{"id":64681,"date":"2022-02-20T16:56:51","date_gmt":"2022-02-20T19:56:51","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=64681"},"modified":"2022-03-30T00:41:03","modified_gmt":"2022-03-30T03:41:03","slug":"cinema-cineastas-andrea-santana-e-jean-pierre-duret-abordam-rio-de-vozes-doc-sobre-as-comunidades-do-velho-chico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/02\/20\/cinema-cineastas-andrea-santana-e-jean-pierre-duret-abordam-rio-de-vozes-doc-sobre-as-comunidades-do-velho-chico\/","title":{"rendered":"Cinema: Cineastas Andrea Santana e Jean-Pierre Duret abordam &#8220;Rio de Vozes&#8221;, doc sobre as comunidades do Velho Chico"},"content":{"rendered":"<h2><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-64683 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/riodevozes1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"849\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/riodevozes1.jpg 600w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/riodevozes1-212x300.jpg 212w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Quem acredita em um mundo melhor \u00e9 motivado muito pela utopia. Muitas pessoas acham que \u00e9 imposs\u00edvel e j\u00e1 est\u00e3o acostumadas com o que est\u00e1 a\u00ed. Mas a utopia \u00e9 importante&#8221;. Essa fala \u00e9 proferida em um dos momentos de maior reflex\u00e3o de \u201cRio de Vozes\u201d (2022), document\u00e1rio em cartaz nas principais salas de cinema. Quem a diz \u00e9 um jovem que se destaca em meio a diversos outros cujas origens familiares e de vida v\u00eam do rio S\u00e3o Francisco e dos lugares e comunidades banhados por ele ou cujas exist\u00eancias dependem diretamente da sua preserva\u00e7\u00e3o. Essa utopia vai nortear boa parte das vidas que conheceremos na hora e meia de proje\u00e7\u00e3o do doc. Inconscientemente ou n\u00e3o para quem as vive, \u00e9 o que lhes faz ter motiva\u00e7\u00e3o para seguir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Andrea Santana e Jean-Pierre Duret trazem um filme de observa\u00e7\u00e3o e de apresenta\u00e7\u00e3o destas e de outras diversas pessoas que tiram seus sustentos daquelas \u00e1guas. Logo nos segundos iniciais, o trajeto do rio \u00e9 desenhado digitalmente, e os nomes de cidades cujas margens fazem parte do seu territ\u00f3rio surgem na tela. Barra, Remanso, Juazeiro, Petrolina, Curralinho, Bel\u00e9m de S\u00e3o Francisco, Cura\u00e7a s\u00e3o alguns dos munic\u00edpios baianos e pernambucanos que o Velho Chico toca visitados aqui. Em cada um deles, hist\u00f3rias de vida se mesclam em semelhan\u00e7as e singularidades que t\u00eam em comum a maltratada massa d&#8217;\u00e1gua. No seu trajeto, a dupla de cineastas vai nos apresentando \u00e0quelas pessoas, suas labutas di\u00e1rias, seus sonhos, mesmo que ut\u00f3picos, saudades, bem como o senso de preserva\u00e7\u00e3o que cada um tem em rela\u00e7\u00e3o ao rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Fazer um document\u00e1rio \u00e9 encontrar pessoas. O document\u00e1rio \u00e9 filmar a intimidade das pessoas. Filmar a complexidade da vida das pessoas. S\u00e3o pobres, certo. Mas s\u00e3o pobres de um modo particular, porque s\u00e3o pobres que continuam a viver na regi\u00e3o onde nasceram. Uma regi\u00e3o que tem uma forte identidade. Isso \u00e9 importante&#8221;, explica Jean-Pierre Duret, salientando como se deu o encontro entre eles e as pessoas que se tornaram personagens de seu filme e a pontua algo imprescind\u00edvel para o adentrar do espectador na obra. &#8220;\u00c9 uma quest\u00e3o de rela\u00e7\u00e3o, de sensibilidade, de sentimentos que se abrem pouco a pouco entre as pessoas e n\u00f3s. E tudo isso vai at\u00e9 ao ponto onde filmamos coisas importantes. E o que s\u00e3o essas coisas importantes? S\u00e3o as coisas do trabalho, do corpo. Trabalho que eles fazem no meio que vivem. S\u00e3o pessoas que vivem disso h\u00e1 muito tempo. E mesmo sendo dif\u00edcil de continuar a existir do mesmo jeito, porque o rio S\u00e3o Francisco tem muitos problemas, eles tentam ainda sobreviver nessa situa\u00e7\u00e3o&#8221;, esclarece o diretor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cRio de Vozes\u201d tem nos seus noventa minutos essa s\u00e9rie de encontros e cada um deles apresenta \u00e0 audi\u00eancia uma riqueza de detalhes. Seja na express\u00e3o silenciosa de um pescador a trabalhar no nylon de sua rede enquanto as filhas falam de coisas t\u00e3o distantes quanto times europeus de futebol; seja na volta de outro pescador para casa, ainda de noite, com peixes que precisar\u00e1 vender r\u00e1pido no dia seguinte (e um deles serve como brinquedo para a filha pequena que reencontra ao descer do barco); ou quando um homem define seu amor pelo rio juntamente pelo que dedica \u00e0 mulher que conheceu naquelas \u00e1guas. Em outro ponto, uma senhora lamenta a seca do rio ao passar dirigindo por um lugar no qual, anos antes, s\u00f3 conseguiria trafegar de barco. Na for\u00e7a de sua resigna\u00e7\u00e3o em ainda viver do rio, entra na \u00e1gua e ajuda os homens a empurrar uma embarca\u00e7\u00e3o, bem como a pesar os peixes que veio comprar. \u00c9 nestes encontros que o document\u00e1rio se firma e encontra sua riqueza reflexiva. A reflex\u00e3o referente \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o, ao respeito a tradi\u00e7\u00f5es, \u00e0s labutas, \u00e0s fam\u00edlias que se constru\u00edram ali e permanecem tentando sobreviver do que a natureza daquele lugar ainda oferece.<\/p>\n<figure id=\"attachment_64686\" aria-describedby=\"caption-attachment-64686\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-64686 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/riodasvozes3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/riodasvozes3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/riodasvozes3-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-64686\" class=\"wp-caption-text\"><em>Cena de &#8220;Rio de Vozes&#8221;<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Obviamente, quando o projeto foi escrito, n\u00e3o t\u00ednhamos encontrado as pessoas que filmamos. Mas t\u00ednhamos essa ideia da rela\u00e7\u00e3o com o rio, porque conhecemos essa regi\u00e3o. Sabemos que tem muita gente que tem esse sonho de ir embora na busca de uma vida melhor. Porque muitas vezes eles n\u00e3o conseguem viver ali ou porque est\u00e3o vendo que os pais sofrem muito porque n\u00e3o conseguem viver daquilo&#8221;, explica Andrea Santana ao falar sobre os est\u00e1gios de cria\u00e7\u00e3o e o resultado. &#8220;Ao mesmo tempo, tem toda uma s\u00e9rie de transforma\u00e7\u00f5es que aconteceram no pa\u00eds a partir de um maior acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o que abriu uma outra vis\u00e3o da import\u00e2ncia de sair, sim, para estudar. Mas, tamb\u00e9m, voltar para a comunidade para aplicar l\u00e1 o que aprendeu. Ou para continuar a fazer viver isso: fazer com que essa comunidade consiga manter essa cultura de base presente. Que ela continue a existir&#8221;, detalha, com esperan\u00e7a, a diretora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na constru\u00e7\u00e3o de pontes entre seus personagens, a citada rela\u00e7\u00e3o com o rio tem um destaque significativo, claro. Mas a utopia trazida no come\u00e7o desse texto tamb\u00e9m se desenvolve como um fator linear entre aquelas narrativas. Duas jovens que surgem, uma no primeiro ato e outro no encerramento do filme, exemplificam bem o fato de que isso pode ir al\u00e9m de utopias. Pode ser concreto. Uma almeja fazer faculdade, n\u00e3o quer ser pescadora. A outra, volta para visitar o av\u00f4 e lhe explica coisas que est\u00e1 aprendendo no curso de medicina. Fala acerca de sua vontade em ser uma m\u00e9dica a se dedicar \u00e0s pessoas de sua origem, cujo exemplo do DNA estudado em sala de aula por ela \u00e9 t\u00e3o oportunamente inserido naquela conversa afetuosa. O av\u00f4 vive sua vida ali, feliz pelo que \u00e9, mesmo pobre, mas orgulhoso por sua neta seguir em frente. Encontrar tais pessoas \u00e9 um dos trunfos de \u201cRio de Vozes\u201d. Enxergar a riqueza daquele homem, \u00eddem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Teve uma jovem que disse: &#8216;quando voc\u00ea filma o meu povo como ele \u00e9, eu fico ainda mais orgulhoso desse povo. Por causa do modo como voc\u00ea o filmou&#8217;. S\u00e3o coisas que s\u00e3o muito importantes para n\u00f3s, porque \u00e9 o verdadeiro ponto final para se fazer um filme&#8221;, relembra Jean-Pierre. O cineasta traz esses dois exemplos de personagens e aprofunda essa defini\u00e7\u00e3o relativa do que seria &#8220;pobreza&#8221;. &#8220;A vontade de que esse filme restitu\u00edsse algo da beleza das pessoas. Algo que perten\u00e7a a todos ali. Que seja universal. Que \u00e9 importante saber que existe. E que se tudo isso desaparecer, seria uma perda para todos. Na maioria do tempo, pessoas diferentes, e ainda mais quando s\u00e3o pessoas pobres, s\u00e3o considerados, pelo olhar dos outros, como jornalistas e mesmo em outros filmes, como algo simples assim: &#8216;ah, eles s\u00e3o pobres. \u00c9 a pobreza&#8217;. A pobreza n\u00e3o quer dizer nada! O que \u00e9 ser pobre? O que \u00e9 ser rico? Possuir o celular da \u00faltima gera\u00e7\u00e3o? O que \u00e9 ser rico? O que \u00e9 ser pobre? Se voc\u00ea tem uma vida em que voc\u00ea pode olhar para tr\u00e1s e olhar para o futuro ainda com esperan\u00e7a. Se voc\u00ea est\u00e1 consciente de que voc\u00ea tem filhos e que vai poder deixar para eles qualquer coisa de uma vida comum. Isso talvez seja mais rico do que tudo. \u00c9 nessa forma que n\u00f3s tentamos trabalhar&#8221;, finaliza o cineasta de modo simples e exato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste papo com o Scream &amp; Yell, Andrea e Jean-Pierre aprofundam a experi\u00eancia na constru\u00e7\u00e3o de &#8220;Rio de Vozes&#8221;. Leia a integra do bate papo abaixo!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Rio de vozes\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9LUy5y0kJEE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O filme ficou pronto em 2018 e agora chega aos cinemas em sess\u00f5es comerciais ap\u00f3s passar por festivais on line e presenciais. Como foi essa espera para finalmente trazer &#8220;Rio de Vozes&#8221; para a audi\u00eancia?<\/strong><br \/>\nAndrea Santana \u2013 Na verdade, foi muito frustrante ter passado tanto tempo desde que o filme ficou pronto, em 2018, esperando uma oportunidade de poder mostr\u00e1-lo na tela. A primeira proje\u00e7\u00e3o que a gente fez foi super emocionante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jean-Pierre Duret \u2013 O filme \u00e9 feito para o cinema. Por duas raz\u00f5es. A primeira \u00e9 que as pessoas que filmamos n\u00e3o s\u00e3o consideradas no Brasil. \u00c9 importante mostr\u00e1-las, os rostos deles, os corpos, as vidas, a esperan\u00e7a, os sonhos, o combate, a luta delas na tela de cinema. Acho muito importante. A experi\u00eancia de mostrar o filme l\u00e1, em uma tela grande de 4&#215;3, com um bom projetor, ao ar livre, foi fant\u00e1stica porque eles t\u00eam um sentimento de serem abandonados, de n\u00e3o serem escutados, de n\u00e3o serem vistos pelos outros. E isso foi muito importante para a autoestima deles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Andrea, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=MIrT3H-lhI0&amp;t=918s\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">lembro de visto voc\u00ea conversando com Mar\u00edlia Hughes<\/a> no debate on line do Panorama Internacional Coisa de Cinema, em 2020, e voc\u00ea falou sobre os encontros com as pessoas, sobre como houve um encadeamento de encontros, com uma pessoa levando \u00e0 outra que levava \u00e0 outra. No processo de montagem do filme, como se d\u00e1 essa escolha das pessoas que voc\u00eas encontraram no percurso. Imagino que seja doloroso perder alguns desses depoimentos.<\/strong><br \/>\nAndrea Santana \u2013 Na verdade, quando fazemos os filmes, a gente tenta que todo mundo que encontramos esteja na montagem. Porque n\u00e3o deixa de ser um encontro que foi importante para a gente e sempre temos essa vontade que eles estejam no filme. Obviamente que nem sempre conseguimos deixar todo mundo. Mas, nesse caso, todos os lugares que filmamos tem algu\u00e9m que est\u00e1 no filme. \u00c0s vezes, alguns minutos. Algumas vezes, a comunidade inteira. Algumas vezes, a comunidade inteira foi filmada, mas s\u00f3 uma pessoa ficou no filme. Ent\u00e3o, \u00f3bvio que o processo de montagem \u00e9 muito doloroso porque voc\u00ea tem que se desfazer de muitas cenas e imagens \u00e0s quais \u00e9 apegado porque viveu aquilo com eles. E \u00e9 por isso que \u00e9 importante ter um montador ou montadora que esteja completamente distante do que foi filmado. Assim, podemos ter uma narra\u00e7\u00e3o, algo que precisa ser contado, e vai ser preciso se deixar de lado muita coisa que filmamos. Mas, realmente, a gente procura deixar todo mundo no filme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jean-Pierre Duret \u2013 A gente n\u00e3o filma tantas pessoas. Porque fazer um document\u00e1rio \u00e9 encontrar pessoas. O document\u00e1rio, o filme que a gente quer fazer, \u00e9 filmar a intimidade das pessoas. Filmar a complexidade da vida das pessoas. S\u00e3o pobres, certo. Mas s\u00e3o pobres de um modo particular, porque s\u00e3o pobres que continuam a viver na regi\u00e3o onde nasceram. Uma regi\u00e3o que tem uma forte identidade. Isso \u00e9 importante. Porque \u00e9 diferente da pobreza nas grandes cidades, nas favelas da cidade. Porque, aqui, a gente continua a preservar a cultura, a tentativa de viver na tradi\u00e7\u00e3o do que eles conheceram. E mesmo se s\u00e3o pobres, eles t\u00eam um orgulho. E isso \u00e9 importante. Quando a gente vai ao encontro dessas pessoas para fazer esse filme, precisa que tenha uma rela\u00e7\u00e3o em que cada um se escolhe. A gente n\u00e3o pode filmar as pessoas se eles n\u00e3o quiserem. Porque n\u00e3o fazemos um filme de jornalista. De pessoas que ficam l\u00e1 duas horas, um dia, dois dias, e vai embora com a mat\u00e9ria. N\u00f3s procuramos a mat\u00e9ria do interior. E isso n\u00e3o se pode explicar. Isso precisa de muito para se aproximar dessa interioridade. \u00c9 imposs\u00edvel explicar com palavras o que a gente est\u00e1 tentando fazer. Isso \u00e9 uma quest\u00e3o de rela\u00e7\u00e3o, de sensibilidade, de sentimentos que se abrem pouco a pouco entre as pessoas e n\u00f3s. E tudo isso vai at\u00e9 ao ponto onde filmamos coisas importantes. E o que s\u00e3o essas coisas importantes? S\u00e3o as coisas do trabalho, do corpo. Trabalho que eles fazem no meio que vivem. S\u00e3o pessoas que vivem disso h\u00e1 muito tempo. E mesmo sendo dif\u00edcil de continuar a existir do mesmo jeito, porque o rio S\u00e3o Francisco tem muitos problemas, eles tentam ainda sobreviver nessa situa\u00e7\u00e3o. S\u00f3 para dizer que a gente n\u00e3o filma tantas pessoas, porque essa rela\u00e7\u00e3o, esse encontro, n\u00e3o \u00e9 com todos. Porque \u00e9 dif\u00edcil escolher. Quando voc\u00ea come\u00e7a a filmar algu\u00e9m, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 aquela em que a gente os encontra. Quem s\u00e3o? S\u00e3o pessoas que n\u00e3o s\u00e3o acostumadas a serem vistas. N\u00e3o s\u00e3o acostumados que a palavras deles sejam consideradas importantes. Quando voc\u00ea fica um dia, dois, tr\u00eas dias, uma semana, duas semanas, nas quais voc\u00ea acorda \u00e0s quatro da manh\u00e3 para film\u00e1-los, pouco a pouco eles trazem uma rela\u00e7\u00e3o importante que se abre, que deixa a eles a possibilidade de entender o que a gente procura. E o que procuramos qualquer coisa que seja muito pessoal a eles. Reestabelecer a autoestima, entender que as palavras deles s\u00e3o importantes. N\u00e3o posso falar de Andrea, porque ela \u00e9 brasileira, mas na maioria das vezes, essas pessoas nunca encontraram uma pessoa estrangeira, um franc\u00eas. Por que essa pessoa est\u00e1 interessada em film\u00e1-los? Para dizer ao qual ponto, no Brasil, o pobre nordestino, povo nordestino, n\u00e3o \u00e9 um cidad\u00e3o de forma completa. N\u00e3o pertence \u00e0 sociedade brasileira como deveria. Porque tem muito desprezo. Tem muito do n\u00e3o olhar. Na vida, cada um de n\u00f3s se abre, se constitui, cresce, no olhar do outro. Quando voc\u00ea n\u00e3o tem um olhar diferente dos outros sobre voc\u00ea, um olhar diferente, \u00e9 dif\u00edcil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Andrea Santana \u2013 E essa coisa da reconstitui\u00e7\u00e3o, porque a gente, agora, foi mostrar o filme para todos, teve uma das pessoas que filmamos que disse uma coisa super tocante. Ela disse: &#8220;voc\u00eas nos filmaram como se tivessem feito um carinho&#8221;. Porque, na realidade, quando filmamos, eles n\u00e3o t\u00eam muita ideia do que vai ser o produto final. E todos assistirem ao filme, se sentirem parte de uma hist\u00f3ria comum, porque cada um mora em um lugar diferente do rio. Mas o rio une todos eles. E cada um tem uma forma diferente de se relacionar com o rio. E ver que o outro que est\u00e1 ali um pouquinho mais \u00e0 frente tem essa mesma rela\u00e7\u00e3o que eles t\u00eam \u00e9 uma coisa que foi muito forte quando mostramos o filme a eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jean-Pierre Duret \u2013 Teve uma jovem que disse: &#8220;quando voc\u00ea filma o meu povo como ele \u00e9, eu fico ainda mais orgulhoso desse povo. Por causa do modo como voc\u00ea o filmou&#8221;. S\u00e3o coisas que s\u00e3o muito importantes para n\u00f3s, porque \u00e9 o ponto final, \u00e9 o verdadeiro ponto final para se fazer um filme. A vontade de que esse filme restitu\u00edsse algo da beleza das pessoas. Algo que perten\u00e7a a todos ali. Que seja universal. Que o franc\u00eas, quando ele assistir, ele sinta que as coisas que ele ouviu, que ele v\u00ea, os corpos, as caras, tudo isso faz parte dele. Desse mundo que \u00e9 importante conhecer. Que \u00e9 importante saber que existe. E que se tudo isso desaparecer, seria uma perda para todos. Na maioria do tempo, pessoas diferentes, e ainda mais quando s\u00e3o pessoas pobres, s\u00e3o considerados, pelo olhar dos outros, como jornalistas e mesmo em outros filmes, assim: &#8220;ah, eles s\u00e3o pobres. \u00c9 a pobreza&#8221;. A pobreza n\u00e3o quer dizer nada! O que \u00e9 ser pobre? O que \u00e9 ser rico? Possuir o celular da \u00faltima gera\u00e7\u00e3o? O que \u00e9 ser rico? O que \u00e9 ser pobre? Se voc\u00ea tem uma vida em que voc\u00ea pode olhar para tr\u00e1s e olhar para o futuro ainda com esperan\u00e7a. Se voc\u00ea est\u00e1 consciente de que voc\u00ea tem filhos e que vai poder deixar para eles qualquer coisa de uma vida comum. Isso talvez seja mais rico do que tudo. \u00c9 nessa forma que n\u00f3s tentamos trabalhar.<\/p>\n<figure id=\"attachment_64684\" aria-describedby=\"caption-attachment-64684\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-64684 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/andreajean.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"563\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/andreajean.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/andreajean-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-64684\" class=\"wp-caption-text\"><em>Andrea Santana e Jean-Pierre Duret<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dois dos pontos mais marcantes neste encontro com os personagens das pessoas que vivem nas regi\u00f5es do rio S\u00e3o Francisco \u00e9 quando vemos uma jovem conversar com o av\u00f4 sobre o que ela est\u00e1 aprendendo no curso de medicina e a outra adolescente que fala de sua vontade de fazer faculdade. Imagino que pensar nesses poss\u00edveis encontros, norteie a cria\u00e7\u00e3o da linha narrativa do filme. Como se d\u00e1 essa constru\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nJean-Pierre Duret \u2013 A transmiss\u00e3o \u00e9 muito importante. \u00c9 uma transmiss\u00e3o de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o. Quando exibimos o filme na Fran\u00e7a, as pessoas que viram esse final, essa linda jovem que fala daquele jeito sobre o DNA, que tenta explicar ao av\u00f4 o que ela est\u00e1 fazendo, que fala sobre sua esperan\u00e7a, o seu projeto de vida, muitos pais e m\u00e3es gostariam de ter uma filha assim. Que sejam franceses, que sejam de qualquer pa\u00eds. Porque isso simboliza a for\u00e7a, evidencia a generosidade da juventude. E isso n\u00e3o tem pre\u00e7o. Tem um valor primordial. E \u00e9 isso que \u00e9 importante na vida. A trag\u00e9dia dessas popula\u00e7\u00f5es \u00e9 que isso n\u00e3o seja muito reconhecido. Isso \u00e9 um grande problema, porque como essas pessoas n\u00e3o s\u00e3o consideradas, o pr\u00f3prio pensamento n\u00e3o existe para o poder pol\u00edtico em geral. E tamb\u00e9m para as outras camadas da popula\u00e7\u00e3o mais ricas. Isso \u00e9 uma trag\u00e9dia do Brasil, na verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Andrea Santana \u2013 Obviamente, quando o projeto foi escrito, n\u00e3o t\u00ednhamos encontrado as pessoas que filmamos. Mas t\u00ednhamos essa ideia da rela\u00e7\u00e3o com o rio, porque conhecemos essa regi\u00e3o. \u00c9 o quinto filme que a gente faz, ent\u00e3o conhecemos as pessoas. Sabemos que tem muita gente que tem esse sonho de ir embora na busca de uma vida melhor. Porque muitas vezes eles n\u00e3o conseguem viver ali ou porque est\u00e3o vendo que os pais sofrem muito porque n\u00e3o conseguem viver daquilo. E, ao mesmo tempo, tem toda uma s\u00e9rie de transforma\u00e7\u00f5es que aconteceram no pa\u00eds a partir de um maior acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o que abriu uma outra vis\u00e3o da import\u00e2ncia de sair, sim, para estudar. Mas, tamb\u00e9m, voltar para a comunidade para aplicar l\u00e1 o que aprendeu. Ou para continuar a fazer viver isso: fazer com que essa comunidade consiga manter essa cultura de base presente. Que ela continue a existir. Obviamente que tudo isso, e \u00e0 medida que a gente ia encontrando as pessoas, isso tudo ia abrindo pistas para a constru\u00e7\u00e3o do filme. Mas, realmente, a escritura do filme foi feita com a mat\u00e9ria filmada e no momento da montagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jean-Pierre Duret \u2013 Ao construir uma narrativa, \u00e9 preciso um pouco de uma dramatiza\u00e7\u00e3o. Porque \u00e9 preciso atrair o espectador. Ele precisa entender, mesmo que a gente n\u00e3o use narra\u00e7\u00e3o. Tudo isso precisa ser compreens\u00edvel, mas pelas imagens, pelo sil\u00eancio, pela beleza. Deixar que cada espectador fa\u00e7a os seus pr\u00f3prios caminhos dentro disso. N\u00e3o queremos impor um jeito de ver esse filme. Queremos que ele seja um encontro complexo. Isso \u00e9 o mais importante. Os ricos, as pessoas que vivem com muitas coisas, acham que s\u00e3o os \u00fanicos a ver a vida passar de um jeito complexo. Mas n\u00e3o \u00e9 verdade. As pessoas que t\u00eam mais dificuldades para viver o fazem com muita complexidade para continuar a resistir, a sobreviver. Tudo isso \u00e9 importante para abrir caminhos para o espectador entender tudo isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jean-Pierre, voc\u00ea tem uma longa trajet\u00f3ria e experi\u00eancia profissional dentro do aspecto sonoro do cinema. Queria lhe perguntar sobre as escolhas neste sentido dentro da constru\u00e7\u00e3o de &#8220;Rio de Vozes&#8221;, como a busca por um equil\u00edbrio entre o som dieg\u00e9tico e n\u00e3o dieg\u00e9tico na capta\u00e7\u00e3o das imagens, a op\u00e7\u00e3o pelo uso de trilha sonora em momentos espec\u00edficos.<\/strong><br \/>\nJean-Pierre Duret \u2013 Nesse rio, nessa regi\u00e3o que filmamos, tem um ambiente muito particular. Porque tem muita seca bem ao lado do rio. Uma seca danada. E ter o rio, essa massa d&#8217;\u00e1gua imensa, cria sons muito particulares. Sons de p\u00e1ssaros, de outros animais, como cavalos, burros, bodes. \u00c9 maravilhoso ver ainda uma civiliza\u00e7\u00e3o rural, agr\u00edcola, que ainda vive com animais. Isso \u00e9 importante. Os animais desaparecem quando h\u00e1 um momento em que as comunidades desaparecem. N\u00e3o tem mais animais. Aqui, tem animais. Tudo isso faz parte da trilha sonora. Tamb\u00e9m tem bonitos passarinhos que t\u00eam import\u00e2ncia dentro da cultura, porque na cena final tem uma can\u00e7\u00e3o do av\u00f4 da jovem estudante de medicina que \u00e9 sobre o sabi\u00e1. Esse p\u00e1ssaro faz parte da regi\u00e3o, da cultura. E \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o que fala de jeito muito bonito do rio, dos amores, das pessoas que vivem l\u00e1. Tudo isso faz parte. Outro momento, tamb\u00e9m, que traz uma m\u00fasica n\u00e3o totalmente de inspira\u00e7\u00e3o nordestina, mas moderna, se eu posso dizer, porque ela \u00e9 composta por um grande m\u00fasico brasileiro (Benjamim Taubkin) que fez um trabalho fant\u00e1stico. N\u00e3o tivemos muito tempo para trabalhar com ele. N\u00f3s o encontramos por duas horas em Paris. E depois tudo foi feito pela internet. E foi algo que ele fez muito do pr\u00f3prio jeito. Como ele percebia o filme. O resultado foi \u00f3timo. Ele tem muita sensibilidade. O modo como constru\u00edmos o filme foi como uma viagem pelo rio. Cada vez que part\u00edamos pelo rio, nos ajudava a alcan\u00e7ar diferentes lugares. Mas a gente passa muito tempo envolvido com o som. \u00c9 algo muito importante. Para o som, \u00e9 como se esse fosse um filme de fic\u00e7\u00e3o. Passamos muito tempo trabalhando nisso. Dois meses de edi\u00e7\u00e3o de som, mixagem. \u00c9 muito importante que em cada etapa do filme, a gente tente fazer com que ele seja cada vez mais evolu\u00eddo. Quando voc\u00ea filma coisas que fazem parte de um enquadramento, o som d\u00e1 a consci\u00eancia do mundo inteiro ao redor. Mais que a imagem. E tamb\u00e9m tivemos muito cuidado com as vozes. Respeitar os rostos e as vozes das pessoas \u00e9 muito importante.<\/p>\n<figure id=\"attachment_64685\" aria-describedby=\"caption-attachment-64685\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-64685 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/riodasvozes2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/riodasvozes2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/riodasvozes2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-64685\" class=\"wp-caption-text\"><em>Cena do document\u00e1rio &#8220;Rio de Vozes&#8221;<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O filme desperta muitos sentimentos relacionados a uma mescla de esperan\u00e7a e desesperan\u00e7a com o Brasil diante das quest\u00f5es urgentes de preserva\u00e7\u00e3o do meio-ambiente e, tamb\u00e9m, do rio S\u00e3o Francisco. Voc\u00eas dois t\u00eam esperan\u00e7a em dias melhores de mudan\u00e7a?<\/strong><br \/>\nJean-Pierre Duret \u2013 Eu n\u00e3o tenho esperan\u00e7a enquanto os pol\u00edticos continuem a agir do jeito que eles agem. Do jeito que eles s\u00e3o. Isso \u00e9 do mesmo jeito no mundo inteiro. As pessoas que cuidam do futuro, os ecologistas, t\u00eam raz\u00e3o. \u00c9 preciso ter prioridades. \u00c9 preciso apoiar as popula\u00e7\u00f5es que vivem ali e que ainda t\u00eam tradi\u00e7\u00f5es, que ainda t\u00eam essa rela\u00e7\u00e3o \u00edntima com o rio, com as \u00e1rvores, com as plantas. Se os pol\u00edticos n\u00e3o trazem confian\u00e7a nessas palavras para iniciar qualquer coisa, nunca vai acontecer. Vou citar um exemplo. N\u00f3s fomos \u00e0 cidade de Barras para exibir o filme. Quando chegamos, o rio havia subido sete metros. Era algo fant\u00e1stico. Uma paisagem de para\u00edso. Nessa balsa na qual eu fiz a viagem com eles, tinha um carro de uma grande empresa agr\u00edcola. Eu perguntei o que ele fazia. J\u00e1 tem muitas grandes empresas na beira do rio que desmatam. Todos sabem que \u00e9 preciso deixar as beiras dos rios com \u00e1rvores, ou tudo vai acabar. Essas grandes empresas destroem tudo. Esse carro que ia na balsa ia fazer prospec\u00e7\u00e3o, comprar grandes territ\u00f3rios dessa caatinga, que \u00e9 um bioma muito fr\u00e1gil, para plantar soja. J\u00e1 tem tanta soja no Brasil e eles querem plantar soja na beira do rio S\u00e3o Francisco! Em uma terra que n\u00e3o tem como suportar uma planta\u00e7\u00e3o de soja. E o que eles v\u00e3o fazer? Usar toneladas de adubo qu\u00edmico, uma quantidade de produtos t\u00f3xicos enorme, usar uma quantidade enorme de \u00e1gua. Depois, todos esses produtos agroqu\u00edmicos v\u00e3o voltar para o rio. As pessoas que vivem l\u00e1 na beira do rio bebem essa \u00e1gua. Eles s\u00f3 t\u00eam essa \u00e1gua. E ela abastece o interior, com os carros pipa pegam \u00e1gua ali para levar ao interior da caatinga. E tudo isso vai continuar do mesmo jeito. Se continuar assim, o rio vai acabar daqui a pouco. E por isso que se os pol\u00edticos n\u00e3o t\u00eam essa consci\u00eancia, eu n\u00e3o tenho muita esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Andrea Santana \u2013 Eu tenho esperan\u00e7a, porque a esperan\u00e7a eu n\u00e3o perco nunca. Mas a verdade \u00e9 que todos esses problemas do rio s\u00e3o uma quest\u00e3o de vontade pol\u00edtica, de decis\u00e3o pol\u00edtica. Porque se todas essas empresas est\u00e3o a\u00ed se instalando, \u00e9 porque tem um apoio e n\u00e3o t\u00eam realmente uma pol\u00edtica de preserva\u00e7\u00e3o que seja realmente forte, que preserve esse rio. Mas eu acho que uma coisa que \u00e9 fundamental \u00e9 uma quest\u00e3o de respeito pela nossa gente. N\u00e3o s\u00f3 pelo meio ambiente, pelo rio, mas \u00e9 uma quest\u00e3o de respeito pela gente, pela cultura das pessoas que nasceram ali, que moram ali. E esse respeito que tem sido cada vez mais negado. A gente vem de uma hist\u00f3ria de n\u00e3o respeito pela nossa gente, e agora \u00e9 ainda pior. Ent\u00e3o, acho que se n\u00e3o tiver respeito e considera\u00e7\u00e3o, e se tudo isso n\u00e3o for integrado na constru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, em um projeto de pa\u00eds que integre, que considere essa cultura e essa gente, \u00e9 dif\u00edcil ter esperan\u00e7a. Mesmo se eu guardo a esperan\u00e7a com muita for\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jean-Pierre Duret \u2013 No filme, tem essa equipe de jovens que falam muito bem disso. Que t\u00eam esperan\u00e7a. E eu tenho esperan\u00e7a gra\u00e7as a eles. Tem um jovem que fala de utopia. Necessariamente, a gente devia acreditar na utopia. Se n\u00e3o, n\u00e3o vai. Eu falei dos pol\u00edticos, mas eu tenho essa utopia de acreditar que os jovens, a resist\u00eancia, a luta, o combate dessas pessoas, vai conseguir a qualquer custo. Mas eles precisam da ajuda de todos os outros.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Rio de Vozes\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nuroXEfHWsw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>&#8220;Rio de Vozes&#8221;, m\u00fasica de Benjamin Taubkin<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Rio de Vozes\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/muKVZO7y0rA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde e assina o blog\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pel\u00edcula Virtual<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Andrea e Jean-Pierre trazem um filme de observa\u00e7\u00e3o e de apresenta\u00e7\u00e3o de diversas pessoas que tiram seus sustentos das \u00e1guas do Rio S\u00e3o Francisco numa s\u00e9rie de encontros que apresentam \u00e0 audi\u00eancia uma riqueza de detalhes.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/02\/20\/cinema-cineastas-andrea-santana-e-jean-pierre-duret-abordam-rio-de-vozes-doc-sobre-as-comunidades-do-velho-chico\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":64687,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[5427,5428],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64681"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=64681"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64681\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":64688,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64681\/revisions\/64688"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/64687"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=64681"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=64681"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=64681"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}