{"id":6471,"date":"2010-11-17T22:09:05","date_gmt":"2010-11-18T00:09:05","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=6471"},"modified":"2023-03-28T23:34:35","modified_gmt":"2023-03-29T02:34:35","slug":"entrevista-beto-cupertino-violins","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/11\/17\/entrevista-beto-cupertino-violins\/","title":{"rendered":"Entrevista: Beto Cupertino, Violins"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-6472 aligncenter\" title=\"violins_2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/violins_2.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"402\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/violins_2.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/violins_2-300x201.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Olga Costa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Beto Cupertino \u00e9 o cara das palavras escritas e cantadas pelo Violins, um grupo de Goi\u00e2nia que ainda conta com Thiago Ricco (baixo), Pierre Alcanf\u00f4r (bateria) e Pedro Saddi (teclados), e que surpreendeu muita gente ao cravar um \u00e1lbum entre os 10 melhores discos nacionais dos anos 00 em vota\u00e7\u00e3o feita pelo Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cGrandes Infi\u00e9is\u201d, lan\u00e7ado em 2005, ficou \u00e0 frente de discos do Skank, Pato Fu, Na\u00e7\u00e3o Zumbi e Marcelo D2, para citar quatro (a lista completa voc\u00ea v\u00ea <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/12\/09\/top-20-nacional-da-decada-00\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>), e surpreendeu apenas aqueles que n\u00e3o conheciam o grupo que foi formado em 2001 como Violins and Old Books (e que rendeu o EP \u201cWake up and Dream\u201d), mas em 2003 j\u00e1 chamava a aten\u00e7\u00e3o com uma bela estreia, \u201cAurora Prisma\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vieram, a seguir, \u201cGrandes Infi\u00e9is\u201d, \u201cTribunal Surdo\u201d (2007) e \u201cReden\u00e7\u00e3o dos Corpos\u201d (2008), todos discos que trazem uma musicalidade trabalhada nos detalhes, e palavras de algu\u00e9m que percebe muito bem o que est\u00e1 acontecendo no mundo \u00e0 sua volta. Na entrevista a seguir, Beto Cupertino fala sobre as m\u00fasicas do \u00faltimo CD da Violins (\u201cGreve das Navalhas\u201d), inspira\u00e7\u00f5es e influ\u00eancias musicais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que influ\u00eancia musical voc\u00ea aponta para esse novo trabalho? <\/strong><br \/>\nAcho que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma influ\u00eancia que eu possa apontar em particular. Esse disco foi pensado pra ser musicalmente calcado em um estilo de som que a gente gosta muito, que \u00e9 a jun\u00e7\u00e3o de guitarras densas com melodias. Acho que \u00e9 mais f\u00e1cil citar esse nicho musical que a gente pretendeu com a composi\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum do que apontar uma influ\u00eancia x ou y, porque cada integrante da banda traz uma bagagem diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual \u00e9 a sua bagagem? O que ou quem lhe trouxe onde voc\u00ea se encontra agora, musicalmente falando&#8230;<\/strong><br \/>\nBom, o caminho \u00e9 longo. Ele come\u00e7a desde Beatles, Zombies, Beach Boys, passa pelo progressivo de Pink Floyd, d\u00e1 aquela passeada pelo Grunge e pelo indie 90\u00b4s, e tamb\u00e9m m\u00fasica brasileira, com Chico Buarque, Caetano, que ouvi muito na adolesc\u00eancia, enfim, acho que \u00e9 por a\u00ed. \u00c9 dif\u00edcil citar nomes porque realmente ou\u00e7o e ouvi muita coisa e nem eu mesmo sei ao certo o que me influenciou e o que deixou de influenciar e em que grau isso aconteceu. No fim das contas, acho que tudo que voc\u00ea ouve te influencia de alguma forma, seja para captar o lado positivo, seja para saber o que voc\u00ea realmente n\u00e3o quer pra si.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A arte da capa de \u201cGreve das Navalhas\u201d \u00e9 uma s\u00edntese em rela\u00e7\u00e3o ao tema proposto no \u00e1lbum: o fim simbolizado pelo X, e ao mesmo tempo como se fosse uma tentativa de remendar algo que n\u00e3o tem mais conserto&#8230; Pedro Saddi (tecladista) fez a arte depois de todas as m\u00fasicas compostas? <\/strong><br \/>\nSim, ele fez a arte da capa depois do disco estar j\u00e1 concebido, ent\u00e3o ela segue a tend\u00eancia do que est\u00e1 sendo passado nas m\u00fasicas. Particularmente gostei muito dessa capa, achei bem representativa!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Seria muita divaga\u00e7\u00e3o dizer que algumas m\u00fasicas est\u00e3o relacionadas a Lei dos Tr\u00eas Estados, de Augusto Comte? Voc\u00ea estudou filosofia, n\u00e3o? O teol\u00f3gico seria a \u201cRoda da Hist\u00f3ria\u201d e \u201cMorte da Chuva\u201d, a exist\u00eancia do homem, s\u00e3o as duas \u00fanicas m\u00fasicas que voc\u00ea menciona um criador. O metaf\u00edsico na \u201cReinven\u00e7\u00e3o da Roda\u201d, a origem e o destino de todas as coisas e o positivismo em \u201cUm S\u00f3 Fato\u201d.<\/strong><br \/>\nAcho que \u201cRoda da Hist\u00f3ria\u201d e \u201cMorte da Chuva\u201d n\u00e3o chegam a ser m\u00fasicas de cunho teol\u00f3gico. Elas tratam do tema sob um aspecto muito mais mundano, descompromissado com id\u00e9ia de Deus. Em \u201cRoda da Hist\u00f3ria\u201d, Deus \u00e9 citado mais como um brincalh\u00e3o. De um modo geral, as m\u00fasicas todas do disco n\u00e3o possuem muito de metaf\u00edsica e teologia. Elas s\u00e3o muito mais terrenas e mundanas, tratam de temas imanentes, de coisas que est\u00e3o na terra e na nossa cara. N\u00e3o tive inten\u00e7\u00e3o de faz\u00ea-las soar cheias de preceitos metaf\u00edsicos ou teol\u00f3gicos, n\u00e3o tive essa pretens\u00e3o. Elas devem soar mais simples.<br \/>\n<strong><br \/>\nQue disco tem\u00e1tico\/conceitual que voc\u00ea mais gosta dentro do rock\/pop? <\/strong><br \/>\nEu ficaria com Pink Floyd \u2013 \u201cThe Wall\u201d.<br \/>\n<strong><span style=\"color: #888888;\"><br \/>\n<span style=\"color: #000000;\">Voc\u00ea j\u00e1 deve ter lido diferentes vers\u00f5es a respeito do tema de &#8220;Greve das Navalhas&#8221;: &#8216;quem olha s\u00f3 com os olhos n\u00e3o v\u00ea\/o assunto que discuto&#8217;. Era seu prop\u00f3sito deixar margem para diversas interpreta\u00e7\u00f5es?<\/span><\/span><\/strong><br \/>\nIsso \u00e9 inevit\u00e1vel, no meu ponto de vista, porque qualquer coisa que eu escreva, por mais claro que eu pense que seja, as pessoas v\u00e3o receber de uma forma diferente daquilo que pensei. Cada um far\u00e1 sua interpreta\u00e7\u00e3o de acordo com suas experi\u00eancias, com sua disposi\u00e7\u00e3o cognitiva, enfim, o modo como as pessoas recebem a m\u00fasica e a letra \u00e9 muito subjetiva. O que a gente pode fazer, no m\u00e1ximo, \u00e9 criar um clima para o \u00e1lbum, uma determinada atmosfera geral que permeia o decorrer das faixas que o comp\u00f5em, mas \u00e9 um exerc\u00edcio imposs\u00edvel fazer m\u00fasica que tenha interpreta\u00e7\u00e3o fixa e determinada, eu sinceramente n\u00e3o conseguiria fazer isso. No entanto, vejo isso com bons olhos, acho muito legal que cada pessoa possa fazer sua pr\u00f3pria interpreta\u00e7\u00e3o e tomar pra si a m\u00fasica e sua letra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual m\u00fasica deu in\u00edcio ao tema do \u00e1lbum? Existiu essa inten\u00e7\u00e3o conceitual desde a primeira m\u00fasica composta?<\/strong><br \/>\nUma das m\u00fasicas que iniciaram todo o processo foi &#8220;Comercial de Papelaria&#8221;, que j\u00e1 possu\u00eda um vi\u00e9s de mensagem mais otimista. Depois me dei conta que estava fazendo uma s\u00e9rie de m\u00fasicas em que a tem\u00e1tica do sol e do fim eram recorrentes. Acabou que me dei conta da id\u00e9ia de falar sobre o fim sob um prisma otimista, que \u00e9 um modo menos clich\u00ea de ver as coisas e cumpriria dignamente aquela atmosfera geral que mencionei anteriormente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual foi a principal inspira\u00e7\u00e3o para escrever as letras de \u201cGreve das Navalhas\u201d?<\/strong><br \/>\nCreio que essa paran\u00f3ia atual que estamos vivendo de inseguran\u00e7a sobre o futuro da humanidade. Ela n\u00e3o \u00e9 nova, claro, j\u00e1 existiu h\u00e1 algumas d\u00e9cadas atr\u00e1s. Mas os motivos s\u00e3o sempre reinventados. Vira e mexe, voc\u00ea abre um site, l\u00ea uma revista, v\u00ea um filme, enfim, algo que volta a essa preocupa\u00e7\u00e3o fundamental com os rumos do mundo, seja por medo dos anseios nucleares dos pa\u00edses em guerra religiosa, seja pela teoria sobre 2012, s\u00e3o muitos motivos. A id\u00e9ia foi ent\u00e3o transformar isso em algo menos paran\u00f3ico, mais sereno, contemplativo, aceitar que, se o mundo est\u00e1 indo pro buraco, \u00e9 natural que ele v\u00e1, porque n\u00e3o vai durar para sempre, e isso est\u00e1 ok. \u00c9 como se f\u00f4ssemos entrar em desespero pelo fato de que todo homem nasce e morre, quando isso \u00e9 natural. Ent\u00e3o a id\u00e9ia era a de subverter essa paran\u00f3ia em uma percep\u00e7\u00e3o mais contemplativa e l\u00facida do come\u00e7o e do fim das coisas, sem transformar isso num grande drama.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-6473 aligncenter\" title=\"violins_3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/violins_3.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"402\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/violins_3.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/violins_3-300x201.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><br \/>\n<strong>&#8220;A Fila&#8221;, por exemplo, tem quatro andamentos\/batidas diferentes. Isso se tornou uma constante conscientemente?<\/strong><br \/>\nSinceramente, n\u00e3o \u00e9 algo premeditado. Quase sempre descobrimos essas mudan\u00e7as de andamento quando vamos programar os metr\u00f4nomos para gravar. \u00c9 uma mania minha como compositor a de tentar explorar climas no decorrer de uma m\u00fasica, mas \u00e9 algo puramente intuitivo, coisa que nem percebo na hora que estou fazendo. Depois \u00e9 que complica na hora de gravar, mas depois de cinco discos j\u00e1 pegamos a manha de executar essas mudan\u00e7as seguindo o metr\u00f4nomo. D\u00e1 mais trabalho, mas eu me sentiria bem limitado se tivesse que come\u00e7ar a compor preocupado em evitar isso ou aquilo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mesmo sendo algo n\u00e3o premeditado, voc\u00ea teria alguma explica\u00e7\u00e3o para que isso tivesse in\u00edcio? Algum estilo musical lhe levou a seguir essa linha?<\/strong><br \/>\nAcho que deve ser resqu\u00edcio do progressivo! \u00c9 a \u00fanica explica\u00e7\u00e3o (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual dos discos do Violins voc\u00ea aponta como seu favorito e por qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 essa \u00e9 uma pergunta muito dif\u00edcil de responder. \u00c9 como voc\u00ea me pedir para escolher um filho preferido. Acho que cada disco tem passagens que significam muito para mim, cada um teve sua hist\u00f3ria e seu momento de acontecer, ent\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil falar de um, quando voc\u00ea tem seis. Eu n\u00e3o consigo ter esse olhar de prefer\u00eancia sobre os discos que fizemos, eu os vejo de uma forma muito mais fraternal, eles est\u00e3o muito ligados na minha cabe\u00e7a. \u00c9, para mim, como se fosse uma obra s\u00f3. E ela ainda est\u00e1 incompleta na minha cabe\u00e7a, por isso n\u00e3o consigo ter esse pensamento de destacar um, como se j\u00e1 tivesse o montante da obra toda pronta. Ainda vejo que h\u00e1 muito o que fazer, seja com a banda, seja sozinho, porque m\u00fasica na minha vida ser\u00e1 um exerc\u00edcio recorrente enquanto eu tiver sa\u00fade para compor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Luciano Viana disse que \u201c&#8217;Do Tempo&#8217; \u00e9 canditada s\u00e9ria a uma das melhores m\u00fasicas de rock do ano\u201d. Nela tem um verso que retrata um fato que vivenciamos todos os dias na esquina da nossa casa: \u201cPouca gente vai morrer de velho\u201d.<\/strong><br \/>\nP\u00f4, que legal que ele pense isso. \u00c9 uma m\u00fasica sobre a consci\u00eancia da nossa finitude e sobre como isso se desenrola de uma forma totalmente aut\u00f4noma, o ciclo da vida \u00e9 uma m\u00e1quina que funciona sozinha e n\u00f3s temos pouqu\u00edssima influ\u00eancia no seu funcionamento, por mais que criemos grandes pilares para nos segurarmos, por mais cren\u00e7as e grandes justificativas que sejam formuladas, no fim a m\u00e1quina come\u00e7a e deixa de funcionar na hora que ela quiser e ela apaga quem faz o bem e quem faz o mal da mesma forma, sem a m\u00ednima recompensa. Todo mundo \u00e9 igual diante do tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na m\u00fasica seguinte \u201cFluorescente\u201d, voc\u00ea contradiz essa afirma\u00e7\u00e3o da nossa finitude, dizendo: \u201cNingu\u00e9m morreu e nasceu diversas vezes como eu\/Ningu\u00e9m!\u201d<\/strong><br \/>\nEm \u201cFluorescente\u201d a id\u00e9ia de vida e morte diversas vezes tem um vi\u00e9s mais metaf\u00f3rico, de voc\u00ea se desconstruir e reconstruir diversas vezes. Trata das mortes diversas que temos quando acontece algo ruim, quando algo acaba, e como sempre tornamos a viver com o passar do tempo e com uma nova vida que surge de toda desconstru\u00e7\u00e3o dessa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cTsunami\u201d \u00e9 uma m\u00fasica dif\u00edcil de cantar, mas a melodia fica rondando a cabe\u00e7a, a combina\u00e7\u00e3o da devasta\u00e7\u00e3o natural do fen\u00f4meno e a atitude, aparentemente, discrepante de ser otimista, diante da trag\u00e9dia. Em minha opini\u00e3o, ela consegue condensar todo o clima do disco, descrito por voc\u00ea.<\/strong><br \/>\nExatamente. \u00c9 uma m\u00fasica que narra uma trag\u00e9dia com final feliz. Dentro daquela id\u00e9ia geral que comentei sobre o disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Numa entrevista para o blog \u201c<a href=\"http:\/\/www.tenhomaisdiscosqueamigos.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tenho Mais Discos Que Amigos<\/a>\u201d em julho desse ano, voc\u00ea disse: \u201cEu mesmo n\u00e3o compro um disco h\u00e1 muito tempo\u201d. Creio que foi a frase mais triste que ouvi nos \u00faltimos 15 anos! Nem imagino que um dia eu possa deixar de fazer isso. Quando voc\u00ea perdeu o gosto por adquirir CDs\/LPs de bandas que voc\u00ea gosta?<\/strong><br \/>\nNa verdade nunca tive apego a discos, n\u00e3o tenho esse apego pelo CD material. Minha rela\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais com a m\u00fasica, e isso n\u00e3o importa se ela est\u00e1 no CD, num pendrive, num MP3 player, o que importa para mim \u00e9 a m\u00fasica poder ser ouvida. Eu entendo e admiro quem tem esse apego pelo CD, pelo encarte, por tudo que envolve, mas eu nunca consegui ter essa paix\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea est\u00e1 satisfeito com o que a banda fez nesses nove anos de exist\u00eancia? Voc\u00ea mudaria alguma coisa, se pudesse?<\/strong><br \/>\nAcho que a gente fez o que p\u00f4de.\u00a0 Algu\u00e9m poderia dizer que n\u00f3s poder\u00edamos ter nos dedicado mais, mudado de cidade, arriscado mais, etc., mas se n\u00e3o fizemos \u00e9 porque nossa vida foi seguindo um rumo que n\u00e3o tornou isso poss\u00edvel e eu n\u00e3o tenho nada a lamentar. Acho que como banda fomos muito mais longe do que eu pensei que ir\u00edamos quando montamos tudo l\u00e1 no in\u00edcio. Recebo quase diariamente mensagem de pessoas que escutaram a banda e descobriram nela um motivo para passar melhor um dia, para se inspirar para algo, para se sentir representado pela letra, confortado por uma melodia, e para mim se uma pessoa, uma s\u00f3, foi ajudada pela banda para que a vida seja melhor, isso j\u00e1 valeu a pena n\u00e3o s\u00f3 a exist\u00eancia da banda, mas minha pr\u00f3pria exist\u00eancia.<br \/>\n<strong><br \/>\nPara finalizar, deixo uma cita\u00e7\u00e3o para voc\u00ea comentar: \u201cAcho que h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o, talvez n\u00e3o reconhecida entre a bateria e as palavras, devido \u00e0 estrutura do ritmo e versos. Eles s\u00e3o especialmente fortes e t\u00e3o eficientes quanto a bateria. O padr\u00e3o do pensamento acima de tudo funciona como as palavras e o rufar da bateria\u201d. Neil Peart.<\/strong><br \/>\nConcordo plenamente. Acho que o grande baterista \u00e9 aquele que consegue captar a alma da m\u00fasica, o que ela quer passar, e transforma isso em ritmo. Sabe a hora do sil\u00eancio e a hora do barulho. Em que momento deve haver drama e em que momento deve haver al\u00edvio, quando deve haver tens\u00e3o e quando deve haver relaxamento. Eu admiro muito o Pierre (baterista) porque ele \u00e9 um baterista sens\u00edvel a essas quest\u00f5es. Uma banda precisa ter os seus integrantes imersos na id\u00e9ia da m\u00fasica para que a m\u00fasica possa ser a uni\u00e3o de todos os instrumentos numa s\u00f3 id\u00e9ia, em vez de cada instrumento falar sua pr\u00f3pria l\u00edngua e a m\u00fasica ser uma jun\u00e7\u00e3o de individualidades isoladas. Em muitas m\u00fasicas, se n\u00e3o houvesse determinada batida de bateria ou determinada linha de baixo, ou mesmo uma melodia do teclado, o resultado final seria absolutamente diferente, desprovido de emo\u00e7\u00e3o, sem alcance.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6474 aligncenter\" title=\"violins_1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/violins_1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Baixe tr\u00eas m\u00fasicas do disco &#8220;Guerra de Navalhas&#8221; no site oficial: <a href=\"http:\/\/www.violins.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.violins.com.br\/<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*******<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Entrevista feita para o blog Rarefeito (<a href=\"http:\/\/rarefeitooo.blogspot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/rarefeitooo.blogspot.com\/<\/a>) e cedida para o Scream &amp; Yell por sua autora, Olga Costa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Olga Costa\nBeto Cupertino assina as letras e canta no Violins, grupo goiano que acaba de lan\u00e7ar seu quinto \u00e1lbum, Greve de Navalhas\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/11\/17\/entrevista-beto-cupertino-violins\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6471"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6471"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6471\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":73541,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6471\/revisions\/73541"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6471"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6471"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6471"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}