{"id":64697,"date":"2022-02-24T18:07:01","date_gmt":"2022-02-24T21:07:01","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=64697"},"modified":"2022-06-01T15:35:51","modified_gmt":"2022-06-01T18:35:51","slug":"entrevista-jack-endino-fala-sobre-novo-disco-solo-e-relembra-trabalhos-com-nirvana-bruce-dickinson-e-titas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/02\/24\/entrevista-jack-endino-fala-sobre-novo-disco-solo-e-relembra-trabalhos-com-nirvana-bruce-dickinson-e-titas\/","title":{"rendered":"Entrevista: Jack Endino fala sobre novo disco solo e relembra trabalhos com Nirvana, Bruce Dickinson e Tit\u00e3s"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais conhecido por ter produzido verdadeiros cl\u00e1ssicos do grunge como \u201cBleach\u201d (1989), disco de estreia do Nirvana, \u201cScreaming Life\u201d, primeiro trabalho do Soundgarden, e \u201cSuperfuzz Bigmuff\u201d (1988) e \u201cMudhoney\u201d (1989), ambos do Mudhoney, entre outros discos hist\u00f3ricos da Sub Pop (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/09\/14\/entrevista-thomas-andrew-doyle-tad-hog-molly-brothers-of-sonic-cloth\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tad<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/02\/05\/entrevista-gary-lee-conner\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Screaming Trees<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2022\/02\/22\/mark-lanegan-1964-2022\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mark Lanegan<\/a>&#8230; a lista completa imensa <a href=\"http:\/\/www.jackendino.com\/discography.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">est\u00e1 aqui<\/a>), <a href=\"http:\/\/www.jackendino.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jack Endino<\/a> possui uma carreira bastante extensa e ampla, com mais de 600 \u00e1lbuns produzidos em cerca de 35 anos, e que vai muito al\u00e9m de Seattle.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O curr\u00edculo de Endino, traz, por exemplo, trabalhos com nomes importantes do rock alternativo como <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/09\/18\/musica-randon-desire-de-greg-dulli\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Afghan Whigs<\/a> e L7, pesos pesados do metal, como <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2018\/04\/11\/sobre-a-biografia-de-bruce-dickinson\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruce Dickinson<\/a> e High on Fire, e ainda registros com pioneiros do som pesado dos EUA, como Blue Cheer e Sonics. Isso sem contar as in\u00fameras viagens ao Brasil por conta de sua longa parceria com os Tit\u00e3s, com quem produziu trabalhos como \u201cTitanomaquia\u201d (1993), \u201cDomingo\u201d (1995) e \u201cA Maior Banda de Todos os Tempos da \u00daltima Semana\u201d (2001) e \u201cMTV ao Vivo\u201d (2005) \u2013 no curr\u00edculo \u201cBrazil\u201d ainda h\u00e1 trabalhos com Nando Reis, Baba C\u00f3smica, Water Rats, 7 Kinds Of Monkeys e Mad Sneaks, entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m de sua carreira como produtor, o guitarrista norte-americano tamb\u00e9m fundou e tocou na cultuada banda Skin Yard, que encerrou as atividades em 1992, e desde ent\u00e3o mant\u00e9m uma s\u00f3lida carreira solo, cujo quarto disco, o intenso e pesado \u201c<a href=\"https:\/\/capacitorrecords.com\/products\/jack-endino-set-myself-on-fire\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Set Myself on Fire<\/a>\u201d (2021) foi lan\u00e7ado no final do ano passado pela <a href=\"https:\/\/capacitorrecords.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Capacitor Records<\/a>. Gravado ao longo de v\u00e1rios anos e com diferentes m\u00fasicos, incluindo seu parceiro desde os tempos de Skin Yard, Barrett Martin (Screaming Trees \/ Nando Reis) na bateria em muitas faixas, o \u00e1lbum traz Endino provavelmente em seu auge como compositor e bastante \u00e0 vontade como vocalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista abaixo, feita por videochamada nos momentos finais de 2021, um falante e extremamente simp\u00e1tico Endino relembra todo o processo at\u00e9 o lan\u00e7amento de \u201cSet Myself on Fire\u201d, fala sobre a import\u00e2ncia de \u201cBleach\u201d, do Nirvana, em sua vida, destaca sua constante proximidade com o metal e comenta sobre a sua longa e bem-sucedida parceria com os Tit\u00e3s e Nando Reis. Confira abaixo!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Set Myself On Fire\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_nSuA5fGj5HhvjNXIyM9tO7JuUN5TQIb8c\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea acaba de lan\u00e7ar o seu quarto disco solo, \u201cSet Myself on Fire\u201d (2021). Queria saber por que o \u00e1lbum demorou tanto tempo para ficar pronto \u2013 o seu full anterior \u00e9 de 2005, mais de 15 anos atr\u00e1s, al\u00e9m de um EP de 2013 intitulado \u201cRumble\u201d? Pelo que vi, com exce\u00e7\u00e3o de \u201cEarthworm\u201d (1993), os seus outros trabalhos solos, \u201cPermanent Fatal Error\u201d (2005), produzido entre 1993 e 2005, e \u201cAngle of Attack\u201d, produzido entre 1982 e 1987, tamb\u00e9m levaram algum tempo para ficarem prontos. Voc\u00ea costuma ser mais perfeccionista com os seus trabalhos, ou foi mais uma quest\u00e3o de timing mesmo?<\/strong><br \/>\nAs duas coisas. Sou muito perfeccionista com o meu material. O problema \u00e9 que as minhas refer\u00eancias s\u00e3o todas as bandas com quem trabalhei. Preciso comparar a minha m\u00fasica com algumas das bandas incr\u00edveis com quem trabalhei. E isso \u00e9 dif\u00edcil (risos). \u00c9 complicado, porque coloquei a barra l\u00e1 no alto para mim mesmo. Trabalhei com algumas pessoas incr\u00edveis e n\u00e3o quero fazer um disco que seja apenas ok. Sou muito duro comigo mesmo por conta do que sei que \u00e9 poss\u00edvel. E tenho pessoas boas tocando comigo, isso n\u00e3o \u00e9 um problema. Conhe\u00e7o tantos m\u00fasicos e j\u00e1 estive em tantas bandas que h\u00e1 pessoas que posso chamar para tocar bateria, adicionar trechos de guitarra, o que for preciso. Mas a chave \u00e9 ter as m\u00fasicas. E eu n\u00e3o sou um compositor muito produtivo, ent\u00e3o me leva algum tempo. O disco quase foi lan\u00e7ado em 2012. Eu tinha um disco finalizado, e uma gravadora com a qual tinha assinado, eles se chamavam Thin Records. Eles lan\u00e7aram um EP com tr\u00eas m\u00fasicas, um vinil de 12 polegadas. Mas por alguma raz\u00e3o, o dono da gravadora decidiu que gostava de um cover que eu tocava de \u201cRumble\u201d, do Link Wray, que \u00e9 uma m\u00fasica instrumental de 1958, e colocou essa vers\u00e3o no Lado A do single. E esse single seria a pr\u00e9via antes do lan\u00e7amento do \u00e1lbum completo. Bom, a gravadora faliu, a esposa se divorciou do dono da gravadora, e de repente ele n\u00e3o tinha mais dinheiro, o que acabou com tudo isso. Enquanto tudo isso acontecia, eu montei uma banda, porque imaginava que teria um disco sendo lan\u00e7ado. Ent\u00e3o montei uma banda, que era uma nova vers\u00e3o da Endino\u2019s Earthworm, que era uma banda que tive nos anos 1990, com alguns amigos mais novos. Come\u00e7amos a fazer muitos shows e comecei a escrever material novo. Em pouco tempo, tinha m\u00fasicas novas, e de qualquer maneira n\u00e3o est\u00e1vamos tocando muitas m\u00fasicas do \u00e1lbum que n\u00e3o foi lan\u00e7ado. Ent\u00e3o pensei que deveria come\u00e7ar de novo e escrever um disco novo. No fim das contas, foi isso que aconteceu. E ent\u00e3o foi uma quest\u00e3o de finaliz\u00e1-lo. Foi preciso uma pandemia para eu conseguir finalizar o disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas ent\u00e3o o disco \u00e9 uma mistura das duas encarna\u00e7\u00f5es da sua banda, com m\u00fasicas das duas fases?<\/strong><br \/>\n\u00c9 isso mesmo. H\u00e1 muitas m\u00fasicas no disco que gravei com o Barrett Martin em 2010. E ent\u00e3o algumas m\u00fasicas que s\u00e3o mais antigas que n\u00e3o consegui usar em outros discos. E ent\u00e3o, n\u00e3o sei, acho que umas 6, 7 ou 8 m\u00fasicas que s\u00e3o mais recentes, com os novos integrantes da banda. O desafio foi unir tudo de uma forma que soasse como um \u00e1lbum coerente. E acho que consegui fazer isso.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-64709\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/jackendino6.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"525\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/jackendino6.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/jackendino6-300x210.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/jackendino6-120x85.jpg 120w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim, realmente parece mesmo. Essa era uma das minhas perguntas, ali\u00e1s. Porque o disco foi gravado ao longo de diversos anos, com diferentes m\u00fasicos. Qual foi o segredo, vamos dizer, para manter essa vis\u00e3o coerente? Todas as m\u00fasicas foram escritas apenas por voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nTodas as m\u00fasicas foram escritas por mim, com exce\u00e7\u00e3o de algumas m\u00fasicas, acho que duas, em que o baixista, Sam McDonald, trouxe linhas de baixo muito fortes, que pensei que valiam cr\u00e9ditos de composi\u00e7\u00e3o. E h\u00e1 outra faixa no disco que meu amigo Dan Matthews faz os vocais principais, e dei cr\u00e9ditos de composi\u00e7\u00e3o para ele nessa m\u00fasica. E o motivo \u00e9 que eu tinha uma faixa instrumental que precisava de vocal e eu simplesmente n\u00e3o conseguia pensar em uma letra para ela. O Dan \u00e9 um amigo antigo, ele \u00e9 o dono da Capacitor Records, a gravadora que est\u00e1 lan\u00e7ando o \u00e1lbum, e tamb\u00e9m toca em uma banda chamada The Black Clouds, com a qual j\u00e1 trabalhei em tr\u00eas discos. Acho que o conhe\u00e7o h\u00e1 mais de 10 anos. E eu sei que ele \u00e9 bom, ele toca guitarra e canta, \u00e9 um bom m\u00fasico. Ele j\u00e1 ia lan\u00e7ar o disco de qualquer maneira, ent\u00e3o falei \u201cEi, voc\u00ea conseguiria escrever a letra dessa m\u00fasica? \u00c9 a \u00fanica que preciso para finalizar o disco\u201d. E ele cantou de uma maneira que eu nunca faria, eu n\u00e3o consigo cantar como ele, ele tem um tipo de voz mais gritada, crua, uma voz poderosa, que \u00e9 muito diferente da minha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como voc\u00ea lida com o fato de ter m\u00fasicas mais antigas no disco? Porque h\u00e1 pessoas que se cansam rapidamente das suas m\u00fasicas e acabam sempre ficando mais animadas apenas com as coisas mais novas. Quando escuta o disco hoje em dia, chega a pensar algo como \u201cAh, gostaria de ter gravado outras m\u00fasicas\u201d?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, estou completamente feliz com o disco como ele est\u00e1. Eu n\u00e3o desperdi\u00e7o material. Se tenho uma m\u00fasica, ela ser\u00e1 usada, vou us\u00e1-la eventualmente se puder encontrar um lugar para ela. A m\u00fasica mais antiga do disco \u00e9 uma curta m\u00fasica instrumental chamada \u201cGroove Suction\u201d, que na verdade \u00e9 dos anos 1980, da \u00e9poca da minha banda antiga, o Skin Yard. \u00c9 uma m\u00fasica instrumental divertida porque o Skin Yard costumava toc\u00e1-la no bis quando fic\u00e1vamos sem m\u00fasicas para tocar e o nosso vocalista, Ben (McMillan), j\u00e1 estava sem voz, e as pessoas se recusavam a ir para casa. Voc\u00ea est\u00e1 no palco e as pessoas ficam \u201cMais uma, mais uma\u201d e ent\u00e3o n\u00f3s pens\u00e1vamos \u201cN\u00e3o temos mais m\u00fasicas e nosso vocalista est\u00e1 acabado, cansado\u201d, ent\u00e3o toc\u00e1vamos essa curta m\u00fasica instrumental punk, que tem cerca de um minuto, apenas para nos despedirmos. E nunca tinha encontrado um lugar para essa m\u00fasica at\u00e9 esse disco (risos). Tentei coloc\u00e1-la no \u00e1lbum anterior, mas ela n\u00e3o se encaixava em lugar nenhum (risos). Ent\u00e3o nada \u00e9 desperdi\u00e7ado se for bom. Mas a maior parte do material \u00e9 mais recente, \u00e9 dos \u00faltimos 10 anos, o que na minha vida \u00e9 recente (risos).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Skin Yard - Slow Runner\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fLWmTw_HTA8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 que voc\u00ea mencionou o Skin Yard agora, gostaria de saber como voc\u00ea v\u00ea o legado da banda hoje em dia, tanto tempo depois, quase 30 anos desde o fim do grupo? Tem algum disco favorito com a banda? E pensa que deveriam ter ficado juntos por mais tempo ou mesmo se reunido quando muitas bandas dos anos 1990 voltaram a tocar juntas, no in\u00edcio dos anos 2000&#8230;<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, o nosso vocalista, o Ben, faleceu, n\u00f3s o perdemos em 2008. Ent\u00e3o n\u00e3o teremos uma reuni\u00e3o do Skin Yard. A banda fez o que se prop\u00f4s a fazer, a nossa miss\u00e3o. Acho que o termo aqui \u00e9 \u201cmiss\u00e3o cumprida\u201d. Fizemos cinco discos e cada um \u00e9 muito diferente do outro. Ent\u00e3o est\u00e1vamos sempre mudando e seguindo em frente. E penso que quando terminamos em 1992, n\u00f3s j\u00e1 t\u00ednhamos feito o bastante, todos precis\u00e1vamos fazer outras coisas. Eu fui e me tornei um produtor de discos. Ben McMillan formou o Gruntruck. O Barrett Martin entrou para os Screaming Trees. Na verdade, eu recebi uma liga\u00e7\u00e3o de um dos caras do Screaming Trees, em janeiro de 1992. Era o Van Conner, baixista da banda. Ele estava me ligando porque tinha ouvido falar que o Skin Yard iria acabar e queria ter certeza. Ele explicou que o Screaming Trees precisava de um baterista e eles estavam interessados em falar com o Barrett, mas n\u00e3o queriam acabar com o Skin Yard. Ent\u00e3o ele me ligou para saber se estava tudo bem ele ir falar com o nosso baterista, e eu disse para ele ir em frente porque a banda tinha acabado: \u201cV\u00e1 em frente, ele \u00e9 seu. Divirta-se com ele, voc\u00ea vai ter bons momentos com esse cara\u201d (risos). Ent\u00e3o o Barrett tocou com o Screaming Trees a maior parte dos anos 1990, se n\u00e3o me engano, at\u00e9 eles acabarem (Nota: A banda encerrou as atividades em 1997). Ent\u00e3o todos n\u00f3s fomos fazer coisas maiores e melhores, na verdade. O Daniel, que era nosso baixista, passou anos \u00e0 frente da C\/Z Records. Tudo acabou dando certo. Sobre o legado da banda, isso \u00e9 interessante. Como n\u00f3s n\u00e3o \u00e9ramos da Sub Pop, a n\u00e3o ser por um EP 7 de polegadas, fomos um pouco deixados de lado na \u00e9poca. Mas esse n\u00e3o parece mais ser o caso, j\u00e1 que muita gente parece ter descoberto a banda. Temos muitos streamings agora, as pessoas est\u00e3o escutando as m\u00fasicas. E fico feliz com isso, sou muito feliz com os discos que fizemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mesmo com um som talvez menos punk do que outras bandas de Seattle da \u00e9poca, j\u00e1 que tinham menos liga\u00e7\u00e3o com o punk e mais com o metal e o hard rock, voc\u00eas tiveram uma atitude bastante punk, vamos dizer, quando decidiram acabar a banda para n\u00e3o virar um neg\u00f3cio porque voc\u00eas n\u00e3o queriam assinar com uma grande gravadora ou algo do tipo. Por isso, queria saber se foi uma decis\u00e3o dif\u00edcil na \u00e9poca, de decidir pelo fim da banda?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o foi uma decis\u00e3o dif\u00edcil. Havia grandes gravadoras de olho na gente. Mas pessoalmente n\u00f3s est\u00e1vamos meio que cansados um dos outros. Falando por mim, eu pensei \u201cEu passei 7 anos com esses caras. Quero passar outros 7 anos com eles?\u201d Voc\u00ea precisa fazer essa pergunta a si mesmo. O nosso vocalista j\u00e1 tinha uma outra banda, o Gruntruck, como um projeto paralelo, que tinha assinado com a Roadrunner. Ent\u00e3o eu acabei gravando um disco deles, \u201cPush\u201d (1992), que se saiu muito bem na Roadrunner. Foi o momento certo para terminarmos a banda. Eu n\u00e3o estava interessado em estar em uma grande gravadora porque realmente n\u00e3o gostava do que estava vendo com os meus amigos que estavam assinando com grandes gravadoras. Havia muita burocracia, muito comportamento corporativo estranho. E algumas pessoas realmente n\u00e3o se deram bem ao assinar com uma grande gravadora: elas assinaram com uma major e suas carreiras meio que pararam. Talvez eles fizessem um disco e as gravadoras n\u00e3o sabiam como promover essa m\u00fasica. Uma boa parte dessa m\u00fasica deveria ter permanecido com as gravadoras independentes, porque as pessoas \u00e0 frente das gravadoras independentes sabiam como divulgar essa m\u00fasica \u2013 e as grandes gravadoras n\u00e3o. Ent\u00e3o, foi uma \u00e9poca estranha o in\u00edcio dos anos 1990, sabe? Muitas bandas independentes tiveram a chance de fazer um disco com uma grande gravadora e a maioria n\u00e3o chegou a lugar algum. Algumas das bandas voltaram a ser independentes e ficaram totalmente felizes com isso \u2013 como o Melvins, o Mudhoney. Eles fizeram alguns discos com grandes gravadoras e ent\u00e3o disseram \u201c\u00c9, n\u00e3o precisamos disso, podemos nos sair melhor por conta pr\u00f3pria\u201d. Ent\u00e3o o Skin Yard talvez tenha desviado de uma bala, penso que sa\u00edmos na hora certa. Porque logo depois que a banda terminou as coisas ficaram muito loucas. Acho que terminamos a banda logo quando o \u201cNevermind\u201d (1991) estava chegando ao topo das paradas. E foi quando a minha carreira como produtor de discos realmente come\u00e7ou a decolar. Gosto de colocar as coisas dessa maneira: ficou \u00f3bvio para mim que o mundo estava mais interessado em mim como um produtor do que como um guitarrista. No entanto, eu n\u00e3o consegui parar e foi por isso que continuei lan\u00e7ando discos e tocando em bandas durante todo o tempo. Mas n\u00e3o finjo que serei um rock star ou algo assim. Eu fa\u00e7o isso porque eu gosto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltando ao seu disco novo, \u201cSet Myself on Fire\u201d. O \u00e1lbum me pareceu ainda mais pesado e agressivo do que seus trabalhos anteriores. Por isso, queria saber se essa leva mais nova de m\u00fasicas foi influenciada de alguma maneira pela pandemia? E tamb\u00e9m se o fato de nos anos 2000 voc\u00ea parecer estar trabalhando mais com bandas de metal, como High on Fire, Windhand, Therapy, Black Tusk, Toxic Holocaust, sem contar o Zeke, teve alguma influ\u00eancia nesse sentido, de ter um disco mais pesado?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, eu sempre tive essa influ\u00eancia. O problema com o Skin Yard nos anos 1980 e 1990 \u00e9 que o pessoal da Sub Pop achava que a gente era muito metal \u2013 ou muito progressivos. A gente n\u00e3o era punk o bastante para eles. Sou um cara de riffs, gosto de riffs de guitarra, de rock barulhento \u2013 sou um cara da guitarra. A pandemia n\u00e3o influenciou o disco porque a maioria das m\u00fasicas&#8230; Na verdade, acho que todas as letras foram escritas antes da pandemia. \u00c9 um disco liricamente pesado porque tenho pensado muito sobre a mortalidade nessas m\u00fasicas. Porque estou ficando mais velho e estou perdendo mais e mais amigos, que foram ficando pelo caminho, seja por problemas m\u00e9dicos, com drogas ou acidentes. As pessoas morrem e a minha vez vai chegar. Ent\u00e3o isso estava na minha cabe\u00e7a. E quando a pandemia veio, quase pareceu que as letras eram sobre a pandemia. Eu n\u00e3o sei, acho que \u00e9 uma coincid\u00eancia \u2013 ou talvez eu estivesse pressentindo algo chegando.<\/p>\n<figure id=\"attachment_64707\" aria-describedby=\"caption-attachment-64707\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-64707 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/skyn.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/skyn.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/skyn-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-64707\" class=\"wp-caption-text\"><em>Ao lado de Rob Halford, Bruce Dickinson exibe sua camiseta do Skin Yard<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nos anos 1990, voc\u00ea produziu um dos meus discos favoritos, que \u00e9 o \u201cSkunkworks\u201d. (1996), do Bruce Dickinson. Infelizmente, muita gente n\u00e3o concordou com isso na \u00e9poca do lan\u00e7amento e o Bruce acabou voltando para o metal em seguida, o que foi \u00f3timo, mas sempre me pareceu como uma oportunidade desperdi\u00e7ada. Por isso, queria saber se acha que o disco foi ignorado de alguma forma? E tamb\u00e9m saber como foi para voc\u00ea produzir esse disco? Voc\u00ea era f\u00e3 ou curtia o Iron Maiden de alguma forma?<\/strong><br \/>\nBom, eu n\u00e3o era um grande f\u00e3 do Maiden, mas gostava muito dos tr\u00eas primeiros discos deles. Na verdade, dos quatro primeiros discos porque sou muito f\u00e3 do \u201cPiece of Mind\u201d (1983), acho que \u00e9 um \u00e1lbum incr\u00edvel. Ent\u00e3o eu conhecia bem esses primeiros trabalhos da banda. Mas sobre o disco com o Bruce, a forma como aconteceu foi a seguinte: eu estava gravando uma banda da Irlanda chamada Kerbdog, que na \u00e9poca estava na Polygram do Reino Unido e era empresariada pela Sanctuary (Nota: empresa que empresaria o Iron Maiden h\u00e1 d\u00e9cadas \u2013 e na \u00e9poca tamb\u00e9m a carreira solo de Bruce Dickinson). Ent\u00e3o o Bruce Dickinson escutou o disco (do Kerbdog) um ano depois e me ligou. Imagina s\u00f3 voc\u00ea receber uma liga\u00e7\u00e3o do Bruce Dickinson. Depois que me certifiquei de que era ele mesmo, n\u00f3s conversamos e, no fim das contas, temos mais ou menos a mesma idade e cole\u00e7\u00f5es de discos muito parecidas. Ent\u00e3o t\u00ednhamos muito sobre o que falar. Acabei passando mais de tr\u00eas meses no Reino Unido trabalhando nesse disco com o Bruce. Foi muito agrad\u00e1vel e divertido. T\u00ednhamos um bom or\u00e7amento, bons est\u00fadios, me diverti muito fazendo o disco. O problema com o disco \u00e9 que o Bruce n\u00e3o estava mais em uma grande gravadora, ele estava em uma gravadora independente. E, antes de o disco sair, a gravadora independente faliu e foi comprada por uma outra gravadora. Ent\u00e3o o lan\u00e7amento do \u00e1lbum foi um pouco complicado. O que aconteceu \u00e9 que ele foi n\u00e3o realmente muito bem promovido. E acho que ningu\u00e9m nem sabia da exist\u00eancia do \u00e1lbum nos Estados Unidos. Voltei para casa e ningu\u00e9m sabia sobre o disco, o que foi lament\u00e1vel. Acho que foi bem no Brasil, se n\u00e3o me engano algu\u00e9m lan\u00e7ou o \u00e1lbum por a\u00ed. O disco podia ter feito mais barulho na \u00e9poca. Acho que ele acabou se tornando o que seria chamado de um disco cult. Acho que muita gente n\u00e3o sabia que o disco existia, acho que n\u00e3o fez muito pela carreira do Bruce na \u00e9poca \u2013 ou para a minha carreira, j\u00e1 que ningu\u00e9m sabia que eu tinha produzido o disco, mas eu escuto mais e mais sobre o disco agora.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bruce Dickinson - Inertia (HQ)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/k3H6i2i44RA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O interessante sobre o disco \u00e9 que o Bruce me ligou e disse \u201cEu quero fazer um disco que n\u00e3o soe como o Iron Maiden\u201d. Ele disse que era um grande f\u00e3 de algumas das bandas de Seattle com quem eu tinha trabalhado. Ele amava o Soundgarden, conhecia o Alice in Chains, todas as coisas de Seattle, o Nirvana, o Mudhoney. Na \u00e9poca ele tinha um programa de r\u00e1dio na BBC, em que tocava discos \u2013 ent\u00e3o estava sempre em contato com o que estava acontecendo, conhecia tudo sobre Seattle e sobre o que eu tinha feito. E ele me disse que queria fazer um disco moderno de rock pesado que n\u00e3o se parecesse com a sua antiga banda. E eu disse \u201c\u00d3timo! Eu fa\u00e7o isso, me parece \u00f3timo.\u201d. Foi algo parecido com o que os Tit\u00e3s me falaram quando fizemos \u201cTitanomaquia\u201d (1993), foi meio que a mesma miss\u00e3o: \u201cVamos fazer um disco de rock pesado moderno, com guitarras\u201d e eu falei \u201c\u00c9 o que eu fa\u00e7o\u201d. Ent\u00e3o foi divertido fazer esse disco com o Bruce, mas no final das contas n\u00e3o funcionou para ele, j\u00e1 que para o disco seguinte ele arrumou uma outra banda, trouxe o Adrian Smith, ex-guitarrista do Iron Maiden, e fez um disco que soava mais com o Iron Maiden do que o pr\u00f3prio Iron Maiden na \u00e9poca, em que estavam com o outro vocalista (Blaze Bailey), e depois acabou voltando para o Iron Maiden. Mas esse disco, o \u201cSkunkworks\u201d, \u00e9 algo completamente \u00fanico, n\u00e3o soa como nenhum outro disco do Bruce. Gosto dele, acho que \u00e9 um disco de metal, mas um tipo diferente de disco de metal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muitos dos discos que voc\u00ea gravou, especialmente no seu in\u00edcio de carreira com as bandas de Seattle, acabaram tornando-se muito importantes, como \u00e1lbuns do Nirvana, Mudhoney, Soundgarden, TAD, Mark Lanegan, Screaming Trees, Green River. Al\u00e9m disso, mais recentemente voc\u00ea trabalhou com outras bandas importantes locais como U-Men e Sonics. Por isso, eu queria saber se h\u00e1 alguma banda de Seattle com a qual voc\u00ea ainda gostaria de trabalhar, mas nunca teve a chance?<\/strong><br \/>\nEssa \u00e9 uma pergunta dif\u00edcil. Talvez o Pearl Jam. Sempre senti que poderia fazer um bom disco de rock com eles, se eu apenas fizesse o que costumo fazer. Mas eles se sa\u00edram bem sem mim, ent\u00e3o n\u00e3o posso realmente reclamar (risos). Obviamente eles se sa\u00edram muito bem, n\u00e3o precisam da minha ajuda. Mas trabalhei com esses caras antes, quando estavam em outras bandas (nota: Green River e Soundgarden). Seria interessante trabalhar com o Alice in Chains. Mas, mais uma vez, os discos deles s\u00e3o incr\u00edveis, eles n\u00e3o precisam da minha ajuda. Essa \u00e9 uma boa pergunta, mas na verdade n\u00e3o tenho uma resposta. J\u00e1 trabalhei com quase todo mundo em algum momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No in\u00edcio da sua carreira, voc\u00ea costumava trabalhar com bandas que estavam come\u00e7ando, mas o Tit\u00e3s j\u00e1 era uma banda estabelecida no Brasil, com disco de ouro e tudo, quando voc\u00ea come\u00e7ou a trabalhar com eles em 1993, tendo inclusive j\u00e1 passado por diferentes fases em termos de som. Como foi essa experi\u00eancia de trabalhar com eles na \u00e9poca, chegar ao Brasil em 1993, ainda mais com as letras em um idioma diferente do seu?<\/strong><br \/>\nFoi realmente divertido, me diverti muito. Foi muito divertido porque eles me trataram como um rei. Fiquei num hotel legal no Rio&#8230;apesar que n\u00e3o me lembro onde gravamos o \u201cTitanomaquia\u201d, talvez n\u00e3o tenha sido no Rio (Nota: O disco foi gravado no lend\u00e1rio est\u00fadio Nas Nuvens, no Rio de Janeiro). \u00c9 dif\u00edcil lembrar, fiz cinco discos com esses caras \u2013 \u00e0s vezes em S\u00e3o Paulo, \u00e0s vezes no Rio, \u00e0s vezes um pouco em cada cidade. E \u00e9 claro que o \u00faltimo disco que fiz com eles, o \u00e1lbum ao vivo (\u201cMTV ao Vivo\u201d), foi feito em Florian\u00f3polis \u2013 esse tamb\u00e9m foi um disco divertido. Sempre me diverti muito trabalhando com o Tit\u00e3s. Eles sempre me tratavam bem, a comida era \u00f3tima, tinha sempre algu\u00e9m para me levar e buscar no est\u00fadio. Eles s\u00e3o \u00f3timos caras, apenas divertidos de estar perto. E era tudo sobre a m\u00fasica, foi o melhor trabalho imagin\u00e1vel, de verdade. Porque sou um workaholic, talvez um pouco mais do que eles. Eu trabalhava alguns dias bastante longos e eles me perguntavam: \u201cPor que voc\u00ea est\u00e1 trabalhando tanto? Pegue um pouco mais leve\u201d e eu falava \u201cN\u00e3o, n\u00f3s temos um disco para fazer\u201d. Sou um produtor americano louco que gosta de di\u00e1rias de 10 horas no est\u00fadio, ningu\u00e9m mais faz isso. E eles podem se dividir em turnos. Mas mesmo depois que eles fossem embora para casa, eu ficava no est\u00fadio editando ou algo assim. Me diverti muito trabalhando com o Tit\u00e3s, todos s\u00e3o muito legais, conheci as fam\u00edlias deles. Foi uma experi\u00eancia incr\u00edvel, realmente gostei de estar no Brasil e com eles.<\/p>\n<figure id=\"attachment_64700\" aria-describedby=\"caption-attachment-64700\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-64700 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/jackendino2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/jackendino2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/jackendino2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-64700\" class=\"wp-caption-text\"><\/em> <em>Jack Endino (de branco) com os Tit\u00e3s e Herbert Vianna nos anos 90<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E pensa que o fato de que, pelo menos no in\u00edcio da sua parceria com o Tit\u00e3s, voc\u00eas estarem buscando coisas diferentes ajudou a fazer com que a sua parceria durasse tanto tempo? Por exemplo, no in\u00edcio voc\u00ea estava querendo sair um pouco de todo o lance de Seattle e eles estavam querendo algu\u00e9m de fora do c\u00edrculo deles para buscar sons diferentes.<\/strong><br \/>\nSim, acho que foi exatamente isso: eles estavam buscando por algo novo, eu estava buscando por algo novo. Acho que \u00e9 uma boa observa\u00e7\u00e3o da sua parte, n\u00e3o tinha pensado nisso dessa maneira. Quando eles falaram comigo pela primeira vez, eles disseram \u201cN\u00f3s queremos fazer um disco de rock. N\u00f3s somos uma banda de rock. Quando estamos no palco, temos guitarras e soamos como uma banda de rock. E n\u00e3o sentimos que os nossos discos realmente capturaram isso\u201d. E eu disse \u201c\u00c9 o que eu fa\u00e7o, vamos fazer isso!\u201d. \u00c9 interessante, porque eu gosto desses discos antigos deles (Tit\u00e3s), gosto do \u201c\u00d5 Bl\u00e9sq Blom\u201d (1989), do \u201cCabe\u00e7a Dinossauro\u201d (1986) e do \u201cJesus\u201d (Nota: aqui Jack se refere ao disco \u201cJesus N\u00e3o Tem Dentes no Pa\u00eds dos Banguelas, de 1987). H\u00e1 \u00f3timas m\u00fasicas nesses discos, mesmo com a produ\u00e7\u00e3o soando muito \u201coitentista\u201d. Sabe o que quero dizer? A forma como eles soam. Especialmente \u201c\u00d5 Bl\u00e9sq Blom\u201d, que \u00e9 um disco muito oitentista, quase soa como&#8230;n\u00e3o sei, mas \u00e9 um disco muito anos 1980. E voc\u00ea tem uma m\u00fasica como \u201cFlores\u201d nesse \u00e1lbum, que \u00e9 uma m\u00fasica incr\u00edvel. H\u00e1 tantas m\u00fasicas incr\u00edveis, mesmo com a produ\u00e7\u00e3o mais anos 1980. Eles s\u00e3o bons compositores. O \u201cTitanomaquia\u201d foi interessante porque veio depois de \u201cTudo ao Mesmo Tempo Agora\u201d (1991), que foi um disco que meio que dividiu os f\u00e3s. N\u00e3o sei, n\u00e3o tenho certeza, porque foi o primeiro disco dos Tit\u00e3s que eles mesmos produziram. Ele n\u00e3o soa t\u00e3o bem, sempre quis remix\u00e1-lo. Apenas para ver como ele soaria se eu fizesse a mixagem, porque as m\u00fasicas s\u00e3o boas. A Warner Bros deixou eles produzirem a si pr\u00f3prios em um disco, e depois falou \u201cPor que voc\u00eas n\u00e3o buscam um produtor?\u201d. O interessante \u00e9 que quando fizemos \u201cTitanomaquia\u201d, a gravadora meio que nos deixou sozinhos, algo como \u201cS\u00e3o os Tit\u00e3s, eles j\u00e1 fizeram muitos discos, deixem eles fazerem o que quiserem\u201d. Mas no final do processo, quando o disco estava pronto, tivemos uma reuni\u00e3o com a Warner para apresentar o disco para eles, para tocar as mixagens finais do disco todo. Era tipo uma pequena festa, eles colocaram uns alto-falantes. N\u00f3s tocamos o disco inteiro para eles e foi um pouco estranho, porque os caras dos Tit\u00e3s estavam sorrindo, mas o pessoal da gravadora estava com um olhar um pouco estranho. Acho que se voc\u00ea perguntar a algum dos caras dos Tit\u00e3s, eles provavelmente se lembrar\u00e3o disso. Porque n\u00e3o acho que a gravadora estava esperando esse disco de rock pesado vindo do Tit\u00e3s. N\u00e3o sei se eles sabiam muito bem o que pensar disso (risos). Me lembro de pensar \u201cOk, fizemos o que nos propusemos a fazer, espero que tudo saia bem\u201d. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/10\/15\/precisamos-de-um-titanomaquia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Acho que voc\u00ea sabe o que aconteceu<\/a>, algumas pessoas gostaram do disco, outras n\u00e3o. Mas acho que olhando para o disco agora, \u00e9 um \u00e1lbum muito bom.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ser\u00e1 que \u00e9 isso que eu necessito - Tit\u00e3s\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6SVCS1BvDOg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Tit\u00e3s - A melhor banda de todos os tempos da \u00faltima semana (Video Clipe)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jdSs3SymIok?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea tem um disco favorito entre os que gravou com os Tit\u00e3s?<\/strong><br \/>\n\u201cA Melhor Banda de Todos os Tempos da \u00daltima Semana\u201d (2001). Para mim, esse foi o disco mais importante que fiz com eles. E tamb\u00e9m o mais dif\u00edcil porque perdemos o Marcelo (Fromer, guitarrista da banda, que faleceu em Junho de 2001 ap\u00f3s ser atropelado) um dia antes de entrarmos no est\u00fadio. Ent\u00e3o tudo precisou ser adiado por uma ou duas semanas. Eu fui ao funeral e foi pesado, muito pesado. Todo mundo ficou completamente chocado. As m\u00fasicas estavam prontas, n\u00f3s est\u00e1vamos prontos para fazer o disco. E ent\u00e3o a banda se reuniu e disse para mim \u201cN\u00f3s precisamos seguir e fazer esse disco. Porque se pararmos, talvez a gente n\u00e3o consiga come\u00e7ar de novo. N\u00e3o sabemos. Isso \u00e9 o que o Marcelo gostaria que n\u00f3s fiz\u00e9ssemos.\u201d E o Tony (Bellotto, guitarrista da banda) falou para mim \u201cJack, talvez seja a hora de voc\u00ea tocar guitarra em um disco dos Tit\u00e3s\u201d, e eu disse \u201cOh, Ok\u201d. Ent\u00e3o aprendi algumas das partes de guitarra do Marcelo a partir das demos que n\u00f3s t\u00ednhamos. E eles tamb\u00e9m chamaram outro guitarrista para tocar no disco, o Emerson Villani. N\u00f3s, eu e o Emerson, tocamos a maior parte das guitarras do Marcelo no disco. Foi dif\u00edcil, foi um per\u00edodo s\u00e9rio e pesado no est\u00fadio, n\u00e3o houve muitos sorrisos no est\u00fadio enquanto est\u00e1vamos fazendo esse disco. Mas realmente gosto das m\u00fasicas, \u00e9 um \u00f3timo disco. \u00c9 o \u00faltimo disco com o Nando (Reis, ex-baixista e vocalista da banda). Foi uma miss\u00e3o muito dif\u00edcil e sinto que n\u00f3s conseguimos cumpri-la. Gosto desse disco, h\u00e1 \u00f3timas m\u00fasicas nele. Realmente gosto da faixa-t\u00edtulo, a letra dela em especial \u00e9 muito divertida, \u00e9 muito a cara dos Tit\u00e3s, \u201cA Melhor Banda de Todos os Tempos da \u00daltima Semana\u201d (nota: num cabra cega para o Scream &amp; Yell, Ian McCulloch, do Echo and The Bunnymen, <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musica\/cabracegaian.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">elogiou muito essa m\u00fasica<\/a>). Mas depois que o Marcelo faleceu, eu sabia que a banda ia come\u00e7ar a&#8230; O Marcelo era meio que a cola, ele mantinha tudo junto. Depois eu sabia que o Nando acabaria saindo, era \u00f3bvio. E depois acabei fazendo discos com o Nando.<\/p>\n<figure id=\"attachment_64702\" aria-describedby=\"caption-attachment-64702\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-64702 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/jackendino3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/jackendino3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/jackendino3-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-64702\" class=\"wp-caption-text\"><em>Nando Reis com Jack Endino nas grava\u00e7\u00f5es de &#8220;Jardim Pomar&#8221;<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ali\u00e1s, h\u00e1 alguns anos voc\u00ea ganhou um Grammy Latino com o Nando Reis, pelo disco \u201cJardim Pomar\u201d (2015). Voc\u00ea j\u00e1 tinha imaginado que n\u00e3o apenas iria ganhar o Grammy um dia, mas o Grammy Latino com um disco todo cantado em portugu\u00eas?<\/strong><br \/>\n\u00c9 \u00f3timo, adoro isso! Acho que nunca vou ganhar um Grammy nos EUA porque os discos em que trabalho aqui s\u00e3o muito undergrounds, independentes. N\u00e3o vou ganhar um Grammy com o High on Fire, o Windhand ou o Zeke, n\u00e3o \u00e9 muito prov\u00e1vel que isso aconte\u00e7a. \u00c9 realmente estranho porque eu digo que sou um cara do pop: as minhas refer\u00eancias s\u00e3o toda a hist\u00f3ria da m\u00fasica pop, adoro os Beatles, adoro m\u00fasica pop, adoro Neil Young, Grateful Dead e todo o rock cl\u00e1ssico com o qual cresci \u2013 Santana, Zeppelin, Cream, tudo. Todos esses discos s\u00e3o muito pr\u00f3ximos de mim. Sou um grande f\u00e3 do James Brown, adoro o Curtis Mayfield \u2013 <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/23\/entrevista-nando-reis-2016\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">isso \u00e9 algo que eu e o Nando temos em comum<\/a>. Todos esses \u00e1lbuns incr\u00edveis de R&amp;B, funk. H\u00e1 muitas coisas que posso citar como refer\u00eancia, mas sou principalmente conhecido por causa daqueles quatro ou cinco anos da \u00e9poca do grunge, por causa do Nirvana. \u00c9 nisso que as pessoas pensam quando pensam em mim, \u00e9 nessa \u00e9poca. Mas eu fiz muitos discos de muitos estilos. E os discos mais bem-sucedidos que j\u00e1 fiz que n\u00e3o s\u00e3o discos de rock pesado provavelmente s\u00e3o os \u00e1lbuns que eu fiz no Brasil. Ent\u00e3o \u00e9 algo que me deixa muito feliz o fato de ter ganhado um Grammy Latino, porque sinto que alguns dos discos que fiz com artistas brasileiros s\u00e3o alguns dos melhores trabalhos de toda a minha carreira \u2013 os discos com o Tit\u00e3s e com o Nando. Sinto que eles est\u00e3o entre os meus melhores trabalhos como produtor. E a maioria das pessoas aqui nos EUA nunca ir\u00e1 escutar esses discos. Mas tudo bem, sou feliz com esses \u00e1lbuns, e se as pessoas que s\u00e3o f\u00e3s desses artistas gostam deles, ent\u00e3o o meu trabalho foi bem-sucedido.<\/p>\n<figure id=\"attachment_64703\" aria-describedby=\"caption-attachment-64703\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-64703 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/jack-endino.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"527\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/jack-endino.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/jack-endino-300x211.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/jack-endino-120x85.jpg 120w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-64703\" class=\"wp-caption-text\"><em>Jack Endino e o Grammy Latino que ganhou por &#8220;Jardim Pomar&#8221;, de Nando Reis<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea mencionou h\u00e1 pouco o High on Fire, e eles acabaram ganhando o Grammy h\u00e1 alguns anos com o disco mais recente deles, o \u201cEletric Messiah\u201d (2018). Mas na minha opini\u00e3o voc\u00ea produziu o melhor disco da banda, que \u00e9 o \u201cDeath is This Communion\u201d (2007). Sinto que voc\u00ea conseguiu capturar de forma perfeita a mistura de Motorhead, Slayer e Venon do som deles nesse disco. Gosto de todos os discos da banda, mas esse me parece a obra-prima. Como foi para voc\u00ea trabalhar com eles em um disco t\u00e3o diferente e pesado? E voc\u00ea j\u00e1 os conhecia? Foi o Matt Pike que procurou voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nEsse n\u00e3o foi o meu primeiro disco de metal, j\u00e1 trabalho com bandas de metal desde&#8230; H\u00e1 um lado da minha carreira que as pessoas n\u00e3o conhecem, sempre trabalho com algumas bandas de metal. Trabalhei com o The Acc\u00fcsed nos anos 1980 e 1990. Obviamente tamb\u00e9m tem o disco do Bruce Dickinson. A Relapse, que \u00e9 uma gravadora de metal importante, eles s\u00e3o independentes, mas s\u00e3o importantes, eles me \u201cjogam\u201d alguns discos a cada par de anos. E tamb\u00e9m havia uma gravadora chamada Volcom, eles n\u00e3o existem mais, mas eles tinham uma banda chamada Valient Thorr, com quem gravei um disco. Sempre houve discos de metal em que trabalhei. Mas aqui vai a conex\u00e3o (com o High on Fire): o baixista do High on Fire, Jeff Metz, costumava tocar no Zeke. Eu tinha feito uma grava\u00e7\u00e3o com o Zeke em 2005, para um disco deles chamado \u201cTil the Living End\u201d (Nota: Na verdade, o disco foi lan\u00e7ado em 2004). E na \u00e9poca o High on Fire tinha um manager, ou talvez fosse um booking agent, que era o Todd Cote, da Leafy Green Booking. E eu o conhecia desde a \u00e9poca do Skin Yard, porque o Skin Yard fez alguns shows com ele nos anos 1980. Ent\u00e3o o Todd era um velho amigo e ele estava trabalhando com o High on Fire. E o baterista da minha banda na \u00e9poca, a Earthworm, conhecia o Matt Pike da \u00e9poca em que viveu na Calif\u00f3rnia e tudo mais. Ent\u00e3o eu tinha todas essas conex\u00f5es com a banda. Essa foi uma das poucas em que eu realmente fui atr\u00e1s do trabalho, porque eu queria trabalhar com o High on Fire. E apenas espalhei isso por meio dessas conex\u00f5es que eu tinha e acabou acontecendo. Me diverti muito, eles s\u00e3o \u00f3timas pessoas. Foi um disco divertido de fazer, tivemos o tempo suficiente para faz\u00ea-lo da maneira certa. E penso que esse tamb\u00e9m foi um caso de \u201cmiss\u00e3o cumprida\u201d em rela\u00e7\u00e3o ao que nos propusemos a fazer. E esses caras est\u00e3o se saindo muito bem. Vi o Jeff recentemente, a fam\u00edlia dele \u00e9 de Seattle, ent\u00e3o o Jeff estava aqui h\u00e1 alguns meses para visitar a fam\u00edlia e foi \u00f3timo encontr\u00e1-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por favor, me diga tr\u00eas discos que mudaram a sua vida e porque eles fizeram isso.<\/strong><br \/>\nPrecisam ser discos que eu n\u00e3o produzi?<\/p>\n<figure id=\"attachment_64706\" aria-describedby=\"caption-attachment-64706\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-64706 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/jackendino5.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"497\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/jackendino5.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/jackendino5-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-64706\" class=\"wp-caption-text\"><em>Jack Endino na porta de seu est\u00fadio. &#8220;Bleach&#8221;, do Nirvana, foi gravado aqui.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o, n\u00e3o, pode ser qualquer disco, n\u00e3o importa se voc\u00ea produziu ou n\u00e3o.<\/strong><br \/>\nEnt\u00e3o diria o \u201cBleach\u201d (1989), do Nirvana, obviamente. Porque n\u00e3o gastamos muito tempo produzindo o disco, mas olha o que aconteceu. O \u201cBleach\u201d obviamente mudou a minha vida. \u00c9 o presente que nunca acaba. Porque eu n\u00e3o ganhei muito dinheiro com o disco, n\u00e3o era sobre isso naquela \u00e9poca. N\u00f3s n\u00e3o gastamos quase nada, eu n\u00e3o tenho direito a royalties, mas todo mundo acabou escutando e tenho sorte de ele soar t\u00e3o bem. Porque foi bem no come\u00e7o da minha carreira. Eu era bom, mas ainda estava apenas come\u00e7ando a pegar o jeito de produzir discos. Agora discos com os quais cresci que mudaram a minha vida&#8230; Provavelmente o quarto disco do Led Zeppelin, o \u201cLed Zeppelin IV\u201d (1970), que \u00e9 um disco que continua a vender. Porque ele \u00e9 como uma \u201cescola de produ\u00e7\u00e3o\u201d se voc\u00ea o escutar com cuidado, a forma como as m\u00fasicas foram montadas. Se n\u00e3o me engano, eles tiveram de mixar esse disco duas vezes para conseguir acertar. Lembro de ler sobre isso e pensar \u201cHmm, Ok\u201d. Eu era realmente um grande f\u00e3 de produ\u00e7\u00e3o. Acho que outro disco que realmente me influenciou foi o \u201cWho\u2019s Next\u201d (1971), do The Who, que tamb\u00e9m acho um disco sensacional. Tamb\u00e9m incluiria o \u201cAbbey Road\u201d (1969), do Beatles. Mas quanto a discos que mudaram a minha vida, acho que seriam eles. E esses foram dois dos primeiros discos que comprei, do The Who e do Zeppelin. Eu sou velho, comprei eles quando era um adolescente \u2013 na verdade, acho que nem era um adolescente ainda, mas era jovem. Esses foram discos que n\u00e3o apenas fizeram eu me interessar pelo rock, mas, mesmo ainda t\u00e3o jovem, eu queria saber como esses discos tinham sido feitos, quais foram as porcas e os parafusos apertados. Quem fez eles e como eles foram feitos, como aquele som foi criado. Eu era meio que um nerd de ci\u00eancias, era um tipo de cientista maluco mesmo quando era crian\u00e7a. Eu tinha um laborat\u00f3rio de ci\u00eancias no meu por\u00e3o, tinha um kit de qu\u00edmica. Eu tinha um tanque de galvanoplastia, quando era adolescente fazia as minhas pr\u00f3prias cromagens, fazia baterias, apenas coisas malucas. Ser um cientista maluco dos sons parecia uma coisa totalmente l\u00f3gica. Ent\u00e3o esses discos dos anos 1970 que foram realmente muito bem produzidos na \u00e9poca me inspiraram a querer ser um produtor de discos \u2013 e tamb\u00e9m a me tornar um m\u00fasico. \u00c9 claro que um desses trabalhos paga mais do que o outro (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E alguns desses discos te fizeram querer pegar uma guitarra ou foram mais uma influ\u00eancia direta para voc\u00ea querer produzir discos?<\/strong><br \/>\nFoi o Zeppelin que me fez querer tocar guitarra, talvez o Black Sabbath. Mas definitivamente o Zeppelin. E depois especialmente bandas como Budgie, The Groundhogs e Hawkwind. Se voc\u00ea olhar aqui atr\u00e1s vai ver que tenho um p\u00f4ster do Budgie na minha parede (risos). Isso \u00e9 o quanto eu sou um geek. O meu neg\u00f3cio de f\u00e3 musical foi o que me fez querer tocar guitarra, mas o lance t\u00e9cnico desses discos sempre ficou no fundo da minha cabe\u00e7a. Eu era f\u00e3 de bandas, mas tamb\u00e9m era f\u00e3 de produtores de discos. Eu pegava um disco e olhava \u201cHmm, quem fez isso? Ah, foi o Glyn Johns. Vou comprar isso, provavelmente \u00e9 bom\u201d. Ou ent\u00e3o \u201cAh, o Martin Birch produziu isso, eu deveria escutar para ver o que ele fez\u201d. Quando o Iron Maiden surgiu, eu j\u00e1 conhecia o Martin Birch por causa dos discos do Deep Purple. E lembro de pensar \u201cUau, eles pegaram o produtor do Deep Purple. \u00d3tima ideia, caras\u201d. E a\u00ed vem o Martin Birch produzindo o Iron Maiden (Nota: Birch, que faleceu em 2020, produziu os principais discos do Maiden nos anos 1980, al\u00e9m de ter trabalhado em \u00e1lbuns cl\u00e1ssicos do Deep Purple, Rainbow e Black Sabbath). Lembro de ver o primeiro disco do Mot\u00f6rhead quando foi importado aqui para os EUA \u2013 porque n\u00e3o foi lan\u00e7ado por aqui \u2013 e pensar \u201cAh, o Lemmy do Hawkwind, ele tem uma banda nova agora. Preciso comprar isso\u201d. Ent\u00e3o eu apenas era f\u00e3 de todas essas coisas. Ent\u00e3o o segundo disco do Mot\u00f6rhead foi produzido pelo Jimmy Miller e pensei \u201cUau, esse \u00e9 o cara que produziu o \u2018Sticky Fingers\u2019 (1971), dos Rolling Stones. Como isso vai soar?\u201d. E esse era o \u201cOverkill\u201d (1979), que \u00e9 um disco incr\u00edvel. Voc\u00ea olha para o primeiro disco do Mot\u00f6rhead, que soa muito mal (em termos de produ\u00e7\u00e3o), e ent\u00e3o olha para o segundo disco, o \u201cOverkill\u201d, que foi produzido pelo Jimmy Miller e tem um som incr\u00edvel. L\u00e1 estou eu, com 20 anos de idade, apenas pensando \u201cUau, produtores s\u00e3o muito importantes. Quero ser um deles\u201d. Me desculpe, essa era apenas a hist\u00f3ria que precisava contar (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 gravou mais de 600 discos como produtor, al\u00e9m dos \u00e1lbuns com as suas bandas. Por isso, queria saber do que voc\u00ea tem mais orgulho na sua carreira?<\/strong><br \/>\nBom, estou muito feliz com o meu novo disco, porque fiquei muito bom em gravar. E melhorei muito como vocalista. Por isso, estou muito feliz com a minha voz, as letras, o pacote completo. \u00c9 o disco que eu precisava fazer e o fato de ter sa\u00eddo durante uma pandemia \u00e9 apenas um acidente, de verdade. Mas \u00e9 o disco certo para o momento atual. Tamb\u00e9m gosto muito do primeiro disco do Mark Lanegan, \u201cThe Winding Sheet\u201d (1990), que eu produzi. Pude tocar baixo nele, o que foi divertido, porque sou um baixista bastante decente, mas n\u00e3o h\u00e1 muitas evid\u00eancias gravadas disso. Na verdade, toquei baixo em muitas bandas. Tamb\u00e9m gosto muito do disco com o Bruce Dickinson. Adoro o disco com o High on Fire. Tem o \u00faltimo disco que produzi com o Windhand, pude produzir os \u00faltimos dois discos deles e me diverti muito. A cada par de anos, recebo um disco de metal para produzir, o que \u00e9 divertido, porque posso ter o meu lance meio Black Sabbath. Tudo que pude fazer para a Relapse foi divertido. O Black Tusk foi outra banda, o Valient Thorr. N\u00e3o sei, h\u00e1 tantos discos que n\u00e3o consigo&#8230;\u00e9 dif\u00edcil escolher. Posso escolher muitos dos discos antigos que gravei e pensar algo como \u201cAh, poderia fazer vers\u00f5es muito melhores deles hoje em dia\u201d. E sabe do que gosto muito? Da minha remixagem do \u201cUltramega Ok\u201d (1988), do Soundgarden. Eu n\u00e3o produzi esse disco, n\u00e3o tive nada a ver com ele. Fiz as demos, mas n\u00e3o fiz o disco. Mas tive a chance de remix\u00e1-lo e sinto que, mais uma vez, foi uma situa\u00e7\u00e3o de \u201cmiss\u00e3o cumprida\u201d. Ele soa como deveria ter soado na \u00e9poca. Com o Soundgarden, voc\u00ea precisa lev\u00e1-los a s\u00e9rio. E essa foi uma das \u00faltimas coisas que o Soundgarden fez como uma banda. Contei com o envolvimento completo \u2013 bom, por e-mail, mas ainda tive o envolvimento total de todos os integrantes, o Chris Cornell e o Matt Cameron me enviavam e-mails sobre as remixagens e todos estavam animados. \u00c9 dif\u00edcil para eu escolher, s\u00e3o muitos discos (risos).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mark Lanegan - Mockingbirds\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/EhOfTaRgpHk?list=OLAK5uy_lMtasr6JZMTiP-DWgo0LB1DDgNDYToCss\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bleach: Deluxe Edition\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_m41nfVEtvAF4yTcaJwYQLwmpcdZjtQU6A\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Endino&#039;s Earthworm at Slim&#039;s &quot;Toast The Sun&quot;\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cyaLRrFcD28?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Endino&#039;s Earthworm * Shadow World * Live at Slim&#039;s Last Chance\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mq0NwJjtIvk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a>\u00a0\u00e9 autor dos livros \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Somos-Tempestade-Conversas-Sobre-Alternativo\/dp\/8562885339\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00f3s Somos a Tempestade \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo dos EUA<\/a>\u201d e \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Somos-Tempestade-Conversas-Sobre-Alternativo\/dp\/8562885649\/ref=pd_lpo_14_t_0\/145-6204651-9007215?_encoding=UTF8&amp;pd_rd_i=8562885649&amp;pd_rd_r=0e02080e-01a3-422c-9e95-933a79ef9d17&amp;pd_rd_w=qJ5vJ&amp;pd_rd_wg=0obt1&amp;pf_rd_p=6102dabe-0e19-4db6-8e11-875a53ad30be&amp;pf_rd_r=K14PYCR8ZPPETTCCKYMH&amp;psc=1&amp;refRID=K14PYCR8ZPPETTCCKYMH\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00f3s Somos a Tempestade, Vol 2 \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo pelo Mundo<\/a>\u201d, ambos pela Edi\u00e7\u00f5es Ideal. Tamb\u00e9m colabora coma a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vice.com\/pt_br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Vice Brasil<\/a>, o\u00a0<a href=\"https:\/\/cvltnation.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">CVLT Nation<\/a>\u00a0e a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.loudmagazine.net\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Loud!<\/a><\/em> <em>A foto que abre o texto \u00e9 de Mikl\u00f3s Pint\u00e9r<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Nome lend\u00e1rio de Seattle, m\u00fasico e produtor comenta sobre o longo processo at\u00e9 o lan\u00e7amento do seu quarto \u00e1lbum, \u201cSet Myself on Fire\u201d, destaca sua rela\u00e7\u00e3o com o metal, fala sobre a import\u00e2ncia de \u201cBleach\u201d e relembra viagens ao Brasil.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/02\/24\/entrevista-jack-endino-fala-sobre-novo-disco-solo-e-relembra-trabalhos-com-nirvana-bruce-dickinson-e-titas\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":88,"featured_media":64699,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[5431,1483,381],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64697"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/88"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=64697"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64697\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":64710,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64697\/revisions\/64710"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/64699"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=64697"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=64697"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=64697"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}