{"id":66976,"date":"2022-06-11T15:30:37","date_gmt":"2022-06-11T18:30:37","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=66976"},"modified":"2022-06-28T14:43:46","modified_gmt":"2022-06-28T17:43:46","slug":"balanco-nos-primavera-sound-porto-2022-em-portugal-dia-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/06\/11\/balanco-nos-primavera-sound-porto-2022-em-portugal-dia-2\/","title":{"rendered":"Balan\u00e7o: NOS Primavera Sound Porto 2022, em Portugal \u2013 Dia 2 (Pavement, Slowdive, Beck, \u00a0Rina Sawayama, Maria Jos\u00e9 Llergo)"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Texto por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno Capelas<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/loveology_x\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Anna Vit\u00f3ria Rocha<\/a><\/strong><br \/>\n<strong>Fotos e v\u00eddeos por Bruno Capelas, exceto onde notado<\/strong><br \/>\n<span style=\"color: #ff0000;\">SAIBA COMO FOI O <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/06\/10\/balanco-nos-primavera-sound-porto-portugal-dia-1\/\">DIA 1<\/a> e o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/06\/13\/balanco-nos-primavera-sound-porto-2022-em-portugal-dia-3\/\">DIA 3<\/a> DO FESTIVAL<\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s grandes exibi\u00e7\u00f5es de Nick Cave &amp; The Bad Seeds e Caroline Polachek na quinta-feira na abertura do NOS Primavera Sound, e 15km caminhados em um s\u00f3 dia (ou 30km nos \u00faltimos dois), foi dif\u00edcil levantar da cama. Mas o sol aberto na cidade do Porto, o calor e a promessa de uma grande sexta-feira aliados a um line-up que tinha um mergulho nos anos 90 e uma viagem pela Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica sempre animam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tinha m\u00fasica pra todos os gostos no segundo dia do NOS Primavera Sound: do slacker rock do Pavement ao shoegaze do Slowdive, passando pela versatilidade de Beck e a dupla Amaia e Maria Jos\u00e9 Llergo aproveitando a trilha aberta no mato, com uma moto, pela compatriota Rosal\u00eda. Tinha ainda Arnaldo Antunes, mas um festival \u00e9 feito de escolhas e, como diria um an\u00f4nimo fil\u00f3sofo lusitano, \u201ctudo n\u00e3o d\u00e1\u201d. Ainda teve a doideira do 100 Gecs e v\u00e1rios shows encavalados (esperamos que Steve Albini nos perdoe). \u201cAgora sim, temos a for\u00e7a \u00e0 toda\u201d<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>18h &#8211; 20h<\/strong><\/h2>\n<figure id=\"attachment_66991\" aria-describedby=\"caption-attachment-66991\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-66991 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/primaveraporto.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/primaveraporto.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/primaveraporto-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-66991\" class=\"wp-caption-text\"><em>Foto de Hugo Lima \/ NOS Primavera Sound<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas:<\/strong> \u00c9 preciso muita disposi\u00e7\u00e3o para encarar um dos pratos t\u00edpicos da regi\u00e3o: a Francesinha, uma esp\u00e9cie de Croque Monsieur ogro, com camadas de p\u00e3o, bife, lingui\u00e7a, mortadela, presunto, queijo, ovo, molho e batata frita. Encarei uma antes de ir para o Parque da Cidade no Caf\u00e9 Santiago (10.50 \u20ac) e n\u00e3o comi durante o festival \u2013 as resenhas gastron\u00f4micas voltam amanh\u00e3, prometo. Ainda digerindo essa montanha de comida, embarquei de metro ao Primavera, indo do centro do Porto a Matosinhos, essa esp\u00e9cie de Santo Andr\u00e9-com-praia, num trajeto tranquilo. Viva o transporte p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E se cheguei ao festival logo no exato minuto em que Beach Bunny (tag #mulhereseguitarras #noventinha) encerrava seu show, foi tamb\u00e9m no tempo exato de ver um belo show de\u2026 flamenco. Muito obrigado, Rosal\u00eda: gra\u00e7as \u00e0 cantora catal\u00e3, o mundo descobriu que flamenco \u00e9 pop \u2013 e nomes interessantes pululam da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica. \u00c9 o caso de Maria Jos\u00e9 Llergo, dona de uma voz potente e um sorriso contagiante. Escudada por viol\u00e3o e um sintetizador cheio de efeitos, Llergo flertou com o lado tradicional do g\u00eanero e tamb\u00e9m com sua vers\u00e3o mais moderna (vale ir ouvir \u201cLa Luz\u201d), em um belo espet\u00e1culo. Ao final, e visivelmente emocionada com a recep\u00e7\u00e3o portuense, ela puxou um cl\u00e1ssico do bolso: \u201cPena, Penita, Pena\u201d. Ol\u00e9!<\/p>\n<figure id=\"attachment_66978\" aria-describedby=\"caption-attachment-66978\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-66978 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/aDSCN7768.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/aDSCN7768.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/aDSCN7768-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-66978\" class=\"wp-caption-text\"><em>Maria Jos\u00e9 Llergo \/ Foto de Bruno Capelas<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Anna Vit\u00f3ria Rocha:<\/strong> N\u00e3o sou uma frequentadora de festivais que costuma explorar o que o evento tem a oferecer al\u00e9m dos shows. Gosto de acreditar que ao menos nisso consigo ter foco: garantir um bom lugar, aproveitar a m\u00fasica, topar com amigos entre um palco e outro e, se der, fazer uma visita \u00e0 pra\u00e7a de alimenta\u00e7\u00e3o. Funciona para mim, mas achei que valia a pena quebrar a regra para ver o que o espa\u00e7o do NOS Primavera Sound preparou para seus frequentadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O menu do jantar , logo que cheguei ao festival, ficou a cargo do Comida de Rua: sopa de cenoura (o apre\u00e7o dos portugueses pela sopinha de entrada \u00e9 uma boa e singela surpresa da viagem), um generoso prato de chilli vegetariano com arroz, baba de camelo (o doce de leite dos portugueses) e uvas de sobremesa. Ao fundo, batidas e gritos vinham do show de Rina Sawayama no palco Cupra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A apresenta\u00e7\u00e3o parecia animada e a artista n\u00e3o economizou no carisma. Emocionada com a recep\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, Rina Sawayama saudou a comunidade LGBTQIA+ e mandou um salve tamb\u00e9m para os aliados da causa \u2013 estamos, afinal, no m\u00eas internacional do Orgulho. Muitas pessoas ostentavam a bandeira do arco-\u00edris, destaque tamb\u00e9m no show do Holy Nothing, mais cedo neste mesmo dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Explorar o espa\u00e7o de um festival significa tamb\u00e9m estar aberta \u00e0s boas surpresas oferecidas pela curadoria. Foi o caso do meu encontro com a espanhola Maria Jos\u00e9 Llergo: nessa febre-Rosal\u00eda em que estamos todos, fui atra\u00edda pelo flamenco que vinha do palco Super Bock. Por l\u00e1 fiquei at\u00e9 o final da apresenta\u00e7\u00e3o, um show apaixonado e cheio de entrega de uma artista que vai bater com for\u00e7a o salto dos sapatos para fazer valer o espa\u00e7o que a can\u00e7\u00e3o tradicional espanhola est\u00e1 galgando no cora\u00e7\u00e3o do p\u00fablico moderninho.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>20h &#8211; 22h<\/strong><\/h2>\n<figure id=\"attachment_66979\" aria-describedby=\"caption-attachment-66979\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-66979 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/aDSCN7820.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/aDSCN7820.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/aDSCN7820-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-66979\" class=\"wp-caption-text\"><em>Slowdive \/ Foto de Bruno Capelas<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas:<\/strong> Nem deu tempo direito de embalar na sofr\u00eancia espanhola: ali no palco ao lado, era hora de encarar os sapatos com o Slowdive no palco principal do NOS Primavera Sound. Tal qual um bom vinho do Porto, o quinteto envelheceu bem demais, obrigado. Em uma apresenta\u00e7\u00e3o digna de manual, o grupo passeou por diferentes fases da sua carreira \u2013 de hits do cl\u00e1ssico \u201cSouvlaki\u201d (\u201cAlison\u201d, sempre ela, \u201cSouvlaki Space Station\u201d) at\u00e9 as can\u00e7\u00f5es de \u201cSlowdive\u201d, de 2017, chegando at\u00e9 a um cover de Syd Barrett (\u201cGolden Hair\u201d). Rachel Goswell segue cantando muito, com a discri\u00e7\u00e3o costumeira, enquanto as guitarras de Christian Savill ainda batem fundo. Barulho, ru\u00eddo, refr\u00f5es espa\u00e7ados, um p\u00f4r do sol bonito demais e calor no cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(Enquanto isso, em algum lugar do Porto, algo me dizia que Steve Albini tamb\u00e9m fazia um grande show com o Shellac. Triste isso de perder shows no mesmo hor\u00e1rio \u2013 e fica aqui a nota de indigna\u00e7\u00e3o pra quem colocou, na noite anterior, o Black Midi em conflito com Nick Cave).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sequ\u00eancia, foi a vez de outra espanhola, Amaia, subir ao palco Super Bock, ali do lado. Cheia de charme, a cantora possui um repert\u00f3rio ainda \u00e0 espera de formata\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00e3o cantasse em espanhol, talvez dificilmente ela estaria presente em um festival de car\u00e1ter mais alternativo como o Primavera. De longe, era f\u00e1cil confundir o que ali se passava com as can\u00e7\u00f5es do grupo\/novela Rebelde. Gera\u00e7\u00e3o Y \u00e9 foda. Pelo menos valeu para descansar um bocado as pernas \u2013 e fica aqui um elogio \u00e0 geografia do Parque da Cidade. Os morros do recinto s\u00e3o um desafio aos joelhos, mas tamb\u00e9m permitem boa visibilidade ao p\u00fablico e a possibilidade de ver um show sentado na grama de boa. Valorizo demais.<\/p>\n<figure id=\"attachment_66980\" aria-describedby=\"caption-attachment-66980\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-66980 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/aDSCN7860.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/aDSCN7860.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/aDSCN7860-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-66980\" class=\"wp-caption-text\"><em>Amaia \/ Foto de Bruno Capelas<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Anna Vit\u00f3ria Rocha:<\/strong> Outra atra\u00e7\u00e3o paralela foi o gramado do Parque da Cidade, com direito a p\u00f4r do sol embalado pelo show do Slowdive. Se a priori o cen\u00e1rio primaveril parecia n\u00e3o combinar tanto com a atitude shoegaze e as guitarradas da banda, aos poucos a luz se costurou ao som para embalar o p\u00fablico numa apresenta\u00e7\u00e3o hipnotizante. O cen\u00e1rio ficava ainda mais bonito ao se reparar nas crian\u00e7as de rosto pintado e abafadores de som nos ouvidos que corriam pelo local \u2013 uma lembran\u00e7a gostosa de como o tempo fez bem para o Slowdive e seus f\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O vento gelado \u2013 cortesia da brisa do mar \u2013 me inspirou a descer uma dose de Jameson (7\u20ac) para manter o corpo quente enquanto esper\u00e1vamos as grandes atra\u00e7\u00f5es da noite. Munida tamb\u00e9m de um saquinho de pipoca (3\u20ac), voltei ao gramado para ouvir outra herdeira do mato capinado por Rosal\u00eda: era hora da espanhola Amaia subir no Super Bock. Aos 23 anos, o NOS Primavera Sound foi a estreia da cantora em palcos internacionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Emocionada com a oportunidade, Amaia fez um show doce, com can\u00e7\u00f5es fofas e rom\u00e2nticas que mostram de onde veio o destaque conquistado por ela nos shows de talento que marcaram o in\u00edcio de sua carreira \u2013 o que n\u00e3o \u00e9 necessariamente um elogio. Na pr\u00e1tica, as m\u00fasicas lembram algo entre o RBD e outros derivados em l\u00edngua espanhola que a cada gera\u00e7\u00e3o encontram uma nova itera\u00e7\u00e3o para fazer sucesso entre o p\u00fablico teen.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>22h &#8211; 0h<\/strong><\/h2>\n<figure id=\"attachment_66981\" aria-describedby=\"caption-attachment-66981\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-66981 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/aDSCN7896.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/aDSCN7896.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/aDSCN7896-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-66981\" class=\"wp-caption-text\"><em>Beck \/ Foto de Bruno Capelas<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas:<\/strong> Eu gosto do Beck. N\u00e3o, essa n\u00e3o \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o de apologia \u00e0s drogas \u2013 mas sim ao cantor californiano, talvez um dos maiores exemplos modernos de versatilidade musical. Em pouco mais de tr\u00eas d\u00e9cadas, Beck Hansen j\u00e1 encarnou diversos tipos de personagem, do f\u00e3 de m\u00fasica brasileira ao melanc\u00f3lico, do dan\u00e7ante ao sexy, do roqueiro ao rapper. Quase tudo \u00e9 muito bom \u2013 e \u00e9 at\u00e9 dif\u00edcil acreditar que o mesmo homem est\u00e1 por tr\u00e1s de \u201cLoser\u201d, \u201cLost Cause\u201d e \u201cDebra\u201d. Mas, quando ele subiu ao palco, tamb\u00e9m foi dif\u00edcil acompanhar seu ritmo: em alta velocidade, ele emendou porradas de mexer o quadril (\u201cDevil\u2019s Haircut\u201d, \u201cColors\u201d, \u201cUp All Night\u201d), mostrando potencial de levar o p\u00fablico \u00e0 estratosfera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas Beck acelerou demais e acabou queimando a largada. Ele estava t\u00e3o a fim de agradar o p\u00fablico que emendou uma s\u00e9rie de can\u00e7\u00f5es agitadas, mas sem dar espa\u00e7o para a plateia se divertir. O palco n\u00e3o ajudou: era um espa\u00e7o gigante e cheio de luzes fortes, que n\u00e3o permitiam aos presentes v\u00ea-lo direito, atrapalhando a conex\u00e3o cantor-audi\u00eancia. E nem mesmo quando se permitiu um momento mais calmo, com as belas baladas \u201cMorning\u201d e \u201cLost Cause\u201d, as coisas funcionaram direito. Perd\u00e3o o trocadilho, caro leitor, mas dessa vez n\u00e3o bateu direito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sequ\u00eancia, o plano era ver Arnaldo Antunes \u2013 mas a dist\u00e2ncia do palco Cupra fez o pulso pulsar para esperar o Pavement. De longe, ainda deu pra comer um pastel de nata e ouvir o 100 Gecs \u2013 que parecia como se algu\u00e9m tivesse digitalizado uma fita VHS mofada com um Disk MTV dos anos 2000, com clipes de Blink 182 e Britney Spears. Doidera, m\u00eao.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Anna Vit\u00f3ria Rocha:<\/strong> Logo ao lado, no principal palco da noite, o p\u00fablico come\u00e7ava a se reunir para esperar a chegada de Beck Hansen, muito aguardado em sua volta a Portugal ap\u00f3s quase 15 anos. El\u00e9trico em seu terno branco, Beck chegou parecendo disposto a tirar esse atraso, mas algumas escolhas t\u00e9cnicas deixaram o m\u00fasico em descompasso com seu p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acompanhado apenas de dois m\u00fasicos mas com muitas, muitas luzes e uma artilharia pesada de hits, Beck parecia aquele amigo que j\u00e1 chega alterado na festa e est\u00e1 sempre dois tons acima do resto da galera. Em vez de conduzir a plateia por sua Los Angeles vibrante, o artista parecia correr como uma formiga at\u00f4mica num frenesi pr\u00f3prio, sem dar tempo e espa\u00e7o para que os f\u00e3s entrassem no clima junto com ele. A dimens\u00e3o do palco \u2013 imenso e alto, bem acima do normal \u2013 n\u00e3o ajudou nesse caso, aumentando ainda mais a dist\u00e2ncia entre ele e a plateia, uma boa met\u00e1fora da noite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os poucos momentos de sintonia, como \u201cLost Cause\u201d e \u201cEverybody\u2019s Gotta Learn Sometimes&#8221;, foram quebrados com mudan\u00e7as s\u00fabitas de ritmo ou escolhas antip\u00e1ticas do artista, que em v\u00e1rios momentos preferiu ficar no canto do palco, fazendo gra\u00e7a com as c\u00e2meras, em vez de se conectar com o p\u00fablico. O que d\u00e1 raiva \u00e9 que esses poucos momentos foram legais o suficiente para darem um gosto do que o show poderia ter sido, mas n\u00e3o foi. Perdemos todos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Beck - Morning @ NOS Primavera Sound\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QIaWhbHFgaE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">0h &#8211; 2h<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas:<\/strong> Se voc\u00ea chegou at\u00e9 aqui, leitor, provavelmente \u00e9 porque \u00e9 um indie de carteirinha. E se \u00e9 indie de carteirinha, consegue entender n\u00e3o s\u00f3 o que significa ver o Pavement, mas tamb\u00e9m alguns sentimentos bastante obscuros dos rec\u00f4nditos da alma humana. Como o de fazer piadas verbais e jogos de palavras que s\u00f3 voc\u00ea vai entender. Ou de ter a sensa\u00e7\u00e3o de ser razoavelmente deslocado do resto da sociedade, uma condi\u00e7\u00e3o esquisita. De um lado, \u00e9 f\u00e1cil se sentir triste e sozinho, mas tamb\u00e9m parece haver certa gra\u00e7a no distanciamento, nesse \u201cmeu mundo e nada mais\u201d. J\u00e1 chamaram isso de s\u00edndrome do underground, mas vai um pouco al\u00e9m \u2013 ou pelo menos foi o que disse meu terapeuta. Nem sempre \u00e9 um tra\u00e7o desej\u00e1vel de personalidade, mas faz parte do pacote.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alternativo at\u00e9 a medula, o Pavement fez um show que pode se resumir nesse pre\u00e2mbulo. Rec\u00e9m-reunido para uma nova turn\u00ea ap\u00f3s 11 anos, o quinteto liderado por Stephen Malkmus chegou ao Porto sob forte antecipa\u00e7\u00e3o. Ali no palco, a trupe (refor\u00e7ada pela tecladista Rebecca Cole, do Wild Flag) parecia mais interessada em se divertir consigo mesma do que promover um di\u00e1logo \u2013 quase como um grupo de amigos que se encontra ap\u00f3s muito tempo, um mote cl\u00e1ssico de filme americano. Tal como nas atra\u00e7\u00f5es da Sess\u00e3o da Tarde, o concerto tem \u00f3bvios momentos altos (os solos de guitarra de Malkmus, \u201cStereo\u201d, \u201cRange Life\u201d, \u201cShady Lane\u201d, \u201cSpit on a Stranger\u201d&#8230;), mas tamb\u00e9m um certo gosto agridoce.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scott Kannberg e sua \u201cTwo States\u201d bem que tentaram estabelecer uma conex\u00e3o; o mesmo com Bob Nastanovich e a porradaria de \u201cUnfair\u201d. Mas se de um lado ficou, mais uma vez, claro porque o Pavement \u00e9 provavelmente uma das bandas mais influentes do rock alternativo, do outro restou a sensa\u00e7\u00e3o de que um pouco mais de esfor\u00e7o poderia ter transformado um show bom, nost\u00e1lgico, em algo digno de ser memor\u00e1vel. E como dizia o poeta, se s\u00f3 o que \u00e9 bom dura o tempo bastante para se tornar inesquec\u00edvel, faltou tempo: ap\u00f3s 20 m\u00fasicas, o Pavement deu tchau pra Porto sem bis, sem \u201cHere\u201d, \u201cSummer Babe\u201d, \u201cSilence Kid\u201d ou \u201cMajor Leagues\u201d, v\u00e1rios gold soundz impec\u00e1veis. Pena, penita, pena.<\/p>\n<figure id=\"attachment_66982\" aria-describedby=\"caption-attachment-66982\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-66982 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/aDSCN8052.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/aDSCN8052.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/aDSCN8052-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-66982\" class=\"wp-caption-text\"><em>Pavement \/ Foto de Bruno Capelas<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Anna Vit\u00f3ria Rocha:<\/strong> A expectativa para a chegada do Pavement era tanta que decidi gastar o \u00faltimo intervalo da noite guardando um bom lugar em frente ao palco. Logo ao lado rolava a frita\u00e7\u00e3o do 100 Gecs e meus t\u00edmpanos agradeceram a dist\u00e2ncia saud\u00e1vel. Decidi gravar um \u00e1udio para uma amiga que \u00e9 f\u00e3 da banda, que me respondeu com a seguinte frase: \u201cN\u00e3o d\u00e1 para ouvir nada, parece barulho de carro passando (pode ser que seja o som deles mesmo)\u201d. Acho que resume bem e digo isso como elogio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E ent\u00e3o chegou o momento que todos estavam esperando: \u201cWe\u2019re Pavement\u201d, disse Stephen Malkmus antes de ser cortado pelo som de sua pr\u00f3pria guitarra e os gritos de um p\u00fablico apaixonado. A melhor coisa de ver o Pavement no palco \u00e9 ver o contraste entre a completa aus\u00eancia da pinta de artista de seus membros \u2013 cada um deles \u00e9 um tiozinho \u00e0 sua maneira \u2013 e a capacidade deles de transformar isso num statement descolado a partir do som. Acho que \u00e9 isso que querem dizer com \u201cslacker rock\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O g\u00eanero aparece tamb\u00e9m na forma com que eles fazem a complexidade do som da banda, com sua profus\u00e3o de guitarras e letras verborr\u00e1gicas, parecer simples. Para uma banda que passou mais de 10 anos longe dos palcos, a nonchalance de Stephen Malkmus \u00e0s vezes incomoda e os momentos em que ele parece mais empolgado s\u00e3o aqueles em que o l\u00edder e guitarrista pode simplesmente curtir a pr\u00f3pria sonzera enquanto Bob Nastanovich (que at\u00e9 desceu ao fosso em determinado momento) e Scott Kannberg assumem a fun\u00e7\u00e3o de interagir com a plateia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O p\u00fablico n\u00e3o parecia se importar muito e talvez estivesse ali justamente para ver tudo isso em primeira m\u00e3o. Acompanhando os hits em coro \u2013 algo raro para o p\u00fablico no festival at\u00e9 aqui \u2013 e at\u00e9 ensaiando uma rodinha punk em \u201cUnfair\u201d, a banda teve o NOS Primavera Sound nas m\u00e3os, enquanto n\u00f3s tivemos a chance de preencher a carteirinha indie com o importante carimbo do Pavement, por mais cafona que seja admitir esse tipo de coisa. Que Stephen Malkmus n\u00e3o me ou\u00e7a. Vida longa aos festivais.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pavement - Stereo @ NOS Primavera Sound\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DGvR8kGUe60?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Top 3 do Dia 2 de NOS Primavera Sound<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bruno Capelas<\/strong><br \/>\n1 &#8211; Pavement<br \/>\n2 &#8211; Maria Jos\u00e9 Llergo<br \/>\n3 &#8211; Slowdive<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Anna Vit\u00f3ria Rocha<\/strong><br \/>\n1 &#8211; Pavement<br \/>\n2 &#8211; Slowdive<br \/>\n3 &#8211; Maria Jos\u00e9 Llergo<\/p>\n<figure id=\"attachment_67002\" aria-describedby=\"caption-attachment-67002\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-67002 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/primavera2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/primavera2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/primavera2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-67002\" class=\"wp-caption-text\"><em>Foto de Hugo Lima \/ NOS Primavera Sound<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong><span style=\"color: #ff0000;\">SAIBA COMO FOI O\u00a0<\/span><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/06\/10\/balanco-nos-primavera-sound-porto-portugal-dia-1\/\">DIA 1<\/a><span style=\"color: #ff0000;\"> e o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/06\/13\/balanco-nos-primavera-sound-porto-2022-em-portugal-dia-3\/\">DIA 3<\/a> DO NOS PRIMAVERA SOUND PORTO 2022<\/span><\/strong><\/h2>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Tinha m\u00fasica pra todos os gostos no segundo dia do NOS Primavera Sound: do slacker rock do Pavement ao shoegaze do Slowdive, passando pela versatilidade de Beck e a dupla Amaia e Maria Jos\u00e9 Llergo aproveitando a trilha aberta por Rosal\u00eda\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/06\/11\/balanco-nos-primavera-sound-porto-2022-em-portugal-dia-2\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":14,"featured_media":66983,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[5762,5761,5760,4326,47,93,2026],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66976"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=66976"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66976\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":67044,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66976\/revisions\/67044"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/66983"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=66976"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=66976"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=66976"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}