{"id":6535,"date":"2010-11-28T21:31:44","date_gmt":"2010-11-29T00:31:44","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=6535"},"modified":"2024-02-22T03:46:19","modified_gmt":"2024-02-22T06:46:19","slug":"balancao-do-planeta-terra-2010","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/11\/28\/balancao-do-planeta-terra-2010\/","title":{"rendered":"Balan\u00e7\u00e3o Planeta Terra 2010: Mika fez o melhor espet\u00e1culo, Pavement o melhor show"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-6536 aligncenter\" title=\"terra_1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/terra_1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/terra_1.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/terra_1-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Uma noite p\u00farpura<\/strong><br \/>\n<strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><br \/>\n<strong>fotos por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/licallegari\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Liliane Callegari<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde sua primeira edi\u00e7\u00e3o, em 2007, o Planeta Terra vem acertando a m\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o e lapidando o formato de line-up na busca n\u00e3o s\u00f3 de personalidade, mas tamb\u00e9m de refer\u00eancia pop. De cara conseguiram transformar em dois anos uma vila de galp\u00f5es abandonada e afastada do centro em local agrad\u00e1vel para shows (grande m\u00e9rito), e depois adotaram o maior parque de divers\u00f5es da cidade numa jun\u00e7\u00e3o m\u00fasica + divers\u00e3o que funcionou perfeitamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-6537 aligncenter\" title=\"terra_4\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/terra_4.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/terra_4.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/terra_4-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A escolha do line-up vem melhorando ano a ano. Trope\u00e7ou em 2007 (Kasabian n\u00e3o \u00e9 headliner nem de festival no interior da Isl\u00e2ndia), mas compensou com Devo e Rapture. Melhorou em 2008 (Kaiser Chiefs foi s\u00f3 ok, muito pouco para um headliner), mas quem valeu a noite foi Spoon e Breeders (com saudosismo, Jesus and Mary Chain, vai). Deu um belo passo em 2009 com Sonic Youth, Stooges e Primal Scream, e chegou em 2010 prometendo muito com Pavement e Pumpkins, mas quem fez valer o ingresso foi Mika.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma reuni\u00e3o com a produ\u00e7\u00e3o do evento semanas antes, um dos produtores refor\u00e7ava o valor do formato do Planeta Terra. \u201cO festival \u00e9 do tamanho que n\u00f3s pretendemos ser\u201d, dizia, alfinetando outro festival que causou muita controv\u00e9rsia em 2010: \u201cA ideia do Planeta Terra \u00e9 ser um festival urbano, em que voc\u00ea sai da sua casa com seguran\u00e7a, se diverte assistindo a bons shows, e volta pra casa com facilidade e sem transtornos ap\u00f3s um dia de bom entretenimento\u201d. A receita \u00e9 simples, e funciona.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-6538 aligncenter\" title=\"terra_5\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/terra_5.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/terra_5.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/terra_5-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maratona \u00e9 pesada para quem entra no parque assim que os port\u00f5es se abrem, \u00e0s 13h. Dali at\u00e9 o silenciar da guitarra estridente de Billy Corgan, \u00e0s 3h e tanto da manh\u00e3, foram 14 horas de m\u00fasica, e \u00e9 preciso ter pique, muito pique. S\u00e3o dois palcos, e a caminhada curta pode castigar os joelhos ap\u00f3s a quinta ida e vinda do palco principal para o palco indie, que sofreu este ano com lota\u00e7\u00e3o e aperto devido ao aumento de ingressos \u00e0 venda (16 mil em 2009 contra 20 mil em 2010 \u2013 os 4 mil fizeram diferen\u00e7a).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O palco indie (carinhosamente chamado de \u201cPalco Restart\u201d e \u201cPalco Leite em P\u00f3\u201d pelos integrantes do Podcast Scream &amp; Yell \u2013 baixe <a href=\"http:\/\/radiolevis.com.br\/podcasts\/164\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a> para ouvir) atraiu um bom p\u00fablico. Dizem que a apresenta\u00e7\u00e3o do Hot Chip, uma das estrelas do line-up, ferveu, e parece que Holger e Girl Talk tamb\u00e9m fizeram bonito. At\u00e9 acreditamos (ou fazemos de conta). Ap\u00f3s uma r\u00e1pida passada no come\u00e7o do show do Hurtmold, n\u00e3o pisamos mais no local (tentamos enfrentar a fila do carrinho bate-bate, no meio do caminho, e desistimos \u2013 mas a Monga estava vazia).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-6539 aligncenter\" title=\"terra_6\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/terra_6.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/terra_6.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/terra_6-300x198.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No palco principal, pontualmente \u00e0s 16h, o Momboj\u00f3 entrou com som e f\u00faria para fazer sua melhor apresenta\u00e7\u00e3o e um dos melhores shows de todo o festival encavalando hit sobre hit \u2013 com destaque para a performance empolgante do vocalista Felipe S. Todas as grandes can\u00e7\u00f5es (\u201cFaaca\u201d, \u201cDeixe-Se Acreditar\u201d, \u201cRealismo Convincente\u201d, \u201cO Mais Vendido\u201d, \u201cCabidela\u201d, \u201cA Missa\u201d e as novas \u2013 e boas \u2013 \u201cCasa Caiada\u201d e \u201c Papapa\u201dda banda bateram ponto no repert\u00f3rio transformando o show em uma grande celebra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na seq\u00fcencia, o coletivo Novos Paulistas esfriou o p\u00fablico com uma apresenta\u00e7\u00e3o que deixou de fora as grandes can\u00e7\u00f5es de cada um dos seus participantes. Tulipa Ruiz e Tat\u00e1 Aeroplano (C\u00e9rebro Eletr\u00f4nico), respons\u00e1veis por dois discos que devem ter bastante destaque nas vota\u00e7\u00f5es de melhores do ano (\u201cEf\u00eamera\u201d, da primeira, e \u201cDeus e o Diabo no Liquificador\u201d, do segundo) mais Thiago Petit, Ti\u00ea e Dudu Tsuda fizeram um show que pode funcionar bem na casa noturna Studio SP, mas n\u00e3o empolgou no festival.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6540 aligncenter\" title=\"terra_7\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/terra_7.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o voc\u00ea vai comprar uma cerveja (Devassa, t\u00e3o ruim quanto Paris Hilton atuando) e quando olha para o palco, ele se transformou em cen\u00e1rio do Xou da Xuxa. Comandado pelo perform\u00e1tico Kevin Barnes, o Of Montreal fez a alegria de indies, desinformados (que nunca ouviram falar da banda, mas curtiram o momento Cirque du Soleil) e da galera GLBT no Planeta Terra. A m\u00fasica ficou em segundo plano para que, por exemplo, um a\u00e7ougueiro com facas nas m\u00e3os corresse atr\u00e1s de um indefeso porquinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O momento purpurina foi elevado aos c\u00e9us com a apresenta\u00e7\u00e3o de Mika, \u00fanico escalado a liberar o uso total da estrutura do palco para interven\u00e7\u00f5es de imagens. A sacada inteligente unida \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o com pitadas de Broadway do cantor liban\u00eas ofuscou as demais atra\u00e7\u00f5es do festival. A empolga\u00e7\u00e3o do cantor contagiou o p\u00fablico, que pulou e cantou muito os hits &#8220;Grace Kelly&#8221;, &#8220;Relax, Take It Easy&#8221; e &#8220;We Are Golden&#8221; em um show gay no que o gay tem de melhor: festa, dan\u00e7a, alegria e teatraliza\u00e7\u00e3o. Showz\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6541 aligncenter\" title=\"terra_8\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/terra_8.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como uma ant\u00edtese, o Phoenix surgiu com luzes apagadas e seu maior hit, \u201cLisztomania\u201d, entregando ao p\u00fablico a \u00fanica coisa que poderia oferecer: boas can\u00e7\u00f5es. A receita funcionou com \u201cLasso\u201d, \u201cLong Distance Call\u201d e \u201cFences\u201d em seq\u00fc\u00eancia, mas o miolo do repert\u00f3rio \u2013 com \u201cArmistice\u201d e principalmente \u201cLove Like a Sunset Part I e II\u201d \u2013 foi son\u00edfero e comprometeu a noite dos franceses (e do p\u00fablico). O show voltou a esquentar no final (com \u201cConsolation Prizes\u201d e \u201c1901\u201d), mas o estrago j\u00e1 estava feito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Pavement, por sua vez, jogou pra galera. Com som impec\u00e1vel (muito melhor que o visto no Primavera Sound, em Barcelona, em julho \u2013 leia aqui) e aquela vontade de estar fazendo qualquer outra coisa de Stephen Malkmus, o Pavement j\u00e1 tinha enfileirado hinos como \u201cGold Soundz\u201d, \u201cPerfume-V\u201d e \u201cStereo\u201d com apenas dez minutos de show. Ainda vieram \u201cShady Lane\u201d, \u201cIn the Mouth a Desert\u201d, \u201cSummer Babe\u201d, \u201cCut Your Hair\u201d, \u201cSpit on a Stranger\u201d, \u201cRange Life\u201d e \u201cHere\u201d para lavar a alma. Medalha de prata.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6542 aligncenter\" title=\"terra_3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/terra_3.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encerrando a noite, o mala-mor Billy Corgan trouxe a nova vers\u00e3o do Smashing Pumpkins, que anda acertando em novas can\u00e7\u00f5es, mas decepcionou no festival tocando rock burro\u00a0 setenstista que nunca deveria ter sa\u00eddo daquela d\u00e9cada. Mike Byrne, baterista de apenas 20 anos e dubl\u00ea de Karate Kid, \u00e9 especialista nos piores clich\u00eas do rock. Jeff Schroeder (guitarra base) \u00e9 inseguro, passa o tempo todo olhando Corgan \u2013 esquecendo-se de tocar. A baixista Nicole Fiorentino segura as pontas, mas o repert\u00f3rio n\u00e3o ajuda. Nem o l\u00edder. O medley \u201cUnited States \/ The Star-Spangled Banner \/ Moby Dick\u201d \u00e9 disparado o momento mais constrangedor em palcos brasileiros em 2010. E olha que Caetano anda cantando com Maria Gadu por ai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mika fez o melhor espet\u00e1culo, Pavement o melhor show, mas o que o Planeta Terra 2010 crava como tend\u00eancia \u00e9 uma postura dan\u00e7ante e festeira que coloca Hot Chip como in e Smashing Pumpkins como out. O \u201cnovo novo rock\u201d (com quase nada de guitarras e muitos teclados) do Passion Pit, Yeasayer e Empire of The Sun tomou o palco que, em edi\u00e7\u00f5es passadas, havia consagrado Rapture, Breeders e Spoon. Num primeiro momento, a impress\u00e3o deixada \u00e9 de que a qualidade (musical e tem\u00e1tica) caiu, mas \u00e9 cedo demais para ficar nost\u00e1lgico. Ser\u00e1 mesmo?<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6543 aligncenter\" title=\"terra_9\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/terra_9.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Hip-hip-hipster<br \/>\npor <a href=\"http:\/\/twitter.com\/vcunha\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vladimir Cunha<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se voc\u00ea tem mais de 30 anos voc\u00ea aprendeu a segmentar informa\u00e7\u00e3o. Rock \u00e9 rock, pop \u00e9 pop, bicha \u00e9 bicha. \u00c9 o que separa voc\u00ea, que cresceu nos anos 70 e 80, da tal Gera\u00e7\u00e3o Y, que floresceu sob uma nuvem de consumo pleno e satura\u00e7\u00e3o sensorial. E \u00e9, ao mesmo tempo, a gl\u00f3ria e a ru\u00edna de quem tem 20 e poucos anos em 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque faz todo o sentido que o cantor Mika tenha feito um dos melhores shows do Planeta Terra 2010 e que, justo ele, represente o que a m\u00fasica desse come\u00e7o de mil\u00eanio tem de mais descart\u00e1vel, confusa e (porque n\u00e3o?) fascinante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele prova que qualquer convic\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica ou art\u00edstica pode ser minada por uma p\u00f3s-modernidade turbinada, capaz de permitir que fragmentos diversos de cultura pop possam ser usados e recombinados em nome da divers\u00e3o. A rea\u00e7\u00e3o \u00e9 instintiva e n\u00e3o cerebral, talvez porque um show como esse aborte qualquer tipo de reflex\u00e3o ou porque n\u00e3o exista mais espa\u00e7o para a reflex\u00e3o nos anos 00. Mika \u00e9 Glee e Elton John, \u00e9 Fred Mercury e Donna Summer, um musical da Broadway itinerante, pansexual e chapado para f\u00e3s saudosistas de \u201cO Rei Le\u00e3o\u201d e \u201cA Pequena Sereia\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-6544 aligncenter\" title=\"terra_10\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/terra_10.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/terra_10.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/terra_10-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A figura do cantor liban\u00eas \u00e9 o ponto onde se encontram todos os aspectos da cultura gay que, aqui e ali, permaneciam dispersos nas horas iniciais do Planeta Terra. O homossexualismo infantilizado do Of Montreal, a plat\u00e9ia obcecada por moda, os signos e dress-codes que remetem \u00e0s festas hipster do Gl\u00f3ria e aos bares mais tolerantes do Baixo Augusta. Ainda assim, a informa\u00e7\u00e3o aqui n\u00e3o \u00e9 mais segmentada, pois todos n\u00f3s aceitamos que Mika possa ser rock, disco, gay, h\u00e9tero, anima\u00e7\u00e3o da Disney e pornografia softcore.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 que, por mais que a sua alegria sinceramente alienada seja cativante, ningu\u00e9m usaria uma camiseta com a cara de Mika ou de Thomas Mars estampada, muito embora garotos ostentando com orgulho camisetas de Kurt Cobain e Axl Rose ainda possam ser encontrados aos montes por a\u00ed. Mesmo que Mika saiba como comandar uma multid\u00e3o e que Mars tenha se jogado em um crowd surfing digno dos anos de gl\u00f3ria de Eddie Vedder, quando todos n\u00f3s \u00e9ramos grunges, machistas e cheios de testosterona e problemas de auto-afirma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-6545 aligncenter\" title=\"terra_11\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/terra_11.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"454\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/terra_11.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/terra_11-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 quando fica claro que a m\u00fasica pop pode ter se tornado mais greg\u00e1ria e menos individualista, mais orientada para a celebra\u00e7\u00e3o coletiva do que para o culto \u00e0 figura do artista como o centro do espet\u00e1culo. N\u00e3o \u00e0 toa, os dois grandes fiascos musicais do ano \u2013 Los Hermanos no SWU e Smashing Pumpkins no Terra \u2013 surgiram justamente desse modelo, dessa proposta auto-indulgente de distanciamento do p\u00fablico e pouco caso com as regras da nova m\u00fasica pop.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pois no mundo n\u00e3o h\u00e1 mais espa\u00e7o para os solos de bateria do Smashing Pumpkins e nem para que Billy Corgan saia do arm\u00e1rio e assuma que sempre foi um metaleiro enrustido. Melhor fez Stephen Malkmus, que entendeu o esp\u00edrito da coisa e caiu na farra, tocando todos os hits que os f\u00e3s queriam que ele tocasse sem se importar com o fato de que h\u00e1 11 anos a sua banda n\u00e3o lan\u00e7a uma m\u00fasica in\u00e9dita.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6546 aligncenter\" title=\"terra_12\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/terra_12.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se trata de pedir que o rock seja enterrado de uma vez por todas. O n\u00f3 cultural ultra-p\u00f3s-moderno do Planeta Terra tornou-se t\u00e3o dif\u00edcil de desatar que at\u00e9 os vovozinhos indies do Pavement se jogaram na pista ao inv\u00e9s de ficar em um canto da sala olhando a molecada se divertir. A diferen\u00e7a \u00e9 que, ao contr\u00e1rio de Billy Corgan, eles eliminaram a tens\u00e3o est\u00e1tica que separa a sua gera\u00e7\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o que foi em massa ao festival no \u00faltimo s\u00e1bado. Numa seq\u00fc\u00eancia que come\u00e7ou com o som avant-garde do Hurtmold e se completou com Of Montreal, Phoenix, Mika e Pavement, \u201cquerer rock\u201d n\u00e3o significava mais do que um gesto caricato, como o forrozeiro Zenilton em sua atrapalhada interven\u00e7\u00e3o em Puteiro em Jo\u00e3o Pessoa. Segmentar informa\u00e7\u00e3o pode servir como ferramenta saudosista ou processo de auto-afirma\u00e7\u00e3o. Por outro lado, cogitar todas as possibilidades pode ser a \u00fanica maneira de sobreviver ao futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6547 aligncenter\" title=\"terra13\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/terra13.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>&#8211; <a href=\"http:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcelo Costa<\/a> \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina o blog <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Calmantes com Champagne<\/a><br \/>\n&#8211; <a href=\"http:\/\/twitter.com\/vcunha\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vladimir Cunha<\/a> \u00e9 jornalista e assina o blog <a href=\"http:\/\/tudojoia.blog.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tudo J\u00f3ia<\/a><br \/>\n&#8211; Todas as fotos por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/licallegari\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Liliane Callegari<\/a> (mais <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/lilianecallegari\/sets\/72157625441335488\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>), com exce\u00e7\u00e3o da 12 e 13 (Smashing Pumpkins e Pavement por Ricardo Matsukawa\/Terra) e 14 (Phoenix por Fernando Borges\/Terra)<\/p>\n<p><strong>Leia mais<\/strong><br \/>\n&#8211; Planeta Terra 2007: CSS, Devo e Rapture fazem bons shows (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/11\/11\/css-devo-e-rapture-fazem-bons-shows-em-sao-paulo\/\" target=\"_self\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Planeta Terra 2008: Indie bate o Mainstream no segundo festival (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/11\/09\/balancao-planeta-terra-2008\/\" target=\"_self\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Planeta Terra 2011: quatro olhares sobre um mesmo festival (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/11\/08\/balancao-planeta-terra-2011\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Planeta Terra 2012: muito melhor do que a expectativa previa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/10\/22\/balancao-do-planeta-terra-2012\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Planeta Terra 2013: No saldo geral, o melhor Planeta Terra dos \u00faltimos anos (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/11\/11\/balancao-planeta-terra-2013\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marcelo Costa e Vladimir Cunha\nO n\u00f3 cultural ultra-p\u00f3s-moderno do Planeta Terra tornou-se t\u00e3o dif\u00edcil de desatar que at\u00e9 os vovozinhos indies do Pavement&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/11\/28\/balancao-do-planeta-terra-2010\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6535"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6535"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6535\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":79527,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6535\/revisions\/79527"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6535"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6535"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6535"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}