{"id":65407,"date":"2022-04-08T11:01:21","date_gmt":"2022-04-08T14:01:21","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=65407"},"modified":"2022-06-10T14:54:25","modified_gmt":"2022-06-10T17:54:25","slug":"entrevista-claudia-manzo-lanca-re-voltar-falando-de-violencia-mas-tambem-de-amor-e-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/04\/08\/entrevista-claudia-manzo-lanca-re-voltar-falando-de-violencia-mas-tambem-de-amor-e-esperanca\/","title":{"rendered":"Entrevista: Claudia Manzo lan\u00e7a &#8220;Re-Voltar&#8221; falando de viol\u00eancia e desrespeito, mas tamb\u00e9m de amor e esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por&nbsp;<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">2021 foi um ano intenso para todos n\u00f3s, mas com bons frutos para Claudia Manzo, cantora chilena radicada em BH. Envolvida com m\u00fasica e teatro, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/05\/18\/entrevista-claudia-manzo-do-chile-para-bh-e-ao-baianasystem\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Claudia est\u00e1 na estrada h\u00e1 bastante tempo<\/a>, mas a participa\u00e7\u00e3o em \u201cOXEAXEEXU\u201d (2021), disca\u00e7o do BaianaSystem, fez com que seu nome fosse apresentado a um novo p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aproveitando a nova fase, Claudia Manzo acaba de lan\u00e7ar seu segundo disco solo, \u201c<a href=\"https:\/\/tratore.ffm.to\/re-voltar\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Re-voltar<\/a>\u201d. Nesse novo trabalho, composto por 10 faixas, a cantautora chilena evidencia novas influ\u00eancias atrav\u00e9s do uso de bases eletr\u00f4nicas, mas que dialogam, em plena harmonia, com a sua peculiar sonoridade org\u00e2nica e latina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Produzido pelo belo-horizontino CIDO), \u201c<a href=\"https:\/\/tratore.ffm.to\/re-voltar\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Re-voltar<\/a>\u201d conta com um time diversificado de participa\u00e7\u00f5es que v\u00e3o desde de Mariana Cavanellas (em \u201cVacil\u00e3o\u201d), Luiza Brina (em \u201cPequenos Homens\u201d) e a dupla Russo Passapusso \/ Beto Barreto (BaianaSystem), que contribui no single \u201c\u00c1gua Benta\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como fruto do seu tempo, liricamente o disco \u00e9 carregado de simbologia que remete as agruras da contemporaneidade em tempos de luto e de luta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista e no faixa a faixa abaixo, a cantora chilena fala sobre sua nova fase, o processo de grava\u00e7\u00e3o de \u201cRe-voltar\u201d, as tem\u00e1ticas pol\u00edtico-sociais inerentes ao novo repert\u00f3rio, participa\u00e7\u00f5es especiais, a busca por novas sonoridades, a influ\u00eancia do seu lado arte-educadora em seu fazer art\u00edstico, a volta aos palcos e muito mais. Leia abaixo!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"\u00c1gua Benta - Claudia Manzo y BaianaSystem\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nC-UOd3AIuI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/05\/18\/entrevista-claudia-manzo-do-chile-para-bh-e-ao-baianasystem\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Retomando a conversa que tivemos ano passado<\/a>, 2021 foi um ano de realiza\u00e7\u00f5es para voc\u00ea devido a formaliza\u00e7\u00e3o de parcerias importantes, o retorno aos palcos e a grava\u00e7\u00e3o de um novo disco. Nesse sentido, como foi o processo de cria\u00e7\u00e3o e grava\u00e7\u00e3o de &#8220;Re-voltar&#8221;?<\/strong><br \/>\nFoi um ano super interessante, mas tamb\u00e9m ca\u00f3tico demais! Muitas emo\u00e7\u00f5es, algumas frustra\u00e7\u00f5es. Como se vive neste mundo agora, n\u00e9? V\u00e1rias d\u00favidas que afetavam diretamente a cria\u00e7\u00e3o e a grava\u00e7\u00e3o do \u201cRe-voltar\u201d. A cria\u00e7\u00e3o porque, claro, estava presente a saudade, a vontade de rua, de reencontro, mas tamb\u00e9m reflex\u00f5es sobre nosso cen\u00e1rio atual, epifanias minhas, imagina! As parcerias me trouxeram for\u00e7a e vida, vontade de vida. A gente estava com medo, nossa vida correndo risco, ent\u00e3o ir pro est\u00fadio precisava de ser organizado e tomar todas as medidas para se proteger. Foi muito intenso, tivemos que aprender a trabalhar de outro jeito, muito diferente do meu disco anterior, com um formato diferente, mas eu gostei, aprendi muito. Tudo era uma incerteza, \u00e9 ca\u00f3tico, \u00e9 intenso, d\u00e1 medo n\u00e9? O bom \u00e9 que eu sei que todo processo criativo tem disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acredito que \u00e9 poss\u00edvel dizer que &#8220;Re-voltar&#8221; \u00e9 um \u00e1lbum que reflete a contemporaneidade j\u00e1 que aborda, em sua ess\u00eancia, tem\u00e1ticas que dizem respeito \u00e0s dores e alegrias de estar vivo num mundo complexo e diverso. Partindo desse pressuposto, quais foram as inten\u00e7\u00f5es que lhe guiaram para o levantamento dessas quest\u00f5es presentes no disco?<\/strong><br \/>\nAs coisas que atualmente me tocam, que fazem parte do que me sensibiliza, do que me afeta. Por exemplo o maltrato f\u00edsico e psicol\u00f3gico que sofrem as mulheres, o desrespeito com a diversidade dos corpos \u00e9 algo que faz parte da minha hist\u00f3ria e s\u00e3o coisas que uma parte da popula\u00e7\u00e3o mundial n\u00e3o aguenta mais! Logo tem as demandas das redes sociais, essa exig\u00eancia, saber de tudo um pouco e de estar sempre presente, com o sorriso desenhado, s\u00f3 olhando a superf\u00edcie e a gente mentindo sobre um estado constante de alegria, algo que \u00e9 cruel, porque n\u00e3o existe! \u00c9 interessante isso das dores e alegrias porque \u00e9 dif\u00edcil entender a dualidade, mesmo assim presente desde o come\u00e7o do nosso mundo, retratada nas nossas ancestralidades ainda nos custa entender, e acho que a minha inten\u00e7\u00e3o vinha de dizer, olha, est\u00e1 feio, est\u00e1 dif\u00edcil, por\u00e9m ainda tem sa\u00eddas, assim como existe a noite logo tem o dia, precisamos nos olhar, nos encontrar, entender a ang\u00fastia como aprendizado, ressignificar as dores e continuar, na frente tem mais, \u00e9 vida. Quando olho o disco como um todo, eu falo do ruim que \u00e9 ser violentada numa rela\u00e7\u00e3o mas que o amor \u00e9 lindo e saud\u00e1vel, esse amor bom existe, \u00e9 legal, isso \u00e9 esperan\u00e7a. Falo que estou com saudade, no meio de uma pandemia sem poder encontrar ningu\u00e9m, mas que em breve vamos nos ver, este disco fala de realidade, de que a vida n\u00e3o \u00e9 linear, este disco fala do amor, mas amor fora do ideal rom\u00e2ntico, fala de se inspirar na nossa ancestralidade, de procurar a riqueza na gente, no nosso continente, dentro da gente, respeitar as ess\u00eancias tamb\u00e9m. A gente est\u00e1 vivendo num mundo complexo e diverso n\u00e9? Nem tudo \u00e9 t\u00e3o r\u00edgido, ou im\u00f3vel e minhas inten\u00e7\u00f5es eram de dialogar sobre isso, precisamos construir um melhor futuro, abra\u00e7ar teu irm\u00e3o pra conquistar esse futuro, se inspirar no bom do passado pra construir futuros, juntos, conversando, trocando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco tem um time diverso de participa\u00e7\u00f5es especiais que v\u00e3o desde o retorno do BaianaSystem, a Mariana Cavanellas e Luiza Brina. Como se deu a (re)aproxima\u00e7\u00e3o desse grande elenco e quais as contribui\u00e7\u00f5es cada um(a) trouxe para o resultado final?<\/strong><br \/>\nSou muito grata. Queria fazer alguma coisa com Mariana e Luiza h\u00e1 muito tempo e neste \u00e1lbum o desejo se materializou. Admiro muito as duas. Mariana na sua interpreta\u00e7\u00e3o ao vivo sempre me fazia ficar intrigada, hipnotizada com sua teatralidade, um certo drama que me fascinava, e pensei que a m\u00fasica \u201cVacil\u00e3o\u201d era onde a gente ia poder brincar com isso que ela tem e que eu tamb\u00e9m gosto de experimentar, sinto que combinou demais, nossas diferen\u00e7as de timbres, de personalidade, de corpos, achei divertido ter a presen\u00e7a dela na m\u00fasica como int\u00e9rprete. J\u00e1 a Luiza \u00e9 uma musicista que me faz sentir mais amor pela m\u00fasica, ela tem uma rela\u00e7\u00e3o t\u00e3o org\u00e2nica com o tocar e cantar, algo t\u00e3o flu\u00eddo que eu fico encantada, e assim aconteceu a participa\u00e7\u00e3o dela, com fluidez. Falei que tinha uma letra e a gente fez uma reuni\u00e3o no google meet. A m\u00fasica ficou pronta em menos de uma hora. Lu \u00e9 assim, leve! E assim saiu &#8220;Pequenos Homens&#8221;. A participa\u00e7\u00e3o de BaianaSystem \u00e9 muito especial tamb\u00e9m, \u00e9 uma banda com uma hist\u00f3ria gigante no Brasil, na m\u00fasica. Eu admiro demais como \u00e9 constru\u00edda essa hist\u00f3ria. Depois da minha participa\u00e7\u00e3o no \u201cAm\u00e9rica do Sol, 3 ato\u201d do \u201cOxeAxeExu\u201d, eu convidei Russo para cantar no meu disco e fiquei super feliz porque ele topou. No caminho entrou Beto com a guitarra e o BaianaSystem como uma presen\u00e7a onipresente, a gente tinha achado um jeito de dialogar para construir. BaianaSystem \u00e9 muito mais do que m\u00fasica, muita coisa passa por a\u00ed antes de virar m\u00fasica e eu amo esse jeito de ver as artes, integradas, imagem, literatura, hist\u00f3ria, pol\u00edtica, tudo muito presente, se propondo estudar sempre, ser respons\u00e1vel quando se tem o microfone, eu sou muito f\u00e3. Fizemos tipo um laborat\u00f3rio para a constru\u00e7\u00e3o de \u201c\u00c1gua Benta\u201d e eu penso que essa m\u00fasica aconteceu s\u00f3 porque eu pude fazer isso com eles, porque foram super respeitosos com minha proposta, com minha dire\u00e7\u00e3o. Eles confiaram no que eu estava visualizando e se jogaram, abra\u00e7aram, isso \u00e9 sensacional! O resultado \u00e9 incr\u00edvel, a m\u00fasica tem imagem, tem hist\u00f3ria, tem ancestralidade, tem Am\u00e9rica Latina, tem muito compromisso, e ganhou um clipe maravilhoso da Apus produtora de conte\u00fado com a companhia de dan\u00e7a peruana &#8220;La Trenza&#8221;. Um deleite.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pachamama (clipe) - BaianaSystem Feat. Claudia Manzo\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9mGCE1gNFu4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outro ponto que chama aten\u00e7\u00e3o do disco \u00e9 o car\u00e1ter oscilante de sonoridades que v\u00e3o desde bases eletr\u00f4nicas a uma instrumenta\u00e7\u00e3o mais org\u00e2nica, marca que j\u00e1 lhe \u00e9 peculiar em trabalhos anteriores. A aposta nesta hibridiza\u00e7\u00e3o est\u00e1 relacionada ao trabalho com o produtor CIDO?<\/strong><br \/>\nTrabalhar com CIDO foi um presente! D\u00e1 pra perceber a personalidade dele no disco, mas antes de o chamar para produzir eu j\u00e1 estava com a ideia de querer me aproximar de um som mais moderno, de um som que estava chegando nas pessoas. CIDO foi apresentado pela nossa produtora (Marina Lauar) para mim e meu parceiro Andr\u00e9 Milagres e gostamos demais, era ele. Realmente, o universo do eletr\u00f4nico me instiga desde sempre, gosto, mas sentia medo da m\u00e3o pesar mais para isso, porque tem muito mais do que isso no meu desejo de fazer m\u00fasica. Ent\u00e3o para mim foi um desafio, mas CIDO entendeu muito bem minhas apreens\u00f5es e acho que dialogamos muito bem, melhor do que eu esperava. Acho que minha hibridez realmente ficou em evid\u00eancia. Eu a assumi de vez. Estou super real neste disco, a m\u00fasica tem minha cara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Agora eu queria que voc\u00ea falasse um pouco sobre a parte gr\u00e1fica desse novo projeto. A foto da capa \u00e9 fruto do trabalho com a fot\u00f3grafa Luciana Diniz e \u00e9 carregada de simbolismo. Qual foi a ideia a ser transmitida ali?<\/strong><br \/>\nA foto \u00e9 da Lu e o design da capa da Marcela Arenas, uma artista chilena. Fizemos um ensaio com Luciana que foi tipo um rito, ela tem um jeito particular de trabalhar com uma constru\u00e7\u00e3o de pesquisa muito forte e eu j\u00e1 estava nessa pesquisa com Marcela Arenas. Eu queria que as refer\u00eancias e inspira\u00e7\u00e3o fossem super na nossa Am\u00e9rica Latina, e estava com um olho atento no Chile e outro aqui, mas come\u00e7amos a falar sobre a cosmovis\u00e3o do povo Selknam, um dos povos origin\u00e1rios chilenos mais maltratados pela col\u00f4nia, e com um mito muito forte sobre sua forma\u00e7\u00e3o. No mito resumidamente as mulheres tomavam as decis\u00f5es e governavam, mantinham a harmonia, e um dia um homem se rebelou, mataram assim muitas meninas, mulheres e uma saiu correndo, deu um pulo e virou Lua. \u00c9 impactante a viol\u00eancia desse mito, mas fala de ressignificar, ent\u00e3o me senti muito identificada com as imagens deles, com suas hist\u00f3rias e as cores que utilizam, que s\u00e3o utilizadas por povos origin\u00e1rios de outros lugares da Am\u00e9rica Latina. No Peru, por exemplo, tamb\u00e9m tem Urucum e a capa \u00e9 feita assim, inspirada nessa arte, pintura corporal como forma de express\u00e3o, corpo natureza, resist\u00eancia. Uffff! A ideia tamb\u00e9m \u00e9 que a pintura parecesse uma capucha, mas essa j\u00e1 \u00e9 outra hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para al\u00e9m da carreira como musicista voc\u00ea tamb\u00e9m atua como arte-educadora. De maneira geral essa faceta interfere\/contribui ao seu fazer art\u00edstico?<\/strong><br \/>\nInterfere e contribui, me instiga total a melhorar como artista, a compreender esse lugar do di\u00e1logo da acessibilidade, da diversidade, de procurar me comunicar cada vez melhor para que o que fa\u00e7o chegue em mais pessoas. \u00c9 um presente ensinar, quem ensina termina aprendendo muito, \u00e9 m\u00e3o dupla, eu sou mestra dos meus maiores mestres. \u00c9 demais. Tenho que equilibrar os dois lugares em quest\u00e3o de agenda, mas a rela\u00e7\u00e3o que eu consigo construir com meus alunos \u00e9 sincera, transparente, ent\u00e3o quando eu tenho que concentrar, as vezes num lan\u00e7amento, por exemplo, eles entendem porque na aula tamb\u00e9m me concentro e entrego e eu tamb\u00e9m tento entender as subjetividades de cada um. \u00c9 um lugar precioso ser arte educadora, que lindo seria todos os artistas poderem ter essa experi\u00eancia, e precioso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por fim, quais s\u00e3o seus planos futuros? Quais s\u00e3o as suas expectativas com esse reaquecimento do mercado dos shows?<\/strong><br \/>\nQuero fazer um show de lan\u00e7amento lindo, ir pro palco com a certeza de que vamos nos divertir, vamos dan\u00e7ar e nos emocionar juntos. Se tudo der certo isso ser\u00e1 em Julho, e depois espero visitar outros estados. Quero tocar bastante esse disco no segundo semestre. Estamos pensando uma turn\u00ea para 2023 e come\u00e7ar mais um disco. Neste semestre ainda tem mais tr\u00eas lan\u00e7amentos, umas vers\u00f5es de m\u00fasicas que est\u00e3o no \u00e1lbum, umas locuritas. Por a\u00ed tamb\u00e9m, se tudo der certo neste mundo de incertezas, tenho a vontade de estrear meu baile. Estou com dois anos de energia guardada, imagina!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Claudia Manzo - RE - VOLTA  (Lyric V\u00eddeo)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_C7yLRiOXM0?list=OLAK5uy_llSMKKVOkuX7QaigM_OpRaqDT7KWaUUEQ\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Faixa a faixa<br \/>\nPor Claudia Manzo<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>01. \u201cRe \u2013 volta\u201d \u2013<\/strong> Essa m\u00fasica se transformou no primeiro single do \u201cRe-voltar\u201d. Escrevi com a cabe\u00e7a na Re-volta que o Chile vivenciou a partir de outubro de 2019. Por isso falo no come\u00e7o: &#8220;Voc\u00eas est\u00e3o olhando o mesmo que eu? Por um lado fico feliz, por outro n\u00e3o\u201d. Uma re &#8211; volta \u00e9 muito potente, pessoas morrem por acreditar numa luta coletiva, e a gente v\u00ea a pior cara dos governantes. \u00c9 uma catarsis, \u00e9 muita dor, mas o que alimenta isto \u00e9 a esperan\u00e7a. Ent\u00e3o carrega toda a dualidade que temos dentro, o pior e o melhor de n\u00f3s aparece. Por isso sinto que esta m\u00fasica fala que \u00e9 necess\u00e1rio abra\u00e7ar nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s pra conquistar futuro, sinto que \u00e9 a m\u00fasica que d\u00e1 o pontap\u00e9 pro disco e a que me faz entender a espiral de melhor jeito. Acho que \u00e9 meio aqueles hinos latinoamericanos de resist\u00eancia, e fiquei feliz de poder colocar meus sentimentos conturbados nela. Foi parte da nova parceria com Andr\u00e9 Milagres onde ele j\u00e1 come\u00e7a a fazer parte do trabalho como um todo, discutindo letras, refer\u00eancias, imagens. Andr\u00e9 sempre foi parceiro dos arranjos e da m\u00fasica, mas agora ele entra tamb\u00e9m nas reflex\u00f5es, no universo da m\u00fasica. As refer\u00eancias quase todas s\u00e3o das manifesta\u00e7\u00f5es no Chile. At\u00e9 os lasers que o pessoal usava nas manifesta\u00e7\u00f5es. Eu queria esse clima na m\u00fasica e o produtor CIDO conseguiu super realizar meu desejo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>02. \u201cConfiss\u00e3o\u201d \u2013<\/strong> Fiz essa m\u00fasica antes da pandemia, escrevendo sobre a canseira de estar o tempo inteiro nas redes sociais. Mal sabia eu que \u00edamos passar tanto tempo dentro de casa com m\u00e1scara e s\u00f3 falando pelas telas, que loucura! Falo literalmente que as m\u00e1scaras me cansam, mas na verdade \u00e9 a m\u00e1scara da n\u00e3o realidade de algumas redes sociais, filtros, alegria constante, n\u00e3o! Ningu\u00e9m \u00e9 assim! Tem dias ruins tamb\u00e9m e isso que \u00e9 viver!. \u00c9 cruel prometer uma alegria constante, eterna, parece que quem est\u00e1 triste est\u00e1 no fracasso, n\u00e3o faz sentido. Eu queria me confessar, j\u00e1 que as vezes parece um tabu. Eu tamb\u00e9m me sinto triste! Nesse mundo que constru\u00edmos n\u00e3o t\u00e1 nada f\u00e1cil, ent\u00e3o \u00e9 normal sentir cansa\u00e7o e tristeza. Essa m\u00fasica no disco est\u00e1 super especial, pois conta com tr\u00eas m\u00fasicos chilenos: no tr\u00eas cubano (instrumento de corda) Pablo Reyes, na percuss\u00e3o Aldo Miranda e no baixo el\u00e9trico meu irm\u00e3o \u2013 m\u00fasico tamb\u00e9m \u2013 Jorge Manzo. Uma coincid\u00eancia interessante! Eu queria colocar uma onda bem mais pr\u00f3xima do som cubano. Adorei me queixar dan\u00e7ando. Jorge e Pablo gravaram no Chile e Aldo aqui no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>03. &#8220;Saudade&#8221; \u2013<\/strong> Adoro essa m\u00fasica porque ela veio espontaneamente na pandemia, no pior momento do isolamento, na parte mais dura da quarentena. Virei chef, virei a louca das plantas, conheci uma parte de mim que era totalmente nova, linda. N\u00e3o aguentava mais tamb\u00e9m ficar distante dos meus afetos e sentia uma vontade enorme de encontro, de troca, como todo mundo. Teve v\u00e1rias epifanias, uma compreens\u00e3o do mundo diferente. Ficou em evid\u00eancia mais do que nunca nossas desigualdades sociais. Algo h\u00e1 de ser diferente, eu? a gente? o que? ainda n\u00e3o sei, mas algo h\u00e1 de ser, alguma coisa j\u00e1 \u00e9 diferente. Nesta m\u00fasica fiz uma coisa que adoro: um encontro de ritmos, de instrumentos, ent\u00e3o tem uma base de rumba, mas tem meio que um ijex\u00e1, um di\u00e1logo lindo que proporciona nossa m\u00fasica latina. O cuatro, instrumento que me acompanha em v\u00e1rias composi\u00e7\u00f5es, presente em v\u00e1rios pa\u00edses principalmente da Am\u00e9rica Central, est\u00e1 presente. A verdade \u00e9 que a m\u00fasica veio primeiro com o cuatro, bem singelo, com acordes simples. Eu queria matar saudade, esse era o objetivo dessa m\u00fasica. Ela tamb\u00e9m tinha um ar de esperan\u00e7a, a vontade e a certeza do reencontro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>04. \u201cL\u00edngua\u201d \u2013<\/strong> Essa foi a m\u00fasica mais dif\u00edcil para mim. Fiz junto com Andr\u00e9 Milagres e CIDO. A gente fez ao vivo junto, a base inteira, gravamos no primeiro encontro e eu nunca tinha feito uma m\u00fasica pop assim como ela. O solo de Andr\u00e9 eu queria bem Lenny Kravitz e ficou sensacional! Acho que o CIDO tinha essa base pronta na cabe\u00e7a, no cora\u00e7\u00e3o, muito org\u00e2nica. Ele arrasa!. O que gosto dela \u00e9 que tem essa cara pop, mas com pequenos elementos de percuss\u00e3o e de instrumentos que fazem sempre parte do meu trabalho. Digo que foi dif\u00edcil, n\u00e3o pela m\u00fasica, mais pela letra. \u00c9 porque ela apresentava um toque er\u00f3tico para mim. Eu ouvia e s\u00f3 conseguia pensar nisso e a\u00ed tentei pensar de que maneira falar sobre&#8230; Eu tinha uma parte da letra pronta, rabiscos sobre l\u00edngua. A\u00ed lembrei de um poema que me inspirou pro refr\u00e3o, e comecei a procurar, ler, escutar mais sobre l\u00edngua e achei sensacional essa possibilidade de brincar com a palavra de diversos jeitos, como parte do corpo e como linguagem, a palavra, a l\u00edngua estrangeira. O fato de eu falar mais de uma l\u00edngua, tem ditados em portugu\u00eas e em espanhol. De um jeito m\u00e1gico estou citando por segunda vez Caetano, fiz isso em \u201cBruta Flor\u201d no meu disco anterior e agora com a frase &#8220;A l\u00edngua tamb\u00e9m \u00e9 minha p\u00e1tria&#8221;. Que presente essa frase, genial! Tinha que estar a\u00ed, gracias Caetano!. N\u00e3o foi f\u00e1cil, mas adoro l\u00edngua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>05. \u201cVacil\u00e3o\u201d (part. Mariana Cavanellas) \u2013<\/strong> Sinto que foi exatamente onde eu queria que fosse. \u00c9 uma m\u00fasica com um drama intencional no seu come\u00e7o, tem um arranjo lindo de metais da Nathalia Porto e soa meio como um bolero, ou cha cha cha. Logo muda para o come\u00e7o do show, se apresenta o &#8220;Vacil\u00e3o&#8221; como se isto fosse um circo e de uma vez vem a cumbia! Queria muito ter a voz da Mariana Cavanellas nela. A Mari tem uma teatralidade ao vivo, que eu amo, sua interpreta\u00e7\u00e3o sempre me fascinou e tinha um bom tempo que quer\u00edamos fazer alguma coisa junto. Desta vez funcionou e adorei ter nossos timbres diferentes, vozes com bastante personalidade e brincando nela. \u201cVacil\u00e3o\u201d \u00e9 uma m\u00fasica que d\u00f3i, fala sobre abuso, sobre maltrato psicol\u00f3gico e f\u00edsico, denuncia o cara que \u00e9 fofo, o amigo de todo mundo e das mulheres, o \u201cesquerdo macho\u201d. N\u00f3s debochamos na can\u00e7\u00e3o aquele cara que fala de feminismo na mesa do bar, mas que no sil\u00eancio, quando ningu\u00e9m o v\u00ea, maltrata e faz estragos. Essa m\u00fasica d\u00f3i, por\u00e9m, ao mesmo tempo, fala sobre existir um amor que pode ser bom, saud\u00e1vel. No fundo, como mulheres queremos, acreditamos, mas sabemos que nos \u00e9 ofertado um amor totalmente machista, com base num patriarcado que n\u00e3o reconhece mulheres como sujeito, que muitas vezes at\u00e9 nos mata. Eu queria ressignificar a dor um pouco, trazer leveza, e assim esta m\u00fasica virou cumbia, o ritmo mais contagiante da nossa Am\u00e9rica Latina!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Vacila\u0303o - Claudia Manzo part. Mariana Cavanellas (V\u00eddeo Letra)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/u5tMOi7--0M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>06. \u201cCorpo Livre\u201d \u2013<\/strong> \u201cCorpo Livre\u201d tem inspira\u00e7\u00e3o na Col\u00f4mbia, principalmente na matriz africana, \u00e9 um ritmo dan\u00e7ante para falar da liberdade de todos os corpos. Eu queria fazer uma m\u00fasica que voc\u00ea escute e comece a mexer os p\u00e9s, ombro ou quadril. Acho que CIDO aqui conseguiu totalmente esse clima e eu sou apaixonada por ela. Na letra queria dizer sobre o divertido e belo que \u00e9 ser diferente, olhar para pessoas diferentes, diversas e que todas t\u00eam direito de ser e estar, em todas as partes. Aqui principalmente falo sobre o corpo gordo, mas vale para tantos corpos, tantos formatos, tantas pessoas, falo sobre se libertar da dieta e assumir que n\u00e3o \u00e9 normal querer todos os corpos iguais. Que se amar \u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o. Isto tem a ver comigo totalmente, o estrago da cultura da dieta em mim. Sei que \u00e9 um problema mais profundo que s\u00f3 estar fora do padr\u00e3o porque quem n\u00e3o tem energia n\u00e3o consegue lutar. E a energia a gente recebe dos alimentos, quem est\u00e1 a dieta n\u00e3o est\u00e1 bem nutrido nem bem alimentado ent\u00e3o&#8230; imagina! a quem serve a gente est\u00e1 malnutrido?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>07. \u201cUna parte de la historia\u201d \u2013<\/strong> \u00c9 uma valsa inspirada nos vals peruano, a m\u00fasica criolla peruana. Amo vals peruano, faz parte da minha vida, desde a inf\u00e2ncia. Nesta m\u00fasica a gente quis manter essa est\u00e9tica da voz e viol\u00e3o. O Andr\u00e9 Milagres \u00e9 um talentos\u00edssimo violonista, participou da composi\u00e7\u00e3o e fez esse arranjo incr\u00edvel para as cordas com essa refer\u00eancia da m\u00fasica peruana. A melodia e a letra me vieram de uma vez h\u00e1 muitos anos atr\u00e1s. Lembro que enviei pro Andr\u00e9 e deixamos pra l\u00e1, agora foi a oportunidade de retomar e colocamos no disco. A letra fala de um amor que s\u00f3 uma pessoa vive, que s\u00f3 uma pessoa conta, que \u00e9 vivido mais na fantasia do que na realidade. Por isso chama uma parte da hist\u00f3ria, a estrutura da valsa \u00e9 pela metade e a gente nunca vai saber o que sentiu e vivenciou a outra parte. Essa letra e melodia tinha que ser uma valsa, daquelas pra sofrer mesmo, pra picar cebola!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>08. \u201cPequenos Homens\u201d (part. Luiza Brina):<\/strong> \u201cAh grandes mulheres precisam de grandes homens, ou mulheres\u2026&#8221; Nesta m\u00fasica tenho a alegria e sorte de cantar junto com a Luiza Brina. Sempre quis fazer algo com Luiza, gosto muito do jeito que a m\u00fasica caminha com ela, parece um jogo simples, org\u00e2nico, tudo flui! E foi assim mesmo que veio \u201cPequenos Homens\u201d. Enviei pra ela a letra que tinha e, mais ou menos, uma ideia de rumba e um baixo um pouco mais salseiro. A gente marcou uma reuni\u00e3o online depois disso e numa reuni\u00e3o terminamos a m\u00fasica, sorrindo! Menos de uma hora, uma coisa muito org\u00e2nica natural, que del\u00edcia fazer m\u00fasica assim, Lu \u00e9 gigante! Uma grande mulher! . A letra desta m\u00fasica fala um pouco da infantiliza\u00e7\u00e3o que faz a sociedade com homens. Todo o pano que se passa para quem comete erros garrafais com 30 e poucos anos. Aquele que para a sociedade ainda \u00e9 um moleque, mas se falamos da menina com 14 j\u00e1 \u00e9 mulher, respons\u00e1vel, com uma maturidade que menino n\u00e3o tem. Desigual, este mundo \u00e9 desigual e est\u00e1 cheio de grandes mulheres com amores med\u00edocres por causa disso, mas &#8220;\u00e9 o tempo das grandes mulheres&#8221;. Essa can\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m uma homenagem para elas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>09. \u201cTreme Terra\u201d:<\/strong> Esta \u00e9 uma m\u00fasica que eu escrevi h\u00e1 um par de anos para a Orquesta At\u00edpica de Lhamas, que \u00e9 uma orquestra onde tocamos principalmente cumbia e ritmos latinos. Fiz pra gente tocar com muita percuss\u00e3o e tem uma vers\u00e3o cumbia, com marcha meio militar, maracatu, uma mistura. Mas tamb\u00e9m fiz uma grava\u00e7\u00e3o, lan\u00e7ada como single com um coletivo de maracatu, o Couro Encantado, na reg\u00eancia da mestra Alcione Oliveira (BH). Foi uma experi\u00eancia incr\u00edvel, s\u00f3 tambores e a voz, muito forte. Tem at\u00e9 um making off disso. Muito forte!, Mas mesmo assim com todas essas vers\u00f5es, eu queria colocar neste disco, queria fazer mais uma vers\u00e3o e a\u00ed ficou muito nas m\u00e3os do CIDO. Foi dif\u00edcil desapegar das outras vers\u00f5es, mas o CIDO fez propostas super interessantes e ficou uma del\u00edcia, ainda \u00e9 uma m\u00fasica muito potente, por\u00e9m ganha um pouco de leveza nesta vers\u00e3o. A faixa tem parte da grava\u00e7\u00e3o com Couro Encantado, a organicidade dos eletr\u00f4nicos da m\u00e3o do CIDO, o viol\u00e3o caracter\u00edstico do Andr\u00e9 que eu adoro. A letra \u00e9 outro daqueles t\u00edpicos hinos da resist\u00eancia latino-americana e a ideia do treme terra tem a ver com meu lugar como migrante, no Chile. A terra treme, tem tremores, terremotos. Tenho outra m\u00fasica onde falo que os chilenos, os que tremem forte, v\u00e3o ter revolu\u00e7\u00e3o, mas aqui no Brasil tem isso do maracatu, que faz tremer a terra, que pesa uma tonelada. Adoro como o inconsciente faz sua parte. Acho que a\u00ed aparece meu portunhol, a brachilena! A minha hibridez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>10. \u201c\u00c1gua Benta\u201d (Claudia Manzo e BaianaSystem) &#8211; <\/strong>Tanto o que dizer sobre as m\u00fasicas, mas est\u00e1 aqui tem um sabor especial, por v\u00e1rios motivos. Russo fez parte da composi\u00e7\u00e3o comigo e Andr\u00e9 tamb\u00e9m. Falei com Russo que queria ele no meu disco e ele topou. Sentia que com ele eu tinha que falar de algo que sempre me preocupava ou me tocava que era o apagamento da nossa cultura logo da chegada dos europeus, da col\u00f4nia na nossa Abya Yala, e fomos estudando, fomos nos apresentando refer\u00eancias, dialogando, um m\u00e9todo muito especial que j\u00e1 tinha funcionado na minha participa\u00e7\u00e3o no \u201cOxeAxeExu\u201d. Ent\u00e3o j\u00e1 sab\u00edamos como nos comunicar. Fizemos laborat\u00f3rio, e ao mesmo tempo eu falava com CIDO e com Andr\u00e9 do que eu queria que a m\u00fasica fosse, as imagens, as refer\u00eancias, hist\u00f3ria, etc. Queria a base r\u00edtmica inspirada no Son de los Diablos, dan\u00e7a afro-peruana que mistura ritmos africanos, espanh\u00f3is e amer\u00edndios. O Son de Los Diablos foi a principal inspira\u00e7\u00e3o. Essa manifesta\u00e7\u00e3o andina tem particularidades muito interessantes, como o uso de m\u00e1scaras e o pr\u00f3prio jeito de dan\u00e7ar. Muitas das coisas que est\u00e3o ali t\u00eam a ver com o medo da figura do capeta e tamb\u00e9m da bruxaria, bastante condenada pelos europeus. Eu tamb\u00e9m queria uma introdu\u00e7\u00e3o mais pro erudito. Eu adoro a hist\u00f3ria do tr\u00edtono que era tipo o som do diabo. Ent\u00e3o queria tamb\u00e9m que estivessem esses s\u00edmbolos presentes, o Andr\u00e9 ia me ajudando a colocar na realidade estes desejos e contribuindo na letra, na instrumenta\u00e7\u00e3o, loucuras. \u00c9 muito interessante como um acorde pode virar algo demon\u00edaco, assim muitas dos nossos costumes ancestrais tamb\u00e9m viraram coisas demon\u00edacas. A m\u00fasica mais ou menos denuncia isto. Tem v\u00e1rias refer\u00eancias at\u00e9 terminar a letra, mas \u00e9 esse o caminho principal, o apagamento da ancestralidade. Russo fez uma letra e um refr\u00e3o maravilhoso que d\u00e1 o t\u00edtulo para a m\u00fasica e CIDO no meio trouxe a ideia de um reggae onde eu quis assumir esse lugar das minhas ancestrais, &#8220;me mataram tantas vezes e sigo aqui ressuscitando&#8221;. Amei fazer esta m\u00fasica com Russo, me inspira, tirou o meu melhor! Fiquei muito honrada tamb\u00e9m de contar com a participa\u00e7\u00e3o mais do que especial de Roberto Barreto, que foi muito generoso! \u201c\u00c1gua Benta\u201d ganhou um clipe da Apus, produtora de conte\u00fado, com a dire\u00e7\u00e3o de Marcelo Pinheiro e Claudia Chavez, com a participa\u00e7\u00e3o da companhia peruana La trenza com seu espet\u00e1culo &#8220;El cumbi\u00f3n del chivo&#8221;.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-65409\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/CAPA-Re-voltar_-Claudia-Manzo.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"752\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/CAPA-Re-voltar_-Claudia-Manzo.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/CAPA-Re-voltar_-Claudia-Manzo-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/CAPA-Re-voltar_-Claudia-Manzo-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>\u2013&nbsp;<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a>&nbsp; escreve no Scream &amp; Yell desde 2014.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em seu novo trabalho, a cantautora chilena radicada em BH evidencia novas influ\u00eancias atrav\u00e9s do uso de bases eletr\u00f4nicas que dialogam, em harmonia, com sua sonoridade org\u00e2nica e latina.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/04\/08\/entrevista-claudia-manzo-lanca-re-voltar-falando-de-violencia-mas-tambem-de-amor-e-esperanca\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":65410,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1127,5180,1627],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65407"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65407"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65407\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":65414,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65407\/revisions\/65414"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/65410"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65407"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65407"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65407"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}