{"id":67023,"date":"2022-06-13T14:06:58","date_gmt":"2022-06-13T17:06:58","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=67023"},"modified":"2023-12-01T13:40:24","modified_gmt":"2023-12-01T16:40:24","slug":"balanco-nos-primavera-sound-porto-2022-em-portugal-dia-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/06\/13\/balanco-nos-primavera-sound-porto-2022-em-portugal-dia-3\/","title":{"rendered":"Balan\u00e7o: NOS Primavera Sound Porto 2022, em Portugal \u2013 Dia 3 (Pabllo Vittar, Helado Negro, Dinosaur Jr., Khruangbin, Squid)"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Texto por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno Capelas<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/loveology_x\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Anna Vit\u00f3ria Rocha<\/a><\/strong><br \/>\n<strong>Fotos e v\u00eddeos por Bruno Capelas, exceto onde notado<\/strong><br \/>\n<span style=\"color: #ff0000;\">SAIBA COMO FOI O\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/06\/10\/balanco-nos-primavera-sound-porto-portugal-dia-1\/\">DIA 1<\/a><span style=\"color: #ff0000;\"> e o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/06\/11\/balanco-nos-primavera-sound-porto-2022-em-portugal-dia-2\/\">DIA 2<\/a> DO FESTIVAL<\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O terceiro dia do NOS Primavera Sound, al\u00e9m de ter sido o mais lotado, foi provavelmente o mais ecl\u00e9tico do festival portuense. Tal como a primeira noite, o s\u00e1bado teve ingressos esgotados \u2013 mas com p\u00fablico mais concentrado e chegando mais tarde para ir atr\u00e1s de atra\u00e7\u00f5es como Interpol e Gorillaz. Quem chegou mais cedo, por\u00e9m, teve a chance de se surpreender com bons momentos, com Helado Negro, Dinosaur Jr. e a brasileir\u00edssima Pabllo Vittar, aquecendo a noite j\u00e1 quente no Porto. Quem desviou dos palcos principais, por sua vez, pode ver rotas alternativas interessantes e ca\u00f3ticas, como a banda p\u00f3s-punk Squid e a cantora Grimes fazendo um DJ set. \u00c9\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que voc\u00ea confere a seguir, pelo terceiro dia seguido, \u00e9 um relato hor\u00e1rio, pessoal e honesto das desventuras da dupla de rep\u00f3rteres Bruno Capelas e Anna Vit\u00f3ria Rocha, entre guitarras sujas, bolinhos de bacalhau e sandu\u00edches com cogumelos. Ao final, um saldo geral de um festival provocativo, ousado, agrad\u00e1vel e de boa estrutura. Para quem pratica turismo olhando a agenda de shows, o Porto merece demais estar na rota \u2013 especialmente para aqueles que sofrem de FOMO, preferem escolher entre menos op\u00e7\u00f5es ou simplesmente amam um vinho do Porto. Ent\u00e3o, pronto?<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">18h &#8211; 20h<\/h2>\n<figure id=\"attachment_67024\" aria-describedby=\"caption-attachment-67024\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-67024 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/helado.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/helado.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/helado-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-67024\" class=\"wp-caption-text\"><em>Helado Negro \/ Foto: Bruno Capelas<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas:<\/strong> Certas pessoas costumam ter um tipo de sonho recorrente em que andam, andam, andam e nunca chegam a lugar nenhum. Comigo, esse sonho acontece em festivais: \u00e9 frequente a sensa\u00e7\u00e3o de chegar na frente de um palco e s\u00f3 ouvir um \u201cthank you, this is our last one!\u201d. No Porto, isso rolou duas vezes seguidas: mal hav\u00edamos cruzado os port\u00f5es do Parque da Cidade e o Dry Cleaning se despedia do p\u00fablico pouco antes das 18h \u2013 de longe, ainda na fila, deu pra ouvir sinais de um espet\u00e1culo vigoroso, digno de quem lan\u00e7ou um dos melhores discos de 2021.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>(O atraso tem justificativa: antes do festival, uma degusta\u00e7\u00e3o de vinhos do Porto na mais antiga cave de Portugal, a Real Companhia Velha, em Vila Nova de Gaia. Eram para ser quatro doses, mas foram cinco \u2013 porque a gente \u00e9 brasileiro e n\u00e3o perde a oportunidade de desarmar as defesas e botar um sorriso no rosto. Vale a visita demais #dicasdeturismo).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pausa pra uma Coca-Cola e um prego (agora sim, com carne!) e em frente rumo ao palco NOS, onde a banda Helado Negro abria os trabalhos. Ou melhor, fechava as contas com o semi-hit \u201cRunning\u201d, cantado a plenos pulm\u00f5es. Se em est\u00fadio o grupo \u00e9 l\u00e1 meio sem sal, ao vivo ele consegue gerar calor que d\u00e1 bastante vontade de tomar sorvete. Mas como todo sonho um dia acaba, finalmente um show inteiro: o Khruangbin, bastante apreciado pelo p\u00fablico majoritariamente europeu. O que n\u00e3o \u00e9 necessariamente bom: tem virtuosismo demais e remelexo de menos nesse trio quase instrumental, cujo momento mais decente foi uma sequ\u00eancia de covers digna da Antena 1 FM ou de m\u00fasica de elevador. \u00c9 preciso que se diga: \u00e0s vezes faz falta uns discos do A Cor do Som e do Pepeu Gomes na vida das pessoas. Malacaxeta, baby!<\/p>\n<figure id=\"attachment_67027\" aria-describedby=\"caption-attachment-67027\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-67027 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/aDSCN8151-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/aDSCN8151-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/aDSCN8151-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-67027\" class=\"wp-caption-text\"><em>Khruangbin \/ Foto de Bruno Capelas<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Anna Vit\u00f3ria Rocha:<\/strong> Nesse \u00faltimo dia de cobertura, sinto que posso me permitir a partilha de um perrengue chique: o foda de prestigiar um festival europeu \u00e9 ter que se confrontar com escolhas n\u00e3o apenas de quais bandas e artistas priorizar na agenda, mas tamb\u00e9m do que voc\u00ea vai abrir m\u00e3o para aproveitar a cidade incr\u00edvel em que os shows acontecem. Se nos dois primeiros dias a dificuldade esteve apenas em vencer as pernas cansadas para acordar cedo e turistar antes de tietar, no dia 11 a porra ficou s\u00e9ria. O Dry Cleaning subiria ao palco \u00e0s 17h, mas a tarde foi dedicada \u00e0 degusta\u00e7\u00e3o de vinhos do Porto do outro lado da ponte D. Lu\u00eds, em Vila Nova de Gaia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A loja de vinhos que fica na sa\u00edda da sala de degusta\u00e7\u00e3o \u00e9 perfeitamente projetada para pegar o turista altinho e maravilhado com as bebidas, mais disposto do que nunca a deixar bons euros ali \u2013 e s\u00f3 pensar no impacto disso no or\u00e7amento ap\u00f3s suar aquele \u00e1lcool horas depois. Da mesma forma, estando altinha e apaixonada por vinhos, abrir m\u00e3o do Dry Cleaning (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/02\/09\/scream-yell-melhores-discos-internacionais-2021\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">respons\u00e1vel por um dos meus lan\u00e7amentos favoritos de 2021!<\/a>) n\u00e3o foi assim uma escolha t\u00e3o dif\u00edcil \u2013 at\u00e9, claro, alcan\u00e7ar o palco quando o baixo pesado de Lewis Maynard emitia seus \u00faltimos acordes, encerrando o show com \u201cScratchcard Lanyard\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Havia bastante p\u00fablico no palco Cupra dado o hor\u00e1rio e acho que n\u00e3o falo s\u00f3 por mim quando afirmo que o grupo de p\u00f3s-punk ingl\u00eas merecia um slot de mais prest\u00edgio no festival. A parte boa: deu pra sentir que \u00e9 s\u00f3 o come\u00e7o dessa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para forrar o est\u00f4mago depois de tanto vinho, decidi experimentar o hamb\u00farguer de cogumelo e feij\u00e3o do P\u00e9 na Horta, acompanhado de batata chips com molho de alho. Aproveito para deixar minha indigna\u00e7\u00e3o com a completa aus\u00eancia de molhos da culin\u00e1ria portuguesa: custava caprichar no queijo derretido e no molho de alho tamb\u00e9m no lanche?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Dry Cleaning @ NOS Primavera Sound Porto\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YxGnpc3LPpI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">20h &#8211; 22h<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas:<\/strong> Durante quase dois anos trancado em casa, em v\u00e1rios momentos tive medo de nunca voltar a ver um show. E no relat\u00f3rio de pavores e sintomas que eu senti, um dos temores maiores era o de n\u00e3o poder mais presenciar algo que \u00e9 das coisas mais belas da m\u00fasica: a capacidade de artistas, em cima de um palco, conseguirem produzir energia a partir de uma entrega, mesmo lidando com dificuldades t\u00e9cnicas e problemas de for\u00e7a maior. Felizmente, com tr\u00eas doses de vacina no bra\u00e7o e uma recente recupera\u00e7\u00e3o de covid-19, l\u00e1 estava eu pra testemunhar isso de novo pelas m\u00e3os de tr\u00eas senhores \u201cfrom the Eighties\u201d, como bem lembrou Lou Barlow: o Dinosaur Jr.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Donos de um dos discos mais bonitos de 2021, \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/05\/24\/entrevista-dinosaur-jr\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sweep It Into Space<\/a>\u201d, o trio liderado por J. Mascis, o \u201cCanh\u00e3o de Massachusetts\u201d, tinha de lidar com uma adversidade de turn\u00ea. Sem seus instrumentos (ah, a Jazzmaster!) por conta de um extravio de bagagem na It\u00e1lia, o grupo pegou guitarras e baixos emprestados para fazer uma viagem cheia de som, suor, ru\u00eddo e muito amor. Teve novidades (\u201cI Ain\u2019t\u201d e \u201cGarden\u201d, esta cantada por Barlow e com Mascis esmerilhando no baixo), sujeira (\u201cLittle Fury Things\u201d), riffs inesquec\u00edveis (\u201cStart Choppin\u2019\u201d) e \u201co som da noite, as baladas\u201d (\u201cFeel the Pain\u201d e claro, a cover inesquec\u00edvel de \u201cJust Like Heaven\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um show pra abra\u00e7ar amigos e desconhecidos, se jogar na rodinha de pogo (com pedidos de desculpa ap\u00f3s cotoveladas) e se emocionar, a despeito das constantes pausas para Mascis achar a afina\u00e7\u00e3o em uma guitarra de outrem. Ao final, Barlow largou o baixo, foi pra frente do palco e lembrou as origens jur\u00e1ssicas com \u201cChunks\u201d, releitura da banda de hardcore de Boston Last Rights. Porrada. Que algu\u00e9m leve esse show pro Brasil em breve, pelo amor de Deus (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/06\/07\/entrevista-philipp-reichenheim-diretor-do-documentario-fala-sobre-freakscene-the-story-of-dinosaur-jr\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o document\u00e1rio contando a hist\u00f3ria deles j\u00e1 chegou<\/a>).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Dinosaur Jr. - I Ain&#039;t @ NOS Primavera Sound\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vsM-ZbT4RQE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Anna Vit\u00f3ria Rocha:<\/strong> Para matar a fome de um baixo pesado, voltei ao palco Cupra para prestigiar o Khruangbin\u2026 tamb\u00e9m conhecida como \u201cBanda Querubim\u201d. De posse do baixo, a magn\u00e9tica Laura Lee usava um vestido verde de plumas e alt\u00edssimos saltos cor de rosa. Sua franjinha e seus rebolados l\u00e2nguidos n\u00e3o fizeram muito a cabe\u00e7a dos brasileiros <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/11\/18\/popload-festival-2019-cresce-em-tamanho-e-em-filas-mas-e-abencoado-por-patti-smith\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">na passagem da banda pelo Brasil no Popload 2019<\/a> \u2013 se lembro bem, havia poucos gatos pingados na frente do palco do trio de Houston. Contudo, a hist\u00f3ria foi diferente no Porto, com a galera entregue e rebolativa, imersa na sonzera groovy dos querubins.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao meu lado, um Bruno Capelas mau humorado reclamava que aquela empolga\u00e7\u00e3o dos europeus era falta de Novos Baianos no repert\u00f3rio. Eu curti o show, mas fui obrigada a concordar. J\u00e1 no final, o Khruangbin resolveu jogar pra galera com um medley de covers que misturou trechos de \u201cBennie and The Jets\u201d (Elton John), \u201cWicked Game\u201d (Chris Isaak) e \u201cTrue\u201d (Spandau Ballet), que fez a galera ensaiar at\u00e9 um corinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A seguir, mais uma escolha dif\u00edcil: colar no calcanhar de J. Mascis para carimbar o show do Dinosaur Jr. na minha carteirinha indie ou dar aten\u00e7\u00e3o aos meus p\u00e9s cansados? Correndo o risco de colocar meu relacionamento sob amea\u00e7a, fiquei com a segunda op\u00e7\u00e3o. Para evitar o incha\u00e7o que me pegou na noite anterior, decidi curtir o privil\u00e9gio do Parque da Cidade para ouvir o Dinosaur Jr. deitada na grama, aproveitando o por do sol. De tempos em tempos as guitarras me chamavam, ent\u00e3o eu levantava o corpo para aproveitar o espet\u00e1culo completo. O encerramento com um cover pesado de \u201cJust Like Heaven\u201d emocionou o suficiente para me fazer cravar o show no meu top 5 particular do festival.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">22h &#8211; 0h<\/h2>\n<figure id=\"attachment_67025\" aria-describedby=\"caption-attachment-67025\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-67025 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/pabblo.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/pabblo.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/pabblo-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-67025\" class=\"wp-caption-text\"><em>Pabblo Vittar \/ Foto: Bruno Capelas<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas:<\/strong> H\u00e1 algumas semanas, eu cometi a emp\u00e1fia <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/05\/28\/balanco-festival-casarao-festeja-22-anos-com-grandes-shows-de-emicida-dead-fish-terno-rei-otto-daniel-groove-e-o-tronxo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">de dizer aqui neste site<\/a> que quero viver na rep\u00fablica federativa de Emicida. E ao testemunhar sua passagem pelo NOS Primavera Sound, preciso estender esse territ\u00f3rio para Pabllo Vittar, uma das artistas mais interessantes que o Brasil produziu nos \u00faltimos anos. Pabllo \u00e9 uma pessoa, e ao mesmo tempo, uma ideia: a ideia de um pa\u00eds pop, sofrente, rom\u00e2ntico, safado, rebolativo e, acima de tudo, com espa\u00e7o para sermos todos iguais nesta noite. Um pa\u00eds que, mais uma vez, entra num cometa pra deixar o mundo todo requebrando com amor, ao mesmo tempo em que olha para si sem medo de sentir orgulho por ser o que \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Porto, Pabllo n\u00e3o fez uma apresenta\u00e7\u00e3o perfeita. Ela sofreu com falta de luz, falhas de microfone, problemas no \u00e1udio de suas bases\u2026 e xingou muito fora do Twitter. Seu repert\u00f3rio tamb\u00e9m foi inconstante: se em Barcelona e no Coachella valia muito usar os feats em ingl\u00eas para falar com o p\u00fablico global, em Portugal (e acompanhada por muitos brasileiros), a cantora podia ter aproveitado mais seu repert\u00f3rio na flor do L\u00e1cio, especialmente destacando as can\u00e7\u00f5es do incr\u00edvel \u201cBatid\u00e3o Tropical\u201d. (Presen\u00e7a constante nos \u00faltimos shows da cantora enquanto ideia, o l\u00edder das pesquisas presidenciais s\u00f3 apareceu discretamente, em um chapeuzinho vermelho com seu nome, e em um breve \u201cfaz o L\u201d, mas a mensagem estava dada).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas quando Pabllo acertava, era rajada atr\u00e1s de rajada, com coreografias incr\u00edveis, pose de diva acess\u00edvel e muito espa\u00e7o para mostrar seu talento vocal. E quando os hits vinham, era preciso sair de baixo. Ruim da cabe\u00e7a ou doente do joelho todos mexeram a rab\u2026 bunda ou dan\u00e7aram coladinho ao som de \u201cVai Passar Mal\u201d, \u201cAmor de Que\u201d, \u201cA Lua Me Deu\u201d, \u201cSua Cara\u201d, \u201cParab\u00e9ns\u201d, \u201cBandida\u201d, \u201cRajad\u00e3o\u201d (que mistura, meu Deus!), ou \u201cZap Zum\u201d, numa cole\u00e7\u00e3o de petardos que j\u00e1 soa invej\u00e1vel. Visivelmente emocionada, Pabllo encerrou o show conquistando mais um territ\u00f3rio em seu projeto de domina\u00e7\u00e3o global. \u00c9 KO, meu amor.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pabllo Vittar - Amor de Que @ NOS Primavera Sound\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/d2Ws8KVc7So?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<div class=\"mceTemp\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Anna Vit\u00f3ria Rocha:<\/strong> Antes que o leitor julgue a neglig\u00eancia com o Dinosaur Jr, o momento \u201cmodo avi\u00e3o\u201d tinha uma excelente causa: Pabllo Vittar, minha headliner da noite. O ano era 2015 e eu era s\u00f3 uma estagi\u00e1ria de assessoria de imprensa da Universidade Federal de Uberl\u00e2ndia. No geral, o trabalho envolvia escrever releases sobre pesquisas de destaque e eventos universit\u00e1rios que ningu\u00e9m ligava muito. At\u00e9 o dia que caiu na minha mesa a miss\u00e3o de fazer uma nota sobre um certo aluno do curso de Design que acabara de lan\u00e7ar um clipe com consider\u00e1vel repercuss\u00e3o nas redes sociais. A m\u00fasica era \u201cOpen Bar\u201d, uma vers\u00e3o nacional de \u201cLean On\u201d, sucesso do Major Lazer que marcou aquele ver\u00e3o. No clipe, figurinhas carimbadas da noite uberlandense. A estrela, direto da UFU, era Pabllo Vittar. Ta\u00ed uma carteirada que dou sem mod\u00e9stia alguma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sete anos depois, Pabllo foi respons\u00e1vel por botar fogo em um dos shows mais animados do festival, colocando todo mundo para cantar, dan\u00e7ar e gritar seus sucessos. Seu repert\u00f3rio era de algu\u00e9m que fez bem o dever de casa da carreira internacional, misturando a frita\u00e7\u00e3o hyperpop de \u201cRajad\u00e3o\u201d, feats em ingl\u00eas e espanhol com nomes estrelados (sendo Lady Gaga o maior destaque), o \u201cOpen Bar\u201d que a trouxera at\u00e9 ali e o forr\u00f3 brega pra ningu\u00e9m botar defeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, talvez tenha faltado a Pabllo a confian\u00e7a para entender que n\u00e3o havia nada mais para ser provado ao p\u00fablico do NOS Primavera Sound \u2013 diferentemente de outras grandes arenas em que ela passou recentemente, como o Coachella e a edi\u00e7\u00e3o de Barcelona do festival. Est\u00e1vamos ali para ver Pabllo Vittar e celebrar o que ela faz de melhor, com sofr\u00eancia pra quem \u00e9 de sofr\u00eancia, safadeza para quem \u00e9 de safadeza, e at\u00e9 romance para quem calhou de passar aquela v\u00e9spera de Dia dos Namorados podendo se esfregar em seu par ao som de \u201cK.O.\u201d. Se as faixas em ingl\u00eas dessem lugar a alguns hits que ficaram de fora (como \u201cTriste com Tes\u00e3o\u201d e \u201cModo Turbo\u201d), seria um show perfeito. Ainda assim, me emocionei ouvindo tecnobrega por reencontrar Pabllo Vittar gigante, das notinhas universit\u00e1rias para o p\u00f3dio de uma das maiores e mais interessantes artistas do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s o show, mais uma pausa para recarregar as baterias, dessa vez com um cachorro vegetariano. Novamente, registro meu desgosto pela falta de molho. Se no Brasil brigamos nas redes sociais para decidir se pode ou n\u00e3o ter pur\u00ea de batata no dog\u00e3o, do outro lado do oceano ainda \u00e9 preciso lutar por direitos b\u00e1sicos como o do molho de salsicha. Mas divago.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De cantinho no palco do Interpol, deu vontade de tapar o umbigo para n\u00e3o deixar Paul Banks sugar de mim toda a puls\u00e3o de vida reunida no show da Pabllo. A Anna Vit\u00f3ria adolescente, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/04\/05\/entrevista-daniel-kessler-interpol-scream20anos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que ouviu \u201cTurn On The Bright Lights\u201d at\u00e9 fazer bico<\/a>, n\u00e3o me reconheceria, mas numa coisa preciso concordar com ela: \u201cEvil\u201d continua sendo uma can\u00e7\u00e3o boa demais.<\/p>\n<figure id=\"attachment_67028\" aria-describedby=\"caption-attachment-67028\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-67028 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/DSCN8437-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/DSCN8437-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/DSCN8437-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-67028\" class=\"wp-caption-text\"><em>Anna Vit\u00f3ria reinvidicando o molho de salsicha no dog\u00e3o tuga<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">0h &#8211; 2h<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas:<\/strong> A esta altura da noite, parecia que quase tudo de bom que havia pra acontecer j\u00e1 tinha acontecido \u2013 a ponto da gente se perder um pouquinho nas horas. Acerte o seu da\u00ed que eu arredondo o meu daqui: Pabllo come\u00e7ou seu show \u00e0s 21h20, e encerrou pouco depois das 22h. Na sequ\u00eancia, l\u00e1 pelas 22h30, veio o Interpol e seu status quase inexplic\u00e1vel de headliner, com Paul Banks e sua turma botando pra esfriar todo sentimento que Mascis &amp; Pabllo (j\u00e1 pensou essa parceria?) trataram de cultivar. Melhor dar uma \u00faltima passada na pra\u00e7a de alimenta\u00e7\u00e3o e zerar a lista de quitutes portugueses, com direito a um rissole de leit\u00e3o e um bolinho de bacalhau (\u20ac3,5) da Cafetaria Duarte. N\u00e3o estava bom, mas garantiu a sust\u00e2ncia necess\u00e1ria para os \u00faltimos passos da noite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Confesso que n\u00e3o entendo muito bem o que se passa na cabe\u00e7a de um curador de festival que, em vez de marcar um show de um artista ou um set de um DJ, chama um artista pra fazer um DJ set. Mas, de qualquer forma, a gente s\u00f3 vive uma vez na vida pra ter hist\u00f3ria pra contar. Nesse Primavera Porto, eu posso dizer que vi a m\u00e3e dos herdeiros mais ricos do mundo, Grimes, mixar \u201cOrinoco Flow\u201d, da Enya, em meio a seus beats. Teve mais: um trechinho de \u201cCreep\u201d, do Radiohead, e a americana falando besteira: \u201cI\u2019m sorry for anything wrong, don\u2019t blame me\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fim de um festival n\u00e3o podia ser melanc\u00f3lico assim: era preciso encerrar em grande estilo. E foi no discreto palco Binance, para um grupo de gatos pingados que n\u00e3o quiseram ver o Gorillaz, o conjunto ingl\u00eas Squid fez uma bel\u00edssima apresenta\u00e7\u00e3o. A receita \u00e9 conhecida, mas \u00e9 boa: cinco moleques cheios de energia, alternando bases p\u00f3s-punk com poderosas viagens instrumentais, com direito a solos de trompete e bonitas guitarras ruidosas. Destaque para o baterista\/vocalista Ollie Judge, um irm\u00e3o g\u00eameo de Ed Sheeran e do J\u00falio do \u201cCocoric\u00f3\u201d, que animou os presentes \u2013 e mostrou porque a banda merece demais ser vista de perto. Tempo de partir \u2013 no finzinho, ainda deu pra ouvir uns trechos do Gorillaz, r\u00e1pido o suficiente para n\u00e3o estragar a mem\u00f3ria do showza\u00e7o do Blur neste mesmo Parque da Cidade, h\u00e1 nove anos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_67026\" aria-describedby=\"caption-attachment-67026\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-67026 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/interpol1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/interpol1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/interpol1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-67026\" class=\"wp-caption-text\"><em>Interpol \/ Foto: Bruno Capelas<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Anna Vit\u00f3ria Rocha:<\/strong> O NOS Primavera Sound \u00e9 um festival t\u00e3o m\u00e1gico que deixa a gente capaz de esquecer um evento digno de nota na madrugada no Parque da Cidade: o DJ set da Grimes. Os graves pesados que ela mandou nas pickups eram altos o suficiente para dispensar uma visita ao palco, mas como eu perderia a oportunidade de passar os pr\u00f3ximos meses podendo dizer em toda mesa de bar que vi \u201cum DJ set da Grimes em Portugal\u201d?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se soubesse que estava ali para ser anedota, a ex-esposa de Elon Musk \u2013 e, confesso, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/31\/meu-disco-favorito-de-2020-grimes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">uma das minhas artistas problem\u00e1ticas favoritas<\/a> \u2013 cumpriu bem sua miss\u00e3o. Quem mais lan\u00e7aria Enya, Radiohead e Mariah Carey num intervalo de poucos drops?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A noite acabou no gramado orvalhado, a alguns metros da \u201csonzera doida\u201d oferecida pela banda Squid. Banda de bueiro e p\u00f3s-punk pra quem n\u00e3o tem medo de se sujar, mas um som cheio de energia que n\u00f3s conduziu at\u00e9 a sa\u00edda do festival com a carga de vida pra l\u00e1 de cheia, ainda que o corpo pedisse arrego. A escolha final, dessa vez muito f\u00e1cil: ver o Gorillaz, respons\u00e1vel por lotar o Parque da Cidade naquela noite, ou aproveitar para chegar em casa mais cedo? Tomamos o \u00f4nibus de volta sem qualquer remorso, mas j\u00e1 pensando em onde e quando acontece o pr\u00f3ximo show.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Squid - Paddling @ NOS Primavera Sound\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4KvNJ0ppfc0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>Passando a r\u00e9gua\u2026<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas:<\/strong> Ap\u00f3s tr\u00eas dias de sobe-e-desce-ladeira, o NOS Primavera Sound fechou 10 anos de exist\u00eancia com muita gra\u00e7a e um cheirinho de alecrim. Mesmo menor e mais focado no rock que o irm\u00e3o catal\u00e3o, o festival lusitano foi capaz de servir como um radar do que mais de interessante se produz na m\u00fasica atual, do rock mais barulhento ao pop, passando pelo Brasil tropical e pela vaga hispanohablante que assalta as paradas de sucesso. (Isso porque faltou perna, tempo ou disposi\u00e7\u00e3o para conferir nomes como Black Midi, Jenny Beth, Arnaldo Antunes ou Little Simz, que aumentariam radicalmente esta lista).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com um passaporte para tr\u00eas dias custando 155 euros (e entradas por dia na faixa dos 70 euros, j\u00e1 no \u00faltimo lote), o festival tem ainda boa infraestrutura, farta op\u00e7\u00e3o de comida &amp; bebida e pre\u00e7os razo\u00e1veis \u2013 uma pena que ainda vivemos no pa\u00eds de Paulo Guedes. \u00c9 bonito demais ver ainda um evento que tem compromisso com seu porte e respeito a seu p\u00fablico, das filas de tamanho razo\u00e1vel \u00e0s parcerias com o poder p\u00fablico para oferecer transporte mesmo em alta madrugada. Que sirva de inspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao final, mais que tudo, sobram as boas lembran\u00e7as de grandes shows \u2013 e como \u00e9 bom poder celebrar a m\u00fasica ao vivo neste 2022, mesmo que sob cuidados. (Eram raros os presentes que usavam m\u00e1scara no festival, enquanto a TV portuguesa passou dias a alertar sobre altas na taxa de cont\u00e1gio por conta dos eventos de grande porte, nuvem cinza que paira no horizonte aqui e d\u2019al\u00e9m-mar). Ainda assim, que beleza poder se arrepiar de novo com a m\u00fasica. Para repetir uma velha frase: como diria Geraldo Vandr\u00e9, a vida n\u00e3o se resume a festivais\u2026 mas bem que poderia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_67033\" aria-describedby=\"caption-attachment-67033\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-67033 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/primavera1-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/primavera1-1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/primavera1-1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-67033\" class=\"wp-caption-text\"><em>Foto: Hugo Lima \/ NOS Primavera Sound<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Anna Vit\u00f3ria Rocha:<\/strong> Se todos no mundo fossem iguais a voc\u00ea, Primavera Sound, a vida do f\u00e3 de m\u00fasica seria mais feliz. N\u00e3o poderia haver evento melhor para celebrar esse retorno ao mundo depois de dois anos de uma realidade mais empobrecida \u2013 nos mais diversos sentidos &#8211; e silenciosa. De porte menor que seu irm\u00e3o mais velho, o NOS Primavera \u00e9 perfeito para quem quer ouvir boa m\u00fasica sem sacrificar (muito) o corpinho, com espa\u00e7o suficiente para descobertas e encontros h\u00e1 muito aguardados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fiquei especialmente emocionada (me deixem, a pandemia me fez sentimental) com a diversidade do p\u00fablico. Se nos festivais brasileiros o que predomina \u00e9 um p\u00fablico mais jovem ou ent\u00e3o homog\u00eaneo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vibe dos artistas do line-up, o Parque da Cidade estava de portas abertas tanto para os modernos como para pessoas que pareciam estar em seu primeiro festival \u2013 seja pela falta da pinta de alternativo ou s\u00f3 mesmo pela pouca idade. Deu gosto de ver fam\u00edlias inteiras ocupando o espa\u00e7o e aproveitando o evento \u00e0 sua maneira, assim como um p\u00fablico mais velho que pode conferir seus \u00eddolos de perto sem grandes sacrif\u00edcios. Frequento eventos assim h\u00e1 mais de dez anos e poder voltar para os festivais especificamente no Primavera Sound me fez ver que essa \u201ccarreira\u201d pode ter uma longa vida.<\/p>\n<figure id=\"attachment_67032\" aria-describedby=\"caption-attachment-67032\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-67032 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/DSCN8212.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/DSCN8212.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/DSCN8212-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-67032\" class=\"wp-caption-text\"><em>Foto: Bruno Capelas<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Top 5 do Festival<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas<\/strong><br \/>\n1 &#8211; Nick Cave and the Bad Seeds<br \/>\n2 &#8211; Dinosaur Jr.<br \/>\n3 &#8211; Pabllo Vittar<br \/>\n4 &#8211; Pavement<br \/>\n5 &#8211; Maria Jos\u00e9 Llergo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Anna Vitoria Rocha<\/strong><br \/>\n1- Nick Cave<br \/>\n2- Pabllo Vittar<br \/>\n3- Caroline Polachek<br \/>\n4- Pavement<br \/>\n5- Dinosaur Jr.<\/p>\n<figure id=\"attachment_67031\" aria-describedby=\"caption-attachment-67031\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-67031 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/nosprimavera.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/nosprimavera.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/nosprimavera-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-67031\" class=\"wp-caption-text\"><em>Foto de Hugo Lima \/ NOS Primavera Sound<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">SAIBA COMO FOI O<\/span><\/strong><span style=\"color: #ff0000;\">\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/06\/10\/balanco-nos-primavera-sound-porto-portugal-dia-1\/\">DIA 1<\/a><span style=\"color: #ff0000;\"> e o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/06\/11\/balanco-nos-primavera-sound-porto-2022-em-portugal-dia-2\/\">DIA 2<\/a> <\/span><strong><span style=\"color: #ff0000;\">DO NOS PRIMAVERA SOUND PORTO 2022<\/span><\/strong><\/h2>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ap\u00f3s tr\u00eas dias de sobe-e-desce-ladeira, o NOS Primavera Sound fechou 10 anos de exist\u00eancia com muita gra\u00e7a e um cheirinho de alecrim. 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