{"id":6740,"date":"2010-12-23T09:25:52","date_gmt":"2010-12-23T11:25:52","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=6740"},"modified":"2021-08-17T01:16:10","modified_gmt":"2021-08-17T04:16:10","slug":"festival-rolla-pedra-em-brasilia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/12\/23\/festival-rolla-pedra-em-brasilia\/","title":{"rendered":"Festival Rolla Pedra, em Bras\u00edlia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-6744\" title=\"rolla_pedra11\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/rolla_pedra11.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/tiagoagostini\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tiago Agostini<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos anos 80 e 90, Bras\u00edlia se acostumou a ser ber\u00e7o das maiores bandas de rock do Brasil. Primeiro foi a Turma da Colina, de onde, entre Capital Inicial e Plebe Rude, surgiu a indiscut\u00edvel maior banda de todos os tempos: Legi\u00e3o Urbana. J\u00e1 nos 90 a cidade teve bons momentos com o Natiruts e, v\u00e1 l\u00e1, o Maskavo, mas quem deu as cartas mesmo foram os Raimundos, dando voz a toda mal\u00edcia adolescente em forma de punk\/hardcore do bom. Para comemorar os 50 anos da cidade, festejando e relembrando esta hist\u00f3ria, o festival Rolla Pedra, entre os dias 10 e 12 de dezembro, apresentou uma programa\u00e7\u00e3o majoritariamente de bandas de Bras\u00edlia, com 50 shows em tr\u00eas dias, de gra\u00e7a e na Esplanada dos Minist\u00e9rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro dia ficou restrito ao metal e hardcore. Muito barulho, poucas ideias. O grande destaque foi o Galinha Preta, uma das bandas mais divertidas do Pa\u00eds. Com um som r\u00e1pido e urgente, letras simples e engra\u00e7adas e a performance genial do vocalista Frango, tivesse um pouco mais de ambi\u00e7\u00e3o e a banda seria grande. Ap\u00f3s o Galinha, a programa\u00e7\u00e3o anunciava uma \u00f3pera metal. Logo, o show intimista do paulistano Thiago Pethit em um bar pr\u00f3ximo parecia mais atraente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez tenham sido as seis horas de distor\u00e7\u00e3o e barulho anteriores, mas acompanhado apenas de teclado e um eventual acordeom, o som meio cabar\u00e9 do paulistano soou bem, principalmente nas letras em portugu\u00eas de versos curtos como &#8220;N\u00e3o Se V\u00e1&#8221; e &#8220;Fuga N\u00ba1&#8221;. Pethit, no entanto, h\u00e1 de cuidar da produ\u00e7\u00e3o de seus discos. Sentado sozinho ao piano, cantando uma vers\u00e3o de &#8220;Bad Romance&#8221;, de Lady Gaga, a compara\u00e7\u00e3o com a diva pop foi inevit\u00e1vel: os dois possuem boas can\u00e7\u00f5es que se perdem entre os efeitos de est\u00fadio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo dia foi o mais esquizofr\u00eanico da programa\u00e7\u00e3o. Bandas como Watson e Su\u00edte Super Luxo mereciam mais sorte: fizeram bons shows para um p\u00fablico diminuto e disperso, que s\u00f3 foi se aglomerar em frente ao palco quando as guitarras distorcidas do Trampa e do Etno soaram. N\u00e3o que as duas, com seu pastiche de Rage Against The Machine, merececem a ova\u00e7\u00e3o. Antes da atra\u00e7\u00e3o principal, o M\u00f3veis Coloniais de Acaju, o Camarones Orquestra Guitarr\u00edstica mostrou seu surf-rock competente e contagiante e a cantora local Ellen Ol\u00e9ria impressionou com uma pot\u00eancia e afina\u00e7\u00e3o dif\u00edceis de achar por a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a\u00ed o M\u00f3veis entrou no palco para lan\u00e7ar seu primeiro DVD, gravado ao vivo no Audit\u00f3rio Ibirapuera. Se a Legi\u00e3o foi a cara da Bras\u00edlia dos anos 80 e o Raimundos dos 90, o M\u00f3veis personificou a primeira d\u00e9cada dos anos 2000 na cidade. Com seu show sempre en\u00e9rgico e envolvente, a banda comandou uma plateia que n\u00e3o deixou o clima esfriar nenhum minuto. \u00c9 dif\u00edcil n\u00e3o esbarrar nos clich\u00eas para falar de um show do M\u00f3veis: o carisma e a entrega da banda no palco n\u00e3o tem pares no rock brasileiro, a constante movimenta\u00e7\u00e3o dos m\u00fasicos contagia, a participa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico em todo o show impressiona. Adjetivos como apote\u00f3tico n\u00e3o s\u00e3o deslocados ou superlativos. O M\u00f3veis tem o melhor show do Brasil, e isso n\u00e3o \u00e9 novidade h\u00e1 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para encerrar o festival, a programa\u00e7\u00e3o de domingo foi a mais equilibrada, reunindo bandas mais pop e revivendo her\u00f3is do rock local. Os destaques ficaram por conta de Pedrinho Grana e Os Trocados, com uma sonoridade que resvala no rock ga\u00facho, e Os Gramofocas, com um punk honesto. Pequenas decep\u00e7\u00f5es para o Sapatos Bicolores:  eles at\u00e9 tem um bom show, mas a performance vocal do guitarrista Andr\u00e9 atrapalha; e com o Lucy And The Popsonics, que n\u00e3o consegue transpor para o palco seu rock eletr\u00f4nico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O rel\u00f3gio marcava quase 21h30 quando o Little Quail And The Mad Birds subiu ao palco escudado por umas 20 pessoas no coro de abertura com &#8220;1, 2, 3, 4&#8221;. Em pouco mais de uma hora, Gabriel Thomaz, Z\u00e9 Ovo e Bacalhau relembraram os divertidos anos 90 e deixaram a d\u00favida de por que, mesmo com disco lan\u00e7ado pelo Banguela, a banda n\u00e3o vingou no cen\u00e1rio nacional. O p\u00fablico, extasiado com hits-punk-indies como &#8220;Fam\u00edlia Que Briga Unida Permanece Unida&#8221;, &#8220;Aquela&#8221; e &#8220;Galera do Fund\u00e3o&#8221;, n\u00e3o deu bola se aquilo era pura nostalgia e pediu um bis acalorado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Teria sido melhor acabar o festival por ali. Como \u00faltima apresenta\u00e7\u00e3o, um desfigurado Plebe Rude fez um show modorrento e arrastado. Nem mesmo o bis, com &#8220;At\u00e9 Quando Esperar&#8221;, elevou a qualidade da performance \u2013 embora o p\u00fablico n\u00e3o tenha arredado p\u00e9 do local. O Rolla Pedra terminava com uma at\u00e9 bonita homenagem \u00e0 hist\u00f3ria, mas o festival mostrou que Bras\u00edlia n\u00e3o precisa reverenciar apenas os her\u00f3is do passado, j\u00e1 que a cena atual \u00e9 prol\u00edfica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Propondo-se a tra\u00e7ar um panorama do atual cen\u00e1rio de Bras\u00edlia, com localiza\u00e7\u00e3o central e privilegiada, ao lado da rodovi\u00e1ria e do Teatro Nacional, em uma cidade onde um carro \u00e9 quase item obrigat\u00f3rio de sobreviv\u00eancia, o festival pecou principalmente pelo grande n\u00famero de bandas. Tudo bem que cada uma das 50 bandas representava um ano da cidade, mas aguentar 18 shows em um s\u00f3 dia, como no s\u00e1bado, \u00e9 tarefa herc\u00falea. E perde-se o foco. Fato curioso: nos bastidores circulava a hist\u00f3ria de que Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonf\u00e1 chegaram a ser cogitados como atra\u00e7\u00e3o de encerramento do festival. O Rolla Pedra teria ficado pequeno para tanto choro.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-6743 aligncenter\" title=\"rolla_pedra3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/rolla_pedra3.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"405\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/rolla_pedra3.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/rolla_pedra3-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p>*******<\/p>\n<p>&#8211; Tiago Agostini \u00e9 jornalista e assina o blog <a href=\"http:\/\/baladadolouco.wordpress.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A Balada do Louco.<\/a> Fotos de Naiane Martins (<a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/57052175@N04\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">flickr<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Tiago Agostini\n50 bandas em tr\u00eas dias \u00e9 tarefa herc\u00falea, mas conferimos in loco a nova safra musical da cidade de L\u00facio Costa e Oscar Niemeyer.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/12\/23\/festival-rolla-pedra-em-brasilia\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":104,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6740"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6740"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6740\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":61999,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6740\/revisions\/61999"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6740"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6740"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6740"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}