{"id":64292,"date":"2022-02-12T03:02:28","date_gmt":"2022-02-12T06:02:28","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=64292"},"modified":"2022-03-29T01:28:55","modified_gmt":"2022-03-29T04:28:55","slug":"esse-voce-precisa-ouvir-buy-do-contortions","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/02\/12\/esse-voce-precisa-ouvir-buy-do-contortions\/","title":{"rendered":"Esse voc\u00ea precisa ouvir: &#8220;Buy&#8221;, do Contortions"},"content":{"rendered":"<h2><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-64293 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/buy2.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/buy2.jpg 500w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/buy2-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/buy2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100016802896941\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luciano Ferreira<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Junto ao Teenage Jesus &amp; The Jerks (de Lydia Lunch), DNA (de Arto Lindsay) e Mars (de China Burg a.k.a. Lucy Hamilton), o Contortions foi uma das bandas da cena vanguardista nova-iorquina do final da d\u00e9cada de 70 que entrou na colet\u00e2nea \u201cNo New York\u2019 (1978), organizada por Brian Eno. Idealizada para contar com dez das bandas integrantes da fervilhante cena musical, no fim, apenas as quatro citadas entraram no disco, cada uma com quatro faixas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A celeuma com a colet\u00e2nea e o r\u00f3tulo de No Wave dado ao movimento (formado tanto por m\u00fasicos quanto por cineastas) praticamente decretou o fim da cena. Natural para um \u201cmovimento\u201d (nem mesmo esse termo eles aceitavam) que primava pela rejei\u00e7\u00e3o, rejeitar ser resumido por qualquer termo que seja. T\u00e3o r\u00e1pido quanto surgiu, a No Wave \u201cevaporou\u201d sem nem mesmo dar chance para que algumas das bandas integrantes desenvolvessem sua sonoridade, embora isso n\u00e3o fosse o que eles tamb\u00e9m pretendiam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Contortions, liderado pelo vocalista e saxofonista James Chance, foi das poucas bandas daquele ef\u00eamero e inovador \u201cmovimento\u201d que teve o privil\u00e9gio de, na \u00e9poca, gravar um \u00e1lbum de est\u00fadio, \u201cBuy\u201d (1979). O disco foi lan\u00e7ado pelo selo independente ZE Records, de Michael Zilkha e Michel Esteban, respons\u00e1vel tamb\u00e9m por grava\u00e7\u00f5es de outras bandas No Wave.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As bandas No Wave (denomina\u00e7\u00e3o cercada de d\u00favidas quanto ao seu surgimento) tinham o barulho \u2013 que seria levado adiante por bandas como Swans e Sonic Youth \u2013 como uma caracter\u00edstica poss\u00edvel de encontrar em suas can\u00e7\u00f5es, mas, de forma geral, pouco ou nada al\u00e9m do tempo e lugar os unia, al\u00e9m do niilismo evidenciado nas letras. Influenciadas pela realidade dura do cotidiano, pelo cen\u00e1rio de caos de uma grande e problem\u00e1tica cidade como Nova Iorque, na \u00e9poca marcada principalmente por uma onda crescente de viol\u00eancia e abandono: totalmente decadente e esvaziadas ap\u00f3s a mudan\u00e7a da classe m\u00e9dia para os sub\u00farbios. Especialmente bairros como o Lower East Side.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00fasica do The Contortions flerta primordialmente com o funk \u2013 com uma cozinha pulsante conduzida pelas linhas de baixo pronunciadas de David Hofstra \u2013 e o free-jazz, representado pela presen\u00e7a flutuante do saxofone de Chance. Ao mesmo tempo, h\u00e1 os riffs secos e esparsos de guitarra de Jody Harris, que utilizava inclusive de atonalidade e disson\u00e2ncias junto aos efeitos slides de Pat Place. Melodias e refr\u00e3os? Esque\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chance n\u00e3o queria fazer jazz, queria uma banda com a est\u00e9tica rock, mas livre das amarras convencionais do g\u00eanero. Mais que isso, a base de tudo \u00e9 o funk, elemento primordial. \u201cBuy\u201d \u00e9 o resultado mais lapidado dessa experimenta\u00e7\u00e3o. A abertura j\u00e1 \u00e9 atraente com \u201cDesign to Kill\u201d, trazendo de pronto o di\u00e1logo entre a guitarra de Harris e o sax de Chance, logo substitu\u00eddos pelos slides de Place e os vocais berrados do vocalista sob uma letra que fala de algu\u00e9m com uma vida sem prop\u00f3sitos sen\u00e3o matar: \u201cYou\u2019re useless \/ Ain\u2019t got no excuses \/ You\u2019re designed to kill\u201d. \u201cMy Infatuation\u201d \u00e9 quando a banda bota para fora o lado mais experimental, num arranjo cheio de espa\u00e7os vazios e riffs dissonantes acompanhados de um sax que parece conversar numa linguagem diferente dos outros instrumentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O lado mais dan\u00e7ante do grupo surge em \u201cDon\u2019t Want to Be Happy\u201d, com uma letra que soa como a ant\u00edtese do que a m\u00fasica sugere: \u201cI only live on the surface \/ I don\u2019t think people are very pretty inside \/ And my idea of fun \/ Isn\u2019t having a son \/ Or being whipped on the back of my thighs \/ I prefer the ridiculous to the sublime\u201d. E aqui surgem e desaparecem uns tecladinhos fazendo mais gracinhas do que propriamente melodias. O arranjo \u00e9 um verdadeiro entra-e-sai de elementos ao longo de seus pouco mais de tr\u00eas minutos, finalizando no que poderia ser uma sequ\u00eancia ensandecida de riffs em fadeout.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O disco tem apenas nove faixas e pouco mais de 30 minutos, com todo trabalho t\u00e9cnico creditado a James Chance, que tamb\u00e9m \u00e9 autor das can\u00e7\u00f5es (uma reedi\u00e7\u00e3o deluxe de 35 anos estende o tracking list <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/250ldHML7p4xUXUD1e6OXo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">para 19 can\u00e7\u00f5es e 67 minutos<\/a>). Dentre os petardos sonoros, todos sem refr\u00e3o, ressalte-se, h\u00e1 que se mencionar a abrasiva \u201cContort Yourself\u201d, exemplo perfeito do convite \u00e0 dan\u00e7a enquanto a desesperan\u00e7a cai sobre sua cabe\u00e7a: \u201cAnd once you take out all the garbage \/ That\u2019s in your brain, forget about your future \/ Its just just just just too tame\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O funk mais convencional em \u201cRoving Eye\u201d, com direito a um solo de guitarra, \u00e9 dos momentos mais \u201cacess\u00edveis\u201d do disco, que ainda tem a alucinada \u201cBedroom Athlete\u201d, com uma linha de baixo inspirada no reggae, mas cheia de mudan\u00e7as e varia\u00e7\u00f5es sinuosas totalmente desconcertantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 poss\u00edvel afirmar que \u201cBuy\u201d atesta o quanto o p\u00f3s-punk ingl\u00eas e a No-Wave, do Contortions em espec\u00edfico, possuem em comum. \u00c9 tamb\u00e9m um dos \u00e1lbuns essenciais para entender a No Wave em seu lado musical. Muito se comenta e \u00e9 sabido sobre a heran\u00e7a e influ\u00eancia do p\u00f3s-punk na m\u00fasica feita a partir da d\u00e9cada de 80, e ele \u00e9 ineg\u00e1vel. Resta um olhar mais amplo e apurado, que por certo esbarrar\u00e1 indubitavelmente nos rastros da No Wave no trabalho de muitas bandas atuais e antigas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Buy Contortions 35th Anniversary (Deluxe)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_lkh2V59RqOhYfQ8lLi65EkNetk8vnShzc\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Contortions - Dish It Out (1978)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/S1ZCcp3XaiU?list=PLoIzyRxu9KXzrwqd63nuqaV_VLWJIQHSS\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100016802896941\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luciano Ferreira<\/a>\u00a0\u00e9 editor e redator na empresa\u00a0<a href=\"https:\/\/www.urgesite.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Urge :: A Arte nos conforta<\/a>\u00a0e colabora com o Scream &amp; Yell.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A m\u00fasica do The Contortions flerta primordialmente com o funk \u2013 com uma cozinha pulsante conduzida pelas linhas de baixo pronunciadas de David Hofstra \u2013 e o free-jazz, representado pela presen\u00e7a flutuante do saxofone de James Chance\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/02\/12\/esse-voce-precisa-ouvir-buy-do-contortions\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":91,"featured_media":64294,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[5417,4782],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64292"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/91"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=64292"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64292\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":64295,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64292\/revisions\/64295"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/64294"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=64292"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=64292"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=64292"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}