{"id":65767,"date":"2022-04-22T00:26:46","date_gmt":"2022-04-22T03:26:46","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=65767"},"modified":"2022-06-23T23:13:36","modified_gmt":"2022-06-24T02:13:36","slug":"entrevista-diretor-ed-lachman-fala-sobre-filme-concerto-perdido-de-lou-reed-e-john-cale","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/04\/22\/entrevista-diretor-ed-lachman-fala-sobre-filme-concerto-perdido-de-lou-reed-e-john-cale\/","title":{"rendered":"Entrevista: diretor Ed Lachman fala sobre filme-concerto perdido de Lou Reed e John Cale em homenagem a Andy Warhol"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"http:\/\/www.leonardotissot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Tissot<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEnt\u00e3o eu vi John Cale. Ele estava com uma apar\u00eancia \u00f3tima. Ele tem vindo ao escrit\u00f3rio para se exercitar comigo (&#8230;) E ver John me lembrou dos Velvets (&#8230;) N\u00e3o entendo aquele primeiro \u00e1lbum do Velvet. Quer dizer, eu fiz a capa, fui o produtor, sempre o vejo sendo relan\u00e7ado e nunca ganhei nem um centavo com ele (&#8230;) E ent\u00e3o eu vi Lou. Estou t\u00e3o bravo com ele. Lou Reed se casou e n\u00e3o me convidou (&#8230;) Eu o vi no show da MTV, ele estava a uma fileira de dist\u00e2ncia e nem mesmo me deu \u2018oi\u2019\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As frases acima s\u00e3o trechos dos di\u00e1rios de Andy Warhol (<a href=\"https:\/\/www.netflix.com\/br\/title\/81026142\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que viraram s\u00e9rie da Netflix<\/a>), mas tamb\u00e9m s\u00e3o parte da letra de \u201cA Dream\u201d, can\u00e7\u00e3o que integra \u201cSongs For Drella\u201d, disco lan\u00e7ado em 1990 por Lou Reed e John Cale em tributo ao \u201cpai\u201d da pop art. Os m\u00fasicos, voc\u00ea sabe, tiveram suas carreiras impulsionadas por Drella (apelido jocoso criado pela dupla para se referir a Warhol, uma simbiose de \u201cDr\u00e1cula\u201d e \u201cCinderella\u201d), quando ambos faziam parte do <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2012\/02\/05\/o-minimalismo-e-o-rock-and-roll\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Velvet Underground<\/a>, nos anos 1960 (se n\u00e3o sabia deve <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/10\/20\/tres-filmes-schumacher-val-the-velvet-underground\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">assistir isso daqui tamb\u00e9m<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aparentemente se sentindo culpados por terem abandonado Warhol em vida \u2014 Reed, especialmente \u2014, os ex-companheiros de banda (que nunca se deram t\u00e3o bem p\u00f3s-Velvet) se reuniram n\u00e3o apenas para gravar um novo disco, mas tamb\u00e9m para fazer alguns shows. E desses shows surgiu um filme-concerto lan\u00e7ado em circuito restrito no come\u00e7o da d\u00e9cada de 90 e prensado no extinto formato laser disc alguns anos depois. Gravado em grande parte durante os ensaios para as apresenta\u00e7\u00f5es, \u201cSongs For Drella\u201d marca o reencontro entre Reed e Cale ap\u00f3s a tumultuada sa\u00edda do segundo do Velvet Underground, em 1968.<\/p>\n<figure id=\"attachment_65769\" aria-describedby=\"caption-attachment-65769\" style=\"width: 478px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-65769 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/drella1.jpg\" alt=\"\" width=\"478\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/drella1.jpg 478w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/drella1-287x300.jpg 287w\" sizes=\"(max-width: 478px) 100vw, 478px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-65769\" class=\"wp-caption-text\"><em>Capa do \u00e1lbum &#8220;Songs For Drella&#8221;, de Lou Reed e John Cale<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abalada pela morte de seu mentor tr\u00eas anos antes, a dupla evoca a presen\u00e7a de Warhol em 15 can\u00e7\u00f5es que passeiam entre sua inf\u00e2ncia sofrida numa pequena cidade sem perspectivas (\u201cSmalltown\u201d), trechos de seus di\u00e1rios (a j\u00e1 citada \u201cA Dream\u201d) e pedidos de desculpas (\u201cHello It\u2019s Me\u201d), na qual Reed canta: \u201cAndy, sou eu. Faz um tempo que n\u00e3o te vejo. Gostaria de ter falado mais com voc\u00ea quando estava vivo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Filmado por Edward Lachman (co-diretor do pol\u00eamico \u201cKen Park\u201d e diretor de fotografia de \u201cAs Virgens Suicidas\u201d, \u201cCarol\u201d e \u201cLonge do Para\u00edso\u201d \u2014 com indica\u00e7\u00f5es ao Oscar pelos dois \u00faltimos), \u201cSongs For Drella\u201d revela uma preciosa colabora\u00e7\u00e3o entre artistas que n\u00e3o se entendiam muito bem na vida, mas que criaram arte que durar\u00e1 para sempre. Agora restaurado em 4K, o filme originalmente captado em 16mm passou por maus bocados at\u00e9 voltar a ser disponibilizado ao p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Exceto por apresenta\u00e7\u00f5es mais recentes em festivais de cinema, \u201cDrella\u201d nunca mais foi visto desde o lan\u00e7amento original \u2014 pelo menos at\u00e9 esta sexta (22), quando a plataforma de streaming <a href=\"https:\/\/mubi.com\/films\/songs-for-drella\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mubi volta a disponibilizar a obra na \u00edntegra<\/a>, com exclusividade. O filme ficou perdido por cerca de tr\u00eas d\u00e9cadas \u2014 os negativos estavam em um laborat\u00f3rio em Nova York, e o \u00e1udio nos arquivos da Warner Bros. H\u00e1 trechos da apresenta\u00e7\u00e3o no YouTube, embora sem a qualidade da nova c\u00f3pia restaurada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Scream &amp; Yell conversou com Lachman, que revela detalhes sobre a filmagem, a forma como a c\u00e2mera coloca o p\u00fablico \u201cem cima\u201d do palco com os m\u00fasicos, o tempo que o filme ficou desaparecido e os desafios de trabalhar ao lado dos \u201cdif\u00edceis\u201d Cale e Reed.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Songs for Drella - Mubi\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/sZkHXoh5XzY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea tem falado em entrevistas a respeito de \u201cSongs For Drella\u201d. A ideia de fazer o filme parece ter surgido da gravadora Sire Records em parceria com o Channel 4 (canal de TV brit\u00e2nico), correto? Como surgiu o convite para filmar?<\/strong><br \/>\nEu estava envolvido com um projeto chamado \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=H7bWlm9DMO4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Red Hot + Blue \u2014 A Tribute To Cole Porter<\/a>\u201d. Foi uma iniciativa beneficente voltada ao combate \u00e0 AIDS na qual pessoas como Jim Jarmusch, Wim Wenders, Neil Jordan e outros cineastas trabalharam. <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=q_efac2Ajkc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fiz um v\u00eddeo com a Annie Lennox<\/a>, do Eurythmics, para esse projeto. O v\u00eddeo seria dirigido pelo Derek Jarman [diretor brit\u00e2nico], mas infelizmente ele j\u00e1 estava muito doente e n\u00e3o conseguiu [Jarman faleceu de AIDS em 1994]. A imprensa brit\u00e2nica gostou bastante do resultado, eles deram muita aten\u00e7\u00e3o ao meu trabalho. Algum tempo depois, o Channel 4 me perguntou se eu queria filmar esse show, uma esp\u00e9cie de homenagem a Andy Warhol, que havia morrido tr\u00eas anos antes [em 1987]. Eles [Reed e Cale] se apresentaram na igreja de St. Ann e depois viriam tocar na Academia de M\u00fasica do Brooklyn (BAM). Ent\u00e3o, \u00e9 claro, eu precisava da aprova\u00e7\u00e3o de Lou e John para fazer o projeto. Eu me encontrei com eles e a primeira coisa que Lou me disse foi: \u201cN\u00e3o quero nenhuma c\u00e2mera entre mim e o p\u00fablico, e eu n\u00e3o quero ver nenhuma c\u00e2mera no palco\u201d. Depois do encontro, fui embora e pensei: \u201cBem, como vou fazer esse filme sem uma c\u00e2mera?\u201d [risos] Da\u00ed me veio uma ideia. Voltei e disse: \u201cOlhe, voc\u00ea me deixaria filmar uns dois ensaios e um show com as c\u00e2meras fora do palco?\u201d. Ele concordou, ent\u00e3o foi isso que me permitiu ter muito mais intimidade com eles do que eu jamais poderia ter. Pude usar v\u00e1rias c\u00e2meras e fiz movimentos de dolly [movimento de c\u00e2mera lateral, feito sobre rodas]. Era s\u00f3 eu filmando. E eu pude me sensibilizar com a hist\u00f3ria, com as letras, com as emo\u00e7\u00f5es das m\u00fasicas. Foi o que eu sempre quis fazer em um show, ter uma c\u00e2mera em movimento que proporcionasse uma intimidade com os m\u00fasicos. E como havia apenas duas pessoas, eu pude explorar bem o relacionamento entre eles. Assim, o que era uma desvantagem tornou-se uma vantagem. Ent\u00e3o percebi, quando estava filmando nesse palco vazio, apenas com proje\u00e7\u00f5es que faziam parte do show, que eu n\u00e3o precisava de uma plateia. O p\u00fablico seria as pessoas que veriam isso pela primeira vez. Outra coisa importante foi que eu conhecia a m\u00fasica bem o suficiente para estar em sincronia com ela. Eu sempre quis fazer algo em que eu pudesse entrar no mesmo ritmo. Eu sinto que as imagens t\u00eam um ritmo, tanto quanto a m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 os conhecia antes de filmar \u201cSongs For Drella\u201d? Porque, voc\u00ea sabe, eles tinham uma fama de serem pessoas dif\u00edceis de trabalhar.<\/strong><br \/>\nSim, estranhamente, uns 20 anos antes, eu tinha feito o v\u00eddeo de \u201cBerlin\u201d para Lou. Nessa ocasi\u00e3o, teve um momento quando eu estava configurando a c\u00e2mera, antes de fazermos o v\u00eddeo, que ele chutou a perna do trip\u00e9 e disse: \u201cfa\u00e7a como Andy\u201d, e depois voltou para o seu microfone. Eu fiquei horrorizado. Tipo, \u201cO que est\u00e1 acontecendo?\u201d. Ent\u00e3o eu disse a ele, brincando: \u201cvoc\u00ea se lembra quando fizemos o v\u00eddeo de \u2018Berlin\u2019, que voc\u00ea chutou a c\u00e2mera embaixo de mim?\u201d. E ele olhou para mim, sorriu e disse: \u201cEu n\u00e3o me lembro muito daquela \u00e9poca\u201d. E ent\u00e3o essa foi minha apresenta\u00e7\u00e3o a Lou Reed, cerca de 20 anos antes. Mas eu ainda n\u00e3o conhecia John.<\/p>\n<figure id=\"attachment_65775\" aria-describedby=\"caption-attachment-65775\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-65775 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/ed1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/ed1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/ed1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-65775\" class=\"wp-caption-text\"><em>O cineasta Ed Lachman<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As imagens de \u201cSongs For Drella\u201d foram reencontradas enquanto voc\u00ea pesquisava para o filme de Todd Haynes sobre o Velvet Underground, lan\u00e7ado no ano passado, certo? Como foi essa busca?<\/strong><br \/>\nAs imagens ficaram sob responsabilidade da Warner Bros., que tinha os direitos sobre o filme nos Estados Unidos. Eles chegaram a fazer um laser disc que n\u00e3o ficou muito bom, e sempre achei que deveriam ter lan\u00e7ado em DVD. Mas eles n\u00e3o conseguiam encontrar o material, ningu\u00e9m sabia onde estava e n\u00e3o davam a m\u00ednima. Quando eu comecei a desenvolver \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/10\/20\/tres-filmes-schumacher-val-the-velvet-underground\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Velvet Underground<\/a>\u201d com Todd Haynes, eu mencionei isso a ele. Ele disse que certamente estava interessado, mas acabou tomando a decis\u00e3o de usar apenas filmagens de quando a banda ainda estava na ativa. Mas uma das produtoras do document\u00e1rio, Carolyn Hepburn, me disse: \u201cOlhe, eu ajudo voc\u00ea a encontrar o filme\u201d. Procuramos durante um ano, mas n\u00e3o encontramos nada. At\u00e9 que eu me lembrei, enquanto limpava meu est\u00fadio, do laborat\u00f3rio em Nova York onde originalmente processamos o filme. Entrei em contato com eles e falei: \u201cEnviem-me todo o material com o meu nome\u201d. Ent\u00e3o, durante esse tempo todo, a caixa com o negativo original estava a 30 metros do meu quarto. Mas ainda tinha um problema: eu tinha as imagens, mas n\u00e3o tinha o som. Voltei \u00e0 Warner e eles encontraram a mixagem original do \u00e1lbum, e n\u00e3o a do show. E ent\u00e3o algumas das m\u00fasicas estavam em uma ordem diferente e tal. Mas acabei encontrando algu\u00e9m por l\u00e1, na \u00e1rea de restaura\u00e7\u00e3o de som, que era apaixonado pelo Velvet, e essa pessoa me ajudou a achar o \u00e1udio. Ent\u00e3o, depois de 30 anos, acabamos conseguindo o melhor som e imagem que poder\u00edamos ter. Eu tinha a mixagem de som original para o \u00e1lbum e os negativos originais. Conseguimos converter a imagem para 4K e obter o melhor som, algo que eu jamais poderia ter sonhado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea faz ideia de como algo t\u00e3o precioso p\u00f4de se perder durante tanto tempo? E como se sentiu ao recuper\u00e1-lo?<\/strong><br \/>\nBem, voc\u00ea sabe, era algo que estava sempre guardado em uma gaveta da minha cabe\u00e7a, mas eu n\u00e3o tinha acesso ao filme. Estava t\u00e3o ocupado com o trabalho que n\u00e3o pensava muito a respeito. S\u00f3 agora eu percebo o qu\u00e3o valioso o filme \u00e9 realmente, sabe \u2014 agora que se concretizou e que as pessoas podem assistir. O que gosto no filme \u00e9 que voc\u00ea nunca tem uma c\u00e2mera t\u00e3o pr\u00f3xima \u00e0 performance quanto conseguimos ter em \u201cSongs For Drella\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-65773\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/johncale.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"559\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/johncale.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/johncale-300x224.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ap\u00f3s a sa\u00edda de John Cale do Velvet Underground, a rela\u00e7\u00e3o entre ele e Lou Reed ficou estremecida. Percebeu alguma tens\u00e3o entre eles durante as grava\u00e7\u00f5es? Houve alguma dificuldade para voc\u00ea, como diretor, neste sentido?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. Todo mundo me pergunta a respeito, e o curioso \u00e9 que a m\u00fasica meio que trata disso. Eu realmente n\u00e3o fazia parte disso [das tens\u00f5es entre os m\u00fasicos]. Eu tinha meu trabalho a fazer, tinha que pensar em como eu iria gravar essas 15 m\u00fasicas, com o tempo limitado que eu tinha. E o que aconteceu entre eles, acho que foi uma progress\u00e3o lenta ao longo do tempo que eles passaram juntos. Ent\u00e3o, eu realmente n\u00e3o estava a par disso e n\u00e3o afetou meu trabalho de forma alguma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O filme se baseia muito fortemente nas performances das can\u00e7\u00f5es. Voc\u00eas n\u00e3o pensaram em incluir outros elementos, como entrevistas, imagens de bastidores etc.? H\u00e1 algum material desse tipo que ainda possa surgir em algum momento?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, n\u00e3o. Minha posi\u00e7\u00e3o era que eu queria documentar a performance. Eu n\u00e3o pensei nisso de outra forma, s\u00f3 queria documentar o que estava acontecendo. E achei que a pe\u00e7a se expressava por si s\u00f3, n\u00e3o precisava fazer nada a mais. Sabe, muito do material vem dos di\u00e1rios de Andy Warhol, e eu senti que estava tudo l\u00e1. Voc\u00ea sabe, a pe\u00e7a inteira \u00e9 uma homenagem, um canto f\u00fanebre, um memorial\u2026 E tem um tom bem confessional. \u00c9 uma reflex\u00e3o sobre Andy. Ent\u00e3o, para mim, foi como um poema narrativo, com versos e m\u00fasica, que tra\u00e7ou a vida de Andy. Seus sonhos, aspira\u00e7\u00f5es, medos e decep\u00e7\u00f5es. Eu n\u00e3o achei que precisasse fazer nada al\u00e9m do que estava l\u00e1.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-65772\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/cale.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"559\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/cale.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/cale-300x224.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual voc\u00ea acha que foi a principal motiva\u00e7\u00e3o por tr\u00e1s de \u201cSongs For Drella\u201d, al\u00e9m da homenagem em si? Eu sinto que foi a forma que eles encontraram de pedir desculpas para Andy.<\/strong><br \/>\nEu acho que foram muitas coisas. Voc\u00ea sente Andy l\u00e1, de certa forma. As pessoas que o conheciam bem pensavam nele como um observador passivo. Ele era muito t\u00edmido, muitas vezes viveu atrav\u00e9s dos outros, e eu sinto que o esp\u00edrito de Andy est\u00e1 no filme. E isso \u00e9 algo que eles foram capazes de evocar por meio das letras e da m\u00fasica. Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma evolu\u00e7\u00e3o no tema do filme, que fala sobre crescer em uma cidade pequena, seus prim\u00f3rdios em Nova York e como ele fez amigos na cidade grande. Acho que est\u00e1 tudo nas letras e na apresenta\u00e7\u00e3o como um todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na \u00e9poca, voc\u00ea teve conversas espec\u00edficas com eles sobre como cada m\u00fasica deveria ser captada individualmente? Por exemplo, quais cores usar na fotografia e quais cenas seriam filmadas em preto e branco, entre outros aspectos?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, eles deixaram isso totalmente comigo. Eles estavam envolvidos em sua m\u00fasica e sua performance e, como Lou disse, era para isso que ele estava l\u00e1. Eles confiaram em mim, \u00e0 medida que fui respeitoso com as necessidades deles. Voltei a ver Lou algumas outras vezes, em restaurantes e outros lugares, e ele sempre foi muito agrad\u00e1vel e cordial comigo. Apenas funcionou, sabe? As pessoas que conheciam Lou intimamente vieram at\u00e9 mim e disseram o quanto o filme significava para ele. Ent\u00e3o, isso foi o melhor de tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Revivendo esse projeto depois de 32 anos, acredita que faria algo diferente?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, eu tive 32 anos para resolver isso. Estou com 76 anos agora. Vejo os trabalhos que fiz, coisas diferentes. Tenho sorte de que parte dele ainda exista. O trabalho \u00e9 como um di\u00e1rio. Essa foi mais uma p\u00e1gina. Acho que n\u00e3o mudaria nada.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-65774\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/lou1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"507\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/lou1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/lou1-300x203.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>\u2013 Leonardo Tissot (<a href=\"http:\/\/www.leonardotissot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.leonardotissot.com<\/a>) \u00e9 jornalista e produtor de conte\u00fado<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Songs For Drella\u201d revela uma preciosa colabora\u00e7\u00e3o entre artistas que n\u00e3o se entendiam muito bem na vida, mas que criaram arte que durar\u00e1 para sempre.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/04\/22\/entrevista-diretor-ed-lachman-fala-sobre-filme-concerto-perdido-de-lou-reed-e-john-cale\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":63,"featured_media":65771,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3,118],"tags":[5596,5350,244,5351],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65767"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/63"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65767"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65767\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":65793,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65767\/revisions\/65793"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/65771"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65767"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65767"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65767"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}