{"id":66452,"date":"2022-05-17T00:01:00","date_gmt":"2022-05-17T03:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=66452"},"modified":"2022-06-01T00:05:08","modified_gmt":"2022-06-01T03:05:08","slug":"entrevista-vinicius-lemos-fala-da-edicao-2022-do-festival-casarao-em-porto-velho-que-tera-emicida-dead-fish-e-terno-rei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/05\/17\/entrevista-vinicius-lemos-fala-da-edicao-2022-do-festival-casarao-em-porto-velho-que-tera-emicida-dead-fish-e-terno-rei\/","title":{"rendered":"Entrevista: Vinicius Lemos fala da edi\u00e7\u00e3o 2022 do Festival Casar\u00e3o, em Porto Velho, que ter\u00e1 Emicida, Dead Fish e Terno Rei"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">entrevista por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno Capelas<\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">2022 tem sido um ano de reencontros no mundo da m\u00fasica \u2013 afinal, depois de duas longas temporadas em casa, p\u00fablico e artistas finalmente podem voltar a se ver. Em Porto Velho, Rond\u00f4nia, por\u00e9m, h\u00e1 um retorno ainda mais aguardado para acontecer: a volta do <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/festivalcasarao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Festival Casar\u00e3o<\/a>. Realizado entre 2000 e 2014, o evento ajudou a formatar a cena local e trouxe artistas como Pato Fu, Cachorro Grande, Dead Fish e Emicida para se apresentarem pela primeira vez no Estado. Ap\u00f3s um longo per\u00edodo de hiberna\u00e7\u00e3o, provocado em boa parte pela retra\u00e7\u00e3o dos editais desde meados da \u00faltima d\u00e9cada, o festival se prepara para uma edi\u00e7\u00e3o especial em 2022 entre os dias 20 e 23 de maio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como se pode imaginar, n\u00e3o foi um retorno simples: inicialmente, o retorno do Casar\u00e3o estava marcado para acontecer em 2020, quando o festival completaria 20 anos. Mas a\u00ed veio a pandemia\u2026 e a comemora\u00e7\u00e3o acabou ficando para depois \u2013 com uma escala\u00e7\u00e3o que une nomes de porte nacional, como Emicida, Rashid, Otto e Terno Rei, com talentos locais como Gabri\u00ea, Os \u00daltimos, Distopia e Wari (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/06\/06\/balancao-festival-casarao-2014\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">uma das boas surpresas da edi\u00e7\u00e3o de 2014<\/a>), somando mais de 40 atra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao todo, ser\u00e3o quatro dias de shows no espa\u00e7o de eventos Talism\u00e3 2, com capacidade para receber duas mil pessoas a cada dia. Destes, um ter\u00e1 entrada gratuita com a doa\u00e7\u00e3o de 1 kg de alimento \u2013 em uma noite comandada pelo ga\u00facho Beto Bruno, ex-vocalista da Cachorro Grande, e com diversas bandas da regi\u00e3o no cartaz. Al\u00e9m disso, o festival conta ainda com o apoio de dois editais, da Funarte e do Banco da Amaz\u00f4nia, o que d\u00e1 esperan\u00e7as \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEra para ser uma edi\u00e7\u00e3o comemorativa, para contar a hist\u00f3ria do festival para uma gera\u00e7\u00e3o que n\u00e3o viveu aqueles anos\u201d, explica o diretor do festival, Vinicius Lemos. \u201cMas, com o adiamento, n\u00f3s ganhamos os editais e, de repente, o Casar\u00e3o virou algo que o meio cultural apoiou de novo\u201d, afirma ele, que ainda n\u00e3o confirma se o festival ter\u00e1 um retorno em 2023\u2026 mas d\u00e1 boas pistas na entrevista a seguir, em um papo animado com o Scream &amp; Yell, que j\u00e1 esteve no Casar\u00e3o quatro vezes: <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/06\/28\/festival-casarao-porto-velho\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">2010<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/tag\/casarao2012\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">2012<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/05\/31\/festival-casarao-2013-porto-velho\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">2013<\/a> e <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/06\/06\/balancao-festival-casarao-2014\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">2014<\/a> (e retornar\u00e1 este ano!)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na conversa, Vinicius conta mais da hist\u00f3ria do <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/festivalcasarao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Festival Casar\u00e3o<\/a> e fala sobre a expectativa para o evento deste ano, al\u00e9m de fazer uma an\u00e1lise sobre a cena local e o legado da cena de festivais das \u00faltimas duas d\u00e9cadas no Pa\u00eds. Al\u00e9m disso, ele tamb\u00e9m fala sobre como \u00e9 ter uma vida dupla \u2013 hoje, al\u00e9m de organizar o Casar\u00e3o, ele \u00e9 professor de Direito e processualista respeitado no Brasil todo. Com a palavra, Vinicius Lemos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-66459\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/casaraodia1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/casaraodia1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/casaraodia1-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/casaraodia1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Festival Casar\u00e3o nasceu nos anos 2000 e teve 15 edi\u00e7\u00f5es at\u00e9 2014. Pode parecer piada, mas a pergunta importante pra gente come\u00e7ar \u00e9 \u201cpor que parou?\u201d.<\/strong><br \/>\nFizemos o Casar\u00e3o de forma ininterrupta entre 2000 a 2014, sempre com altos e baixos. Tudo come\u00e7ou com uma festa, que tinha como principal atra\u00e7\u00e3o o local, um casar\u00e3o na beira do Rio Madeira, num lugar que \u00e9 de uma cidade que foi extinta, Santo Ant\u00f4nio do Madeira, um munic\u00edpio rival de Porto Velho. Era um lugar buc\u00f3lico, no meio do mato. Eu comecei a festa com 19 anos, enquanto era acad\u00eamico de Direito. Durante a faculdade, eu n\u00e3o trabalhava, ent\u00e3o eu fazia eventos, cheguei a trazer o IRA! para c\u00e1 na turn\u00ea do \u201cIsso \u00e9 Amor\u201d. E a\u00ed tinha uma coisa interessante: na \u00e9poca, quase todos os jovens de Porto Velho iam estudar fora. Se voc\u00ea quisesse fazer um curso bom, que n\u00e3o fosse Direito, voc\u00ea tinha que sair da cidade. Ent\u00e3o existia um grupo de 500, mil pessoas, que iam estudar fora, e em julho elas voltavam para passar f\u00e9rias aqui, com uma outra cabe\u00e7a, de gente que tava em todo canto do Brasil. Eu queria fazer uma festa para esse pessoal, e achei esse casar\u00e3o. Na primeira festa, eu achei que s\u00f3 os meus amigos iriam, mas acabou dando 800 pessoas. Aos poucos, o Casar\u00e3o foi se tornando uma festa no calend\u00e1rio da cidade. E a\u00ed com o boom da cena independente, ali em 2004, 2005, com bandas como Autoramas e Ludov aparecendo no VMB, a gente transformou a festa em festival. Ficamos uma d\u00e9cada assim, mas com a crise do governo Dilma, a coisa foi piorando. O governo Dilma foi muito dif\u00edcil para a cultura, especialmente quando a Ana de Hollanda assume a Funarte. Era outra vis\u00e3o da cultura, diferente do governo Lula, e a gente vai sendo asfixiado em editais, o festival foi minguando. Em 2013, a gente ganhou s\u00f3 o edital do Banco da Amaz\u00f4nia, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/05\/31\/festival-casarao-2013-porto-velho\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que ajudou a segurar<\/a>, mas em 2014 n\u00e3o rolou nada, e eu percebi que a gente n\u00e3o ia conseguir continuar. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/06\/06\/balancao-festival-casarao-2014\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fizemos uma edi\u00e7\u00e3o mais enxuta para marcar os 15 anos<\/a>, com artistas soltos, como o Nevilton, o Bruno Souto, o Jair Naves, mais o Los Porongas e o Descordantes do Acre, tentamos gastar o m\u00ednimo com passagem. A edi\u00e7\u00e3o custou R$ 25 mil, n\u00e3o se pagou, mas funcionou. E em 2015, eu acabei come\u00e7ando o mestrado em Direito e decidi que s\u00f3 ia fazer o Casar\u00e3o se rolasse um edital. E n\u00e3o rolou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o que te fez voltar com o festival em 2020?<\/strong><br \/>\nEu tenho dois filhos adolescentes, e eles nunca viveram o festival, mas sempre perguntavam do Casar\u00e3o, quando iam voltar. Eles ficavam olhando minhas camisetas, eu tenho uma cole\u00e7\u00e3o de umas 50 camisetas do festival. E eu sempre dizia que o festival ia voltar quando fizesse 20 anos. Quando chegou em 2019, eu tinha acabado o doutorado, estava mais tranquilo, e comecei a fazer os planos com a minha esposa, que dividia a responsabilidade do festival comigo. Antes dela topar, ela perguntou que artistas eu queria trazer \u2013 e disse que ia topar se eles aceitassem tocar com a gente. E eu pensei de cara nos dois artistas que tem a aura do Casar\u00e3o: o Emicida e o Dead Fish. O Emicida tinha vindo pra c\u00e1 em 2011, e ele contou pra gente uma coisa legal: em 2007, o Casar\u00e3o foi o primeiro festival que ele mandou um email. A gente n\u00e3o contratou na \u00e9poca porque a gente n\u00e3o tinha uma pegada rap, mas \u00e9 isso, ele dizia que era um sonho dele tocar no Norte e o Casar\u00e3o propiciou isso. Depois disso, eu fiquei muito amigo do Fi\u00f3ti, a gente foi curador da Funarte juntos em 2015, e decidi mandar um \u00e1udio pra ele. Lembro que eles estavam numa turn\u00ea pelo exterior, o Fi\u00f3ti falou assim: \u201colha, a gente t\u00e1 num fuso hor\u00e1rio meio trocado, vou ouvir o \u00e1udio e te falo, mas se for sobre o Casar\u00e3o, a gente participa\u201d. E n\u00e3o s\u00f3 isso: al\u00e9m do Emicida, vem tamb\u00e9m o Rashid. J\u00e1 o Dead Fish foi a \u00faltima banda a tocar no casar\u00e3o hist\u00f3rico, l\u00e1 atr\u00e1s, e tamb\u00e9m tocaram aqui em 2011. E com eles foi a mesma coisa: mandei mensagem pro empres\u00e1rio <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/03\/19\/entrevista-rodrigo-lima-e-o-dead-fish-de-volta-a-estrada\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">e eles toparam na hora<\/a>. Ent\u00e3o come\u00e7ou a rolar o festival de 2020, que tinha como plano contar a nossa hist\u00f3ria. Ia ter um lineup de Rond\u00f4nia atual, com artistas como a Gabri\u00ea, mas tamb\u00e9m com bandas que fizeram parte da nossa hist\u00f3ria, como o Wado, o Cassino Supernova, a Maria Melamanda, era para ser uma retrospectiva mesmo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-66461\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/casaraodia2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"583\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/casaraodia2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/casaraodia2-300x233.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa edi\u00e7\u00e3o comemorativa era para ter sido em maio de 2020, mas a\u00ed veio a pandemia\u2026<\/strong><br \/>\nE a\u00ed tudo mudou. Obviamente, tivemos que adiar o festival e a\u00ed o contexto come\u00e7ou a mudar. No final de 2020, n\u00f3s nos inscrevemos no edital da Funarte e passamos entre os 24 festivais contemplados. Em 2021, com a indecis\u00e3o da pandemia, entramos no edital do Banco da Amaz\u00f4nia. E a\u00ed o que era para ser uma comemora\u00e7\u00e3o, quase pessoal, virou algo que o meio cultural abra\u00e7ou de novo. E se a gente n\u00e3o tinha apoio em 2014, conseguimos dois editais, al\u00e9m de v\u00e1rios apoios e permutas, fazendo o valor chegar a quase R$ 100 mil. E com isso a gente percebeu que tinha que mudar o esp\u00edrito do festival, trocando por bandas mais atuais, como o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/03\/10\/entrevista-terno-rei-lanca-disco-gemeos-e-se-prepara-para-show-no-lollapalooza\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Terno Rei<\/a> e o Selvagens \u00e0 Procura de Lei. Queremos continuar contando nossa hist\u00f3ria, mas tamb\u00e9m nos conectarmos com o novo, para talvez continuar no ano que vem. Eu n\u00e3o sei ainda qual \u00e9 o futuro do Casar\u00e3o, mas acho que temos tudo para continuar tendo apoio de editais, apoio da cena. Se o festival tivesse rolado em 2020, teria sido uma volta, mas dificilmente a gente teria feito outras edi\u00e7\u00f5es, mesmo se fosse um sucesso de p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Antes de falar mais do Casar\u00e3o, Vinicius, eu queria entender um pouco sobre a tua hist\u00f3ria. Nas redes sociais, voc\u00ea fala do festival, mas tamb\u00e9m fala muito de Direito \u2013 \u00e9 professor, tem livros publicados, doutorado\u2026 Como \u00e9 que voc\u00ea concilia essas duas coisas?<\/strong><br \/>\nQuando eu comecei o Casar\u00e3o, como eu disse, eu tinha 19 anos. Nos primeiros anos, eu fazia o festival e conciliava com a minha carreira na advocacia. Eu me formei em 2003, sempre tive escrit\u00f3rio, fui advogado, era advogado que atendia banco e tocava o festival. Durante muito tempo, eu era conhecido como o Vinicius do Casar\u00e3o. Mas ao longo do tempo, as coisas mudaram: em 2010 eu comecei a dar aulas, e em 2012, virei conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aqui em Rond\u00f4nia. Hoje, eu sou doutor em Direito, tenho livros publicados, vendidos no Pa\u00eds todo, dividi minha vida entre ser advogado, professor e acad\u00eamico. Eu acabei de passar no concurso da Universidade Federal do Acre. Acabei invertendo a l\u00f3gica: tenho 41 anos hoje, h\u00e1 12 eu formo advogados, e percebi que hoje, a advocacia tamb\u00e9m me ajudou a abrir portas que eu n\u00e3o conseguia abrir antes. \u00c9 um pouco essa a situa\u00e7\u00e3o: eu tenho uma equipe hoje que toca o Casar\u00e3o, mas n\u00e3o acho que eu v\u00e1 voltar a ser o Vinicius do Casar\u00e3o, foi uma transforma\u00e7\u00e3o grande.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-66462\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/casarao3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"585\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/casarao3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/casarao3-300x234.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Casar\u00e3o tem uma coisa legal na escala\u00e7\u00e3o, ao juntar nomes da cena nacional com bandas locais. Que nomes locais voc\u00ea destaca na edi\u00e7\u00e3o desse ano?<\/strong><br \/>\nTem tr\u00eas bandas que contam n\u00e3o s\u00f3 a hist\u00f3ria do Casar\u00e3o, mas tamb\u00e9m do rock de Rond\u00f4nia. A primeira \u00e9 a Nitro, que tem 30 anos de hist\u00f3ria, j\u00e1 gravou com o Rick Bonadio e tocou em festivais como o Por\u00e3o do Rock. Tem o Quilomboclada, que \u00e9 o nosso Na\u00e7\u00e3o Zumbi, levando a linguagem da terra: se l\u00e1 \u00e9 o mangue, aqui \u00e9 o quilombo, \u00e9 a beira da beira do rio. E tem a Coveiros, que \u00e9 uma mistura de Sepultura com Ratos de Por\u00e3o, uma banda pesad\u00edssima. Das bandas novas, eu destaco a Gabri\u00ea, que tem uma MPB numa vertente como a da C\u00e9u, e duas bandas pop daqui, a Distopia e Os \u00daltimos. Al\u00e9m disso, tem os rappers: por conta do Rashid e do Emicida, a gente abriu um olhar para a cena rap daqui, trazendo caras como o F2, o O Flores, o Vinicius Mavi, que faz mais um trap. \u00c9 uma tentativa de mesclar hist\u00f3ria e novidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No Brasil, diversos festivais ajudaram a formatar as cenas de suas cidades \u2013 e acho que Goi\u00e2nia \u00e9 um \u00f3timo exemplo. Na sua vis\u00e3o, como o Casar\u00e3o ajudou a cena de Rond\u00f4nia?<\/strong><br \/>\n\u00c9 algo interessante: quando os festivais surgem com for\u00e7a, ali em meados dos anos 2000, eles viram a ponta de lan\u00e7a das cenas, voc\u00ea tem at\u00e9 a forma\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin). Nesse come\u00e7o, todo mundo queria tocar nos festivais, mas a\u00ed aconteceu um fen\u00f4meno aqui \u2013 e que imagino que tenha rolado em outras cidades tamb\u00e9m. N\u00e3o d\u00e1 para as mesmas bandas tocarem sempre nos mesmos festivais, tem que ter um rod\u00edzio\u2026 e al\u00e9m disso, muitas bandas come\u00e7aram a sentir que n\u00e3o podiam fazer seus shows fora dos festivais. E a\u00ed chega uma hora que a cena come\u00e7a a ir contra o festival. Eu ouvi muito, ao longo dos anos, que o Casar\u00e3o n\u00e3o olhava para as bandas locais, s\u00f3 para as bandas de fora, em termos de prest\u00edgio do lineup. Mas tem isso: o que chama o p\u00fablico, muitas vezes, n\u00e3o \u00e9 a banda local, mas sim a banda de fora. Quando a gente fez a pen\u00faltima edi\u00e7\u00e3o do Casar\u00e3o, rolou um manifesto das bandas daqui: elas tinham dito que o festival at\u00e9 tinha sido legal, mas n\u00e3o tinha dado destaque das bandas locais. E eu senti naquele momento que a cena estava me dizendo que n\u00e3o precisava mais do festival. Achei que era o momento do Casar\u00e3o parar e algu\u00e9m viria para substituir \u2013 uma percep\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m rolou com outros organizadores de festivais, como o pessoal do Varadouro. E a\u00ed o que aconteceu foi que at\u00e9 teve algo espor\u00e1dico, mas ningu\u00e9m fez algo que se fixou. Rolaram algumas iniciativas, shows como o Scalene e o Supercombo, mas o setor de eventos \u00e9 um mercado dif\u00edcil: voc\u00ea acerta uma, duas vezes, mas \u00e0s vezes pode errar muito num evento s\u00f3 e ter um baita preju\u00edzo. E sinto que todo mundo que criticava o Casar\u00e3o sentiu falta desse di\u00e1logo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como voc\u00ea sente o clima agora com o retorno do festival?<\/strong><br \/>\nHoje, vejo que o Casar\u00e3o est\u00e1 mais abra\u00e7ado pela cena local, talvez porque muita gente entendeu que todo festival tem acertos e erros, mas que n\u00e3o ter o festival era pior. De t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o, a gente depois virou vidra\u00e7a, mas agora essa volta est\u00e1 sendo legal. A aus\u00eancia valorizou a marca Casar\u00e3o \u2013 s\u00e3o oito anos sem festival, tem uma gera\u00e7\u00e3o inteira que n\u00e3o viveu essa coisa de ter show de maneira constante. Espero que, se a gente for contemplado nos editais, a gente consiga fazer mais coisas, \u00e9 uma das coisas mais legais de se fazer o Casar\u00e3o. Tem muitos artistas que n\u00e3o teriam vindo at\u00e9 Rond\u00f4nia se n\u00e3o fosse a gente \u2013 nomes como Dead Fish, Matanza, Ratos, Pato Fu, Emicida, s\u00e3o bandas que s\u00f3 vieram com a gente. E tem outra coisa: com a Lei Aldir Blanc, muitas bandas aprenderam a lidar com editais. Antes, eu era o \u00fanico cara da cena de Rond\u00f4nia, n\u00e3o s\u00f3 do rock, que olhava para isso \u2013 tanto que tinha gente que achava que eu tinha esquema, que sa\u00eda viajando por a\u00ed com a grana dos editais, mas n\u00e3o. Agora, com a Aldir Blanc, as bandas foram chamadas para fazer CDs, lives, e isso \u00e9 um aprendizado: tem que prestar contas, lidar com imprevistos, saber escrever uma proposta. \u00c9 um amadurecimento, e isso \u00e9 muito importante para a cena como um todo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-66463\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/casarao4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"585\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/casarao4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/casarao4-300x234.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/#%21\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@noacapelas<\/a>) \u00e9 jornalista. Apresenta o\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/indieeldorado\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa de Indie<\/a>, na Eldorado FM, e \u00e9 autor de \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Raios-trov%C3%B5es-hist%C3%B3ria-fen%C3%B4meno-R%C3%A1-Tim-Bum\/dp\/8532311385\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Raios e Trov\u00f5es \u2013 A hist\u00f3ria do fen\u00f4meno Castelo R\u00e1-Tim-Bum<\/a>\u201d, editado pela Summus Editorial. Colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010.<\/em><\/p>\n<div class=\"entry-content\">\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n\u2013 Assista a 15 v\u00eddeos do Festival Casar\u00e3o 2014, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2014\/06\/03\/15-videos-do-festival-casarao-2014\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Balan\u00e7o: os destaques do Festival Casar\u00e3o 2013, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/05\/31\/festival-casarao-2013-porto-velho\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Balan\u00e7o: os destaques do Festival Casar\u00e3o 2012, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/tag\/casarao2012\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Balan\u00e7o: os destaques do Festival Casar\u00e3o 2010, por Tiago Agostini (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/06\/28\/festival-casarao-porto-velho\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n<div data-wpusb-component=\"buttons-section\">\n<div id=\"wpusb-container-default\" class=\"wpusb wpusb-default  \" data-element-url=\"http%3A%2F%2Fscreamyell.com.br%2Fsite%2F2014%2F06%2F06%2Fbalancao-festival-casarao-2014%2F\" data-element-title=\"Balan%C3%A7%C3%A3o%3A%20Festival%20Casar%C3%A3o%202014%20honra%20tradi%C3%A7%C3%A3o%20com%20edi%C3%A7%C3%A3o%20enxuta%2C%20mas%20excelente\" data-attr-reference=\"25365\" data-attr-nonce=\"1ca9b36d49\" data-is-term=\"0\" data-wpusb-component=\"counter-social-share\">\n<div class=\"wpusb-item wpusb-twitter \"><\/div>\n<div class=\"wpusb-item wpusb-linkedin \"><\/div>\n<div class=\"wpusb-item wpusb-share \"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"2022 tem sido um ano de reencontros no mundo da m\u00fasica \u2013 afinal, depois de duas longas temporadas em casa, p\u00fablico e artistas finalmente podem voltar a se ver. Em Porto Velho, Rond\u00f4nia, por\u00e9m, h\u00e1 um retorno ainda mais aguardado para acontecer: a volta do Festival Casar\u00e3o.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/05\/17\/entrevista-vinicius-lemos-fala-da-edicao-2022-do-festival-casarao-em-porto-velho-que-tera-emicida-dead-fish-e-terno-rei\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":14,"featured_media":66464,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[5693],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66452"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=66452"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66452\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":66467,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66452\/revisions\/66467"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/66464"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=66452"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=66452"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=66452"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}