{"id":67905,"date":"2022-07-22T00:24:15","date_gmt":"2022-07-22T03:24:15","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=67905"},"modified":"2022-09-15T04:17:04","modified_gmt":"2022-09-15T07:17:04","slug":"gorduratrans-lanca-zera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/07\/22\/gorduratrans-lanca-zera\/","title":{"rendered":"Entrevista: gorduratrans lan\u00e7a o disco \u201czera\u201d, vira quarteto e fala sobre o Rio, Flamengo e a parceria com a Balaclava Records"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Capelas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num passado n\u00e3o t\u00e3o distante, quando era poss\u00edvel sair na rua sem m\u00e1scara, a banda fluminense gorduratrans gravava seus discos em casa. Foram dois \u2013 \u201cRepert\u00f3rio Infind\u00e1vel de Dolorosas Piadas\u201d, de 2015, e \u201cParoxismos\u201d, de 2017 \u2013 \u00e1lbuns inteiramente feitos num quarto em Mesquita, munic\u00edpio da Baixada Fluminense, na divisa com a Zona Oeste carioca. Mas, depois dos dois anos em que mal pudemos sair de casa, o gorduratrans resolveu ir ao est\u00fadio e se juntar com v\u00e1rios colaboradores para dar vida ao seu primeiro disco em cinco temporadas: \u201c<a href=\"https:\/\/ditto.fm\/zera\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">zera<\/a>\u201d (2022), lan\u00e7ado no in\u00edcio de junho. Mais do que s\u00f3 uma continua\u00e7\u00e3o de carreira, o disco traz novas fronteiras para o duo de noise rock, criado pelo guitarrista Felipe Aguiar e o baterista Luiz Felipe Marinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 um recome\u00e7o da nossa rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica. Eu demorei muito para me enxergar como um m\u00fasico de verdade, v\u00edamos a m\u00fasica como um hobby. Agora \u00e9 diferente\u201d, explica Aguiar sobre o trabalho, que tem produ\u00e7\u00e3o de Roberto Kramer e Fernando Dotta, s\u00f3cio da Balaclava Records. Al\u00e9m de produzir, Dotta tocou baixo no disco, uma novidade para a sonoridade do gorduratrans. \u201cChegamos \u00e0 conclus\u00e3o de que quer\u00edamos gravar o disco da melhor forma que ele pudesse ser, e depois \u00edamos pensar no ao vivo\u201d, explica o vocalista. N\u00e3o foi s\u00f3: gravado entre agosto e setembro de 2021, \u201c<a href=\"https:\/\/ditto.fm\/zera\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">zera<\/a>\u201d tamb\u00e9m marca a chegada de beats, programa\u00e7\u00e3o e uma s\u00e9rie de evolu\u00e7\u00f5es para o conjunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A inova\u00e7\u00e3o sonora tamb\u00e9m trouxe novidades para a forma\u00e7\u00e3o do grupo. Desde janeiro, o gorduratrans agora \u00e9 um quarteto, completado por dois amigos de outras bandas pr\u00f3ximas: o guitarrista Pedro Simi\u00e3o (da Salvador) e o baixista Gabriel Otero (da Tom Gangue). \u201cNossos trabalhos foram s\u00f3 sempre eu e o Luiz, e \u00e9 muito legal ter as pessoas ao redor. O Pedro e o Gabriel s\u00f3 entraram na banda porque gravamos o \u2018zera\u2019 sem nos limitarmos\u201d, ressalta Aguiar, que \u00e9 engenheiro mec\u00e2nico de forma\u00e7\u00e3o e trabalha em marketing nas horas \u201cn\u00e3o vagas\u201d. J\u00e1 Luiz \u00e9 jornalista: \u201cfa\u00e7o frilas, roteiro, qualquer trabalho de texto\u201d, diz o baterista, em um retrato honesto da situa\u00e7\u00e3o de uma banda independente no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nova forma\u00e7\u00e3o traz dificuldades e benef\u00edcios. \u201cFica mais dif\u00edcil de rodar com mais pessoas. Eu e Felipe fizemos turn\u00eas na ra\u00e7a no Nordeste, s\u00f3 rodando os dois. Ter um quarteto deixa as coisas mais dif\u00edceis, mas tocar com o Pedro e o Gabriel tem sido fant\u00e1stico, uma redescoberta de como \u00e9 estar numa banda\u201d, diz Luiz. Mais do que s\u00f3 tocar as can\u00e7\u00f5es de \u201c<a href=\"https:\/\/ditto.fm\/zera\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">zera<\/a>\u201d ao vivo, os novos integrantes tamb\u00e9m ajudaram o gorduratrans a criar novos arranjos para as m\u00fasicas antigas \u2013 e os dois fundadores da banda deixam claro que um pr\u00f3ximo trabalho n\u00e3o deve demorar os mesmos cinco anos para sair.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A seguir, voc\u00ea confere a conversa do Scream &amp; Yell com o gorduratrans num papo feito por chamada de v\u00eddeo, conex\u00e3o ABC-Mesquita-Magalh\u00e3es Bastos. \u201c\u00c9 um disco que mostra a nossa condi\u00e7\u00e3o de homens perif\u00e9ricos\u201d, ressalta Felipe, falando sobre can\u00e7\u00f5es como \u201cnem sempre foi assim\u201d (que mostra a evolu\u00e7\u00e3o da Zona Oeste do Rio) e \u201car\u00e3o\u201d (sim, uma homenagem ao vers\u00e1til jogador que acaba de deixar o time do Flamengo). Pode parecer discurso, mas \u00e9 mais que isso \u2013 uma banda do Rio de Janeiro que est\u00e1 longe, bem longe, das novelas de Manoel Carlos. \u201cAs primeiras vezes que eu fui para a Zona Sul, eu j\u00e1 devia ter uns 15, 16 anos. Andando na praia em Copacabana, eu era um turista, me sentia completamente estrangeiro.\u201d Com a palavra, o gorduratrans.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"gorduratrans - nem sempre foi assim (Clipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3IGc_249fcg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201czera\u201d \u00e9 o primeiro disco do gorduratrans em cinco anos. Como foi o processo de criar esse trabalho?<\/strong><br \/>\nFelipe Aguiar: Foi um per\u00edodo que a gente esteve muito parado, at\u00e9 mesmo antes da pandemia j\u00e1 est\u00e1vamos parados. Lan\u00e7amos o \u201cParoxismos\u201d em 2017, fizemos uma s\u00e9rie de shows, uma turn\u00ea de um m\u00eas rodando o Pa\u00eds, alguns festivais\u2026 festivais no Nordeste, tocamos em Bras\u00edlia, Goi\u00e2nia\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>(interrompe) Turn\u00ea de um m\u00eas significa tirar f\u00e9rias do trabalho e sair rodando, n\u00e9?<\/strong><br \/>\nFelipe: Exatamente isso. Viajei no dia seguinte que eu tirei f\u00e9rias e voltei no dia anterior ao retorno!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00eas fazem, nas horas \u201cn\u00e3o vagas\u201d?<\/strong><br \/>\nFelipe: Sou engenheiro mec\u00e2nico e trabalho numa empresa de lubrificantes automotivos. J\u00e1 fui da \u00e1rea t\u00e9cnica, mas hoje estou no marketing.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luiz Felipe Marinho: Eu sou jornalista de forma\u00e7\u00e3o e fa\u00e7o uns frilas de jornalismo, redes sociais, qualquer coisinha de texto, estamos por a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas desculpa, interrompi voc\u00eas. Est\u00e1vamos falando de 2017\u2026<\/strong><br \/>\nFelipe: Ent\u00e3o, fizemos a turn\u00ea em 2017, em 2018 fizemos alguns festivais, como o Bananada. E a\u00ed aconteceram v\u00e1rias coisas na nossa vida, impactando diretamente o nosso trabalho. Os nossos discos s\u00e3o muito autorreferentes, a gente falando da gente mesmo, \u00e9 algo que se confunde. \u00c9 at\u00e9 estranho quando penso em pessoas que tem v\u00e1rias bandas, projetos paralelos\u2026 n\u00e3o \u00e9 o nosso caso: somos muito transparentes como banda. Em 2018 rolaram v\u00e1rias mudan\u00e7as, o Luiz estava acabando a faculdade, eu sa\u00ed de casa pela primeira vez e fui dividir apartamento com um amigo. Isso fez com que a gente parasse de tocar, tocar menos, at\u00e9 ter menos gosto pela coisa. Em 2019, fizemos s\u00f3 dois shows. Um foi muito legal, lotamos o CCSP com a [banda carioca] Def. A pandemia s\u00f3 acabou de afogar: fiquei atolado com trabalho, com muitas quest\u00f5es na cabe\u00e7a. Os seis primeiros meses de pandemia foram muito loucos na minha cabe\u00e7a. Nesse meio tempo, ainda tentamos gravar um disco em casa, ac\u00fastico, com algumas m\u00fasicas do \u201czera\u201d. Colocamos a bateria no meio do apartamento, todo mundo do pr\u00e9dio saiu, mas acabou que n\u00e3o foi para a frente, muito por conta da maluquice toda que tava rolando no mundo e nas nossas cabe\u00e7as. Acabei me mudando de novo, fiquei um tempo morando com a minha m\u00e3e, aluguei um apartamento para mim, voltei a morar no bairro que eu nasci, Magalh\u00e3es Bastos, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Aos poucos, as coisas come\u00e7aram a se ajeitar, at\u00e9 que no meio de 2021 n\u00f3s voltamos a se ver e decidiu ir para o est\u00fadio. Come\u00e7amos a ensaiar, o primeiro ensaio foi maneiro, e vimos um v\u00eddeo de um show antigo nosso de 2016. Uma das m\u00fasicas do \u201czera\u201d, \u201cCaveira\u201d, j\u00e1 era daquela \u00e9poca. Em um m\u00eas, acabamos fechando todas as m\u00fasicas, concebemos a ideia, sintetizando esses anos todos, entendendo que caracter\u00edsticas desse per\u00edodo foram importantes. J\u00e1 quer\u00edamos falar de outras coisas al\u00e9m de amor rom\u00e2ntico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando era poss\u00edvel sair de casa tranquilo, voc\u00eas fizeram dois discos sozinhos num quarto. E bem no meio da pandemia \u00e9 que voc\u00eas gravam em est\u00fadio, com produtor, convidados\u2026 Tirando a piada, como foi esse processo de decidir mudar o jeito de gravar?<\/strong><br \/>\nFelipe: Foi um processo super colaborativo. Foi muito bacana trabalhar com dois produtores, o Roberto Kramer e o Fernando Dotta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luiz: O Roberto foi uma indica\u00e7\u00e3o do Dotta. Ele tem as refer\u00eancias, \u00e9 um cara super talentoso. Durante o processo, fomos para o s\u00edtio Rom\u00e3, do Lucas Theodoro, guitarrista do E A Terra Nunca Me Pareceu T\u00e3o Distante. O Dotta foi com a gente, acompanhou, ele acabou fazendo a ponte com o Roberto, que estava em Pernambuco. J\u00e1 t\u00ednhamos essa vontade de produzir as coisas mais bem gravadas, em est\u00fadio, n\u00e3o sab\u00edamos onde ia ser, mas foi aos pouquinhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felipe: O que foi chave foi a nossa parceria com a Balaclava. Temos uma parceria muito grande, de muitos anos. Nosso primeiro show em S\u00e3o Paulo foi a convite deles, e \u00e9 muito a m\u00e3o da Balaclava incentivando, sempre troc\u00e1vamos ideia. Quando fechamos o disco na nossa cabe\u00e7a, chegamos para o Dotta e falamos que t\u00ednhamos um disco. Come\u00e7amos a montar juntos, ele trouxe o Roberto, a ideia dele produzir junto. Eu consegui tirar duas semanas de f\u00e9rias. Uma foi para a pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o, com o Lucas, e ele deu v\u00e1rias ideias para o disco. E a outra foi gravando no Est\u00fadio El Rocha, com o Fernando Sanches e o Rodolfo Duarte, uma engenharia de som absurda \u2013 e a dedica\u00e7\u00e3o e experi\u00eancia dos dois reflete muito na sonoridade do disco. Os equipamentos do El Rocha s\u00e3o incr\u00edveis, eu estava na Disneyl\u00e2ndia. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m usamos muito equipamento emprestado, eu n\u00e3o gravei com a guitarra que eu tinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que guitarra era?<\/strong><br \/>\nFelipe: Era uma guitarra ruim, uma Giannini Supersonic da reedi\u00e7\u00e3o de 2006, mas ela j\u00e1 tava com o corpo quebrado, cordas altas\u2026 mas agora comprei uma [Fender] Squier Jazzmaster, na edi\u00e7\u00e3o assinada pelo J Mascis, uma guitarra\u00e7a incr\u00edvel. Mas enfim, pro disco uma galera emprestou equipamento: o Bruno Paschoal do Terno Rei, o pessoal do Ra\u00e7a, o Edu Apeles, o Rafael Farah emprestou bateria e prato, foi uma constru\u00e7\u00e3o coletiva por todos os \u00e2ngulos. A gente nunca foi assim, nossos trabalhos foram s\u00f3 sempre eu e o Luiz, e \u00e9 muito legal ter as pessoas ao redor, nos permitir colaborar com outras pessoas, como o pessoal que fez os clipes \u2013 o Fl\u00e1vio Cabral, de &#8220;nem sempre foi assim&#8221;, e a dupla Gabriel Andreoli e Dani San, de &#8220;enterro dos ossos&#8221;. O Rodrigo Valim, que fez capa, um artista visual de Santo Andr\u00e9, \u00e9 excelente assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luiz: A constru\u00e7\u00e3o coletiva \u00e9 o caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Queria saber como funciona a parceria de voc\u00eas com a Balaclava. Como a Balaclava ajuda voc\u00eas, como artistas?<\/strong><br \/>\nFelipe: A parceria com a Balaclava \u00e9 sempre muito flex\u00edvel e muito transparente. Sei que eles fazem parcerias diferentes com bandas diferentes, depende do que cada banda precisa e quer. O Dotta nos d\u00e1 muita liberdade para gerir as coisas, seja para chamar para ele trampar no disco, seja para mandar tudo j\u00e1 pronto, como fizemos no \u201cParoxismos\u201d. N\u00e3o segue um script, um processo para definir. Eu n\u00e3o escolho quando vou ter o disco pronto, a gente sempre trabalhou assim. Eles nunca botaram press\u00e3o de ter um disco novo pronto at\u00e9 tal m\u00eas. \u00c9 bem flex\u00edvel, troca de ideias, se n\u00f3s queremos ou n\u00e3o fazer algo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-67907\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/zera_gorduratrans_capa-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/zera_gorduratrans_capa-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/zera_gorduratrans_capa-copiar-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/zera_gorduratrans_capa-copiar-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Junto com o \u201czera\u201d, voc\u00eas est\u00e3o mudando de forma\u00e7\u00e3o. O \u201czera\u201d n\u00e3o foi gravado como quarteto, mas voc\u00eas j\u00e1 fizeram um show no Balaclava Fest com mais um guitarrista, o Pedro Simi\u00e3o, e um baixista, o Gabriel Otero. De onde veio essa ideia de ampliar o gorduratrans?<\/strong><br \/>\nFelipe: P\u00f4, o Balaclava foi o primeiro show na vibe que a gente estava acostumado antes da pandemia, foi muito significativo mesmo. Quando est\u00e1vamos pensando no disco com o Dotta, chegamos \u00e0 conclus\u00e3o que quer\u00edamos gravar o disco da melhor forma que ele pudesse ser. Depois \u00e9 que a gente ia pensar no ao vivo. Fomos para o s\u00edtio, no final de agosto de 2021, j\u00e1 com a cabe\u00e7a de que ia ter baixo, foi o Dotta quem criou e gravou as linhas de baixo. N\u00e3o fosse s\u00f3 por isso, tem coisas que tem no disco que a gente nunca conseguiria reproduzir ao vivo, tem guitarra quadruplicada, tem sintetizadores de fundo\u2026 Foi uma ideia que trouxemos, tem m\u00fasicas com beat no fundo acompanhando a bateria, \u00e9 uma coisa muito da m\u00e3o do Roberto. E conforme as m\u00fasicas foram nascendo, percebemos que ia ter que ter mais gente na banda. Em janeiro desse ano, convidamos o Pedro Simi\u00e3o, que toca guitarra na Salvador, banda amiga nossa do Rio, e o Gabriel Otero, que toca baixo na Tom Gangue. E a\u00ed come\u00e7amos a construir as m\u00fasicas ao vivo com eles, foi quase como fazer as m\u00fasicas de novo, refizemos todos os arranjos das m\u00fasicas antigas, agora tem guitarra nova, baixo novo. Eles est\u00e3o na banda porque gravamos o \u201czera\u201d sem pensar na estrutura da banda, sem se limitar\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sei que <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/04\/28\/ao-vivo-cinco-shows-do-sabado-no-balaclava-fest-10-anos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">voc\u00eas tocaram em abril no Balaclava Fest<\/a>, acabaram de se apresentar no Rio, na Audio Rebel, teve show na Baixada Fluminense\u2026 Como est\u00e1 sendo voltar a fazer shows, e agora, em quarteto? Muda o som, mas tamb\u00e9m muda a log\u00edstica da banda, certo?<\/strong><br \/>\nLuiz: Fica mais dif\u00edcil de rodar com mais pessoas. Antes, eu e Felipe fizemos duas turn\u00eas no Nordeste na ra\u00e7a, rodando s\u00f3 os dois, era mais f\u00e1cil. \u00c9 mais f\u00e1cil para um festival arcar com o custo de trazer duas pessoas do Rio de Janeiro. Ter um quarteto deixa as coisas mais dif\u00edceis, encarece um pouco mais, mas tocar com o Pedro e o Gabriel t\u00eam sido fant\u00e1stico. \u00c9 uma redescoberta de como \u00e9 estar numa banda, como \u00e9 tocar ao vivo. As m\u00fasicas antigas se tornaram prazerosas de fazer de novo, tem novidades de guitarra, o Pedro trouxe linhas de guitarra muito legais. \u00c9 uma redescoberta enquanto m\u00fasicos, artistas, \u00e9 uma experi\u00eancia nova. E at\u00e9 de se abrir para novas ideias, o processo era sempre muito fechado em n\u00f3s dois. \u00c9 dif\u00edcil rodar, mas tem que ser assim, n\u00e3o tem para onde correr.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felipe: Quando fomos pensar em quem quer\u00edamos chamar, pensamos que tinham de ser nossos amigos. Gente que ia curtir o nosso projeto e que \u00edamos ter liberdade de confiar. N\u00e3o quer\u00edamos s\u00f3 chamar algu\u00e9m por tocar bem, ter equipamento ou ser agilizado. Mas os dois s\u00e3o tudo isso tamb\u00e9m, al\u00e9m de serem nossos amigos. Temos parceiros, e o dia a dia \u00e9 incr\u00edvel, as viagens s\u00e3o maravilhosas. N\u00e3o \u00e9 um fardo estar com eles, \u00e9 muito divertido. Tem sido muito maneiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os dois primeiros discos do gorduratrans falavam bastante de relacionamentos. Com o \u201czera\u201d, rolou uma expans\u00e3o de temas. Mas o que esse disco novo quer passar pro ouvinte?<\/strong><br \/>\nFelipe: A principal mensagem, que est\u00e1 refletida no nome do disco, \u00e9 que o \u201czera\u201d \u00e9 um recome\u00e7o da nossa rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica. \u00c9 uma forma diferente que a gente passou a observar e tratar o nosso trabalho. V\u00edamos a m\u00fasica como um hobby, algo mais\u2026 fluido. Agora, \u00e9 algo mais concreto. Demorei muito para me enxergar como um m\u00fasico de verdade. Essa \u00e9 a principal mensagem do \u201czera\u201d. A gente se redescobrindo com a nossa forma de fazer arte, outras maneiras de enxergar o mundo que vivemos, como homens perif\u00e9ricos. \u00c9 entender tanto a maneira que somos afetados e como afetamos as coisas, o processo de mudan\u00e7a nesses cinco anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem uma m\u00fasica que salta aos ouvidos nas primeiras audi\u00e7\u00f5es do \u201czera\u201d, talvez at\u00e9 pelo nome, que \u00e9 \u201car\u00e3o\u201d. \u00c9 um momento marcante. Por que Willian Ar\u00e3o merece uma m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nLuiz: N\u00e3o \u00e9 exatamente sobre o Ar\u00e3o, ele representa um sentimento, mas a m\u00fasica \u00e9 sobre o Flamengo. Tamb\u00e9m \u00e9 sobre o Flamengo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felipe: O Ar\u00e3o tem um simbolismo. Al\u00e9m dele ser um dos atletas mais antigos do Flamengo hoje, recordista de jogos pela equipe, ele teve fases muito boas. Ele jogou em posi\u00e7\u00f5es diferentes, jogou muita bola\u2026 e teve fases muito ruins. \u00c9 um reflexo do Flamengo \u2013 e ele sempre foi titular de todos os times. Incluindo o time de 2019, que foi m\u00e1gico, e ele comeu a bola. \u00c9 uma homenagem para um cara que \u00e9 muito subestimado. Ningu\u00e9m lembra que o Ar\u00e3o era titular do time em 2019! E ele \u00e9 muito o esp\u00edrito do Flamengo. Mas sei que ele vai sair do time em pouqu\u00edssimo tempo\u2026 <em>(Nota: dias ap\u00f3s a entrevista, o Flamengo anunciou a venda de Willian Ar\u00e3o ao Fenerbah\u00e7e, da Turquia)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ele resolveu sacanear a campanha de divulga\u00e7\u00e3o de voc\u00eas!<\/strong><br \/>\nFelipe: (risos) P\u00f4, ele \u00e9 um cara novo, tem 29 anos se n\u00e3o me engano, est\u00e1 h\u00e1 cinco no Flamengo. Mas \u00e9 uma homenagem para ele mesmo. Eu e o Luiz Felipe, sempre fomos muito flamenguistas, mas a rela\u00e7\u00e3o explodiu depois de 2018 e 2019. 2018 com o Vinicius Jr. e o Paquet\u00e1, e 2019 foi um absurdo, n\u00e9. Passou a fazer mais parte do nosso dia a dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luiz: O fato do Felipe ter se mudado para perto do Maracan\u00e3 tamb\u00e9m influenciou muito nisso. Foi um momento chave, est\u00e1vamos juntos o tempo todo, vivemos isso muito intensamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felipe: E tem uma hist\u00f3ria curiosa: na final da Libertadores em 2019, dia 23 de novembro, j\u00e1 t\u00ednhamos agendado um show em Belo Horizonte. Tentamos cancelar de todas as formas, mas n\u00e3o teve jeito. Quando nos demos conta, era tarde demais. E a\u00ed que vimos a final da Libertadores em BH, os tr\u00eas juntos. Alugamos um Airbnb e colocamos as nossas coisas na mesma posi\u00e7\u00e3o do apartamento, todo mundo sentado nos mesmos lugares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luiz: E tem um trecho da m\u00fasica que fala sobre isso!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem uma quest\u00e3o geogr\u00e1fica sobre o gorduratrans que eu queria resolver. J\u00e1 vi por a\u00ed que voc\u00eas s\u00e3o cariocas, j\u00e1 vi que voc\u00eas s\u00e3o da Baixada Fluminense, o Felipe agora falou sobre ser um homem perif\u00e9rico\u2026 afinal, de onde voc\u00eas s\u00e3o?<\/strong><br \/>\nFelipe: Existem dois Rios de Janeiros. Tem o Rio de Janeiro do Manoel Carlos, da novela, Botafogo e Copacabana. E tem um outro Rio de Janeiro, que \u00e9 completamente diferente. As primeiras vezes que fui para a Zona Sul, eu j\u00e1 devia ter uns 15, 16 anos\u2026 e eu me sentia completamente estrangeiro. Andando na praia em Copacabana, eu era turista. E a\u00ed a complexidade da coisa: moro na Zona Oeste, num bairro chamado Magalh\u00e3es Bastos, e o Luiz mora em Mesquita, que \u00e9 uma cidade da Baixada Fluminense. Mas moramos a 15 minutos um do outro, e a fam\u00edlia do meu pai \u00e9 de Mesquita, sempre estive muito por l\u00e1. A gente \u00e9 mais da Baixada do que do Rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luiz: E foi nesse exato quarto em Mesquita que a gente gravou o \u201cRepert\u00f3rio Infind\u00e1vel de Dolorosas Piadas\u201d, que saiu por um selo de Nova Igua\u00e7u, a Bichano Records. Sempre teve essa rela\u00e7\u00e3o do projeto e nossa, sempre levantamos a bandeira da Baixada Fluminense.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como isso muda a forma de ver o mundo de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nFelipe: Eu demorei muito para me sentir parte \u201cdesse\u201d Rio de Janeiro. N\u00e3o d\u00e1 para ver o Cristo daqui de casa, \u00e9 muito longe. Eu via o Cristo uma vez por m\u00eas, quando ia para Vila Isabel, na igreja da minha m\u00e3e. Ver o Cristo \u00e9 algo muito distante. E o nosso acesso at\u00e9 a Zona Sul sempre foi muito prec\u00e1rio. O Luiz estudou na PUC, na G\u00e1vea, ent\u00e3o sempre era uma hora e meia para ir, uma hora e meia para voltar. Na \u00e9poca do \u201cParoxismos\u201d, a gente fazia show em Botafogo, levava duas, tr\u00eas horas para voltar para casa. O Rio de Janeiro que a gente conhece, e \u00e9 incr\u00edvel, \u00e9 o Rio de Janeiro da nossa \u00e1rea. A Zona Oeste e a Baixada t\u00eam muito mais coisa em comum do que com a Zona Sul. A m\u00fasica que fala sobre o meu bairro, \u201cnem sempre foi assim\u201d, \u00e9 sobre essas mudan\u00e7as, como a passagem do tempo traz esperan\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda falando sobre cidade\u2026 existe uma cena local para voc\u00eas? Tenho a sensa\u00e7\u00e3o de que cada vez mais, muitas bandas se comunicam com bandas de outra cidade, com sons parecidos, e menos com as bandas da pr\u00f3pria regi\u00e3o. Sinto muito isso com muitas bandas da Balaclava, ali\u00e1s.<\/strong><br \/>\nFelipe: Temos muitos amigos aqui no Rio, uma amizade forte com o selo Efusiva, que tem uma casa aqui no Rio chamada Motim, somos parceiros da Tom Gangue e da Salvador, que tamb\u00e9m eram da Bichano Records. S\u00f3 que, de fato, at\u00e9 por conta da pandemia, a quantidade de rol\u00eas que vem acontecendo \u00e9 muito menor. E de forma padr\u00e3o, S\u00e3o Paulo tem muito mais evento, casa para tocar, e bandas. Tocamos mais no estado de S\u00e3o Paulo do que no Rio esse ano, temos mais p\u00fablico em S\u00e3o Paulo do que no Rio. Acho que isso tamb\u00e9m \u00e9 padr\u00e3o. \u00c9 consideravelmente maior do que no Rio. Quando voc\u00ea pega os ouvintes\u2026 temos muito mais ouvintes fora do Rio. A gente \u00e9 muito parceiro da Gera\u00e7\u00e3o Perdida, da Lupe de Lupe, do Jonathan Tadeu, de Minas Gerais, muito parceiro da Transtorninho Records, do Nordeste, o pessoal do Terraplana. Sabemos que tem muitas cenas nichadas. Tem algumas cenas no Rio de Janeiro que acabamos n\u00e3o conversando, que s\u00e3o fortes, como a cena de hardcore, a cena indie\u2026 De certa forma, tamb\u00e9m estamos redescobrindo as rela\u00e7\u00f5es, estamos voltando a tocar e a volta dos eventos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No show do Balaclava Fest, fiquei impressionado com a galera cantando alto \u201cVoc\u00ea N\u00e3o Sabe Quantas Horas Eu Passei Olhando Pra Voc\u00ea\u201d e \u201cVcnvqnd\u201d. J\u00e1 est\u00e1 rolando isso com o novo disco?<\/strong><br \/>\nFelipe: Sempre achei muito doido isso das pessoas cantarem as m\u00fasicas, sempre d\u00e1 um n\u00f3, \u00e9 divertido. \u00c9 uma sensa\u00e7\u00e3o esquisita porque as nossas m\u00fasicas s\u00e3o muito pessoais, ver gente compartilhando esses sentimentos \u00e9 um neg\u00f3cio muito doido. No disco novo, deu para ver melhor na Audio Rebel, mas as pessoas t\u00e3o cantando mesmo as m\u00fasicas, mesmo que elas tenham acabado de sair. \u00c9 muito gratificante alcan\u00e7ar as pessoas. E de longe, \u201centerro dos ossos\u201d \u00e9 a m\u00fasica que o pessoal mais canta, \u00e9 tamb\u00e9m a mais pop do disco. E esse pop \u00e9 uma reconex\u00e3o nossa com o come\u00e7o da banda, \u00e9 algo meio mais Dinosaur Jr., com estrutura de refr\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"gorduratrans - enterro dos ossos (Clipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/GOB8iz3iMB8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00eas estavam ouvindo na \u00e9poca de fazer o \u201czera\u201d?<\/strong><br \/>\nFelipe: O \u201czera\u201d foi constru\u00eddo durante cinco anos, ent\u00e3o tem muita coisa. Mas foi uma \u00e9poca em que passei a conhecer alguns grandes cl\u00e1ssicos que eu n\u00e3o conhecia. Eu comecei a conhecer m\u00fasica j\u00e1 velho, porque fui da igreja at\u00e9 os 19 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Explica melhor essa hist\u00f3ria.<\/strong><br \/>\nFelipe: Quando eu tinha tr\u00eas meses de idade, minha m\u00e3e se converteu \u00e0 igreja evang\u00e9lica. Minha tia \u00e9 pastora at\u00e9 hoje. Cresci na igreja, com 10 anos comecei a tocar. Aprendi teclado, depois viol\u00e3o, aos 14 anos entrei para a banda da igreja. Minha rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica passa por isso. S\u00f3 que fui crescendo, entrei na faculdade, comecei a ver coisas diferentes, e percebi que n\u00e3o acreditava mais naquilo. E com 19 anos eu sa\u00ed da igreja, me percebi ateu, isso foi em 2012. Foi a\u00ed que comecei a ouvir m\u00fasica mesmo. Tinha uma doutrina da igreja da minha tia que voc\u00ea n\u00e3o podia ouvir \u201cm\u00fasicas do mundo\u201d. No come\u00e7o eu ouvia escondido, mas depois abri mais. Na \u00e9poca eu ouvia muito Los Hermanos, eu e o Luiz nos conhecemos por causa de uma banda de Los Hermanos. [Luiz revira os olhos na c\u00e2mera]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Todo mundo teve essa fase\u2026<\/strong><br \/>\nLuiz: \u00c9 o que \u00e9, n\u00e9? Foi importante na \u00e9poca, e se a gente se conheceu por isso, j\u00e1 valeu! Valeu Amarante!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felipe: Com 19, eu sa\u00ed da igreja, comecei a sair, ir para festas, fui ter banda. S\u00f3 que eu comecei a ouvir m\u00fasica j\u00e1 muito no alternativo, ouvindo as bandas dos amigos\u2026 e muito dos grandes cl\u00e1ssicos eu n\u00e3o conhecia. Nos \u00faltimos anos, fui atr\u00e1s dos cl\u00e1ssicos. Devo ter ouvido o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/05\/09\/clube-da-esquina-eleito-melhor-album-brasileiro-de-todos-os-tempos-conheca-o-top-10\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Clube da Esquina<\/a> umas 500 vezes nos \u00faltimos anos, fiquei apaixonado pela carreira do Milton Nascimento, do L\u00f4 Borges, o disco do T\u00eanis\u2026 comecei a ouvir muito Gilberto Gil, a trilogia \u201cRe\u201d, e refer\u00eancias disso come\u00e7aram a entrar no gorduratrans. Foi muito legal poder descobrir esses grandes discos, mas para o \u201czera\u201d puxamos algumas refer\u00eancias do shoegaze, umas coisas mais modernas. O \u201cmbv\u201d, disco mais novo do My Bloody Valentine, foi uma refer\u00eancia importante, assim como o \u00faltimo disco do DIIV. Esteticamente, foram duas refer\u00eancias bem relevantes. Mas temos muita refer\u00eancia do \u201cYuck\u201d, o disco de 2011, muita coisa do Dinosaur Jr., Sonic Youth, Slint. Somos muito f\u00e3s de Elliott Smith, n\u00f3s dois temos tatuagens de Elliott Smith, \u00e9 uma refer\u00eancia forte para caramba. E pensamos muito a can\u00e7\u00e3o na vibe cl\u00e1ssica, anos 1970, mas montando numa est\u00e9tica mais shoegaze.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 pergunta de jornalista chato, mas dado que o \u201czera\u201d levou cinco anos para ser feito e v\u00e1rias ideias s\u00e3o de muito tempo atr\u00e1s, o que \u00e9 que vem por a\u00ed? Imagino que voc\u00eas n\u00e3o queiram demorar tanto tempo para lan\u00e7ar outro disco\u2026<\/strong><br \/>\nFelipe: Acho que essa resposta complementa outra pergunta que voc\u00ea fez, que \u00e9 sobre o papel dos meninos na banda. Queremos trazer mais o Pedro e o Gabriel para o gorduratrans agora. Escrevemos nossa hist\u00f3ria como duo at\u00e9 aqui, mas queremos expandir nossa cabe\u00e7a. Percebemos, no \u201czera\u201d, a preciosidade de ter outras pessoas pensando a m\u00fasica com a gente. Isso pode ser muito rico para a constru\u00e7\u00e3o art\u00edstica. O Pedro \u00e9 um excelente compositor para a Salvador, que \u00e9 de math rock, \u00e9 outra vibe, mas queremos trazer essas ideias. E queremos fazer outro disco em breve sim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luiz: Vai se tornar um movimento natural, conforme formos tocando e se entrosando melhor, tocando as m\u00fasicas antigas cada vez melhor. \u00c9 por a\u00ed, \u00e9 se conhecer mais profundamente e depois colher esses frutos, de ideias, um poss\u00edvel disco novo\u2026 sem engolir barriga, sem muita pressa, com p\u00e9 no ch\u00e3o, mas vai ser um movimento natural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o que mais d\u00e1 para esperar do gorduratrans em 2022?<\/strong><br \/>\nFelipe: Vamos tocar no festival Locomotiva, em Piracicaba, em outubro. Estamos armando outros shows de lan\u00e7amento, queremos muito tocar em BH, Curitiba e Porto Alegre. Tem outras novidades grandes vindo a\u00ed, mas n\u00e3o est\u00e3o certas ainda, ent\u00e3o vamos esperar.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"zera\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_lADIuF1Yct-OZY1VGjH2WZHsjFk_v9qjM\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@noacapelas<\/a>) \u00e9 jornalista. Apresenta o\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/indieeldorado\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa de Indie<\/a>, na Eldorado FM, e \u00e9 autor de \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Raios-trov%C3%B5es-hist%C3%B3ria-fen%C3%B4meno-R%C3%A1-Tim-Bum\/dp\/8532311385\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Raios e Trov\u00f5es \u2013 A hist\u00f3ria do fen\u00f4meno Castelo R\u00e1-Tim-Bum<\/a>\u201d, editado pela Summus Editorial. 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