{"id":67867,"date":"2022-07-20T00:49:44","date_gmt":"2022-07-20T03:49:44","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=67867"},"modified":"2022-08-02T02:37:16","modified_gmt":"2022-08-02T05:37:16","slug":"entrevista-filipe-ret-fala-sobre-o-album-lume-funk-trap-o-feat-com-anitta-seu-novo-selo-e-muito-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/07\/20\/entrevista-filipe-ret-fala-sobre-o-album-lume-funk-trap-o-feat-com-anitta-seu-novo-selo-e-muito-mais\/","title":{"rendered":"Entrevista: Filipe Ret fala sobre seu novo \u00e1lbum, &#8220;Lume&#8221;, funk, trap, o feat com Anitta, seu novo selo e muito mais"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><br \/>\n<strong>introdu\u00e7\u00e3o por Bruno Lisboa e Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s uma ter\u00e7a-feira movimentada <a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/rio\/noticia\/2022\/07\/filipe-ret-policia-faz-buscas-em-enderecos-ligados-ao-rapper-apos-open-maconha-em-festa.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">devido a um mandado de busca e apreens\u00e3o<\/a> da Delegacia de Repress\u00e3o a Entorpecentes por investiga\u00e7\u00e3o sobre \u201copen maconha\u201d em sua festa de anivers\u00e1rio no m\u00eas passado, o rapper carioca Filipe Ret desculpou-se via Stories com sua fam\u00edlia pelo incomodo causado pela pol\u00edcia, que o procurou em cinco endere\u00e7os e o encontrou em um resort em Angra dos Reis, e finalizou dizendo que j\u00e1 estava bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caso escancara o atraso n\u00e3o s\u00f3 da lei brasileira em rela\u00e7\u00e3o ao consumo e compartilhamento de maconha (\u00e9 not\u00f3ria uma hist\u00f3ria contada pelo CEO da Lagunitas, na Calif\u00f3rnia, sobre agentes disfar\u00e7ados que tentavam comprar maconha dos funcion\u00e1rios da cervejaria para criar um flagrante de tr\u00e1fico, mas ningu\u00e9m vendia: \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/08\/05\/na-california-tres-dias-mergulhado-na-cultura-lagunitas-cerveja-musica-cachorros-e-thc\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">eles ofereciam de gra\u00e7a aos agentes<\/a>\u201d) como a falta de foco da Delegacia, que prefere autuar um artista a ir atr\u00e1s dos verdadeiros traficantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como o Planet Hemp nos anos 90, Filipe Ret virou foco da delegacia porque vive o auge de sua trajet\u00f3ria, e a pol\u00edcia adora surfar na onda de quem \u00e9 famoso (ao inv\u00e9s de ir atr\u00e1s de <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=i_hJDNvaeKM\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pol\u00edticos<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=tQ_YzKx_bMI\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">militares<\/a> envolvidos seriamente com o tr\u00e1fico). Com n\u00fameros expressivos em redes de streaming, as m\u00fasicas de Filipe Ret s\u00e3o ouvidas mensalmente por milh\u00f5es de pessoas. Mas o sucesso de agora \u00e9 fruto de longa caminhada de quase 20 anos de estrada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua trajet\u00f3ria foi iniciada em 2003, \u00e9poca em que participava dos duelos de MC no bairro carioca da Lapa. Seis anos mais tarde, Ret lan\u00e7aria seu primeiro disco, \u201cNuma Margem Distante\u201d, mas sua escalada de popularidade come\u00e7aria a partir de \u201cVivaz\u201d (2012) e do sucesso do single \u201cNeur\u00f3tico de Guerra\u201d, e aumentaria ano ap\u00f3s ano. Vieram, ent\u00e3o, os \u00e1lbuns \u201cRevel\u201d (2015), \u201cAudaz\u201d (2018) e \u201cImaterial\u201d (2021), al\u00e9m de mais de tr\u00eas dezenas de singles!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, em 2022, o m\u00fasico colocou na pra\u00e7a seu projeto mais audacioso, \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/4sB8eASUZfGxo2ZZ2lLwkG\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lume<\/a>\u201d, que conta com participa\u00e7\u00f5es de Anitta, L7nnon e MC Hariel, entre outros, investindo na fus\u00e3o do trap com o funk e apostando numa linguagem crua \/ suja nas letras. Visualmente, o \u00e1lbum foi lan\u00e7ado no Spotify em formato \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/playlist\/37i9dQZF1DX1iEcv17GGPp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Enhanced<\/a>,\u201d oferecendo uma imers\u00e3o ao longo da audi\u00e7\u00e3o com v\u00eddeos exclusivos, coment\u00e1rios e curiosidades sobre cada uma das faixas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista concedida por v\u00eddeo chamada no come\u00e7o de julho, ou seja, depois da festa da anivers\u00e1rio e antes da persegui\u00e7\u00e3o policial, Filipe Ret fala sobre suas inten\u00e7\u00f5es com o lan\u00e7amento de \u201cLume\u201d, a fus\u00e3o entre o trap e o funk, o mercado fonogr\u00e1fico de ontem e de hoje, sua verve l\u00edrica sem retoques, sua rela\u00e7\u00e3o com a nova gera\u00e7\u00e3o, seu novo selo (a <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCw9rAvMeh2XgO2jDAHfXfcQ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Nadamal Records<\/a>) e muito mais. Leia abaixo!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Filipe Ret - Tudo Nosso (Ft. Anitta - Prod. Dallass) [Clipe Oficial]\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7xz7zT9Siek?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Lume&#8221; chegou ao mercado fazendo barulho e das mais diversas formas. Seja por seu car\u00e1ter visual, seja pelas m\u00fasicas que tem uma cara mais moderna ou ainda pelas parcerias firmadas. Nesse sentido, quais s\u00e3o suas inten\u00e7\u00f5es com esse trabalho?<\/strong><br \/>\nCara, boa pergunta. Espero que tenha acontecido, de certa forma, uma fus\u00e3o mais interessante, mais honesta do funk com o trap e o mainstream \u2013 com a participa\u00e7\u00e3o da Anitta. Quero muito colocar o funk carioca no trap. Quero oficializar essa mistura trazendo nosso trap RJ junto com gente mais mainstream, o pr\u00f3prio MC Hariel tamb\u00e9m, que j\u00e1 est\u00e1 j\u00e1 est\u00e1 num outro patamar. Ent\u00e3o acredito que a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 misturar esses g\u00eaneros, mas de uma forma bem leg\u00edtima, t\u00e1 ligado? At\u00e9 porque minha cria\u00e7\u00e3o musical, ela passa muito pelo funk. E eu nunca tive oportunidade de mostrar tanto o meu lado funk como nesse trampo. Ao mesmo tempo \u00e9 moderno, n\u00e9? \u00c9 trap com funk mais do \u201cfuturo\u201d, vamos dizer assim. Os funkeiros, ali\u00e1s, est\u00e3o fazendo trap pra caramba e est\u00e3o fazendo muito bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas tem sempre uma galera do rap mais purista que acha que essa mistura de trap e funk \u00e9 um neg\u00f3cio que n\u00e3o d\u00e1 liga, que n\u00e3o deveria se misturar. Dai, como tem sido a recep\u00e7\u00e3o desse novo disco, principalmente dos seus f\u00e3 das antigas? Tem gente torcendo o nariz?<\/strong><br \/>\nEu vejo o trap como vejo o rap, s\u00f3 que com muito mais liberdade. E acho que muita gente que n\u00e3o tinha coragem de fazer rap no trap pode experimentar buscando uma coisa com mais liberdade. Acho que o trap tem uma vantagem enorme porque n\u00e3o costuma ter muito \u201cguardinha\u201d, vamos dizer assim. J\u00e1 o rap tem seus guardi\u00f5es. Ent\u00e3o isso \u00e9 um ponto muito a favor do trap, que permite essa liberdade (de misturar). Tanto que consegui colocar a Anitta pra rimar no trap, mas n\u00e3o conseguiria botar pra rimar num boom bap, num rap, entende? E ningu\u00e9m falou nada porque botei a Anitta no trap, muito pelo contr\u00e1rio: acharam \u00f3timo. Se fosse no rap iriam ter falado, entendeu? Ent\u00e3o \u00e9 muito natural a liberdade do frescor que o trap traz e \u00e9 muito importante tamb\u00e9m. O artista que cria com base no que o p\u00fablico quer, pra mim \u00e9 um artista duvidoso. Porque eu acho que o artista determina, cara! Ele determina pra onde ele quer ir e as pessoas seguem o que ele est\u00e1 fazendo. Eu tenho certeza que em toda a minha caminhada do boom bap pro trap eu converti uma porrada de gente naturalmente, entendeu? Ent\u00e3o n\u00e3o acho que tenho que olhar o que esses f\u00e3s antigos querem. Com todo carinho e respeito. At\u00e9 porque eu at\u00e9 fa\u00e7o alguns sons mais boom bap ainda. A \u00faltima faixa (\u201cTodo Poder\u201d) \u00e9 pra esse tipo de f\u00e3. Mas deixo bem claro que j\u00e1 avan\u00e7amos, entendeu? Porque se n\u00e3o perde muito sentido. A gente fica se orientando muito pra consequ\u00eancia, os f\u00e3s s\u00e3o uma consequ\u00eancia e eu n\u00e3o posso&#8230; ali\u00e1s, agora estou criando meu pr\u00f3ximo disco. Eu j\u00e1 estou l\u00e1 em 2023. Ent\u00e3o at\u00e9 sair esse meu disco para a galera ouvir, pra criar hist\u00f3ria, criar vida sobre aquelas m\u00fasicas, eu j\u00e1 vou estar em 2025. N\u00e3o tem como eu ouvir os meus f\u00e3s que recebem minhas m\u00fasicas com muito delay, com muito atraso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sua carreira foi iniciada em 2003, per\u00edodo em que mercado da m\u00fasica era totalmente diferente de como \u00e9 hoje. A internet cresceu de tal forma que se tornou a principal forma de produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado para a classe art\u00edstica. Como algu\u00e9m que acompanhou in loco essas mudan\u00e7as, como voc\u00ea v\u00ea o cen\u00e1rio atual?<\/strong><br \/>\nEu nem considero ali come\u00e7o de carreira&#8230; porque fiquei de 2002\/2003 at\u00e9 2012\/2013 para conseguir come\u00e7ar na carreira de fato, entendeu? Foram 10 anos para come\u00e7ar a viver disso. E a\u00ed quando eu come\u00e7o a viver disso s\u00e3o mais 10 anos&#8230;<\/p>\n<figure id=\"attachment_67870\" aria-describedby=\"caption-attachment-67870\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-67870 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/lume1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/lume1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/lume1-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/lume1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-67870\" class=\"wp-caption-text\"><em>Capa do \u00e1lbum &#8220;Lume&#8221;<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu entendo o que voc\u00ea quer dizer, mas cito esse in\u00edcio como parte do seu processo enquanto artista&#8230; E a\u00ed eu t\u00f4 perguntando para, justamente, esse Ret de 2003. Quando voc\u00ea olha agora, para 2022, aquele Ret l\u00e1 atr\u00e1s pensava que voc\u00ea ia chegar aonde voc\u00ea est\u00e1 hoje?<\/strong><br \/>\nCara, acho que era o grande sonho dele, pra ser sincero. Porque, assim, tem uma coisa que as pessoas esquecem, que \u00e9 curioso, que \u00e9 muito coisa de f\u00e3, de quem t\u00e1 de fora mesmo. \u00c9 dif\u00edcil de entender o artista porque eu sempre falei sobre adapta\u00e7\u00e3o nas minhas m\u00fasicas, t\u00e1 ligado? E voc\u00ea tem que fazer aquilo naquele momento e vender o que voc\u00ea tem ali. Tipo, as pessoas t\u00eam uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de que o meu primeiro disco \u00e9 super original. Porque ele \u00e9 o primeiro, n\u00e9? Ent\u00e3o tem aquela coisa do Ret puro. Mas n\u00e3o \u00e9. E por que n\u00e3o \u00e9? Porque fiz o \u201cVivaz\u201d (2012) com aquele flow, com aquelas batidas, porque na \u00e9poca eu estava pr\u00f3ximo daquilo que estava acontecendo naquele momento. Ent\u00e3o, nunca quero estar muito distante daquilo que est\u00e1 acontecendo. Sempre h\u00e1 uma leitura minha pr\u00f3xima de onde est\u00e1 o olho do furac\u00e3o, se ligou irm\u00e3o? Ent\u00e3o se voc\u00ea prestar aten\u00e7\u00e3o, o \u201cVivaz\u201d tem o mesmo flow do Emicida, do Projota, do Rashid, que estavam estourados na \u00e9poca. Eu s\u00f3 coloquei a minha leitura sobre aquilo, falando de maconha, que \u00e9 algo que eles n\u00e3o falavam, e usando melodias que eles n\u00e3o botavam. L\u00f3gico que tamb\u00e9m tem minha filosofia, minha l\u00edrica, trazendo toda a minha linguagem pra isso. Mas a parte t\u00e9cnica \u00e9 muito da \u00e9poca. Ent\u00e3o as pessoas criam uma ilus\u00e3o de aquele era o Ret puro, mas j\u00e1 era o Ret se adaptando, igualzinho ao de hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A\u00ed entra o que eu acho que \u00e9 ser artista: ele \u00e9 fruto do seu tempo, n\u00e9? Ent\u00e3o, por exemplo, quando peguei o \u201cLume\u201d pra ouvir a primeira vez eu vi ali, de certa forma, o Ret das antigas, vamos dizer assim, abordando o cotidiano. Mas voc\u00ea sempre faz isso de uma maneira muito pessoal e crua, de certa forma, sem temer repres\u00e1lias, que muitas vezes \u00e9 um caminho que nem sempre todo mundo opta por essa quest\u00e3o de retratar o cotidiano sem medo. E por que voc\u00ea opta por seguir esse caminho? Qual a import\u00e2ncia para voc\u00ea de n\u00e3o ter esse medo de representar as coisas como elas s\u00e3o?<\/strong><br \/>\nEu acho que a forma de contar as coisas mudou de l\u00e1 para c\u00e1. O apelo est\u00e9tico tamb\u00e9m mudou e, a meu ver, melhorou muito. A tecnologia melhorou. Ainda acho maravilhoso o auto-tune. Pode ser que logo ali na frente tamb\u00e9m eu mude de ideia. Mas, n\u00e3o querendo me diminuir, n\u00e3o tenho a pretens\u00e3o de ser pretensioso pra caralho no meu trabalho comercialmente. E sou bem pretensioso. Mas n\u00e3o tenho a pretens\u00e3o de inventar a roda nas faixas. Posso fazer uma coisa aqui, posso fazer uma coisa ali, mais experimental? Sim, fiz, t\u00e1 ligado? Mas\u00a0 normalmente estou bem pr\u00f3ximo onde o olho do furac\u00e3o est\u00e1, contando da minha forma aquele momento. Acho que \u00e9 isso exatamente o que eu fa\u00e7o. O lance da repres\u00e1lia, de contar como as coisas s\u00e3o, voc\u00ea est\u00e1 falando de ser expl\u00edcito nas paradas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso. Eu vou dar um exemplo: tem gente que n\u00e3o gosta do funk ostenta\u00e7\u00e3o e prefere optar por outro caminho. Voc\u00ea, por exemplo, consegue transitar tanto nessa linha quanto ter um pouco de car\u00e1ter pol\u00edtico nas suas letras. E hoje falar de pol\u00edtica \u00e9 um caminho que muita gente tem medo de trilhar. E voc\u00ea n\u00e3o imp\u00f5e limites para a sua arte&#8230;<\/strong><br \/>\nFico sempre pensando muito em como montar (um \u00e1lbum) e ser essa persona no imagin\u00e1rio das pessoas. Penso muito sobre isso. Trabalho muito essa quest\u00e3o de gosto. Ent\u00e3o demorei muito tempo para saber como que eu ia encaixar as \u00faltimas duas faixas (do \u201cLume\u201d), entendeu? E elas encaixaram. E foi \u00f3timo assim. Eu queria muito que elas entrassem, que a \u00faltima faixa entrasse. Acho que o meu maior prazer \u00e9 mostrar todas as faixas, todos os meus lados. O que a gente quer, no fim das contas, existencialmente \u00e9 ser amado. O sonho \u00e9 que todos os nossos lados sejam abra\u00e7ados. Que todo mundo veja que \u00e9 s\u00f3 voc\u00ea. Que \u00e9 uma pessoa com todos esses lados, o que acho que configura esse meu desejo de querer mostrar o m\u00e1ximo de lados poss\u00edveis, o mais honestamente poss\u00edvel e fazer as pessoas gostarem de todos os meus lados. Eu tamb\u00e9m n\u00e3o acredito muito no artista que tem muito filtro ligado. Acredito que tem que ser um pouquinho fio desencapado, t\u00e1 ligado, mano? Eu tenho isso naturalmente. O \u201cLume\u201d \u00e9 um disco bem desbocado. Eu, pessoalmente, sou muito desbocado. Falo muito palavr\u00e3o, \u00e9 uma coisa comum pra mim. E esse \u00e9 o disco com mais palavras, vamos dizer, expl\u00edcitas. E tudo se vai completando&#8230;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-67871\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/lume2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/lume2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/lume2-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/lume2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu queria que voc\u00ea falasse um pouco de como voc\u00ea \u00e9 um cara que veio de um outro tempo da ind\u00fastria. Quando voc\u00ea lan\u00e7ou o seu primeiro disco, a ind\u00fastria da m\u00fasica n\u00e3o era como \u00e9 hoje, onde, por exemplo, o Spotify, as redes de streaming, de modo geral, mandam muito mais do que o formato f\u00edsico, por exemplo. E analisando essas diferen\u00e7as daquela \u00e9poca, de quando voc\u00ea come\u00e7ou e de como \u00e9 hoje, voc\u00ea sente muita diferen\u00e7a? Voc\u00ea gosta do cen\u00e1rio hoje, da maneira como as coisas s\u00e3o lan\u00e7adas? Ou voc\u00ea \u00e9 um pouco saudosista e gostava da \u00e9poca anterior?<\/strong><br \/>\nPosso dizer que sou zero saudosista. Ainda mais vendo o retorno que tenho hoje. Recebi hoje a planilha do pagamento e o meu maior lucro foi do meu \u00faltimo m\u00eas. Ent\u00e3o tenho zero saudade daquele tempo que eu era duro (risos). E a parte boa \u00e9 tamb\u00e9m proporcionar aumento de cach\u00ea da equipe. Isso pra mim, mano, \u00e9 a mudan\u00e7a de fato. \u00c9 poder ter liberdade para trazer uma Anitta, trazer um Caio Luccas, que veio da Baixada, que est\u00e1 explodindo, que nasceu ontem na cena. Eu sou um entusiasta dessa cena atual. Sou o cara apaixonado por esse momento. Por essa cena. Choro vendo moleques que nem s\u00e3o da minha banca. O Domlaike e o MD Chefe, por exemplo, eu me lembro de chorar vendo-os subindo no palco, porque foram os primeiros shows deles. Me emociono como um irm\u00e3o de verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso talvez tenha a ver um pouco com voc\u00ea lembrando de como foi para voc\u00ea l\u00e1 atr\u00e1s tamb\u00e9m, de certa forma, o seu in\u00edcio&#8230;<\/strong><br \/>\nEu entendo como \u00e9 essa correria. Na \u00e9poca em que eu estava fazendo eu n\u00e3o conseguia enxergar porque eu estava muito na batida. Ent\u00e3o hoje eu, talvez, com um pouquinho mais de idade, consigo olhar eles come\u00e7ando e choro de ver a import\u00e2ncia do quanto isso vai transformar a vida deles ainda. O quanto eles t\u00eam carinho pelo trampo. Isso \u00e9 transformador. Isso \u00e9 revolucion\u00e1rio. Ent\u00e3o, sou apaixonado por essa cena de hoje. Outro dia eu estava trocando ideia com os moleques e eles me ouvem. A gente est\u00e1 sempre trocando uma ideia e um est\u00e1 sempre acrescentando no trabalho do outro. A gente tem que saber mexer nos n\u00fameros. A gente tem que ter mais cabe\u00e7a no lugar. N\u00e3o d\u00e1 para ser aquele rockstar drogado que n\u00e3o sabe de porra nenhuma que est\u00e1 acontecendo. Isso j\u00e1 acabou h\u00e1 muito tempo. A gente tem que saber estar em todos os lugares. Montar, melhorar, fortalecer os selos, entendeu? Acho que o Rio de Janeiro, assim, mod\u00e9stia \u00e0 parte, o nosso lado aqui est\u00e1 fazendo isso, dando aulas para o Brasil atrav\u00e9s de relacionamentos de selos, de feat, de uni\u00e3o. Acho que a gente tem feito uma coisa bem legal no Rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 que voc\u00ea falou em selos, para finalizar gostaria que voc\u00ea falasse da Nadamal Records. Voc\u00ea fundou o selo no ano passado e acho que vem um pouco nessa linha de tentar dar uma visibilidade para uma galera que voc\u00ea admira. De certa forma, voc\u00ea est\u00e1 tamb\u00e9m alimentando a cena a partir da sua curadoria. Ent\u00e3o como \u00e9 que nasceu essa ideia e como tem sido a experi\u00eancia?<\/strong><br \/>\nCara, eu estava h\u00e1 dez anos cuidando da Tudubom (selo musical), ganhando mais de 1 milh\u00e3o de seguidores. E a\u00ed tive um certo afastamento natural com meu produtor, que tamb\u00e9m queria criar com outros artistas e ele ficava muito preso a mim. E, enfim, naturalmente, a gente foi se distanciando e comecei a trabalhar com o Dallas, com o Anezzi, com Johnny Monteiro, que era de uma outra galera. Acabou que depois eu fiquei um tempo no limbo pra entender o que ia acontecer. E teve um momento em que eu fui e criei a Nadamal, que seria uma Tudubom 2.0 do trap, com outros neg\u00f3cios, entendeu? S\u00f3 que tendo o Ret em comum. Eu acredito muito nesse game dos selos, das crews. Acho que isso fortalece e muito e aquece muito bem a cena. T\u00e1 ligado? Acho que a Nadamal \u00e9 essa transforma\u00e7\u00e3o. Comecei a trabalhar e me identifiquei. E estamos vivendo esse momento, t\u00e1 ligado? \u00c9 basicamente isso. J\u00e1 temos o TZ, Caio Luccas, Anezzi, PJ Houdini, Dallas. Vai ter agora o an\u00fancio do pr\u00f3ximo MC, que vai ser junto com o lan\u00e7amento do \u201cVis\u00e3o de Cria 2\u201d, que \u00e9 projeto da Nadamal. Aqui a gente tem uma outra vis\u00e3o, a gente preza muito pela nossa rela\u00e7\u00e3o no grupo. \u00c9 tipo uma academia de constru\u00e7\u00e3o de flows, de estudo, de todo mundo melhorar as t\u00e9cnicas. Ent\u00e3o a gente troca muita informa\u00e7\u00e3o e a gente est\u00e1 sempre promovendo as festas e a tropa vem. A gente est\u00e1 sempre celebrando esse momento tamb\u00e9m, trocando informa\u00e7\u00e3o com outros selos. Mas o que eu ia falar \u00e9 que a Nadamal tem um sistema que \u00e9 o seguinte: todos os artistas do selo, cada um, tem o seu canal, mas no canal do selo a gente se une para fazer os projetos. J\u00e1 tem alguns singles l\u00e1 que bateram bastante, acho que 8 milh\u00f5es. O canal \u00e9 bem pequenininho, mas j\u00e1 tem umas conquistas expressivas e com certeza vai crescer. E vir\u00e3o outros projetos. Um ac\u00fastico&#8230; quem sabe. Veremos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Filipe Ret \u2726 Melhor Agora (Prod. 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