{"id":67294,"date":"2022-06-25T01:47:44","date_gmt":"2022-06-25T04:47:44","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=67294"},"modified":"2026-02-21T00:04:24","modified_gmt":"2026-02-21T03:04:24","slug":"especial-os-10-filmes-de-wong-kar-wai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/06\/25\/especial-os-10-filmes-de-wong-kar-wai\/","title":{"rendered":"Especial: Os 10 filmes de Wong Kar-Wai"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">De 10 em 10 anos, desde 1952, a equipe da revista brit\u00e2nica de cinema Sight &amp; Sound convida um vast\u00edssimo n\u00famero de cr\u00edticos e cineastas buscando elencar os melhores filmes de todos os tempos e os melhores diretores. Na sexta enquete, em 2002, por\u00e9m, os cr\u00edticos acreditavam que algum novo filme (dos anos 90!) fosse surgir e derrubar os favoritos que se repetiram nas cinco d\u00e9cadas anteriores, e ficaram (negativamente) surpresos com a perpetua\u00e7\u00e3o dos c\u00e2nones no Top 100.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Incomodados com a repeti\u00e7\u00e3o da lista, d\u00e9cada a d\u00e9cada, decidiram fazer uma pequena enquete &#8220;r\u00e1pida&#8221; apenas com 50 cr\u00edticos locais pedindo os melhores filmes dos \u201c\u00faltimos 25 anos\u201d (entre 1976 e 2001). <a href=\"http:\/\/old.bfi.org.uk\/sightandsound\/feature\/63\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Essa lista despretensiosa<\/a> surgiu com \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/12\/23\/blog-do-editor-cinco-monologos-classicos-do-cinema\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Apocalipse Now<\/a>\u201d, de Francis Coppola, em 1\u00ba lugar; \u201cTouro Indom\u00e1vel\u201d e \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/06\/04\/esse-voce-precisa-ver-goodfellas-de-martin-scorsese\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Os Bons Companheiros<\/a>\u201d, de Martin Scorsese em 2\u00ba e 4\u00b0 lugares; \u201cFanny e Alexander\u201d, de Ingmar Bergman, em 3\u00ba e \u201cVeludo Azul\u201d, de David Lynch, fechando o Top 5.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Top 10, por\u00e9m, um filme noventista chamava a aten\u00e7\u00e3o: \u201cChungking Express\u201d, de Wong Kar-Wai, diretor chin\u00eas nascido em Hong Kong, beliscou a 8\u00aa coloca\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o s\u00f3: na lista de melhores diretores daquele per\u00edodo (1976\/2001), Kar-Wai apareceu em 3\u00ba lugar atr\u00e1s apenas do polon\u00eas Krzysztof Kieslowski (da \u201c<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2013\/04\/24\/trilogia-das-cores-de-kieslowski\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Trilogia das Cores<\/a>\u201d) e de&#8230; Scorsese em primeiro (ap\u00f3s o diretor chin\u00eas a lista trazia Abbas Kiarostami, Michael Mann, David Lynch, Pedro Almod\u00f3var, Francis Ford Coppola, Spike Lee e Ingmar Bergman).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa pequena vota\u00e7\u00e3o sacudiu a pr\u00f3xima enquete, de 2012, <a href=\"https:\/\/www2.bfi.org.uk\/films-tv-people\/sightandsoundpoll2012\/critics\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">e ainda que os 846 votantes tenham<\/a>, enfim, destronado \u201cCidad\u00e3o Kane\u201d ap\u00f3s cinco d\u00e9cadas colocando \u201cUm Corpo Que Ca\u00ed\u201d no topo, a surpresa foi a presen\u00e7a de um filme do ano 2000 na 24\u00aa coloca\u00e7\u00e3o de todos os tempos: \u201cAmor \u00e0 Flor da Pele\u201d, de Wong Kar-Wai, era um dos \u00fanicos tr\u00eas filmes do novo s\u00e9culo entre os 100 mais (\u201cMulholland Drive\u201d, de David Lynch, surgiu em 28\u00ba e \u201cYY\u201d, de Edward Yang, em 93\u00ba).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O reconhecimento do cinema de Wong Kar-Wai foi merecid\u00edssimo e surpreendeu apenas quem estava desatento. Se \u201cConflito Mortal\u201d, sua estreia de 1988, era \u201c(quase que) s\u00f3 mais um filme de m\u00e1fia\u201d para as massas chinesas (que compareceram em peso aos cinemas), a partir de \u201cDias Selvagens\u201d, seu segundo filme, de 1990, o diretor levanta a bandeira da autoralidade e abra\u00e7a os espa\u00e7os vazios fazendo deles sua morada, local em que depositar\u00e1 toda sua f\u00e9 nos desencontros rom\u00e2nticos e em trilhas sonoras espertas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, como j\u00e1 disse outro, se o dem\u00f4nio quiser, todo Mick Jagger encontrar\u00e1 seu Keith Richards, e o desejo aqui foi realizado novamente: o cinema de Wong Kar-Wai muito provavelmente teria sido outro n\u00e3o fosse o encontro com o australiano Christopher Doyle (<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=U5royqnQXEw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui numa conversa com Anthony Bourdain<\/a>), que fotografou sete dos dez filmes do diretor (tendo sido influ\u00eancia decisiva para os dois \u00faltimos) criando toda uma aura imag\u00e9tica do que se entende e se espera do cinema colaborativo dos dois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abaixo voc\u00ea tem breves relatos sobre cada um dos dez filmes de Wong Kar-Wai, todos lan\u00e7ados em m\u00eddia f\u00edsica no Brasil (DVD) e, alguns, dispon\u00edveis em streaming. Tamb\u00e9m saber\u00e1 sobre alguns de seus curtas e sobre sua aproxima\u00e7\u00e3o com o mercado publicit\u00e1rio em cinco pe\u00e7as criadas entre 2001 e 2021 que vampirizam at\u00e9 a alma a imag\u00e9tica karwaiana. Sobretudo adentrar\u00e1 o universo de um diretor classudo, rom\u00e2ntico, sofrido e encantador. Esteje pronto. Com voc\u00ea, Wong Kar-Wai.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-67299\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/conflitomortal1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"310\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/conflitomortal1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/conflitomortal1-300x124.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo chin\u00eas: Wong gok ka moon (1988)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo ingl\u00eas: As Tears Go By<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo no Brasil: Conflito Mortal<\/strong><br \/>\nFilme de estreia de Wong Kar-Wai na dire\u00e7\u00e3o, \u201cConflito Mortal\u201d (o pouco apropriado t\u00edtulo nacional foca na viol\u00eancia sem prestar aten\u00e7\u00e3o ao romance) \u00e9 o resultado de anos de trabalho de Kar-Wai no cinema local. Entre 1982 e 1987, ele colaborou em 12 roteiros da pujante ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica de Hong Kong (n\u00fameros oficiais, pois extraoficialmente o pr\u00f3prio Kar-Wai diz que chegou a trabalhar em mais de 50 filmes) e, assim que teve uma chance, agarrou a oportunidade de fazer seu primeiro filme. Inspirado em \u201cCaminhos Perigosos\u201d (1973), de Martin Scorsese, Wong Kar-Wai assina o roteiro de \u201cConflito Mortal\u201d ao lado de Jeffrey Lau focando na hist\u00f3ria de um mafioso cobrador de d\u00edvidas (Andy Lau) que se apaixona pela prima (Maggie Cheung, vice Miss Hong Kong 1983 e presen\u00e7a marcante em diversos filmes do cineasta) ao mesmo tempo em que, frequentemente, tem que salvar a pele de um amigo (Jacky Cheung) que causa problemas pedindo dinheiro emprestado que n\u00e3o pode pagar.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"As Tears Go By - HD Trailer\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uFqXPixO7Tc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa estrutura j\u00e1 entrega o rumo da hist\u00f3ria (um homem dividido entre seu trabalho violento e o amor de sua vida), mas \u00e9 interessante perceber o apre\u00e7o por cores fortes (a fotografia de Andrew Lau ser\u00e1 levada ao extremo em filmes posteriores, quando Chris Doyle assumir a posi\u00e7\u00e3o) e por breves interl\u00fadios rom\u00e2nticos que antecedem o caos. A edi\u00e7\u00e3o vacila em alguns momentos, mas isso n\u00e3o impediu que \u201cConflito Mortal\u201d fizesse um enorme sucesso no circuito local de Hong Kong, e, a despeito de v\u00e1rios filmes posteriores de Kar-Wai terem conquistado o mundo, fosse o filme mais lucrativo do cineasta em Hong Kong at\u00e9 o lan\u00e7amento de \u201cO Grande Mestre\u201d, seu filme derradeiro, em 2013. Na trilha sonora, destaque para &#8220;Take My Breath Away&#8221; em vers\u00e3o da chinesa Sandy Lam. \u201cConflito Mortal&#8221; recebeu nove indica\u00e7\u00f5es ao Hong Kong Film Awards, que premiou apenas Jacky Cheung como Melhor Ator Coadjuvante e a dire\u00e7\u00e3o de arte de William Chang. Apesar do reconhecimento, a principal fun\u00e7\u00e3o dessa estreia \u00e9, sem d\u00favida, abrir as portas do cinema local para o cineasta. E com a chave nas m\u00e3os, Wong Kar-Wai n\u00e3o iria desperdi\u00e7ar a chance.<\/p>\n<hr>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/selvagens.jpg\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo chin\u00eas: Ah Fei Zing Zyun (1990)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo ingl\u00eas: Days of Being Wild<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo no Brasil: Dias Selvagens<\/strong><br \/>\n\u201cDias Selvagens\u201d \u00e9 o segundo registro de Wong Kar-Wai e primeiro filme autoral de uma trilogia involunt\u00e1ria de cora\u00e7\u00f5es partidos que s\u00f3 seria completa com \u201c2046\u201d, 14 anos depois. Em entrevistas posteriores, Kar-Wai diria que \u201co amor \u00e9 uma doen\u00e7a cujos efeitos destrutivos se mant\u00eam a longo prazo\u201d, e esta defini\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser acompanhada pelo espectador, que ir\u00e1 vislumbrar o drama de Su Lizhen (Maggie Cheung), uma garota t\u00edmida que \u00e9 seduzida por Yuddi (Leslie Cheung) numa das cenas definidoras do cinema de Kar-Wai, logo a primeira do filme, em que o rapaz (inspirado no livro \u201cBoquinhas Pintadas\u201d, do argentino Manuel Puig5) provoca a mo\u00e7a dizendo que ela se lembrar\u00e1 sempre do minuto em que eles se conheceram (e, seduzida, ela se apaixonou por ele). O filme se passa em 1960 e Yuddi, filho adotado de uma mulher rica, s\u00f3 quer saber de encontrar sua m\u00e3e verdadeira, e essa obsess\u00e3o ir\u00e1 vitimar todas as mulheres que passarem por seu caminho, Su Lizhen inclusa.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Days of Being Wild (1990) - Trailer\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zSgnpdqTUcg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desorientada com o fim, Su Lizhen passar\u00e1 noites e noites em claro, algumas acompanhando a ronda do policial 6117 (Andy Lau) por uma Hong Kong fantasma e chuvosa \u2013 de confidente, 6117 passar\u00e1 ao posto de apaixonado, e o amor irrealizado o acompanhar\u00e1 dai em diante. E h\u00e1 ainda Lulu\/Mimi, outro personagem destinado a experimentar a imperfei\u00e7\u00e3o do amor. Primeira parceria do fot\u00f3grafo Christopher Doyle com Kar-Wai, \u201cDias Selvagens\u201d \u00e9 estiloso em sua cor esverdeada, em seus \u00e2ngulos incomuns e em seus detalhes po\u00e9ticos, e bel\u00edssimo em sua narrativa sobre amores irrealizados. Na trilha, destaque para &#8220;Perf\u00eddia&#8221; na vers\u00e3o de Xavier Cugat And His Orchestra. Nada disso, por\u00e9m, salvou o filme do fracasso comercial (h\u00e1 uma lenda que diz que esta foi uma das produ\u00e7\u00f5es mais caras da ind\u00fastria de Hong Kong), o que fez com que o cineasta abandonasse a ideia da sequ\u00eancia sugerida na cena final, totalmente desconectada da hist\u00f3ria, mas conectada com o que viria a ser \u201cAmor \u00e0 Flor da Pele\u201d: um jogador de cartas (Tony Leung Chiu-wai) se prepara cuidadosamente para sair de casa. Ele s\u00f3 reapareceria 10 anos depois\u2026 \u201cDias Selvagens\u201d recebeu 10 indica\u00e7\u00f5es no Hong Kong Film Awards e ganhou cinco: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Leslie Cheung), Melhor Fotografia (Christopher Doyle) e Melhor Dire\u00e7\u00e3o de Arte (William Chang). Mais: numa vota\u00e7\u00e3o da premia\u00e7\u00e3o, 14 anos depois, apareceu numa surpreendente posi\u00e7\u00e3o de 3\u00ba lugar num Top 100 de todos os tempos do cinema chines (Kar-Wai cravaria seis filmes na lista)!<\/p>\n<hr>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/cinzas.jpg\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo chin\u00eas: Dung Che Sai Duk (1994)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo ingl\u00eas: Ashes of Time<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo no Brasil: Cinzas do Passado<\/strong><br \/>\nAp\u00f3s estrear com o filme policial \u201cConflito Mortal\u201d em 1988, que fez sucesso no circuito local de Hong Kong, e chamar a aten\u00e7\u00e3o da cr\u00edtica internacional com seu segundo longa, o excelente \u201cDias Selvagens\u201d (1990), o cineasta chin\u00eas montou uma produtora para filmar este \u00e9pico wuxia no deserto de Gobi com roteiro inspirado na famosa obra \u201cThe Legend of the Condor Heroes\u201d. A produ\u00e7\u00e3o megal\u00f4mana come\u00e7ou em 1992 e em 1994, endividado e com o filme n\u00e3o conclu\u00eddo, Kar-Wai escreveu, dirigiu, produziu e lan\u00e7ou um filme de baixo or\u00e7amento (o deliciosamente \u00e1gil \u201cAmores Expressos\u201d) que saiu em julho enquanto \u201cCinzas do Passado\u201d s\u00f3 estreou em setembro \u2013 no final de 1993, para levantar grana, ele j\u00e1 havia usado o elenco inteiro na produ\u00e7\u00e3o de uma par\u00f3dia c\u00f4mica de \u201cCinzas do Passado\u201d dirigida por Jeffrey Lau. O resultado final \u00e9 um filme at\u00edpico do que se espera de Kar-Wai, afinal \u00e9 um \u00e9pico wuxia, g\u00eanero que mistura fantasia e artes marciais e que o Ocidente p\u00f4de se aproximar em \u201cO Tigre e o Drag\u00e3o\u201d (2000), de Ang Lee, e \u201cO Cl\u00e3 das Adagas Voadoras\u201d (2004), de Zhang Yimou, mas que pouca rela\u00e7\u00e3o tem com os desencontros amorosos em solit\u00e1rios espa\u00e7os urbanos vistos no cinema tradicional do cineasta.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Cinzas do Passado Redux (2009) Trailer Oficial Legendado\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/GNH4q2KlOyU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCinzas do Passado\u201d se passa na China antiga e \u00e9 sobre perdedores do amor\u2026 numa \u00e9poca medieval. O filme \u00e9 dividido em cinco atos e Kar-Wai provoca ao colocar como protagonista (e humanizar) Ouyang Feng, que no livro \u00e9 um antagonista cruel e odiado, e aqui, mesmo mantendo sua frieza e crueldade, exibe um cora\u00e7\u00e3o partido. Na quinta hist\u00f3ria, algu\u00e9m comenta: \u201cSe o amor \u00e9 uma competi\u00e7\u00e3o, fui um perdedor desde o in\u00edcio\u201d, no que a mulher que partiu o cora\u00e7\u00e3o de Ouyang Feng comenta: \u201cSempre me achei vencedora, mas olhei no espelho e vi uma perdedora\u201d. Infeliz, ela adoece. N\u00e3o espere felicidade. N\u00e3o h\u00e1. Mas h\u00e1 um grande filme \u00e9pico romanticamente tr\u00e1gico aonde \u00e9 poss\u00edvel encontrar os perdedores de Kar-Wai entre passagens incr\u00edveis de fotografia que renderam a Christopher Doyle o pr\u00eamio no Festival de Veneza (o trabalho de Chris tamb\u00e9m foi reconhecido no Golden Horse Awards e no Hong Kong Film Awards \u2013 neste \u00faltimo, o filme ganhou tr\u00eas das nove categorias a que fora indicado). Insatisfeito com o resultado final de \u201cCinzas do Passado\u201d desde seu lan\u00e7amento em 1994, Wong Kar-Wai resolveu reeditar o filme e, ap\u00f3s encontrar os negativos originais deteriorados em 1998, saiu em busca por c\u00f3pias em salas da China e no exterior. Depois de conseguir encontrar alguns rolos, ele passou cinco anos entre restaurar, corrigir a cor e remontar o filme, que foi relan\u00e7ado como \u201cCinzas do Passado \u2013 Redux\u201d em 2008, com sete minutos a menos (93 minutos contra os 100 do primeiro lan\u00e7amento).<\/p>\n<hr>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-67300\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/amores1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"310\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/amores1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/amores1-300x124.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo chin\u00eas: Chung Hing Sam Lam (1994)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo ingl\u00eas: Chungking Express<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo no Brasil: Amores Expressos<\/strong><br \/>\nA produ\u00e7\u00e3o de \u201cCinzas do Passado\u201d foi t\u00e3o custosa e longa que, nos intervalos, Wong Kar-Wai escreveu, finalizou e lan\u00e7ou este filme (antes!). No total, ele gastou tr\u00eas meses para terminar \u201cAmores Expressos\u201d, que era centrado em tr\u00eas hist\u00f3rias, mas apenas as duas primeiras foram filmadas (a terceira render\u00e1 o filme seguinte do cineasta). Trata-se de um Wong Kar-Wai cl\u00e1ssico com edi\u00e7\u00e3o a l\u00e1 videoclipe, cortes fren\u00e9ticos, filtros e \u00e2ngulos estranhos, romances incertos, chuva constante, Hong Kong, c\u00e2meras lentas e, claro, cores fortes. \u201cAmores Expressos\u201d conta a hist\u00f3ria de dois policiais, o 223 e o 663. O primeiro logo no in\u00edcio promete: \u201cMe apaixonarei por ela dentro de 57 horas\u201d. Ela, no caso, \u00e9 uma traficante jurada de morte que acabou de esbarrar nele numa fuga (Brigitte Lin, que tamb\u00e9m est\u00e1 em \u201cCinzas do Passado\u201d). 223 n\u00e3o sabe que ela \u00e9 criminosa e quer se apaixonar para esquecer May, que terminou com ele num 01 de abril (\u201cAchei que fosse mentira\u201d, ele dir\u00e1) \u2013 o espectador suspeitar\u00e1 que ela nem existe. Para esquec\u00ea-la, 223 acumula potes de abacaxi com vencimento em 01 de maio (ele quer esquec\u00ea-la em 30 dias, e comer\u00e1 todos os potes na data) e se apaixona fugazmente.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"CHUNGKING EXPRESS 4K | Official Trailer (English)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OPCug9jyG9k?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Menos nonsese, a hist\u00f3ria do sonhador 663 (interpretado por Tony Leung, o ator favorito de Wong Kar-Wai, que est\u00e1 em 7 de seus 10 longas) o flagra sendo abandonado por uma bela aeromo\u00e7a. Ele at\u00e9 tenta seduzir Faye (a cantora Faye Wong, que voltar\u00e1 a colaborar com Kar-Wai em \u201c2046\u201d), uma jovem atendente de lanchonete, mas desiste, e passa o tempo desejando que a ex volte. Ent\u00e3o a ex, sabendo que ele \u00e9 cliente da lanchonete, deixa com Faye uma carta de despedida com sua c\u00f3pia da chave, que Faye toma para si e come\u00e7a a visitar o apartamento do policial quando ele est\u00e1 no trabalho, visando redecorar o ambiente tirando tudo que remeta a ex, e colocando coisas suas. O final (de um filme urgente e delicioso) ser\u00e1 um dos raramente felizes no cinema de Kar-Wai. \u201cAmores Expressos\u201d foi indicado em 11 categorias do Hong Kong Film Awards e ganhou quatro (concorrendo, inclusive, contra \u201cCinzas do Tempo\u201d, que levou tr\u00eas pr\u00eamios): Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Tony Leung, que tamb\u00e9m levou o Golden Horse Awards) e Melhor Edi\u00e7\u00e3o. Duas curiosidades: a trilha sonora (que tem &#8220;California Dreamin'&#8221; na vers\u00e3o original do The Mamas and the Papas) foi respons\u00e1vel por apresentar o dream pop ao p\u00fablico chin\u00eas \u2013 Cocteau Twins virou febre na cena local devido a &#8220;Bluebeard&#8221;, vertida para &#8220;Know Oneself and Each Other&#8221; e cantada por Faye Wong (ela tamb\u00e9m canta uma vers\u00e3o de &#8220;Dreams&#8221;, do Cranberries&nbsp;\u2013 e quem distribuiu o filme nos EUA foi a empresa de Quentin Tarantino, admirador de Kar-Wai.<\/p>\n<hr>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/anjos.jpg\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo chin\u00eas: Do Lok Tin Si (1995)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo ingl\u00eas: Fallen Angels<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo no Brasil: Anjos Ca\u00eddos<\/strong><br \/>\nHist\u00f3ria escrita inicialmente para fazer parte de \u201cAmores Expressos\u201d, mas cortada durante a produ\u00e7\u00e3o para n\u00e3o alongar demais o filme, \u201cAnjos Ca\u00eddos\u201d mant\u00e9m as caracter\u00edsticas principais de forma exibidas na produ\u00e7\u00e3o anterior, mas tamb\u00e9m explora tonalidades (de cores e edi\u00e7\u00e3o) que ser\u00e3o utilizadas e ampliadas em \u201cAmor \u00e0 Flor da Pele\u201d (2000). A liga\u00e7\u00e3o com o filme anterior \u00e9 direta j\u00e1 que o ator Takeshi Kaneshiro, que interpreta o policial 223 em \u201cAmores Expressos\u201d, retorna aqui em uma das duas hist\u00f3rias do filme como He Zhiwu, um ex-policial que ficou mudo ao comer um abacaxi enlatado que passou da validade, e se tornou um delinquente vivendo de bicos ilegais (conex\u00e3o niilista que ditar\u00e1 o tom contrastante entre as duas obras). Ele vive na Chungking Mansions, habita\u00e7\u00e3o real conhecida como a mais barata de Hong Kong, e se apaixona por Charlie (Charlie Young, que tamb\u00e9m est\u00e1 em \u201cCinzas do Passado\u201d), uma garota que vive um turbulento fim de relacionamento. Juntos eles atravessam noites enquanto ela lamenta o amor perdido, e ele aguarda uma chance. Nos intervalos, He Zhiwu toma sorvete com o pai, que est\u00e1 nas \u00faltimas. Na outra hist\u00f3ria, um matador profissional (que tamb\u00e9m vive na Chungking Mansions) chamado Wong Chi-ming (o ator e cantor Leon Lai) est\u00e1 querendo se aposentar, mas sua agente (a atriz e ex-miss Michelle Reis) n\u00e3o est\u00e1 muito confort\u00e1vel com a situa\u00e7\u00e3o, e planeja vingan\u00e7a.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"FALLEN ANGELS 4K | Official Trailer\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uxaT19BlH0M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 humor, tiroteio (com molho de tomate respingando na tela), persegui\u00e7\u00e3o, tens\u00e3o e muito mais drama e desespero nestas duas hist\u00f3rias do que em todo o filme anterior, o que sugere acertada a divis\u00e3o da trama em dois filmes, concedendo leveza a \u201cAmores Expressos\u201d e impacto a \u201cAnjos Ca\u00eddos\u201d, uma obra que flagra quatro almas abandonadas vagando por uma Hong Kong tempestuosa enquanto, entorpecidos por uma felicidade artificial, fugaz e insatisfat\u00f3ria, aguardam o final de uma exist\u00eancia inexistente. Kar-Wai, por\u00e9m, preferia ter filme um filme s\u00f3: &#8220;Para mim, &#8216;Chungking Express&#8217; e &#8216;Fallen Angels&#8217; s\u00e3o um filme que deveria ter tr\u00eas horas de dura\u00e7\u00e3o. Sempre achei que esses dois filmes deveriam ser vistos juntos. Os personagens principais s\u00e3o a pr\u00f3pria cidade, a noite e o dia de Hong Kong. &#8216;Chungking Express&#8217; e &#8216;Fallen Angels&#8217; juntos s\u00e3o o brilhante e o escuro de Hong Kong&#8221;, definiu o diretor posteriormente. Na trilha sonora, Marianne Faithfull, Laurie Anderson e Massive Attack al\u00e9m de &#8220;Forget Him&#8221;, de Teresa Teng, vertida para &#8220;Wang Ji Ta&#8221; e cantada por Shirley Kwan. \u201cAnjos Ca\u00eddos\u201d recebeu nove indica\u00e7\u00f5es no Hong Kong Film Awards e levou tr\u00eas: Melhor Atriz Coadjuvante (Karen Mok), Melhor Fotografia (Chris Doyle) e Melhor Trilha Sonora.<\/p>\n<hr>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-67301\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/happy.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"310\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/happy.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/happy-300x124.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo chin\u00eas: Chun gwong cha sit (1997)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo ingl\u00eas: Happy Together<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo no Brasil: Felizes Juntos<\/strong><br \/>\nO sexto filme de Wong Kar-Wai se mant\u00e9m firme tanto na est\u00e9tica audiovisual quanto no desejo de registrar amores fracassados, mas traz mudan\u00e7as. A primeira \u00e9 de cidade: sai Hong Kong e entra Buenos Aires. A segunda \u00e9 de g\u00eanero com os casais heterossexuais deixando espa\u00e7o para um casal gay inspirado traduzindo que os desastres do amor est\u00e3o a\u00ed para tudo e todos. Ho Po-Wing (Tony Leungg) e Lai Yiu-Fai (Tony Leung) vivem um romance t\u00f3xico marcado por frequentes separa\u00e7\u00f5es e reconcilia\u00e7\u00f5es. Num dos momentos felizes, eles viajam para a Argentina, brigam na tentativa de conhecer as Cataratas do Igua\u00e7u e se separam. Sem grana, Lai vai trabalhar como porteiro em um bar de tango enquanto Ho se prostitui. Para tentar saldar uma d\u00edvida com Lai, Ho rouba um homem e leva uma surra. Todo arrebentado, \u00e9 abrigado por Lai em sua casa na \u00e1rea mais barra pesada do bairro de La Boca. Lai perdeu o emprego no bar de tango ap\u00f3s bater no homem que espancou Ho e, a partir da\u00ed, o casal entra num jogo passional de for\u00e7as: Ho tenta seduzir Lai, que resiste, mas o quer sobre seu controle, o que deixa Ho transtornado.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"HAPPY TOGETHER 4K | Official Trailer (English)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5VPvFaAWX9U?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paralelamente, uma terceira pessoa surge na trama: o taiwan\u00eas Chang (Chen Chang), que trabalha no mesmo restaurante chin\u00eas que Lai, causando um ci\u00fame doentio em Ho \u2013 o romance come\u00e7a a se estilha\u00e7ar quando cada um quer saber da vida sexual do outro nos rompimentos do relacionamento, trag\u00e9dia cl\u00e1ssica de qualquer hist\u00f3ria de amor \u2013 que decide deixar o apartamento. O trecho final (ainda que levemente feliz) \u00e9 puro Kar-Wai, com os desencontros do amor estampados na tela. O cineasta ganhou o pr\u00eamio de Melhor Diretor em Cannes, Chris Doyle o de Melhor Fotografia no Golden Horse Awards (a maior premia\u00e7\u00e3o do cinema chin\u00eas) e Tony Leung (que atua em cinco dos dez filmes de Kar-Wai) o de Melhor Ator no Hong Kong Film Awards. A trilha traz Caetano cantando \u201cCucurucucu Paloma\u201d cinco anos antes de \u201cFale com Ela\u201d, de Almodovar, a cl\u00e1ssica can\u00e7\u00e3o do Turtles que inspira o t\u00edtulo em ingl\u00eas numa vers\u00e3o de Danny Chung, muito Astor Piazolla e &#8220;Chunga&#8217;s Revenge&#8221;, de Frank Zappa, norteando o romance. Ainda que fechado em sua hist\u00f3ria e brilhante nos detalhes, \u201cFelizes Juntos\u201d soa (assim como o filme anterior) como um estudo de luzes e cenas para \u201cAmor \u00e0 Flor da Pele\u201d (que ver\u00e1 reconstru\u00edda a cena do taxi), como se Kar-Wai precisasse ter caminhado tudo que caminhou no cinema para construir sua obra prima: o pr\u00f3ximo filme.<\/p>\n<hr>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-67302\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/amoraflor.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"310\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/amoraflor.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/amoraflor-300x124.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo chin\u00eas: Fa Yeung Nin Wa (2000)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo ingl\u00eas: In the Mood for Love<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo no Brasil: Amor \u00e0 Flor da Pele<\/strong><br \/>\nEm 1997, Wong Kar-Wai estava divulgando \u201cHappy Together\u201d em Paris, e foi jantar com a atriz Maggie Cheung, com quem n\u00e3o trabalhava desde \u201cCinzas do Passado\u201d. No jantar, Maggie comentou que queria voltar a trabalhar com o cineasta, no que ele prop\u00f4s a ideia de tr\u00eas curtas cujo mote central seria comida e teria ela ao lado de seu ator favorito, Tony Leung, em cena. Nascia o projeto \u201cThree Stories About Food\u201d, cuja ideia era ter tr\u00eas hist\u00f3rias que descrevessem como a comida afeta as pessoas e teriam como mote os seguintes temas: 1) Um sequestrador e a pessoa sequestrada 2) Um homem e uma mulher, vizinhos, cujos c\u00f4njuges est\u00e3o tendo um caso 3) o propriet\u00e1rio de uma lanchonete e seus clientes. Eles filmaram a \u00faltima hist\u00f3ria primeiro com Maggie e Tony Leung nos papeis que, futuramente, seriam de Norah Jones e Jude Law (e o filme viria a se chamar \u201cMy Blueberry Nights\u201d). No que come\u00e7aram a filmar a segunda hist\u00f3ria, Kar-Wai percebeu que ela tinha potencial e come\u00e7ou a acrescentar coisas e a hist\u00f3ria come\u00e7ou a ficar mais longa, o que fez com que o cineasta optasse em focar nela e esquecer a ideia da trilogia de curtas. Nascia \u201cAmor \u00e0 Flor da Pele\u201d. Dez anos separam a produ\u00e7\u00e3o de \u201cDias Selvagens\u201d de \u201cAmor \u00e0 Flor da Pele\u201d, mas na ideia de (uma nova) trilogia (n\u00e3o oficial) s\u00f3 se passaram dois: enquanto a hist\u00f3ria do primeiro filme acontece em 1960, as do segundo se iniciam em 1962, quando a secret\u00e1ria Su Lizhen (Maggie Cheung) e o jornalista Chow Mo-wan (Tony Leung) alugam c\u00f4modos de apartamentos vizinhos num bairro de Hong Kong e se mudam no mesmo dia. Ambos s\u00e3o casados e se mudaram com seus conjugues, mas o espectador nunca os ver\u00e1, porque um deles trabalha viajando muito e o outro est\u00e1 prestes a p\u00f4r fim a rela\u00e7\u00e3o. Isolados em seus pr\u00f3prios mundos (e quartos), Su e Chow trocam olhares e palavras r\u00e1pidas no corredor, mas se aproximam realmente quando ambos acreditam que seus pares est\u00e3o os traindo\u2026 juntos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"IN THE MOOD FOR LOVE 4K | Official Trailer (English)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WJj9-t2A-_o?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A aproxima\u00e7\u00e3o, de in\u00edcio, se d\u00e1 de forma banal: eles se encontram para que Su ajude Chow a escrever uma hist\u00f3ria de artes marciais. Por\u00e9m, ambos est\u00e3o vivendo na (chuvosa) Hong Kong dos anos 60, e tanto as conven\u00e7\u00f5es sociais da \u00e9poca quanto a repress\u00e3o feminina n\u00e3o permitem que eles possam ser vistos juntos constantemente. Chow, ent\u00e3o, decide alugar um quarto (de n\u00famero 2046) distante de onde eles vivem para que eles continuem se encontrando, e escrevendo as hist\u00f3rias, e se apaixonando silenciosamente. O desastre rom\u00e2ntico \u00e9 iminente, mas Wong Kar-Wai trata seus personagens com extrema delicadeza e respeito (e o filme com apaixonada sensualidade). A toda hora, Chow e Su repetem \u201cn\u00e3o seremos como eles\u201d, e Kar-Wai \u00e9 t\u00e3o sutil na verbaliza\u00e7\u00e3o da trai\u00e7\u00e3o (\u201cHoje eu n\u00e3o quero voltar pra casa\u201d, ela diz) que muitos espectadores ficam na d\u00favida se o romance foi concretizado, mas duas cenas extras do DVD (totalizando 15 minutos in\u00e9ditos) explicitam o ato: no primeiro, o espectador \u00e9 convidado ao quarto 2046, e na outra acompanha os caminhos tortuosos do \u201ccasal\u201d nos anos 70. Nas duas cenas, mais beleza\u2026 e mais dor. \u201cAmor \u00e0 Flor da Pele\u201d teve uma produ\u00e7\u00e3o complicada: foram 15 meses de filmagens e mais um tanto de produ\u00e7\u00e3o e p\u00f3s, que se estenderam tanto que Christopher Doyle, em sua sexta colabora\u00e7\u00e3o com o cineasta, teve de sair do filme sendo substitu\u00eddo por Mark Lee Ping Bin. O resultado, por\u00e9m, \u00e9 a obra prima de Wong Kar-Wai e um dos filmes l\u00edricos da hist\u00f3ria do cinema (em tema, fotografia e trilha) sobre perda e desejo. \u00c9 frequentemente listado como um dos melhores filmes do s\u00e9culo 21 (na \u00faltima vota\u00e7\u00e3o da prestigiosa Sight &amp; Sound de 2012, aparece numa honrosa 24\u00aa posi\u00e7\u00e3o) e foi inspira\u00e7\u00e3o para que Sofia Coppola fizesse \u201cLost in Translation\u201d. O t\u00edtulo em chin\u00eas deriva de uma m\u00fasica de mesmo nome de 1946 de Zhou Xuan. O t\u00edtulo em ingl\u00eas \u00e9 inspirado no cl\u00e1ssico &#8220;I&#8217;m in the Mood for Love&#8221;, que aparece aqui cantada por Briajn Ferry. Foi indicado em 12 categorias do Hong Kong Film Awards (ganhou cinco: Ator, Atriz, Dire\u00e7\u00e3o de Arte, Figurino e Edi\u00e7\u00e3o) e ganhou dois pr\u00eamios em Cannes (Melhor Ator e Grande Pr\u00eamio T\u00e9cnico). Merecia mais, muito mais.<\/p>\n<hr>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-67303\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/2046.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"310\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/2046.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/2046-300x124.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo chin\u00eas: 2046 (2004)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo ingl\u00eas: 2046<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo no Brasil: 2046 \u2013 Os Segredos do Amor<\/strong><br \/>\nLogo no in\u00edcio de \u201c2046\u201d, Mo Wan Chow (Tony Leung Chiu Wai) quer que Su Lizhen (interpretada por Gong Li) fuja com ele, mas ela joga o destino dos dois nas cartas (\u201c2046\u201d se conectando a \u00faltima cena de \u201cDias Selvagens\u201d), e, como podemos imaginar, est\u00e1 l\u00e1 mais um cora\u00e7\u00e3o partido estendido no ch\u00e3o. Kar-Wai retorna ao reino dos infelizes numa f\u00e1bula de quase fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que confirma a cren\u00e7a do cineasta de que os desencontros rom\u00e2nticos s\u00e3o a regra de um mundo em que as pessoas desejam o amor, mas nunca o encontram. Assim como seu filme anterior (algumas cenas, inclusive, s\u00e3o sobras de \u201cAmor \u00e0 Flor da Pele\u201d), \u201c2046\u201d destaca uma fotografia esplendorosa e longos sil\u00eancios que s\u00e3o preenchidos por uma bel\u00edssima trilha sonora. O n\u00famero 2046 \u00e9 um emaranhado de coisas que se misturam e fazem a cama para os personagens sofredores desse drama eterno chamado amor: no quarto 2046, o jornalista e jogador de p\u00f4quer Mo (Tony Leung) escreve um romance (chamado \u201c2046\u201d) sobre um local no futuro (2046) que guarda mem\u00f3rias e desejos perdidos, e s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel chegar l\u00e1 atrav\u00e9s de um trem especial futurista. No entanto, se para resgatar essas mem\u00f3rias \u00e9 preciso ir para 2046, \u00e9 imposs\u00edvel voltar de l\u00e1.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"2046 4K | Official Trailer (English)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/xjmvuBY3560?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mo guarda uma s\u00e9rie de paix\u00f5es desfeitas e tratar\u00e1 de deixar mais um rastro de cora\u00e7\u00f5es partidos pelo caminho. Chega a doer o peito acompanhar Bai Ling (a bela Zhang Ziyi), que oferece resist\u00eancia inicial a Mo (tal qual Su ofereceu a Yuddi em \u201cDias Selvagens\u201d) para depois cair de joelhos com sonhos de amor desfeitos escorrendo entre os dedos. No tempo futuro do livro, marcas do passado retornam como os androides SLZ 1960 (Maggie Lung), CC 1966 (Chang Chen) e Lulu\/Mimi (Carina Lau), e a frase que ecoar\u00e1 no peito do espectador ser\u00e1: \u201cO amor \u00e9 uma quest\u00e3o de timing: de nada vale encontrar a pessoa certa muito cedo ou muito tarde\u201d (a cena em que Mo dorme no ombro de Bai no taxi, citando \u201cAmor \u00e0 Flor da Pele\u201d, exemplifica isso a perfei\u00e7\u00e3o). Kar-Wai exp\u00f5e pessoas que nunca chegam na hora certa e que, por isso, est\u00e3o condenadas ao sofrimento rom\u00e2ntico. Um filme tr\u00e1gico, mas assustadoramente real, que n\u00e3o versa sobre os segredos do amor, como pretensamente sup\u00f5e revelar o subt\u00edtulo nacional, porque, afinal, o amor n\u00e3o tem nenhum segredo: quem ama, sofre. Anote. E assista!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A trilha adapta m\u00fasicas de filmes como &#8220;Querelle&#8221; (de Rainer Werner Fassbinder), &#8220;De Repente, num Domingo&#8221; )(de &nbsp;Fran\u00e7ois Truffaut) e do &#8220;D\u00e9calogo&#8221; (de Krzysztof Kie\u015blowski), entre outros.&nbsp;\u201c2046\u201d foi indicado em 12 categorias do Hong Kong Awards e venceu 6: Melhor Ator (Tony Leung), Melhor Atriz (Zhang Ziyi), Melhor Fotografia, Melhor Figurino, Melhor Dire\u00e7\u00e3o de Arte e Melhor Trilha Sonora Original (os dois tamb\u00e9m no Golden Horse Awards).<\/p>\n<hr>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-67304\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/blueberry.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"310\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/blueberry.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/blueberry-300x124.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo ingl\u00eas: \u201cMy Blueberry Nights\u201d (2007)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo no Brasil: \u201cUm Beijo Roubado\u201d<\/strong><br \/>\nDesenvolvido a partir da terceira trama do projeto \u201cThree Stories About Food\u201d (1999), \u201cMy Blueberry Nights\u201d narra \u00e0 hist\u00f3ria de Elizabeth (a estreante em atua\u00e7\u00e3o Norah Jones), uma jovem que suspeita que seu namorado est\u00e1 lhe traindo. Ela vasculha detalhes interrogando Jeremy (Jude Law discreto), o dono de um caf\u00e9 novaiorquino localizado na esquina da casa do namorado. Jeremy coleciona chaves n\u00e3o devolvidas de hist\u00f3rias de amor que n\u00e3o terminaram bem. Eles se tornam amigos. Ela descobre a trai\u00e7\u00e3o e, obcecada, frequenta o caf\u00e9 todos os dias devorando tortas de mirtilo e ouvindo as hist\u00f3rias de Jeremy, que come\u00e7a a desej\u00e1-la. Assustada, ela deixa Nova York em busca de sanidade do cora\u00e7\u00e3o. Parte (num road movie), mas segue mantendo contato com Jeremy atrav\u00e9s de postais (h\u00e1bito t\u00e3o demod\u00ea em tempos de internet, e t\u00e3o rom\u00e2ntico) enviados sem endere\u00e7o. Ele tenta localiz\u00e1-la, mas n\u00e3o a encontra. Quil\u00f4metros os separam, mas eles est\u00e3o muito mais pr\u00f3ximos \u2013 romanticamente \u2013 do que centenas de casais que dividem a mesma cama todas as noites em lugares t\u00e3o d\u00edspares quanto S\u00e3o Paulo, Hong Kong ou Nova York. O \u201cromance\u201d dos dois, no entanto, n\u00e3o inspira compaix\u00e3o, mas se o caso de amor de Arnie com Sue (David Strathairn e Rachel Weisz) n\u00e3o lhe deixar sem ar, \u00e9 melhor consultar o Dr. William Butler Yeats, pois a chance de seu cora\u00e7\u00e3o ter perdido o ponto card\u00edaco rom\u00e2ntico \u00e9 grande.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"My Blueberry Nights (2007) Trailer\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KZ3xJZBej00?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o nos fragmentos secund\u00e1rios que Kar-Wai exercita sua cren\u00e7a nos desencontros, e consegue alcan\u00e7ar (por mais r\u00e1pidas que sejam as passagens) a beleza de \u201cAmor \u00e0 Flor da Pele\u201d e \u201c2046&#8243;. A rigor, ele ainda conta suas hist\u00f3rias com delicadeza, calma e seguran\u00e7a, iluminando a tela com imagens que se sobrep\u00f5e valorizando tons verdes e vermelhos (Darius Khondji fotografa o filme no lugar de Chris Doyle, que filmou os sete filmes anteriores do diretor). As vidas semidestru\u00eddas dos personagens secund\u00e1rios, que precisam recome\u00e7ar do zero ap\u00f3s terremotos emocionais, rendem bons momentos na tela (Natalie Portman est\u00e1 sensacional com sotaque texano abandonada no fim do mundo), mas n\u00e3o chegam a dar unidade ao filme. Hollywood parece ter amolecido a cren\u00e7a do chin\u00eas nos desencontros rom\u00e2nticos. Seu primeiro e \u00fanico filme em l\u00edngua inglesa \u00e9 um drama que, em grande parte do tempo, traz sua assinatura de bom contador de hist\u00f3rias tr\u00e1gicas de amor envolvidas em belas fotografias, mas cede as conven\u00e7\u00f5es do mercado norte-americano ao premiar seu personagem principal com a oportunidade de recome\u00e7ar ap\u00f3s ser jogado no reino dos cora\u00e7\u00f5es partidos. Poderia ser entendido como uma segunda chance do cineasta aos rom\u00e2nticos, se as entrelinhas n\u00e3o fossem notadamente cru\u00e9is. O resultado \u00e9 um filme menor de Wong Kar-Wai, que n\u00e3o se desonra sua cinematografia, decepciona quem esperava algo no n\u00edvel das obras anteriores. A trilha traz Mavis Staples, Cassandra Wilson (cantando Harvest Moon, de Neil Young) e, claro Norah Jones. Mas quem brilha \u00e9 Cat Power, que faz uma ponta, cantando &#8220;Greatest&#8221;.<\/p>\n<hr>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-67305\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/grandemestre.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"310\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/grandemestre.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/grandemestre-300x124.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo chin\u00eas: Yi dai zong shi (2013)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo ingl\u00eas: The Grandmaster<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo no Brasil: O Grande Mestre<\/strong><br \/>\nO 10\u00ba e \u00faltimo longa-metragem de Wong Kar-Wai come\u00e7ou a ser produzido em 2008 e s\u00f3 foi lan\u00e7ado cinco anos depois, parte porque o ator Tony Leung quebrou o bra\u00e7o nas aulas de artes marciais para interpretar o personagem principal do filme, e tamb\u00e9m porque Kar-Wai teve que cortar muito do filme, trabalhando na montagem por dois anos (!) para que ele n\u00e3o ultrapasse (tanto) \u00e0s duas de proje\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e0 toa, o filme tem tr\u00eas vers\u00f5es: o corte chin\u00eas com 130 minutos, o europeu (reproduzido no Brasil) de 123 minutos e o estadunidense com 108 minutos. Esses cortes fizeram com que a profus\u00e3o de personagens (s\u00e3o tr\u00eas \u201cprincipais\u201d e mais 18 no entorno dos tr\u00eas) perdesse em profundidade (principalmente Ma San) e que a hist\u00f3ria, como um todo, soasse confusa&#8230; lindamente (a fotografia ficou a cargo de Philippe Le Sourd) e sonoramente brilhantemente confusa. Em linhas breves, o cineasta busca homenagear Ip Man, mestre de Bruce Lee, que \u00e9 interpretado com galhardia por Tony Leung. A hist\u00f3ria se passa nos anos 1940 e 1950, e o cineasta coloca como pano de fundo alguns de seus temas caros (a divis\u00e3o entre China e Hong Kong, as trag\u00e9dias rom\u00e2nticas) enquanto segue primeiramente Ip, que \u00e9 escolhido para representar a escola do Sul de kung fu num desafio contra o grande mestre do Norte que est\u00e1 pra se aposentar.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"THE GRANDMASTER | Trailer\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/EfbLJh7-hQY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s alguns testes com mestres locais, Ip parte para enfrentar Gong Yutian, o lend\u00e1rio velho mestre do Norte, e numa luta filos\u00f3fica que consiste em Ip desmantelar uma bolacha nas m\u00e3os de Yutian (a bolacha \u00e9 a bandeira da China), ele sai vencedor. A hist\u00f3ria ganha densidade e foco quando a filha de Yutian, Gong Er (Zhang Ziyi), desafia lp em busca da honra da fam\u00edlia: &#8220;Kung Fu \u00e9 precis\u00e3o&#8221;, eles concordam, acertando que quem quebrar um m\u00f3vel durante a luta ser\u00e1 o perdedor. Com momentos de sensualidade, a luta termina com a vit\u00f3ria dela depois que Ip quebra um degrau enquanto a salva de cair. Ela ganha a luta, mas perde o cora\u00e7\u00e3o (e eles v\u00e3o passar anos trocando cartas). N\u00e3o que lp v\u00e1 se sair melhor: a Segunda Guerra Sino-Japonesa acaba vitimando duas de suas filhas pequenas, e o mestre acaba se separando da esposa e caindo na pobreza. Mais de 10 anos depois, quando come\u00e7ar a se reerguer lecionando numa pequena escola de artes marciais em Hong Kong, lp ainda ter\u00e1 um \u00faltimo encontro com Er al\u00e9m de come\u00e7ar a treinar um garoto que viria a se tornar Bruce Lee (h\u00e1 muito mais nas subtramas). A trilha foi composta por Shigeru Umebayashi e Nathaniel M\u00e9chaly, mas cont\u00e9m duas pe\u00e7as de Ennio Morricone (entre elas, &#8220;Once Upon a Time in America: Deborah&#8217;s Theme&#8221;). Belo e grandioso, ainda que complexo e levemente desfocado devido aos cortes, \u201cO Grande Mestre\u201d recebeu duas indica\u00e7\u00f5es ao Oscar (as \u00fanicas da carreira de Kar-Wai), em Melhor Fotografia e Melhor Figurino; 12 indica\u00e7\u00f5es no Golden Horse Awards, da qual ganhou 6 (nenhuma das principais) e 14 indica\u00e7\u00f5es ao Hong Kong Awards da qual venceu 12 (Tony Leung ficou sem o pr\u00eamio de Melhor Ator!) fechando de maneira elegante uma filmografia imperd\u00edvel.<\/p>\n<hr>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-67306\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/eros.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"310\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/eros.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/eros-300x124.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CURTAS<\/strong><br \/>\n<strong>\u201cEros\u201d, 2004<\/strong><br \/>\nFilme coletivo que tem como tema um olhar particular sobre o erotismo, o amor e o desejo reunindo um diretor americano (Steven Soderbergh), um europeu (Michelangelo Antonioni no auge de seus 92 anos \u2013 ele morreria aos 94) e um oriental (Wong Kar-Wai), \u201cEros\u201d soa desigual, mas segue interessante \u2013 e traz Caetano cantando \u201cAntonioni\u201d nos intervalos. O mestre italiano abre a obra com \u201cThe Dangerous Thread of Things\u201d tateando temas caros (a incomunicabilidade entre as pessoas, a sedu\u00e7\u00e3o da juventude) ao flagrar um casal na faixa dos 40 anos num momento de ruptura. Eles se separam e, em momentos distintos, encontram a mesma bela jovem pelo caminho (Luisa Ranieri) numa hist\u00f3ria bastante solta. Steven Soderbergh, por sua vez, para falar sobre amor e desejo fala sobre&#8230; trabalho e bloqueio criativo em \u201cEquilibrium\u201d (quer algo mais made in USA do que isso?). Divertidamente c\u00f4mico (ainda que desconectado dos temas), o cineasta coloca Robert Downey Jr. deitado num sof\u00e1 enquanto narra um sonho recorrente ao seu psicanalista, interpretado por Alan Arkin (os dois est\u00e3o sensacionais). Ok, para n\u00e3o dizer que n\u00e3o tem erotismo h\u00e1 Ele Keats, bel\u00edssima.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Eros - Original Theatrical Trailer\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/PlIBzd4i05c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fechando o projeto, Wong Kar-Wai apresenta o curta \u201cThe Hand\u201d, que conta a hist\u00f3ria de um jovem aprendiz de costureiro (Chang Chen) que \u00e9 seduzido por uma bela cortes\u00e3 (Gong Li). Disposta a ostentar os mais belos vestidos, a cortes\u00e3 convoca o jovem costureiro a sua casa quando est\u00e1 com um amante. Na sala, ele ouve o coito. Assim que o homem sai, o costureiro \u00e9 chamado ao quarto da cortes\u00e3, que o observa excitado e&#8230; o masturba. N\u00e3o precisa muito mais do que isso para t\u00ea-lo em suas m\u00e3os para o resto da vida \u2013 e d\u00e1-lhe sofrimento. Como um servo apaixonado, o costureiro se dedicar\u00e1 de corpo e alma \u00e0 cortes\u00e3, sem pedir nada em troca, s\u00f3 esperando uma chance, o seu momento. Com (novamente) fotografia caprichada de Chris Doyle, Kar-Wai consegue aprofundar os temas do projeto com a dor e a del\u00edcia que eles merecem (e no quesito dores de amor, Kar-Wai sabe em quais feridas tocar) no melhor dos tr\u00eas curtas. No computo geral, \u201cEros\u201d, ainda que desequilibrado e descompromissado \u00e9 um bom passatempo e, em alguns momentos, surpreendentemente perspicaz.<\/p>\n<hr>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-67308\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/viajei.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"310\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/viajei.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/viajei-300x124.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cI Travelled 9000 km to Give It to You\u201d, 2007<\/strong><br \/>\nIntegrante da antologia \u201cCada Um Com Seu Cinema\u201d lan\u00e7ada pelo Festival de Cannes em seu 60\u00ba anivers\u00e1rio, e que trazia 36 diretores de 25 pa\u00edses (incluindo Theo Angelopoulos, Nanni Moretti, os Irm\u00e3os Dardenne e os Irm\u00e3os Coen, Amos Gitai, Jane Campion, Lars von Trier, Gus Van Sant, David Lynch, Win Wenders, Walter Salles, Manoel de Oliveira, David Cronenberg e Abbas Kiarostami, entre tantos outros) filmando hist\u00f3rias de tr\u00eas minutos de dura\u00e7\u00e3o, o curta \u201cI Travelled 9000 km to Give It to You\u201d, de Wong Kar-Wai, flagra um rapaz em um cinema relembrando quando esteve no mesmo local com sua amada (o espectador n\u00e3o v\u00ea seu rosto) assistindo a \u201cAlphaville\u201d, de Godard. Ela parte uma bergamota, d\u00e1 metade para ele, que come\u00e7a a acarici\u00e1-la at\u00e9 a paix\u00e3o explodir. No entanto, ela usa uma alian\u00e7a de noivado, ele n\u00e3o. Drama curtinho, mas essencialmente Kar-Wai.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"I Travelled 9000 km To Give It To You (2007) - Wong Kar Wai\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/eT3pclXkffk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>PE\u00c7AS PUBLICIT\u00c1RIAS<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-67312\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/thefollow4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"310\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/thefollow4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/thefollow4-300x124.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cThe Hire: The Follow\u201d, 2001<\/strong><br \/>\nEm 2001, a Bayerische Motoren Werke, tamb\u00e9m conhecida como BMW, colocou um monte de dinheiro nas m\u00e3os de David Fincher e encomendou oito curtas comerciais para serem transmitidos via webcast. A estrela, claro, deveria ser o carro, mas Fincher convocou diretores do calibre de Ang Lee, Guy Ritchie (que trouxe consigo Madonna), Alejandro Gonz\u00e1lez I\u00f1\u00e1rritu, John Woo, Tony Scott e Wong Kar-Wai, entre outros \u2013 sem contar as estrelas de Hollywood. N\u00e3o h\u00e1 conex\u00e3o de trama entre os curtas, e entre persegui\u00e7\u00f5es, tiroteios e muita a\u00e7\u00e3o, \u201cThe Follow\u201d, o curta do diretor chin\u00eas, \u00e9 o \u00fanico que destoa do todo, por ser mais classudo, lento e dram\u00e1tico. Na hist\u00f3ria, Clive Owen \u00e9 um motorista que \u00e9 contratado por um amigo, Forest Whitaker, para seguir a esposa (a modelo brasileira Adriana Lima) de um ator paranoico (Mickey Rourke) que ele assessora. O marid\u00e3o acredita que sua amada est\u00e1 lhe traindo, e exige o servi\u00e7o para tentar descobrir a verdade. O motorista, ent\u00e3o, meio a contragosto, passa a seguir a esposa do ator e, enquanto faz isso, d\u00e1 uma aulinha de como se portar durante uma persegui\u00e7\u00e3o. Kar-Wai imprime sua assinatura elegante nos quase 9 minutos do curta (dispon\u00edvel no Youtube), que foi escrito por Andrew Kevin Walker e teve fotografia de Harris Savides, mas n\u00e3o consegue desvincular o resultado final de uma pe\u00e7a publicit\u00e1ria \u2013 talvez nem quisesse, talvez nem pudesse. Vale como curiosidade.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"BMW Films - The Hire - The Follow\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3O3sZFDBQJE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>There&#8217;s Only One Sun, Phillips (2007)<\/strong><br \/>\n<strong>Deja-Vu, Chivas Regal (2012)<\/strong><br \/>\n<strong>Typhoon Planet, Paul &amp; Shark (2017)<\/strong><br \/>\n<strong>When There&#8217;s Love There&#8217;s a Way, Mercedes (2021)<\/strong><br \/>\nWong Kar-Wai assinou a dire\u00e7\u00e3o de mais de uma d\u00fazia de pe\u00e7as publicit\u00e1rias, mas s\u00f3 em quatro delas ele escreveu o roteiro: na deliciosamente futurista \u201cThere&#8217;s Only One Sun\u201d, da Phillips, num clima que choca \u201cBlade Runner\u201d com \u201c2046\u201d; em \u201cDeja Vu\u201d, romance de menos de tr\u00eas minutos filmado no Umaid Bhawan Palace, na \u00cdndia, que flagra um homem (Du Juan) comprando um u\u00edsque Chivas Regal num leil\u00e3o para beber junto a sua amada (Chang Chen) ap\u00f3s a repeti\u00e7\u00e3o de um milagre (e que traz a frase: \u201co amor \u00e9 como o gelo: quanto tempo voc\u00ea consegue segur\u00e1-lo?\u201d); \u201cTyphoon Planet\u201d, para marcar a entrada da etiqueta italiana de roupas esportivas Paul &amp; Shark no Oriente; E \u201cWhen There&#8217;s Love There&#8217;s a Way\u201d, pe\u00e7a mais tradicional produzida para a Mercedes em 2021. Para encerrar, um raro clipe dirigido pelo cineasta chin\u00eas: &#8220;Six Days&#8221;, de DJ Shadow, em 2002.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Wong Kar Wai - There&#039;s Only One Sun (2007)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wmwvUhG0gyI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Chivas x Wong Kar Wai Micro Flim D\u00c9J\u00c0VU - Episode 2\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dR84e-Mowgc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Typhoon Planet - Paul &amp; Shark X Wong Kar-Wai\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jbCtDDdkz2k?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"2021 Mercedes-Benz CNY Campaign\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7OoPA1Bt9NI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"DJ Shadow - Six Days\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/eY-eyZuW_Uk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a Calmantes com Champagne.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n\u2013 Tr\u00eas filmes: Lukas Moodysson 2002, 2004, 2009 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/08\/08\/tres-filmes-lukas-moodysson-2002-2004-2009\/\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Filmografia comentada: os 26 filmes de Billy Wilder (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/09\/06\/filmografia-comentada-francois-truffaut\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Filmografia comentada: os 25 filmes de Fran\u00e7ois Truffaut (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/09\/06\/filmografia-comentada-francois-truffaut\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Filmografia comentada: os 24 filmes de Federico Fellini (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/01\/01\/filmografia-comentada-federico-fellini\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Filmografia comentada: os 10 primeiros filmes de Godard(<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/04\/17\/os-10-primeiros-filmes-de-godard\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Tr\u00eas filmes: Domingos de Oliveira 1966, 2002, 2011 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/30\/domingos-oliveira-1966-2002-2011\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Tr\u00eas filmes: Domingos de Oliveira 1971, 1998, 2005 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/09\/domingos-oliveira-1971-1998-2005\/\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Tr\u00eas filmes: Irm\u00e3os Coen 1984, 1987, 1991 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/05\/04\/tres-filmes-irmaos-coen-84-87-e-91\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Tr\u00eas filmes: Martin Scorsese 1977, 1981, 1993 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/12\/20\/tres-filmes-scorsese-1977-1981-1993\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Tr\u00eas filmes: Audrey Hepburn 1953, 1956, 1964 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/11\/08\/cinema-audrey-1953-1956-e-1964\/\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Tr\u00eas filmes: Jean Renoir 1937, 1938, 1939 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/10\/13\/cinema-jean-renoir-1937-1938-1939\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Tr\u00eas filmes: Howard Hawks 1938, 1941, 1944 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/09\/26\/tres-filmes-howard-hawks-1938\/\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Tr\u00eas filmes: Howard Hawks 1940, 1952, 1953 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/03\/25\/tres-filmes-hawks-1940-1952-e-1953\/\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O reconhecimento do cinema de Wong Kar-Wai foi merecid\u00edssimo e surpreendeu apenas quem estava desatento. O diretor levanta a bandeira da autoralidade e abra\u00e7a os espa\u00e7os vazios fazendo deles sua morada, local em que depositar\u00e1 toda sua f\u00e9 nos desencontros rom\u00e2nticos.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/06\/25\/especial-os-10-filmes-de-wong-kar-wai\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":67313,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[2141],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67294"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=67294"}],"version-history":[{"count":25,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67294\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":94391,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67294\/revisions\/94391"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/67313"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=67294"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=67294"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=67294"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}