no final, mas, tamb\u00e9m, durante o processo, em muitos conte\u00fados e muitos filmes que s\u00e3o emblem\u00e1ticos. N\u00e3o s\u00f3 porque eles expressam aquele momento an\u00e1logo ao Cinema, \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do Cinema, \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do Homem no Cinema, e \u00e0 constru\u00e7\u00e3o dos nossos alunos, mas, tamb\u00e9m, porque trazem uma express\u00e3o de quem quer falar para o mundo sobre seus anseios, suas paix\u00f5es, suas decep\u00e7\u00f5es e suas frustra\u00e7\u00f5es. Tudo isso vai ser expresso naqueles filmes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 uma quest\u00e3o de identidade, de fato.<\/strong><br \/>\nAnderson \u2013 Sim. Isso \u00e9 uma coisa tamb\u00e9m importante que cada vez mais perdemos: o povo brasileiro, o p\u00fablico brasileiro, cada vez mais vem perdendo conex\u00f5es com sua arte. Isso porque assistimos a muito mais filmes de fora, particularmente muito mais filmes hollywoodianos do que brasileiros. Talvez o que mais ainda nos assegura como espectadores de dramaturgia e teledramaturgia brasileiras s\u00e3o as novelas. Realmente, a grande for\u00e7a brasileira s\u00e3o as novelas. Ent\u00e3o, \u00e9 muito importante criarmos esses conte\u00fados. Ampliar a filmografia, a leitura f\u00edlmica do povo brasileiro. A leitura f\u00edlmica das pessoas, do p\u00fablico como um todo, para que se afei\u00e7oe com a nossa forma de falar. Aqui tem uma coisa que \u00e9 muito interessante. Quando ouvimos o nosso sotaque baiano, nordestino, na tela, isso gera estranheza. N\u00f3s estranhamos o nosso pr\u00f3prio sotaque. N\u00f3s estranhamos quando olhamos no filme e vemos nossos espa\u00e7os urbanos. Aquilo causa estranheza porque, normalmente, n\u00e3o s\u00e3o lugares e n\u00e3o s\u00e3o pessoas que protagonizam hist\u00f3rias na tela. Ent\u00e3o, tamb\u00e9m elevar essa autoestima do soteropolitano, do baiano, do nordestino em ver seus lugares, seus discursos, seus sotaques, seus jeitos na tela, isso vai fazer com que voc\u00ea possa construir uma forma de reconhecimento dos seus valores. Ent\u00e3o, esse poder e essa paix\u00e3o de fazer filmes, de construir, \u00e9 algo muito simb\u00f3lico. Mas, tamb\u00e9m, tem a quest\u00e3o econ\u00f4mica. Porque voc\u00ea acaba empregando muitas pessoas. Por exemplo, uma s\u00e9rie como &#8220;Pequeno Gigante&#8221;, n\u00f3s tivemos quase 600 pessoas trabalhando diretamente. Em um mercado, um polo de cinema no qual voc\u00ea tenha produ\u00e7\u00e3o constante, voc\u00ea pode manter essas pessoas em um trabalho fixo. \u00c9 uma ind\u00fastria que n\u00e3o polui. \u00c9 uma ind\u00fastria que n\u00e3o tem destrui\u00e7\u00e3o de meio ambiente, de nada. Isso porque a maior parte do material que voc\u00ea consome \u00e9 humano. S\u00e3o as ideias. \u00c9 uma ind\u00fastria criativa. Voc\u00ea tem ideias, sonhos, ou seja, voc\u00ea tem muito mais coisa intang\u00edvel do que algo material sendo consumida ali. Com isso tudo, produzir e realizar filmes, distribuir e atrair filmes para serem feitos aqui vai ser muito importante. Com a Itaparica Filmes, voc\u00ea ainda tem essa possibilidade de atrair essas pessoas para o Turismo. Quanto mais pessoas em diversos lugares verem nossas praias, nossa gente, nossas ruas, v\u00e3o sentir vontade de praticar o Turismo. De vir visitar e conhecer aquelas cidades. Isso, claro, ser\u00e1 inicialmente Itaparica, mas isso aqui, tamb\u00e9m, pegando Salvador, a Bahia e o Nordeste. \u00c9 isso. Vida longa ao audiovisual baiano, nordestino e brasileiro.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-68002\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cinearts8.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cinearts8.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cinearts8-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cinearts8-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde e assina o blog\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pel\u00edcula Virtual<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u00c0 frente da produtora Cine Arts, respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o de diversos de curtas e longas metragens, al\u00e9m de s\u00e9ries de TV, a produtora Aline Cl\u00e9a e o diretor Anderson Soares seguem alimentando paix\u00f5es pelo audiovisual feito na Bahia.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/07\/26\/entrevista-aline-clea-e-anderson-soares-falam-sobre-as-oficinas-cine-arts-e-sobre-a-itaparica-film-commission\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":67996,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[5946,4249],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67994"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=67994"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67994\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":68047,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67994\/revisions\/68047"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/67996"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=67994"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=67994"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=67994"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}