{"id":67408,"date":"2022-07-02T00:11:57","date_gmt":"2022-07-02T03:11:57","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=67408"},"modified":"2022-08-08T01:05:32","modified_gmt":"2022-08-08T04:05:32","slug":"entrevista-ted-simoes-lanca-paz-ep-otimista-sem-guitarras-inspirado-por-velvet-underground-e-billie-eilish","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/07\/02\/entrevista-ted-simoes-lanca-paz-ep-otimista-sem-guitarras-inspirado-por-velvet-underground-e-billie-eilish\/","title":{"rendered":"Entrevista: Ted Sim\u00f5es lan\u00e7a &#8220;Paz&#8221;, EP sem guitarras inspirado por Velvet e Billie Eilish"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 revigorante observar a esperan\u00e7a renascer ap\u00f3s dias t\u00e3o sombrios. Talvez abrir este texto desse modo seja algo demasiado clich\u00ea, rom\u00e2ntico e ing\u00eanuo. Pode ser que realmente seja. Mas recusar este sentimento seria uma atitude hip\u00f3crita. Estoica, at\u00e9. As cinco faixas de \u201c<a href=\"https:\/\/linktr.ee\/paz_ts\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Paz<\/a>\u201d, novo trabalho de Ted Sim\u00f5es, transmitem justamente essa sensa\u00e7\u00e3o de se revigorar ap\u00f3s uma peleja que j\u00e1 dura um tempo muito longo. Ainda h\u00e1 aquela sensa\u00e7\u00e3o de introspec\u00e7\u00e3o, n\u00e3o me entendam mal, mas em compara\u00e7\u00e3o ao que passou, consegue-se olhar para um futuro menos tenebroso. Colocar o disco nos fones trouxe essa reflex\u00e3o, esse apuro mental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Produzido de modo remoto durante a fase mais cr\u00edtica da pandemia, \u201cPaz\u201d, lan\u00e7ado agora em 2022 nas plataformas digitais, \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o em parceria de Ted e Matheus Borba, com quem Sim\u00f5es j\u00e1 havia dividido a composi\u00e7\u00e3o de duas faixas do seu disco de 2016, o \u201cOld Memories, Recents Damages, Future Nightmares\u201d. Matheus, que antes j\u00e1 havia composto com bandas como Dois em Um, duo dos m\u00fasicos Luis\u00e3o Pereira e Fernanda Monteiro, foi, segundo afirma o pr\u00f3prio Ted, algu\u00e9m que conseguiu decifrar suas composi\u00e7\u00f5es. A faixa inicial de divulga\u00e7\u00e3o do EP, a solar \u201c\u00c1gua no Fogo\u201d come\u00e7ou com uma, at\u00e9 ent\u00e3o, frustrada tentativa de cria\u00e7\u00e3o de Ted, mas que a amizade e qu\u00edmica com Matheus souberam desatar os n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abordando uma ideia de planos, de ter f\u00e9 em algo, \u201c\u00c1gua no Fogo\u201d passa longe de qualquer proposta de auto-ajuda. Distante disso. Ted explica: &#8220;\u00c9 uma can\u00e7\u00e3o otimista. Uma can\u00e7\u00e3o que fala sobre n\u00e3o desistir, sobre tentar, sobre continuar, sobre acreditar nas coisas boas. No amor e em todos os sentimentos bons. \u00c9 a minha favorita, disparada, at\u00e9 hoje. Fico muito feliz de ter Matheus como meu parceiro neste disco. Compomos todas as m\u00fasicas juntos. Essa foi o start, assim, sabe? As outras m\u00fasicas, depois disso, surgiram gra\u00e7as a essa&#8221;, salienta Ted. &#8220;Atravessei o rio atr\u00e1s dessa can\u00e7\u00e3o&#8221;, canta Ted na bela \u201cNavegante\u201d, que abre \u201cPaz\u201d. O esfor\u00e7o simb\u00f3lico dessa met\u00e1fora define bem a cria\u00e7\u00e3o desse inspirador trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Not\u00f3rio na cena musical de Salvador por seu dom\u00ednio da guitarra, bem como por sua declarada influ\u00eancia do britpop, com bandas como Oasis, Verve e Blur, Ted seguiu por um caminho diferente com \u201cPaz\u201d, que teve o \u00e1lbum \u201cLoaded\u201d, do Velvet Underground, como inspira\u00e7\u00e3o (al\u00e9m de Billie Eilish!), mas&#8230; sem guitarras: &#8220;Se algu\u00e9m me falasse, h\u00e1 cinco anos, que eu gravaria um disco sem guitarras, eu ia dar risada da cara da pessoa&#8221;, brinca Ted entre sorrisos. &#8220;Nunca imaginei. Sempre fui um defensor da guitarra. Mas \u00e9 complicado. Nos dias de hoje, na m\u00fasica, ningu\u00e9m precisa mais de um guitarrista. Isso \u00e9 uma loucura. Se voc\u00ea voltar apenas 10 anos atr\u00e1s, voc\u00ea n\u00e3o ia falar que as guitarras iriam morrer. E morreram&#8221;, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse aflorar instrumental sem a eletricidade do instrumento transparece por todo o disco. No entanto, \u00e9 mais palp\u00e1vel em algumas daquelas que, segundo o pr\u00f3prio Ted, o ajudaram a vencer preconceitos musicais que ele admite que tinha. &#8220;\u00c9 o primeiro no qual eu gravei tudo. No anterior, eu tinha gravado quase tudo, mas n\u00e3o tinha ficado respons\u00e1vel pelas baterias. Agora, elas ficaram comigo. Imagine isso para mim, uma pessoa que sempre foi muito quadrada, muito tradicional em rela\u00e7\u00e3o a ter uma bateria. &#8216;Ah, bateria eletr\u00f4nica \u00e9 uma coisa horrorosa.&#8217; Eu venci todos estes preconceitos e o disco \u00e9 todo gravado comigo tocando baterias eletr\u00f4nicas. E muitos efeitos de sintetizadores. Foi renovador. Nunca imaginei que pudesse gravar um disco assim&#8221;, explica o m\u00fasico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPaz\u201d, apesar de ser um EP no qual Ted Sim\u00f5es tocou todos os instrumentos, \u00e9, tamb\u00e9m, um trabalho que reflete bastante da parceria dele com Matheus Borba e, tamb\u00e9m, com o produtor Alex Pochat, not\u00f3rio na m\u00fasica em Salvador por seu som transcendental, caleidosc\u00f3pico e de ra\u00edzes indianas (se voc\u00ea ainda n\u00e3o escutou os dois discos de sua banda, Os 5 Elementos, n\u00e3o perca tempo). Para Ted, a experi\u00eancia foi engrandecedora. &#8220;Ele gravou um trombone no meu primeiro disco. \u00c9 um cara em outro n\u00edvel, um outro patamar. N\u00e3o s\u00f3 como m\u00fasico, pois ele \u00e9 um m\u00fasico genial, mas uma alma fant\u00e1stica. Eu sempre vou me lembrar da grava\u00e7\u00e3o de \u2018Paz\u2019&#8221;, acredita Ted.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Pochat \u00e9 um estudioso da cultura indiana e da c\u00edtara. Tem essa coisa dos indianos serem muito espirituais. Isso tem muito a ver com paz interna. Essa coisa deles viverem de uma forma diferente. A influ\u00eancia dele no lado art\u00edstico e musical veio assim. Ele falou para mim: &#8216;velho, fa\u00e7a do seu jeito&#8217;. Enquanto eu dizia que n\u00e3o sabia mexer naquilo, que n\u00e3o tinha muita no\u00e7\u00e3o daquele processo, ficava pensando que precisava sair da minha zona de conforto. Isso foi muito importante para mim&#8221;, afirma Ted. Nesse papo com o Scream &amp; Yell, Ted aprofunda o processo de cria\u00e7\u00e3o. Chega mais!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ted Sim\u00f5es - Navegante\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pGK3E2q-oBo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na nossa conversa de 2016 <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/07\/20\/tres-perguntas-ted-simoes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui no Scream &amp; Yell<\/a>, voc\u00ea me disse que o &#8220;Old Memories, Recent Damages, Future Nightmares&#8221;, seu disco lan\u00e7ado \u00e0 \u00e9poca, era sobre um per\u00edodo de supera\u00e7\u00e3o, uma fase mais dolorosa e introspectiva. Ao ouvir seu novo trabalho, &#8220;Paz&#8221;, contatei um Ted Sim\u00f5es mais otimista em um disco que fala sobre isso de um modo mais aberto. Como voc\u00ea se recorda daquela fase em rela\u00e7\u00e3o a atual?<\/strong><br \/>\nS\u00e3o duas pessoas completamente diferentes. Impressionante como a gente faz esses recortes da vida. \u00c9 engra\u00e7ado perceber quem n\u00f3s somos naqueles momentos. E \u00e9 engra\u00e7ado que estamos sempre buscando o saudosismo. A gente sempre fala: &#8220;na nossa \u00e9poca era melhor&#8221;. Mas \u00e9 engra\u00e7ado como tudo da nossa \u00e9poca \u00e9 melhor, mas, \u00e0s vezes, nem sempre. N\u00f3s somos a melhor vers\u00e3o da gente do que chamamos de nosso tempo. Do que era melhor, e tal. E isso \u00e9 uma viagem muito louca. Porque n\u00f3s percorremos os caminhos que a gente n\u00e3o sabe o que vai acontecer. Eu lembro quando lancei esse &#8220;Old Memories&#8221;, era uma fase, realmente, bem dif\u00edcil. Era uma fase na qual eu estava me descobrindo ali em muita coisa. O choque cultural que foi. O &#8220;Old Memories&#8221; \u00e9 todo em ingl\u00eas porque foi a primeira vez que eu fui \u00e0 Inglaterra. Primeira vez que eu viajei para Liverpool e Londres. Foi um choque cultural muito grande. E, talvez, isso tenha aflorado uma tristeza, tamb\u00e9m. Porque \u00e9 foda quando a gente sai e v\u00ea algo diferente, v\u00ea como a vida funciona diferente em outros lugares, e sempre vamos comparar com o que a gente vive. E sempre tendemos a achar que a vida aqui \u00e9 muito mais dif\u00edcil. Mas n\u00e3o somente tendemos a achar isso, como constatamos. A vida aqui \u00e9 muito mais dif\u00edcil do que na Europa. Claro que isso depende muito de onde voc\u00ea vai. Mas vivemos em um pa\u00eds muito desigual, no qual a viol\u00eancia \u00e9 pauta di\u00e1ria. \u00c9 imposs\u00edvel n\u00e3o se passar um dia sem pensar em como vemos viol\u00eancia aqui diariamente. N\u00e3o s\u00f3 em quest\u00e3o de assalto, mas a mis\u00e9ria na rua. Isso estamos falando de 2013, 2014, que foi o per\u00edodo no qual o Brasil come\u00e7ou a dar uma chacoalhada legal para o que acontece hoje com o pa\u00eds. Ent\u00e3o, aquele era um per\u00edodo de muita indigna\u00e7\u00e3o, de muita raiva, de muita inquietude. Era um momento inquieto do pa\u00eds e que acabou se transformando no que estamos vivendo hoje. Foi uma inquietude meio selvagem. Ent\u00e3o, acho que isso, tamb\u00e9m, teve muito a ver com a coisa. Al\u00e9m dos problemas pessoais que todo mundo tem e que eu tive na \u00e9poca, mas acho que tamb\u00e9m tinha um pouco a ver com aquele momento do pa\u00eds que era um momento mais de&#8230; (pausa) eu queria ter uma palavra para definir o Brasil naquela \u00e9poca. Momentos estranhos, vamos dizer assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No faixa-a-faixa (que o leitor ir\u00e1 ler mais abaixo), voc\u00ea falou sobre a op\u00e7\u00e3o de n\u00e3o usar a guitarra dentro desse trabalho. Como a ideia se desenvolveu sem o instrumento que t\u00e3o marcante em seus trabalhos?<\/strong><br \/>\nRapaz, isso \u00e9 uma loucura. Porque sempre fui um apaixonado pela guitarra. Sempre! A primeira banda que me influenciou de alguma forma foi Engenheiros do Hawaii. Uma banda cuja figura principal \u00e9 um baixista. Ent\u00e3o, eu poderia ter entrado nessa loucura de dizer: &#8220;baixo \u00e9 o meu instrumento&#8221;. Mas, n\u00e3o. A guitarra sempre foi muito um fetiche. Para quem curte, sabe o que estou falando. A guitarra tem uma coisa de empoderamento, que \u00e9 muito louca. Nunca imaginei em minha vida que ia gravar qualquer coisa sem guitarra. Quando estou escrevendo, compondo a can\u00e7\u00e3o, pensando em alguma coisa, a primeira coisa que eu pensava, automaticamente, era na guitarra. E a\u00ed como teve a pandemia e ficou decidido de que o disco seria feito de dentro de casa, comecei a pensar em como ia fazer isso. N\u00e3o fazia ideia. \u00c9 tipo aquela coisa: te deram um comando para voc\u00ea fazer e voc\u00ea n\u00e3o faz ideia de como vai executar esse comando. E comecei gravando as guias, que \u00e9 a m\u00fasica do bit, do tempo da m\u00fasica, para depois ir acrescentando as coisas. Depois de gravar viol\u00e3o e voz, a primeira coisa que geralmente se grava \u00e9 a bateria. E isso sempre foi padr\u00e3o na ind\u00fastria da m\u00fasica. Depois que ficou a coisa dos canais separados, a primeira coisa que se grava s\u00e3o as baterias. Antigamente, todo mundo gravava ao vivo. Os Beatles gravavam ao vivo, por exemplo. Mas, depois disso, com a tecnologia, surgiu a fun\u00e7\u00e3o de multipista. Poder gravar, regravar, e a bateria passou a ser sempre a primeira coisa a ser gravada. Ent\u00e3o, eu fui seguindo a minha l\u00f3gica. A l\u00f3gica de quem gravou outros discos. Vou fazer aqui a parte da bateria e \u00e9 isso. Depois disso, geralmente, tamb\u00e9m, na ind\u00fastria da m\u00fasica, se grava o baixo. Peguei um emprestado e gravei. A guitarra, geralmente, era a \u00faltima coisa. Pelo menos nos discos que gravei, ela sempre ficava por \u00faltimo. S\u00f3 que a\u00ed comecei a mexer nos sintetizadores. O programa de grava\u00e7\u00e3o que uso tem uma biblioteca gigantesca de sintetizadores com vozes, instrumentos de sopro, de cordas. E os famosos sintetizadores naquele formato mais dance. Aquela coisa eletr\u00f4nica, mesmo. E a\u00ed, quando voc\u00ea entra nisso, voc\u00ea come\u00e7a a pirar, sacou? Voc\u00ea acha um som massa. Eu pensava nas ideias, gravava e deixava l\u00e1. E a\u00ed pensava comigo: &#8220;Bom, esse aqui \u00e9 um, deixa eu ver o seguinte como \u00e9&#8221;. No final das contas, eu acabava gravando 10, 15, e a\u00ed j\u00e1 n\u00e3o sobrava mais espa\u00e7o para a guitarra. Foi assim que aconteceu com \u201c\u00c1gua no Fogo\u201d. Depois que a terminei, foi que fui me tocar que n\u00e3o havia colocado guitarra. Foi quando percebi que, pelo menos para mim, n\u00e3o havia feito falta. Eu sou muito ou 8 ou 80. Eu poderia ter colocado uma ou outra guitarra na can\u00e7\u00e3o. Mas a\u00ed meio que me desafiei. Algo do tipo: &#8220;bom, a primeira n\u00e3o teve guitarra, ent\u00e3o as outras n\u00e3o v\u00e3o ter&#8221;. Foi um neg\u00f3cio assim. J\u00e1 estou aqui mesmo, experimentando, vamos l\u00e1. Mas n\u00e3o \u00e9 algo que eu ache que ser\u00e1 assim em um pr\u00f3ximo trabalho, n\u00e3o. At\u00e9 mesmo porque no primeiro single de \u201c\u00c1gua no Fogo\u201d, tem um lado b e tem guitarra. Foi uma brincadeira que fiz depois que o disco j\u00e1 estava finalizado. Eu havia assistido a um document\u00e1rio com o produtor Mark Ronson, em que ele at\u00e9 entrevista o Paul McCartney. O Ronson conta um pouco da hist\u00f3ria dele como produtor, o trabalho dele com Amy Winehouse, com outros artistas. E tem uma hora que ele come\u00e7a a falar da cria\u00e7\u00e3o dele de rap e hip hop. E a\u00ed ele mostra um instrumento de midi que \u00e9 dos anos 1980 e que era a base para essa galera gravar. Principalmente percuss\u00e3o. Fiquei encantado com aquilo e me dei um dever de casa: &#8220;vou criar uma can\u00e7\u00e3o usando essa cultrura de colagem&#8221;. E gravei o lado b de \u201c\u00c1gua no Fogo\u201d, a \u201c\u00c1gua no Fogo De Novo\u201d, que \u00e9 meio que uma refer\u00eancia a \u201cEx\u00e9rcito de Um Homem S\u00f3 I\u201d e \u201cII\u201d, dos Engenheiros. Foi uma segunda parte que eu fiz para ela e onde coloquei guitarra, achei ali que cabia. Fiz aquela brincadeira no faixa-a-faixa e disse que guitarra ningu\u00e9m liga mais para guitarra, que ela est\u00e1 completamente fora de moda. E eu acho que \u00e9 verdade. Ela est\u00e1 completamente fora da m\u00fasica pop hoje em dia. Isso, claro, falando de m\u00fasica pop. No rock, \u00f3bvio, sempre vai ter guitarra. N\u00e3o tem jeito.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"A\u0301gua no Fogo (de novo)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QinaNH7dxZo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea repete aqui, mas com mais profundidade, o processo de composi\u00e7\u00e3o com Matheus Borba. No trabalho anterior, foram apenas duas faixas em parceria. Como foi esse aprofundamento?<\/strong><br \/>\nIsso \u00e9 engra\u00e7ado. A velocidade com a qual o disco foi composto \u00e9 diferente da velocidade que o disco foi gravado. O disco demorou um pouquinho mais. Mas as can\u00e7\u00f5es foram realmente muito r\u00e1pidas. E \u00e9 engra\u00e7ado porque Matheus \u00e9 um cara antitecnologia digital. \u00c9 um cara que n\u00e3o usa muito WhatsApp, por exemplo. Ele demora para responder. Quando come\u00e7a a encher o saco, ele deleta o Whats, some do planeta. Mas nessa \u00e9poca da grava\u00e7\u00e3o, n\u00f3s est\u00e1vamos em um momento bem especial e o disco saiu muito r\u00e1pido. A faixa \u201cAproveite\u201d foi a \u00fanica composta depois porque a deixamos do lado de fora, ela n\u00e3o conseguia se resolver. Aquele foi um momento em que a pandemia j\u00e1 estava um pouco melhor. N\u00f3s j\u00e1 t\u00ednhamos tomado vacina e foi a\u00ed que fui \u00e0 casa dele e a gente conseguiu finalizar a can\u00e7\u00e3o bem mais r\u00e1pido do que remotamente. Mas \u00e9 impressionante o como a gente sempre se completou para todas as can\u00e7\u00f5es nas quais trabalhamos juntos. Al\u00e9m dessas lan\u00e7adas no disco, compomos mais umas 10 juntos. J\u00e1 temos um outro disco cheio a\u00ed para gravar e continuar o trabalho. J\u00e1 trabalhei com muitos caras na m\u00fasica, seja compondo, seja tocando. Mas o que mais me impressiona em Matheus \u00e9 que ele \u00e9 muito anal\u00edtico. \u00c9 algo que nos leva a criar outras ideias no processo. Lembro que quando come\u00e7amos a compor \u201c\u00c1gua no Fogo\u201d, por exemplo, ele falou sobre essa ideia da faixa remeter ao simbolismo de se fazer um ch\u00e1, um caf\u00e9, algo que pode significar um convite a algu\u00e9m que voc\u00ea gosta, para um convidado. \u00c9 uma forma, tamb\u00e9m, de demonstrar um carinho. Simbolicamente falando, voc\u00ea est\u00e1 demonstrando isso com o tempo que dedica a fazer aquilo. Isso foi o in\u00edcio de como a can\u00e7\u00e3o conseguiu se finalizar, porque a gente estava ainda meio nebuloso. Ent\u00e3o, ele tem muito essa coisa. Ele ouve a coisa e consegue enxergar os caminhos dos instrumentos. E, geralmente, m\u00fasicos s\u00f3 querem que a parada cole ali. N\u00e3o pensamos muito em criar a estrada. Pensamos em entrar na estrada. E a\u00ed vai se desviando dos buracos que est\u00e3o no caminho para que voc\u00ea tenha uma viagem tranquila, para que voc\u00ea pegue um caminho que consiga chegar at\u00e9 onde voc\u00ea quer chegar. Fazendo uma analogia meio louca, \u00e9 mais ou menos isso. Ao entrar na estrada, n\u00e3o importa como voc\u00ea vai chegar ao final. N\u00e3o tenho muito esse cuidado. E Matheus \u00e9 um cara que tem. Principalmente com as palavras. Isso era muito legal. O processo de achar os caminhos na cria\u00e7\u00e3o, esmiu\u00e7ar as coisas. E eu sou uma pessoa que nunca fui muito de esmiu\u00e7ar. Assim como eu falei dos meus parceiros, eles podem falar o mesmo de mim. Minha <strong>ideia era botar o carro ali na estrada e fazer ele chegar. N\u00e3o fazer o carro chegar pelo melhor caminho.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea contou com a ilustre presen\u00e7a de Alex Pochat na produ\u00e7\u00e3o. A sintonia fluiu bem?<\/strong><br \/>\nEle \u00e9 conhecido por ser um cara \u00fanico nesse meio. Ele \u00e9 zen. Percebi que havia chamado a pessoa cert\u00edssima para produzir esse disco chamado \u201cPaz\u201d porque ele \u00e9 a paz em forma de pessoa. Ele \u00e9 muito envolvido com medita\u00e7\u00e3o, um cara que j\u00e1 esteve na \u00cdndia. Al\u00e9m de ser um m\u00fasico jedi. Aqui na Bahia, todo mundo sabe que ele \u00e9 uma pe\u00e7a rara. E \u00e9 uma das coisas bem Bahia, mesmo. Apesar de termos essa quantidade de coisas do ax\u00e9, do pagode, aqui encontramos pessoas de todos os tipos e jeitos, cada um na sua individualidade. Isso \u00e9 impressionante. O Pochat foi baixista do Cascadura, uma das bandas mais cl\u00e1ssicas do rock baiano e brasileiro, com uma identidade bem setentista. E ele, ao mesmo tempo, foca em outros trabalhos. H\u00e1 um tempo, ele lan\u00e7ou um disco de medita\u00e7\u00e3o tocando c\u00edtara. Voc\u00ea ouve aquilo e se pergunta se tem, mesmo, algu\u00e9m na Bahia que fa\u00e7a esse tipo de som. \u00c9 meio como voc\u00ea imaginar que l\u00e1 na \u00cdndia tem algu\u00e9m fazendo um disco de ax\u00e9 music. E isso \u00e9 massa. Ele imergiu nessa cultura, \u00e9 um estudioso da c\u00edtara. Tem essa coisa dos indianos serem muito espirituais e isso tem muito a ver com paz interna. Essa coisa deles viverem de uma forma diferente. A influ\u00eancia de Pochat no lado art\u00edstico e musical veio assim. Ele falou para mim: &#8220;velho, fa\u00e7a do seu jeito&#8221;, enquanto eu dizia que n\u00e3o sabia mexer naquilo, que n\u00e3o tinha muita no\u00e7\u00e3o daquele processo. Isso porque, apesar de tocar h\u00e1 mais de 20 anos, eu n\u00e3o sou m\u00fasico. Se voc\u00ea colocar uma partitura na minha frente, eu n\u00e3o vou conseguir ler. Sei me virar. Claro que a gente aprende coisas com o passar do tempo, mas sou um autodidata na m\u00fasica, meio analfabeto. E eu ficava com esse receio: &#8220;Puxa, estou com um cara que \u00e9 doutor no assunto, \u00e9 fera demais&#8221;. Ent\u00e3o, eu ficava pensando que precisava sair da minha zona de conforto. Isso foi muito importante para mim. Pochat havia gravdo um trompete no meu primeiro disco, no \u201cOld Memories\u201d, em uma faixa que \u00e9 uma coisa bem pop, bem guitarras. Todo aquele disco \u00e9 bem cheio de guitarras. E nisso eu comecei a ouvir o trabalho dele. Ele me deu muita dica de muitas coisas interessantes para ouvir. S\u00e3o aquelas coisas que abrem a mente para o trabalho. Ele foi muito importante n\u00e3o s\u00f3 na parte musical, mas, tamb\u00e9m, na parte espiritual do trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma das coisas que sempre admirei em seu trabalho nestes anos \u00e9 que voc\u00ea n\u00e3o esconde suas influ\u00eancias e sempre as insere nos trabalhos. Tudo o que vem do britpop \u00e9 um exemplo disso. Aqui, como foi buscar por outras influ\u00eancias diferentes do que est\u00e1vamos acostumados?<\/strong><br \/>\nTentei soar aqui menos o que eu soava antes. Realmente, \u201cPaz\u201d \u00e9 um disco em que eu queria uma sonoridade completamente diferente do que eu j\u00e1 tinha feito. \u00c9 proposital. Mas proposital no sentido de natural. \u00c9 como te falei, se a pandemia n\u00e3o tivesse acontecido e eu tivesse conseguido reunir uma banda, provavelmente eu teria feito diferentez. Provavelmente eu teria n\u00e3o ido t\u00e3o fundo, t\u00e3o radicalmente, naquela coisa do 8 ou 80. Mas o que comecei a pensar com as influ\u00eancias era uma coisa assim que eu n\u00e3o tinha como fugir. Por exemplo, vocais. V\u00e3o passar mil anos e eu acho que os Beatles v\u00e3o ser refer\u00eancia de vocais n\u00e3o s\u00f3 para mim, mas para muita gente. O que eles fizeram \u00e9 algo que estava 100 anos \u00e0 frente de tudo. Hoje, na pr\u00f3pria m\u00fasica pop, voc\u00ea ouve muitas coisas que a influ\u00eancia de Beatles est\u00e1 nos vocais. Mas fora isso, na minha forma de compor, de vez em quando vem uma outra coisa de inspira\u00e7\u00e3o. Por exemplo, em \u201c\u00c1gua no Fogo\u201d, eu estava preso na can\u00e7\u00e3o. A parte do pr\u00e9-refr\u00e3o, quando eu falo &#8220;n\u00e3o d\u00ea mole, n\u00e3o deixe durar&#8221;, lembro que precisava de alguma coisa. Eu estava ouvindo \u201cThe Masterplan\u201d, do Oasis, que tem aquela parte: &#8220;say it loud and sing it proud today&#8221;, que \u00e9 um pr\u00e9 refr\u00e3o. S\u00e3o coisas bem mais sutis. S\u00e3o atalhos que a gente aprende com caras que s\u00e3o geniais. Mas em termos de influ\u00eancias, eu realmente acho que esse \u00e9 o disco em que eu mais procurei beber de outras fontes do que das minhas pr\u00f3prias. Algo que me influenciou muito aqui foi o Velvet Underground. \u00c9 uma banda que eu nunca tinha parado muito para ouvir. Mas tem um disco deles, o sensacional \u201cLoaded\u201d, de 1970, que foi a base desse meu disco. Depois que percebi, inclusive, que o \u201cLoaded\u201d foi feito de modo semelhante, com cada um indo e colocando sua parte, a m\u00fasica indo crescendo. Esse foi um disco que escutei muito. Outra coisa que me influencia muito nesses \u00faltimos tempos \u00e9 trilha sonora de video-game. Eu jogo muto Fifa. E as trilhas sonoras s\u00e3o maravilhosas. A cada ano que passa, ele t\u00eam trilhas ainda melhores. E sempre tem artistas brasileiros. Teve BaianaSystem em 2017, se n\u00e3o me engano. Teve Anitta no ano passado. Esse ano tem a Karol Conk\u00e1. E \u00e9 legal porque acabo escutando coisas bem diferentes do que eu costumava ouvir. E foi assim que aprendi a gostar um pouco do que hoje chamam de m\u00fasica pop.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-67413\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/tedsimoes.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/tedsimoes.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/tedsimoes-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Percebi a sua aus\u00eancia das redes sociais de uns tempos para c\u00e1. Pelo menos, da \u00fanica rede social que eu uso. Essa mudan\u00e7a de comportamento teve algo a ver com uma introspec\u00e7\u00e3o? Pergunto porque, no meu caso, \u00e9 exatamente assim que lido com a internet. Uma vez que a percebo me fazendo mal, me causando ansiedade, tendo a me desligar.<\/strong><br \/>\nPrimeiramente, sim. \u00c9 totalmente proposital isso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 introspec\u00e7\u00e3o. N\u00e3o sei te dizer exatamente qual o objetivo. Mas o que me vem \u00e0 cabe\u00e7a \u00e9 que, de repente, as redes sociais ficaram uma coisa estranha. Quer dizer, sempre foram. Tudo \u00e9 uma quest\u00e3o de ponto de vista. \u00c0s vezes demora para a gente perceber as coisas. Mas ficou um neg\u00f3cio muito artificial. Passou assim para mim, pelo menos. L\u00f3gico que cada cabe\u00e7a pensa diferente. Mas para mim ficou algo muito superficial, muito coisa de bater ponto, sabe? As pessoas est\u00e3o meio que batendo ponto nas redes sociais. Precisa postar uma foto por dia, precisa aparecer, precisa ter conte\u00fado, precisa comentar na p\u00e1gina dos colegas para mostrar que est\u00e1 vivo. Ent\u00e3o, no meu caso, pessoalmente, n\u00e3o vinha acrescentando nada. Chegou um determinado momento em que eu comecei a ver aquilo como uma perda de tempo estar ali vivendo a vida para os outros. De qualquer forma, tamb\u00e9m, me expondo. Expondo a minha vida. Mas foi bem natural. N\u00e3o \u00e9 que seja algo de outro universo. N\u00e3o que eu demonize redes sociais ou algo do tipo. Eu tenho porque \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o ter hoje em dia. N\u00e3o tenho uma conta minha, pessoal, mas tenho uma que \u00e9 s\u00f3 para leitura. Se a gente parar para pensar, as redes sociais, hoje, s\u00e3o os canais de televis\u00e3o. N\u00f3s j\u00e1 conversamos sobre o impacto da MTV na gente. Eu assistia para ver as coisas de meu interesse. Os artistas preferidos. E TV como um todo eu assistia para ver o que estava acontecendo, para saber do meu time, o Bahia, para ver resultados de jogos. Ent\u00e3o, hoje, o que acontece \u00e9 que ao inv\u00e9s de ser como era antes, quando fic\u00e1vamos ligados em seis emissoras de TV, hoje, cada artista tem a sua emissora, o que, geralmente, \u00e9 o Instagram ou o Twitter. Se eu quero saber de futebol, eu sigo as contas das pessoas que eu gosto nessa \u00e1rea. Para me manter atualizado. A informa\u00e7\u00e3o, hoje em dia, \u00e9 extremamente instant\u00e2nea em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa \u00e9poca. Naquele per\u00edodo anterior, a gente ainda demorava um pouquinho para saber as coisas. Hoje, \u00e9 na mesma hora. Ent\u00e3o, voc\u00ea, inclusive, fica dependente disso. E \u00e9 algo ruim. N\u00e3o \u00e0 toa que todo mundo est\u00e1 surtando de ansiedade. Ent\u00e3o, sa\u00ed das redes mais por essa op\u00e7\u00e3o, mesmo. Tenho que admitir: eu n\u00e3o soube usar a tecnologia como outras pessoas sabem usar. Teve uma \u00e9poca em que me expus bastante. Isso causa mal-estar. As pessoas n\u00e3o te entendem. \u00c0s vezes elas entendem o que querem entender. E muitas vezes, tamb\u00e9m, eu fui um idiota. N\u00e3o tenho problema nenhum em reconhecer isso. Mas, de qualquer forma, sempre tentei ser muito sincero. E percebi, tamb\u00e9m, que isso \u00e9 um problema desses tempos modernos. A sinceridade, at\u00e9 um determinado ponto, \u00e9 um problema. Tem muita gente que n\u00e3o gosta de ouvir ou de ler aquilo que ela n\u00e3o quer acreditar que seja uma verdade. Ou, \u00e0s vezes, ela n\u00e3o quer ouvir uma opini\u00e3o contr\u00e1ria. Por causa disso, vivemos o que estamos vivendo em rela\u00e7\u00e3o a essa polariza\u00e7\u00e3o. Mas isso \u00e9 normal porque estamos vivendo o in\u00edcio dessa era. Talvez daqui a um s\u00e9culo, as pessoas j\u00e1 consigam manejar a internet melhor do que a nossa gera\u00e7\u00e3o. A nossa, com certeza, foi nota 2. (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A letra de \u201cAproveite\u201d fala um pouco sobre isso, inclusive.<\/strong><br \/>\nSim. Essa letra fala justamente sobre isso. Sobre essa coisa da gente estar sempre gravando para ver depois. Parece que \u00e9 um neg\u00f3cio meio assim. Aquela galera que vai para o show para gravar com o celular e ver depois. J\u00e1 fiz muito isso. S\u00f3 que depois fica uma merda (risos). Voc\u00ea olha para o celular e n\u00e3o tem metade da emo\u00e7\u00e3o que foi na hora. Um dia desses, por um acaso do destino, achei em um backup meu antigo os v\u00eddeos do primeiro show de Paul McCartney que fui, em Porto Alegre, em 2010. Aquela foi a primeira vez que ele havia voltado ao Brasil depois de 17 anos. Naquele show, gravei v\u00e1rios v\u00eddeos. \u00d3bvio que voc\u00ea se emociona vendo, mas n\u00e3o \u00e9 nem de perto o momento que foi l\u00e1, quando voc\u00ea o viu ao vivo. E fiquei meio que me culpando por ter gravado um monte de v\u00eddeo. Estive nesse \u00faltimo show do Gilberto Gil na Concha Ac\u00fastica aqui de Salvador. E eu peguei o celular para tirar uma foto. Em determinado momento e gravei um pedacinho de \u201cAquele Abra\u00e7o\u201d, que \u00e9 uma das primeiras m\u00fasicas que ouvi na vida e que, por sempre ser fan\u00e1tico por futebol, me chamava a aten\u00e7\u00e3o aquele momento do &#8220;al\u00f4 torcida do Flamengo&#8221;. Mas voltando \u00e0 letra de \u201cAproveite\u201d, come\u00e7ou justamente em um papo com um amigo meu. Um papo sobre futebol em que ele estava reclamando do Bahia, na ocasi\u00e3o em 2021, quando o time foi rebaixado. Esse amigo passou o campeonato todo reclamando. Ele vinha falar comigo e eu j\u00e1 sabia que ele vinha para reclamar. E eu sempre dizia, &#8220;velho , daqui a pouco o time vai cair para a segunda divis\u00e3o. \u00c9 normal. Acontece. J\u00e1 aconteceu antes e vai acontecer de novo. Ent\u00e3o, est\u00e1 na hora de voc\u00ea aproveitar um pouco o agora&#8221;. \u00c9 sempre aquela coisa. Estamos sempre pedindo mais, e quando chega na hora que tem mais, mesmo n\u00e3o sendo aquele mais que voc\u00ea imaginou, mas quando voc\u00ea tem o mais, voc\u00ea n\u00e3o aproveita, est\u00e1 sempre reclamando, pedindo mais, mais e mais. \u00c9 mais ou menos isso a ideia da can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lembro de ter conversado com voc\u00ea sobre o processo de escrita do disco anterior, quando voc\u00ea me falou acerca de como uma fase espec\u00edfica de sua vida refletiu naquelas composi\u00e7\u00f5es. Mas, tamb\u00e9m, voc\u00ea me disse que se sentia otimista com todo o resultado e como sairia dele. Esse sentimento permanece com a cria\u00e7\u00e3o de \u201cPaz\u201d?<\/strong><br \/>\nPermanece. Agora, tem uma coisa que penso muito. Quando comecei a gravar o disco, primeiro da ideia do nome \u201cPaz\u201d. Essa \u00e9 uma palavra que est\u00e1 meio que na moda, com o lance da guerra. Sempre que tem uma guerra, essa \u00e9 uma palavra que fica nas manchetes. Mas o lance aqui foi mais relacionado a como eu consegui passar um per\u00edodo muito dif\u00edcil, que foi a pandemia, mas com paz. Sempre que conversava com as pessoas, o clima era de derrota. E digo isso n\u00e3o julgando ningu\u00e9m ou achando que as pessoas se entregaram. Mas porque foi dif\u00edcil pra caramba. Muita gente perdeu pessoas legais, as rela\u00e7\u00f5es sociais foram todas para o saco. Realmente, foi um per\u00edodo muito dif\u00edcil. E fico feliz porque consegui achar a minha paz neste per\u00edodo. Tem gente que n\u00e3o conseguiu, que passou pela pandemia sem conseguir achar seu momento de paz e est\u00e1 at\u00e9 hoje sem conseguir achar. E eu consegui achar essa paz justamente&#8230; (pausa) n\u00e3o que tentando ser&#8230; \u00e9 aquela coisa&#8230; a gente sempre tenta ser o melhor, ter as coisas boas, mas, como posso dizer, sabe quando voc\u00ea cria um pacto? Algo como: &#8220;eu preciso disso para sobreviver, para caminhar, para enfrentar&#8221;. E isso \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o a tudo o que a vida coloca para a gente. Falei para mim que precisava achar a minha paz. E a minha paz foi justamente cantando o que eu acho, porque isso \u00e9 algo muito pessoal. Voc\u00ea pode perguntar a outra pessoa e ela vai te dizer que n\u00e3o tem nada de otimismo ali. Mas, para mim, no que eu entendo de otimismo, est\u00e1 tudo ali, foi uma das coisas que eu disse para mim. Eu preciso achar a minha paz. Como eu vou ach\u00e1-la? Vou achar a minha paz cantando coisas legais, tentando ser otimista, tentando falar coisas boas. Ent\u00e3o, acho que essa \u00e9 a raz\u00e3o do disco ter nascido. Do disco ter chegado a esse final. \u00c9 muito disso. E completando uma das coisas que voc\u00ea havia dito sobre n\u00e3o ter as redes sociais, sobre n\u00e3o entrar nessa coisa da divulga\u00e7\u00e3o, porque sempre que vamos gravar disco, \u00e9 aquela coisa de ter que fazer release, foto de divulga\u00e7\u00e3o, tem isso, tem aquilo. E isso \u00e9 massa quando voc\u00ea \u00e9 jovem, quando est\u00e1 come\u00e7ando. E junto com isso tudo de divulga\u00e7\u00e3o, fotos, release, hoje tem as malditas redes sociais, para as quais voc\u00ea tem que criar conte\u00fado o tempo todo. Tem sempre que estar em evid\u00eancia. E eu j\u00e1 n\u00e3o estava mais com saco para isso. E a primeira coisa que me veio \u00e0 cabe\u00e7a foi isso: quantas e quantas m\u00fasicas estouraram antes de existirem redes sociais ou algo do tipo? Eu penso que se a m\u00fasica for boa, ela vai estourar. N\u00e3o acredito que seja o caso de nenhuma dessas que lan\u00e7o agora. S\u00e3o boas can\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o s\u00e3o para estourar. Mas isso \u00e9 algo que eu acho que os artistas de hoje deveriam se preocupar um pouco menos. Preocupar-se menos com redes sociais e mais com suas can\u00e7\u00f5es, com seu trabalho. Tem muita gente que est\u00e1 mais preocupada com cliques nas redes sociais, com o conte\u00fado que ele vai ter que fazer hoje do que com a pr\u00f3pria can\u00e7\u00e3o em si. Isso foi algo, assim, libertador. Sobre expectativas, eu j\u00e1 n\u00e3o tenho nenhuma em rela\u00e7\u00e3o a sucesso, ou algo do tipo. Eu fa\u00e7o as can\u00e7\u00f5es hoje mais pelo prazer pr\u00f3prio do que almejando coisas. Ent\u00e3o, acho que tem muito disso. Da paz de se aceitar como voc\u00ea \u00e9. Acho que n\u00e3o tenho nem mais idade para isso. Para ficar me embelezando para tirar fotos e viver de curtidas. Eu, hoje, acho que \u00e9 simplesmente muito vazio. Tem outras coisas que podem encher mais a gente do que curtidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde e assina o blog\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pel\u00edcula Virtual<\/a>.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-67411\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Capa_PAZ.jpeg\" alt=\"\" width=\"828\" height=\"826\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Capa_PAZ.jpeg 828w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Capa_PAZ-300x300.jpeg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Capa_PAZ-150x150.jpeg 150w\" sizes=\"(max-width: 828px) 100vw, 828px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Faixa a faixa: \u201cPaz\u201d, por Ted Sim\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao inv\u00e9s de apresentar na ordem que saiu no disco, vou tentar fazer esse faixa a faixa em ordem cronol\u00f3gica, que \u00e9 a forma que eu consigo entender mais o \u00e1lbum. O disco come\u00e7a com &#8220;\u00c1gua no Fogo&#8221;, sua segunda faixa. Abaixo, falo sobre ela. Ap\u00f3s comp\u00f4-la, eu e Matheus Borba, meu parceiro de composi\u00e7\u00e3o aqui, falamos um com o outro: &#8220;E a\u00ed? Vamos nessa? Vamos compor esse disco juntos?&#8221; Foi a\u00ed que nasceu o conceito do disco, de fazer uma coisa diferente. N\u00e3o s\u00f3 no texto. No caso, Matheus ficou muito respons\u00e1vel pelo texto do disco, enquanto eu fiquei mais com a parte musical, os arranjos. Mas, tamb\u00e9m, de fazer algo diferente. N\u00e3o sei se voc\u00ea ir\u00e1 perceber, mas se trata de algo totalmente diferente do que eu gravei nos meus discos anteriores, n\u00e3o s\u00f3 com a Starla, mas no meu disco solo de 2016. L\u00e1 tinha muita guitarra. E esse \u00e9 um disco que n\u00e3o tem guitarra. E isso \u00e9 algo que se algu\u00e9m me falasse h\u00e1 cinco anos, que eu gravaria um disco sem guitarras, eu ia dar risada na cara da pessoa. Nunca imaginei em minha vida gravar um disco sem guitarras. Sempre fui um defensor da guitarra. Mas \u00e9 complicado. Nos dias de hoje, na m\u00fasica, ningu\u00e9m precisa mais de um guitarrista. Isso \u00e9 uma loucura. Se voc\u00ea voltar apenas 10 anos atr\u00e1s, voc\u00ea n\u00e3o ia falar que as guitarras iriam morrer. E morreram. Pelo menos na m\u00fasica pop.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a\u00ed vem o processo de grava\u00e7\u00e3o, de pensar diferente, e esse \u00e9 um disco bastante diferente. \u00c9 o primeiro no qual gravei tudo. No anterior, eu tinha gravado quase tudo, mas n\u00e3o tinha ficado respons\u00e1vel pelas baterias. Agora fiquei respons\u00e1vel pelas baterias. Ent\u00e3o, imagine: para mim, uma pessoa que sempre foi muito quadrada, muito tradicional&#8230; &#8220;Ah, bateria eletr\u00f4nica \u00e9 uma coisa horrorosa\u201d. Venci todos estes preconceitos e o disco \u00e9 todo gravado comigo tocando baterias eletr\u00f4nicas. E muitos efeitos de sintetizadores. Para mim foi renovador. Nunca imaginei que pudesse gravar um disco assim. E experimentar. Trata-se de um disco muito experimental, tamb\u00e9m. Nos outros discos, sei que as pessoas esperavam de mim aquela coisa de guitarras meio Oasis, Radiohead e Stereophonics, que s\u00e3o bandas das quais sempre gostei pra caramba e nas quais sempre me inspirei muito. Imagino que, para elas, tenha sido um choque ouvir o \u201cPaz\u201d. Primeiro pelo disco n\u00e3o ter guitarras e, segundo, por ter bateria eletr\u00f4nica e muito sintetizador. Nunca fui muito ligado em sintetizadores. E me afundei nisso nesse disco. Se voc\u00ea parar para pensar, de instrumentos, mesmo, s\u00f3 tem o viol\u00e3o e o baixo. E foi assim que o disco surgiu, na verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando comecei a conversar com Alex Pochat, que \u00e9 o produtor, n\u00e3o existia a possibilidade de ensaios, de formar banda. Foi logo no in\u00edcio da pandemia. Pochat \u00e9 algu\u00e9m com quem sempre quis trabalhar. Ele gravou um trombone no meu primeiro disco. E \u00e9 uma alma iluminada. \u00c9 um cara em outro n\u00edvel, um outro patamar. N\u00e3o s\u00f3 como m\u00fasico, e ele \u00e9 um m\u00fasico genial, mas uma alma fant\u00e1stica. Sempre vou me lembrar da grava\u00e7\u00e3o desse disco. E olha que me encontrei com ele, mas o ouvi muito. N\u00f3s conversamos muito por mensagem de WhatsApp, e eu sempre mandava as can\u00e7\u00f5es pra ele. Ele retornava. O impacto dele nesse disco \u00e9 algo que n\u00e3o tenho como mensurar, sabe? Ele fez muita diferen\u00e7a&#8230; em tudo: interpreta\u00e7\u00e3o, letras, arranjos, pensamentos. Foi uma honra para mim trabalhar com ele. Quem conhece, sabe que ele \u00e9 um cara de outro planeta, realmente. Foi muito bom. Pochat me deu a chave para eu descobrir muita coisa que nunca imaginei na minha vida que eu ia fazer, sabe? E \u00e9 esse disco. E eu imagino que para muitas pessoas tenha sido muito estranho ouvir. \u00c9 engra\u00e7ado que n\u00e3o ouvi feedback de ningu\u00e9m. As pessoas falavam: &#8220;P\u00f4, legal&#8221;, meio constrangidas (risos). E eu entendo. Porque j\u00e1 estive, tamb\u00e9m, neste lado de ouvir uma coisa completamente diferente e ficar, tipo: &#8220;\u00e9 melhor n\u00e3o comentar porque est\u00e1 muito estranho&#8221;. \u00c9 isso. (risos). Vamos ao faixa a faixa&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2) &#8220;\u00c1gua no Fogo&#8221; \u2013<\/strong> \u201cPaz\u201d come\u00e7a com &#8220;\u00c1gua no Fogo&#8221;, a segunda do disco. \u00c9 uma can\u00e7\u00e3o que comecei a compor no in\u00edcio da pandemia. At\u00e9 ent\u00e3o, Matheus (Borba), que \u00e9 o meu parceiro nesse trabalho e comp\u00f4s todas essas m\u00fasicas junto comigo, n\u00e3o estava na jogada. A gente tinha conversado um pouco antes sobre fazer um projeto para gravar um disco de amor. Um disco rom\u00e2ntico, vamos dizer assim. E t\u00ednhamos combinado isso, mas eu estava preso nessa composi\u00e7\u00e3o de &#8220;\u00c1gua no Fogo&#8221;. O disco come\u00e7a com essa can\u00e7\u00e3o e ela \u00e9, inclusive, a minha favorita das que compus em todos os tempos. \u00c9 algo que eu nunca achei que iria compor em minha vida. Sinto-me muito orgulhoso dela. N\u00e3o s\u00f3 pelo in\u00edcio do trabalho, mas pela ideia da m\u00fasica, da mensagem que ela passa, que \u00e9 uma mensagem muito otimista. Lembro que eu a inscrevi no Festival da R\u00e1dio Educadora que teve no \u00faltimo ano, e tinha uma caixinha para voc\u00ea colocar um &#8220;fale sobre a can\u00e7\u00e3o&#8221;. E eu falei s\u00f3 isso: &#8220;\u00c9 uma can\u00e7\u00e3o muito otimista, algo que nunca imaginei que pudesse compor&#8221;. E eu estava preso nela. At\u00e9 o momento em que Matheus falou comigo e n\u00f3s come\u00e7amos a conversar. Falei para ele: &#8220;Velho, n\u00f3s j\u00e1 combinamos de fazer esse disco de amor, mas estou preso nessa can\u00e7\u00e3o&#8221;. E foi a\u00ed que nasceu o disco. &#8220;\u00c1gua no Fogo&#8221; foi uma can\u00e7\u00e3o muito importante porque Matheus consegue desvend\u00e1-la de uma forma que eu n\u00e3o estava conseguindo. Eu estava muito preso a algumas coisas, a alguns conceitos. Lembro-me da gente conversando sobre a ideia de &#8220;\u00c1gua no Fogo&#8221;, de acreditar no amor, no momento que a gente passava, naquele in\u00edcio de pandemia, quando as pessoas estavam com muito medo. Quando o medo rondava ali a situa\u00e7\u00e3o. E ele conseguiu, sabe, decifrar aquilo ali e conseguimos finaliz\u00e1-la. E \u00e9 isso. \u00c9 uma can\u00e7\u00e3o otimista. Uma can\u00e7\u00e3o que fala sobre n\u00e3o desistir, sobre tentar, sobre continuar, sobre acreditar nas coisas boas. No amor e em todos os sentimentos bons. \u00c9 a minha favorita, disparada, at\u00e9 hoje. Fico muito feliz de ter Matheus como meu parceiro neste disco. Compomos todas as m\u00fasicas juntos. Essa foi o start, assim, sabe? As outras m\u00fasicas, depois disso, surgiram gra\u00e7as a &#8220;\u00c1gua no Fogo&#8221;.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"\u00c1gua no Fogo\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ulp6efA5oLc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4) &#8220;P\u00e9 de Chuva&#8221; \u2013<\/strong> Depois que finalizamos &#8220;\u00c1gua no Fogo&#8221;, que era o carro chefe no trabalho, come\u00e7amos a ter ideias. Um dia, durante a pandemia, quando sai com minha esposa para passearmos com meu cachorro, no meio do passeio, come\u00e7ou a chover. Uma chuva torrencial, repentina. E a gente se abrigou debaixo de uma \u00e1rvore. Est\u00e1vamos abra\u00e7ados, n\u00f3s dois, com o cachorro perto&#8230; Assim, a pandemia foi um momento muito de incertezas, de medos, de inseguran\u00e7as. E aquele foi um primeiro momento da pandemia no qual me senti muito bem. Me senti muito bem naquele abra\u00e7o, com a mulher que eu amo, meu cachorro, que eu tamb\u00e9m amo demais. E ali tive a ideia de compor essa can\u00e7\u00e3o sobre esse momento. Sobre aquele amor. Bom, \u00e9 uma coisa clich\u00ea pra caramba, voc\u00ea debaixo de uma \u00e1rvore com sua esposa, abra\u00e7ado, chovendo, come\u00e7ar a pensar em como aquela hist\u00f3ria toda chegou ali naquele momento, um determinado momento de nossa vida. Fiz 40 anos esse ano. J\u00e1 estou em uma meia idade, estabilizado. E \u00e9 o tipo de coisa com a qual eu sempre sonhava desde quando eu era adolescente. Aquela coisa de achar o amor da minha vida, ter uma vida comum de trabalho, casa, rotina, cachorro. E a\u00ed eu voltei para casa com isso na cabe\u00e7a e mandei uma mensagem para Matheus falando sobre o que aconteceu e sobre a ideia que tive. E a\u00ed \u00e9 engra\u00e7ado quando a m\u00e1gica acontece. Porque Matheus falou para eu esperar um pouco e, 15 minutos depois, ele mandou a letra completa de &#8220;P\u00e9 de Chuva&#8221;, que \u00e9 a quarta can\u00e7\u00e3o do disco. E a letra fala justamente daquele momento. Sobre as verdades secretas que a gente conversava, da gente ali. E ele explicou que, por coincid\u00eancia, ele conviveu a mesma situa\u00e7\u00e3o com uma antiga namorada que ele teve. Ele disse que se encontrava ali na Av. Centen\u00e1rio, aqui em Salvador, onde tem v\u00e1rias \u00e1rvores enormes, seculares, e tinha uma \u00e1rvore que eles dois apelidaram carinhosamente de p\u00e9 de chuva, que era onde eles se abrigavam. Era tipo que um guarda-chuva pros dois. Achei massa ele inventar essa palavra porque ela remeteu um pouco a &#8220;Wonderwall&#8221;, que \u00e9 uma m\u00fasica cl\u00e1ssica do Oasis e que \u00e9, tamb\u00e9m, uma palavra que &#8220;n\u00e3o existe&#8221;, uma palavra inventada, uma licen\u00e7a po\u00e9tica, vamos dizer assim. E vi naquele momento ali meio que a nossa &#8220;Wonderwall&#8221;. E \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o lind\u00edssima. A letra \u00e9 uma poesia. Matheus \u00e9 sensacional. Eu j\u00e1 sou f\u00e3 dele desde a \u00e9poca do Dois em Um. Ele comp\u00f4s a grande maioria das letras do Dois em Um, banda maravilhosa de Luiz\u00e3o (Pereira) e Fernanda (Monteiro). E a gente acabou se aproximando muito nessa \u00e9poca. Descobrimos que n\u00f3s dois somos f\u00e3s dos Engenheiros do Hawaii, de Humberto Gessinger, principalmente. E de Beatles, tamb\u00e9m. S\u00e3o duas coisas que a gente tem em comum. E a partir da\u00ed a gente criou uma amizade. Ele j\u00e1 tinha composto duas m\u00fasicas para o meu primeiro disco, o \u201cOld Memories\u201d, &#8220;Curitiba Blues&#8221; e &#8220;Running in Circles&#8221;. N\u00f3s compomos em portugu\u00eas e eu fiz a vers\u00e3o em ingl\u00eas. S\u00f3 que faltava algo em portugu\u00eas. Ent\u00e3o, esse disco foi meio que uma hora de finalizar isso, de terminar esse assunto. Eu sou f\u00e3 dessa m\u00fasica. Ele me mandou a letra em 15 minutos e devolvi a ele em 10. Foi impressionante como as palavras vieram junto com a harmonia, tudo junto, resolvido, e mandei de volta. Ele ainda me sacaneou (risos) e falou assim: &#8220;N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que voc\u00ea fez a m\u00fasica assim&#8221;. Foi muito r\u00e1pido. Aquele tipo de coisa m\u00e1gica. \u00c9 surreal como a m\u00fasica de vez em quando faz isso. N\u00f3s conseguimos nos resolver nessa m\u00fasica muito, muito r\u00e1pido. Eu amo essa can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"P\u00e9 de Chuva\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/z2gOVcQhdqM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5) &#8220;Entre Voc\u00ea e Eu&#8221; &#8211;<\/strong> Na semana em que compomos &#8220;P\u00e9 de Chuva&#8221;, n\u00f3s est\u00e1vamos em um momento iluminado: ele me mandou a letra da \u00faltima faixa do EP, que \u00e9 &#8220;Entre Voc\u00ea e Eu&#8221;. Ele disse que j\u00e1 tinha mandado essa letra para outras pessoas, e que ningu\u00e9m tinha aproveitado. E \u00e9 impressionante como o entrosamento \u00e9 uma coisa surreal. \u00c9, tamb\u00e9m, um caso&#8230; eu n\u00e3o sei explicar&#8230; isso \u00e9 m\u00e1gico. Mesmo. A m\u00fasica caiu na mesma hora em que eu li a letra, sabe? Saiu muito r\u00e1pido. Eu acrescentei uma estrofe e essa foi bem parceria. Dos dois lados. Ele me ajudou muito com a parte harm\u00f4nica, tamb\u00e9m, do que ele estava pensando. E dei muita sorte de conseguir, tamb\u00e9m, resolver isso. Porque n\u00e3o s\u00e3o coisas f\u00e1ceis. \u00c0s vezes a gente pensa em uma coisa, e vai outra. \u00c0s vezes a gente pensa que vai dar certo e n\u00e3o d\u00e1. Ent\u00e3o, foi muito&#8230; \u00c9 m\u00e1gica, sabe? Tudo resolveu dar certo. Eu amo essa letra dele. A forma como Matheus fala de amor \u00e9 uma das coisas mais lindas que eu j\u00e1 vi. Eu morro de inveja. Ele \u00e9 um mago das palavras. E o momento em que a gente comp\u00f4s foi meio que um consenso entre n\u00f3s. Esse \u00e9 o tipo de m\u00fasica que encerra o disco. \u00c9 a \u00faltima can\u00e7\u00e3o do disco. E na parte de arranjos, essa foi a primeira can\u00e7\u00e3o em que experimentei, mesmo. Aquela parte da bateria no final que entra, com os vocais a l\u00e1 Beatles, \u00f3bvio. Eles sempre foram e sempre v\u00e3o ser uma influ\u00eancia muito grande. Principalmente quando se trata de vocaliza\u00e7\u00e3o. Esse disco todo tem v\u00e1rias cita\u00e7\u00f5es a Beatles nos vocais. No final de &#8220;Navegante&#8221;, eu fa\u00e7o aquele truque do final de &#8220;She Loves You&#8221;, das vozes, com os &#8220;Yeahhs&#8221;. No final de &#8220;P\u00e9 de Chuva&#8221; eu fa\u00e7o aquela refer\u00eancia a \u201cWith a Little Help From My Friends&#8221;, dos vocais. Termino com vocais semelhantes. Ent\u00e3o, foi um momento de experimentar. E acho que esse momento foi muito assim de desbloquear fases. De minha cabe\u00e7a, principalmente. Eu estava muito ainda preso \u00e0 ideia de ter uma bateria, de ter que ter isso, aquilo. Ent\u00e3o, essa can\u00e7\u00e3o, no sentido de arranjos, no sentido de desprender do passado, ela foi muit\u00edssimo importante para o disco.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Entre Voc\u00ea e Eu\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/R9JVpKMGmRA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1) &#8220;Navegante&#8221; &#8211;<\/strong> Depois disso, n\u00f3s fizemos a can\u00e7\u00e3o &#8220;Navegante&#8221;, que \u00e9 a que abre o disco. Na verdade, eu j\u00e1 tinha esse riff de &#8220;Navegante&#8221; h\u00e1 muito tempo. Escrevi no in\u00edcio dos anos 2000. E era uma can\u00e7\u00e3o, inicialmente, chamada &#8220;Tempestade Incidental&#8221;. Eu tinha composto ainda para a Starla, mas n\u00e3o foi&#8230; Na verdade eu s\u00f3 tinha o riff que come\u00e7a a can\u00e7\u00e3o. A parte B e o refr\u00e3o eu compus agora no in\u00edcio da pandemia. Mas \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m, muito otimista. E ela explica um pouco o processo de grava\u00e7\u00e3o deste disco. O refr\u00e3o diz: &#8220;Atravessei o rio atr\u00e1s dessa can\u00e7\u00e3o&#8221;. \u00c9 uma met\u00e1fora que uso para explicar como a gente comp\u00f4s esse disco. Atravessamos muitos rios. Ultrapassamos muitas barreiras &#8211; mentais, principalmente. Muitas limita\u00e7\u00f5es&#8230; na forma de compor, na forma de gravar, na forma de soar, principalmente. Quando comecei a gravar o disco, eu tinha uma ideia. No meio, j\u00e1 percebi que uma das coisas que eu mais queria que acontecesse era justamente soar completamente diferente de tudo que eu j\u00e1 soei na vida, desde a Starla ou na minha carreira solo, e fazer algo completamente diferente. Nesse exato momento, eu j\u00e1 estava ouvindo coisas muito diferentes. Uma das minhas influ\u00eancias principais para esse disco \u00e9 a Billie Eilish. Eu me tornei um grande f\u00e3 dela. E eu acho que as pessoas que me conhecem nunca iriam imaginar que eu ia me tornar f\u00e3 de Billie Eilish. E eu ouvi muito o primeiro disco dela. E esse \u00faltimo que saiu, o &#8220;Happy Than Ever&#8221;, \u00e9 uma obra-prima. Eu sou suspeito de falar porque sou, realmente, muito f\u00e3 dela. Para mim, \u00e9 o grande nome da m\u00fasica, hoje. Disparado o maior nome da m\u00fasica, hoje. Ela e o Tame Impala. Essa foi uma influ\u00eancia, tamb\u00e9m, muito boa. N\u00e3o no sentido de soar igual. As pessoas acham que ao falar sobre influ\u00eancia, \u00e9 sobre soar igual. N\u00e3o \u00e9 nesse sentido. \u00c9 no sentido est\u00e9tico da coisa. E a\u00ed eu aproveitei essa can\u00e7\u00e3o antiga que eu tinha e a ideia era falar sobre paz. Sobre esse per\u00edodo. Claro que eu sei que a pandemia foi uma merda para muita gente. Para mim, tamb\u00e9m. Perdemos pessoas legais, perdemos nossa liberdade, perdemos nosso conv\u00edvio, nosso social, mas, ao mesmo tempo, tamb\u00e9m, foi um momento em que voc\u00ea parou em casa, refletiu sobre muita coisa, e v\u00ea como voc\u00ea estava vivendo errado, como estava fazendo algumas coisas&#8230; Principalmente em rela\u00e7\u00e3o a como esse mundo de hoje \u00e9. Com informa\u00e7\u00f5es muito r\u00e1pidas, v\u00edcio de celular&#8230; \u00c9 muita coisa. E a\u00ed &#8220;Navegantes&#8221; surgiu disso. Mais uma vez eu estava super preso a alguns conceitos, e Matheus vem e foi muito crucial. Ele vem e desata os n\u00f3s. E a\u00ed a can\u00e7\u00e3o consegue respirar. Gosto muito dessa can\u00e7\u00e3o. Tenho um carinho muito grande por ela. Principalmente pela mensagem de&#8230; (pausa) n\u00e3o que seja uma mensagem de paz, mas, assim, de tranquilidade, sabe? Eu acho que ela passa uma mensagem de: &#8220;tranquilo, venha c\u00e1. Vamos resolver essa situa\u00e7\u00e3o\u201d. Acho que ela tem muito disso.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Navegante\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DTQkCjtiUWc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3) &#8220;Aproveite&#8221; \u2013<\/strong> A \u00faltima can\u00e7\u00e3o que ficou pronta para o disco entrou como faixa 3. Chama-se &#8220;Aproveite&#8221;. \u00c9 uma can\u00e7\u00e3o que entrou aos 54 do segundo tempo (risos). Originalmente, seria uma can\u00e7\u00e3o chamada &#8220;Ela&#8221;, mas eu e Matheus n\u00e3o conseguimos finalizar. Essa foi uma can\u00e7\u00e3o que deu muito trabalho e que a gente mudou mil vezes. Nunca conseguimos ficar satisfeitos. Sabe quando voc\u00ea fica satisfeito com um resultado? E a\u00ed eu tive a ideia de fazer uma can\u00e7\u00e3o que falasse um pouco sobre como esse mundo atual \u00e9. E principalmente como, na pandemia, muitas pessoas reclamavam muito. Era uma \u00e9poca em que eu ainda tinha redes sociais. Eu sa\u00ed de redes sociais. Acho, hoje, uma grande perda de tempo e de energia. Mas como as pessoas reclamavam muito. Eu sei que \u00e9 \u00f3bvio que ningu\u00e9m nunca via se acostumar a ficar preso dentro de casa, mas \u00e9 importante, nessas horas, voc\u00ea procurar o lado positivo das coisas. E acho que tinham pessoas com uma negatividade muito grande com rela\u00e7\u00e3o a tudo e n\u00e3o sabiam aproveitar as coisas. E a\u00ed eu vim com essa frase na cabe\u00e7a: &#8220;Voc\u00ea est\u00e1 querendo muito, aproveite um pouco&#8221;. E que isso ficasse claro, tamb\u00e9m, que n\u00e3o \u00e9 uma coisa de&#8230; (pausa) sabemos que no pa\u00eds em que a gente vive tem muitas pessoas que n\u00e3o t\u00eam nada. Ent\u00e3o, n\u00f3s somos privilegiados. Somos pessoas que t\u00eam alguma coisa. E, \u00e0s vezes, eu achava que as pessoas tinham essa negatividade, entende? Ent\u00e3o, era meio que uma coisa assim, sabe? Se voc\u00ea est\u00e1 querendo muito, aproveite um pouco do que a vida pode te dar. \u00c9 uma tentativa de mensagem que&#8230; (pausa) eu e Matheus at\u00e9 brincamos na letra com isso. A parte do especial da m\u00fasica \u00e9 a gente falando: &#8220;Eu sei que \u00e9 t\u00e3o \u00f3bvio tudo que eu digo, sei que \u00e9 t\u00e3o l\u00f3gico tudo que eu digo. \u00c9 tudo t\u00e3o claro e por isso eu repito: voc\u00ea est\u00e1 pedindo muito, aproveite um pouco&#8221;. Porque \u00e9 muito l\u00f3gico, n\u00e9? \u00c0s vezes a gente tem uma tend\u00eancia a ter uma paix\u00e3o pelo fracasso. Aquela coisa do: &#8220;T\u00e1 vendo? Viu que eu disse que eu ia perder? Viu que eu disse que eu ia errar?&#8221; Temos uma certa paix\u00e3o por isso. Ent\u00e3o, eu acho que \u00e9 um pouco sobre isso. E \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o que surgiu e ela foi feita muito r\u00e1pida. Talvez seja a \u00fanica que eu me arrependa um pouco de n\u00e3o ter segurado um pouco mais. Mas foi aquela coisa. O disco j\u00e1 estava para sair, n\u00f3s est\u00e1vamos para finalizar. E saiu. Mas gosto muito do resultado final. Principalmente da letra. Eu a acho muito boa.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Aproveite\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VWyMBu7uwUU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/linktr.ee\/paz_ts\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Mais links sobre &#8220;Paz&#8221;, de Ted Sim\u00f5es<\/em><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Not\u00f3rio na cena musical de Salvador por seu dom\u00ednio da guitarra, bem como por sua declarada influ\u00eancia do britpop, Ted seguiu por um caminho diferente com \u201cPaz\u201d, que teve o \u00e1lbum \u201cLoaded\u201d como inspira\u00e7\u00e3o al\u00e9m de Billie Eilish!\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/07\/02\/entrevista-ted-simoes-lanca-paz-ep-otimista-sem-guitarras-inspirado-por-velvet-underground-e-billie-eilish\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":67414,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1110],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67408"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=67408"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67408\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":67419,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67408\/revisions\/67419"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/67414"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=67408"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=67408"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=67408"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}