{"id":66051,"date":"2022-05-06T01:23:33","date_gmt":"2022-05-06T04:23:33","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=66051"},"modified":"2022-05-31T00:31:33","modified_gmt":"2022-05-31T03:31:33","slug":"entrevista-arthur-nogueira-lanca-o-projeto-brasileiro-profundo-em-disco-video-e-livro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/05\/06\/entrevista-arthur-nogueira-lanca-o-projeto-brasileiro-profundo-em-disco-video-e-livro\/","title":{"rendered":"Entrevista: Arthur Nogueira lan\u00e7a o projeto \u201cBrasileiro Profundo\u201d em disco, v\u00eddeo e livro"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com sua voz forte e calma, Arthur Nogueira fala com encanto sobre m\u00fasica, poesia e arte. E \u00e9 essa tr\u00edade que guia o olhar do artista sobre o mundo, \u00e9 sob essas lentes que ele consegue transformar nosso cotidiano e nosso pa\u00eds em can\u00e7\u00f5es e poemas. &#8220;<a href=\"https:\/\/bfan.link\/brasileiro-profundo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Brasileiro Profundo<\/a>&#8221; (2022) \u00e9 seu sexto disco e chega ao mercado atrelado <a href=\"https:\/\/www.arthurnogueira.com\/livrodoarthur\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a um livro de poesias<\/a> e a <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=QgQZ6HcRiDg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">um v\u00eddeo \u00e1lbum<\/a> gravado em diferentes cidades do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pela primeira vez composto majoritariamente por letras do pr\u00f3prio paraense, &#8220;Brasileiro Profundo&#8221; re\u00fane ainda duas parcerias in\u00e9ditas com importantes poetas-letristas: Antonio Cicero e Jorge Salom\u00e3o. O disco tem produ\u00e7\u00e3o de Leonardo Chaves; o v\u00eddeo \u00e1lbum \u00e9 assinado por Vitor Souza Lima; e o livro foi editado pela Amo!, editora do Par\u00e1 focada nos autores contempor\u00e2neos da Amaz\u00f4nia, conta com pref\u00e1cio de Adriana Calcanhotto e posf\u00e1cio de Antonio Cicero \u2013 letristas que influenciam Arthur \u2013, al\u00e9m de orelha de Cleilton Silva, professor e mestre em literatura da Bahia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o muitas credenciais, mas o que salta aos olhos e ouvidos \u00e9 a for\u00e7a de letrista de Arthur Nogueira, que soa ainda mais seguro e forte em seu novo trabalho. \u201cBrasileiro Profundo\u201d \u00e9 um olhar atento sobre o nosso tempo, o nosso pa\u00eds e a nossa gente, em can\u00e7\u00f5es que conversam mais diretamente com o formato pop e com os ritmos percussivos. Produzido de forma independente, o disco ganhou corpo em diferentes linguagens e se torna o projeto mais ambicioso da carreira de Nogueira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para entender mais sobre \u201cBrasileiro Profundo\u201d, o que motiva e o que inspira Arthur Nogueira, n\u00f3s conversamos com ele via chamada do Zoom e voc\u00ea pode ler o papo na \u00edntegra abaixo:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Arthur Nogueira - Voo e Mansid\u00e3o (Official Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/27TXWr7OJg0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para come\u00e7ar, essa que se tornou a minha pergunta de praxe desde 2020: como voc\u00ea est\u00e1? Como voc\u00ea est\u00e1 nesse Brasil de agora?<\/strong><br \/>\nEstou \u00e0 flor da pele. Acho que essa \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o, porque estou muito feliz com tudo que consegui realizar da ru\u00edna, sobrevoar as ru\u00ednas, todos os momentos em que eu pude voar. Mas ao mesmo tempo \u00e9 muito cansativo, n\u00e9? Porque os artistas realmente se tornaram multitarefas para poder sobreviver. E n\u00e3o falo isso com nenhum tom de reclama\u00e7\u00e3o, porque s\u00f3 tenho o que comemorar, mas \u00e9 cansativo, por isso me sinto \u00e0 flor da pele. Sempre tem muita coisa para estar ligado: \u00e9 a m\u00fasica, \u00e9 o canto, mas \u00e9 tamb\u00e9m a promo\u00e7\u00e3o disso, s\u00e3o as redes sociais, eu fiz uma pr\u00e9-venda do meu livro tamb\u00e9m, assinei todos os livros, conversei com as pessoas. S\u00e3o muitas demandas e acho que a minha gera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m de certa forma \u00e9 cobaia, porque a gente est\u00e1 pavimentando um novo momento que vai ser melhor, no futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 como um espa\u00e7o de transi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o?<\/strong><br \/>\n\u00c9, \u00e9 isso, por isso \u00e9 \u00e0 flor da pele mesmo, porque \u00e9 intenso, porque no fundo a gente tamb\u00e9m n\u00e3o sabe fazer, a gente est\u00e1 aprendendo errando. Mas isso tamb\u00e9m acontecia muito antes, lembro da Marina falando que ela s\u00f3 fez no \u201cFullg\u00e1s\u201d (seu quinto \u00e1lbum) o que ela realmente gostaria como artista, e essa descoberta \u00e9 natural, por\u00e9m a diferen\u00e7a \u00e9 que ela fez antes discos numa multinacional, com uma grande estrutura e tal, ent\u00e3o esse aprendizado, eu acho que hoje \u00e9 um aprendizado mais \u00e0 flor da pele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Antes de a gente falar do disco novo, nesse tempo j\u00e1 de pandemia <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/06\/07\/musica-adriana-calcanhotto-transformou-a-quarentena-no-disco-so\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">voc\u00ea trabalhou na produ\u00e7\u00e3o do disco da Adriana Calcanhotto, \u201cS\u00f3\u201d<\/a>, e tamb\u00e9m j\u00e1 foi um processo \u00e0 dist\u00e2ncia. Eu queria que voc\u00ea falasse um pouco como foi essa experi\u00eancia e como ela colaborou, posteriormente, para a produ\u00e7\u00e3o de seu pr\u00f3prio disco nesse espa\u00e7o de pandemia.<\/strong><br \/>\nFoi desafiador e dif\u00edcil. \u00c9 claro que a gente sempre usou a tecnologia, a internet para produzir, meus discos eu sempre fiz com pessoas que n\u00e3o estavam necessariamente perto de mim colaborando, seja como compositor, como m\u00fasico e tal, mas fazer um \u00e1lbum inteiro \u00e0 dist\u00e2ncia e ainda por cima num momento que ningu\u00e9m est\u00e1 bem psicologicamente \u2013 hoje eu acho at\u00e9 que est\u00e1 pior, mas naquela \u00e9poca a gente n\u00e3o estava bem tamb\u00e9m, a gente estava com muito medo, ningu\u00e9m sabia o que era isso, quando que ia acabar, ainda n\u00e3o acabou, ent\u00e3o tinha toda uma press\u00e3o. Mas ao mesmo tempo eu acho que ter me mantido produtivo me ajudou a sobreviver, sem exagero. Me lembro de um dia espec\u00edfico em que acordei muito desestimulado e triste, achando que tinha acabado tudo e a\u00ed recebi [a m\u00fasica] \u201cTive Not\u00edcias Suas\u201d. A Adriana mandou essa can\u00e7\u00e3o e me lembro que fiquei emocionado com essa coisa de \u201cc\u00e1 no mundo da lua \/ tive not\u00edcias suas\u201d, porque no fundo \u00e9 o que acusam os poetas, os compositores, de a gente viver com a cabe\u00e7a nas nuvens, tem uma m\u00fasica que eu falo disso no meu disco, mas isso foi o que me salvou. Pegar essa carona assim para a lua com a Adriana me inspirou e me salvou daquela sensa\u00e7\u00e3o ruim. Ent\u00e3o \u00e9 isso, e por outro lado, o resultado do \u201cS\u00f3\u201d, que \u00e9 um \u00e1lbum muito sofisticado, a gente tem muitos m\u00fasicos, a gente tem cordas, tem sopros, ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nada do que se espera de \u201cvamos fazer um disco aqui em casa\u201d, porque a coisa de em casa ainda tinha uma ideia \u2013 acho que a Billie Eilish acabou com isso \u2013 de demo, o que \u00e9 feito em casa n\u00e3o \u00e9 finalizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aquela ideia de lo-fi.<\/strong><br \/>\nSim. E eu trabalhei com todo mundo para que o \u201cS\u00f3\u201d n\u00e3o fosse isso, de forma alguma. E a\u00ed isso tamb\u00e9m me libertou e me deu seguran\u00e7a para fazer o meu. Ent\u00e3o logo depois do \u201cS\u00f3\u201d eu pensei \u201cn\u00e3o, \u00e9 agora, eu estou h\u00e1 5 anos querendo fazer um \u00e1lbum autoral depois do \u2018Rei Ningu\u00e9m\u2019 e ainda n\u00e3o fiz porque fico esperando patroc\u00ednio, fico esperando edital, n\u00e3o\u201d. Falei com o Leonardo Chaves, que \u00e9 co-produtor do \u201cS\u00f3\u201d e o produtor do \u201cBrasileiro Profundo\u201d e falei \u201cvamos fazer agora? Acho que agora \u00e9 a hora\u201d e ele foi muito parceiro e a gente fez. Ent\u00e3o \u00e9 isso, \u00e9 a dor, mas tamb\u00e9m como a gente aprende nessas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-66056\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/ALTA-Capa-Por-Elisa-Arruda.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/ALTA-Capa-Por-Elisa-Arruda.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/ALTA-Capa-Por-Elisa-Arruda-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/ALTA-Capa-Por-Elisa-Arruda-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E a\u00ed quando voc\u00ea tomou essa decis\u00e3o de \u201cvamos criar o \u2018Brasileiro Profundo\u2019\u201d, voc\u00ea j\u00e1 tinha can\u00e7\u00f5es escritas, voc\u00ea j\u00e1 estava num processo, como foi essa parte de escolher as can\u00e7\u00f5es e entender o que formaria esse novo disco?<\/strong><br \/>\nOlha, eu n\u00e3o escolhi, eu sentei pra compor. E eu fui compondo. N\u00e3o tenho sobras, digamos assim, do \u201cBrasileiro Profundo\u201d, porque o que eu compus basicamente eu gravei, sabe? Acho que tem algumas can\u00e7\u00f5es que \u00e0s vezes n\u00e3o d\u00e3o certo, que a gente come\u00e7a, mas simplesmente elas n\u00e3o d\u00e3o certo e elas ficam num lugar, isso teve, me lembro de algumas ideias de can\u00e7\u00f5es que n\u00e3o rolaram e ficaram inacabadas, mas tudo que fiz, eu gravei. E fiquei pensando muito sobre a desilus\u00e3o, a desilus\u00e3o com o Brasil que me moveu, uma vontade de me libertar pela p\u00e1gina. Por isso que a capa do \u00e1lbum \u00e9 tamb\u00e9m desse jeito, porque eu n\u00e3o me colocaria jamais como \u201co brasileiro profundo\u201d, porque acho que isso \u00e9 uma ideia assim do \u201cser-brasileiro\u201d e que o objetivo \u00e9 que todo mundo se reconhe\u00e7a nessa hist\u00f3ria, afinal de contas o Brasil n\u00e3o \u00e9 uma coisa s\u00f3, ent\u00e3o penso muito nisso, nessa coisa de \u201cBrasil acima de tudo\u201d, n\u00e3o, a ideia de Brasil n\u00e3o est\u00e1 acima de nenhum brasileiro, entendeu? Ent\u00e3o por isso que \u201cBrasil profundo\u201d \u00e9 uma express\u00e3o que vem do Sul e do Sudeste e que tudo que n\u00e3o se conhece, tudo que n\u00e3o \u00e9 do Sul e Sudeste, \u00e9 Brasil profundo, n\u00e3o \u00e9 isso. Isso \u00e9 uma generaliza\u00e7\u00e3o opressora. Por isso prefiro pensar nos brasileiros, nessa diversidade estonteante. Ent\u00e3o ao inv\u00e9s de pensar em qualquer coletividade que possa ser opressora, a pr\u00f3pria ideia de p\u00e1tria \u00e9 opressora, tanto que regimes fascistas usam \u201cp\u00e1tria, fam\u00edlia, religi\u00e3o\u201d, ent\u00e3o contra essa ideia de p\u00e1tria, eu quero pensar nas pessoas, eu quero celebrar a diferen\u00e7a de cada um de n\u00f3s, brasileiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu acho que a gente teve uma cis\u00e3o nesses \u00faltimos tempos, em que a gente se sentiu meio que n\u00e3o pertencente a essa ideia de Brasil e de p\u00e1tria, \u00e9 como se eles tivessem, de algum modo, nos tirado o Brasil.<\/strong><br \/>\nA nossa refer\u00eancia, sim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E \u00e9 muito estranho a gente ter que se reconectar com aquilo que a gente gosta e aquilo que a gente acredita no Brasil. Tamb\u00e9m \u00e9 um processo novo esse de tentar se reconectar com o que a gente acredita que \u00e9 a nossa arte, a nossa m\u00fasica, as nossas pessoas, aquilo que nos torna o que \u00e9 t\u00e3o interessante.<\/strong><br \/>\nE como tamb\u00e9m eles sempre querem respostas, defini\u00e7\u00f5es: o Brasil; o Deus, que \u00e9 um Deus, que ignora todo o sincretismo; a fam\u00edlia, que ignora toda a diversidade, a liberdade, as discuss\u00f5es de g\u00eanero e tudo. E a\u00ed que est\u00e1, pois tamb\u00e9m n\u00e3o me interessava e n\u00e3o me interessa falar sobre essas pessoas tamb\u00e9m, eu vejo que h\u00e1 muitos trabalhos que a pessoa fala diretamente, mas n\u00e3o me interessa isso, pois acho t\u00e3o pequeno e acredito que seja passageiro, me interessa muito mais pensar desse ponto de vista do que \u00e9 realmente importante, sabe? Ent\u00e3o tem uma can\u00e7\u00e3o no disco espec\u00edfica que falo sobre isso, que falo diretamente para esse tipo de gente, \u00e9 uma m\u00fasica chamada \u201cMundo Aberto\u201d, em que digo que \u201cquem viver na morte n\u00e3o entender\u00e1 o que alumbra aqui no meu mundo aberto\u201d, porque o que me interessa \u00e9 o mundo aberto, \u00e9 um sem fundo assim como uma p\u00e1gina, ent\u00e3o todas essas defini\u00e7\u00f5es, essas caixinhas, essas coisas que querem colocar a gente eu acho que realmente n\u00e3o me interessam, sabe? N\u00f3s n\u00e3o somos fechados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pra produzir esse disco voc\u00ea contou com uma gama de artistas em diferentes lugares do pa\u00eds, eu acho que isso tamb\u00e9m \u00e9 interessante para essa constru\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum, queria que voc\u00ea explicasse um pouco como foi essa conex\u00e3o com todas essas pessoas \u00e0 dist\u00e2ncia.<\/strong><br \/>\nEngra\u00e7ado porque me dei conta disso depois. Pensei \u201cnossa, esse time \u00e9 diverso como o Brasil\u201d, pra voc\u00ea ver como \u00e9 natural a nossa diversidade. Ent\u00e3o, acho que na verdade a diversidade \u00e9 um trunfo, apesar da nossa hist\u00f3ria horrorosa, e falo um pouco disso em uma m\u00fasica chamada \u201cTreva Branca\u201d, mas mais ligada \u00e0 quest\u00e3o da Amaz\u00f4nia, especificamente, do Par\u00e1. Essa m\u00fasica surgiu por causa de um filme do Hector Babenco chamado \u201cBrincando Nos Campos do Senhor\u201d (1991), que foi gravado em Bel\u00e9m e que fala sobre essa quest\u00e3o de como foi violenta, terrivelmente violenta, a catequisa\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas e a explora\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o da floresta. Esse filme \u00e9 sobre isso [o gato de Arthur aparece na chamada, entrando em frente \u00e0 c\u00e2mera]. Esse \u00e9 o Orlando, meu gato, tamb\u00e9m tem uma m\u00fasica que eu fiz pra ele. Mas ent\u00e3o, ainda assim, o que a gente tem hoje \u00e9 a diversidade, n\u00e9, ent\u00e3o quando me dei conta desse time, pensei \u201cnossa, que interessante, um \u00e1lbum chamado \u2018Brasileiro Profundo\u2019 que tem pessoas t\u00e3o diferentes\u201d, ent\u00e3o tem por exemplo o Z\u00e9 Manoel, que estava em Recife quando gravou, o Allen Alencar em Aracaju, o Diogo Gomes no Rio de Janeiro, o Luiz Pardal e o Leonardo Chaves em Bel\u00e9m, eu uma \u00e9poca estava l\u00e1 em Bel\u00e9m, depois voltei pra S\u00e3o Paulo e terminei o disco j\u00e1 aqui. Enfim, muita gente, muitos lugares e muitas pessoas com muitas hist\u00f3rias diferentes de vida num mesmo pa\u00eds dando a sua contribui\u00e7\u00e3o. E foi isso, acho que \u00e9 uma prova que a nossa diversidade \u00e9 um trunfo, por que ela se manifesta naturalmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outra frente do disco \u00e9 transformar essas can\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m em um \u00e1lbum visual e eu acho interessante como elas tamb\u00e9m apresentam, pelo menos nos v\u00eddeos que a gente j\u00e1 pode ver, um pouco desse seu Brasil. Tem um clipe no Par\u00e1, outro em S\u00e3o Paulo, e eu queria entender como foi chegar nessa decis\u00e3o de transformar as can\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m em um \u00e1lbum visual.<\/strong><br \/>\nBrinco que se pudesse eu seria um Gorillaz, eu sou um artista que n\u00e3o faz muita quest\u00e3o de aparecer, se pudesse eu n\u00e3o apareceria nunca, ent\u00e3o tenho dificuldade com esse tempo da imagem e da coisa que \u00e9 muitas vezes a imagem do artista que chega antes que a sua m\u00fasica. A minha primeira ideia nesse disco era fazer um vinil, exatamente por ele ser um \u00e1lbum, e \u00e9 uma coisa que a gente j\u00e1 falou, como os \u00e1lbuns, os discos marcaram a minha vida, essa coisa f\u00edsica deles, ent\u00e3o eu queria fazer um vinil, mas diante da crise, as f\u00e1bricas sem mat\u00e9ria-prima, os pre\u00e7os aumentaram, os prazos aumentaram, o vinil ficaria pronto apenas muito tempo depois do lan\u00e7amento do disco. Ent\u00e3o foi a Juliana S\u00e1, que trabalha comigo com comunica\u00e7\u00e3o, que falou \u201cvamos fazer um v\u00eddeo-\u00e1lbum, por que \u00e9 importante para voc\u00ea ter um material de imagem\u201d, e fiquei pensando como eu poderia fazer de um jeito que eu curtisse, que fosse mais f\u00e1cil pra mim, e pensei no Vitor Souza Lima, porque primeiro \u00e9 uma pessoa que me conhece h\u00e1 muito tempo, ele \u00e9 de Bel\u00e9m, \u00e9 um amigo desde a adolesc\u00eancia, e segundo porque ele tem um trabalho, ele \u00e9 documentarista, o trabalho maior dele no cinema \u00e9 com document\u00e1rio, ent\u00e3o ele j\u00e1 tem uma vis\u00e3o que \u00e9 mais profunda a respeito das coisas; por ser um documentarista, ele quer pensar mais profundamente sobre as coisas, e ele tamb\u00e9m tem um jeito muito po\u00e9tico, o cinema dele, as coisas que ele faz, ent\u00e3o achei que ele me deixaria \u00e0 vontade, porque ele pensaria junto comigo na can\u00e7\u00e3o, na mensagem de cada can\u00e7\u00e3o. A\u00ed a gente foi fazendo e acabou que eu adorei, foi uma experi\u00eancia em que me diverti, me joguei, sabe? A gente teve altas ideias e topei todas, porque acho que a gente estava fazendo com foco no trabalho, tanto que acho que a faixa-t\u00edtulo \u201cBrasileiro Profundo\u201d tem exatamente isso, de n\u00e3o me me colocar como um modelo de brasileiro profundo, ent\u00e3o a ideia do clipe s\u00e3o as p\u00e1ginas em branco, aquilo \u00e9 uma cortina de p\u00e1ginas em branco, e digamos que sou eu visto atrav\u00e9s da p\u00e1gina, \u00e9 esse ser poeta dan\u00e7ando nas p\u00e1ginas e visto atrav\u00e9s das p\u00e1ginas, que \u00e9 o que eu acho que \u00e9 esse \u00e1lbum, ent\u00e3o esse tipo de coisa foi poss\u00edvel gra\u00e7as ao jeito como o Vitor trabalha, \u00e0 sensibilidade dele.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Arthur Nogueira - Brasileiro Profundo (Official Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JOrgmS3FSq0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea falou nessa quest\u00e3o de ser poeta, isso tamb\u00e9m \u00e9 um ponto importante nesse novo trabalho, pois al\u00e9m do disco e do visual, vem tamb\u00e9m um livro. Acho que voc\u00ea se coloca cada vez mais como um artista, um cantor, um poeta que conecta todas essas frentes. Qual \u00e9 a import\u00e2ncia para voc\u00ea de lan\u00e7ar esse livro de forma conjunta com o disco?<\/strong><br \/>\n\u00c9 uma liberta\u00e7\u00e3o, exatamente pelo fato de gostar muito de poesia e de tamb\u00e9m ter ouvido muita m\u00fasica brasileira, pois aqui a gente tem uma qualidade muito grande, muitos poetas do livro que tamb\u00e9m escrevem letras de can\u00e7\u00e3o. Eu me cobrava muito nesse lugar, tanto que os meus outros \u00e1lbuns todos t\u00eam letras minhas, mas esse \u00e9 o primeiro que tem muitas can\u00e7\u00f5es que eu fiz sozinho, letra e m\u00fasica, ent\u00e3o foi uma liberta\u00e7\u00e3o. E a\u00ed foi curioso, porque a\u00ed, exatamente nesse momento, de me assumir nesse lugar, veio o convite da editora. Ent\u00e3o pensei \u201cnossa, mas ser\u00e1 que as minhas letras podem se sustentar numa p\u00e1gina, assim que coisa ousada\u201d, e pensei, pois n\u00e3o sou um poeta, eu escrevo letras. Reuni e acho que por gostar de poesia, quando fa\u00e7o letras tamb\u00e9m penso n\u00e3o s\u00f3 na m\u00fasica, mas tamb\u00e9m naquela letra com rigor mais ligado \u00e0 poesia escrita, e acho que foi por isso que quando reuni o material e mostrei para algumas pessoas, elas me incentivaram, como a Adriana [Calcanhotto], o Antonio Cicero e o Cleilton Silva, que escreveu a orelha do livro e \u00e9 um grande amigo, um mestre em literatura, ent\u00e3o enfim, eu creio que foi uma liberta\u00e7\u00e3o. Acho que faltava isso pra mim, sabe? Tento tamb\u00e9m ver o meu trabalho como um aprimoramento, um desafio que me imponho, fazer algo que nunca fiz, sabe? E acho que esse disco tem isso, por causa da poesia. Por isso tamb\u00e9m que a capa eu acho que tinha que ter uma refer\u00eancia desse ser poeta, ent\u00e3o sou eu tamb\u00e9m misturado \u00e0 pagina, por que acho que o que sou n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o importante como a m\u00fasica que fa\u00e7o, como a poesia que fa\u00e7o. Vi a Nara Le\u00e3o dizendo no document\u00e1rio dela que ela gostava mais dela pr\u00f3pria do que da cantora, algo assim, eu sou o contr\u00e1rio, eu acho que o sublime da exist\u00eancia \u00e9 poder compor e gravar, acho que nesse lugar assim a gente est\u00e1 mais perto do sublime do que no dia a dia ordin\u00e1rio, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando enquanto ouvinte, eu acho que esse disco tem coisas bastante diferentes dos anteriores, ele tem uma produ\u00e7\u00e3o diferente, \u00e9 como se voc\u00ea explorasse novos caminhos, outros instrumentos aparecem, e a\u00ed eu queria entender se isso foi uma coisa deliberada ou se foi surgindo. Como que se formaram essas can\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nTudo meu \u00e9 muito pensado, tem algumas coisas que acontecem assim pela inspira\u00e7\u00e3o, pela surpresa, mas no geral eu penso bastante. E eu vinha j\u00e1, h\u00e1 algum tempo, com uma vontade de marcar minha hist\u00f3ria, no sentido de explorar percuss\u00f5es, eu cresci no Par\u00e1 ouvindo carimb\u00f3, ouvindo esses ritmos que s\u00e3o muito percussivos, e agora senti que era o momento, porque antes eu queria muito marcar o meu lugar como um lugar de n\u00e3o prender \u00e0 terra, sabe? Eu n\u00e3o queria ter ra\u00edzes, eu queria ter asas, ent\u00e3o por isso que eu falo na m\u00fasica \u201cValente\u201d, \u201ceu planto coragem nos p\u00e9s e cravo a terra no cora\u00e7\u00e3o\u201d, que \u00e9 pra onde quer que eu v\u00e1 isso tem que ir comigo, eu n\u00e3o posso ficar preso no ch\u00e3o. Ent\u00e3o achei que depois de tudo que eu tinha feito, agora eu poderia ter uma rela\u00e7\u00e3o mais tranquila com a quest\u00e3o da terra, sabe? E por isso decidi que esse seria um \u00e1lbum que seria fundamentado nas percuss\u00f5es e n\u00e3o nas levadas eletr\u00f4nicas ou na bateria, como nos meus \u00e1lbuns anteriores. Ent\u00e3o essa j\u00e1 era uma coisa que j\u00e1 cheguei com o Leonardo Chaves, produtor do disco, dizendo \u201cesse \u00e9 um \u00e1lbum percussivo, quero fazer com percuss\u00e3o\u201d. E o pr\u00f3prio Leonardo me disse quando eu mandava as m\u00fasicas, eu comecei a compor e gravar em casa, eu mandava para ele um voz e viol\u00e3o da m\u00fasica e ele dizia \u201ceu acho que a gente tem que fazer assim, partir exatamente desse jeito que voc\u00ea comp\u00f4s\u201d. Tamb\u00e9m foi uma liberta\u00e7\u00e3o muito grande, porque muitas vezes eu quis desconstruir isso para criar uma defesa, sabe, e nesse [disco] n\u00e3o, eu acho que eu estou ali totalmente como eu sou. Nem todas as faixas sou eu que estou tocando, porque tamb\u00e9m sou muito chato com a quest\u00e3o t\u00e9cnica e n\u00e3o sou um violonista, sabe? Ent\u00e3o achei mais legal em algumas chamar o Renato Torres, que \u00e9 um grande violonista. Mesmo que ele tocasse do jeito que eu estava tocando, ele ia executar isso de um jeito tecnicamente melhor, sabe? Mas \u00e9 isso, partiu do meu viol\u00e3o, da minha vontade de falar da minha hist\u00f3ria. A primeira can\u00e7\u00e3o fala sobre Bel\u00e9m, sobre a minha m\u00e3e, ent\u00e3o \u00e9 o ponto de partida, o mesmo ponto de partida da minha vida, digamos assim.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-66052\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/brasileiroprofundo_livro.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/brasileiroprofundo_livro.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/brasileiroprofundo_livro-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/brasileiroprofundo_livro-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea falou um pouco dessa coisa de ser um disco mais pessoal, em que voc\u00ea se coloca cada vez mais como compositor, mas tamb\u00e9m \u00e9 interessante ressaltar essas importantes parcerias que voc\u00ea faz dentro do disco, como o Antonio Cicero e o Jorge Salom\u00e3o. E eu queria entender como \u00e9, pra voc\u00ea, ter essas trocas com artistas que tamb\u00e9m s\u00e3o inspira\u00e7\u00f5es pra voc\u00ea e formam esse seu arcabou\u00e7o de refer\u00eancias.<\/strong><br \/>\nEu s\u00f3 fa\u00e7o m\u00fasica por causa dos poetas, ent\u00e3o pra mim \u00e9 sempre instigante poder ter no meu disco uma parceria com Antonio Cicero, imagina, ter uma parceria com Jorge Salom\u00e3o, ent\u00e3o s\u00e3o as exce\u00e7\u00f5es que eu abro com prazer ao falar que eu estava querendo escrever e tal. Mas como aconteceu? \u201cTem Horas Que Pare\u00e7o Eu\u201d foi o \u00faltimo poema escrito pelo Jorge Salom\u00e3o, ele escreveu no hospital essa letra e ela chegou at\u00e9 mim por causa do filho dele, o Jo\u00e3o. Eu mostrei a m\u00fasica para o Claudio Leal, que \u00e9 um jornalista que foi muito amigo do Jorge, e ele tamb\u00e9m apoiou, ent\u00e3o tem essa coisa assim tamb\u00e9m de que honra n\u00e9 poder ter essa letra, uma coisa t\u00e3o forte escrita pelo Jorge. E o Cicero foi assim: eu estava com vontade de pensar sobre o Brasil, desiludido com o Brasil e a\u00ed um dia eu liguei pra ele, falei que estava fazendo um disco, que eu queria pensar mais assim sobre quem somos, de onde viemos e para onde vamos, e ele me disse \u201cai Arthur, eu t\u00f4 deprimido, eu n\u00e3o quero fazer nada, n\u00e3o tenho cabe\u00e7a, sinto muito, n\u00e3o tenho como fazer agora\u201d, e a\u00ed eu falei \u201cpoxa, que pena, eu estou avisando voc\u00ea que eu estou fazendo um disco porque pra mim \u00e9 importante voc\u00ea saber e voc\u00ea participar, mas eu entendo perfeitamente\u201d. E fiquei triste com aquilo, claro, mas dois dias depois ele me mandou um e-mail com \u201cBrasileiro Profundo\u201d, a letra, e a\u00ed eu fiz a m\u00fasica. Como sempre o Cicero \u00e9 muito marcante, estava pensando, geralmente uma can\u00e7\u00e3o com letra dele se torna uma can\u00e7\u00e3o importante nos repert\u00f3rios, a gente pega v\u00e1rios trabalhos em que ele est\u00e1 como compositor e a faixa t\u00edtulo \u00e9 a faixa que ele assina, e aqui acabou acontecendo isso. Quando ele veio com essa coisa de \u201cbrasileiro profundo\u201d, pensei assim \u201cnossa, caramba, \u00e9 uma boa sacada mesmo, relativizar essa ideia de Brasil profundo, pensar no indiv\u00edduo, pensar no direito a diversidade de cada um de n\u00f3s\u201d, ent\u00e3o foi assim que surgiu essa m\u00fasica que acabou se tornando o t\u00edtulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea est\u00e1 nessa fase de lan\u00e7amento do disco e eu acho que produzir as coisas de forma independente tamb\u00e9m te coloca em muitas frentes de trabalho. E eu queria que voc\u00ea falasse um pouco sobre como voc\u00ea est\u00e1 se sentindo nesse momento em que voc\u00ea tem que assumir outros espa\u00e7os que est\u00e3o al\u00e9m da cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, que \u00e9 fazer todo esse meio campo.<\/strong><br \/>\nEu estou sem dormir h\u00e1 uma semana, praticamente, porque primeiro tem a ansiedade normal de um artista, estou colocando um trabalho no mundo, \u201co que o cr\u00edtico vai achar, o que o p\u00fablico vai achar, o p\u00fablico que me acompanha ser\u00e1 que vai gostar, ser\u00e1 que n\u00e3o vai\u201d, ent\u00e3o a gente j\u00e1 fica com essa ansiedade de como \u00e9 que as pessoas v\u00e3o receber isso. Tem tamb\u00e9m uma s\u00e9rie de demandas que a minha gera\u00e7\u00e3o tem que dar conta, desde a assessoria, que tenho uma parceira incr\u00edvel que \u00e9 a Juliana S\u00e1, mas tenho tamb\u00e9m que estar junto com ela em tudo, tem a distribui\u00e7\u00e3o disso, eu pr\u00f3prio participo das reuni\u00f5es com distribuidoras para entender o que a gente vai fazer, qual \u00e9 a faixa que vai ser trabalhada nas plataformas, a\u00ed tem o cronograma. E a\u00ed tem o v\u00eddeo-\u00e1lbum, ele \u00e9 um projeto que tem um patroc\u00ednio do governo, ent\u00e3o tem toda uma quest\u00e3o burocr\u00e1tica que tem que dar conta. \u00c9 um trabalho independente, para o \u00e1lbum, eu n\u00e3o tive patrocinador, ent\u00e3o eu fiquei nesses \u00faltimos dois anos viabilizando esse projeto por conta pr\u00f3pria, fazendo uma gin\u00e1stica assim no meu pr\u00f3prio or\u00e7amento, pra poder tamb\u00e9m pagar todo mundo. Ent\u00e3o, voc\u00ea imagina, \u00e9 muita coisa e ainda tenho que cantar e ainda tenho que compor e ainda tenho que fazer fotos e ter a cara boa numa live, numa entrevista. Ent\u00e3o \u00e9 louco assim, e sou muito ansioso, muito dedicado com as coisas, ent\u00e3o n\u00e3o consigo me desconectar, acho que s\u00f3 vou conseguir relaxar depois de 15 dias que o \u00e1lbum estiver no ar e que o v\u00eddeo-\u00e1lbum estiver no ar, enquanto isso fico a cada momento vendo as coisas, lendo o que saiu, conversando com amigos, conversando com jornalistas, com artistas sobre o disco e \u00e9 maluco, \u00e9 bem maluco esse tempo que a gente vive.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Arthur Nogueira - Valente (Official Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/x8o57bFzKM8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Arthur Nogueira - Brasileiro Profundo (Videoalbum)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QgQZ6HcRiDg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Arthur Nogueira feat. Hiran - Salvador (Official Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/M8i2AHfq7w4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista e escreve para o Scream &amp; Yell desde 2014. Faz parte do\u00a0<a href=\"http:\/\/vamosfalarsobremusica.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=http:\/\/vamosfalarsobremusica.com.br\/&amp;source=gmail&amp;ust=1630729890879000&amp;usg=AFQjCNGttyQx5OWOAKRyi7iGq8E4oacvuw\">Podcast Vamos Falar Sobre M\u00fasica<\/a>\u00a0e colabora com o\u00a0<a href=\"https:\/\/monkeybuzz.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/monkeybuzz.com.br\/&amp;source=gmail&amp;ust=1630729890879000&amp;usg=AFQjCNFjG1FOw9vBGrawiUhocH4mshwTtw\">Monkeybuzz<\/a>\u00a0e a\u00a0<a href=\"https:\/\/revistabalaclava.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/revistabalaclava.com\/&amp;source=gmail&amp;ust=1630729890879000&amp;usg=AFQjCNFqHswo4qEcyg8fw9VPM8IWsRH5oQ\">Revista Balaclava<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Com sua voz forte e calma, Arthur Nogueira fala com encanto sobre m\u00fasica, poesia e arte. 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