{"id":67052,"date":"2022-06-14T17:15:16","date_gmt":"2022-06-14T20:15:16","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=67052"},"modified":"2022-07-12T00:22:05","modified_gmt":"2022-07-12T03:22:05","slug":"esse-voce-precisa-ouvir-disintegration-o-apice-do-the-cure","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/06\/14\/esse-voce-precisa-ouvir-disintegration-o-apice-do-the-cure\/","title":{"rendered":"Esse voc\u00ea precisa ouvir: &#8220;Disintegration&#8221;, o \u00e1pice do The Cure"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100016802896941\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luciano Ferreira<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num espa\u00e7o de 10 anos, do lan\u00e7amento de \u201cThree Imaginary Boys\u201d (1979) at\u00e9 \u201cDisintegration\u201d (1989), Robert Smith lan\u00e7ou oito \u00e1lbuns de est\u00fadio com o seu The Cure, al\u00e9m de duas compila\u00e7\u00f5es \u2013 uma de singles (\u201cJapanese Whispers\u201d) e uma de hits (\u201cStanding on a Beach\u201d, cuja vers\u00e3o em cassete trazia no lado A as 13 faixas do best of e no lado b nada menos do que 12 b-sides rar\u00edssimos na \u00e9poca) \u2013 e um disco ao vivo, \u201cConcert\u201d. Paralelamente, excursionou e gravou um \u00e1lbum com Siouxsie and the Banshees e outro com o The Glove, projeto em parceria com Severin (baixista dos Banshees).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Engana-se, no entanto, quem pensa que Smith estava determinado a manter sua banda sob os holofotes com todo esse esfor\u00e7o discogr\u00e1fico, pois em muitos momentos ele pensou em acabar com ela. Robert sentia-se mais &#8220;confort\u00e1vel&#8221; como guitarrista dos Banshees do que como l\u00edder do The Cure. Com sua banda principal, ele tinha o peso e a responsabilidade de carregar o grupo, tendo que lidar com gravadora, sa\u00eddas e entradas de integrantes, al\u00e9m do clima barra pesada que havia se instalado ao redor do conjunto nos \u00e1lbuns \u201cFaith\u201d e \u201cPornography\u201d (1981 e 1982, respectivamente), com a banda sendo reduzida a ele e Tolhurst ap\u00f3s a turn\u00ea do \u00faltimo disco.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-67058\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/cure2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"706\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/cure2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/cure2-300x282.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas em 1988, \u00e9poca em que Smith come\u00e7ou a pensar no pr\u00f3ximo \u00e1lbum, muitas coisas tinham mudado. \u201cThe Head on the Door\u201d (1985) e \u201cKiss Me Kiss Me Kiss Me\u201d (1987), junto com a colet\u00e2nea \u201cStanding on a Beach\u201d (1986), haviam catapultado o The Cure a um patamar jamais imaginado pelo pr\u00f3prio Smith, exacerbando a &#8220;curemania&#8221; e levando a banda \u00e0s vendagens de milhares de c\u00f3pias (se \u201cFaith\u201d tinha sido disco de prata no Reino Unido com 60 mil c\u00f3pias vendidas, \u201cThe Head on the Door\u201d bateu nas 500 mil c\u00f3pias s\u00f3 nos EUA!). O Cure havia conquistado o p\u00fablico americano e de boa parte do mundo. Eram os queridinhos da MTV, com seus videoclipes, produzidos por Tim Pope em alta rota\u00e7\u00e3o. \u00c1lbuns de ouro e de platina se tornaram comuns na rotina da banda. Os shows agora eram n\u00e3o mais para algumas centenas de pessoas, mas para dezenas de milhares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como m\u00fasicos, a banda havia se estabelecido com um n\u00facleo central desde ent\u00e3o com: Smith, Simon Gallup (baixo), Porl Thompson (guitarra e teclados), Boris Williams (bateria) e Lol Tolhurst (teclados) \u2013 forma\u00e7\u00e3o que veio ao Brasil <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2013\/04\/10\/download-bizz-especial-the-cure-1987\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">para uma turn\u00ea hist\u00f3rica em 1987<\/a>. Finalmente, tudo parecia caminhar bem com o The Cure. Smith chegou a afirmar que &#8220;tudo que eu tinha sonhado em fazer estava dando frutos. De repente percebi que havia um n\u00famero infinito de coisas que poderia fazer com a banda&#8221;.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-67059\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/cure3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"467\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/cure3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/cure3-300x187.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de tudo isso, Smith n\u00e3o se sentia confort\u00e1vel com a propor\u00e7\u00e3o gigantesca que o Cure havia alcan\u00e7ado, transformando-se em megabanda, daquelas que precisam abandonar os pequenos teatros para tocar em est\u00e1dios. Ele tamb\u00e9m n\u00e3o estava \u00e0 vontade com os 30 anos se aproximando (ele nasceu em 21 de abril de 1959) e sentia que deveria lan\u00e7ar um \u00e1lbum que &#8220;definisse a trajet\u00f3ria do Cure&#8221;, mesmo que fosse o \u00faltimo. E, diante das press\u00f5es, voltou a usar drogas alucin\u00f3genas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentro desse contexto todo, Robert se sentiu praticamente obrigado a demitir o tecladista Lol Tolhurst, que o acompanhara em todos os trabalhos da banda desde o come\u00e7o, devido a s\u00e9rios problemas com \u00e1lcool e de relacionamento com os outros integrantes da banda. O Cure, que at\u00e9 ent\u00e3o funcionava como um sexteto, efetiva o tecladista Roger O&#8217;Donnell (Psychedellic Furs) em plena turn\u00ea de divulga\u00e7\u00e3o de \u201cKiss Me Kiss Me Kiss Me\u201d, e ele ser\u00e1 respons\u00e1vel pelo intenso trabalho de teclados do vindouro \u201cDisintegration\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-67060\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/cure4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"561\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/cure4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/cure4-300x224.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 perto de seu lan\u00e7amento, em 02 de maio de 1989, os executivos da gravadora Fiction, subsidi\u00e1ria da Universal Music, reuniram-se para a audi\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum e n\u00e3o ficaram nada satisfeitos. A percep\u00e7\u00e3o geral foi de que Robert Smith estava cometendo \u201csuic\u00eddio comercial\u201d. Apesar do exagero, havia certa raz\u00e3o na preocupa\u00e7\u00e3o, dado o contexto musical da \u00e9poca, dominado pela dance music e pelas raves, e que acrescentaria a barulheira intensa de nomes como Faith no More (que lan\u00e7aria \u201cThe Real Thing\u201d no m\u00eas seguinte) e Nine Inch Nails (\u201cPretty Hate Machine\u201d) ao pacote. Some-se a isso o fato de foram com a pegada pop e os climas menos &#8220;carregados&#8221; dos \u00e1lbuns anteriores (a partir de \u201cThe Top\u201d) que a banda havia alargado bastante seu p\u00fablico. Pisar no freio e mergulhar na introspec\u00e7\u00e3o n\u00e3o parecia a atitude mais correta para o Cure.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre obra-prima e suic\u00eddio comercial, o tempo tratou de mostrar que Robert Smith estava certo e conhecia seu p\u00fablico mais do que qualquer um. \u201cDisintegration\u201d n\u00e3o s\u00f3 manteve o status do The Cure intacto como conseguiu ampli\u00e1-lo ainda mais. &#8220;Lullaby&#8221;, o primeiro single do \u00e1lbum, alcan\u00e7ou a melhor posi\u00e7\u00e3o para a banda nas paradas at\u00e9 ent\u00e3o, e o \u00e1lbum vendeu mais de um milh\u00e3o de c\u00f3pias em pouco tempo de lan\u00e7ado. O tamanho que o The Cure havia chegado ficou mais evidente com a longa e desgastante turn\u00ea &#8220;The Prayer Tour&#8221;, que quase dissolveu a banda.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-67062\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/cure7.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"705\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/cure7.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/cure7-300x282.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDisintegration\u201d foi gravado entre dezembro de 1988 e fevereiro de 1989 no Hookend Recording Studios em Oxfordshire, contando com a produ\u00e7\u00e3o, mais uma vez de Dave Allen. Embora muitos vejam o \u00e1lbum como uma ruptura em rela\u00e7\u00e3o aos seus antecessores, olhando de perto, muito do que se ouve ali j\u00e1 havia, de alguma forma, sido apresentado tanto em &#8220;The Head on the Door&#8221; quanto em &#8220;Kiss Me&#8221;, n\u00e3o no todo, mas em partes, em faixas como &#8220;Sinking&#8221; e &#8220;One More Time&#8221;, com longos instrumentais e texturas de teclados densos. A diferen\u00e7a \u00e9 que Smith resolveu em &#8220;Disintegration&#8221; tornar esse lado mais denso o foco principal de todo o disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia, na verdade, era retomar ainda mais para tr\u00e1s na discografia da banda, voltando \u00e0 fase mais claustrof\u00f3bica do conjunto, aquela de \u201cPornography\u201d, que esfacelou a banda psicologicamente, preparando o terreno para uma futura trilogia, que seria completa s\u00f3 em 2000 com o \u00e1lbum \u201cBloodflowers\u201d \u2013o Cure viria at\u00e9 a fazer uma turn\u00ea chamada \u201cTrilogy\u201d com os tr\u00eas \u00e1lbuns tocados na integra. A diferen\u00e7a \u00e9 que para &#8220;Disintegration&#8221; ele estava cercado de mais m\u00fasicos, inclusive tecnicamente melhores. A despeito de seu humor dif\u00edcil \u00e0 \u00e9poca, o pr\u00f3prio Smith estava com dom\u00ednio maior de seu instrumento. Mas foi a presen\u00e7a de O&#8217;Donnell um dos pontos chaves que permitiu que o \u00e1lbum soasse t\u00e3o g\u00e9lido, gra\u00e7as as camadas de teclados criando uma grande massa espessa recobrindo boa parte das can\u00e7\u00f5es e sendo praticamente o centro das aten\u00e7\u00f5es em boa parte do \u00e1lbum, juntamente com o baixo em primeiro plano de Gallup.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Cure - Pictures Of You (Official Music Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/X8UR2TFUp8w?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certamente que &#8220;Disintegration&#8221; n\u00e3o \u00e9 um \u00e1lbum f\u00e1cil, e n\u00e3o atrai numa primeira audi\u00e7\u00e3o, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 como se a banda tivesse constru\u00eddo em torno de si uma grande e impenetr\u00e1vel muralha, requerendo do ouvinte muitas audi\u00e7\u00f5es. A abertura quase sinf\u00f4nica com &#8220;Plainsong&#8221; e seus versos sobre escurid\u00e3o, frio, velhice e o fim do mundo fornecem uma antevis\u00e3o do que est\u00e1 por vir ao longo das faixas. Para quem se acostumou com aquela banda de guitarras, o in\u00edcio pode assustar e at\u00e9 afastar num primeiro momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 em &#8220;Pictures of You&#8221;, a segunda faixa, retorna o The Cure guitarreiro num belo di\u00e1logo entre a guitarra de Porl Thompson e o baixo de seis cordas (afinado como guitarra) de Robert Smith tocando uma terceira melodia de fundo. Ele tamb\u00e9m tamb\u00e9m assume os teclados ao lado de Roger O&#8217;Donnell, com um criando uma gama de efeitos de fundo e outro seguindo mais discreto em seu papel de dar certa densidade. Smith canta sobre arrependimento enquanto olha pra fotos e avalia decis\u00f5es que poderiam ter sido diferentes.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Cure - Lovesong (Official Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ks_qOI0lzho?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Closedown&#8221; retoma os ambientes densos de teclados clim\u00e1ticos com batidas tribais e o baixo acentuado de Gallup. Aqui percebe-se o qu\u00e3o melodioso o The Cure se tornou em \u201cDisintegration\u201d, com as guitarras l\u00edmpidas fazendo progress\u00f5es de notas dedilhadas. &#8220;Love Song&#8221; (terceiro single do \u00e1lbum), composta especialmente para Mary, foge ao padr\u00e3o do disco e marca uma quebra nos climas quase sufocantes, posicionada de forma a dar o ouvinte um tempo para o respiro depois das sinfonias densas de &#8220;Plainsong&#8221; e &#8220;Closedown&#8221; e da melanc\u00f3lica &#8220;Pictures of You&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDisintegration\u201d \u00e9 um \u00e1lbum longo (59 minutos e 57 segundos lan\u00e7ado em vinil simples na \u00e9poca e relan\u00e7ado em vinil duplo com tr\u00eas faixas b\u00f4nus em 2010) e de longos instrumentais introdut\u00f3rios, algo que a banda havia experimentado em \u201cKiss Me Kiss Me Kiss Me\u201d (\u201cThe Kiss\u201d), e apresenta , at\u00e9 ent\u00e3o, a can\u00e7\u00e3o mais longa j\u00e1 composta pelo The Cure, a hipn\u00f3tica e invernal &#8220;The Same Deep Water As You&#8221; com seus barulhos de chuva e trov\u00f5es. Na vers\u00e3o CD (repassada ao streaming) ele se torna maior ainda (aproximando-se dos 72 minutos!), com a inclus\u00e3o das faixas &#8220;Last Dance&#8221; e &#8220;Homesick&#8221;.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Cure - Lullaby (Official Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ijxk-fgcg7c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No oitavo \u00e1lbum de est\u00fadio do The Cure, o ouvinte se v\u00ea conduzido por uma longa viagem pelos pesadelos de Smith expostos em suas letras, e &#8220;Lullaby&#8221; (o primeiro single), apesar do clima sedutor, retrata justamente isso: uma can\u00e7\u00e3o de ninar transformada em pesadelo: &#8220;E sinto como se estivesse sendo comido por cem milh\u00f5es de tr\u00eamulos buracos peludos&#8221;. O videoclipe de Tim Pope conseguiu capturar de forma precisa o conceito da m\u00fasica. Tanto que foi eleito o British Video of the Year at the 1990 no Brit Awards.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Fascination Street&#8221; (segundo single) retoma o di\u00e1logo entre o baixo de linhas circulares (um dos mais emblem\u00e1ticos criados por Gallup) e as guitarras de Robert Smith (lead) e Porl Thompson (efeitos), agora recheadas de efeitos viajados. O lado l\u00edrico de Smith, que se aproxima do quase po\u00e9tico, est\u00e1 expresso em versos como &#8220;Because I feel it all fading and paling and I\u2019m begging to drag you down with me to kick the last nail in&#8221;. A pr\u00f3xima, &#8220;Prayers for Rain&#8221;, retoma o lado mais sinf\u00f4nico do \u00e1lbum enquanto um Smith desesperado desfia versos sobre sensa\u00e7\u00f5es que parecem sa\u00eddas de um pesadelo induzido por alucin\u00f3genos: &#8220;Voc\u00ea me despeda\u00e7a, seu poder sobre mim, um agarr\u00e3o em mim, um dom\u00ednio t\u00e3o possessivo que mata&#8221;.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Cure - Fascination Street\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7ZsQdLlvuk4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se Smith exigiu bastante de seus companheiros de banda, tamb\u00e9m imp\u00f4s a si alguns desafios, principalmente diversificando o seu modo de cantar, indo do vocal sussurrado ao desesperado, do melanc\u00f3lico ao resfolegante na \u00e9pica faixa que d\u00e1 nome ao \u00e1lbum. De forma quase desesperada ele vai entoando os versos de uma forma sobreposta como se estivesse prestes a sufocar com os versos, algo que nem sempre conseguiu reproduzir ao vivo, sobre um arranjo de base das mais simples e repetitivas do \u00e1lbum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O encerramento com &#8220;Untitled&#8221; \u00e9 calmo, com direito a sons de acordeom emulados no teclado. Uma can\u00e7\u00e3o cujo tom \u00e9 mesmo de encerramento, com o vocal de Smith cantado de forma s\u00f3bria. Dentre as v\u00e1rias can\u00e7\u00f5es cuja letra cita a quest\u00e3o do tempo, obsess\u00e3o do vocalista na \u00e9poca, essa \u00e9 uma delas. Mas a letra fala tamb\u00e9m sobre arrependimentos, pesadelos, falta de esperan\u00e7a, finalizando com alguns dos versos mais pesados do \u00e1lbum: &#8221; Sem esperan\u00e7a de lutar contra a futilidade do dem\u00f4nio, sentindo o monstro escalar mais profundamente dentro de mim, sentindo-o roer esfomeadamente todo o meu cora\u00e7\u00e3o, eu nunca vou perder esta dor, nunca vou sonhar com voc\u00ea outra vez&#8221;.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-67061\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/cure6.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/cure6.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/cure6-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com \u201cDisintegration\u201d, Robert Smith afirmou ter percebido que, apesar dos seus esfor\u00e7os, o The Cure tinha se tornado tudo aquilo que eles n\u00e3o queriam que fossem: uma banda de est\u00e1dios. Foi o pre\u00e7o por ter constru\u00eddo uma discografia respeit\u00e1vel ao longo de uma d\u00e9cada, e tamb\u00e9m pela cria\u00e7\u00e3o de sua obra-prima antes de completar os 30 anos. Marca uma divis\u00e3o clara na discografia do The Cure, um \u00e1pice que a banda n\u00e3o conseguiu alcan\u00e7ar em nenhum dos \u00e1lbuns posteriores, e que apesar de seus mais de 30 anos, &#8220;envelheceu saud\u00e1vel&#8221;, um cl\u00e1ssico. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/esse-voce-precisa-ouvir\/\">Esse voc\u00ea precisa ouvir<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Ps. na reedi\u00e7\u00e3o caprichada da discografia cl\u00e1ssica da banda, &#8220;Disintegration&#8221; <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/0H6TddUF2M63ZSHGvhk5yy\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ganhou uma vers\u00e3o tripla em CD<\/a> com um segundo disco b\u00f4nus com 20 raridades (de home demos de Robert Smith at\u00e9 demos com a banda inteira e primeiros rascunhos de mix) e um terceiro que incluia &#8220;Entreat&#8221;, raro disco ao vivo que trazia as 12 can\u00e7\u00f5es da vers\u00e3o em CD retiradas de um show no Wembley Arena em 1989.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Ps2. No anivers\u00e1rio de 30 anos do \u00e1lbum, em 2019, o site Sound Like Us publicou <a href=\"https:\/\/slikeus.com\/the-cure-os-30-anos-de-disintegration\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">uma deliciosa reportagem especial<\/a>.<\/em><\/p>\n<p><em>Ps3. Conhe\u00e7a todos os discos do Cure <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/04\/23\/discografia-comentada-the-cure\/\">na discografia comentada especial do Scream &amp; Yell<\/a>.<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Plainsong (Remastered)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vb59lMEtHL4?list=OLAK5uy_mYrnV4E8b8hT9U839ul4MYFp7Xaz7HhtA\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Cure perform Disintegration | Full Set | Sydney Opera House\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/z9uSPf9WDbw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013<em> Luciano Ferreira \u00e9 editor e redator na empresa <a href=\"https:\/\/www.urgesite.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Urge :: A Arte nos conforta<\/a> e colabora com o Scream &amp; Yell.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Entre obra-prima e suic\u00eddio comercial, o tempo tratou de mostrar que Robert Smith estava certo e conhecia seu p\u00fablico mais do que qualquer um. \u201cDisintegration\u201d n\u00e3o s\u00f3 manteve o status do The Cure intacto como conseguiu ampli\u00e1-lo ainda mais.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/06\/14\/esse-voce-precisa-ouvir-disintegration-o-apice-do-the-cure\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":91,"featured_media":67057,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[4782,2580],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67052"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/91"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=67052"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67052\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":67068,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67052\/revisions\/67068"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/67057"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=67052"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=67052"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=67052"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}