{"id":6699,"date":"2010-12-13T19:40:11","date_gmt":"2010-12-13T21:40:11","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=6699"},"modified":"2017-06-01T09:37:15","modified_gmt":"2017-06-01T12:37:15","slug":"stone-temple-pilots-em-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/12\/13\/stone-temple-pilots-em-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Stone Temple Pilots em S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-6698\" title=\"stone1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/stone1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>texto por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/carmessias\" target=\"_blank\">Carlos Messias<\/a><\/strong><br \/>\n<strong>fotos por <a href=\"http:\/\/fotologue.jp\/stephansolon\/\" target=\"_blank\">Stephan Solon<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Stone Temple Pilots saiu vitorioso do seu show de estreia no Brasil, no dia 9 de dezembro, no Via Funchal, em S\u00e3o Paulo. Mas, como de costume, o triunfo foi alcan\u00e7ado aos trancos e barrancos. O quarteto entrou muito bem com a energ\u00e9tica \u201cCrackerman\u201d, tirada do seu disco de estreia, \u201cCore\u201d (1992), em que o vocalista Scott Weiland contrap\u00f5e a pr\u00f3pria voz com um megafone. Ao emendar a tamb\u00e9m poderosa \u201cWicked Garden\u201d, do mesmo disco, o impacto da entrada foi refor\u00e7ado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muito cedo ficou claro quem \u00e9 o motor do STP: o baterista Eric Kretz. Compar\u00e1vel a Dave Grohl, o m\u00fasico \u00e9 dono de uma pegada firme e executa as inventivas viradas de cada can\u00e7\u00e3o com propriedade.\u00a0 Ap\u00f3s uma breve pausa, em que Weiland entornou alguns goles de dois copos dispostos em frente \u00e0 bateria, mais uma boa sequ\u00eancia: \u201cVasoline\u201d, primeiro single do \u00e1lbum &#8220;Purple&#8221; (1994), e a contagiante \u201cHeaven and Hot Roads\u201d, de &#8220;N\u00ba 4&#8221; (1999). A primeira, um powerpop de acento glam rock. A segunda, um hard rock com pegada punk.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas duas m\u00fasicas, por si s\u00f3s, s\u00e3o capazes de contradizer associa\u00e7\u00f5es entre o STP e o movimento grunge, paralelo que a imprensa adora fazer. O r\u00f3tulo pode se referir ao movimento de Seattle, de onde, no in\u00edcio dos anos 90, surgiram bandas cujo som n\u00e3o tem muito a ver, como Perl Jam, Soundgarden e Alice in Chains; ou \u00e0 est\u00e9tica suja e ruidosa, derivada do garage e do punk rock, que foi cunhada nos anos 80 por bandas da mesma localidade, como The Fartz, U-Men, Green River e, depois, por Mudhoney e Nirvana (at\u00e9 certo ponto). De um jeito ou de outro, o Stone Temple Pilots, formado em San Diego (California), n\u00e3o se enquadra. Por coincid\u00eancia ou oportunismo (da banda, da gravadora?), as entona\u00e7\u00f5es de Weiland em \u201cCore\u201d se assemelham, sim, \u00e0s de Eddie Vedder. Em todo caso, Pearl Jam n\u00e3o \u00e9 o melhor exemplo de banda grunge e as semelhan\u00e7as param por a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Stone Temple Pilots \u00e9 uma banda de hard rock que bebe de diversas fontes, mas, ainda assim, continua sendo uma banda de hard rock. E isso ficou muito claro no show. Em riffs consistentes entremeados por solos basic\u00f5es, Dean DeLeo, o \u00fanico guitarrista, e seu irm\u00e3o, o articulado baixista Robert, conseguem forrar as m\u00fasicas com uma espessa camada de som. Nesse sentido, a banda honra suas influ\u00eancias setentistas, que v\u00e3o de Bachman Turner Overdrive e Cheap Trick a Deep Purple e Led Zeppelin.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Infelizmente, esta capacidade, rara no rock atual, n\u00e3o foi ajudada, como de costume, pelo som do Via Funchal, que estava distorcido e (pode culpar o t\u00e9cnico) pessimamente equalizado. Em certos momentos, o baixo e a bateria se sobressaiam de tal forma que parecia festa de debutante. Isso sem falar nos tel\u00f5es, de defini\u00e7\u00e3o jur\u00e1ssica. Enquanto a pista VIP n\u00e3o para de invadir o espa\u00e7o da pista comum, a casa deveria se preocupar mais em atualizar seus equipamentos. Outro fator que n\u00e3o contribuiu e quase colocou o show a perder foi a s\u00e9rie de longas pausas entre uma m\u00fasica e outra, o que brochava a plateia. Enquanto os instrumentistas faziam jams masturbat\u00f3rias, que nem amea\u00e7avam decolar, Weiland recorria aos aditivos l\u00edquidos ao p\u00e9 da bateria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-6700 aligncenter\" title=\"stone2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/stone2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"402\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/stone2.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/stone2-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><br \/>\nApesar de todo seu hist\u00f3rico de uso de drogas, e de supostas reca\u00eddas recentes, o l\u00edder cantou bem, com a voz ligeiramente aqu\u00e9m \u00e0 qualidade demonstrada nos discos. Vestindo um terno de executivo, o l\u00edder n\u00e3o parou de requebrar e se contorcer, de forma hipn\u00f3tica, durante a 1h20 de apresenta\u00e7\u00e3o. Uma esp\u00e9cie em extin\u00e7\u00e3o, o frontman se mostrou um rock star genu\u00edno. Inclusive pelo aspecto f\u00edsico, j\u00e1 que o m\u00fasico de 43 anos parecia seriamente debilitado. Ao final do show, sem palet\u00f3 e gravata e com a camisa encharcada de su\u00f3r, lembrava mais a um tioz\u00e3o b\u00eabado em festa de casamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um forte indicativo de que o m\u00fasico n\u00e3o est\u00e1 100%, &#8220;Stone Temple Pilots&#8221;, o disco mais recente, lan\u00e7ado neste ano, \u00e9 o primeiro na discografia da banda de que ele n\u00e3o participou da composi\u00e7\u00e3o de uma faixa sequer. Felizmente, o disco ficou bem al\u00e9m do esperado, com uma meia-d\u00fazia de can\u00e7\u00f5es \u00f3timas e outra metade de calhais. O p\u00fablico se mostrou receptivo ao repert\u00f3rio recente do grupo, e cantou junto em \u201cHickory Dichotomy\u201d e \u201cBetween the Lines\u201d \u2013 \u201cHazy Daze\u201d, a melhor do \u00e1lbum, n\u00e3o entrou.<br \/>\n&#8221;<br \/>\nMas n\u00e3o \u00e9 de hoje que Weiland n\u00e3o esbo\u00e7a o mesmo furor criativo. Ap\u00f3s o insosso &#8220;Shangri-La Dee Da&#8221; (2001), que sequer foi evocado no show e, 8 anos atr\u00e1s, terminou por arruinar a banda, o cantor ingressou em uma s\u00e9rie de furadas art\u00edsticas: a banda Velvet Revolver e seu segundo disco solo, \u201cHappy\u201d in Galoshes&#8221; (2008). N\u00e3o precisa dizer mais nada. Enquanto o Weilland estava com os ex-Guns N\u2019 Roses, os irm\u00e3os DeLeo formaram o Army of Anyone com o vocalista Richard Patrick (ex-Filter), outro projeto que deu com os burros n\u2019\u00e1gua. Ent\u00e3o, quando, ofereceram US$ 1 milh\u00e3o para que o STP voltasse para fazer dois shows em 2008, n\u00e3o pareceu uma m\u00e1 ideia para nenhuma das partes. Um n\u00e3o vive sem o outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como a carreira do quarteto, o show tamb\u00e9m teve seus momentos fortes de baixa, deflagrado em can\u00e7\u00f5es pouco eficazes ao vivo, como \u201cStill Remais\u201d, \u201cCinnamon\u201d, \u201cSilvergun Superman\u201d e sua vers\u00e3o sorumb\u00e1tica para \u201cDancing Days\u201d, do Led Zep. \u201cRecentemente voltamos a tocar uma can\u00e7\u00e3o que n\u00e3o toc\u00e1vamos h\u00e1 dez anos\u201d, anunciou Weilland. Realmente, n\u00e3o precisava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto o p\u00fablico se dispersava rumo ao balc\u00e3o de cerveja, a banda sacou alguns ases de espada, que tiveram fun\u00e7\u00e3o providencial. Foi o caso do hino depr\u00ea \u201cBig Empty\u201d, do hit datado \u201cPlush\u201d, em que o p\u00fablico cantou o refr\u00e3o antes da hora, e da marcante \u201cInterstate Love Song\u201d. \u201cHuckleberry Crumble\u201d, outra do disco novo, tamb\u00e9m agradou.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6701 aligncenter\" title=\"stone3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/stone3.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sequ\u00eancia matadora veio na dobradinha antes do bis, \u201cDown\u201d e \u201cSex Type Thing\u201d, \u00faltima antes da banda deixar o palco. Para quem n\u00e3o tinha em m\u00e3os o set list da turn\u00ea atual, a can\u00e7\u00e3o veio como uma surpresa. Trata-se da contundente faixa de abertura de &#8220;N\u00ba 4&#8221; (o da Estrela SOlit\u00e1ria), o melhor e mais subestimado disco do STP. Foi lan\u00e7ado logo ap\u00f3s a dissolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o-oficial do grupo e ap\u00f3s o notici\u00e1rio dos primeiros problemas de Weiland nas esferas qu\u00edmica, legal e marital. O disco \u00e9 permeado por uma aura assombrosa e todas suas faixas s\u00e3o excelentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1997, Erick Kretz e os irm\u00e3os DeLeo fizeram uma primeira tentativa de subsistir sem o mala do Weiland, quando formaram o Talk Show com o vocalista Dave Coutts e lan\u00e7aram um disco, autointitulado, que n\u00e3o vingou. No ano seguinte,o vocalista lan\u00e7ou seu primeiro disco solo, &#8220;12 Bar Blues&#8221; (1998), um trabalho bel\u00edssimo ao qual n\u00e3o foi dado o devido valor. Com uma atmosfera org\u00e2nica e intimista, &#8220;12 Bar Blues&#8221; tamb\u00e9m reflete os dem\u00f4nios interiores do cantor. Este per\u00edodo conturbado, entre 1996 e 2000, foi, na verdade, o \u00e1pice da vida criativa de Weiland. Fase brilhante que foi iniciada com o terceiro disco do Stone Temple Pilots, o neopsicod\u00e9lico &#8220;Tiny Music&#8230; Songs from the Vatican Gift Shop&#8221; (1996).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que naquela \u00e9poca servia de inspira\u00e7\u00e3o, h\u00e1 tempos leva a melhor sobre o artista. Por mais que, tecnicamente, ele consiga satisfazer, mant\u00e9m o tom ap\u00e1tico e o olhar distante por todo o show, mesmo quando, cheio de confian\u00e7a, sobe em uma plataforma (caixa de retorno?) na beirada do palco para imperar sobre do p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relacionamento com a plateia se estreitou quando a banda voltou para a \u00faltima dupla: a pungente \u201cDead &amp; Bloated\u201d e a arrebatadora &#8220;Trippin&#8217; on a Hole in a Paper Heart&#8221;, \u00fanica de Tiny Music tocada em S\u00e3o Paulo. Ao t\u00e9rmino, as luzes foram acesas para iluminar o p\u00fablico, que estava em polvorosa. Os quatro, aparentemente muito contentes, subiram no palanque de Weiland para um agradecimento conjunto, demonstrando afinidade entre si, por mais que na sequ\u00eancia fossem voltar para o hotel em v\u00e3s separadas. Ovacionados, eles pareciam n\u00e3o querer deixar o palco para poder absorver a aprova\u00e7\u00e3o dos espectadores. Kretz chegou a atirar na pista uma pele de bumbo inscrita com o logo da marca de aditivos STP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por mais que tenha sido uma apresenta\u00e7\u00e3o irregular, acabou representando um epis\u00f3dio feliz na tragic\u00f4mica hist\u00f3ria do grupo. \u00c0 caminho da sa\u00edda do palco, Weiland fez um sinal da cruz, como que agradecendo por ter sobrevivido a mais esta. Reze por eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-6702 aligncenter\" title=\"stone4\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/stone4.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"402\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/stone4.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/stone4-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*******<\/p>\n<p>&#8211; Carlos Messias \u00e9 jornalista e assina o blog <a href=\"http:\/\/semanualdeinstrucoes.blogspot.com\/\" target=\"_blank\">Sem Manual de Instru\u00e7\u00f5es<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Carlos Messias\nApesar do show irregular, Scott Weiland e cia escreveram mais um epis\u00f3dio feliz na tragic\u00f4mica hist\u00f3ria do STP. 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