{"id":67700,"date":"2022-07-13T15:12:10","date_gmt":"2022-07-13T18:12:10","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=67700"},"modified":"2022-09-07T01:05:19","modified_gmt":"2022-09-07T04:05:19","slug":"entrevista-das-cinzas-do-moveis-colonias-de-acaju-nasce-o-remobilia-combinando-rock-gaucho-vaporwave-french-house-e-elza-soares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/07\/13\/entrevista-das-cinzas-do-moveis-colonias-de-acaju-nasce-o-remobilia-combinando-rock-gaucho-vaporwave-french-house-e-elza-soares\/","title":{"rendered":"Entrevista: Das cinzas do M\u00f3veis Coloniais de Acaj\u00fa nasce o Remob\u00edlia juntando rock ga\u00facho, vaporwave e Elza Soares"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/dricruxen\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Dri Cruxen<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Principal banda de Bras\u00edlia nos anos 2000, o M\u00f3veis Coloniais de Acaj\u00fa anunciou hiato de suas atividades em 2016, deixando uma grande lacuna no indie brasileiro. Por\u00e9m, recentemente, os ex-integrantes Andr\u00e9 Gonzales, Beto Mej\u00eda, Esdras Nogueira e Fernando Jatob\u00e1 se uniram ao m\u00fasico e produtor ga\u00facho Gustavo Dreher e fundaram juntos a Remob\u00edlia, que acabou de lan\u00e7ar seu disco de estreia, \u201c<a href=\"https:\/\/remobilia.bfan.link\/ponto-final\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ponto Final<\/a>\u201d (2022).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u2019Ponto Final\u2019 sugere ruptura e ao mesmo tempo recome\u00e7o\u201d, revela Andr\u00e9, sobre o nome do \u00e1lbum. A arte da capa, tamb\u00e9m assinada por ele, tem a foto dos integrantes numa passarela de Bras\u00edlia. Beto Mej\u00eda, que n\u00e3o p\u00f4de estar geograficamente presente, foi colocado em forma de lambe-lambe. A foto sugere expans\u00e3o, justamente frisando que n\u00e3o existem pontos finais, tudo pode ser recome\u00e7o, reencontros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/remobilia.bfan.link\/ponto-final\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O \u00e1lbum<\/a> mescla experi\u00eancias dos projetos solo dos integrantes e traz influ\u00eancias de french house, rock ga\u00facho, vaporwave e m\u00fasica afro-brasileira. Com nove faixas, o disco tem participa\u00e7\u00f5es especiais de Moreno Veloso, Marcelo Callado, Frank Jorge, al\u00e9m da poetisa e rapper Kimani e dos m\u00fasicos da cena brasiliense Amanda Guimar, Layla Jorge, o requisitado baterista Txotxa e o trompetista Haniel Ten\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conversei com Andr\u00e9 Gonzales e Gustavo Dreher sobre processo criativo, mercado fonogr\u00e1fico, idealiza\u00e7\u00e3o do disco, influ\u00eancias e muito mais.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"L\u00e2mina de Faca (feat. Thiago Cunha, Rodrigo Balduino)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SZPEUO5J_5E?list=OLAK5uy_l7PbxRRPXc2wRuv22c1ribCybJqzvIh1Q\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Remob\u00edlia seria uma ressurei\u00e7\u00e3o da Mob\u00edlia, um M\u00f3veis 2.0? Qual foi a ideia inicial?<\/strong><br \/>\nAndr\u00e9: A Remob\u00edlia surgiu no fim de 2019 e n\u00e3o era nem uma banda, e sim um nome de projeto de show intinerante. Uniria meu projeto solo, Sr. Gonzales, o projeto infantil do Beto \u201cOnde o Infinito \u00e9 o Som\u201d e o projeto instrumental do Esdras. A gente iria fazer uma banda pra tocar m\u00fasicas desses tr\u00eas projetos e tamb\u00e9m tocar novas vers\u00f5es de m\u00fasicas do M\u00f3veis, porque havia demanda latente pra isso acontecer. Quando chegou 2020, o pessoal do festival CoMA sugeriu que a gente lan\u00e7asse algo novo, um single. Beto e eu j\u00e1 hav\u00edamos tocado no CoMA com nossos projetos, ent\u00e3o esse single seria meio que um esquenta pra gente tocar de novo no festival. Topamos gravar e acabamos fazendo um pouco mais. No total foram tr\u00eas rascunhos de m\u00fasicas, algumas fotos, isso tudo uma semana antes de decretarem o lockdown. Durante o primeiro ano de pandemia fizemos mais uma m\u00fasica, compilamos tudo e no fim de 2020 lan\u00e7amos o EP \u201cJanelas\u201d, com quatro faixas. No decorrer de todo esse processo nem pens\u00e1vamos se isso viria a ser uma banda. A gente estava pensando mais em ter um espa\u00e7o de express\u00e3o. Acabou que nos tornamos banda autoral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como diferenciar a Remob\u00edlia do M\u00f3veis, j\u00e1 que o pr\u00f3prio nome se remete?<\/strong><br \/>\nAndr\u00e9: No come\u00e7o o nome Remob\u00edlia era justamente pra mostrar: \u201colha o que aconteceu com os integrantes do M\u00f3veis, olha o que eles est\u00e3o fazendo agora, escute M\u00f3veis\u201d. Tinha sim a ver com o M\u00f3veis Coloniais de Acaj\u00fa. Por\u00e9m, no momento que a gente fez o EP, nossa perspectiva mudou um pouco. At\u00e9 chegamos a cogitar trocar esse nome. S\u00f3 que j\u00e1 tinha uma galera acompanhando nas redes sociais, o nome j\u00e1 tava l\u00e1\u2026 E apesar da associa\u00e7\u00e3o que o nome traz, n\u00e3o somos uma continua\u00e7\u00e3o do M\u00f3veis. O nosso som traz um pouco do M\u00f3veis no DNA porque Esdras, Beto, eu, a gente \u00e9 o M\u00f3veis. Tocamos juntos desde o in\u00edcio, nossa forma de fazer m\u00fasica tem uma linguagem bastante caracter\u00edstica. Mas a Remob\u00edlia \u00e9 tamb\u00e9m o Dreher e o Jatob\u00e1, que somam outras influ\u00eancias. O Jatob\u00e1 entrou na reta final da Mob\u00edlia, ent\u00e3o nunca tinha gravado, produzido nada com a gente. O Dreher trouxe a sonoridade do rock ga\u00facho. O p\u00fablico vai entender essas diferen\u00e7as nas can\u00e7\u00f5es. \u00c9 um som mais maduro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O debute \u201cPonto Final\u201d \u00e9 um compilado desse tempo que voc\u00eas est\u00e3o juntos como banda. Houve aproveitamento dos trabalhos solo de cada integrante ou o disco inteiro nasceu de composi\u00e7\u00f5es coletivas? Como foi o processo de idealiza\u00e7\u00e3o\/grava\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nAndr\u00e9: Tirando o comecinho de \u201cPonto Final\u201d, que teve in\u00edcio l\u00e1 no M\u00f3veis, todas as m\u00fasicas do disco foram feitas durante esses dois anos de pandemia. Sobre o processo de grava\u00e7\u00e3o, a gente passou 2020 inteiro se reunindo virtualmente e compondo. Em 2021 isso virou mais pessoal, cada um foi fazendo uma parte das m\u00fasicas sozinho em casa. Quase todas as faixas foram produzidas pelo Dreher, ent\u00e3o ele passou muito tempo mexendo, gravada uma bateria, depois mexia e virava outra bateria, virava outra guitarra\u2026 Isso deu muito a cara da Remob\u00edlia, na minha opini\u00e3o. O processo foi meio maluco. Eu particularmente fiquei mais distante em 2021, fiquei mais triste, tive depress\u00e3o. Este ano, na finaliza\u00e7\u00e3o do disco, eu participei das letras e tal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u00e1lbum conta com v\u00e1rias participa\u00e7\u00f5es: Frank Jorge (Graforreia Xilarm\u00f4nica), Kimani, Moreno Veloso, Marcelo Callado (Do Amor), Txotxa (Maskavo Roots), Amanda Guimar (bandolim), Layla Jorge (backing vocais). Tem mais gente? Quem intermediou esses feats?<\/strong><br \/>\nAndr\u00e9: Tem o Txotxa, o Baldu e o Thiago Totem, que s\u00e3o grandes parceiros nossos, sempre tocamos juntos. O resto dos convidados foram Beto e Dreher que moveram as participa\u00e7\u00f5es. O Dreher \u00e9 um tesouro perdido aqui em Bras\u00edlia. Eu sempre o chamei assim (risos). Ele entrou pro Sr. Gonzales e deu a cara pro projeto, \u00e9 o maestro. N\u00e3o sei se voc\u00ea sabe mas ele gravou todas as bandas do rock 90. Graforreia, Ultramen, J\u00fapiter Ma\u00e7\u00e3\u2026 Tudo o que aconteceu no rock ga\u00facho dos anos 90 o Dreher esteve envolvido. O Frank Jorge por exemplo \u00e9 amigo de longa data dele. Depois de sair do Sul o Dreher foi pro Rio e passou a trabalhar no Est\u00fadio do Dado (Villa Lobos). L\u00e1, gravou uma galera, Chico Buarque, Beth Carvalho, v\u00e1rias pessoas. O Moreno \u00e9 amigo dele, o Callado tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dreher: O Beto convidou as meninas, Amanda e a Layla, aqui de Bras\u00edlia. A Kimani ele conheceu em S\u00e3o Paulo quando trabalhou no est\u00fadio Da House. Ficaram amigos e o convite veio natural. Os demais, tudo por afinidade. O Andr\u00e9 j\u00e1 te deu o toque, n\u00e9? Moreno conheci no Rio, fui t\u00e9cnico de som daquele disco \u201cM\u00e1quina de Escrever M\u00fasica\u201d, que ele gravou com Domenico Lancellotti e Kassin, na virada do s\u00e9culo. O Frank Jorge sou f\u00e3 desde crian\u00e7a. Meu primeiro show de rock, com 12 anos, foi TNT, Cascavelletes e Replicantes, em Novo Hamburgo (RS), onde eu morava. Nos tornamos muito amigos, trabalhamos em v\u00e1rios discos juntos, eu fui da primeira banda solo dele fora do Graforreia. Produzi com ele o disco dos Cowboys Espirituais. Ele \u00e9 um parceiro f\u00e1cil e muito r\u00e1pido. Por exemplo, fiz a m\u00fasica (\u201cViver de Outro Modo\u201d, que fala sobre a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho na p\u00f3s-modernidade) num dia e mandei pra ele. No outro dia ele j\u00e1 tinha mandado a letra. Em dois dias estava resolvido. Todo mundo curtiu e ela entrou no repert\u00f3rio. Com o Moreno, a m\u00fasica (\u201cNovo Del\u00edrio\u201d) j\u00e1 estava pronta, a letra quase\u2026 Ele mudou um pouco da letra quando gravou. Moreno tamb\u00e9m tocou cello em \u201cJaneiro\u201d. O Marcelo Callado, fiquei muito amigo dele no Rio, toc\u00e1vamos juntos, quase montamos uma banda\u2026 Isso na \u00e9poca que o Do Amor ainda se chamava Carne de Segunda&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O primeiro disco de uma banda \u00e9 sempre uma caixinha de expectativas\u2026 Pensando em pr\u00e9-save, algoritmo e sabendo que lan\u00e7ar disco n\u00e3o \u00e9 mais t\u00e3o interessante em termos de rentabilidade, voc\u00eas consideram ser mais vantajoso ir lan\u00e7ando singles como estrat\u00e9gia para alavancar n\u00fameros de players ou soltar o disco na \u00edntegra como obra art\u00edstica?<\/strong><br \/>\nAndr\u00e9: A gente soltou singles antes de lan\u00e7ar o EP em 2020. Esse ano a gente tamb\u00e9m soltou outros dois singles antes de lan\u00e7ar o disco completo, ent\u00e3o entendemos esse momento. Mas sendo muito sincero, n\u00e3o estamos t\u00e3o preocupados com n\u00fameros, com o resultado em si. O disco \u00e9 importante pra voc\u00ea compreender o artista de maneira mais profunda, ent\u00e3o faz diferen\u00e7a lan\u00e7ar um disco completo. Apesar de hoje voc\u00ea n\u00e3o ter nas m\u00e3os o encarte, a arte, \u00e9 interessante pra qualquer artista ter a obra, porque isso posiciona o artista, principalmente o primeiro disco. Nessa nova fase, nada \u00e9 mais vantajoso ou menos vantajoso, tudo \u00e9 v\u00e1lido. Ainda mais sendo uma banda de nicho, como tudo hoje\u2026 A rela\u00e7\u00e3o da gente com a m\u00fasica e da gente com o p\u00fablico \u00e9 diferente, \u00e9 nossa, pr\u00f3pria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Recentemente a banda Jovem Dion\u00edsio alcan\u00e7ou o topo do Spotify Brasil com \u201cAcorda Pedrinho\u201d pelo simples fato da m\u00fasica ter viralizado no TikTok. Outro exemplo foi a cantora pop Halsey ter afirmado que a gravadora s\u00f3 deixava ela lan\u00e7ar m\u00fasica se fosse viral no TikTok. Como artistas independentes e tendo experi\u00eancia em gerenciamento de carreira, pegando o exemplo do M\u00f3veis, que foi considerado a banda brasiliense com maior destaque no pa\u00eds nos anos 2000, o que voc\u00ea pensa sobre essa necessidade criada de demanda TikTok e seus sucessos instant\u00e2neos?<\/strong><br \/>\nAndr\u00e9: A gente entende essa realidade de consumo de m\u00fasica. Mas no nosso caso, a gente pensa na m\u00fasica como arte mesmo, express\u00e3o do que a gente \u00e9, do que a gente sente, do que a gente vive, do que a gente quer pra nossa sociedade. \u00c9 uma vis\u00e3o diferente de quando voc\u00ea est\u00e1 pensando em mercado. Mesmo o M\u00f3veis tendo sido um exemplo de case de sucesso independente, a maioria das m\u00fasicas que a gente fez foram verdadeiras, tudo que a gente fazia era org\u00e2nico, sempre focado na troca com o p\u00fablico. Se a gente vai ser viral no TikTok, qual ser\u00e1 nossa estrat\u00e9gia de redes sociais, sendo muito sincero, n\u00e3o sei. Eu, Andr\u00e9, t\u00f4 muito cansado de redes sociais. Elas acabam sendo reflexo dessa sociedade que a gente est\u00e1 vivendo, do \u00f3dio, da guerra que est\u00e1 acontecendo. Eu quase n\u00e3o uso, acho que at\u00e9 vou voltar a usar por causa das elei\u00e7\u00f5es. O resto do pessoal usa. Esdras usa mais, ele \u00e9 o cara que est\u00e1 mais a frente das nossas redes. Mas \u00e9 isso, as redes v\u00e3o continuar sendo nosso espa\u00e7o de contato com o p\u00fablico, assim como foi com o M\u00f3veis. Usaremos com um pouco mais de tranquilidade em rela\u00e7\u00e3o a resultados, sabe? Talvez tenhamos mais maturidade nisso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vamos falar sobre as influ\u00eancias do \u00e1lbum. Tem vaporwave, french house, rock ga\u00facho, o que mais?<\/strong><br \/>\nAndr\u00e9: Vaporwave \u00e9 um estilo que surgiu em 2011. O pessoal pegava m\u00fasicas, principalmente as dos comerciais da d\u00e9cada de 1980, alteravam sua rota\u00e7\u00e3o, deixavam duas vezes mais lentas e faziam m\u00fasicas em cima disso. Dreher e eu, a gente adora. Sempre tivemos essa vontade de produzir um vaporwave brasileiro, ent\u00e3o acabou vindo pro disco. French House veio pelo Jatob\u00e1. Ele inclusive tem uma banda chamada Moscol\u00eas, apoiada nesse g\u00eanero, que \u00e9 basicamente formado de bandas que surgiram a partir do Daft Punk. O rock ga\u00facho \u00e9 o Gustavo Dreher. Ent\u00e3o, esse disco, \u00e0s vezes eu acho que tem uma cara de rock 90, meio Blur, que \u00e9 uma banda que a gente gosta pra caramba, mas n\u00e3o fica ouvindo\u2026 S\u00e3o coisas que saem natural da gente, que s\u00e3o a gente. Mas tem muita coisa. E muita coisa tamb\u00e9m foi mudando durante a fase de p\u00f3s produ\u00e7\u00e3o, na m\u00e3o do Beto e do Dreher. O Beto trouxe influ\u00eancias da m\u00fasica afro-brasileira, que \u00e9 um tema que ele domina e inclusive est\u00e1 fazendo mestrado sobre. Tem muita rela\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m com as religi\u00f5es afro-brasileiras. Essa refer\u00eancia fica bem evidente em \u201cL\u00e2mina de Faca\u201d. Em \u201cFeito Nuvem\u201d, tem um poema de Mia Couto, escritor e ecologista africano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A faixa-t\u00edtulo, que voc\u00eas j\u00e1 haviam lan\u00e7ado como single, tem participa\u00e7\u00e3o especial da Kimani e fala sobre interrup\u00e7\u00f5es. \u201cTudo \u00e9 ponto final\u201d. \u201cTodo fim \u00e9 um come\u00e7o\u201d. \u201cNada acaba, nada finda, tudo passa\u201d. \u201cA vida ecoa\u201d. Voc\u00eas perderam algum ente querido nesse per\u00edodo que o disco foi feito?<\/strong><br \/>\nAndr\u00e9: A nossa viv\u00eancia durante a pandemia foi muito ruim. Vivemos um luto profissional e social. O pai do Beto faleceu. Muita gente do p\u00fablico 60+ do Sr. Gonzales tamb\u00e9m, e isso deixou a gente muito triste, com raiva. A fala da Kimani, essa artista sensacional, o que ela escreveu deu um tom de esperan\u00e7a pra m\u00fasica. Eu n\u00e3o consigo nem explicar\u2026 O comecinho da faixa remete ao M\u00f3veis. No meio, na parte da Kimani, rola um french house de fundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em &#8220;Nosso Nome \u00e9 Agora&#8221; voc\u00eas discorrem sobre medo, morte, revolta, mas tamb\u00e9m enaltecem o samba e o carnaval. Qual a hist\u00f3ria dessa m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nAndr\u00e9: \u201cNosso Nome \u00e9 Agora\u201d \u00e9 uma homenagem direta a Elza Soares. A \u00faltima postagem dela antes de partir foi \u201cmeu nome \u00e9 agora\u201d, em refer\u00eancia ao seu filme, que tem esse mesmo nome. \u00c9 interessante falar sobre como a letra se encaminhou\u2026 Essa can\u00e7\u00e3o \u00e9 um vaporwave do primeiro sucesso da Elza \u201cSe Acaso Voc\u00ea Chegasse\u201d. Pegamos parte da melodia onde ela faz o solo e deixamos muitas vezes mais lenta, modificamos bastante. Se voc\u00ea prestar aten\u00e7\u00e3o, d\u00e1 pra ouvir a voz dela de fundo, no in\u00edcio da m\u00fasica. Durante a fase de composi\u00e7\u00e3o a gente at\u00e9 pensou em tentar uma participa\u00e7\u00e3o direta dela, mas como ela veio a falecer, tudo virou homenagem mesmo. A m\u00fasica come\u00e7ou de um jeito e depois mudou (com a morte dela). Estava bem diferente antes, um pouco mais depr\u00ea. Quando a gente incorporou o samba, que \u00e9 muito presente nas melodias da Elza, a\u00ed ficou legal. \u201cO carnaval como um espa\u00e7o de salva\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cnossa arma \u00e9 amar\u201d. Eu gosto muito dessa \u00faltima frase.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ponto Final | Remob\u00edlia feat Kimani\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kzImIMKabd8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Sol no Rosto | Remob\u00edlia + Mateo Pirac\u00e9s-Ugarte (Clipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4PcFYIYJe5s?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Remob\u00edlia ao vivo, em casa.\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tJ9wuiQbr4U?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/DriCruxen\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Dri Cruxen<\/a>\u00a0\u00e9 uma jornalista n\u00f4made digital, que desde 2011 viaja pelo pa\u00eds em busca de vivenciar um pouco da cultura brasileira. Acumula festivais de m\u00fasica na bagagem desde o SWU e ama comer em restaurantes veganos.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O M\u00f3veis anunciou hiato em 2016 deixando uma grande lacuna. 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