{"id":67178,"date":"2022-06-18T02:18:44","date_gmt":"2022-06-18T05:18:44","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=67178"},"modified":"2022-07-15T02:08:22","modified_gmt":"2022-07-15T05:08:22","slug":"especial-paul-mccartney-80-anos-por-guilherme-arantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/06\/18\/especial-paul-mccartney-80-anos-por-guilherme-arantes\/","title":{"rendered":"Especial: Paul McCartney 80 anos, por Guilherme Arantes"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nenhum jornal noticiou \u00e0 \u00e9poca. Mas no dia 6 de julho de 1957, um evento de important\u00edssima relev\u00e2ncia aconteceu durante uma festa nos jardins de uma igreja em Liverpool, cidade portu\u00e1ria da Inglaterra. Neste dia, um garoto de 15 anos chamado James Paul McCartney se tornou amigo de um jovem de 16 anos chamado John Winston Lennon. Em um exerc\u00edcio de imagina\u00e7\u00e3o dentro do conceito do bater das asas de uma borboleta, se tal evento n\u00e3o tivesse acontecido por qualquer raz\u00e3o, seja um \u00f4nibus quebrado que impedisse um dos dois de estar ali naquele momento, ou se, por ventura, uma chuva torrencial ca\u00edsse durante aquele dia de ver\u00e3o adiando a festa, o s\u00e9culo XX teria sido outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal data, em 2022, completa 65 anos. O mais jovem dos dois rapazes chega aos 80 em sua longevidade plena. O outro, infelizmente, foi brutalmente retirado de n\u00f3s aos 40. Mas este relato aqui prop\u00f5e algo que vai al\u00e9m da falta que John faz. Essa breve homenagem \u00e9 sobre o marco alcan\u00e7ado pelo eternamente jovem, mas, agora, octogen\u00e1rio, Paul McCartney. Ou, para algu\u00e9m que alcan\u00e7ou algo para al\u00e9m da simples &#8220;fama&#8221;, ser reconhecido apenas por &#8220;Paul&#8221; define sua import\u00e2ncia dentro dessa muitas vezes fugaz e ins\u00edpida Cultura Pop. No caso de Sir Paul, nada de fugaz o ins\u00edpido pode adjetivar sua s\u00f3lida trajet\u00f3ria art\u00edstica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em sua biografia autorizada, \u201cMany Years From Now\u201d, escrita por Barry Miles e lan\u00e7ada em 1997, o autor relembra a ocasi\u00e3o em que Paul lhe contou acerca de um passeio a cavalo que fez com sua ent\u00e3o filha mais jovem, Stella, nascida em 1971. Durante a cavalgada, o eterno beatle ouviu da crian\u00e7a uma estranha pergunta que ressoou profundamente em sua mente e foi de encontro a algo que durante todos aqueles anos de estrelato lhe fizera refletir. &#8220;Voc\u00ea \u00e9 Paul McCarney, n\u00e3o \u00e9?&#8221;, perguntou seu rebento. Stella ouvira falar do tal m\u00fasico na escola como se ele fosse uma figura diferenciada do seu pr\u00f3prio pai. No livro, Miles aprofunda essa impress\u00e3o atrav\u00e9s das palavras do pr\u00f3prio Paul, afirmando que ele est\u00e1 consciente dessa outra persona que s\u00f3 em parte se relaciona com ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Sempre tive essa coisa da diferen\u00e7a entre &#8216;ele&#8217; e &#8216;eu'&#8221;, explicou Paul ao seu bi\u00f3grafo. &#8220;Ele est\u00e1 no palco e \u00e9 famoso. Eu sou apenas um garoto de Liverpool. Mesmo na minha idade, ainda me sinto a pessoa que tenho sido desde que me lembro, desde os cinco ou seis anos. Sinto-me o mesmo cara e, claro, sou ele mesmo. Todos os tro\u00e7os que aconteceram depois n\u00e3o chegaram a afet\u00e1-lo tanto assim. O que eles afetaram foi a figura lend\u00e1ria que eu talvez estivesse encarnando&#8221;, disse Paul no mesmo depoimento ao livro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o do equil\u00edbrio psicol\u00f3gico diante de tamanho status de sucesso alcan\u00e7ado pelos Beatles; o modo como ele lidou com isso nas \u00faltimas seis d\u00e9cadas; a forma como a fama refletiu em sua vis\u00e3o de mundo e foco em seu bem-estar; a sua not\u00f3ria tend\u00eancia \u00e0 vida dom\u00e9stica e familiar. Em sua separa\u00e7\u00e3o entre o homem &#8220;Paul McCartney&#8221; e o s\u00edmbolo cultural que esse nome representa, o ser humano filho do casal James e Mary McCartney alcan\u00e7ou em sua serenidade um modo de n\u00e3o se tornar escravo de seu pr\u00f3prio sucesso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;De vez em quando, paro e penso: &#8216;Puta que pariu! Sou Paul McCartney! Que viagem! Paul McCartney!'&#8221;, comentou Paul na mesma conversa com Miles. &#8220;O nome j\u00e1 soa como uma lenda. Mas \u00e9 claro que a gente n\u00e3o vai querer ficar pensando muito assim, porque a coisa alucina. Existe a tenta\u00e7\u00e3o de acreditar nisso tudo, de ser e de viver essa lenda. E h\u00e1 tamb\u00e9m a tenta\u00e7\u00e3o de usar a lenda em vez de viv\u00ea-la. Quando saio em turn\u00ea, fico feliz por ter a lenda. N\u00e3o gostaria de tentar entreter est\u00e1dios lotados sendo apenas um cara comum&#8221;, brinca o beatle.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro hitmaker e compositor multi-instrumentista, Guilherme Arantes define Paul de modo direto: &#8220;No aspecto musical, ele \u00e9 impec\u00e1vel como contrabaixista. Cravou uma marca e linhas de baixo hist\u00f3ricas que fizeram com que os Beatles tivessem um alicerce \u00fanico no pop mundial e na hist\u00f3ria do Rock. Para mim, como contrabaixistas, ele, o Sting (The Police) e o Chris Squire (Yes) s\u00e3o pilares&#8221;, exemplifica Guilherme em entrevista ao Scream &amp; Yell. &#8220;Paul McCartney me parece que cumpria uma fun\u00e7\u00e3o que seus l\u00f3bulos intuitivo e racional se alternavam nessa lobotomia dos Beatles. Ali, ele cumpria uma fun\u00e7\u00e3o ordenadora. Era a disciplina da m\u00fasica dos Beatles. Sua melodias t\u00eam um rigor mel\u00f3dico maior do que as das m\u00fasicas do Lennon. Ent\u00e3o, essa competi\u00e7\u00e3o fez com que essa qu\u00edmica Lennon &amp; McCartney fosse imbat\u00edvel&#8221;, pontua Guilherme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda em rela\u00e7\u00e3o a essa disciplina do compositor de \u201cYesterday\u201d, Arantes vai al\u00e9m e o compara a Johann Sebastian Bach. &#8220;Ele consegue as m\u00fasicas mais sucintas e mais geniais, como \u2018Hey Jude\u2019 e \u2018Yesterday\u2019, que s\u00e3o can\u00e7\u00f5es minimais. Ele \u00e9 o mais assertivo musicalmente. Consegue ser o mais sint\u00e9tico e, portanto, o mais bachiano&#8221;, descreve o compositor de cl\u00e1ssicos como \u201cMeu Mundo e Nada Mais\u201d, \u201cPlaneta \u00c1gua\u201d e \u201cCoisas do Brasil\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Disciplina, genialidade, equil\u00edbrio, vida familiar, vida saud\u00e1vel e respeito aos pr\u00f3prios limites. &#8220;Desejo a voc\u00ea uma boa morte&#8221;, lhe disse uma senhora irlandesa certa vez, causando-lhe um inicial susto, mas, em seguida, fazendo sentido em sua mente e despertando-lhe uma consciente fagulha em seu instinto de compositor. A can\u00e7\u00e3o que surgiu desse encontro se chama \u201cThe End of The End\u201d, pepita escondida em seu disco de 2007, \u201cMemory Almost Full\u201d. Na letra, um pedido n\u00e3o de modo m\u00f3rbido, mas consciente de uma exist\u00eancia plena: &#8220;No dia da minha morte, quero que piadas sejam contadas e hist\u00f3rias de antigamente sejam desenroladas feito tapetes nos quais crian\u00e7as brincam e se deitam enquanto escutam essas hist\u00f3rias&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Poucos compositores podem falar com tamanha naturalidade e sem dramatiza\u00e7\u00e3o barata sobre sua pr\u00f3pria finitude. Aquele que escreveu \u201cEleanor Rigby\u201d, \u201cMaybe I&#8217;m Amazed\u201d, \u201cShe&#8217;s Leaving Home\u201d, \u201cLet it Be\u201d e outras obras que pavimentaram a estrada da m\u00fasica na era moderna \u00e9 um deles. Que esse final tarde a chegar. Feliz anivers\u00e1rio, Paul.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui, nessa entrevista ao Scream &amp; Yell, o cantor, compositor e m\u00e1quina de fazer hits, Guilherme Arantes, traz sua vis\u00e3o sobre esse marco da vida de Paul McCartney, sobre o showbiz e sobre ser brasileiro dentro da m\u00fasica mundial. Confira!<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-67180\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/guilhermearantes.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/guilhermearantes.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/guilhermearantes-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Guilherme, primeiramente, lhe agrade\u00e7o pela disposi\u00e7\u00e3o de conversar comigo sobre Paul McCartney. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/08\/12\/entrevista-guilherme-arantes-fala-sobre-vida-universo-carreira-e-seu-novo-disco-a-desordem-dos-templarios\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ap\u00f3s nosso papo do ano passado<\/a>, seu nome foi o primeiro que me veio \u00e0 mente quando essa pauta homenagem surgiu. Quero come\u00e7ar lhe perguntando quem \u00e9 Paul McCartney para voc\u00ea.<\/strong><br \/>\nEu que agrade\u00e7o. Falar da ignor\u00e2ncia, do per\u00edodo ignorante que estamos vivendo, \u00e9 chover no molhado. Mas falar de Paul McCartney \u00e9 bacana porque \u00e9 uma figura muito importante, muito agregadora. Na minha vida, ele teve um papel muito grande. Paul McCartney faz parte de um conjunto, de um coletivo. Claro que ele tem o valor individual dele. At\u00e9 posterior a esse coletivo. Mas a qu\u00edmica que se formou entre McCartney e Lennon, e depois com a entrada do George Harrison competindo nas composi\u00e7\u00f5es, fazem com que ele seja a maior usina criadora do s\u00e9culo XX. Paul cumpriu um papel ordenador. De longe, musicalmente era o mais not\u00e1vel. Acho que, dos Beatles, ele e o George eram musicalmente privilegiados. Lennon era muito bom compositor de melodias, um grande melodista, mas, como m\u00fasico, instrumentista, n\u00e3o marcou tanto quanto Paul. Em primeiro lugar, McCartney \u00e9 um grande executante. No aspecto musical, ele \u00e9 impec\u00e1vel como contrabaixista. Ele \u00e9 um contrabaixista muito importante que cravou uma marca e linhas de baixo hist\u00f3ricas que fizeram com que os Beatles tivessem um alicerce \u00fanico no pop mundial e na hist\u00f3ria do rock. Para mim, como contrabaixistas, ele, o Sting, o Chris Squire s\u00e3o pilares. Agora, Paul me parece que cumpria uma fun\u00e7\u00e3o que seus l\u00f3bulos intuitivo e racional se alternavam nessa lobotomia dos Beatles. Ali, o Paul McCartney cumpria uma fun\u00e7\u00e3o ordenadora. Ele era da disciplina da m\u00fasica. As melodias dele t\u00eam um rigor mel\u00f3dico maior do que os das m\u00fasicas do Lennon. Essa competi\u00e7\u00e3o fez com que essa qu\u00edmica Lennon &amp; McCartney fosse imbat\u00edvel. Tenho uma vis\u00e3o de que os Beatles perderam os dois grandes intuitivos e ficaram os dois performers. Perdeu Lennon e Harrison, que eram as almas mais transcendentes. McCartney \u00e9 mais p\u00e9 o ch\u00e3o, muito organizado. Trouxe o rigor bachiano aos Beatles. Ele \u00e9 o lado Bach dos Beatles. Ele \u00e9 o lado genial e organizativo. Isso, ao longo do sucesso nos anos 1960, foi avan\u00e7ando e ele passou a predominar \u00e0 medida que o Lennon ia fritando os neur\u00f4nios com \u00e1cido, mescalina e hero\u00edna. Foi muito custo para ele se reaprumar. Mas ele conseguiu no tempo do &#8220;Double Fantasy&#8221;. Com a pr\u00f3pria &#8220;Imagine&#8221;. S\u00e3o can\u00e7\u00f5es de uma altitude que o pr\u00f3prio McCartney n\u00e3o conseguiu na carreira solo dele. Agora, dentro da qu\u00edmica do grupo, ele passa a predominar a partir do &#8220;Rubber Soul&#8221;. Acho que no &#8220;Sgt. Pepper&#8217;s&#8221; foi onde aconteceu a explos\u00e3o da intui\u00e7\u00e3o lis\u00e9rgica do <strong>Lennon.<\/strong> J\u00e1 no &#8220;Magical Mistery Tour&#8221;, come\u00e7a a predominar um pouco o Paul McCartney. Com o &#8220;Let it Be&#8221; e &#8220;Abbey Road&#8221;, s\u00f3 d\u00e1 ele. Ele passa a ser o l\u00edder da banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim. Lembrei agora <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/11\/24\/especial-the-beatles-get-back-peter-jackson-fala-sobre-o-mergulho-nas-imagens-ineditas-das-sessoes-do-let-it-be\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">do document\u00e1rio do Peter Jackson, o &#8220;Get Back&#8221;<\/a>.\u00a0<\/strong><br \/>\nSim. Isso aparece muito no document\u00e1rio. \u00c9 engra\u00e7ado porque n\u00e3o consegui assistir ao filme todo, pois me d\u00e1 afli\u00e7\u00e3o desvend\u00e1-los muito em a\u00e7\u00e3o. \u00c9 um voyerismo que prefiro deixar no territ\u00f3rio do meu sonho de menino. O que eles deixaram \u00e9 uma coisa que \u00e9 muito dif\u00edcil de devassar. Eu comecei a assistir e vi que, por exemplo, n\u00e3o tinha nada a ver a Yoko Ono ali, fazendo contas como se fosse uma grande &#8220;manager&#8221; ali sentada. E ao mesmo tempo os Hare Krishnas ali com o George. Parecia que ali havia virado um territ\u00f3rio aberto. Todo mundo levando um monte de bic\u00e3o l\u00e1 dentro e o Paul tentando fazer o servi\u00e7o dele, que era organizar os Beatles. Agora, voltando, devo dizer que acho o Paul McCartney um letrista fraco. Eu o acho um letrista de poucos recursos. Ele \u00e9 um grande m\u00fasico. Algumas can\u00e7\u00f5es ele conseguiu, realmente, nessa competi\u00e7\u00e3o, se superar, como &#8220;Yesterday&#8221;, &#8220;Eleanor Rigby&#8221;, &#8220;Let it Be&#8221;. Como letrista, ele criou uma vertente de contar a hist\u00f3ria de algu\u00e9m. Sempre contando a hist\u00f3ria de um personagem. (Cantarola a letra de \u201cMaxwell&#8217;s Silver Hammer\u201d). \u00c9 t\u00edpico do Paul contar hist\u00f3rias de personagens que ele observava do dia a dia da Inglaterra. Ele sendo muito brit\u00e2nico, claro. J\u00e1 o Lennon atravessava mais essa barreira. Mas, tamb\u00e9m, era uma f\u00f3rmula que eles desenvolveram a dois. &#8220;Norwegian Wood&#8221;, por exemplo. Lennon era mais pessoal, assim. Era mais autobiogr\u00e1fico. E o Paul era mais biogr\u00e1fico. Ele n\u00e3o tinha tantas dores interiores. \u00c9 uma pessoa mais estruturada. O Lennon era muito desestruturado, muito fraturado em sua inf\u00e2ncia. J\u00e1 o Paul, n\u00e3o. J\u00e1 \u00e9 um cara parecido comigo. Um cara que n\u00e3o tem uma assinatura t\u00e3o exposta da inf\u00e2ncia e da adolesc\u00eancia, de rebeldia. Ent\u00e3o, eles ficam com essa qu\u00edmica, essas fun\u00e7\u00f5es. Acho que o Paul \u00e9 o grande organizador da parte Bachiana. Ele \u00e9 o Bach da parada. Aquele que coloca as f\u00f3rmulas magistrais, mel\u00f3dicas. As mais magistrais s\u00e3o as dele. Agora, fa\u00e7o essa coloca\u00e7\u00e3o que disse antes. Ficaram os dois entertainers. Disso se conclui que o mundo preserva os entertainers. E o mundo maltrata os vision\u00e1rios. Ele provavelmente vai passar dos 100 anos de idade. Ainda mais sendo uma pessoa disciplinada como \u00e9. E uma figura muito simp\u00e1tica. Nunca me passou uma antipatia. O Lennon, \u00e0s vezes, era antip\u00e1tico, intrag\u00e1vel. Ele tinha esse lado Raul Seixas de incorporar um personagem transgressor. A necessidade da transgress\u00e3o. E o Paul j\u00e1 vem com isso resolvido dentro dele. Agora, ele \u00e9 o granfino do Beatles. Ele namorava a Jane Asher, que era uma atriz do circuito dos musicais de Londres, uma atriz granfina. Ele morou na casa dela. Ele era classe m\u00e9dia alta, sempre foi o granfininho dos Beatles. \u00c9 interessante, isso.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Paul McCartney Composing Get Back\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4QtCxjyuA08?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse perfil de homem dom\u00e9stico era bem not\u00f3rio nele. Um cara que gostava da ideia da vida conjugal e trazia esse equil\u00edbrio para seu trabalho como compositor.<\/strong><br \/>\n\u00c9 por isso que eu o comparo com o Johan Sebastian Bach. O Bach foi um cara que viveu para a fam\u00edlia, viveu para os 17 filhos que teve. De casa para a igreja, da igreja para casa, l\u00e1 em Leipzig. N\u00e3o saia de l\u00e1. Era um cara totalmente organizado e met\u00f3dico. Todo dia era dia de trabalho. Era um oper\u00e1rio de acordar cedo. E n\u00e3o tinha as flutua\u00e7\u00f5es existenciais do Chopin, ou as altern\u00e2ncias de ordem na vida que tinha o Mozart. S\u00e3o pessoas mais lineares, o Paul e o Bach. J\u00e1 o Lennon era muito inst\u00e1vel. O McCartney consegue ser o met\u00f3dico da banda. E o George \u00e9 o mais intang\u00edvel. A obra e a vida dele s\u00e3o extremamente on\u00edricas. Mas \u00e9 em um plano religioso espiritual. E o Lennon era um mundano que viveu esses altos e baixos. E eu acho a Yoko uma figura incr\u00edvel, altamente instigante, que chegou na vida do Lennon. E o Paul, nesse aspecto, ele fica devendo. Porque tanto a Jane Asher quanto a Linda Eastman s\u00e3o mulheres mais caretas, mais fam\u00edlia, mais p\u00e9 no ch\u00e3o. Isso, de certa forma, prejudica o alcance transformador que os dois outros conseguiram conquistar em voos mais ambiciosos. Agora, volto a frisar, no aspecto musical, o mais organizado e met\u00f3dico, era o Paul. Ele consegue as m\u00fasicas mais sucintas e mais geniais, como &#8220;Hey Jude&#8221; e &#8220;Yesterday&#8221;, que s\u00e3o m\u00fasicas minimais. O mais assertivo musicalmente, e que consegue ser o mais sint\u00e9tico, portanto o mais bachiano, o mais Johan Sebastian Bach de todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sua facilidade em criar m\u00fasicas marcantes a partir de algum mais simples impressiona, mesmo.<\/strong><br \/>\nSim. Eu, na minha carreira, tenho meu lado Lennon e o meu lado McCartney. O meu lado McCartney \u00e9 assim: (cantarola) &#8220;Foi t\u00e3o bom te conhecer&#8230;&#8221; Isso \u00e9 ser assertivo em tr\u00eas notas, como ele fez em &#8220;Hey Jude&#8221; e &#8220;Yesterday&#8221;. Ou ent\u00e3o: (cantarola): &#8220;S\u00f3 voc\u00ea pra dar a minha vida&#8230;&#8221; S\u00e3o m\u00fasica monossil\u00e1bicas que o Paul McCartney conseguiu cravar v\u00e1rias vezes. Os dois outros aprenderam com ele a fazer isso. Ele era o mestre nesse aspecto de cravar. &#8220;She Loves You yeah yeah yeah&#8221;. Isso \u00e9 McCartney. Ele era muito sint\u00e9tico. E os outros foram aprendendo com ele. Agora, \u00e9 interessante porque ele era mais novo que o Lennon. O John tem um aspecto interessante porque ele fez faculdade de arte. Ent\u00e3o, ele tendo feito faculdade de arte, ele foi inoculado por um germe de Marcel Duchamp. Desses transgressores da arte. E isso influenciou muito a arte do Lennon em buscar mais o revolucion\u00e1rio. O Paul \u00e9 mais um que estava estabelecendo os alicerces do rock mundial. No \u201cRubber Soul\u201d, a concis\u00e3o nas melodias era coisa do Paul McCartney. Ele era conciso. Ele n\u00e3o era prolixo. J\u00e1 o Lennon era mais prolixo. E os dois (Lennon e Harrison) foram aprendendo com ele. Acaba sendo o grande mestre da can\u00e7\u00e3o sucinta. \u00c9 o grande mestre da objetividade na can\u00e7\u00e3o pop. Agora, eu tenho uma cr\u00edtica. N\u00e3o querendo desmerecer a hist\u00f3ria do Paul McCartney. Mas com o passar do tempo, na carreira solo, eu acho que quem mais se sobressaiu, que explodiu, foi o Harrison. No &#8220;All Things Must Pass&#8221;, aqueles discos posteriores em que ele se viu livre para poder fazer a obra dele. E voc\u00ea pode ver que j\u00e1 no \u201cAbbey Road\u201d, as m\u00fasicas mais geniais s\u00e3o &#8220;Something&#8221; e &#8220;Here Comes the Sun&#8221;. Disparado! Para mim, para o meu gosto. Ali, com essas duas, o Harrison carregou a banda nas costas Paul carregou a banda nas costas no \u201cLet it Be\u201d. O Lennon, ali, estava prejudicado em sua criatividade, estava com a vida pessoal bem atrapalhada. Muito conturbada. O neg\u00f3cio dele agredir mulher. Ele tinha esse background. E tamb\u00e9m com a Cynthia (Powell, primeira esposa). Aquela m\u00fasica &#8220;Jealous Guy&#8221;, ele tinha acabado de agredir a Yoko. \u00c9 uma coisa inimagin\u00e1vel para um cavalheiro como o Paul. Eu o acho uma figura mais familiar, mais sens\u00edvel. O Lennon era um cara muito complexo. Muito dif\u00edcil. O Paul \u00e9 essa figura que eu acho que, agora, na era do entretenimento, acaba colhendo os frutos de uma exist\u00eancia t\u00e3o fertil, de tanto repert\u00f3rio, e de uma sa\u00fade mental, f\u00edsica e espiritual que ele merece. Agora, ele passou tamb\u00e9m por aquele casamento com a Heather Mills. Voc\u00ea observa que a recupera\u00e7\u00e3o dele \u00e9 muito mais r\u00e1pida do que um Phil Collins, que acabou emburacando em uma bad horr\u00edvel. O Paul \u00e9 algu\u00e9m bem estruturado. Ele mostra que \u00e9 uma pessoa preparada para a vida em longo curso. N\u00e3o tem esse drive de autodestrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Yesterday (With Spoken Word Intro \/ Live From Studio 50, New York City \/ 1965)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wXTJBr9tt8Q?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse equil\u00edbrio desde sempre acabou refletindo diretamente em sua longevidade, nessa sua postura de beatle de palco, essa face enterntainer como voc\u00ea colocou bem.<\/strong><br \/>\nO mundo atual \u00e9 um mundo que privilegia muito os entertainers. O pr\u00f3prio Elton John, por exemplo, se transformou em um entertainer de si pr\u00f3prio. Ele perdeu aquele &#8220;cutting edge&#8221; do rompimento, do romper caminhos. E hoje ele \u00e9 um entertainer e com grande merecimento. Mas \u00e9 uma \u00e9poca de Maroon 5, \u00e9 uma \u00e9poca de Justin Timberlake, \u00e9 uma \u00e9poca na qual os entertainers ganharam o mundo. E o Paul est\u00e1 l\u00e1 no pante\u00e3o dos grandes entertainers porque ele era o que balan\u00e7ava a cabe\u00e7a para as meninas gritarem, enquanto isso o Lennon estava observando e achando aquilo babaca. Um dia isso ia estourar nos Beatles. Mas eu acho que o Paul merece todo esse sucesso e essa felicidade a longo prazo que ele conquistou, com tantas can\u00e7\u00f5es incr\u00edveis. &#8220;The Long and Winding Road&#8221;, por exemplo. Raras vezes o Lennon foi t\u00e3o longe, sabe? Aquilo, realmente, \u00e9 de uma beleza, uma coisa que sempre me faz chorar. Ele consegue me fazer chorar. N\u00e3o \u00e9 um pragm\u00e1tico, simplesmente. Ele vai bem mais al\u00e9m do pragmatismo. N\u00e3o \u00e9 um Adrian Levine da vida. Ele fez algo como &#8220;The Long and Winding Road&#8221;. Durante muitos anos, os Beatles foram for\u00e7ados a criar. Eles foram empurrados pela ind\u00fastria para criar mais e mais. Isso foi uma usina. Chegou um momento em que eles viviam de f\u00e9rias. Tem uma passagem que eu acho que \u00e9 quando ele faz &#8220;Hey Jude&#8221;, ele est\u00e1 em Portugal, no Algarve. Eles viviam de f\u00e9rias porque sofreram uma press\u00e3o t\u00e3o grande durante alguns anos. Faziam dois discos por ano. O mercado fonogr\u00e1fico era assim, assassino. O pr\u00f3prio Chico Buarque fazia dois discos por ano. Toquinho e Vinicius. Nara Le\u00e3o. Essa gente fazia um disco no primeiro semestre e outro no segundo. \u00c9 uma loucura isso pensar que era assim o mercado. Ent\u00e3o, os Beatles sofreram muito. Porque eles tinham que arrancar leite das pedras. \u00c9 um per\u00edodo que foi o melhor do Lennon, quando ele se recolheu em uma casa nos arredores de Londres, quando ele fez \u201c Strawberry Fields\u201d, a fase lis\u00e9rgica dele em que ele vivia compondo dentro de casa. Viajand\u00e3o, mas estava compondo. Estava focado. Agora, os Beatles viveram muito atribulados. Virou uma coisa que eu n\u00e3o consigo decifrar muito aqueles anos. Decifrar o que foi ser um beatle naquela \u00e9poca. Deve ter sido bastante arriscado, bastante lim\u00edtrofe. O Paul resistiu bem a essa press\u00e3o e foi o grande criador. Fez uma quantidade muito grande de m\u00fasicas e carregou muitas vezes o Lennon nas costas. Essa \u00e9 a verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em nossa conversa do ano passado, voc\u00ea me falou sobre estar se sentindo equilibrado em sua fase da vida chegando em breve aos 70. Paul McCartney chega agora aos 80 e \u00e9 interessante observar como ele passou por diversas d\u00e9cadas e movimentos musicais sem perder sua identidade. O artista tem isso em sua opini\u00e3o? N\u00e3o diria uma preocupa\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria em se adaptar, mas, sim, em manter a pr\u00f3pria personalidade e identidade como m\u00fasico?<\/strong><br \/>\nOlha, h\u00e1 uma dist\u00e2ncia abissal entre um artista angl\u00f3fono como ele, como o David Bowie, e os artistas brasileiros. O artista brasileiro tem uma precariedade absurda. E principalmente com o tempo passando, o Brasil \u00e9 um pa\u00eds que oferece a morte ao artista. \u00c9 a morte lenta e anunciada. Porque n\u00e3o tem perman\u00eancia nenhuma, a n\u00e3o ser que voc\u00ea tenha um vi\u00e9s pol\u00edtico. O Brasil \u00e9 um pa\u00eds que \u00e9 s\u00f3 pol\u00edtica. S\u00f3 se fala em pol\u00edtica. A quest\u00e3o do Paul McCartney, ele consegue na maturidade, como o Elton John conseguiu, uma vida mais regrada e usufrui de um repert\u00f3rio maravilhoso que ele tem. Um repert\u00f3rio impec\u00e1vel. Paul consegue essa sobreviv\u00eancia que \u00e9 muito dif\u00edcil para o brasileiro. Muito dif\u00edcil. Ela \u00e9 muito problem\u00e1tica. Nem mesmo o Tom Jobim, que \u00e9 o nosso maior de todos. Ele morreu entristecido, magoado. Morreu n\u00e3o esquecido, mas sem estar no patamar de qualidade que merecia estar. Ent\u00e3o, quando voc\u00ea me pergunta isso, hoje, o meu maior desafio \u00e9 sobreviver como pessoa sendo brasileiro. Porque o Brasil \u00e9 um pa\u00eds que destr\u00f3i as pessoas. Destr\u00f3i o cidad\u00e3o. Ele destro\u00e7a as vidas. O Brasil \u00e9 um pa\u00eds canalha que destro\u00e7a vidas humanas. Seja de um lado ou de outro, o esquecimento \u00e9 geral e irrestrito. Todos sofrem. O Brasil \u00e9 o pa\u00eds dos Belchiores. \u00c9 o pa\u00eds dos Taiguaras. \u00c9 o pa\u00eds dos Vandr\u00e9s. \u00c9 o pa\u00eds dos Simonais. A lista de pessoas que n\u00e3o chegaram (e mereciam) a usufruir o que um Paul McCartney, o que um John Lennon conseguem, \u00e9 intermin\u00e1vel. Porque existe um mercado e uma cultura que d\u00e1 uma sustenta\u00e7\u00e3o. Paul \u00e9 uma estrela de um tamanho descomunal. Os shows dele s\u00e3o celebra\u00e7\u00f5es de beleza, de qualidade, de voz maravilhosa, de m\u00fasicos, de repert\u00f3rio irretoc\u00e1veis, ingressos estratosf\u00e9ricos para valorizar o tamanho daquilo. De voc\u00ea estar diante de uma coisa que \u00e9 magn\u00edfica. Agora, voc\u00ea v\u00ea a diferen\u00e7a de uma carreira como a minha. \u00c9 uma carreira completamente minguada, que voc\u00ea \u00e9 reconhecido por uma ou duas m\u00fasicas. A tend\u00eancia \u00e9 as pessoas s\u00f3 quererem ouvir &#8220;Cheia de Charme&#8221;. A tend\u00eancia \u00e9 ningu\u00e9m, daqui a dez anos, lembrar nem do &#8220;Planeta \u00c1gua&#8221; nem de nada. O Brasil \u00e9 um pa\u00eds canalha. Ent\u00e3o, para se fazer uma compara\u00e7\u00e3o de artistas, \u00e9 muito problem\u00e1tico. E n\u00e3o \u00e9 um ou dois. Voc\u00ea tem o Elton John, o Billy Joel. As pessoas t\u00eam uma margem para se autodestru\u00edrem, como o caso do Phil Collins. O showbiz internacional angl\u00f3fono d\u00e1 margem a uma possibilidade para que as pessoas, como o caso que voc\u00ea fez uma mat\u00e9ria sobre o Bob Dylan. O Dylan tem qualidade cr\u00edtica. Uma qualidade de cr\u00edtica ao mundo e \u00e0 sociedade. Ele mant\u00e9m o t\u00f4nus de um grande nome da m\u00fasica sem grandes problemas. Eu estou entrando nesse assunto de um pa\u00eds como o Brasil porque chega a ser inferior at\u00e9 aos demais povos latinos, como a Argentina. A Argentina tem \u00eddolos do rock que permanecem com grande tamanho.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Beatles - Complete Hey Jude Recording Sessions (July 30, 1968 at EMI Studios)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vdrb1vFTtJI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A l\u00edngua portuguesa, de fato, cria esse limite em rela\u00e7\u00e3o ao alcance de nossa m\u00fasica em \u00e2mbito mundial.<\/strong><br \/>\nN\u00f3s vivenciamos algo diametralmente oposto ao que os artistas angl\u00f3fonos vivenciam. N\u00f3s n\u00e3o temos alcance nenhum. Nossa l\u00edngua pega Mo\u00e7ambique, Angola, um pouco em Portugal, que n\u00e3o d\u00e1 muita bola para n\u00f3s. N\u00f3s n\u00e3o temos uma cobertura. O Paul McCartney \u00e9 um cara que viaja para o Jap\u00e3o, que vai para a China, que faz shows por toda a Europa. Ele mant\u00e9m um t\u00f4nus de qualidade, ele querendo e sendo como ele \u00e9. N\u00e3o \u00e9 que eu tenha despeito ou inveja dessa realidade, mas eu estou aqui falando, eu sou o Guilherme Arantes. Dentro do meu tamanho, eu sou um Paul McCartney, dentro da minha dimens\u00e3o e dentro das propor\u00e7\u00f5es. Mas, o fato \u00e9 que o que de pior pode acontecer com um artista \u00e9 ele ser esquecido. E isso n\u00e3o corre o risco, por exemplo, para um Stevie Wonder, para um Bob Dylan, para o David Bowie. As pessoas j\u00e1 n\u00e3o logram o mesmo sucesso, nem o Paul McCartney nem o Mick Jagger, por exemplo, com toda as qualidades, com toda a import\u00e2ncia. Eles lan\u00e7aram discos recentes que t\u00eam uma boa aceita\u00e7\u00e3o, mas j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam aquele &#8220;cutting edge&#8221; de outras \u00e9pocas em que eles estavam em uma ponta de lan\u00e7a. Mas \u00e9 not\u00e1vel como o showbiz internacional consegue manter os nomes, mesmo as bandas de metal. H\u00e1 dignidade para um Dave Mathews Band, h\u00e1 dignidade para Alanis Morissette, h\u00e1 dignidade para Cyndi Lauper. E o Brasil n\u00e3o oferece dignidade. Ele vai matando. O direito autoral vai minguando e chega ao ponto do Guilherme Arantes receber R$ 5 mil de direitos autorais no m\u00eas. Isso eu estou te falando que \u00e9 uma realidade. Falar de Paul McCartney \u00e9 falar de uma coisa inating\u00edvel e inimagin\u00e1vel para n\u00f3s. Estamos fazendo negocia\u00e7\u00f5es de ativos musicais. O Sting fecha por US$ 300 milh\u00f5es o acervo dele. E o que \u00e9 oferecido para o Guilherme Arantes s\u00e3o R$ 2 milh\u00f5es. Que n\u00e3o d\u00e1 nem US$ 300 mil. Essa \u00e9 a realidade de ser brasileiro. Ser brasileiro \u00e9 uma coisa que nos coloca na ral\u00e9 do mundo. Na ral\u00e9. N\u00e3o somos nada. N\u00e3o apitamos porra nenhuma. Ent\u00e3o, eu olho, assim, o tamanho do Paul McCartney. Eu tenho m\u00fasicas que s\u00e3o boas como as dele. &#8220;Um Dia Um Adeus&#8221;, &#8220;Planeta \u00c1gua&#8221;, &#8220;Amanh\u00e3&#8221;. S\u00e3o m\u00fasicas que se fossem angl\u00f3fonas, eu seria um Billy Joel no m\u00ednimo. Mas, n\u00e3o. Um compositorzinho comparado a Byafra e Dalto, entendeu? \u00c9 isso que \u00e9 o Brasil. A gente sente a diferen\u00e7a. Falar do Paul McCartney \u00e9 falar de uma coisa que&#8230; (pausa) Eu gostaria de ter nascido em outro pa\u00eds. E eu acho que, hoje, os brasileiros est\u00e3o todos compartilhando esse sentimento. O desejo de ter nascido em outra p\u00e1tria. Uma vergonha profunda de ser brasileiro. Uma vergonha que n\u00e3o se resolve nunca. As nossas vidas v\u00e3o se esgotar e a gente n\u00e3o viu nunca dar certo. E n\u00e3o vai ver. Porque a estrutura n\u00e3o \u00e9 para dar certo. Um Paul McCartney \u00e9 uma coisa que eu admiro bem de longe. \u00c9 uma coisa que passa longe da minha voca\u00e7\u00e3o. E a\u00ed, nenhum compositor, nem Villa Lobos, nem Carlos Gomes, nem Radam\u00e9s Gnattalli, os grandes, n\u00e3o s\u00e3o considerados nada. N\u00f3s somos trash no mundo. Ent\u00e3o, a gente observa com inveja e observa com admira\u00e7\u00e3o como que o mundo angl\u00f3fono consegue proporcionar carreiras t\u00e3o longevas. O Paul McCartney, voltando ao tema dele, as suas excurs\u00f5es s\u00e3o maravilhosas. S\u00e3o muito bem-organizadas. N\u00e3o t\u00eam precariedade em momento nenhum no caminho dele. O showbiz internacional \u00e9 muito organizado. E bem faz a Anitta em procurar os seus caminhos latinos e mundiais, porque se voc\u00ea ficar pensando em termos de Brasil, voc\u00ea n\u00e3o vai a lugar nenhum. Voc\u00ea v\u00ea que o pessoal da Bossa Nova est\u00e1 todo mundo esquecido. Como \u00e9 que pode? Ent\u00e3o, a gente tem uma dimens\u00e3o comparativa assim muito depreciada. \u00c9 a gente olhar o showbiz, \u00e9 uma admira\u00e7\u00e3o muito grande. Isso n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o artista que contribui para esse tamanho. \u00c9 nisso que eu quero chegar. Existe um contexto que faz com que o cara chegar aos 80 anos, o Paul McCartney, ele realmente tem que ser homenageado e tudo que envolveu a constru\u00e7\u00e3o dessa carreira maravilhosa. \u00c9 muita gente. Tem os maestros, tem o George Martin. \u00c9 um conjunto de coisas que eles t\u00eam esse privil\u00e9gio. Agora, a gente olha com inveja (risos). A palavra \u00e9 essa. No final, n\u00e3o chega a ser despeito nem raiva, mas a gente fica admirado como que uma carreira pode ser t\u00e3o bem-sucedida por tantas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Entendo perfeitamente o que voc\u00ea quer dizer sobre o Brasil. Posso soar rom\u00e2ntico em rela\u00e7\u00e3o ao que vou dizer, mas, mesmo nutrindo todo esse amor pelos Beatles, tem o mesmo apre\u00e7o pelo o que voc\u00ea fez, pelo o que Chico Fez, pelo o que o Milton fez com o Clube da Esquina, por exemplo. Para mim, s\u00e3o pilares.<\/strong><br \/>\n<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/05\/09\/clube-da-esquina-eleito-melhor-album-brasileiro-de-todos-os-tempos-conheca-o-top-10\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Clube da Esquina foi eleito o melhor \u00e1lbum brasileiro de todos os tempo<\/a>s. Para mim, ele sempre foi. N\u00e3o tem para ningu\u00e9m. O Clube da Esquina \u00e9 monstro. \u00c9 uma coisa de um tamanho descomunal. Inclusive, maior do que muitos desses grandes nomes internacionais. Ali \u00e9 progressivo, \u00e9 uma poesia impec\u00e1vel. S\u00e3o lindas as poesias, as m\u00fasicas, a motiva\u00e7\u00e3o, o momento daquela gente. Essa lista que saiu dos melhores discos que tem l\u00e1 o \u201cChega de Saudade\u201d, tem o \u201cConstru\u00e7\u00e3o\u201d, do Chico Buarque, tem o \u201cElis &amp; Tom\u201d, que tamb\u00e9m \u00e9 monstruoso. Eu n\u00e3o estou falando do valor art\u00edstico das pessoas. Pelo contr\u00e1rio. N\u00f3s somos um pa\u00eds que temos uma qu\u00edmica na m\u00fasica brasileira que \u00e9 \u00fanica no mundo. Ela adv\u00e9m dos sal\u00f5es onde ocorriam o sarau. O sarau na casa brasileira gerou o samba-can\u00e7\u00e3o. Gerou a Bossa Nova. Gerou o Chorinho. Isso vem de uma tradi\u00e7\u00e3o da casa brasileira ser um miscigenador de classes e de ra\u00e7as desde a funda\u00e7\u00e3o do Brasil. Eu sei porque a minha fam\u00edlia e v\u00e1rias fam\u00edlias brasileiras t\u00eam como fundamento musical a pr\u00f3pria fam\u00edlia e m\u00fasica feita no sarau da casa brasileira. Assim, foram geradas as fam\u00edlias musicais. A fam\u00edlia do Chico, a fam\u00edlia do Milton, da Ana Carolina, do Nando Reis, do Guilherme Arantes, da Marisa Monte, da Zelia Duncan, de todo mundo. N\u00f3s sempre tocamos m\u00fasica dentro de casa. Ent\u00e3o, a casa brasileira \u00e9 de onde vinha isso. As pessoas das comunidades, Nelson Cavaquinho, Cartola, Pixinguinha, vinham tocar m\u00fasica de alta qualidade e assim se gerou a m\u00fasica mais linda. Isso que eu estou falando \u00e9 porque \u00e9 uma grande injusti\u00e7a hist\u00f3rica. N\u00e3o \u00e9 porque n\u00f3s somos nanicos, n\u00e3o. \u00c9 que na geopol\u00edtica cultural do mundo, a gente \u00e9 muito prejudicado. Embora seja a m\u00fasica mais fant\u00e1stica. Voc\u00ea n\u00e3o tem essa qu\u00edmica na Fran\u00e7a. Voc\u00ea n\u00e3o tem essa qu\u00edmica na Espanha. S\u00f3 no sul da Espanha. No sul da Andaluzia, voc\u00ea tem essa mistura, que \u00e9 o flamenco. Uma cultura intrafamiliar. A m\u00fasica americana tem, por causa do Jazz, por causa da invas\u00e3o da cultura africana e essa mistura gerou uma m\u00fasica potente. O Brasil \u00e9 a segunda m\u00fasica mais potente do mundo. Ent\u00e3o, isso que eu estou apontando \u00e9 porque existe uma injusti\u00e7a muito grande quando a gente compara os grandes nomes da m\u00fasica mundial e os grandes nomes brasileiros acabam tendo uma reverbera\u00e7\u00e3o muito pequena perto da qualidade que a m\u00fasica brasileira cont\u00e9m intrinsecamente. Isso a\u00ed, quando a gente viaja, a gente percebe a grandeza da nossa m\u00fasica. Quando eu viajo, percebo a grandeza da minha m\u00fasica. \u00c9 uma m\u00fasica que seria vi\u00e1vel em qualquer pa\u00eds. Por\u00e9m, o showbiz \u00e9 isso. Ele \u00e9 cruel. Agora, essas coisas da pol\u00edtica cultural do mundo \u00e9 que me deixam de cabelo em p\u00e9 de ver como voc\u00ea n\u00e3o tem carreiras desse tamanho, como Paul McCartney. Os brasileiros se apresentam fora, Chico, Caetano, esses grandes consolidados de uma era, eles ainda t\u00eam uma grande aceita\u00e7\u00e3o na Europa, mas \u00e9 sempre de fundo pol\u00edtico. Sempre por tr\u00e1s voc\u00ea tem uma mola pol\u00edtica empurrando. Isso \u00e9 um defeito. Por que eu estou falando isso? Porque o Paul McCartney n\u00e3o tem. Ele n\u00e3o tem a mola pol\u00edtica. Talvez o Dylan tenha tido um momento em que ele era um poeta mais revolucion\u00e1rio. Mas n\u00e3o \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o como \u00e9 no Brasil. Uma condi\u00e7\u00e3o de perman\u00eancia em um status de showbiz. Ent\u00e3o, para muitas gera\u00e7\u00f5es, a gente olha coisas como aconteceram no movimento pop mundial e n\u00f3s n\u00e3o passamos nem longe. \u00c9 muito louco isso. Interessante voc\u00ea notar que o Paul McCartney n\u00e3o tem vi\u00e9s pol\u00edtico. Nunca teve. Como pode o maior nome do pop mundial que permanece como uma obra transformadora que mudou o mundo, e o alicerce dele n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Long And Winding Road - 1s Preview\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mVsiIxE_6OM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Diante de uma t\u00e3o vasta carreira, voc\u00ea conseguiria cravar seus trabalhos preferidos dele?<\/strong><br \/>\n(Pensativo) Olha, vou ficar no \u00f3bvio de &#8220;Yesterday&#8221;&#8230; &#8220;The Long and Winding Road&#8221;, que eu acho a obra-prima do Paul. E &#8220;Eleanor Rigby&#8221;, que \u00e9 uma m\u00fasica inacredit\u00e1vel. O \u201cRevolver\u201d acaba sendo o meu disco predileto dos Beatles. Inclusive, at\u00e9 da parte do Lennon. &#8220;She Said She Said&#8221; eu acho uma coisa inacredit\u00e1vel de bacana. E &#8220;Taxman&#8221;, do George. No \u201cAbbey Road\u201d, &#8220;Because&#8221;. Nossa! Aquilo \u00e9 um absurdo. E, tamb\u00e9m, &#8220;Michelle&#8221;, que \u00e9 puro Paul McCartney. &#8220;If I Fell&#8221; \u00e9 uma coisa linda, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como multi-instrumentista, Paul McCartney passou por fases de composi\u00e7\u00f5es que v\u00e3o desde o viol\u00e3o e contrabaixo at\u00e9 o piano, um dos seus principais meios de express\u00e3o musical. Voc\u00ea, Guilherme, tamb\u00e9m passou por isso em sua carreira, sendo que o piano se tornou sua marca. Para voc\u00ea, como se d\u00e3o essas transi\u00e7\u00f5es? No caso de Paul, que j\u00e1 tinha proximidade com o instrumento por causa do seu pai, foi providencial ter morado na casa da Jane Asher e l\u00e1 ter um piano de arm\u00e1rio ao seu alcance.<\/strong><br \/>\nSim. Isso aconteceu por causa da Jane Asher, que tinha um piano em casa quando ele morava l\u00e1. E ali ele focou no piano e come\u00e7ou a sair um monte m\u00fasica. \u00c9 o tal neg\u00f3cio: ele tem em uma namorada importante, uma atriz extremamente bonita, uma mulher forte, com pot\u00eancia como artista, como atriz. E aquilo foi muito instigante para ele. Tanto que ele foi morar l\u00e1 em pleno auge dos Beatles. E ali ele se sentou ao piano. Foi fundamental aquele piano de arm\u00e1rio na casa da Jane Asher. \u00c0s vezes, \u00e9 uma bobagem. Ele podia estar em um outro lugar. Mas l\u00e1 ele se sentia bem. E ali ele tinha firmeza espiritual para criar. O que ele construiu ali \u00e9 uma fase inacreditavelmente boa para ele. Acho que a Jane Asher foi muito positiva. N\u00e3o sei se a Linda Eastman foi t\u00e3o fodona assim na vida do Paul McCartney. N\u00e3o sei. Acho que n\u00e3o. Acho que a grande mulher ali foi a Jane Asher. Eu sou f\u00e3 da figura dela nesse momento. Ela o fez fazer muita coisa. A mulher ajuda muito. O c\u00f4njuge \u00e9 uma coisa que ajuda muito a instigar a pessoa a ir buscar. Por exemplo, &#8220;Imagine&#8221; \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o da Yoko Ono. A letra de &#8220;Imagine&#8221; ela soprou inteira para o John. Isso \u00e9 uma cren\u00e7a minha, sem provas, mas eu aposto nisso. Aquilo ali \u00e9 a descri\u00e7\u00e3o de um pensamento estruturado da Yoko. E \u00e9 maior obra prima da hist\u00f3ria do pop mundial que ela soprou inteira. Ent\u00e3o, \u00e0s vezes, as pessoas implicam com a Yoko, mas ela acabou dando a melhor ideia de todas: &#8220;imagine um mundo sem religi\u00e3o, sem propriedade, sem nada. Vivendo pelo hoje, pelo agora.&#8221; Nossa! N\u00e3o tem pre\u00e7o uma ideia dessa. Eu sei por que uma vez a gente passou uma temporada em Nova York e eu fiquei curioso, pois tem um restaurante chin\u00eas atr\u00e1s do Edif\u00edcio Dakota onde eles faziam pedidos. E a dona tinha uma foto da Yoko na parede. Eu fui conversar com a dona. Ela disse que conheceu a Yoko pessoalmente. Papo vem papo vai, ela solta essa. Que &#8220;Imagine&#8221; \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o da Yoko. A letra de &#8220;Imagine&#8221;. Olha que loucura! Amarrando isso, que eu acho que \u00e9 um palpite meu que acho que a Jane Asher foi uma mulher muito importante na vida do Paul McCartney. Isso porque era uma rela\u00e7\u00e3o muito instigante. J\u00e1 a Linda Eastman trouxe um &#8220;wellness&#8221; para a vida dele. Uma coisa mais californiana&#8230; de Santa Barbara. Agora, aquela intensidade dessas can\u00e7\u00f5es dessa \u00e9poca da Jane Asher, eu acho que tinha um drive mais exigente em cima do Paul. N\u00e3o sei. Essas coisas acabam pesando. Como o Lennon. A Cynthia, sua primeira esposa, foi muito importante em uma fase da vida dele. Mas depois ele acabou conhecendo a Yoko e demorou para ela realmente contribuir. Porque ela competia muito, ela o puxava muito para fora do assunto. E ele ficou muito disperso. Ela foi muito dispersa. Acho Jane Asher muito importante na vida do Paul McCartney, \u00e9 um palpite meu. Se a gente for se debru\u00e7ar sobre as m\u00fasicas que foram feitas. A pr\u00f3pria \u201cYesterday\u201d, desse per\u00edodo, ele comp\u00f4s na casa dela. \u00c9 inequ\u00edvoco que a Jase Asher conseguiu extrair o melhor do Paul McCartney. A mulher tem sempre uma influ\u00eancia muito forte sobre a profundidade. O c\u00f4njuge. E vice e versa, tamb\u00e9m. O c\u00f4njuge tem sempre uma influ\u00eancia muito grande. O que voc\u00ea \u00e9 capaz de gerar. O ambiente familiar, o ambiente dom\u00e9stico, ele \u00e9 muito importante.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Summer Recording Workshop sings &quot;Because&quot; by The Beatles\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gCOZIMJSO3M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen title=\"Summer Recording Workshop sings \"Because\" by The Beatles\"><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Beatles - Eleanor Rigby (From &quot;Yellow Submarine&quot;)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/HuS5NuXRb5Y?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen title=\"The Beatles - Eleanor Rigby (From \"Yellow Submarine\")\"><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Michelle\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DvYhIotxgOA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Paul McCartney - Maybe I\u2019m Amazed (Official Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cdDPR8GzXy8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Paul McCartney - &#039;My Brave Face [Original Demo]&#039;\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6-zrV_wIH34?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Paul McCartney: From the Archive \u2013 The Collaborations\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2kwWjzy1qUc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Let Me Roll It (Live on Later...with Jools Holland, 2010)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FJTBVdg1XLc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Paul McCartney &amp; Wings - Band On The Run (Official Music Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5P_VfLun96o?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde e assina o blog\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pel\u00edcula Virtual<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Especial Lennon 80 anos: <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/10\/09\/especial-lennon-80-o-encontro-de-marco-antonio-mallagoli-com-john\/\">O encontro de Marco Antonio Mallagoli com John<\/a><br \/>\n&#8211; Especial Lennon 80 anos: <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/10\/09\/especial-lennon-80-lizzie-bravo-a-brasileira-que-cantou-com-os-beatles\/\">Lizzie Bravo, a brasileira que cantou com os Beatles<\/a><br \/>\n&#8211; Especial: <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/07\/07\/especial-ringo-starr-80-anos-por-charles-gavin\/\">Ringo Starr 80 anos, por Charles Gavin<\/a><br \/>\n&#8211; Especial: <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/07\/07\/especial-ringo-starr-80-anos-por-joao-barone\/\">Ringo Starr 80 anos, por Jo\u00e3o Barone<\/a><br \/>\n&#8211; Entrevista: <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/06\/23\/guilherme-arantes-relembra-como-produziu-perdidos-na-selva-da-gang-90\/\">Guilherme Arantes fala sobre vida, universo, carreira e seu novo disco<\/a><br \/>\n&#8211; <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/07\/07\/especial-ringo-starr-80-anos-por-charles-gavin\/\">Guilherme Arantes conta como produziu \u201cPerdidos na Selva\u201d, da Gang 90<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Poucos compositores podem falar com tamanha naturalidade e sem dramatiza\u00e7\u00e3o barata sobre sua pr\u00f3pria finitude. Aquele que escreveu \u201cEleanor Rigby\u201d, \u201cMaybe I&#8217;m Amazed\u201d, \u201cShe&#8217;s Leaving Home\u201d, \u201cLet it Be\u201d e outras obras que pavimentaram a estrada da m\u00fasica na era moderna \u00e9 um deles.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/06\/18\/especial-paul-mccartney-80-anos-por-guilherme-arantes\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":67179,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[102,1187,1521],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67178"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=67178"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67178\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":67181,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67178\/revisions\/67181"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/67179"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=67178"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=67178"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=67178"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}